Mini-Projeto · Dossiê financeiro anual de uma PME comercial
Contexto
Uma pequena empresa comercial de material de escritório fechou o ano N e a gerência pede ao departamento administrativo um dossiê financeiro para a reunião de análise anual. Foste destacado/a como técnico/a de gestão e administração para preparar os mapas e as demonstrações, apurar os rácios e reportar os resultados e as suas causas.
A contabilidade entregou-te os dados que se seguem. Trabalhas individualmente ou a pares, em folha de cálculo, e entregas o ficheiro do modelo e um relatório curto de duas páginas para a gerência. Todos os valores estão em euros. Para o imposto, usa apenas neste trabalho uma taxa hipotética de 20% sobre o resultado antes de impostos.
Demonstração de resultados do ano N (por natureza):
| Rubrica | Valor |
|---|---|
| Vendas | 420 000 |
| Outros rendimentos | 3 000 |
| Custo das mercadorias vendidas | 252 000 |
| Fornecimentos e serviços externos | 48 000 |
| Gastos com o pessoal | 72 000 |
| Depreciações | 12 000 |
| Outros gastos | 3 000 |
| Juros suportados | 4 000 |
Repartição dos gastos por funções (para a DR por funções): distribuição 50 000; administrativos 82 000; outros gastos 3 000.
Balanço (início e fim do ano N):
| Rubrica | Início | Fim |
|---|---|---|
| Ativo fixo líquido | 80 000 | 86 000 |
| Existências | 30 000 | 40 000 |
| Clientes | 38 000 | 51 000 |
| Caixa e depósitos | 9 000 | 14 200 |
| Capital próprio | 70 000 | 89 600 |
| Empréstimos de médio e longo prazo | 42 000 | 45 000 |
| Empréstimos de curto prazo | 8 000 | 12 000 |
| Fornecedores | 33 000 | 40 000 |
| Estado e outros credores | 4 000 | 4 600 |
Capital próprio no início do ano: capital 40 000; reserva legal 3 000; resultados transitados 12 000; resultado líquido do ano anterior 15 000. O resultado anterior foi aplicado assim: 750 para reserva legal e o restante para resultados transitados. Foram pagos 6 000 de dividendos.
Ativo fixo e existências (dados para o anexo): o ativo fixo é todo equipamento, com custo de aquisição de 140 000 no início do ano e depreciação acumulada de 60 000 no início (valor líquido 80 000); a compra de equipamento do ano (18 000) entra pelo custo. As mercadorias são valorizadas ao custo médio ponderado.
Movimentos de dinheiro do ano N: recebimentos de clientes 410 000; pagamentos a fornecedores 306 000; pagamentos ao pessoal 72 000; imposto pago 5 800; compra de equipamento 18 000; empréstimo recebido 15 000; empréstimos reembolsados 8 000; juros pagos 4 000; dividendos pagos 6 000.
Orçamento do ano N (operacional): vendas 400 000; custo das mercadorias 240 000; fornecimentos e serviços externos 50 000; gastos com o pessoal 70 000; depreciações 12 000; outros gastos 4 000.
Novo empréstimo: 15 000 € a 5% ao ano, a pagar em 3 prestações anuais constantes, recebido no último dia do ano N. A 1.ª prestação vence só no fim do ano N+1, pelo que não entra no mapa do 1.º trimestre.
Previsão do 1.º trimestre do ano N+1: saldo inicial igual à caixa do fim do ano N. Recebimentos de clientes: 36 000, 38 000 e 41 000 (janeiro, fevereiro, março). Pagamentos a fornecedores: 25 000, 26 000 e 28 000. Pessoal: 6 000 por mês. Rendas e energia: 3 000 por mês. Impostos e contribuições: 2 500, 2 500 e 6 000. Prestações de empréstimos: 1 800 por mês (são dos empréstimos já existentes, não do empréstimo novo).
Requisitos
Funcionais
- Organizar a informação de suporte num livro de folha de cálculo com folhas separadas para dados, pressupostos e mapas finais.
- Elaborar o quadro de amortização do novo empréstimo e verificar que fecha.
- Construir o mapa de tesouraria do 1.º trimestre e interpretar o saldo.
- Calcular os desvios do orçamento do ano N, classificando-os e explicando as causas.
- Elaborar a demonstração de resultados por natureza e por funções, confirmando que o resultado operacional e o líquido coincidem.
- Elaborar a demonstração de alterações no capital próprio.
- Redigir as notas do anexo (políticas contabilísticas, detalhe de empréstimos e de gastos com o pessoal e depreciações), coerentes com o balanço e a DR.
- Elaborar a demonstração de fluxos de caixa, pelos métodos direto e indireto, e o mapa de origem e aplicação de fundos.
- Construir o balanço de gestão (FM, NFM, tesouraria líquida) no início e no fim do ano.
- Apurar, no mínimo, doze rácios de liquidez, estrutura, rendibilidade e atividade, com leitura de cada um.
- Redigir o relatório para a gerência e aplicar as normas de proteção de dados na versão a circular.
Não-funcionais
- Todas as células calculadas são fórmulas (nunca números escritos à mão), com taxas e pressupostos em células identificadas.
- Uma linha de controlo em cada mapa (quadro fecha, origens iguais às aplicações, balanço equilibrado, coerência entre demonstrações).
- Convenções de cálculo escritas e constantes (valores finais ou médios, 365 dias).
- Ficheiros com nomenclatura consistente (empresa, assunto, versão, data).
- Relatório curto, com conclusão no início, fonte e período dos dados.
- Cumprimento das normas de proteção de dados, da conduta ética e do rigor.
Fases
Fase 1 · Informação de suporte (2h) Estruturar o livro de folha de cálculo; registar dados e pressupostos; verificar que o balanço fecha no início e no fim do ano e que os totais batem com as demonstrações.
Fase 2 · Matemática financeira (3h) Calcular a prestação do novo empréstimo e construir o quadro de amortização; confirmar que as amortizações somam o capital e que o valor atual das prestações é igual a 15 000 €.
Fase 3 · Tesouraria e orçamento (3h) Elaborar o mapa de tesouraria do trimestre; calcular os desvios do orçamento do ano N, classificá-los e explicar as causas.
Fase 4 · Demonstração de resultados e anexo (3h) Elaborar a DR por natureza e por funções, com os resultados intermédios; verificar a coerência entre os dois modelos; redigir as notas do anexo (políticas contabilísticas, detalhe de empréstimos e de gastos com o pessoal e depreciações) e confirmar que batem com o balanço e a DR.
Fase 5 · Capital próprio, fluxos de caixa e fundos (3h) Elaborar a demonstração de alterações no capital próprio; a demonstração de fluxos de caixa (direto e indireto); o mapa de origem e aplicação de fundos; confirmar a coerência com o balanço.
Fase 6 · Balanço de gestão e rácios (3h) Calcular FM, NFM e tesouraria líquida no início e no fim; apurar os rácios; escrever uma frase de leitura por rácio.
Fase 7 · Relatório, proteção de dados e apresentação (3h) Redigir o relatório para a gerência; preparar a versão que circula pela equipa sem dados pessoais desnecessários; apresentar à turma.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Informação de suporte organizada e verificada | 10% |
| Matemática financeira e quadro de amortização | 15% |
| Mapa de tesouraria e análise de desvios | 15% |
| Demonstração de resultados por natureza e por funções, e anexo | 15% |
| Capital próprio, fluxos de caixa e origem e aplicação de fundos | 20% |
| Balanço de gestão e rácios | 15% |
| Folha de cálculo, relatório e proteção de dados | 10% |
Erros comuns
- Usar a taxa proporcional em vez da equivalente, ou misturar a unidade da taxa com a do tempo.
- Quadro de amortização que não fecha: dívida final diferente de zero ou amortizações diferentes do capital.
- Construir o mapa de tesouraria com datas de faturas, ou incluir depreciações como saída de dinheiro.
- Classificar um gasto acima do orçado como favorável.
- Ler só a percentagem do desvio e ignorar o valor em euros.
- DR por funções com resultado operacional diferente do da DR por natureza.
- Trocar os sinais das variações de clientes, existências e fornecedores no método indireto.
- Demonstrações incoerentes: capital próprio final ou caixa final diferentes do balanço.
- Calcular rácios com convenções diferentes (finais e médios) sem o dizer.
- Escrever valores à mão ou taxas dentro das fórmulas.
- Fazer circular o mapa de clientes com contribuinte e IBAN.
- Esconder ou ajustar um desvio para o relatório parecer melhor.
Bónus (opcional)
- Acrescentar ao modelo um cenário em que os clientes pagam 15 dias mais tarde e medir o efeito no mapa de tesouraria e nas NFM.
- Construir o quadro de amortização do mesmo empréstimo com amortização constante e comparar os juros totais.
- Decompor o desvio de vendas em quantidade e preço, com hipóteses fundamentadas de preço médio e quantidades.
- Criar um painel de uma página com gráficos dos principais indicadores.
Reflexão
No relatório final, responde: porque é que o resultado líquido de 25 600 € é diferente do dinheiro gerado pelas operações (26 200 €), e o que isso diz sobre o crescimento de clientes e existências? E descreve um erro que tenhas detetado nos teus mapas (por exemplo, um quadro que não fechava) e como o corrigiste, ligando a solução a uma verificação de coerência.