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UC · Unidade de Competência · UC04237

Sebenta · Atuar de acordo com as normas de segurança e saúde na atividade de Proteção Civil (UC04237)

Princípios de SST, legislação, planos de segurança, EPI, primeiros socorros, incêndios e extintores
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Proteção Civil ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a atuar de acordo com as normas de segurança e saúde no trabalho (SST) na atividade de Proteção Civil, desde os princípios gerais até à técnica concreta de extinguir um incêndio de gás. É um manual autónomo: lê-se sem precisar dos slides, e aprofunda cada tema que ali foi apenas introduzido.

O percurso segue a lógica de um técnico em contexto real: primeiro compreender os princípios de SST e o enquadramento legal, depois interpretar os planos de segurança do estabelecimento, identificar as causas de acidentes e de incêndio, usar corretamente o equipamento de proteção individual e os extintores, e por fim atuar e reportar em situação de emergência, sempre dentro do protocolo interno do serviço.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar os princípios gerais sobre segurança e saúde no trabalho; agir de acordo com as regras de segurança e saúde na atividade de Proteção Civil; utilizar os equipamentos de proteção individual; e aplicar medidas e procedimentos de segurança e saúde no trabalho, considerando os tipos de risco existentes no posto de trabalho, cumprindo as medidas de atuação em emergência e respeitando o protocolo interno definido, em contexto de serviços municipais e intermunicipais de Proteção Civil e de outras entidades do setor.

1. Princípios gerais de segurança e saúde no trabalho

A segurança e saúde no trabalho (SST) é o conjunto de princípios, normas e procedimentos que protegem a integridade física e psicológica de quem trabalha. Na Proteção Civil, esta exigência é dupla: o técnico protege terceiros numa ocorrência e tem de garantir primeiro a sua própria segurança.

Perigo, risco e dano

Três conceitos que se confundem com frequência e que convém distinguir com rigor:

Conceito Definição Exemplo no terreno
Perigo fonte capaz de causar dano um piso molhado
Risco probabilidade de o perigo se concretizar, e a gravidade se acontecer probabilidade de escorregar naquele piso
Dano o efeito real, depois de o risco se concretizar uma entorse ou uma fratura

A hierarquia de prevenção segue sempre a mesma ordem de preferência: eliminar o perigo é melhor do que reduzir o risco, que por sua vez é melhor do que apenas proteger contra o dano com equipamento. O equipamento de proteção individual é, por isso, sempre a última linha de defesa, nunca a primeira medida a considerar.

O posto de trabalho na Proteção Civil

O critério de desempenho da UC exige "considerar os tipos de risco existentes no posto de trabalho e as respetivas medidas de segurança e preventivas". Na Proteção Civil, o posto de trabalho não é fixo: pode ser a sede do serviço, uma viatura ou o local de uma ocorrência, cada um com riscos próprios.

Posto de trabalho Riscos típicos
Sede ou quartel quedas, choques elétricos, incêndio no próprio edifício
Viatura acidente de viação, movimentação de carga
Local de ocorrência risco variável e imprevisível, exige avaliação em cada caso

Exemplo resolvido · Avaliar um posto de trabalho

Um técnico vai apoiar a limpeza de uma via após queda de árvores num temporal. Antes de começar, avalia:

  1. Perigos presentes: ramos suspensos, fios elétricos possivelmente danificados, piso molhado e escorregadio.
  2. Riscos associados: queda de ramo, choque elétrico, escorregamento com a motosserra em mão.
  3. Medidas preventivas: isolar a zona, confirmar com a distribuidora se a rede está desenergizada, usar EPI adequado (capacete, luvas, botas), trabalhar sempre acompanhado.

Só depois desta avaliação inicial o técnico começa o trabalho. Avaliar antes de agir é o primeiro procedimento de segurança, e aplica-se a qualquer posto de trabalho, não só a situações óbvias de perigo.

2. Legislação e normas de segurança e saúde

A SST em Portugal assenta em legislação geral, aplicável a qualquer atividade, e em normativos específicos do setor da Proteção Civil, mais exigentes do que as regras de um escritório comum.

As três camadas da base normativa

Quatro referências concretas orientam a atividade de Proteção Civil em matéria de segurança e saúde:

Conhecer a norma não basta: é preciso aplicá-la em cada situação concreta. Situar cada regra do serviço, o manual de segurança, o plano de emergência, dentro deste quadro legal ajuda a perceber porque existe, e não apenas o que manda fazer.

Manuais de segurança

Cada serviço organiza a sua informação de segurança em manuais de segurança, documentos que reúnem regras, meios e procedimentos num só lugar. Devem estar acessíveis a toda a equipa, não apenas à chefia, e atualizam-se sempre que a legislação, o equipamento ou os riscos identificados mudam. Reconhecer e interpretar estes manuais é uma aptidão central desta UC: quando surge uma dúvida sobre um procedimento, o manual de segurança é a primeira fonte a consultar, antes de improvisar.

Deveres do trabalhador e do empregador

Quem Deveres principais
Empregador fornecer EPI adequado, formar, identificar riscos, manter os equipamentos
Trabalhador usar o EPI fornecido, seguir os procedimentos, reportar situações de risco

Um erro comum entre técnicos mais novos é pensar que a segurança é responsabilidade apenas de quem gere o serviço. A lei atribui deveres claros a ambas as partes, e o incumprimento por parte do trabalhador (por exemplo, não usar o EPI disponível) também tem consequências.

3. O plano de segurança do estabelecimento

O plano de segurança do estabelecimento organiza toda a estratégia de prevenção e resposta de um edifício ou instalação: quartel, sede de serviço, armazém de meios. Identifica os riscos do edifício, define responsabilidades (quem ativa o plano, quem coordena, quem comunica) e é revisto e testado periodicamente com simulacros.

O plano de segurança do estabelecimento integra três planos parciais, dois de prevenção e um de evacuação, e é complementado por um plano de emergência que coordena a resposta:

Plano de prevenção de acidentes

Identifica riscos de queda, entalamento, choque elétrico e outros, e define medidas para os reduzir antes de causarem dano: sinalização, resguardos, rotinas de verificação.

Plano de prevenção de incêndios

Identifica fontes de ignição e materiais inflamáveis, e define regras de armazenamento, manutenção de equipamentos elétricos e vigilância. Tal como o plano de prevenção de acidentes, atua antes do incidente.

Plano de evacuação

Define os percursos, as saídas, os pontos de encontro e os responsáveis por confirmar que todos saíram, assinalado com sinalética própria no edifício. Entra em ação quando o incidente já está a acontecer.

Plano de emergência

Coordena toda a resposta: quem aciona o alarme, quem chama o apoio externo, quem coordena no local e por que ordem se sucedem as ações. É este plano que traduz, em SST, o critério de "cumprir as medidas de atuação em situação de emergência".

Exemplo resolvido · Ler um plano de segurança

Um novo elemento chega ao quartel e é-lhe pedido que localize, no plano de segurança do estabelecimento, o que fazer em caso de incêndio na cozinha.

  1. Consulta a secção do plano de prevenção de incêndios para confirmar as regras de segurança daquele espaço (equipamentos, manutenção).
  2. Em caso de incêndio real, segue o plano de emergência: quem aciona o alarme, que extintor usar (classe F, óleos e gorduras).
  3. Se o fogo não for controlável, segue o plano de evacuação: percurso indicado, ponto de encontro, confirmação de presença de toda a equipa.

Este exercício mostra porque os três planos, prevenção, emergência e evacuação, têm de ser conhecidos em conjunto: um incidente real percorre-os pela ordem certa.

4. Causas e tipos de acidentes de trabalho

Conhecer as causas mais comuns de acidente permite antecipá-las, em vez de apenas reagir a elas.

As famílias de causas

Família Exemplos
Movimentação quedas ao mesmo nível, quedas em altura, entalamentos
Ferramentas e máquinas em movimento cortes, esmagamentos, projeção de partículas
Choques elétricos contacto com condutores ou equipamentos danificados
Agentes químicos e gases inalação, contacto com a pele, intoxicação
Queimaduras térmicas, de calor ou chama, e químicas

A maioria dos acidentes não tem uma única causa: resulta da soma de um perigo presente, de uma falha na prevenção e, muitas vezes, de um momento de distração.

Negligência, falta de atenção e ergonomia

Aplicar métodos de supressão da negligência e falta de atenção significa criar hábitos, checklists e verificações que não dependam só da boa vontade do momento, porque a atenção falha precisamente quando se está cansado ou apressado.

Exemplo resolvido · Identificar a causa de um acidente

Um técnico entala a mão ao arrumar uma escada dobrável sem verificar se o mecanismo de travamento estava bem encaixado.

  1. Causa imediata: movimentação, entalamento no mecanismo da escada.
  2. Causa raiz: falta de atenção, o mecanismo não foi verificado antes de manusear.
  3. Medida corretiva: incluir a verificação do travamento na checklist de arrumação do material, para que a segurança não dependa apenas da memória de quem arruma.

5. Condução de equipamento e movimentação de materiais

Condução de viaturas e equipamentos

A condução de viaturas e equipamentos de Proteção Civil segue regras mais exigentes do que a condução comum:

Movimentação de peças pesadas

Movimentar material de Proteção Civil (mangueiras, geradores, material de resgate) exige técnica, não apenas força:

  1. Verificar a superfície e o percurso antes de levantar, sem obstáculos nem pisos escorregadios.
  2. Aproximar a carga do corpo.
  3. Dobrar os joelhos, não a coluna, ao levantar.
  4. Pedir ajuda ou usar equipamento auxiliar acima de determinado peso.

Uma lesão nas costas por má técnica de levantamento tira um técnico de serviço tanto tempo como um acidente maior, e é uma das lesões mais evitáveis do setor.

Exemplo resolvido · Movimentar um gerador

Dois técnicos têm de deslocar um gerador de 40 kg de uma viatura para o local de uma operação.

  1. Confirmam que o percurso está livre e o piso é estável.
  2. Decidem fazer a tarefa a dois, pelo peso do equipamento.
  3. Cada um dobra os joelhos, mantém a carga junto ao corpo e levanta em simultâneo, com comunicação verbal ("um, dois, três, sobe").
  4. Transportam com passos curtos e apoio visual constante ao percurso.

Este procedimento simples, verificar, decidir se precisa de ajuda, levantar com técnica, evita a maioria das lesões associadas à movimentação de cargas.

6. Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

O EPI é todo o equipamento destinado a ser usado pelo trabalhador para se proteger de um ou mais riscos que ameacem a sua segurança e saúde. É, na hierarquia de prevenção, a última linha de defesa: primeiro elimina-se ou reduz-se o perigo, e só depois se protege com EPI o risco residual.

Tipos de EPI e riscos que cobrem

EPI Protege de
Capacete quedas de objetos, impactos na cabeça
Luvas cortes, calor, agentes químicos
Botas de proteção esmagamento, perfuração, escorregamento
Óculos ou viseira projeção de partículas, salpicos
Máscara ou proteção respiratória fumo, poeiras, gases
Colete de alta visibilidade atropelamento, falta de visibilidade

Escolher, usar e conservar o EPI

Um EPI mal ajustado ou danificado dá uma falsa sensação de segurança, o que pode ser mais perigoso do que não o usar, porque o técnico assume riscos que não assumiria sem essa proteção aparente.

Exemplo resolvido · Escolher o EPI para uma tarefa

Uma equipa vai cortar uma árvore caída sobre uma estrada com motosserra.

  1. Risco identificado: projeção de aparas, ruído, corte, queda de ramos.
  2. EPI necessário: capacete com viseira e proteção auditiva integrada, luvas de proteção contra corte, calças ou perneiras anticorte, botas de biqueira de aço.
  3. Verificação prévia: confirmar que nenhum item está danificado e que o ajuste é correto antes de ligar a motosserra.

Sem esta escolha deliberada de EPI, a equipa estaria a usar proteção genérica para um risco específico, o que reduz a eficácia da proteção.

7. Primeiros socorros e situações de emergência

A caixa de primeiros socorros

A caixa de primeiros socorros é o equipamento mínimo de resposta imediata a uma lesão, antes ou em paralelo com a chegada de apoio médico. Deve estar acessível, sinalizada e conhecida por toda a equipa. O conteúdo típico inclui compressas, ligaduras, desinfetante, luvas descartáveis, tesoura e manta térmica, e é verificado periodicamente, para repor o que foi usado e substituir o que caducou.

A caixa de primeiros socorros nunca substitui a assistência médica: serve para estabilizar a vítima até esta chegar.

Reconhecer situações de emergência

Situação Sinal a observar
Perda de sentidos não responde a estímulos
Ferida aberta ou fechada sangramento visível ou hematoma
Choque elétrico ou eletrocussão contacto com fonte elétrica, queimadura no ponto de contacto
Ataque cardíaco dor no peito, falta de ar, suor frio
Entorse ou distensão dor localizada numa articulação após esforço
Envenenamento contacto ou ingestão de substância nociva
Queimadura vermelhidão, bolhas ou lesão por calor ou por químico

Reconhecer rapidamente o tipo de situação orienta a primeira ação e a urgência do pedido de apoio: nem todas exigem a mesma resposta imediata.

Aplicar os procedimentos de emergência

  1. Avaliar a segurança do local antes de intervir, garantindo primeiro a própria segurança.
  2. Reconhecer a situação, usando a tabela anterior como referência.
  3. Agir dentro da sua competência: primeiros socorros básicos, afastar do perigo.
  4. Pedir apoio especializado quando necessário, através do 112 ou de apoio médico.
  5. Acompanhar a vítima até à chegada do apoio, sem a abandonar.

O que fazer em cada situação: primeiros socorros básicos

Os procedimentos seguintes são o que um socorrista não profissional pode fazer com segurança, entre avaliar a situação e a chegada do apoio especializado. Não substituem uma formação certificada de primeiros socorros: quem quiser atuar com confiança nestas situações deve procurar um curso de suporte básico de vida reconhecido.

Em todas as situações, a sequência começa sempre da mesma forma: avaliar a segurança do local, ligar 112 e só depois agir dentro da própria competência.

Situação O que fazer
Perda de sentidos, com respiração normal colocar a vítima em posição lateral de segurança (PLS): rodar a vítima de lado, com a cabeça ligeiramente inclinada para trás, para manter a via aérea livre, e vigiar a respiração até à chegada do apoio
Perda de sentidos, sem respiração normal iniciar de imediato o suporte básico de vida (ver abaixo)
Ferida com hemorragia aplicar compressão direta sobre a ferida com um penso ou pano limpo, manter a pressão sem levantar para verificar, e elevar o membro se possível
Choque elétrico ou eletrocussão cortar a corrente na origem antes de tocar na vítima; nunca tocar diretamente numa vítima em contacto com uma fonte elétrica ainda ativa
Ataque cardíaco (dor no peito, falta de ar, suor frio) manter a vítima em repouso, numa posição confortável; ligar 112 de imediato e preparar-se para iniciar suporte básico de vida se a vítima perder a consciência e deixar de respirar normalmente
Entorse ou distensão imobilizar a articulação sem forçar o movimento, aplicar frio (gelo envolto em pano, nunca diretamente sobre a pele) e elevar o membro
Envenenamento não provocar o vómito nem dar nada a beber ou a comer sem indicação médica; ligar 112 e, se possível, identificar a substância para informar quem responde à chamada
Queimadura arrefecer com água corrente fria, não gelada, durante vários minutos, retirar anéis ou roupa apertada junto à zona antes de inchar, e nunca aplicar gelo, pasta de dentes ou outros remédios caseiros diretamente sobre a queimadura

O encadeamento do suporte básico de vida

Perante uma vítima que não responde e não respira normalmente, a sequência que um socorrista não profissional pode seguir é:

  1. Verificar a segurança do local antes de se aproximar.
  2. Verificar a resposta: chamar e estimular a vítima; se não responde, avançar para o passo seguinte.
  3. Ligar 112 de imediato, ou pedir a alguém para o fazer, e pedir um desfibrilhador automático externo (DAE) se souber que existe um por perto.
  4. Verificar a respiração: abrir a via aérea e observar, ouvir e sentir durante alguns segundos.
  5. Se não respira normalmente, iniciar compressões torácicas no centro do peito, seguindo as instruções dadas por telefone pelo 112 até à chegada do apoio ou de um DAE.

Esta sequência é o que se pode fazer sem formação específica, sempre com o 112 já a orientar pelo telefone. A mesma lógica aplica-se a todas as situações: primeiro a própria segurança, depois o 112, só depois a ação, e nunca em substituição de uma formação certificada de primeiros socorros.

Reportar a situação de emergência

Reportar corretamente é uma aptidão tão importante como agir no terreno, uma comunicação confusa atrasa o apoio que a vítima precisa:

Seguir sempre o protocolo interno definido do serviço para a comunicação de emergências garante que a informação chega completa e na ordem certa.

Exemplo resolvido · Reportar um choque elétrico

Um técnico encontra um colega inconsciente junto a um quadro elétrico danificado por um temporal.

  1. Avalia a segurança: não toca de imediato, confirma se há corrente ativa na zona.
  2. Corta a energia na origem, se conseguir fazê-lo com segurança, antes de se aproximar.
  3. Reconhece a situação: perda de sentidos associada a choque elétrico.
  4. Reporta pelo protocolo: o quê (choque elétrico, uma vítima inconsciente), onde (localização exata), quando (agora), quem (identificação própria), e pede apoio médico imediato.
  5. Acompanha a vítima, sem a mover desnecessariamente, até à chegada do apoio.

8. Causas e tipos de incêndio

O triângulo do fogo e as causas

Um incêndio precisa de três elementos em simultâneo: combustível, comburente (normalmente o oxigénio do ar) e fonte de calor, o chamado triângulo do fogo. Retirar qualquer um destes três elementos apaga ou evita o incêndio. As causas mais frequentes:

Tipos de incêndio (classes de fogo)

O tipo de material que arde determina a classe de fogo e o meio de extinção adequado:

Classe Material Exemplo
A sólidos comuns madeira, papel, tecido
B líquidos inflamáveis gasolina, óleos, tintas
C gases inflamáveis gás butano, propano
D metais magnésio, sódio
F óleos e gorduras alimentares fritadeiras

Usar o meio errado para a classe de fogo pode agravar o incêndio em vez de o apagar, por exemplo, água num fogo de classe B ou num fogo elétrico espalha o líquido inflamável ou aumenta o risco de eletrocussão.

Exemplo resolvido · Classificar um incêndio

Surge fumo de uma fritadeira na cozinha do quartel.

  1. Identificar o material em combustão: óleo alimentar.
  2. Classificar: fogo de classe F.
  3. Decidir o meio de extinção: nunca água (espalha o óleo em chamas), usar um extintor próprio para classe F ou, se pequeno e seguro, abafar com uma tampa e cortar a fonte de calor.

Classificar corretamente o fogo antes de agir é o que separa uma extinção eficaz de um incidente agravado por um meio de extinção errado.

9. Deteção de incêndio e tipos de extintores

Sistemas de deteção

Detetar um incêndio cedo é decisivo para o combater com meios reduzidos:

Tipos de extintores

Extintor Classes indicadas Não usar em
Água A fogos elétricos, classe B
Pó químico A, B, C equipamento eletrónico delicado
CO2 (dióxido de carbono) B, fogos elétricos espaços muito confinados sem ventilação
Espuma A, B fogos elétricos, classe C

Antes de usar qualquer extintor, confirmar a classe do fogo e o tipo de extintor indicado na etiqueta, e nunca usar água em equipamento sob tensão elétrica.

Exemplo resolvido · Escolher o extintor certo

Um armário de material elétrico começa a arder no armazém do quartel.

  1. Classe do fogo: fogo elétrico (equipamento sob tensão).
  2. Extintor a evitar: água e espuma, condutores de eletricidade, risco de eletrocussão.
  3. Extintor indicado: CO2, apropriado para fogos elétricos e sem deixar resíduo no equipamento.
  4. Cuidado adicional: usar em espaço ventilado, o CO2 desloca o oxigénio do ar.

10. Atuação em incêndio: plano de ataque e técnicas de extinção

Plano de ataque a um incêndio

Perante um foco de incêndio, o técnico segue um plano de ataque, não improvisa:

  1. Alertar: acionar o alarme e avisar quem está por perto.
  2. Avaliar: dimensão do fogo, se é seguro combater ou se é preciso evacuar.
  3. Confirmar a classe do fogo e escolher o extintor adequado.
  4. Atacar o fogo pela base das chamas, nunca só pelas chamas visíveis.
  5. Recuar e evacuar se o fogo não ceder rapidamente ou se o fumo se tornar perigoso.

Manipular o extintor

Usar corretamente um extintor manual segue sempre os mesmos quatro passos:

  1. Puxar o pino de segurança.
  2. Apontar a mangueira ou o bocal à base das chamas, não ao topo.
  3. Apertar o gatilho com um movimento firme e controlado.
  4. Varrer de um lado ao outro da base do fogo.

Quando existe um sistema automático (sprinklers, extinção por gás), o técnico verifica se este já foi acionado e nunca o desliga durante um incêndio ativo, apenas depois de confirmado que o fogo está extinto.

Técnicas de extinção de incêndio de gás

Um incêndio alimentado por uma fuga de gás exige um cuidado adicional: apagar a chama sem cortar o gás pode acumular gás não queimado e criar uma explosão.

  1. Sempre que possível, cortar a fonte de gás primeiro, e só depois apagar a chama residual.
  2. Se não for possível cortar a fonte com segurança, deixar arder de forma controlada e isolar a zona, em vez de apagar e deixar gás a escapar sem chama.
  3. Afastar pessoas e materiais inflamáveis da zona de perigo.
  4. Ventilar o espaço assim que a fonte estiver cortada e a situação controlada.

Exemplo resolvido · Incêndio numa botija de gás

Uma botija de gás em utilização numa cozinha de campanha incendeia-se junto à válvula.

  1. Avaliar: a chama sai junto à válvula, sinal de que a fonte ainda alimenta o fogo.
  2. Decisão: se for seguro aproximar-se, fechar a válvula da botija primeiro.
  3. Se não for seguro aproximar-se da válvula, isolar a zona, afastar pessoas e materiais inflamáveis, e deixar a chama arder de forma controlada até chegar apoio especializado.
  4. Nunca apagar a chama e deixar o gás a escapar: sem chama, o gás continua a sair e acumula-se, com risco de explosão ao encontrar uma nova fonte de ignição.

11. Protocolo interno e atitudes profissionais

Respeitar o protocolo interno

Todos os procedimentos desta UC só funcionam em equipa se forem seguidos da mesma forma por todos. É essa a função do protocolo interno: define quem faz o quê em cada tipo de ocorrência, sem ambiguidade, e garante que qualquer elemento novo sabe o que esperar dos colegas. Respeitar o protocolo interno definido é, no referencial, um critério de desempenho próprio, tão importante como o resultado técnico alcançado.

As atitudes profissionais

Para além do saber técnico, o referencial exige um conjunto de atitudes que sustentam toda a atuação segura:

Atitude O que significa na prática
Responsabilidade assumir as consequências das próprias ações
Autonomia agir dentro das funções atribuídas, sem exceder a competência
Conduta profissional manter o comportamento adequado em qualquer circunstância
Disciplina cumprir procedimentos e horários sem exceções arbitrárias
Autocontrolo manter a calma sob pressão, sobretudo em emergência
Sentido de organização manter o material, a documentação e o posto de trabalho arrumados
Cooperação com a equipa trabalhar de forma coordenada, sem individualismos
Respeito pelas normas de segurança cumprir mesmo quando ninguém está a verificar

Estas atitudes não se avaliam por um exame escrito: avaliam-se em cada gesto do dia a dia, e são o que distingue um técnico competente de um técnico verdadeiramente profissional.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Atuar em segurança na Proteção Civil segue sempre a mesma lógica: compreender os princípios de SST (perigo, risco, dano) e a base legal, interpretar o plano de segurança do estabelecimento e os seus planos parciais (prevenção de acidentes, prevenção de incêndios, evacuação, emergência), identificar as causas de acidentes e de incêndio, usar corretamente o EPI e os extintores adequados a cada classe de fogo, e atuar e reportar em situação de emergência, sempre dentro do protocolo interno do serviço. Todo este percurso técnico assenta em atitudes profissionais, responsabilidade, disciplina, autocontrolo e respeito pelas normas, que não se aprendem de véspera, constroem-se pela prática constante.

Exercícios resolvidos

1. Distingue perigo, risco e dano num piso molhado junto a uma tomada elétrica.

Resolução: o perigo é o piso molhado junto à tomada; o risco é a probabilidade de alguém escorregar e entrar em contacto com a tomada, com a gravidade que isso teria; o dano seria, por exemplo, uma queda com choque elétrico. A medida preventiva mais eficaz é eliminar o perigo, secar o piso e isolar a tomada, não apenas avisar quem passa.

2. Um extintor de água está disponível junto a um quadro elétrico em curto-circuito. Podes usá-lo?

Resolução: não. Água conduz eletricidade, e usá-la num fogo elétrico cria risco grave de eletrocussão para quem manuseia o extintor. Deve usar-se um extintor de CO2, indicado para fogos elétricos, e cortar a energia na origem se for seguro fazê-lo.

3. Que documento consultas para saber os percursos de evacuação de um quartel, e o que fazes se não souberes onde ele está?

Resolução: o plano de evacuação, parte do plano de segurança do estabelecimento. Se não souberes onde está, o procedimento correto é perguntar ao responsável de segurança do edifício, nunca improvisar um percurso, porque o plano existe precisamente para uniformizar a resposta de toda a equipa.

4. Uma botija de gás está a arder junto à válvula, e não é seguro aproximares-te para a fechar. O que fazes?

Resolução: isolas a zona, afastas pessoas e materiais inflamáveis, e deixas a chama arder de forma controlada até chegar apoio especializado. Nunca apagas a chama sem cortar a fonte, porque isso deixaria gás a escapar sem chama, acumulando-se com risco de explosão.

5. Um colega diz "já tenho experiência, não preciso de seguir sempre o protocolo à risca". Que lhe respondes?

Resolução: que o protocolo interno existe precisamente para que a equipa funcione de forma previsível, e que "saltar" etapas por experiência confunde os colegas e quebra a coordenação da equipa. Respeitar o protocolo é um critério de desempenho tão importante como o resultado técnico, e a experiência deve reforçar o cumprimento do protocolo, não substituí-lo.

6. Que EPI escolherias para uma operação de corte de árvore caída sobre uma estrada, e porquê?

Resolução: capacete com viseira e proteção auditiva integrada (proteção contra impacto, projeção de aparas e ruído da motosserra), luvas e calças ou perneiras anticorte (proteção contra a lâmina), e botas de biqueira de aço (proteção contra esmagamento e queda de ramos). A escolha depende sempre do risco identificado naquela tarefa específica, não de um EPI genérico.