Instalar, configurar e parametrizar sistemas operativos (UC02829)
- Introdução
- 1. Sistemas operativos: funções, arquitetura e famílias
- 2. Equipamento, requisitos e documentação técnica
- 3. Arranque, firmware e preparação do suporte de instalação
- 4. Instalar o Windows 11
- 5. Instalar o Ubuntu e outros cenários de instalação
- 6. Parâmetros de instalação, particionamento e sistemas de ficheiros
- 7. Periféricos e controladores: definição e configuração
- 8. Ambiente de trabalho, rede e parametrização para o contexto
- 9. Gestão de processos e de memória
- Programa, processo e fio de execução
- Estados de um processo
- Escalonamento: quem usa o processador
- Exemplo resolvido · Escalonamento rotativo com três processos
- Gerir processos na prática
- Memória: RAM, memória virtual e paginação
- Exemplo resolvido · Traduzir um endereço virtual
- Diagnosticar problemas de memória
- 10. Gestão de recursos, desempenho e armazenamento de dados
- 11. Contas, privilégios de acesso e partilha de recursos e de ficheiros
- Contas e grupos
- Criar e gerir contas
- O princípio do menor privilégio
- Permissões em Linux
- Permissões em Windows (NTFS)
- Partilhar pastas em rede
- Exemplo resolvido · Partilha com permissões de grupo
- Exemplo resolvido · Qual é a permissão efetiva numa partilha Windows?
- Exemplo resolvido · Interpretar um valor octal
- 12. Segurança da informação, normas e regulamentos
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.
Introdução
Esta sebenta ensina a instalar, configurar e parametrizar sistemas operativos em equipamentos informáticos, com Windows e Linux (Ubuntu) como caminhos paralelos. O objetivo não é decorar menus. É ser capaz de receber um computador sem sistema, ou com um sistema que já não serve, e entregá-lo pronto: instalado a partir do suporte certo, com os parâmetros certos, com os periféricos a funcionar, com os recursos geridos, com cada utilizador a ver apenas o que deve ver e com a segurança da informação respeitada.
O percurso segue a sequência real de um técnico: perceber o que é um sistema operativo e o que o equipamento oferece, ler a documentação do fabricante, preparar o arranque e o suporte de instalação, instalar Windows e Ubuntu, decidir o particionamento e o sistema de ficheiros, configurar periféricos, ajustar o ambiente de trabalho, compreender processos e memória, gerir recursos para dar rendimento às aplicações, definir contas, privilégios e partilhas, e por fim aplicar as normas de segurança. Cada capítulo tem pelo menos um exemplo resolvido passo a passo, para ver o raciocínio completo e não apenas o resultado.
Objetivos de aprendizagem (referencial): instalar sistemas operativos nos equipamentos informáticos; parametrizar os recursos dos sistemas operativos; interpretar manuais e tutoriais técnicos; operar com diferentes sistemas operativos; definir configurações de arranque, de periféricos, de armazenamento, de partilha e de privilégios; e aplicar normas e regulamentos, sempre com responsabilidade, autonomia e respeito pelas regras definidas.
Como usar esta sebenta
Os comandos aparecem em blocos de código e podem ser experimentados numa máquina virtual, que é o laboratório mais seguro: se correr mal, apaga-se e recomeça-se. Nunca experimentes comandos de partição ou de formatação numa máquina com dados reais sem cópia de segurança. As tabelas comparam Windows e Linux lado a lado, porque o técnico competente não é "o de Windows" nem "o de Linux": conhece o princípio e sabe onde ele mora em cada sistema.
1. Sistemas operativos: funções, arquitetura e famílias
Um sistema operativo (SO) é o conjunto de programas que gere o hardware e fornece serviços às aplicações. Sem ele, cada aplicação teria de saber falar diretamente com o disco, o ecrã, o teclado e a rede. Com ele, a aplicação pede "abre este ficheiro" e o sistema trata do resto.
As funções de um sistema operativo
| Função | O que faz | Exemplo no dia a dia |
|---|---|---|
| Gestão de processos | decide que programa usa o processador e quando | abrir o browser e o editor ao mesmo tempo |
| Gestão de memória | distribui a RAM pelos programas e isola-os uns dos outros | um programa que falha não derruba os restantes |
| Gestão de ficheiros | organiza, guarda e recupera dados nos discos | pastas, nomes, permissões |
| Gestão de dispositivos | comunica com periféricos através de controladores (drivers) | imprimir, ligar um monitor, usar uma pen |
| Segurança e acessos | identifica utilizadores e limita o que cada um pode fazer | uma conta sem direito a instalar software |
| Interface com o utilizador | oferece ambiente gráfico e linha de comandos | janelas, terminal, PowerShell |
Arquitetura: núcleo, controladores e espaço do utilizador
O núcleo (kernel) é a parte do sistema que corre com privilégios máximos e fala com o hardware. As aplicações correm no espaço do utilizador, com privilégios limitados, e pedem serviços ao núcleo através de chamadas ao sistema. Os controladores (drivers) são módulos que ensinam o núcleo a falar com um dispositivo concreto. Esta separação é a razão pela qual uma aplicação com defeito não destrói o computador: o núcleo recusa-lhe o acesso direto ao hardware.
No Windows, o núcleo é o do Windows NT, comum ao Windows 10 e 11. No Linux, o núcleo chama-se Linux e uma distribuição como o Ubuntu junta-lhe as ferramentas, o gestor de pacotes e o ambiente gráfico. Por isso se diz que "Ubuntu" é uma distribuição e "Linux" é o núcleo.
Famílias de sistemas operativos
- Windows (Microsoft): dominante em computadores de secretária e portáteis de empresa e de casa. Edições como Home, Pro, Enterprise e Education diferem em funcionalidades de gestão e segurança.
- Linux (muitas distribuições): Ubuntu, Debian, Fedora, Linux Mint e outras. Dominante em servidores e muito usado em desenvolvimento de software. Gratuito e de código aberto.
- macOS (Apple): só corre em equipamento da Apple. Aparece nesta UC apenas como termo de comparação.
- Sistemas móveis (Android, iOS): para telemóveis e tabletes, fora do âmbito desta UC.
Versões de longo prazo e fim de suporte
Todo o sistema tem um ciclo de vida: depois de uma data, deixa de receber correções de segurança. Instalar um sistema fora de suporte numa máquina ligada à rede é um risco que o técnico deve recusar ou, pelo menos, escrever e comunicar. O Ubuntu publica versões LTS (Long Term Support), de dois em dois anos, com suporte standard de cinco anos; o suporte standard do Windows 10 terminou em 14 de outubro de 2025. Antes de instalar, confirma sempre as datas na página oficial do fabricante, porque podem ser alteradas.
Exemplo resolvido · Escolher o sistema para três máquinas
Situação. Uma pequena contabilidade tem três máquinas por instalar: um portátil para o contabilista (usa programa de faturação só para Windows), um PC que vai ser servidor de ficheiros e um portátil velho de 2015 que a estagiária quer usar para escrever relatórios.
Resolução, passo a passo.
- Portátil do contabilista. O requisito decisivo é o programa de faturação, que só corre em Windows. Escolhe-se Windows 11 Pro, se o hardware cumprir os requisitos (capítulo 2), ou Windows 10 apenas se for imprescindível, com as atualizações de segurança alargadas (ESU) e o risco comunicado por escrito, porque o suporte standard já terminou.
- Servidor de ficheiros. Não precisa de interface gráfica, consome menos recursos sem ela e é gerido por SSH. Escolhe-se Ubuntu Server LTS, com Samba para partilhar pastas com os PC Windows.
- Portátil de 2015. Provavelmente não cumpre os requisitos do Windows 11. Um Ubuntu Desktop LTS ou um Linux Mint dá-lhe uma segunda vida, com o LibreOffice a abrir e guardar ficheiros compatíveis com o Office.
- Registar a decisão numa tabela, com o motivo de cada escolha.
| Máquina | Sistema | Motivo |
|---|---|---|
| Portátil do contabilista | Windows 11 Pro | Programa de faturação só para Windows; BitLocker disponível |
| Servidor de ficheiros | Ubuntu Server LTS | Sem ambiente gráfico, suporte de cinco anos, Samba |
| Portátil de 2015 | Ubuntu Desktop LTS | Hardware antigo; LibreOffice cobre as necessidades |
A escolha do sistema é sempre decisão técnica justificada, nunca preferência pessoal.
2. Equipamento, requisitos e documentação técnica
Antes de instalar, o técnico responde a duas perguntas: o que é que este equipamento tem? e o que é que este sistema exige? Só depois decide.
Características do equipamento que condicionam a instalação
| Característica | Porque interessa | Como consultar |
|---|---|---|
| Processador (arquitetura, núcleos, geração) | o SO tem de suportar aquele processador | Windows: msinfo32; Linux: lscpu |
| Memória RAM | abaixo do mínimo o sistema arranca mal ou não arranca | Windows: Gestor de Tarefas; Linux: free -h |
| Armazenamento (tipo e capacidade) | SSD é muito mais rápido que HDD; a capacidade define o particionamento | Windows: Gestão de Discos; Linux: lsblk |
| Firmware (UEFI ou BIOS antigo) | define o esquema de partições e o arranque seguro | Windows: msinfo32, "Modo BIOS"; Linux: ls /sys/firmware/efi |
| TPM | exigido pelo Windows 11 | Windows: tpm.msc |
| Placa gráfica e rede | precisam de controladores; algumas só funcionam com os do fabricante | Windows: Gestor de Dispositivos; Linux: lspci |
| Resolução do ecrã | o Windows 11 exige um mínimo | Definições |
Requisitos mínimos oficiais
Os valores publicados pelos fabricantes são o ponto de partida, e devem ser confirmados na página oficial na altura da instalação:
| Requisito | Windows 11 | Ubuntu Desktop 24.04 LTS |
|---|---|---|
| Processador | 64 bits compatível, 2 ou mais núcleos, 1 GHz ou mais | 64 bits, dois núcleos, 2 GHz |
| Memória RAM | 4 GB | 4 GB |
| Armazenamento | 64 GB | 25 GB |
| Gráfica | compatível com DirectX 12 e WDDM 2.0 | sem requisito específico |
| Ecrã | HD (720p) | sem requisito específico |
| Firmware | UEFI com Secure Boot disponível | UEFI ou BIOS |
| Segurança | TPM 2.0 | não exige |
Mínimo não é recomendado. Um sistema com 4 GB de RAM abre, mas um browser com vários separadores e um programa de escritório já o levam ao limite. Para uso profissional, a regra prática é 8 GB como piso e 16 GB para quem usa máquinas virtuais.
Capacidade comercial e capacidade real
Os fabricantes de discos contam em potências de 10 (1 TB = 1 000 000 000 000 bytes), mas os sistemas operativos mostram em potências de 2 (1 GiB = 1 073 741 824 bytes). Por isso, um disco de 1 TB aparece como cerca de 931 GiB: 1 000 000 000 000 ÷ 1 073 741 824 ≈ 931,3. Não é defeito nem engano, é diferença de unidade, e convém explicá-la ao cliente que pergunta "onde foi o resto do meu disco?".
Documentação técnica: manuais, guiões e tutoriais
Parte do trabalho do técnico é ler. As fontes que mais contam:
- Manual do fabricante do equipamento: indica a tecla de acesso ao menu de arranque, a configuração do firmware, os controladores oficiais e a lista de sistemas suportados.
- Documentação do fabricante do sistema: Microsoft Learn para Windows, a documentação do Ubuntu e a do Debian para Linux. São a fonte de referência para comandos e requisitos.
- Guiões internos da empresa ou da escola: sequências de passos aprovadas e repetíveis.
- Tutoriais da comunidade: úteis, mas a verificar. Um tutorial desatualizado pode apontar para um menu que já não existe ou, pior, para um comando perigoso.
Como ler um manual técnico com método:
- Confirma a versão do documento e do produto a que se refere.
- Lê os pré-requisitos antes dos passos.
- Identifica os avisos de perda de dados.
- Executa um passo de cada vez e verifica o resultado antes de avançar.
- Regista o que fizeste, porque o teu registo é o manual do técnico seguinte.
Exemplo resolvido · Um portátil cumpre os requisitos do Windows 11?
Situação. Chegou um portátil usado. Pede-se ao técnico que diga se o Windows 11 pode ser instalado e, se não, o que fazer.
Resolução.
- Recolher os dados. Em
msinfo32: processador de quatro núcleos a 2,4 GHz, 8 GB de RAM, SSD de 256 GB, "Modo BIOS: UEFI", "Estado do arranque seguro: desativado". Emtpm.msc: TPM 2.0 presente. - Comparar com os requisitos. Processador: cumpre os mínimos de núcleos e frequência. RAM: 8 GB, acima dos 4 GB. Armazenamento: 256 GB, acima dos 64 GB. TPM 2.0: presente. UEFI: sim. Arranque seguro: está desativado, mas o requisito é o equipamento ser capaz, e pode ativar-se no firmware.
- Verificar o processador na lista oficial. O processador tem de constar da lista de compatibilidade da Microsoft, e não basta ter dois núcleos e 1 GHz. Se a lista o incluir, avança-se.
- Concluir. O equipamento serve, depois de ativar o Secure Boot no firmware. Regista-se a conclusão e o que foi alterado.
Se o processador não constasse da lista, a alternativa honesta é manter o Windows 10 (já fora de suporte standard) apenas com as atualizações de segurança alargadas (ESU) e o risco comunicado, ou instalar Ubuntu, e não forçar uma instalação não suportada numa máquina de trabalho.
3. Arranque, firmware e preparação do suporte de instalação
Instalar um sistema começa antes do sistema: no firmware do equipamento e no suporte (a pen USB) de onde vai arrancar o instalador.
Da tecla de ligar ao ambiente de trabalho
A sequência de arranque é sempre a mesma, em Windows ou em Linux:
- Firmware (UEFI ou BIOS): faz o autoteste (POST), inicializa o hardware e procura um dispositivo de arranque na ordem de arranque (boot order).
- Gestor de arranque (bootloader): no Windows, o Windows Boot Manager; no Linux, normalmente o GRUB. Escolhe o sistema a carregar.
- Núcleo: é carregado em memória, deteta o hardware e monta o sistema de ficheiros de raiz.
- Serviços e ambiente de trabalho: o sistema arranca serviços, apresenta o ecrã de início de sessão.
Quando algo falha, este esquema diz onde procurar. Ecrã preto sem mensagem: firmware ou disco. Mensagem "No bootable device": ordem de arranque ou gestor de arranque. Sistema que começa a carregar e bloqueia: núcleo ou controlador.
UEFI, BIOS, GPT e MBR
| Aspeto | BIOS (legado) | UEFI |
|---|---|---|
| Esquema de partições típico | MBR | GPT |
| Limite por disco com MBR | 2 TiB; 4 partições primárias | GPT: discos muito maiores e até 128 partições no Windows |
| Arranque seguro (Secure Boot) | não existe | sim |
| Interface | texto, teclado | pode ter rato e ecrã gráfico |
Duas regras práticas: o modo do firmware e o esquema do disco têm de coincidir (UEFI com GPT, BIOS com MBR) e o Windows 11 exige UEFI. Se o disco estiver em MBR e o firmware em UEFI, o instalador do Windows recusa instalar e pede conversão para GPT.
O Secure Boot é uma funcionalidade do UEFI que só deixa arrancar gestores de arranque assinados por entidades de confiança. Protege contra programas maliciosos que se instalam antes do sistema. O Windows 11 e o Ubuntu suportam-no; algumas distribuições e controladores de terceiros exigem passos adicionais.
Aceder ao firmware e ao menu de arranque
A tecla varia por fabricante e modelo (Del, F2, F10, F12, Esc), e a única fonte fiável é o manual do equipamento. Duas formas distintas de entrada:
- Configuração do firmware (setup): para alterar definições persistentes, como ativar o Secure Boot ou o TPM.
- Menu de arranque rápido (boot menu): para escolher o dispositivo de arranque só desta vez, sem alterar a ordem permanente.
Para instalar, o menu de arranque rápido é quase sempre a escolha certa.
Obter a imagem do sistema
A imagem de instalação chama-se ISO. Descarrega-se só do site oficial do fabricante: Microsoft para o Windows, ubuntu.com para o Ubuntu. Imagens de outras origens podem trazer código malicioso.
Verificar a integridade: o checksum
O fabricante publica um valor SHA-256 (uma impressão digital da imagem). Depois de descarregar, calcula-se o mesmo valor localmente e compara-se. Se for diferente, o ficheiro está corrompido ou foi adulterado.
# Linux
sha256sum ubuntu-24.04-desktop-amd64.iso
# Windows (PowerShell)
Get-FileHash .\Win11_pt-pt_x64.iso -Algorithm SHA256
Comparar os 64 carateres hexadecimais à vista é fácil de falhar; confere pelo menos o início e o fim, ou, melhor, usa o comando de comparação (sha256sum -c com o ficheiro de somas, quando o fabricante o fornece).
Criar o suporte de instalação
| Ferramenta | Sistema | Quando usar |
|---|---|---|
| Ferramenta de criação de suporte da Microsoft | Windows | pen para Windows 11, diretamente da Microsoft |
| Rufus | Windows | qualquer ISO, com opções de esquema de partições e de firmware |
| Ventoy | Windows e Linux | uma pen com várias ISOs: copiam-se os ficheiros para a pen |
| balenaEtcher | Windows, Linux, macOS | gravação simples com verificação |
| dd | Linux, macOS | linha de comandos, sem verificação nem rede de segurança |
Requisitos práticos: uma pen de pelo menos 8 GB para o Windows 11 e de 12 GB ou mais para o Ubuntu Desktop. Gravar o suporte apaga tudo o que está na pen.
O comando dd não pede confirmação. Se trocares o dispositivo de destino, apagas outro disco sem aviso. Por isso, antes de gravar, identifica a pen com lsblk:
lsblk -o NAME,SIZE,MODEL,TRAN
sudo dd if=ubuntu-24.04-desktop-amd64.iso of=/dev/sdX bs=4M status=progress conv=fsync
O sdX é um exemplo: vê no lsblk qual é a pen (pelo tamanho e pelo modelo) e substitui apenas depois de ter a certeza.
Exemplo resolvido · Preparar uma pen para instalar o Ubuntu
Situação. Tens a ISO do Ubuntu 24.04 descarregada e uma pen de 16 GB. A ISO deve ter cerca de 6 GB.
Resolução, passo a passo.
- Verificar o checksum. Na página oficial copias o SHA-256 publicado. Corres
sha256sumsobre o ficheiro e comparas. Coincide: a imagem está íntegra. - Identificar a pen.
lsblkmostrasda(disco do sistema, 512 GB) esdb(pen, 14,8 GiB, transporteusb). O destino é/dev/sdb. - Desmontar partições da pen que estejam montadas:
sudo umount /dev/sdb*. - Gravar com
ddou com a ferramenta gráfica. O tempo é função do débito: 6 GB a cerca de 30 MB/s dá 6 000 ÷ 30 = 200 segundos, pouco mais de 3 minutos. Numa pen lenta, pode demorar bastante mais. - Sincronizar e remover com segurança:
synce retirar só depois do comando terminar. - Testar o arranque numa máquina virtual ou na máquina-alvo, antes de dia de instalação.
Verificação final: a pen arranca e mostra o menu "Try or Install Ubuntu". Se mostrar "No bootable device", reveja-se o modo UEFI e o esquema de partições da pen.
4. Instalar o Windows 11
Antes de clicar em "Instalar"
- Cópia de segurança dos dados que existem na máquina, verificada (abrir alguns ficheiros da cópia).
- Chave de licença ou conta Microsoft associada ao equipamento. Muitos equipamentos novos têm licença digital no firmware.
- Controladores críticos guardados noutra pen ou conhecidos: rede, em particular. Sem rede, nem se descarrega o resto.
- Firmware em UEFI, TPM e Secure Boot ativos.
- Ligação à corrente ou bateria carregada num portátil.
A sequência de instalação
- Arrancar da pen através do menu de arranque rápido.
- Idioma, formato de hora e moeda e teclado: Português (Portugal) e teclado português.
- Chave do produto, ou "Não tenho chave" se a licença for digital.
- Escolher a edição. A edição Pro acrescenta BitLocker, Hyper-V, Política de Grupo e ligação a domínio, e é a indicada para uso profissional.
- Aceitar os termos de licença.
- Tipo de instalação.
- Atualizar preserva ficheiros e aplicações, mas só se já houver um Windows a correr.
- Personalizada: instalar apenas o Windows faz instalação limpa, a recomendada para entregar uma máquina em boas condições.
- Onde instalar. Escolhe-se o disco ou a partição. Numa máquina sem nada, seleciona-se o espaço não atribuído e o instalador cria as partições necessárias.
- Cópia de ficheiros e reinícios. O instalador copia, instala e reinicia várias vezes. Não mexer na máquina.
- Primeiro reinício: se a pen continuar ligada, o firmware pode arrancar de novo o instalador. Remove-se a pen ou ignora-se o pedido "prima uma tecla para arrancar do suporte".
- OOBE (Out-of-Box Experience): região, teclado, rede, nome da conta e privacidade.
Partições que o Windows cria em UEFI
Numa instalação limpa em UEFI/GPT, o instalador cria tipicamente: uma partição do sistema EFI (FAT32, com o gestor de arranque), uma partição reservada da Microsoft, a partição do sistema (C:, NTFS) e uma partição de recuperação (Windows RE). Os tamanhos variam com a versão; o que importa é perceber que cada partição tem um papel e que apagá-las "por serem pequenas" impede o arranque ou a recuperação.
Conta Microsoft e conta local
O Windows 11 incentiva a ligação a uma conta Microsoft durante a configuração inicial, e os caminhos para criar uma conta local mudam entre versões e edições. Em contexto profissional, a decisão deve estar na política da organização: contas Microsoft pessoais não são adequadas a máquinas de empresa; usam-se contas locais geridas, contas de domínio ou contas de trabalho. Consulta a documentação da Microsoft da versão que estás a instalar para saber as opções disponíveis nessa compilação e não dependas de truques que podem desaparecer numa atualização.
Pós-instalação: seis ações que se fazem sempre
- Windows Update repetido até o sistema indicar que está atualizado (as primeiras atualizações abrem a porta a outras).
- Controladores do fabricante, sobretudo gráfica, chipset e rede. O Windows Update instala muitos, mas nem sempre os melhores.
- Segurança ativa: Segurança do Windows (antivírus) e firewall ligados.
- Conta standard para uso diário, separada da conta de administrador.
- Cópia de segurança configurada (Histórico de Ficheiros em disco externo ou outra solução).
- Aplicações base: browser, gestor de palavras-passe, compactador, leitor de PDF, aplicações da organização.
Exemplo resolvido · "Este PC não pode executar o Windows 11"
Situação. O instalador para com a mensagem de que o PC não cumpre os requisitos. É um portátil de 2018 com UEFI.
Resolução. Seguir um diagnóstico em três passos, do mais provável para o menos provável:
- TPM. Executa
tpm.msc(ou, no PowerShell,Get-Tpm). Se disser "TPM compatível não encontrado", entra no firmware e procura a opção do TPM por firmware (Intel PTT ou AMD fTPM) e ativa-a. Volta a verificar. - Secure Boot.
Confirm-SecureBootUEFIdevolveTrueouFalse. Se forFalse, ativa o Secure Boot no firmware. Se o disco estiver em MBR, converte-o para GPT antes (ver o capítulo 6). - Processador. Se TPM, Secure Boot e UEFI estão corretos e continua a falhar, o processador pode não constar da lista de compatibilidade. Nesse caso o equipamento não é suportado.
Conclusão a registar: que requisito falhou, o que se alterou e o resultado. Se o equipamento não é suportado, propõe-se Ubuntu ou manter o sistema atual apenas enquanto houver atualizações de segurança (por exemplo, ESU no Windows 10) e o risco estiver comunicado, e não uma instalação forçada que ficará sem garantias de atualização.
5. Instalar o Ubuntu e outros cenários de instalação
Ubuntu Desktop: a sequência
- Arrancar da pen e escolher "Try or Install Ubuntu". A opção de experimentar corre o sistema em memória, útil para testar o hardware (Wi-Fi, som, ecrã) antes de instalar.
- Idioma e teclado.
- Ligação à rede, preferível por cabo ou Wi-Fi, para descarregar atualizações durante a instalação.
- Tipo de instalação: instalação interativa; opção de software adicional (codecs e controladores de terceiros).
- Disco. As principais opções:
- Apagar o disco e instalar o Ubuntu: simples, destrói tudo o que existe.
- Instalar ao lado do Windows: dual boot, o instalador redimensiona a partição do Windows.
- Instalação manual (partição manual): controlo total (ver capítulo 6).
- Utilizador e palavra-passe, nome do computador (hostname).
- Fuso horário: Lisboa.
- Cópia de ficheiros e reinício, removendo a pen.
Pós-instalação do Ubuntu
# Atualizar o sistema
sudo apt update && sudo apt upgrade -y
# Ver e instalar controladores proprietários
ubuntu-drivers devices
sudo ubuntu-drivers autoinstall
# Codecs multimédia
sudo apt install ubuntu-restricted-extras -y
# Ferramentas essenciais de linha de comandos
sudo apt install git curl vim htop tree -y
# Confirmar o que ficou
hostnamectl
lsb_release -a
O apt update atualiza a lista de pacotes disponíveis, e o apt upgrade instala as versões novas. Os dois passos são diferentes e a ordem importa. O -y responde "sim" a todas as perguntas: útil em guiões, perigoso em comandos que não compreendes por inteiro.
Gestores de pacotes: apt, snap e flatpak
| Gestor | Origem do software | Particularidade |
|---|---|---|
| apt | repositórios da distribuição | integração com o sistema, atualizado com apt upgrade |
| snap | loja Snap da Canonical | pacotes isolados, atualizam-se sozinhos |
| flatpak | Flathub e outros | pacotes isolados, independentes da distribuição |
Confundir os gestores é um erro frequente: uma aplicação instalada com snap não aparece em apt list --installed, e desinstala-se com snap remove.
Dual boot: instalar dois sistemas na mesma máquina
O dual boot permite escolher entre Windows e Ubuntu no arranque. Precauções, por ordem:
- Cópia de segurança completa do Windows, porque redimensionar partições tem risco de perda de dados.
- Desativar o arranque rápido (Fast Startup) e a hibernação no Windows: deixam o sistema de ficheiros NTFS num estado que o Linux não deve tocar.
- Se o BitLocker estiver ativo, guardar a chave de recuperação, porque alterar o arranque pode pedi-la.
- Instalar o Windows primeiro e o Linux depois, porque o GRUB reconhece o Windows, mas o inverso nem sempre acontece.
Virtualização: instalar sem tocar na máquina
Uma máquina virtual (VM) é um computador simulado dentro de outro. Permite treinar instalações, testar configurações e manter ambientes de trabalho separados. Ferramentas comuns: VirtualBox, VMware Workstation Player, Hyper-V (Windows Pro) e o WSL para correr Linux dentro do Windows.
Duas verificações na máquina anfitriã: virtualização ativada no firmware (Intel VT-x ou AMD-V, conforme o fabricante) e RAM suficiente para o anfitrião e para as VM em simultâneo.
Exemplo resolvido · Quantas máquinas virtuais cabem num portátil de 16 GB?
Situação. Um formando tem um portátil com 16 GB de RAM e quer correr duas VM de laboratório (uma Ubuntu e uma Windows) em simultâneo.
Resolução.
- Reservar o anfitrião. O Windows e o programa de virtualização precisam de memória; reserva-se, por prudência, 8 GB.
- Memória disponível para VM: 16 - 8 = 8 GB.
- Dividir. Duas VM de 4 GB cada ocupam 4 + 4 = 8 GB. Cabe, mas sem folga.
- Verificar o Windows como convidado. O Windows 11 pede 4 GB no mínimo; é o limite. Dá-se 4 GB ao Windows e 4 GB ao Ubuntu, e fecham-se as outras aplicações do anfitrião durante o laboratório.
- Decidir sobre o disco. Cada VM deve ter disco virtual de pelo menos 64 GB (Windows) e 25 GB (Ubuntu). Verifica-se se o SSD do anfitrião tem os 89 GB livres, e prefere-se disco de tamanho dinâmico, que só ocupa o que usa.
Conclusão: cabe, mas é o limite. Se o laboratório for pesado, correm-se as VM uma de cada vez.
6. Parâmetros de instalação, particionamento e sistemas de ficheiros
Os parâmetros que se escolhem durante a instalação (disco, partições, sistema de ficheiros, nome da máquina, rede, fuso horário) são caros de mudar depois. Merecem atenção antes de se carregar em "Seguinte".
Parâmetros principais
| Parâmetro | Decisão | Consequência se errar |
|---|---|---|
| Idioma e teclado | Português (Portugal) | carateres trocados nas palavras-passe |
| Fuso horário | Lisboa | certificados, registos e agendamentos desfasados |
| Nome do computador | segue a convenção da organização, sem espaços | confusão na rede, nomes repetidos |
| Disco e partições | ver abaixo | perda de dados ou sistema sem espaço |
| Sistema de ficheiros | NTFS em Windows, ext4 em Ubuntu (por defeito) | incompatibilidades e perda de funcionalidades |
| Conta inicial | nome e palavra-passe fortes | conta sem proteção desde o primeiro dia |
| Rede | DHCP ou IP fixo | máquina sem acesso ou em conflito |
Partições: o que são e para que servem
Uma partição é uma região de um disco tratada como volume independente. Particionar permite separar o sistema dos dados, instalar dois sistemas no mesmo disco e isolar áreas com funções diferentes.
Partições típicas de um Ubuntu em UEFI:
| Partição | Sistema de ficheiros | Função |
|---|---|---|
EFI (/boot/efi) |
FAT32 | guarda o gestor de arranque |
Raiz (/) |
ext4 | sistema operativo e aplicações |
Dados do utilizador (/home) |
ext4 | ficheiros pessoais, opcional mas aconselhável |
| Swap | área de troca ou ficheiro | memória de apoio, quando a RAM se esgota |
Separar /home da raiz permite reinstalar o sistema sem perder os dados dos utilizadores, o que na prática poupa horas em máquinas de equipas.
Sistemas de ficheiros
Um sistema de ficheiros é a forma como o sistema organiza e guarda os dados numa partição.
| Sistema | Onde se usa | Notas |
|---|---|---|
| NTFS | Windows | permissões por utilizador (ACL), compressão, encriptação, registo de alterações |
| ext4 | Linux, por defeito no Ubuntu | robusto, com registo (journal), permissões de tipo Unix |
| FAT32 | pens, partição EFI | compatível com tudo, mas ficheiros limitados a 4 GiB e sem permissões |
| exFAT | pens e cartões grandes | sem o limite de 4 GiB, compatível com Windows, macOS e Linux |
| Btrfs, XFS | Linux, casos específicos | instantâneos (snapshots), grandes volumes |
Porque é que o limite do FAT32 importa na instalação? Porque uma pen de instalação formatada em FAT32 tem de conseguir guardar o ficheiro principal da imagem do Windows; quando este ultrapassa os 4 GiB, ferramentas como o Rufus tratam do problema (dividindo o ficheiro ou usando outro método). Se fizeres a pen "à mão" e a cópia falhar, é por aqui que deves procurar.
Converter de MBR para GPT
Quando o instalador do Windows recusa um disco MBR em modo UEFI, converte-se para GPT. A conversão apaga o disco se for feita a partir do instalador com diskpart:
diskpart
list disk
select disk 0
clean
convert gpt
exit
O comando clean apaga a tabela de partições do disco selecionado. Verifica duas vezes o número do disco com list disk (pelo tamanho) antes de o executar. Em Windows 10 e posteriores existe a ferramenta mbr2gpt, que converte sem apagar dados, quando o disco cumpre os requisitos, e deve ser a primeira opção num sistema já instalado.
Planear o disco: o método
- Listar o que o disco tem e o que se quer conservar.
- Definir os papéis: sistema, dados, recuperação, arranque.
- Dimensionar com folga: o sistema cresce com atualizações.
- Registar o plano antes de executar.
Exemplo resolvido · Plano de disco para um portátil Ubuntu de 512 GB
Situação. Um programador usa Ubuntu num SSD de 512 GB (aprox. 477 GiB). Quer poder reinstalar o sistema sem perder os projetos.
Resolução.
- Capacidade real. 512 000 000 000 ÷ 1 073 741 824 ≈ 476,8 GiB. É este número que se reparte.
- Partição EFI: 512 MiB (FAT32).
- Raiz
/: 100 GiB (ext4). Chega ao sistema, às ferramentas de desenvolvimento e às imagens de contentores, com folga. - Swap: o Ubuntu 24.04 usa por defeito um ficheiro de troca na raiz; confirma-se com
swapon --showe dimensiona-se segundo a RAM e o uso de hibernação. /home: o que sobra. 476,8 - 0,5 - 100 ≈ 376 GiB (sem contar o ficheiro de troca, que fica dentro da raiz).- Escolher "Instalação manual" (Manual installation, partição manual) no instalador, criar as partições, definir os pontos de montagem
/boot/efi,/e/home, e formatar apenas EFI e raiz na primeira instalação. - Numa futura reinstalação, escolhe-se
/homecom "manter dados" (não formatar), e os projetos ficam intactos.
Verificação: lsblk -f e df -h mostram as partições, os sistemas de ficheiros e os pontos de montagem. Confere-se que /home aparece numa partição separada.
7. Periféricos e controladores: definição e configuração
Um periférico é um dispositivo ligado ao computador para entrada, saída ou armazenamento. O sistema comunica com cada um através de um controlador (driver), um pequeno programa que traduz as ordens do sistema para a linguagem do dispositivo.
Tipos de periféricos
| Tipo | Exemplos | Ligação habitual |
|---|---|---|
| Entrada | teclado, rato, digitalizador, webcam, microfone | USB, Bluetooth |
| Saída | monitor, impressora, colunas | HDMI, DisplayPort, USB, rede |
| Armazenamento | pens, discos externos, cartões | USB, Thunderbolt |
| Comunicação | placa de rede, adaptador Wi-Fi, Bluetooth | integrada ou USB |
Controladores e a sua origem
Há três fontes de controladores, por esta ordem de preferência para uso profissional:
- Incluídos no sistema (Windows e núcleo Linux trazem milhares): são testados e atualizados com o sistema.
- Do fabricante do equipamento: páginas de apoio com controladores validados para o modelo. Os mais seguros para chipset, gráfica e gestão de energia em portáteis.
- Do fabricante do componente (NVIDIA, AMD, Intel, Realtek): mais recentes, úteis em gráficas e jogos, mas convém validar compatibilidade com o modelo.
Nunca descarregues controladores de sites de agregação, porque são uma fonte conhecida de software malicioso.
O Gestor de Dispositivos (Windows)
devmgmt.msc abre o Gestor de Dispositivos. Mostra o estado de cada componente:
- Ícone normal: o dispositivo está a funcionar.
- Ponto de exclamação amarelo: problema com o controlador. Abre-se as Propriedades e lê-se o código de erro.
- Seta para baixo: dispositivo desativado.
Ações habituais: atualizar controlador, reverter para o anterior (quando uma atualização estragou algo), desativar e desinstalar o dispositivo.
Dispositivos em Linux
| Objetivo | Comando |
|---|---|
| Dispositivos USB | lsusb |
| Dispositivos PCI (gráfica, rede) | lspci -k (mostra o controlador em uso) |
| Módulos do núcleo carregados | lsmod |
| Mensagens do núcleo (erros de hardware) | sudo dmesg \| tail ou journalctl -k |
| Controladores proprietários sugeridos | ubuntu-drivers devices |
| Regras de dispositivos | ficheiros em /etc/udev/rules.d/ |
No Linux, muitos controladores já fazem parte do núcleo. A exceção mais frequente é a gráfica NVIDIA e algumas placas Wi-Fi, que podem pedir controladores proprietários.
Configurar impressoras
- Windows: Definições, Bluetooth e dispositivos, Impressoras e digitalizadores. Adiciona-se por rede (IP ou nome) ou por USB. Verifica-se o controlador e imprime-se uma página de teste.
- Ubuntu: Definições, Impressoras, ou a interface web do CUPS em
http://localhost:631. O CUPS é o sistema de impressão do Linux.
Em ambientes de empresa, as impressoras de rede têm IP fixo ou reserva no servidor DHCP: se o IP mudar, os computadores deixam de a encontrar.
Armazenamento amovível
Montar e desmontar corretamente evita perda de dados: no Windows, "Ejetar"; em Linux, umount ou o menu do ambiente gráfico. Retirar uma pen a meio de uma escrita pode corromper o sistema de ficheiros.
Monitores e energia
Resolução, escala e taxa de atualização definem-se em Definições, Sistema, Ecrã. Num portátil, o plano de energia (Windows) ou o perfil de energia (Ubuntu) afeta o desempenho e a duração da bateria: um perfil de economia pode reduzir o desempenho do processador sem o utilizador perceber porquê.
Exemplo resolvido · A placa de rede sem fios não aparece
Situação. Acabaste de instalar o Ubuntu num portátil e o Wi-Fi não aparece nas definições.
Resolução.
- O hardware existe?
lspci -nnk | grep -iA3 netlista as placas de rede e o controlador em uso. Se mostrar "Kernel driver in use", o controlador carregou. - Não há controlador em uso?
ubuntu-drivers devicespode sugerir um pacote. Se o computador tem cabo, liga-se por cabo e instala-se comsudo ubuntu-drivers autoinstall. - Bloqueio por software?
rfkill listmostra se o Wi-Fi está bloqueado (soft blocked ou hard blocked, este último por interruptor físico ou tecla de função).rfkill unblock wifiresolve o primeiro caso. - Registos.
journalctl -k | grep -i firmwarepode mostrar uma mensagem de ficheiro de firmware em falta; instala-se o pacotelinux-firmwareou o recomendado pelo fabricante. - Sem cabo e sem Wi-Fi. Descarrega-se o pacote do controlador noutro computador, copia-se por pen e instala-se com
sudo apt install ./pacote.deb. É por isso que se guardam os controladores de rede antes da instalação.
Registo: modelo da placa, controlador instalado, comando que resolveu.
8. Ambiente de trabalho, rede e parametrização para o contexto
O ambiente de trabalho é tudo o que o utilizador vê e toca: ecrã inicial, barra de tarefas, menus, janelas, atalhos. Parametrizá-lo bem poupa tempo ao utilizador e a quem faz apoio.
Ambiente gráfico e linha de comandos
| Aspeto | Windows 11 | Ubuntu (GNOME) |
|---|---|---|
| Ambiente gráfico | Explorador de Ficheiros, barra de tarefas | GNOME Shell, dock |
| Linha de comandos | PowerShell, Prompt de Comando, Terminal Windows | Terminal (bash) |
| Configurações | Definições e Painel de Controlo | Definições |
| Gestão avançada | consolas MMC (compmgmt.msc) |
ficheiros em /etc, systemctl |
| Alternar entre ambientes | não aplicável | pode instalar-se outro ambiente (KDE, Xfce) |
O ambiente gráfico em Linux é substituível e opcional, sem impacto no núcleo, ao contrário do que muita gente pensa do Windows.
Configurar a rede
Conceitos mínimos:
- Endereço IP: identifica a máquina na rede. Máscara: separa a parte da rede da parte do equipamento. Gateway: o router por onde se sai da rede. DNS: traduz nomes em endereços.
- DHCP: o servidor atribui automaticamente os valores. IP fixo: configura-se à mão, para impressoras e servidores.
| Tarefa | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Ver a configuração | ipconfig /all |
ip addr, ip route |
| Testar a ligação | ping 192.168.1.1 |
ping -c 4 192.168.1.1 |
| Testar nomes | nslookup aulify.pt |
resolvectl query aulify.pt ou dig aulify.pt |
| Renovar o endereço | ipconfig /release e /renew |
sudo nmcli connection down <ligação> e sudo nmcli connection up <ligação> |
| Interface gráfica | Definições, Rede e Internet | Definições, Rede ou nmtui |
| Ficheiros de configuração | gerido pela interface | /etc/netplan/*.yaml (servidor) |
Na falta de ligação, testa-se por camadas, de perto para longe: cabo ou Wi-Fi, IP na máquina, ping ao gateway, ping a um endereço externo (1.1.1.1) e ping a um nome. Onde falhar é o problema.
Exemplo resolvido · IP fixo de 192.168.1.50/24
Situação. Uma impressora de rede e um servidor precisam de IP fixo 192.168.1.50, máscara /24, gateway 192.168.1.1, DNS 1.1.1.1.
Resolução.
- Ler a notação.
/24quer dizer que 24 bits identificam a rede: máscara255.255.255.0. Restam 32 - 24 = 8 bits para equipamentos: 2⁸ = 256 endereços, dos quais 2 são reservados (rede.0e difusão.255): 254 utilizáveis, de.1a.254. - Confirmar que o IP pertence à rede.
.50está entre.1e.254. Está na mesma rede que o gateway.1. Condição cumprida. - Evitar conflitos. O servidor DHCP distribui, por exemplo, de
.100a.200. O.50fica fora do intervalo, e assim nunca é atribuído a outro equipamento. - Aplicar no Ubuntu Server (
/etc/netplan/01-rede.yaml):
network:
version: 2
ethernets:
enp3s0:
dhcp4: false
addresses: [192.168.1.50/24]
routes:
- to: default
via: 192.168.1.1
nameservers:
addresses: [1.1.1.1]
O nome da interface (enp3s0) vê-se com ip addr. Valida-se com sudo netplan try, que volta atrás se perderes a ligação, e só depois sudo netplan apply.
5. No Windows: Definições, Rede e Internet, Ethernet, Atribuição de IP, Editar, Manual, e preencher IP, comprimento do prefixo 24, gateway e DNS.
6. Verificar: ping 192.168.1.1, ping 1.1.1.1 e nslookup aulify.pt.
Parametrizar para um contexto
A mesma instalação base serve papéis muito diferentes. A parametrização transforma o sistema genérico em ferramenta do papel.
| Contexto | Parametrizações principais |
|---|---|
| Estação de escritório | atualizações fora do horário laboral, bloqueio automático ao fim de 5 minutos, cópia de segurança para o servidor, aplicações de escritório |
| Estação multimédia | atualizações manuais para não surgirem a meio de um trabalho, armazenamento rápido para cache, calibração do monitor |
| Estação de programação | Git, editor, linguagens, contentores, terminal moderno, WSL em Windows |
| Posto de atendimento público | conta standard sem privilégios, sessão que se repõe, bloqueio de instalação de software, navegador restrito |
| Servidor | sem ambiente gráfico, acesso por SSH com chaves, firewall restritiva, atualizações de segurança automáticas, registos |
Inicialização, serviços e arranque de aplicações
Cada programa que arranca com o sistema tem custo em tempo de arranque e em memória.
- Windows: Gestor de Tarefas, separador "Aplicações de arranque", e
services.mscpara serviços. - Linux:
systemctl list-unit-files --state=enabledmostra serviços ativos no arranque;systemctl disable <serviço>retira um.
Desativa-se o que não é necessário, depois de saber o que faz. Desativar um serviço sem perceber a dependência é uma das formas clássicas de estragar um sistema.
Atualizações
As atualizações corrigem falhas de segurança e de funcionamento. Parametriza-se a janela, não o abandono delas:
- Windows: Definições, Windows Update, "Horas ativas" e pausa limitada.
- Ubuntu:
unattended-upgradesaplica automaticamente as atualizações de segurança.
sudo apt install unattended-upgrades
sudo dpkg-reconfigure --priority=low unattended-upgrades
9. Gestão de processos e de memória
Programa, processo e fio de execução
Um programa é um ficheiro com instruções. Um processo é um programa em execução, com a sua memória, os seus ficheiros abertos e o seu estado. Um mesmo programa pode ter vários processos: três janelas do browser são, tipicamente, vários processos do mesmo programa. Dentro de um processo existem fios de execução (threads) que partilham a memória do processo e permitem fazer várias coisas em simultâneo.
Estados de um processo
| Estado | Significado |
|---|---|
| Novo | o processo está a ser criado |
| Pronto | tem tudo o que precisa, espera pelo processador |
| Em execução | está a usar o processador |
| Em espera | aguarda um acontecimento (disco, rede, teclado) |
| Terminado | acabou ou foi encerrado |
Um processo "pendurado" costuma estar em espera de algo que não chega, e não a consumir processador. Distinguir os dois casos orienta a ação: um processo que consome 100 % de um núcleo merece outra atenção do que um que espera há cinco minutos por um disco de rede.
Escalonamento: quem usa o processador
O escalonador decide, centenas de vezes por segundo, qual dos processos prontos corre a seguir. Há várias políticas. Duas que convém conhecer:
- Por ordem de chegada (FCFS): cada processo corre até acabar. Simples, mas um processo longo atrasa todos os outros.
- Rotativa (round-robin): cada processo corre durante uma fatia de tempo (quantum) e passa para o fim da fila. Dá ao utilizador a sensação de simultaneidade.
Os sistemas reais combinam estas ideias com prioridades: um processo interativo (o teu rato) deve responder antes de um processo de segundo plano (uma cópia de segurança).
Exemplo resolvido · Escalonamento rotativo com três processos
Situação. Três processos chegam ao mesmo tempo e precisam de 5 ms (P1), 3 ms (P2) e 8 ms (P3) de processador. O quantum é de 2 ms. Calcula a ordem de execução e o tempo de conclusão de cada um, e compara com a ordem de chegada.
Resolução, passo a passo.
- Rotativo, fatias de 2 ms. P1 corre de 0 a 2 (faltam 3). P2 de 2 a 4 (falta 1). P3 de 4 a 6 (faltam 6). P1 de 6 a 8 (falta 1). P2 de 8 a 9 (termina aos 9). P3 de 9 a 11 (faltam 4). P1 de 11 a 12 (termina aos 12). P3 de 12 a 14 (faltam 2). P3 de 14 a 16 (termina aos 16).
- Verificar o total. 5 + 3 + 8 = 16 ms: o processador esteve sempre ocupado e acabou-se aos 16. Confere.
- Tempo médio de conclusão (rotativo). (12 + 9 + 16) ÷ 3 = 37 ÷ 3 ≈ 12,3 ms.
- Por ordem de chegada (P1, P2, P3). P1 termina aos 5, P2 aos 8 (5 + 3), P3 aos 16. Média: (5 + 8 + 16) ÷ 3 = 29 ÷ 3 ≈ 9,7 ms.
- Concluir. A ordem de chegada dá tempo médio de conclusão menor neste caso, mas o processo P3 só começa aos 8 ms. O rotativo dá a cada processo uma resposta rápida (todos arrancam nos primeiros 6 ms), o que é o que o utilizador de um ambiente interativo valoriza. A escolha da política depende do que se quer otimizar.
Gerir processos na prática
| Tarefa | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Ver processos e consumo | Gestor de Tarefas (Ctrl+Shift+Esc) |
top, htop, ps aux |
| Terminar um processo | "Terminar tarefa" ou Stop-Process -Name nome |
kill PID; kill -9 PID só em último caso |
| Ver processos filhos | Detalhes | ps -ef --forest |
| Alterar prioridade | Detalhes, "Definir prioridade" | nice, renice |
| Serviços | services.msc |
systemctl status, start, stop, restart |
| Agendar tarefas | Agendador de Tarefas | cron, systemd timers |
ps aux --sort=-%cpu | head -5 # os 5 processos que mais CPU usam
kill 4321 # pedido educado de terminação (SIGTERM)
kill -9 4321 # terminação forçada (SIGKILL), sem arrumar nada
O kill -9 não dá ao processo oportunidade de gravar o trabalho nem de libertar recursos; usa-se depois de o kill normal ter falhado.
Memória: RAM, memória virtual e paginação
A RAM é rápida e volátil. Cada processo julga que tem a sua memória só para si, numa gama de endereços que o sistema depois traduz para endereços reais: é a memória virtual. O sistema divide a memória em blocos de tamanho fixo, as páginas (tipicamente 4 KiB), e uma tabela diz onde está cada página.
Quando a RAM se esgota, o sistema move páginas pouco usadas para o disco: o ficheiro de paginação (pagefile.sys) no Windows e a área ou ficheiro de troca (swap) no Linux. Isto evita falhar, mas o disco é muito mais lento que a RAM, e um sistema que passa o tempo a trocar páginas está em thrashing: tudo fica lento sem processador a trabalhar.
Exemplo resolvido · Traduzir um endereço virtual
Situação. Com páginas de 4 KiB (4096 bytes), um processo acede ao endereço virtual 20 000. Em que página está e a que distância do início dessa página?
Resolução.
- Número da página = parte inteira de 20 000 ÷ 4096. 4096 × 4 = 16 384 e 4096 × 5 = 20 480. Logo a página é a 4 (a contar de 0).
- Deslocamento = 20 000 - 16 384 = 3616 bytes.
- Interpretação. O endereço está 3616 bytes dentro da página 4. A tabela de páginas diz em que bloco de RAM está a página 4 (ou se foi para o disco). O endereço real é o início desse bloco mais 3616.
- Se a página estiver no disco, ocorre uma falta de página: o sistema vai buscá-la ao disco, coloca-a na RAM e repete o acesso.
Diagnosticar problemas de memória
| Sintoma | Causa provável | Verificação |
|---|---|---|
| Sistema lento depois de horas a trabalhar | fuga de memória num programa | Gestor de Tarefas ou ps aux --sort=-%mem |
| Disco sempre a trabalhar, CPU parada | excesso de troca | free -h, vmstat 1 |
| Aplicação fecha sem aviso | memória esgotada | journalctl -k (mensagens do OOM killer) |
| Máquina virtual lenta | anfitrião sem RAM livre | memória do anfitrião |
free -h # memória total, usada, livre e troca
vmstat 1 5 # estatísticas a cada segundo, 5 vezes (colunas si/so: troca)
10. Gestão de recursos, desempenho e armazenamento de dados
Um recurso é tudo o que o sistema gere e que as aplicações disputam: processador, memória, disco, rede. Utilizar os recursos do sistema para otimizar o rendimento das aplicações é saber medir, identificar o gargalo e agir, e não instalar "otimizadores" milagrosos.
Método: medir, localizar, agir, medir de novo
- Medir o estado normal, para ter com o quê comparar.
- Localizar o gargalo: qual dos quatro recursos está no limite?
- Agir numa só coisa de cada vez.
- Medir de novo e comparar. Se não melhorou, a hipótese estava errada.
| Recurso | Sinal de esgotamento | Ferramenta Windows | Ferramenta Linux |
|---|---|---|---|
| Processador | uso permanente próximo de 100 % | Gestor de Tarefas | top, htop, uptime |
| Memória | troca em uso, aplicações a fechar | Monitor de Recursos | free -h, vmstat |
| Disco | fila longa, percentagem de atividade alta | Monitor de Desempenho | iostat, iotop, df -h |
| Rede | débito no limite, perda de pacotes | Monitor de Recursos | ip -s link, ss -tulpn |
Ações típicas de otimização
- Reduzir o que arranca com o sistema (aplicações de arranque).
- Libertar espaço no disco: o desempenho piora quando o volume está quase cheio. Como regra prática, mantêm-se livres 10 a 20 % do volume do sistema.
- SSD em vez de HDD: é a melhoria isolada mais notória num computador antigo.
- Aumentar a RAM quando o diagnóstico mostra troca constante.
- Ajustar o perfil de energia à tarefa.
- Atualizar controladores e sistema.
- Fechar o que não se usa, simples e eficaz.
Desfragmentar discos mecânicos pode ajudar; num SSD não se desfragmenta, e o sistema usa em vez disso a operação TRIM, que informa o disco de quais blocos estão livres.
Como os dados são escritos, armazenados e recuperados
- Cache de escrita: o sistema guarda temporariamente escritas em memória e grava-as no disco mais tarde, por ser mais eficiente. Por isso é que se deve ejetar um suporte antes de o retirar.
- Registo (journal): NTFS e ext4 registam as operações antes de as concretizar. Após uma falha de energia, o sistema consulta o registo e repõe a coerência, em vez de verificar o disco inteiro.
- Verificação do sistema de ficheiros:
chkdskno Windows efsckno Linux (a executar em volumes desmontados). - Cópias de segurança: a única proteção realmente fiável contra falha de disco, erro humano ou programa malicioso.
A regra 3-2-1 de cópias de segurança
Três cópias dos dados, em dois suportes diferentes, com uma cópia fora do local. Uma cópia no mesmo disco não é cópia de segurança, é apenas uma segunda localização do mesmo risco.
| Ferramenta | Sistema | Tipo |
|---|---|---|
| Histórico de Ficheiros | Windows | cópia periódica de pastas pessoais para disco externo |
| Cópia de Segurança do Windows (imagem do sistema) | Windows | imagem completa |
| Timeshift | Ubuntu | instantâneos do sistema |
| rsync | Linux, macOS | sincronização de pastas por linha de comandos |
| BorgBackup, restic | Linux e outros | cópias incrementais com deduplicação |
rsync -a --delete /home/utilizador/ /media/backup/utilizador/
O --delete torna a cópia um espelho exato: o que for apagado na origem é apagado no destino. Útil, mas mal usado propaga um erro. Para cópias de segurança verdadeiras, preferem-se ferramentas com histórico de versões.
Uma cópia de segurança que nunca foi restaurada é uma esperança, não uma cópia. Testa-se o restauro periodicamente, pelo menos de alguns ficheiros.
Exemplo resolvido · Dimensionar o disco das cópias de segurança de um pequeno escritório
Situação. Um escritório tem 400 GB de dados. Em média, 2 % mudam por dia. Pretende-se guardar 30 dias de histórico incremental.
Resolução.
- Alteração diária: 2 % de 400 GB = 0,02 × 400 = 8 GB por dia.
- Histórico de 30 dias: 30 × 8 = 240 GB.
- Cópia completa inicial: 400 GB.
- Total necessário: 400 + 240 = 640 GB.
- Folga de crescimento (25 %): 640 × 1,25 = 800 GB.
- Escolher o suporte: o disco comercial seguinte é de 1 TB (cerca de 931 GiB), que cobre os 800 GB com margem.
- Aplicar a regra 3-2-1. Cópia 1: os dados nos PC. Cópia 2: disco local (1 TB). Cópia 3: serviço remoto ou segundo disco rotativo guardado fora do edifício. Suportes diferentes: dois.
- Registar um teste de restauro trimestral.
Quotas e espaço
Para impedir que um utilizador ocupe todo o disco, definem-se quotas: no Windows (NTFS) através das propriedades do volume, no Linux com o pacote quota. Alertar a 80 % e bloquear a 100 % são valores comuns que a organização define.
11. Contas, privilégios de acesso e partilha de recursos e de ficheiros
Contas e grupos
Uma conta de utilizador identifica quem usa o sistema. Um grupo agrega contas com as mesmas necessidades, e dá-se o direito ao grupo, não a cada pessoa. Assim, quando alguém entra ou sai da equipa, muda-se só a pertença ao grupo.
| Perfil | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Administrador | grupo Administradores | utilizador no grupo sudo |
| Utilizador normal | grupo Utilizadores | utilizador sem sudo |
| Convidado/público | conta convidado desativada | conta sem direitos |
| Conta de serviço | contas de sistema e de serviço | contas sem shell de início de sessão |
Criar e gerir contas
# Windows (PowerShell como administrador)
New-LocalUser -Name "joana" -Password (Read-Host -AsSecureString) -FullName "Joana"
Add-LocalGroupMember -SID "S-1-5-32-545" -Member "joana" # grupo Utilizadores (Users), em qualquer idioma
Get-LocalUser
# Ubuntu
sudo adduser joana # cria conta, pasta pessoal e pede palavra-passe
sudo usermod -aG sudo joana # junta ao grupo sudo (administração)
sudo passwd -e joana # obriga a mudar a palavra-passe no primeiro início de sessão
sudo deluser --remove-home joana # remove conta e pasta pessoal
id joana # mostra utilizador e grupos
O -a no usermod -aG é o que acrescenta o grupo. Esquecê-lo substitui todos os grupos secundários do utilizador, e é um dos enganos mais comuns.
O princípio do menor privilégio
Cada conta tem apenas os direitos de que precisa para a sua função, e mais nenhum. Na prática:
- A conta de uso diário é standard; a conta de administração é usada só para tarefas administrativas.
- Em Linux, o
sudoeleva privilégios por comando e regista quem o fez. - No Windows, o Controlo de Conta de Utilizador (UAC) pede confirmação para ações administrativas; numa conta standard exige credenciais de administrador, e numa conta de administrador pede só uma confirmação, pelo que protege menos.
Uma conta administradora usada todos os dias faz com que qualquer programa malicioso que o utilizador abra herde esses direitos.
Permissões em Linux
Cada ficheiro tem dono, grupo e outros, e para cada um três direitos: leitura (r, valor 4), escrita (w, valor 2) e execução (x, valor 1). A soma dá o algarismo octal.
-rw-r----- 1 joana contabilidade 2048 out 22 10:15 relatorio.txt
│└┬┘└┬┘└┬┘
│ │ │ └── outros: nenhum direito (0)
│ │ └───── grupo: só leitura (4)
│ └──────── dono: leitura e escrita (4+2=6)
└────────── tipo: ficheiro
Este ficheiro tem permissão 640. Comandos principais:
chmod 640 relatorio.txt # define permissões em octal
chmod g+w relatorio.txt # acrescenta escrita ao grupo
chown joana:contabilidade relatorio.txt
ls -l # mostra permissões
umask # permissões retiradas aos ficheiros novos
Numa pasta, x significa "poder entrar", r "poder listar" e w "poder criar e apagar entradas".
Permissões em Windows (NTFS)
O NTFS usa listas de controlo de acesso (ACL): cada objeto tem uma lista de quem pode fazer o quê. Níveis mais usados: Controlo total, Modificar, Leitura e execução, Listagem do conteúdo da pasta, Leitura e Escrita. As permissões são herdadas da pasta-mãe, salvo indicação em contrário, e uma negação explícita prevalece sobre uma permissão.
icacls D:\Contabilidade # ver permissões
icacls D:\Contabilidade /grant "Contabilidade:(OI)(CI)M" # grupo com Modificar, herdado
icacls D:\Contabilidade /inheritance:d # desativar herança
Partilhar pastas em rede
Windows (SMB): partilha-se uma pasta (propriedades, Partilha, ou New-SmbShare). Há dois níveis de controlo: as permissões da partilha e as permissões NTFS. Aplica-se a mais restritiva das duas.
Linux: usa-se o Samba para partilhar com Windows, ou NFS entre sistemas Linux.
sudo apt install samba
sudo smbpasswd -a joana # cria utilizador Samba
# em /etc/samba/smb.conf:
# [contabilidade]
# path = /srv/contabilidade
# valid users = @contabilidade
# read only = no
sudo systemctl restart smbd
New-SmbShare -Name "Contabilidade" -Path "D:\Contabilidade" -ChangeAccess "Contabilidade"
Exemplo resolvido · Partilha com permissões de grupo
Situação. A pasta /srv/contabilidade deve ser lida e escrita pelo grupo contabilidade, lida (mas não escrita) pelo grupo direcao, e invisível aos restantes.
Resolução.
- Criar grupos e pasta.
sudo groupadd contabilidade,sudo groupadd direcao,sudo mkdir /srv/contabilidade. - Dono e grupo:
sudo chown root:contabilidade /srv/contabilidade. - Permissão da pasta: grupo precisa de entrar, listar e escrever (rwx = 7); dono idem; outros nada (0). Fica 770:
sudo chmod 770 /srv/contabilidade. - A direção só lê. Com 770, o grupo
direcaonão entra (é "outros"). Usam-se ACL para lhe dar só leitura, na pasta e nos ficheiros que já existam:sudo setfacl -R -m g:direcao:rX /srv/contabilidade. Para que os ficheiros criados no futuro também sejam legíveis pela direção, define-se a ACL por omissão:sudo setfacl -d -m g:direcao:rX /srv/contabilidade. Sem este passo, os ficheiros novos ficamrw-rw----do grupocontabilidadee a direção só leria a pasta, não o conteúdo. - Novos ficheiros herdam o grupo.
sudo chmod g+s /srv/contabilidade(bit setgid), e assim os ficheiros novos ficam do grupocontabilidadeem vez do grupo principal de quem os cria. - Verificar.
getfacl /srv/contabilidademostra as entradas; com uma conta da direção,touchdeve falhar elsfuncionar.
Resultado: contabilidade (rwx), direção (r-x), restantes sem acesso.
Exemplo resolvido · Qual é a permissão efetiva numa partilha Windows?
Situação. Uma pasta partilhada tem permissão de partilha "Modificar" para o grupo Vendas, mas a permissão NTFS desse grupo é "Leitura". O que pode fazer um utilizador de Vendas pela rede?
Resolução.
- Aplicam-se as duas camadas, e prevalece a mais restritiva quando se acede pela rede.
- Partilha: Modificar. NTFS: Leitura. Mais restritiva: Leitura.
- O utilizador pode ler, mas não criar nem alterar ficheiros. Se se quer que escreva, corrige-se o NTFS (e não a partilha), dando "Modificar" ao grupo.
- Boa prática: deixar a partilha com permissões amplas (por exemplo, Utilizadores autenticados: Modificar) e controlar tudo no NTFS, para ter um único sítio onde mandam as regras.
Exemplo resolvido · Interpretar um valor octal
Situação. Um ficheiro mostra -rwxr-x---. Qual o valor octal e quem pode fazer o quê?
Resolução. Dono: rwx = 4+2+1 = 7. Grupo: r-x = 4+0+1 = 5. Outros: --- = 0. Valor 750. O dono lê, escreve e executa; o grupo lê e executa; os outros nada.
12. Segurança da informação, normas e regulamentos
A segurança da informação protege três propriedades: confidencialidade (só quem deve vê), integridade (os dados não são alterados indevidamente) e disponibilidade (estão acessíveis quando são precisos). Todas as configurações deste capítulo servem uma ou mais destas três.
Camadas de defesa
| Camada | Windows | Linux |
|---|---|---|
| Firewall | Firewall do Windows Defender | ufw, firewalld, nftables |
| Antivírus e proteção | Segurança do Windows | ClamAV (opcional), atualizações |
| Encriptação de disco | BitLocker (Pro e superiores) | LUKS (opção na instalação) |
| Isolamento de aplicações | Windows Sandbox (Pro e superiores) | Flatpak, Snap, Firejail |
| Registos | Visualizador de Eventos (eventvwr.msc) |
journalctl, /var/log/ |
| Autenticação reforçada | autenticação em dois fatores, Windows Hello | autenticação em dois fatores nos serviços, chaves SSH |
| Atualizações | Windows Update | apt upgrade, unattended-upgrades |
Firewall: o essencial
A firewall decide que tráfego entra e sai. A regra de base é "negar tudo o que entra, permitir só o necessário".
sudo ufw default deny incoming
sudo ufw default allow outgoing
sudo ufw allow ssh
sudo ufw enable
sudo ufw status verbose
Get-NetFirewallProfile | Format-Table Name, Enabled
Encriptação de disco
Um disco encriptado é ilegível sem a chave. Protege os dados se o portátil for roubado ou perdido. No Windows, o BitLocker pode usar o TPM e pede uma chave de recuperação, que se guarda fora da máquina (conta da organização, cofre). No Ubuntu, a encriptação com LUKS escolhe-se durante a instalação; ativá-la depois é bastante mais trabalhoso.
manage-bde -status C:
Boas práticas essenciais
- Menor privilégio: conta standard para o dia a dia.
- Atualizar com regularidade: as atualizações de segurança aplicam-se logo que possível, em janelas planeadas.
- Cópias de segurança segundo a regra 3-2-1, com testes de restauro.
- Palavras-passe únicas por serviço, num gestor de palavras-passe.
- Autenticação em dois fatores nos serviços críticos.
- Registos revistos com regularidade.
- Encriptação de portáteis e de suportes amovíveis com dados sensíveis.
- Software só de fontes oficiais.
Normas e regulamentos aplicáveis
O técnico não escolhe as normas, aplica as da organização e as da lei. Os principais enquadramentos:
- RGPD, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (Regulamento (UE) 2016/679), aplicado em Portugal em conjunto com a Lei n.º 58/2019. Exige medidas técnicas adequadas para proteger dados pessoais, entre elas o controlo de acessos, a encriptação e as cópias de segurança. A entidade de controlo em Portugal é a CNPD (Comissão Nacional de Proteção de Dados).
- ISO/IEC 27001, a norma internacional de sistemas de gestão da segurança da informação, e a ISO/IEC 27002, que descreve controlos de segurança. Estão na base das políticas de muitas organizações.
- Políticas internas: uso aceitável, palavras-passe, cópias de segurança, equipamentos pessoais. Cumprir é parte do trabalho.
- Cibersegurança nacional: o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) publica orientações e alertas que o técnico deve conhecer.
Os detalhes de prazos, obrigações e coimas devem ser sempre confirmados na fonte oficial (Diário da República, CNPD, CNCS) na altura em que se aplicam.
Responsabilidade, ética e sigilo
O técnico tem acesso privilegiado: vê ficheiros, contas e configurações. Usar esse acesso só para a tarefa, não consultar o que não é preciso, registar o que se faz e comunicar com clareza ao cliente o que foi alterado e o que ficou por fazer são parte da profissionalidade, tanto como saber o comando certo.
Exemplo resolvido · Preparar um portátil de empresa para ir para o terreno
Situação. Um comercial vai levar um portátil Windows 11 Pro para visitas a clientes, com dados de clientes. Prepara a configuração mínima de segurança.
Resolução.
- Contas: conta standard para o comercial; conta de administrador local separada, com palavra-passe forte guardada no cofre da organização.
- Encriptação: ativar BitLocker na unidade do sistema; guardar a chave de recuperação na conta da organização. Verificar com
manage-bde -status C:que o estado é "Protegido". - Bloqueio: bloqueio automático do ecrã após 5 minutos; início de sessão com PIN ou Windows Hello.
- Firewall e antivírus: verificar que estão ativos (
Get-NetFirewallProfile). - Atualizações: Windows Update automático, horas ativas definidas.
- Cópia de segurança: sincronização das pastas de trabalho para o servidor ou serviço da organização, com teste de restauro de um ficheiro.
- Registo: folha de configuração com o que foi feito, versão, data e quem o fez.
- Formação curta ao utilizador: não instalar software por conta própria, comunicar de imediato a perda ou o roubo do portátil (porque a chave e as contas podem ser revogadas rapidamente).
Erros comuns
- Instalar sem cópia de segurança verificada. O instalador apaga em segundos o que demorou anos a juntar.
- Descarregar a ISO de um site não oficial ou saltar a verificação do SHA-256.
- Gravar a pen no dispositivo errado com
dde apagar outro disco. Confirmar comlsblkpelo tamanho e pelo modelo. - Firmware em BIOS legado e disco em GPT (ou o inverso): o sistema instala e não arranca.
- Apagar a partição EFI ou a de recuperação "por serem pequenas".
- Deixar a pen ligada no primeiro reinício e voltar ao instalador.
- Ignorar o limite de 4 GiB do FAT32 ao preparar o suporte à mão.
- Esquecer o TPM e o Secure Boot num equipamento para Windows 11.
- Dual boot sem desativar o arranque rápido do Windows, arriscando o NTFS.
- Instalar o Windows depois do Linux num dual boot e perder o GRUB.
- Guardar controladores de rede só depois de a instalação deixar a máquina sem rede.
- Confiar em controladores de sites de agregação em vez dos do fabricante.
- Usar
kill -9como primeiro recurso em vez de pedir ao processo que termine. - Julgar que mais RAM resolve tudo, sem medir onde está o gargalo.
- Desfragmentar um SSD.
- Desativar serviços sem perceber as dependências.
- Esquecer o
-aemusermod -aG, substituindo todos os grupos secundários. - Dar permissões 777 "para funcionar", abrindo a pasta a toda a gente.
- Atribuir permissões a pessoas e não a grupos, o que torna a gestão impossível quando a equipa muda.
- Confundir permissões da partilha com permissões NTFS e não perceber qual prevalece.
- Usar uma conta de administrador para o trabalho diário.
- Guardar a chave de recuperação do BitLocker só no próprio portátil.
- Cópias de segurança no mesmo disco ou nunca testadas.
- Desativar a firewall "para ver se resolve" e deixá-la desativada.
- Registar nada. Sem registo, o técnico seguinte (ou o próprio, daqui a seis meses) recomeça do zero.
Glossário
- ACL: lista de controlo de acesso, a lista de quem pode fazer o quê a um ficheiro ou pasta no NTFS.
- BitLocker: encriptação de disco do Windows (edições Pro e superiores).
- BIOS: firmware tradicional dos computadores, anterior ao UEFI, que usa MBR.
- Controlador (driver): programa que ensina o sistema a comunicar com um dispositivo.
- CUPS: sistema de impressão do Linux.
- Dual boot: dois sistemas operativos instalados na mesma máquina, escolhidos no arranque.
- DHCP: serviço que atribui automaticamente endereços IP na rede.
- EFI (partição): partição FAT32 que guarda o gestor de arranque em máquinas UEFI.
- ext4: sistema de ficheiros por defeito no Ubuntu.
- Firewall: filtro que decide que tráfego de rede entra e sai.
- Firmware: programa gravado no equipamento que arranca o hardware antes do sistema.
- GPT: esquema moderno de partições, usado com UEFI.
- GRUB: gestor de arranque habitual em Linux.
- Gestor de arranque: programa que escolhe e carrega o sistema operativo.
- Hostname: nome do computador na rede.
- ISO: ficheiro-imagem de um disco de instalação.
- Journal (registo): diário de operações de um sistema de ficheiros, que acelera a recuperação após falha.
- Kernel (núcleo): parte do sistema que gere o hardware com privilégios máximos.
- LTS: versão com suporte de longo prazo; no Ubuntu, cinco anos de suporte standard.
- LUKS: encriptação de disco padrão em Linux.
- MBR: esquema antigo de partições, limitado a 2 TiB e quatro partições primárias.
- Memória virtual: mecanismo que dá a cada processo um espaço de endereços próprio, apoiado em RAM e disco.
- NTFS: sistema de ficheiros do Windows, com permissões e registo.
- OOBE: Out-of-Box Experience, a configuração inicial após a instalação do Windows.
- Página: bloco de tamanho fixo (tipicamente 4 KiB) em que a memória é dividida.
- Partição: região de um disco tratada como volume independente.
- Periférico: dispositivo ligado ao computador para entrada, saída ou armazenamento.
- Processo: programa em execução, com memória e estado próprios.
- Quantum: fatia de tempo dada a cada processo no escalonamento rotativo.
- Regra 3-2-1: três cópias, dois suportes, uma cópia fora do local.
- Samba: software que partilha pastas e impressoras de Linux com Windows (protocolo SMB).
- Secure Boot: funcionalidade do UEFI que só deixa arrancar gestores de arranque assinados.
- SHA-256: função que gera uma impressão digital de um ficheiro, usada para verificar integridade.
- Sudo: comando que eleva privilégios temporariamente em Linux.
- Swap: área ou ficheiro de troca que serve de apoio à RAM.
- Thrashing: estado em que o sistema passa o tempo a trocar páginas entre RAM e disco.
- TPM: chip de segurança que guarda chaves e valida o arranque.
- UAC: Controlo de Conta de Utilizador, o pedido de confirmação do Windows para ações administrativas.
- UEFI: firmware moderno, com Secure Boot, que usa GPT.
- Virtualização: execução de computadores simulados (máquinas virtuais) dentro de um computador real.
- WSL: Subsistema Windows para Linux, que corre Linux dentro do Windows.
Síntese
Instalar e parametrizar um sistema operativo é um processo com ordem. Primeiro perceber o equipamento (processador, RAM, disco, firmware, TPM) e ler a documentação do fabricante. Depois preparar o arranque e o suporte: ISO oficial com SHA-256 verificado, pen criada com cuidado e firmware em UEFI com Secure Boot. Segue-se a instalação do Windows 11 ou do Ubuntu, com particionamento e sistema de ficheiros decididos de forma consciente (NTFS ou ext4, EFI, raiz, dados), e a pós-instalação: atualizações, controladores, segurança ativa, conta standard, cópia de segurança e aplicações base. A parametrização adapta o sistema ao contexto (escritório, multimédia, programação, atendimento, servidor), configura rede e periféricos e controla o arranque e os serviços. Compreender processos e memória permite diagnosticar lentidão: medir, localizar o gargalo, agir numa só coisa, medir de novo. Os dados protegem-se com cópias segundo a regra 3-2-1 e testes de restauro. Os acessos definem-se por grupos e pelo menor privilégio, com permissões Unix e NTFS e partilhas bem pensadas. Por fim, a segurança reúne firewall, encriptação, atualizações, autenticação reforçada e registos, tudo dentro das normas e dos regulamentos aplicáveis, com registo do que se faz e responsabilidade pelo acesso que o técnico tem.
Exercícios resolvidos
1. O disco de 2 TB de um servidor foi inicializado em MBR e tem uma partição só. Quanto desse disco o sistema consegue endereçar, e o que se deve fazer ao planear a instalação em UEFI?
Resolução: o limite do MBR é de 2 TiB (2³² setores de 512 bytes, ou seja, 2048 GiB). Um disco de 2 TB comerciais tem cerca de 1862,6 GiB, que é menos de 2 TiB, por isso o MBR endereça-o por inteiro; só discos acima de 2 TiB perdem o excedente. Mesmo assim, em UEFI usa-se GPT, que é o esquema esperado nesse firmware. Se o disco já tem dados, tenta-se
mbr2gpt(conversão sem apagar); se estiver vazio,cleaneconvert gptnodiskpart.
2. A ISO do Ubuntu tem 6 GB e a pen grava a 24 MB/s. Quanto tempo demora a gravação, sem contar a verificação?
Resolução: 6 GB ≈ 6000 MB; 6000 ÷ 24 = 250 segundos, cerca de 4 minutos e 10 segundos. Se a ferramenta também verificar a gravação, o tempo aproxima-se do dobro.
3. Um disco de 4 TB comerciais aparece com quantos GiB? Mostra o cálculo.
Resolução: 4 × 10¹² ÷ 2³⁰ = 4 000 000 000 000 ÷ 1 073 741 824 ≈ 3725,3 GiB. O sistema mostra cerca de 3,64 TiB (3725,3 ÷ 1024).
4. Um servidor de impressão tem o IP 192.168.10.8/26. Quantos equipamentos tem a sub-rede e qual é o endereço de difusão?
Resolução: /26 deixa 32 - 26 = 6 bits para equipamentos: 2⁶ = 64 endereços, 62 utilizáveis. Blocos de 64: 0-63, 64-127, … O IP
.8está no primeiro bloco (rede192.168.10.0, difusão192.168.10.63). Utilizáveis:.1a.62.
5. Um ficheiro tem permissão 754. Escreve-a em formato rwx e descreve quem pode fazer o quê.
Resolução: 7 = rwx (dono), 5 = r-x (grupo), 4 = r-- (outros). Fica
rwxr-xr--. O dono lê, escreve e executa; o grupo lê e executa; os outros só leem.
6. Quatro processos pedem 4, 2, 6 e 4 ms. Com quantum de 3 ms e rotativo, em que instante termina o segundo (P2)?
Resolução: P1 corre 0-3 (falta 1); P2 corre 3-5 (termina aos 5, pois só precisava de 2). Termina aos 5 ms. Verificação do restante: P3 5-8 (faltam 3), P4 8-11 (falta 1), P1 11-12 (termina), P3 12-15 (termina), P4 15-16 (termina). Total 16 = 4 + 2 + 6 + 4.
7. Em páginas de 4 KiB, em que página e a que deslocamento está o endereço virtual 10 000?
Resolução: 10 000 ÷ 4096 = 2 com resto 10 000 - 8192 = 1808. Página 2, deslocamento 1808 bytes.
8. A partilha de rede dá "Controlo total" ao grupo Estágio, mas o NTFS só lhe dá "Leitura". Um estagiário consegue apagar um ficheiro pela rede?
Resolução: não. A permissão efetiva pela rede é a mais restritiva das duas: Leitura. Para permitir escrita, altera-se o NTFS; mantém-se a partilha ampla e controla-se tudo no NTFS.
9. Um pequeno escritório tem 250 GB de dados, 4 % alteram-se por dia e quer 14 dias de histórico. Quantos GB de cópia precisa, com 20 % de folga?
Resolução: alteração diária 0,04 × 250 = 10 GB; 14 dias = 140 GB; cópia completa 250 GB; total 390 GB; com 20 % de folga, 390 × 1,2 = 468 GB. Serve um disco de 500 GB ou, mais confortavelmente, de 1 TB.
10. Porque se guarda a chave de recuperação do BitLocker fora do portátil?
Resolução: porque a chave é o que permite aceder aos dados se o TPM falhar, se o firmware for alterado ou se a placa-mãe for substituída. Guardada só no portátil, perde-se com ele, e os dados ficam ilegíveis para sempre. Guarda-se numa conta da organização, num cofre de palavras-passe ou impressa e arquivada em local seguro.