Sebenta · Executar modelos de mobiliário (UC02123)
- Introdução
- 1. Da especificação ao projeto de mobiliário
- 2. Desenho técnico de mobiliário
- 3. Componentes do móvel, gavetas e portas
- 4. Ferragens para mobiliário
- 5. Madeira e derivados
- 6. Máquinas-ferramentas e ferramentas de aperto
- 7. Marcação e traçagem
- 8. Samblagens de estruturas de mobiliário
- 9. Preparação e maquinação da madeira
- 10. Estruturas em derivados e componentes em madeira maciça
- 11. Execução de gavetas
- 12. Colagem e montagem
- 13. Aplicação de portas, gavetas e ferragens
- 14. Afagamento, lixagem e acabamento
- 15. Qualidade e normas
- 16. Segurança e saúde no trabalho
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a executar um modelo de mobiliário, do momento em que chega uma especificação técnica até à peça montada, acabada e verificada. É o percurso completo do/a técnico/a de marcenaria e carpintaria: analisar o que é pedido, planear as operações, preparar a madeira, marcar e traçar, maquinar, montar, aplicar ferragens, acabar e, por fim, verificar se o resultado corresponde ao projeto.
O trabalho de mobiliário acontece sobretudo nas indústrias de carpintaria e mobiliário com madeira e noutras indústrias da segunda transformação da madeira. Portugal tem uma fileira de mobiliário com peso próprio, com forte concentração de empresas na região de Paços de Ferreira e Paredes, conhecida precisamente como a "capital do móvel". É um trabalho de precisão: um erro de alguns milímetros na marcação de uma travessa propaga-se por toda a estrutura, e uma colagem apressada compromete um móvel que devia durar décadas.
Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar as especificações técnicas do modelo de mobiliário; desenvolver o projeto de mobiliário; marcar e traçar componentes de acordo com as especificações técnicas; preparar a madeira; serrar, aparelhar, desengrossar, furar, respigar e moldar; executar estruturas de mobiliário em derivados de madeira e componentes em madeira maciça (pernas, travessas); executar gaveta simples ou por malhete; armar, colar e solidificar os componentes construtivos do móvel; aplicar porta, gaveta e ferragens; afagar e lixar; verificar a qualidade do trabalho realizado; utilizar equipamentos de proteção individual e aplicar as normas de segurança, saúde no trabalho e da qualidade.
Como usar esta sebenta. Cada capítulo corresponde a uma fase do trabalho de oficina. Os exemplos resolvidos mostram as contas passo a passo, com unidades: refaz cada conta no teu caderno antes de ler a resolução. No fim há erros comuns, glossário, síntese e exercícios resolvidos.
1. Da especificação ao projeto de mobiliário
Executar um modelo de mobiliário não começa na máquina: começa na leitura atenta da especificação técnica. Analisar as especificações técnicas do modelo de mobiliário é a primeira realização desta UC e condiciona tudo o que se segue.
Uma especificação típica reúne:
- O desenho técnico do móvel, com vistas, cotas e pormenores.
- A lista de materiais: tipo de madeira, derivados, ferragens, colas e acabamento previstos.
- O caderno de encargos: exigências do cliente (função, orçamento, prazo, dimensões do espaço disponível, ambiente de utilização).
O que perguntar à especificação
Antes de avançar, o técnico responde a um conjunto fixo de perguntas. Se alguma ficar sem resposta, pergunta a quem projetou, em vez de adivinhar.
| Pergunta | Porque importa |
|---|---|
| Quais são as cotas totais (largura x altura x profundidade)? | definem todas as outras medidas |
| Que material tem cada componente? | decide máquinas, ferramentas e samblagens |
| Qual é o ambiente de uso (interior seco, cozinha, exterior)? | decide cola, derivado e acabamento |
| Que ferragens estão previstas (marca e modelo)? | cada fabricante tem as suas medidas de furação e folgas |
| Que acabamento e que cor? | decide lixagem final e produto |
| Há tolerâncias indicadas? | define o que é "conforme" na verificação final |
Desenvolver o projeto de execução
A partir da especificação, desenvolve-se o projeto de mobiliário: um plano de execução que decide a sequência de operações, as máquinas e ferramentas necessárias em cada fase, e as quantidades de material a preparar (incluindo a sobremedida para aparelhar, desengrossar e acertar topos).
O projeto de execução tem normalmente três documentos de oficina:
- Lista de corte (ou lista de componentes): cada peça com designação, quantidade, material, medidas finais e medidas em bruto.
- Ficha de operações (gama operatória): para cada peça, a sequência de operações e a máquina de cada uma.
- Lista de ferragens e consumíveis: dobradiças, corrediças, parafusos, cavilhas, cola, abrasivos, produto de acabamento.
Um cliente encomenda uma mesa de apoio com tampo de 900 x 400 mm em carvalho maciço e estrutura em pernas quadradas de 40 x 40 mm ligadas por travessas. Antes de cortar madeira, o técnico confirma no desenho: altura total (720 mm), espessura do tampo (25 mm), tipo de samblagem entre pernas e travessas (respiga e mecha), a forma de fixar o tampo sem impedir que ele trabalhe com a humidade, e o acabamento previsto (óleo). Só depois calcula as quantidades de madeira, com sobremedida para aparelhar e desengrossar cada peça.
Planear as operações
Planear as operações pela ordem certa poupa tempo e material. A lógica geral é sempre a mesma:
- Preparar a madeira (serrar em bruto, desempenar, desengrossar, cortar à largura).
- Cortar ao comprimento final e marcar.
- Maquinar as samblagens, furações e perfis.
- Lixar as faces que depois ficam de difícil acesso (interiores).
- Montar a seco e corrigir.
- Colar, apertar e verificar a esquadria.
- Aplicar portas, gavetas e ferragens (ajuste).
- Acabamento (muitas vezes com as ferragens retiradas).
- Verificação final e registo.
Exemplo resolvido · Tempo de colagem no planeamento
Uma estrutura tem 4 fases de colagem sucessivas (duas ilhargas da mesa, depois a união das duas, depois o tampo). A ficha técnica da cola indica que a peça pode sair do aperto ao fim de 30 minutos e que a colagem só aguenta esforço ao fim de 24 horas.
- Tempo mínimo sob aperto: 4 fases x 30 min = 120 min, ou seja, 2 horas, se cada fase só começar depois de a anterior sair do aperto.
- Mas a estrutura só pode ser maquinada ou forçada (por exemplo, lixada com pressão ou transportada) 24 horas depois da última colagem.
- Conclusão para o planeamento: agendar a lixagem final e a aplicação de ferragens para o dia seguinte, e usar o intervalo para preparar a gaveta e a porta.
Planear a montagem sem prever os tempos da cola é uma das causas mais comuns de atrasos na oficina.
2. Desenho técnico de mobiliário
O desenho técnico é a linguagem comum entre quem projeta e quem executa um móvel. Representa-se normalmente em vistas ortogonais (alçado principal, planta e alçado lateral), com cortes e pormenores para os pontos mais complexos.
Elementos que um técnico de marcenaria tem de dominar:
- Cotas: medidas totais do móvel, medidas de cada componente e espessuras de material, sempre em milímetros no desenho de mobiliário.
- Escala: a proporção entre o desenho e a peça real. Em conjuntos de mobiliário usa-se muito 1:10 ou 1:5; nos pormenores, 1:2 ou 1:1.
- Cortes: mostram o interior do móvel, como se fosse serrado por um plano. É no corte que se vê como a costa encaixa, onde corre a gaveta e a espessura real de cada painel.
- Pormenores (detalhes): ampliações de uma samblagem ou de uma ferragem, para mostrar o encaixe exato.
- Legenda e lista de peças: identificam o desenho, a escala, os materiais, o acabamento e cada componente numerado.
Ler a escala
Numa escala 1:N, cada unidade medida no papel corresponde a N unidades na peça real.
- Medida real = medida no papel x N
- Medida no papel = medida real ÷ N
Num desenho à escala 1:5, a largura de uma gaveta mede 12,0 cm no papel. Medida real = 12,0 cm x 5 = 60 cm = 600 mm. O mesmo móvel, desenhado a 1:10, teria a gaveta com 6,0 cm no papel. Regra de ouro: sempre que existe cota escrita, manda a cota, não a medição com régua sobre o papel (o papel encolhe, a impressão pode ter sido redimensionada).
Da lista de componentes à oficina
Cada desenho de mobiliário desdobra-se numa lista de componentes: pernas, travessas, tampos, laterais, costas, prateleiras, frentes de gaveta e portas. Cada componente tem dimensões finais próprias, a que se somam sobremedidas para a maquinação, e está associado a um tipo de material concreto: madeira maciça, derivado (contraplacado, MDF, aglomerado) ou derivado revestido a folha de madeira.
Na lista de corte, a primeira medida do comprimento é sempre no sentido do fio (das fibras) nas peças de madeira maciça e nos painéis com folha de madeira, porque o fio decide a resistência e o aspeto. Nos derivados sem fio (MDF, aglomerado cru) indica-se a orientação só quando há revestimento ou veio a respeitar.
Confundir a cota total do móvel com a cota de um componente isolado é um dos erros de leitura mais frequentes, e propaga-se por toda a lista de corte se não for detetado a tempo.
Exemplo resolvido · Da cota do desenho à lista de corte
Um armário tem 800 mm de largura, 1800 mm de altura e 400 mm de profundidade. É uma caixa em painel de 18 mm: as duas laterais vão de alto a baixo e o tampo e a base ficam entre as laterais. Leva três prateleiras fixas, igualmente espaçadas, recuadas 20 mm em relação à frente. A costa é um painel de 5 mm aplicado por trás, sobre a caixa.
- Largura interior = largura exterior menos as duas laterais = 800 menos 2 x 18 = 800 menos 36 = 764 mm. É o comprimento do tampo, da base e das prateleiras.
- Altura interior = 1800 menos tampo menos base = 1800 menos 36 = 1764 mm.
- Altura de cada vão: há 3 prateleiras de 18 mm, que ocupam 54 mm, e 4 vãos iguais. Vão = (1764 menos 54) ÷ 4 = 1710 ÷ 4 = 427,5 mm.
- Profundidade das prateleiras = 400 menos 20 = 380 mm.
- Verificação: 4 x 427,5 + 3 x 18 + 2 x 18 = 1710 + 54 + 36 = 1800 mm. Fecha.
| Peça | Qtd | Comprimento | Largura | Espessura |
|---|---|---|---|---|
| Lateral | 2 | 1800 | 400 | 18 |
| Tampo e base | 2 | 764 | 400 | 18 |
| Prateleira | 3 | 764 | 380 | 18 |
| Costa | 1 | 1800 | 800 | 5 |
Se a soma não fechar, o erro está quase sempre numa espessura de painel esquecida na conta. Se os painéis levarem orla, a espessura da orla também entra nas contas das peças orladas nos topos.
3. Componentes do móvel, gavetas e portas
Os móveis dividem-se, para efeitos de execução, em dois grandes tipos de construção:
- Móveis de estrutura (mesas, cadeiras, bancos, aparadores com pernas): o esqueleto é feito de pernas e travessas em madeira maciça, ligadas por samblagens; o tampo apoia sobre a estrutura.
- Móveis de caixa (armários, cómodas, estantes, móveis de cozinha): o corpo é uma caixa de painéis (laterais, tampo, base, costa), hoje quase sempre em derivados de madeira.
Muitos móveis combinam os dois: uma caixa em derivado assente num soco ou numa base de pernas e travessas em maciço.
| Componente | Função |
|---|---|
| Perna | suporte vertical, transmite o peso ao solo |
| Travessa | liga as pernas entre si, dá rigidez à estrutura |
| Tampo | superfície horizontal de trabalho ou apoio |
| Lateral (ilharga) | fecha o lado do móvel de caixa e suporta prateleiras e corrediças |
| Base e tampo interior | fecham a caixa em baixo e em cima |
| Costa | fecha o fundo e, se bem fixada, trava a caixa em esquadria |
| Prateleira | divisão horizontal interior, fixa ou amovível |
| Soco | base recuada que eleva a caixa do chão |
Reconhecer cada componente no desenho é o primeiro passo para o marcar e executar corretamente, e é a base para depois interpretar as samblagens do capítulo 8.
Componentes de gaveta
A gaveta é uma caixa aberta em cima, composta por frente, laterais, costa e fundo, que desliza em corrediças metálicas ou em guias de madeira.
- Frente: a face visível. Pode ser encaixada (fica dentro do vão, à face da caixa) ou sobreposta (tapa o rebordo do vão). Em mobiliário de série usa-se muito a frente falsa: a caixa da gaveta tem uma frente interior simples e a frente visível é uma peça à parte, aparafusada por dentro à caixa, o que permite afinar a posição.
- Laterais: guiam a gaveta e recebem a parte móvel da corrediça.
- Costa: fecha atrás. Na gaveta clássica fica mais baixa que as laterais, apoiada sobre o fundo.
- Fundo: painel fino (contraplacado, platex/aglomerado de fibras duro ou MDF fino) metido num rasgo aberto nas laterais e na frente, ou aplicado por baixo nas gavetas de série mais simples.
Componentes de porta
A porta fecha um vão do móvel e pode ser:
- Porta lisa: um painel único de derivado (orlado, folheado, lacado) ou de madeira maciça. Portas maciças largas tendem a empenar, por isso usam-se sobretudo em peças estreitas ou com travamento.
- Porta de caixilho e almofada: um caixilho (moldura estrutural feita de dois montantes verticais e duas travessas horizontais, ligados por respiga e mecha ou por perfil e contraperfil) que envolve uma almofada (painel) solta num rasgo. A almofada solta permite que a madeira trabalhe sem rachar o caixilho.
A dobradiça liga a porta à lateral do móvel; o puxador e o fecho são as ferragens de manuseamento e fixação. Quanto à posição no vão, a porta pode ser sobreposta (tapa total ou parcialmente a lateral) ou embutida (fica dentro do vão, à face). A escolha muda o tipo de dobradiça e as medidas da porta.
Antes de cortar qualquer componente de gaveta ou porta, confirma no desenho se a frente é sobreposta ou embutida e para que lado abre a porta: são decisões que mudam as medidas e que não se corrigem depois de a peça estar cortada.
4. Ferragens para mobiliário
As ferragens são os componentes metálicos (ou de plástico técnico) que permitem o movimento, a fixação, a montagem e o nivelamento de um móvel. Escolher a ferragem certa condiciona tanto a durabilidade como o acabamento final, e a ferragem deve ser escolhida antes de cortar, porque cada modelo impõe medidas.
| Ferragem | Função |
|---|---|
| Dobradiça | permite abrir e fechar portas |
| Corrediça | permite deslizar gavetas |
| Puxador | manuseamento de portas e gavetas |
| Fecho, trinco, íman | mantém a porta ou a gaveta fechada |
| Ferragens de união (excêntricos, cavilhas de união, parafusos de montagem) | unem painéis e permitem montar e desmontar |
| Suportes de prateleira | apoiam prateleiras amovíveis |
| Fixadores de tampo | prendem o tampo maciço à estrutura deixando-o dilatar |
| Pé regulável | apoio e nivelamento do móvel |
Dobradiças
- Dobradiça de charneira (de leme): a dobradiça tradicional de duas asas. As asas ficam normalmente embutidas num rebaixo aberto no canto da porta e da lateral, com a profundidade da espessura da asa.
- Dobradiça de copo (invisível ou de encastrar): a mais usada no mobiliário atual. O copo entra num furo cego aberto só na porta, com broca de fresar (tipo Forstner) de 35 mm de diâmetro no modelo corrente; na lateral aparafusa-se uma base (calço), sem rebaixo. A distância do furo à aresta da porta e a profundidade do furo são dadas pelo fabricante, porque decidem quanto a porta tapa a lateral. Estas dobradiças afinam-se em três direções: altura, profundidade e lateral (a folga entre portas).
- Dobradiça de piano: contínua, para tampos articulados e portas pequenas.
Numa porta de cozinha com dobradiças de copo, a furação do copo faz-se com um gabarito ou numa furadora de dobradiças, sempre à mesma distância da aresta e do topo. Sem gabarito, cada porta sai com o copo numa posição ligeiramente diferente e o alinhamento entre portas vizinhas fica comprometido, por mais que se afinem os parafusos.
Corrediças
- Corrediças de rodízios (de roletes, normalmente com uma parte em pó de epóxi): económicas, extração parcial, para cargas leves.
- Corrediças de esferas (telescópicas): montam-se na lateral da gaveta, extração total ou parcial, suportam mais carga e deslizam melhor. Ocupam um espaço lateral fixo entre a gaveta e o móvel.
- Corrediças ocultas (sob a gaveta): ficam escondidas por baixo, muitas vezes com amortecimento; exigem gaveta com medidas e furações próprias do fabricante.
A regra é uma só: manda a ficha técnica do fabricante. É ela que dá a folga lateral, o comprimento nominal e as posições de furação. Nas corrediças de esferas laterais correntes, com 45 mm de altura, a folga indicada anda pelos 12,5 mm por lado (há modelos com 12,7 mm, ou seja, meia polegada). Vamos usar 12,5 mm nos exemplos desta sebenta.
Ferragens de união e o sistema de 32 mm
No mobiliário em derivados, a indústria organizou-se em torno do sistema de 32 mm: as filas de furos nas laterais (para suportes de prateleira, bases de dobradiça e corrediças) têm os furos espaçados de 32 mm, normalmente a 37 mm da aresta da frente. Isto permite furar em série numa furadora múltipla e usar ferragens de marcas diferentes. Os puxadores também seguem, na maioria, entre-eixos múltiplos de 32 mm (96, 128, 160, 192 mm...).
As ferragens de união mais correntes são o excêntrico com cavilha de união (um parafuso ou pino num painel, que é puxado por um excêntrico rodado dentro de um furo no outro painel) e os parafusos de montagem para aglomerado. Permitem que o móvel seja expedido desmontado e montado em casa do cliente.
Exemplo resolvido · Largura da caixa de uma gaveta
Um móvel tem 600 mm de largura exterior e laterais de 18 mm. A gaveta vai em corrediças de esferas com folga de 12,5 mm por lado (dado do fabricante). As laterais da gaveta são de 15 mm.
- Largura interior do móvel = 600 menos 2 x 18 = 600 menos 36 = 564 mm.
- Largura exterior da caixa da gaveta = 564 menos 2 x 12,5 = 564 menos 25 = 539 mm.
- Comprimento da frente interior e da costa (entre laterais da gaveta, se ficarem entre elas) = 539 menos 2 x 15 = 509 mm.
- Verificação: 509 + 2 x 15 + 2 x 12,5 + 2 x 18 = 509 + 30 + 25 + 36 = 600 mm. Fecha.
A tolerância destas corrediças é pequena (em muitos modelos, da ordem de meio milímetro a mais ou a menos): uma gaveta 2 mm mais larga já não entra ou prende; 2 mm mais estreita fica a abanar ou solta-se da corrediça.
Preparar o móvel para as ferragens
- Dobradiças de copo: furo de copo na porta; furos de fixação da base na lateral.
- Dobradiças de charneira: rebaixo (entalhe) na porta e na lateral.
- Corrediças: furação alinhada e ao mesmo nível nos dois lados, na caixa e na gaveta.
- Puxadores: furação passante na frente, com o entre-eixos do modelo escolhido.
A furação mal alinhada é a causa mais comum de portas e gavetas a "puxar" para um lado depois de montadas: é um erro de execução que remete diretamente para a marcação e a traçagem do capítulo 7. Na dúvida, um gabarito resolve: é uma peça de apoio que obriga cada furo a cair sempre no mesmo sítio.
5. Madeira e derivados
A madeira maciça é o material clássico de marcenaria: resistente e trabalhável, mas um material vivo que troca humidade com o ar e muda de dimensões. Distinguem-se dois grandes grupos:
- Madeiras resinosas (de coníferas: pinho, abeto, casquinha): em geral mais macias, económicas e fáceis de trabalhar. O pinho bravo é a resinosa mais comum em Portugal.
- Madeiras folhosas (carvalho, castanho, faia, freixo, nogueira, cerejeira, e as tropicais como a sucupira ou o sapeli): em geral mais duras e valorizadas em mobiliário de qualidade. O castanho e o carvalho têm tradição forte no mobiliário português.
"Resinosa" e "folhosa" são grupos botânicos, não graus de dureza: há folhosas macias (a balsa é o exemplo extremo), mas no dia a dia da oficina a regra geral funciona.
A madeira é anisotrópica
A madeira não se comporta da mesma forma em todas as direções. Há três direções a conhecer:
| Direção | Onde é | Retração ao secar |
|---|---|---|
| Longitudinal | ao longo do fio (das fibras) | praticamente desprezável |
| Radial | do centro do tronco para a casca | média |
| Tangencial | tangente aos anéis de crescimento | a maior, cerca do dobro da radial |
Consequências práticas:
- O comprimento das peças maciças é marcado no sentido do fio: é o sentido mais resistente e o mais estável.
- Uma tábua muda de largura com a humidade, não de comprimento. Um tampo maciço largo pode variar alguns milímetros entre o inverno e o verão, por isso não se prende rigidamente à estrutura: fixa-se com ferragens ou tacos que o deixam deslizar.
- A diferença entre retração tangencial e radial é a causa de empenos: uma tábua cortada tangencialmente tende a arquear (encanoar) para o lado contrário ao centro do tronco.
- Uma almofada maciça numa porta de caixilho fica solta no rasgo, com folga, para poder trabalhar.
Teor de água
A madeira deve estar seca e estabilizada antes de entrar em obra. O teor de água (humidade da madeira) calcula-se em base seca, isto é, em relação à massa da madeira totalmente seca (anidra):
Teor de água (%) = (massa húmida menos massa anidra) ÷ massa anidra x 100
Para mobiliário e carpintaria de interior, procura-se um teor de água da ordem dos 8 a 12 %, próximo daquele em que o móvel vai viver; para carpintaria de exterior o teor de equilíbrio é mais alto. Na oficina mede-se com um higrómetro de madeira (de agulhas ou de contacto); o método de referência é a pesagem antes e depois de secar em estufa.
Exemplo resolvido · Teor de água de uma amostra
Uma amostra de carvalho pesa 250 g ao sair da pilha. Depois de seca em estufa até massa constante, pesa 220 g.
- Água presente = 250 menos 220 = 30 g.
- Teor de água = 30 ÷ 220 x 100 = 13,6 %.
- Interpretação: para um móvel de interior, um pouco acima do intervalo de 8 a 12 %. A madeira deve estabilizar mais tempo na oficina (ou numa estufa) antes de ser trabalhada, sob pena de encolher depois de montada.
Atenção ao erro frequente: dividir pela massa húmida (30 ÷ 250 = 12 %) dá um valor diferente e não é o teor de água usado em marcenaria.
Derivados da madeira
Os derivados são painéis fabricados a partir de lâminas, partículas ou fibras de madeira, coladas com resinas. São mais estáveis e uniformes do que a madeira maciça, existem em grandes formatos e são a base do mobiliário de caixa atual.
| Derivado | Composição | Uso típico |
|---|---|---|
| Contraplacado | folhas finas coladas com o fio cruzado, em número ímpar | laterais, costas, fundos de gaveta, peças resistentes e curvadas |
| Painel lamelado | ripas maciças coladas lado a lado, com ou sem folhas exteriores | tampos, prateleiras longas |
| Aglomerado de partículas | partículas de madeira prensadas com cola | caixas de móveis revestidas (melamina, folha), tampos de cozinha revestidos |
| MDF (aglomerado de fibras de média densidade) | fibras de madeira prensadas | portas lacadas, frentes fresadas, painéis para pintar |
| Platex (aglomerado de fibras duro) | fibras prensadas a alta densidade, em painel fino | costas e fundos de gaveta económicos |
| OSB | partículas longas (aparas) orientadas, em camadas cruzadas | construção e estruturas, pouco usado em mobiliário fino |
O número ímpar de folhas no contraplacado garante que as duas faces exteriores têm o fio no mesmo sentido, o que torna o painel equilibrado e evita que empene. Existem versões hidrófugas (resistentes à humidade) de aglomerado e de MDF, identificadas pelo fabricante, muitas vezes com a massa tingida de verde.
A folha de madeira é uma lâmina fina de madeira (normalmente com menos de 1 mm), colada sobre um derivado para lhe dar o aspeto de madeira maciça, com menos consumo de madeira nobre e mais estabilidade. Folheia-se das duas faces do painel, para o equilibrar. Os topos dos painéis folheados ou melaminados fecham-se com orla (fita de madeira, de folha ou de plástico) aplicada na orladora.
O MDF e o aglomerado comuns incham e degradam-se com facilidade em contacto prolongado com humidade, sobretudo pelos topos. Em zonas expostas (cozinhas, casas de banho), a especificação técnica tem de prever painel hidrófugo, orlas e acabamento bem selados, ou a substituição por outro material.
6. Máquinas-ferramentas e ferramentas de aperto
Cada operação de execução exige a máquina certa, escolhida em função da fase e do rigor pretendido. Numa oficina de marcenaria e carpintaria encontram-se tipicamente:
| Máquina | Operação principal |
|---|---|
| Serra de fita | cortes curvos e reserrar (dividir uma tábua na espessura) |
| Serra circular de bancada e serra esquadrejadora | cortes retos de tábuas e painéis, ao comprimento e à largura, com esquadria |
| Garlopa (desempenadeira) | desempenar: aplanar uma face e um canto de referência, em esquadria |
| Desengrossadeira (garlopa de desengrosso) | desengrossar: dar a espessura final, paralela à face desempenada |
| Tupia | molduras, perfis, rasgos, rebaixos; respigas com carro próprio |
| Respigadeira | cortar respigas em série, com precisão |
| Máquina de abrir mechas (de broca oscilante ou de escopro quadrado) | abrir as mechas (furos) que recebem as respigas |
| Furadora de coluna e furadora múltipla | furação precisa; na múltipla, várias brocas em linha para o sistema de 32 mm e cavilhas |
| Orladora | aplicar orla nos topos dos painéis |
| Lixadoras (de banda, de disco, orbitais, de banda larga) | alisar e lixar superfícies |
A estas somam-se as ferramentas portáteis (berbequim e aparafusadora, serra de recortes, fresadora portátil, fresadora de lamelas, lixadora orbital) e as ferramentas manuais que continuam indispensáveis no ajuste: serrotes, formões, plainas, graminho, esquadro, maço.
A desempenadeira não garante espessura nem paralelismo: só produz uma face plana e um canto em esquadria com ela. A desengrossadeira não endireita uma tábua empenada: os rolos achatam-na durante a passagem e, quando sai, a tábua volta ao empeno com as duas faces paralelas. Por isso a ordem é sempre desempenar primeiro e desengrossar depois (capítulo 9).
Cada máquina tem regras de segurança próprias, sempre com os protetores colocados e a aspiração ligada (ver capítulo 16).
Ferramentas de aperto
As ferramentas de aperto mantêm as peças fixas durante a maquinação, a colagem e a montagem:
- Grampos (de parafuso, de alavanca, de mola, de aperto rápido): apertos locais, peças pequenas.
- Sargentos: apertos compridos, de barra, para colagens de painéis, caixas e estruturas; usam-se aos pares, alternando por cima e por baixo do painel para ele não arquear.
- Prensas (de colagem de painéis, de caixas, de portas): apertam painéis grandes ou conjuntos inteiros de forma uniforme, na produção.
- Cintas de aperto: envolvem estruturas inteiras (caixas, molduras, cadeiras) para uma colagem uniforme.
- Torno de bancada: segura a peça na bancada para serrar, aplainar ou formonear à mão.
- Batentes e gabaritos: guiam o aperto e a maquinação sempre na mesma posição, garantindo repetibilidade entre peças.
Usa sempre calços de proteção entre o grampo e a madeira. Sem eles, o próprio aperto deixa marcas na superfície que só se removem com muita lixagem, ou nem isso. Os calços também espalham a pressão por uma área maior.
7. Marcação e traçagem
Marcar e traçar componentes de acordo com as especificações técnicas do projeto é um dos critérios de desempenho desta UC. Consiste em transpor as medidas do desenho técnico para a madeira, com rigor: um erro de marcação propaga-se por toda a peça e, muitas vezes, por toda a estrutura.
Instrumentos de marcação, medição e traçagem
| Instrumento | Para que serve |
|---|---|
| Fita métrica e metro articulado | medições de conjunto |
| Régua metálica | medições finas e traços retos |
| Esquadro (de carpinteiro, de encosto) | traçar a 90 graus a partir de uma face ou canto de referência |
| Suta (esquadro de ângulo regulável) | traçar e transportar ângulos, por exemplo a inclinação do malhete |
| Graminho (gramil) | riscar linhas paralelas a uma face ou canto: espessura das respigas, largura das mechas, profundidade dos rebaixos |
| Graminho de mecha (de duas pontas) | riscar as duas linhas da respiga ou da mecha de uma só vez |
| Compasso | arcos, divisões iguais, transportar medidas |
| Riscador (ponta de traçar, faca de marcar) | traço fino e preciso, que corta as fibras e ajuda o corte limpo |
| Lápis de carpinteiro | marcas de identificação e traços que não ficam à vista |
| Paquímetro | espessuras de painel e diâmetros de broca |
Referências e sinais de marcação
A ordem de trabalho segue sempre a mesma lógica: marcar a partir de uma face de referência e de um canto de referência (os que foram desempenados), nunca acumulando medidas a partir de pontos diferentes da peça. O graminho encosta sempre à face ou ao canto de referência, para que todas as peças fiquem iguais mesmo que a espessura varie uma décima.
Boas práticas:
- Sinal de face e sinal de canto: marcam-se a lápis em cada peça (por exemplo, um laço na face e um "V" no canto) para nunca se trocarem.
- Marcar em conjunto: peças iguais (as quatro pernas de uma mesa, as duas laterais de um armário) alinham-se lado a lado e marcam-se de uma só vez com o esquadro, para ficarem idênticas.
- Identificar cada peça: número ou letra na zona que fica escondida, e o triângulo de marceneiro num conjunto de peças para saber a posição e a orientação de cada uma.
- Medir a partir de um só ponto: acumular medidas parciais ("mais 200, mais 150, mais 300") soma os erros; medir sempre a partir da mesma origem.
- Marcar o lado do desperdício com uma cruz, para se cortar do lado certo do traço.
Exemplo resolvido · Marcação de uma travessa
Travessa de uma mesa, com 500 mm de comprimento útil entre ombros (a distância à vista entre as duas pernas), secção de 22 x 80 mm, com uma respiga de 25 mm em cada topo, para montar em pernas de 40 x 40 mm.
- Escolher a face e o canto de referência e marcá-los com o sinal de face e o sinal de canto.
- Marcar os ombros: dois traços a esquadro, à volta da peça, distanciados 500 mm, a partir da mesma origem.
- Marcar o comprimento das respigas: 25 mm para fora de cada ombro. Comprimento total da travessa = 500 + 2 x 25 = 550 mm.
- Marcar a espessura da respiga com o graminho de mecha, a partir da face de referência. Regra prática: cerca de um terço da espessura da travessa, ajustada à broca ou ao escopro disponível: 22 ÷ 3 ≈ 7,3 mm, arredondado para 8 mm, com o mesmo afastamento das duas faces: (22 menos 8) ÷ 2 = 7 mm de cada lado.
- Marcar a largura da respiga, deixando um ressalto em cima para a mecha não ficar aberta no topo da perna.
- Marcar com uma cruz o desperdício e conferir todas as medidas antes de ligar qualquer máquina.
Porque 25 mm? Numa perna de 40 mm onde entram duas travessas à mesma altura (uma em cada face), as duas respigas encontram-se dentro da perna: são normalmente cortadas em meia-esquadria na ponta para caberem as duas. Com 25 mm, as pontas cruzam-se dentro da perna e é por isso que se chanfram. Em peças onde só entra uma travessa, a respiga pode ser mais longa.
Marcar bem demora minutos; corrigir uma peça mal marcada demora horas, quando não obriga a perder a peça e recomeçar.
8. Samblagens de estruturas de mobiliário
Samblagem é o modo como dois componentes de madeira se unem para formar uma estrutura rígida, com ou sem reforço de cola e ferragens. Uma boa samblagem transmite forças entre componentes sem depender só da cola, e a sua escolha depende da função, do material (maciço ou derivado) e do esforço que a junta vai suportar.
| Samblagem | Descrição | Uso típico |
|---|---|---|
| Respiga e mecha | a respiga (espiga), saliência de uma peça, entra na mecha (furo) da outra | perna e travessa, caixilhos de portas |
| Malhete em cauda de andorinha | caudas trapezoidais de uma peça encaixam nos pinos da outra; resiste ao arrancamento numa direção | cantos de gavetas e caixas de qualidade |
| Malhete reto (de dentes retos) | dentes retangulares alternados, sempre colados | caixas, gavetas de série |
| Meia-madeira | cada peça perde metade da espessura na zona da ligação | cruzamentos de travessas, caixilhos simples |
| Meia-esquadria | corte a 45 graus em cada peça, formando um canto a 90 graus | molduras, cantos onde não se quer ver o topo |
| Rasgo e lingueta (ou macho e fêmea) | uma peça tem um rasgo, a outra um macho ou uma lingueta solta | junção de tábuas, fundos, costas |
| Rebaixo | degrau aberto no bordo de uma peça para receber outra | costas de armários, fundos |
| Cavilha | pinos de madeira colados em furos alinhados nas duas peças | painéis de derivados, reforço e alinhamento |
| Lamela (bolacha) | lamela oval de faia prensada, colada em rasgos abertos com a fresadora de lamelas | alinhamento de painéis e topos |
| Ferragens de união | excêntricos, parafusos de montagem | móveis de derivados desmontáveis |
Respiga e mecha: regras práticas
- A respiga tem normalmente cerca de um terço da espessura da peça que a leva.
- A mecha abre-se primeiro e a respiga ajusta-se à mecha (é mais fácil tirar madeira à respiga do que à mecha).
- A respiga deve entrar justa, à mão ou com leves pancadas de maço: se entra solta, a cola não compensa; se precisa de força, racha a perna.
- A mecha fica afastada do topo da perna (o chamado ressalto), para a perna não rachar.
Malhete em cauda de andorinha
A geometria do malhete impede que a frente seja arrancada ao puxar a gaveta, mesmo sem cola. As caudas têm uma inclinação que, por regra tradicional, é da ordem de 1:6 em madeiras macias e 1:8 em madeiras duras; traça-se com a suta ou com um gabarito. Há dois tipos:
- Malhete à vista (passante): as caudas e os pinos veem-se nas duas faces. Usa-se atrás, na ligação da costa com as laterais da gaveta.
- Malhete meio-oculto: as caudas não atravessam a frente, ficam escondidas pela frente. Usa-se na frente da gaveta, para que de frente não se vejam os topos.
Derivados pedem outras samblagens
Os painéis de derivados não têm fio nem aceitam bem a respiga e mecha: o aglomerado esfarela e o MDF abre pelos topos. Em derivados usam-se cavilhas, lamelas, rasgo e lingueta, rebaixos e ferragens de união, sempre com cola nas uniões fixas.
Escolher uma samblagem fraca, como uma meia-madeira simples ou um topo só colado, num ponto de grande esforço estrutural é um erro que só se revela meses depois, quando a estrutura começa a ceder sob uso normal.
Uma estrutura de mobiliário é tão forte quanto a pior das suas samblagens: garantir a execução de estruturas de mobiliário de acordo com o plano, outro critério de desempenho da UC, começa aqui.
9. Preparação e maquinação da madeira
Preparar a madeira é o conjunto de operações que transforma a tábua em bruto num componente pronto para marcar e maquinar. Na linguagem da oficina, aparelhar a madeira é pô-la plana, em esquadria e à medida; faz-se por esta ordem:
- Escolher e traçar em bruto: escolher a tábua com o fio direito, afastar nós, fendas e zonas de medula, e traçar as peças com sobremedida.
- Serrar em bruto: cortar ao comprimento e à largura aproximados, com folga para as operações seguintes (tipicamente alguns milímetros na largura e na espessura, e mais no comprimento, conforme o estado da tábua).
- Desempenar na garlopa (desempenadeira): aplanar a face de referência e depois o canto de referência, encostado ao guia a 90 graus.
- Desengrossar na desengrossadeira: dar a espessura final, com a face desempenada apoiada na mesa, obtendo a face oposta paralela. Repete-se para a largura, apoiando o canto de referência, quando a peça o permite.
- Cortar ao comprimento final e esquadrar os topos, na serra esquadrejadora ou na serra de esquadria.
Sem esta sequência, todas as operações seguintes herdam o erro: desengrossar sem desempenar primeiro copia o empeno da tábua em bruto para a peça final.
Na desengrossadeira as peças têm um comprimento mínimo definido pelo fabricante (a peça tem de estar sempre presa por dois rolos) e nunca se passam peças mais curtas do que isso, nem várias espessuras diferentes lado a lado sem a máquina estar preparada para isso. Na garlopa, as peças curtas ou estreitas empurram-se com empurradores próprios, nunca com as mãos em cima da ferramenta.
Exemplo resolvido · Madeira em bruto para quatro pernas
Uma mesa leva 4 pernas de 40 x 40 x 700 mm finais. A tábua em bruto tem 50 mm de espessura. Prevê-se uma sobremedida de 5 mm na largura e na espessura (para desempenar e desengrossar) e de 30 mm no comprimento (para esquadrar topos e afastar fendas de topo).
- Secção em bruto de cada perna: (40 + 5) x (40 + 5) = 45 x 45 mm; a tábua de 50 mm chega para a espessura.
- Comprimento em bruto: 700 + 30 = 730 mm.
- Volume em bruto de uma perna: 0,045 m x 0,045 m x 0,73 m = 0,00148 m³ (arredondado).
- Volume para 4 pernas: 4 x 0,00148 = 0,0059 m³, cerca de 6 decímetros cúbicos.
- Volume final (acabado): 4 x 0,040 x 0,040 x 0,700 = 0,00448 m³. A diferença, cerca de 24 % do volume em bruto, perde-se em aparas e topos: é a razão pela qual a madeira se compra sempre com margem.
Furar, respigar e moldar
Depois de preparada e marcada, a peça passa pelas operações de maquinação que lhe dão a forma definitiva:
- Furar: abrir furos para cavilhas, ferragens ou mechas, com a broca certa (broca de centro com esporões para madeira, broca de fresar de copo para dobradiças, broca de escareador para parafusos) e com batente de profundidade.
- Abrir mechas: na máquina de broca oscilante (mecha de topos redondos) ou de escopro quadrado (mecha de cantos vivos), ou à mão com formão e maço.
- Respigar: cortar a respiga (espiga) que vai entrar na mecha, na respigadeira, na tupia com carro de respigar, ou à mão com serrote de costas.
- Moldar: dar perfil decorativo ou funcional a uma aresta ou face (boleado, chanfro, moldura), na tupia ou com a fresadora portátil.
- Rasgar e rebaixar: abrir rasgos para fundos e almofadas e rebaixos para costas, na serra circular, na tupia ou com a fresadora.
Cada operação executa fielmente a marcação já feita: a máquina não corrige um traço errado, só o materializa. Por isso a sequência importa: as samblagens cortam-se primeiro, enquanto a peça ainda tem arestas vivas e retas para encostar aos guias e batentes; as molduras fazem-se depois, com cuidado para que o perfil não entre na zona da samblagem (ou prevendo essa interseção no desenho).
10. Estruturas em derivados e componentes em madeira maciça
O referencial pede duas aptidões distintas: executar a estrutura de mobiliário em derivados de madeira e executar componentes em madeira maciça, como pernas e travessas. São dois mundos com regras próprias.
Estrutura (caixa) em derivados
A caixa de um armário ou de uma cómoda em derivado executa-se, em regra, assim:
- Esquadrejar os painéis na serra esquadrejadora, com o painel apoiado no carro, com o riscador (serra incisora) ligado nos painéis melaminados ou folheados para não lascar a face de baixo.
- Orlar os topos visíveis na orladora (ou à mão, com orla pré-colada e ferro), refilar os excessos e quebrar as arestas.
- Furar as laterais: filas de furos do sistema de 32 mm para suportes de prateleira, furos das bases das dobradiças, furos das corrediças, furos de cavilhas ou de excêntricos para a união com o tampo e a base.
- Abrir o rebaixo ou o rasgo para a costa, quando ela é embutida.
- Montar a seco, confirmar as medidas e a esquadria pelas diagonais.
- Colar e cavilhar (ou apertar as ferragens de união), meter a costa, que trava a caixa em esquadria.
As laterais que vão levar corrediças e dobradiças furam-se em espelho: a lateral esquerda e a direita são simétricas, não iguais. Marcar "E" e "D" em cada uma e furar com o mesmo gabarito, virado, evita a troca.
Exemplo resolvido · Cavilhas numa união de painel
Numa caixa em aglomerado de 18 mm, a lateral une-se à base com cavilhas de 8 mm de diâmetro e 35 mm de comprimento.
- Distribuição: com uma profundidade de painel de 400 mm, deixam-se cerca de 50 mm às extremidades e colocam-se cavilhas a intervalos regulares; com 4 cavilhas, os centros ficam a 50, 150, 250 e 350 mm (três intervalos de 100 mm).
- Limite da face: na lateral, o furo é aberto na face de um painel de 18 mm e tem de deixar fundo suficiente para não atravessar nem estalar a face exterior. Fica-se por 13 mm, deixando 5 mm de fundo.
- Profundidade no topo da base: o resto da cavilha entra no topo do painel, onde há comprimento de sobra. Deixando 1 mm de folga para a cola no fundo de cada furo: 35 menos 13 + 2 x 1 = 24 mm.
- Verificação: 13 + 24 = 37 mm = 35 mm de cavilha + 2 mm de folga. Fecha.
- O erro a evitar: dividir a cavilha ao meio (17,5 mm para cada lado) daria um furo de 18,5 mm na face de um painel de 18 mm, isto é, atravessava-o.
Este é o tipo de conta que se faz antes de encomendar as cavilhas: uma cavilha comprida demais numa face obriga a furos que atravessam o painel.
Componentes em madeira maciça (pernas e travessas)
As pernas e travessas executam-se a partir de madeira aparelhada (capítulo 9):
- Pernas: esquadradas às quatro faces; marcam-se em conjunto as mechas; podem ser afuniladas (mais estreitas em baixo) na serra com gabarito ou na garlopa, torneadas no torno, ou moldadas nas arestas. As mechas abrem-se antes de afunilar ou tornear, enquanto a perna tem faces retas para apoiar.
- Travessas: cortadas ao comprimento entre ombros mais as respigas; respigadas; rasgadas por dentro quando levam fixadores de tampo; por vezes recortadas em baixo por razões estéticas.
- Travessas de gaveta (no móvel de caixa com estrutura maciça): unem as laterais à frente, por baixo e por cima de cada gaveta, e servem de apoio às guias de madeira quando a gaveta não usa corrediças metálicas.
O critério de qualidade é o mesmo nas duas famílias: medidas de acordo com o plano, esquadria, faces sem marcas e samblagens justas.
11. Execução de gavetas
O referencial pede que o técnico saiba executar gaveta simples ou por malhete. As duas partilham a mesma lógica de medidas e diferem na forma de unir os cantos.
Medidas da gaveta
As medidas da caixa da gaveta tiram-se sempre do vão e da ferragem:
- Largura da caixa = largura interior do vão menos a folga das corrediças (dos dois lados), ou, em guias de madeira, menos uma folga pequena de deslize.
- Altura da caixa = altura do vão menos uma folga em cima (para a gaveta entrar e sair sem raspar) e o espaço que a corrediça exige em baixo, se for oculta.
- Profundidade da caixa = comprimento nominal da corrediça escolhida, que tem de caber na profundidade interior do móvel.
- Frente: se for encaixada, é o vão menos a folga à volta; se for sobreposta, é o vão mais o que tapa a lateral e a travessa.
Gaveta simples
A gaveta simples monta-se com uniões rápidas, sem entalhes decorativos visíveis:
- Rebaixo nos cantos da frente interior com laterais coladas e pregadas ou aparafusadas.
- Cavilhas ou lamelas coladas, típicas nas gavetas em derivado.
- Malhete reto feito à máquina, colado.
- Ferragens próprias (gavetas metálicas de laterais em aço, em que só a frente, a costa e o fundo são de derivado).
É rápida de produzir, indicada para mobiliário funcional e de custo controlado, e a sua resistência depende sobretudo da cola, do rigor da esquadria e da corrediça escolhida. É muito comum ter frente falsa: a caixa é simples, e a frente visível aparafusa-se por dentro, afinada ao vão.
O fundo, nas gavetas bem feitas, corre num rasgo aberto nas laterais e na frente interior, e a costa fica por cima do fundo. Um fundo em derivado fino pode ser colado no rasgo (ajuda até a manter a gaveta em esquadria); um fundo em madeira maciça nunca se cola, porque tem de poder dilatar, e monta-se com o fio paralelo à frente, preso só à costa por um parafuso num rasgo alongado. Nas gavetas de série mais simples, o fundo é aplicado por baixo, pregado ou agrafado.
Gaveta por malhete
A gaveta por malhete é a gaveta clássica de marcenaria:
- À frente: malhete meio-oculto, para que de frente não se vejam os topos das laterais.
- Atrás: malhete à vista (passante), a unir a costa às laterais.
- As caudas cortam-se nas laterais (porque é a lateral que resiste ao puxão da frente) e os pinos na frente e na costa.
Exemplo resolvido · Executar uma gaveta por malhete
- Preparar as peças à medida final (laterais, frente, costa), com as faces e cantos de referência marcados.
- Com o graminho, marcar em todas as peças a linha de base do malhete: a espessura da peça que vem encontrar-se (na frente meio-oculta, a profundidade das caudas, que deixa alguns milímetros de frente por fora).
- Traçar as caudas na lateral com a suta ou o gabarito (inclinação da ordem de 1:8 em madeira dura), distribuindo-as com meios pinos nas pontas.
- Serrar as caudas do lado do desperdício do traço, e limpar entre elas com formão até à linha de base.
- Apoiar a lateral sobre a frente e transferir o contorno das caudas com o riscador: os pinos traçam-se a partir das caudas já cortadas, não por medição.
- Serrar e escavar os pinos, outra vez do lado do desperdício.
- Testar o encaixe a seco, sem cola, ajustando com o formão. Abrir os rasgos do fundo.
- Colar, apertar com calços que deixem as caudas passar, verificar a esquadria pelas diagonais, limpar o excesso de cola.
- Meter o fundo pelo lado de trás, por baixo da costa, e fixá-lo.
O malhete bem executado não precisa de reforço metálico: a própria geometria segura a junta. Cortar pelo lado errado do traço é o erro mais comum, deixando a junta folgada (o traço que devia ficar ficou no desperdício) ou tão apertada que racha ao montar.
Exemplo resolvido · Gaveta completa em corrediças de esferas
Vão com 564 mm de largura interior, 150 mm de altura e 500 mm de profundidade interior. Corrediças de esferas de 450 mm com 12,5 mm de folga por lado. Laterais da gaveta em contraplacado de 15 mm, fundo de 6 mm num rasgo. Frente falsa sobreposta, aparafusada à caixa.
- Largura da caixa: 564 menos 2 x 12,5 = 539 mm.
- Frente interior e costa (entre as laterais): 539 menos 2 x 15 = 509 mm de comprimento.
- Altura da caixa: com 20 mm de folga total para entrar e sair, 150 menos 20 = 130 mm.
- Comprimento das laterais: igual ao da corrediça, 450 mm, que cabe nos 500 mm interiores.
- Fundo: o rasgo tem 6 mm de profundidade nas laterais; o fundo mede 509 + 2 x 6 menos 1 de folga = 520 mm de largura, com 1 mm de folga total para entrar no rasgo.
- Verificação da largura: 509 + 2 x 15 = 539; 539 + 25 = 564. Fecha.
Estas medidas são um exemplo; numa gaveta real a ficha técnica da corrediça indica as folgas, o comprimento mínimo de profundidade interior e as cotas de furação.
12. Colagem e montagem
Colar é criar uma ligação por adesão entre as superfícies, complementar (nunca substituto) de uma boa samblagem. As colas mais usadas em marcenaria:
| Cola | Como seca | Uso típico |
|---|---|---|
| PVA (acetato de polivinilo, cola branca) | por perda de água, absorvida pela madeira e evaporada | uso geral em interior; versões D3 para mais humidade |
| Poliuretano (PUR) | reage com a humidade do ar e da madeira, expande ligeiramente | juntas expostas à água, exterior, materiais diferentes |
| Ureia-formaldeído | cura química, muito usada em prensas | folheados, derivados, produção industrial |
| Cola termofusível (hot melt) | arrefecimento | orlas na orladora |
| Cola de contacto | evaporação do solvente, contacto das duas faces | laminados e revestimentos |
As colas termoplásticas para madeira, como a PVA, classificam-se pela norma europeia EN 204 em classes de durabilidade D1 a D4: D1 e D2 para interior seco, D3 para interior com humidade frequente e exterior protegido, D4 para as situações mais exigentes. A classe vem no rótulo.
Tempo aberto, tempo de prensagem e cura
- Tempo aberto: o tempo máximo entre aplicar a cola e fechar a junta sob aperto. Passado esse tempo, a cola forma pele e a ligação fica fraca.
- Tempo de prensagem (de aperto): o tempo mínimo que a junta fica apertada antes de poder sair dos grampos.
- Tempo de cura: o tempo até a junta atingir a resistência total; só então se força, maquina ou transporta a peça.
Os valores estão sempre na ficha técnica e dependem da temperatura, da humidade da madeira e da quantidade de cola. Como ordem de grandeza, as colas PVA correntes têm tempos abertos de alguns minutos (há fichas que indicam 6 minutos, outras mais), prensagens de 15 minutos a uma hora conforme o tipo de junta, e cura completa ao fim de cerca de 24 horas. Numa montagem grande, com muitas juntas, o tempo aberto é o que manda: se não dá para colar tudo nesse tempo, divide-se a montagem em fases ou usa-se uma cola de tempo aberto mais longo.
Boas práticas de colagem:
- Madeira com o teor de água certo e superfícies limpas, sem pó nem gordura.
- Aplicar a cola em camada uniforme, nas duas superfícies nas juntas de respiga (na mecha e na respiga), sem encharcar.
- Juntas justas: a PVA não enche folgas.
- Limpar o excesso de cola antes de secar, ou deixá-lo ganhar consistência de borracha e levantá-lo com o formão. Depois de seca, a cola impede a penetração do óleo ou do verniz e fica uma mancha clara.
Armar e solidificar com ferramentas de aperto
Armar é reunir todos os componentes construtivos do móvel na posição final. Faz-se sempre primeiro a seco, sem cola, e só depois a sério:
- Montagem a seco: montar toda a estrutura, com os grampos e sargentos que vão ser usados já regulados à medida, e confirmar a esquadria com o esquadro e as diagonais. É o ensaio geral: descobre-se aqui uma respiga apertada ou um grampo que falta.
- Preparar: calços prontos, panos húmidos, formão para a cola, peças numeradas pela ordem de montagem.
- Colar por fases quando a estrutura é grande (numa mesa: primeiro as duas ilhargas, cada uma com duas pernas e uma travessa; depois une-se o conjunto com as travessas que faltam).
- Solidificar com ferramentas de aperto (grampos, sargentos, cintas), sempre com calços, com a pressão alinhada com o eixo da junta e sem exagero: apertar demais expulsa a cola toda e pode torcer a estrutura.
- Verificar de novo a esquadria e as diagonais, ainda com a cola fresca, e verificar que a estrutura não ficou torcida (as quatro pernas assentam num plano, o painel não está em hélice).
- Deixar no aperto o tempo de prensagem indicado, sem mexer na estrutura, e só a trabalhar depois do tempo de cura.
Verificar a esquadria pelas diagonais
Num retângulo, as duas diagonais são iguais. Se a estrutura ficar em paralelogramo (fora de esquadria), uma diagonal cresce e a outra encolhe. Medir as diagonais com fita métrica ou com uma régua de diagonais é mais fiável do que um esquadro pequeno numa estrutura grande.
Se as diagonais forem diferentes, desloca-se um dos sargentos para que fique ligeiramente inclinado no sentido da diagonal maior: ao apertar, a estrutura é puxada nesse sentido e a diagonal maior encurta, até as duas ficarem iguais.
Exemplo resolvido · Diagonal de uma caixa
Uma caixa tem 800 mm de largura por 450 mm de altura, medidas exteriores.
- Pelo teorema de Pitágoras, a diagonal teórica é a raiz quadrada de (800² + 450²) = raiz de (640 000 + 202 500) = raiz de 842 500 = 917,9 mm.
- Na montagem a seco, as diagonais medem 921 mm e 915 mm. A diferença é de 6 mm; a média, (921 + 915) ÷ 2 = 918 mm, bate com a teórica.
- Conclusão: a caixa está em paralelogramo. Aperta-se no sentido da diagonal de 921 mm até as duas medirem 918 mm.
Não é preciso calcular a diagonal teórica para verificar a esquadria (basta comparar as duas), mas a conta confirma que as medidas exteriores também estão certas.
Medir as duas diagonais de uma estrutura retangular é o método mais simples de confirmar a esquadria: se forem iguais, a estrutura está em esquadria. Se não forem, ainda há tempo de corrigir enquanto a cola está fresca.
13. Aplicação de portas, gavetas e ferragens
A aplicação faz-se depois de a estrutura estar colada, curada e verificada, e muitas vezes repete-se: aplica-se, afina-se, retira-se para o acabamento e volta a aplicar-se no fim.
Aplicar porta e dobradiças
- Confirmar o vão: medir o vão em cima, ao meio e em baixo, e as diagonais. Um vão fora de esquadria não deixa nenhuma porta fechar bem.
- Dimensionar a porta: numa porta embutida, a porta é o vão menos a folga à volta (é comum trabalhar com 2 a 3 mm, mas manda o projeto); numa porta sobreposta, a porta é o vão mais o que tapa a lateral, menos a folga entre portas vizinhas.
- Marcar e furar: nas dobradiças de copo, furo de copo na porta com o gabarito e furos da base na lateral; nas dobradiças de charneira, rebaixo na porta e na lateral, com a profundidade da asa.
- Fixar e afinar: fixar as dobradiças e afinar a porta nas três direções da dobradiça de copo: altura, profundidade (encostar ao corpo) e lateral (folga entre portas e alinhamento com a aresta).
- Instalar o puxador e o fecho, com furação alinhada pelo gabarito, e confirmar que o puxador da porta fica alinhado com o da gaveta, se o desenho o pedir.
Número de dobradiças: depende da altura, do peso e da largura da porta, e é dado pela tabela do fabricante. Uma porta alta de armário leva mais dobradiças do que uma porta baixa de móvel de cozinha.
Uma porta bem aplicada fecha sem forçar, com folgas uniformes e alinhada com as vizinhas.
Aplicar gaveta e corrediças
- Traçar a linha das corrediças nas duas laterais do móvel, à mesma altura e à mesma distância da frente (a partir do mesmo gabarito ou do sistema de 32 mm).
- Fixar a parte fixa na caixa, com os parafusos indicados, primeiro nos furos rasgados (que permitem afinar).
- Fixar a parte móvel na lateral da gaveta, paralela à aresta de baixo.
- Inserir a gaveta e verificar o deslize completo, sem tocar nas laterais do vão e sem prender no fim.
- Aplicar a frente falsa: prender provisoriamente (fita-cola dupla face ou parafusos pelas furações de afinação), afinar a folga, fixar definitivamente por dentro.
- Fixar o puxador por último.
Uma gaveta bem aplicada desliza suave, sem esforço nem folga lateral percetível. Fixar as corrediças sem as nivelar entre si é a causa mais frequente de uma gaveta que fica torta ou "cai" para um lado.
Outras ferragens
- Suportes de prateleira: entram na fila de furos de 32 mm; as quatro devem ficar ao mesmo nível (conta os furos a partir do mesmo ponto de cada lado).
- Fixadores de tampo: prendem um tampo maciço à estrutura através de furos alongados ou de ferragens em "8" ou tacos em rasgo, deixando-o dilatar na largura.
- Pés reguláveis: nivelam o móvel num pavimento irregular.
- Fechos e ímanes: afinam-se depois das dobradiças, com a porta já alinhada.
14. Afagamento, lixagem e acabamento
Afagar é eliminar ou diminuir as irregularidades e asperezas de uma superfície: nivelar juntas coladas, tirar marcas de máquina (as ondulações da garlopa, as queimaduras da serra) e deixar a superfície lisa. Faz-se com plaina de afagar, raspilha (cicle) ou, na indústria, com lixadoras de banda larga e primeiros grãos grossos. Lixar é o refinamento progressivo com abrasivos cada vez mais finos, até a superfície ficar pronta para o acabamento.
Abrasivos
O abrasivo tem três partes: o grão (óxido de alumínio, o mais usado em madeira; carboneto de silício, para lixar entre demãos de verniz), o suporte (papel, tela, rede) e a cola que prende o grão. O número do grão indica a finura: quanto maior o número, mais fino.
| Grão (indicativo) | Uso |
|---|---|
| 60 a 80 | remover marcas fundas, nivelar juntas |
| 100 a 120 | lixagem intermédia |
| 150 a 180 | lixagem final para verniz e tinta |
| 180 a 240 | lixagem final para óleo e cera; lixagem entre demãos |
Regras de lixagem:
- Avançar de grão em grão, sem saltar mais do que um intervalo (por exemplo 80, 120, 180), porque cada grão tem de apagar os riscos do anterior.
- Lixar sempre no sentido do veio na madeira maciça; riscos transversais ficam muito visíveis debaixo do acabamento.
- Usar taco de lixar em superfícies planas, para não arredondar arestas nem abrir "covas".
- Limpar o pó entre passagens (aspiração, pano), porque grãos soltos do número anterior riscam.
- Nas peças que vão levar acabamento aquoso, humedecer ligeiramente a superfície, deixar secar e dar uma última passagem fina: o levantamento do fio acontece assim antes do acabamento e não depois.
Saltar grãos intermédios (por exemplo, do 80 direto ao 240) deixa marcas do grão anterior visíveis por baixo do acabamento final.
Técnicas de acabamento
| Acabamento | Característica | Manutenção |
|---|---|---|
| Verniz (poliuretano, acrílico aquoso, nitrocelulósico) | película dura, brilho ou mate, proteção elevada | reparar pede lixar e envernizar a zona ou a peça |
| Óleo (de linhaça, de tungue, óleos de acabamento) | penetra na madeira, aspeto natural, realça o veio | fácil de retocar, pede renovação periódica |
| Cera | brilho suave, toque agradável, proteção ligeira | renovar com frequência; muitas vezes sobre óleo ou verniz |
| Tinta e lacagem | cobre o veio, cor uniforme | usada sobretudo em MDF |
| Tapa-poros e velaturas | preparam ou tingem antes da película | fazem parte do sistema de acabamento |
Aplicar sempre em camadas finas, com lixagem intermédia leve entre demãos (grão fino), em ambiente limpo, ventilado e sem pó, respeitando os tempos de secagem da ficha técnica. Uma demão espessa "para poupar tempo" escorre e demora muito mais a secar corretamente.
Os panos embebidos em óleos secativos (como o de linhaça) podem aquecer sozinhos até se inflamarem quando ficam amarrotados. Estendem-se abertos a secar ou guardam-se num recipiente metálico fechado com água, conforme a ficha de segurança do produto.
15. Qualidade e normas
Antes de dar a peça por concluída, verifica-se a qualidade do trabalho realizado, comparando-a com a especificação inicial. Mas as normas da qualidade aplicam-se a todo o processo, não só à peça final: a verificação faz-se no fim de cada fase, quando ainda é barato corrigir.
Pontos de controlo ao longo da execução
| Fase | O que se verifica | Como |
|---|---|---|
| Receção de material | espécie, defeitos, teor de água, painéis sem danos | inspeção visual, higrómetro |
| Preparação | espessura, largura, planeza, esquadria | paquímetro, régua, esquadro |
| Marcação | cotas, sinais de face e canto, pares simétricos | confronto com a lista de corte |
| Samblagens | ajuste justo, sem folgas nem rachas | montagem a seco |
| Colagem | esquadria, torção, excesso de cola limpo | diagonais, régua, observação |
| Ferragens | folgas uniformes, deslize, fecho | ensaio de funcionamento |
| Acabamento | ausência de riscos, escorridos, poeira, zonas sem produto | luz rasante, toque |
Verificação final
- Dimensões: conferir cotas finais com o desenho técnico, dentro das tolerâncias do projeto.
- Esquadria e planeza: diagonais iguais, tampo plano, móvel sem torção, assente nos quatro apoios.
- Acabamento: superfície lisa, sem marcas de lixa, sem cola visível, cor uniforme.
- Funcionamento: portas e gavetas abrem e fecham sem esforço, com folgas uniformes; ferragens bem apertadas.
- Limpeza e embalagem: sem pó, etiquetas ou marcas de lápis; proteção dos cantos para transporte.
Não conformidades
Uma não conformidade é qualquer desvio em relação ao especificado. Regista-se: o que falhou, em que peça, a causa provável e a correção aplicada (retrabalho, substituição da peça, aceitação pelo cliente). O registo serve para não repetir o erro no próximo lote. As normas da qualidade pedem também rastreabilidade: saber de que lote de madeira, de que painel ou de que cola saiu cada móvel.
As empresas podem certificar o seu sistema de gestão da qualidade pela norma ISO 9001, que exige precisamente estes registos, a rastreabilidade e o tratamento das não conformidades. Na oficina da escola, o equivalente é a ficha de verificação preenchida em cada trabalho.
Exemplo resolvido · Folgas de uma porta
Numa porta embutida, o projeto pede 2 mm de folga à volta, com tolerância de mais ou menos 0,5 mm. Na verificação medem-se: em cima 2,0 mm; do lado das dobradiças 1,8 mm; do lado do puxador 3,1 mm; em baixo 2,2 mm.
- Intervalo aceitável: de 1,5 a 2,5 mm.
- Em cima, dobradiças e em baixo: conformes.
- Lado do puxador: 3,1 mm, fora do intervalo. Não conforme.
- Correção: a folga lateral total é 1,8 + 3,1 = 4,9 mm. Centrando a porta com a regulação lateral das dobradiças, fica 4,9 ÷ 2 = 2,45 mm de cada lado: dentro da tolerância. Se a folga total fosse maior do que 2 x 2,5 = 5 mm, a porta estava estreita demais e nenhuma afinação a punha conforme.
- Registar a não conformidade e a correção na ficha.
16. Segurança e saúde no trabalho
Cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho é um dos critérios de desempenho desta UC. A marcenaria junta três riscos graves: ferramentas de corte em rotação rápida, pó de madeira e ruído. A ordem de prevenção é sempre a mesma: primeiro eliminar ou reduzir o risco na origem (proteções da máquina, aspiração, métodos seguros), depois as proteções coletivas e, por fim, os EPI.
Equipamentos de proteção individual
| EPI | Protege de | Nota |
|---|---|---|
| Óculos ou viseira de proteção | projeção de aparas, lascas e pó | em todas as máquinas e na lixagem |
| Proteção auditiva (tampões, auriculares) | ruído das máquinas | obrigatória a partir dos valores de ação superiores |
| Máscara de proteção respiratória FFP2 ou FFP3 | pó de madeira | quando a aspiração não chega (lixagem, limpezas) |
| Máscara com filtro para vapores orgânicos | vapores de solventes de acabamento | a máscara de pó não protege de vapores |
| Luvas | cortes e farpas no manuseamento de madeira e painéis | nunca junto de ferramentas em rotação |
| Calçado de proteção com biqueira | queda de peças e painéis | em toda a oficina |
| Vestuário justo, cabelo preso, sem adornos | arrastamento pela máquina | anéis, pulseiras, cordões e mangas largas podem ser agarrados |
Nunca usar luvas soltas junto de ferramentas em rotação (serras, garlopas, tupias, furadoras, tornos): uma luva agarrada arrasta a mão para a ferramenta. O mesmo vale para mangas largas, fios soltos, anéis e cabelo comprido solto.
Regras nas máquinas
- Serra circular de bancada: o cutelo divisor fica atrás da lâmina, alinhado com ela, e impede que a madeira feche sobre a serra e seja projetada para trás (retrocesso); a proteção superior cobre a lâmina; a altura da serra acerta-se à espessura da peça; peças estreitas empurram-se com empurrador, nunca com os dedos junto da serra; nunca ficar alinhado com a lâmina, atrás da peça.
- Garlopa: a proteção da ferramenta cobre sempre a parte do veio que não está a trabalhar; peças curtas ou finas com empurrador; nunca passar as mãos por cima da ferramenta.
- Desengrossadeira: respeitar o comprimento mínimo das peças; nunca espreitar nem meter as mãos na boca de entrada.
- Tupia: ferramenta com proteção e guias bem ajustados; peças pequenas com gabarito e grampos; respeitar o sentido de alimentação contra a rotação da ferramenta.
- Serra de fita: guia superior baixado quase até à peça.
- Todas: nunca retirar proteções; parar a máquina e esperar que a ferramenta pare antes de limpar aparas ou medir; conhecer e testar o botão de paragem de emergência; nunca deixar uma máquina a trabalhar sozinha.
Pó de madeira
O pó de madeira dura (das folhosas, como carvalho ou faia) é um agente cancerígeno reconhecido, associado sobretudo a cancros das fossas nasais. A Diretiva (UE) 2017/2398, que alterou a diretiva europeia sobre agentes cancerígenos, fixou para o pó de madeira dura um valor-limite de exposição profissional de 2 mg/m³ (média ponderada de 8 horas), aplicável desde 18 de janeiro de 2023; até essa data vigorou um valor transitório de 3 mg/m³. O pó de outras madeiras também irrita as vias respiratórias e a pele e pode causar alergias.
Medidas:
- Captação na origem: todas as máquinas ligadas à aspiração, ligada antes de começar a trabalhar.
- Lixadoras portáteis com aspiração própria ou ligadas a um aspirador.
- Limpar com aspirador, nunca com ar comprimido nem vassoura a seco, que põem o pó fino no ar.
- Máscara FFP2 ou FFP3 quando a captação não chega.
- O pó acumulado é também um risco de incêndio e de explosão: a limpeza é diária.
Ruído
As máquinas de corte (serras, garlopas, tupias) produzem níveis de ruído elevados. O Decreto-Lei n.º 182/2006 fixa, para a exposição diária, um valor de ação inferior de 80 dB(A), um valor de ação superior de 85 dB(A) e um valor-limite de 87 dB(A), este último contado já com o efeito do protetor auditivo. A partir de 85 dB(A) o uso de proteção auditiva é obrigatório. A perda de audição por ruído é permanente e acumula-se ao longo dos anos.
Enquadramento legal das máquinas
- As máquinas em uso na oficina têm de cumprir as prescrições mínimas de segurança dos equipamentos de trabalho do Decreto-Lei n.º 50/2005: proteções, comandos, paragem de emergência, manutenção e formação de quem as utiliza.
- As máquinas novas colocadas no mercado cumprem a Diretiva Máquinas (2006/42/CE), transposta pelo Decreto-Lei n.º 103/2008, com marcação CE, declaração de conformidade e manual em português. O novo Regulamento (UE) 2023/1230, relativo às máquinas, substitui essa diretiva e aplica-se a partir de 20 de janeiro de 2027.
Organização da oficina
Manter a zona de trabalho limpa e organizada (aparas e pó no chão causam quedas e são risco de incêndio), caminhos de circulação livres, painéis empilhados de forma estável, produtos de acabamento guardados em armário próprio e longe de chamas, extintores acessíveis e sinalizados, e caixa de primeiros socorros conhecida por todos.
Erros comuns
- Começar a cortar madeira sem confirmar cotas e escalas do desenho técnico, ou medir com a régua no papel quando há cota escrita.
- Trabalhar madeira com teor de água alto: o móvel encolhe e abre juntas depois de entregue.
- Desengrossar sem desempenar primeiro, copiando o empeno da tábua em bruto para a peça final.
- Acumular medidas parciais em vez de medir sempre a partir da mesma origem e da face de referência.
- Cortar do lado errado do traço nas samblagens, deixando-as folgadas.
- Furar sem gabarito, desalinhando dobradiças e corrediças entre peças semelhantes.
- Furos de cavilha ou de ferragem que atravessam a face do painel, por não terem sido contados.
- Prender rigidamente um tampo maciço à estrutura, que acaba por rachar ou empenar.
- Usar MDF ou aglomerado comuns em zonas húmidas sem painel hidrófugo nem acabamento protetor adequado.
- Apertar depois do tempo aberto da cola ter passado, obtendo uma ligação fraca.
- Retirar o aperto antes do tempo de prensagem ou forçar a peça antes da cura: a junta cede.
- Colar sem montar a seco e sem verificar as diagonais.
- Fixar corrediças sem nivelar, deixando a gaveta torta ou a "cair" para um lado.
- Saltar grãos de lixa intermédios, deixando marcas do grão anterior por baixo do acabamento.
- Entregar a peça sem testar o funcionamento de portas e gavetas.
- Usar luvas, adornos ou mangas largas junto de máquinas em rotação, ou trabalhar sem aspiração ligada.
Glossário
- Especificação técnica: conjunto de informações (desenho, materiais, ferragens, acabamento) que definem o que executar.
- Lista de corte: tabela com cada componente, quantidade, material e medidas finais e em bruto.
- Fio: direção das fibras da madeira; o comprimento das peças maciças segue o fio.
- Teor de água: massa de água da madeira em percentagem da massa anidra (base seca).
- Samblagem: modo como dois componentes de madeira se unem para formar uma estrutura.
- Respiga (espiga): saliência na ponta de uma peça que entra na mecha de outra.
- Mecha: furo ou cavidade que recebe a respiga.
- Ombro: face de encosto de uma peça respigada, de onde parte a respiga.
- Malhete: samblagem de caudas (em cauda de andorinha) ou de dentes retos que se entrelaçam; típica de cantos de gavetas e caixas.
- Meia-madeira: samblagem em que cada peça perde metade da espessura na zona da ligação.
- Meia-esquadria: corte a 45 graus em cada peça para formar um canto a 90 graus.
- Desempenar: aplanar uma face e um canto de referência, em esquadria, na garlopa.
- Desengrossar: levar uma peça à espessura final, paralela à face desempenada, na desengrossadeira.
- Aparelhar: preparar a madeira em bruto até ficar plana, em esquadria e à medida.
- Afagar: eliminar ou diminuir as irregularidades e asperezas de uma superfície (plaina de afagar, raspilha, primeiros grãos de lixa).
- Tempo aberto: tempo máximo entre aplicar a cola e fechar a junta.
- Tempo de prensagem: tempo mínimo que a junta fica sob aperto.
- Corrediça: ferragem que permite o deslize de uma gaveta.
- Dobradiça de copo: dobradiça invisível cujo copo entra num furo de 35 mm (modelo corrente) aberto na porta.
- Frente falsa: frente visível da gaveta, aparafusada à caixa por dentro.
- Folha de madeira: lâmina fina de madeira colada sobre um derivado.
- Orla: fita que fecha e protege os topos de um painel.
- MDF: painel derivado fabricado a partir de fibras de madeira prensadas.
- Cutelo divisor: peça metálica atrás da serra circular, alinhada com ela, que evita o aperto da madeira na serra e o retrocesso.
- EPI: equipamento de proteção individual.
- Esquadria: qualidade de uma peça ou estrutura ter os ângulos retos que o projeto pede.
- Não conformidade: desvio em relação ao especificado.
Síntese
Executar um modelo de mobiliário segue sempre a mesma lógica: analisar a especificação e desenvolver o projeto (lista de corte, ficha de operações, ferragens) → ler o desenho técnico e reconhecer os componentes do móvel, das gavetas e das portas → escolher as ferragens antes de cortar → conhecer a madeira (anisotropia, teor de água) e os derivados → escolher as máquinas-ferramentas e as ferramentas de aperto certas → marcar e traçar a partir de referências → aplicar as samblagens adequadas ao material e ao esforço → preparar e maquinar a madeira (serrar, desempenar, desengrossar, furar, respigar, moldar) → executar a estrutura em derivados e os componentes maciços → executar gavetas simples ou por malhete → armar, colar e solidificar, com as diagonais verificadas → aplicar portas, gavetas e ferragens → afagar, lixar e acabar → verificar a qualidade em cada fase e no fim, sempre sob as normas de segurança e saúde no trabalho.
Exercícios resolvidos
1. Uma travessa no desenho mede 500 mm entre ombros, com respigas de 25 mm em cada extremo. Qual é o comprimento da peça a serrar, com uma folga de 5 mm em cada topo para acerto final?
Resolução: comprimento entre ombros (500 mm) + duas respigas (2 x 25 mm = 50 mm) + folga de acerto (2 x 5 mm = 10 mm) = 560 mm. Depois do acerto, a travessa fica com 550 mm.
2. Porque é que a peça tem de ser desempenada numa face antes de entrar na desengrossadeira?
Resolução: a desengrossadeira produz uma face paralela à face de apoio, mas não corrige o empeno: os rolos achatam a tábua durante a passagem e ela volta ao empeno quando sai. Se a face de apoio não estiver plana, a peça sai com as duas faces paralelas mas empenada. Só com uma face desempenada por baixo a peça fica plana e à espessura.
3. Um cliente pede um móvel de cozinha, com humidade elevada. Que derivado evitarias para as portas, e porquê?
Resolução: evitar o MDF comum (e o aglomerado comum) sem proteção, porque incham e degradam-se com facilidade em contacto prolongado com humidade, sobretudo pelos topos. Preferir MDF hidrófugo com orlas e acabamento bem selados, contraplacado com acabamento adequado, ou madeira maciça bem acabada.
4. Depois de montar a seco uma caixa retangular, as duas diagonais medem 602 mm e 596 mm. O que isto indica, e o que fazer antes de colar?
Resolução: diagonais diferentes indicam que a estrutura não está em esquadria (está em paralelogramo). A diagonal certa anda pela média, (602 + 596) ÷ 2 = 599 mm. Antes de colar, procura-se a causa (um ombro mal cortado, uma peça mais comprida) e, na colagem, inclina-se o sargento no sentido da diagonal maior (602 mm) até as duas medirem o mesmo.
5. Que EPI nunca se deve usar junto de uma serra circular em funcionamento, e porquê?
Resolução: luvas (e também adornos e roupa larga). Uma luva agarrada pela lâmina em rotação arrasta a mão para a serra, um risco muito maior do que o corte que a luva evitaria.
6. Uma amostra de pinho pesa 118 g e, seca em estufa, 105 g. Qual é o teor de água, e serve para um móvel de interior?
Resolução: água = 118 menos 105 = 13 g; teor de água = 13 ÷ 105 x 100 = 12,4 %. Está ligeiramente acima do intervalo habitual de 8 a 12 % para mobiliário de interior: convém deixar a madeira estabilizar antes de trabalhar.
7. Um móvel tem 450 mm de largura exterior e laterais de 16 mm. A gaveta usa corrediças de esferas com folga de 12,5 mm por lado. Qual é a largura da caixa da gaveta?
Resolução: largura interior = 450 menos 2 x 16 = 418 mm; caixa da gaveta = 418 menos 2 x 12,5 = 393 mm. Verificação: 393 + 25 + 32 = 450 mm.
8. Uma gaveta ficou "torta", a arrastar numa lateral do vão. Qual é a causa mais provável, e como se corrige?
Resolução: a causa mais provável é a fixação das corrediças sem as nivelar entre os dois lados da caixa (ou uma caixa de gaveta fora de esquadria). Corrige-se desapertando e realinhando as corrediças com um gabarito, à mesma altura e à mesma distância da frente, e verificando as diagonais da gaveta.