Sebenta · Montar e assentar estruturas de carpintaria (UC02121)
- Introdução
- 1. Contexto profissional e tipos de estruturas em madeira
- 2. Preparar a montagem: sequência de operações
- 3. Segurança, saúde e EPI em obra
- 4. Nivelamento, prumadas e marcação de referências
- 5. Aros e aduelas: preparar o vão da porta
- 6. Assentar a porta com aro: nivelar, aprumar e fixar
- 7. Acerto da porta e folgas
- 8. Ferragens para portas interiores e exteriores
- 9. Remates e guarnições
- 10. Assentar a janela com aro
- 11. Ferragens e pontos de fixação para janelas e caixilhos
- 12. Bites e vedantes
- 13. Colas e resinas
- 14. Acessórios de fixação em estruturas de madeira
- 15. Estruturas divisórias: samblagens, ligações e assentamento
- 16. Isolamentos: tipos e características
- 17. Ferramentas, máquinas portáteis e acabamentos
- 18. Normas da qualidade e controlo final
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a montar e assentar estruturas de carpintaria em obra: portas com aro, janelas com aro e estruturas de madeira, com destaque para as estruturas divisórias. É o trabalho que vem depois de a porta, a janela ou as peças terem sido fabricadas: a fase em que tudo isso é levado para o local definitivo, colocado, nivelado, aprumado, fixado, vedado e acabado.
Os dois verbos do título não são sinónimos, e convém separá-los desde o início:
| Verbo | O que quer dizer em obra | Exemplo |
|---|---|---|
| Montar | juntar as peças entre si para formar o conjunto (ligar, colar, aparafusar, encaixar) | montar o aro a partir das ombreiras e da travessa superior; montar a grelha de montantes e travessas de uma divisória |
| Assentar | colocar o conjunto no seu lugar definitivo, na posição certa, e prendê-lo ao suporte (parede, pavimento, teto) | assentar o aro no vão, a nível, a prumo e a esquadro, e fixá-lo à alvenaria |
Um bom profissional faz as duas coisas, e sabe que o assentamento é o momento mais crítico: um aro bem montado mas mal assentado dá uma porta que nunca vai funcionar bem.
O percurso segue sempre a mesma lógica, aplicada a três situações diferentes: preparar o trabalho e o local, marcar pontos de referência, nivelar e aprumar, fixar com as ferragens e os acessórios certos, acertar ou montar a peça, vedar e isolar, rematar e verificar contra as normas de segurança e de qualidade.
Objetivos de aprendizagem (referencial): assentar porta com aro, assentar janela com aro e assentar estruturas de madeira, executando a montagem e o assentamento de acordo com a sequência das operações e cumprindo as normas de segurança e saúde no trabalho.
Como estudar esta sebenta. Cada capítulo tem uma parte de explicação, tabelas de consulta rápida e pelo menos um exemplo resolvido. Refaz as contas dos exemplos com a tua calculadora antes de leres a resolução. No fim há erros comuns, glossário, síntese e uma bateria de exercícios resolvidos.
1. Contexto profissional e tipos de estruturas em madeira
Onde se trabalha com esta competência
O referencial indica três contextos de trabalho:
- Obras de carpintaria, aplicação de pavimentos e revestimentos: é o contexto mais direto desta UC, porque o assentamento faz-se quase sempre em obra.
- Indústrias de carpintaria e mobiliário com madeira: empresas que fabricam portas, janelas, roupeiros e divisórias e que têm equipas próprias de montagem.
- Outras indústrias da segunda transformação da madeira: tudo o que transforma madeira serrada e derivados em produtos acabados.
As três realizações desta UC
Todo o referencial organiza-se à volta de três realizações concretas:
- Assentar porta com aro.
- Assentar janela com aro.
- Assentar estruturas de madeira.
E há dois critérios de desempenho oficiais, que servem para avaliar as três: executar a montagem e o assentamento de acordo com a sequência das operações, e cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho.
Tipos de estruturas em madeira
Em obra, o carpinteiro de assentamento encontra estruturas de madeira de vários tipos. Convém conhecê-las pelo nome e pela função.
| Tipo de estrutura | Exemplos | Função |
|---|---|---|
| Estruturas divisórias | paredes interiores com guias, montantes e travessas, revestidas a painéis | dividir espaços, receber isolamento, portas e instalações |
| Estruturas subjacentes | barrotes de pavimento, ripados e sarrafos de teto falso, grades de fixação de revestimentos, aros de espera (precaixilhos) | suportar e dar fixação a um acabamento que fica à vista (soalho, forro, lambrim, caixilho) |
| Portas com aro | porta interior de batente, porta de entrada, porta de correr com caixa | fechar e dar passagem num vão |
| Janelas com aro | janela de batente, oscilo-batente, de guilhotina, de correr | iluminar, ventilar e fechar o vão contra o exterior |
| Revestimentos e elementos fixos | lambrins, forros de parede e de teto, rodapés, roupeiros embutidos | acabamento e arrumação |
| Estruturas de cobertura e exteriores | asnas, varas, ripas, pérgulas, alpendres | suporte de cobertura e abrigo |
Estruturas subjacentes, portas e outros elementos
O referencial fala em estruturas subjacentes, isto é, estruturas que ficam por baixo ou por trás do acabamento e que o suportam. É a parte que ninguém vê depois de a obra acabar, mas de que depende tudo o resto:
- O barrotado de um soalho: barrotes assentes e nivelados sobre a laje, onde depois se prega ou aparafusa o soalho.
- O ripado ou os sarrafos de um teto falso ou de um forro de parede.
- A grelha de montantes e travessas de uma divisória, que recebe as placas, o isolamento e as caixas das instalações.
- O aro de espera (ou precaixilho): uma moldura simples, fixada ao vão durante a obra de alvenaria, à qual se fixa mais tarde o aro definitivo da porta ou da janela, já com os acabamentos feitos e sem risco de o danificar.
- Os reforços que se deixam dentro de uma divisória para fixar mais tarde uma porta, um lavatório suspenso, um armário de parede ou uma televisão.
Uma estrutura subjacente mal nivelada ou fora de prumo não se corrige no acabamento. Um soalho pregado sobre barrotes desnivelados range e ondula; um forro sobre um ripado torto mostra as juntas desalinhadas. Por isso as regras de nível e prumo do capítulo 4 aplicam-se tanto à porta como à grelha que ninguém vê.
Um caso português: a gaiola pombalina
Depois do terramoto de Lisboa de 1755, a reconstrução da Baixa usou nas paredes interiores uma estrutura de madeira em treliça (a chamada gaiola pombalina, com as paredes de frontal), preenchida com alvenaria, pensada para dar ao edifício melhor comportamento em caso de sismo. É um exemplo histórico de estrutura divisória em madeira com montantes, travessas e diagonais, ligadas por samblagens. Quando se reabilitam hoje estes edifícios, o carpinteiro encontra estas estruturas e tem de saber reconhecê-las, respeitá-las e não as cortar sem o parecer de quem é responsável pela estrutura do edifício.
Madeira e teor de água
Todas as estruturas desta UC são feitas de madeira ou de derivados, e a madeira mexe com a humidade. Três regras que interessam ao montador:
- A madeira é anisotrópica: retrai e incha muito mais na direção tangencial (cerca do dobro da radial) do que na radial, e quase nada no sentido do fio (longitudinal).
- Uma peça assente com a madeira demasiado húmida vai secar em obra, encolher e abrir juntas, empenar ou soltar fixações.
- O teor de água calcula-se em base seca: (massa húmida menos massa anidra) a dividir pela massa anidra, vezes 100. Para carpintaria de interior e mobiliário, o valor usual anda pelos 8 a 12 %; para exterior é mais alto.
Exemplo resolvido, teor de água de uma ombreira
Uma amostra cortada de uma ombreira pesa 520 g. Depois de seca em estufa até massa constante (massa anidra) pesa 470 g.
- Água na amostra: 520 g menos 470 g = 50 g.
- Teor de água em base seca: 50 / 470 = 0,106.
- Em percentagem: 0,106 × 100 = 10,6 %.
Para um aro de porta interior, 10,6 % está dentro do intervalo usual (8 a 12 %). Se desse 18 %, a peça devia estabilizar antes de ser montada, porque ia encolher depois de assente.
Na prática de obra usa-se um higrómetro de madeira (medidor de humidade por elétrodos), que dá o valor em poucos segundos sem destruir a peça.
2. Preparar a montagem: sequência de operações
Porque se prepara a sequência
Preparar a sequência de operações é uma aptidão própria do referencial e está ligada diretamente a um dos dois critérios de desempenho. Não é burocracia: é o que evita chegar à obra sem a dobradiça certa, fixar o aro antes de a parede estar rebocada ou montar a divisória sem deixar o reforço para a porta.
Uma sequência de operações escreve-se antes de começar e responde a quatro perguntas: o quê, por que ordem, com o quê e em quanto tempo.
Os passos da preparação
- Interpretar o desenho, as medidas do vão e a lista de materiais: sentido de abertura da porta (à esquerda ou à direita, visto do lado para onde abre), cotas de pavimento acabado, espessura da parede acabada.
- Medir o vão real e comparar com o desenho: largura em cima, a meio e em baixo; altura dos dois lados; espessura da parede; diagonais.
- Confirmar as peças recebidas: medidas, sentido de abertura, espécie de madeira, acabamento, defeitos, quantidade de ferragens.
- Reunir ferramentas, ferragens, colas, acessórios de fixação e EPI.
- Definir a ordem de montagem e o tempo previsto para cada fase, articulando com os outros ofícios (pedreiro, eletricista, pintor, assentador de pavimento).
- Preparar e limpar o local: retirar entulho, proteger pavimentos e peças já acabadas, garantir iluminação e acesso.
A ordem na obra: quem entra antes de quem
A carpintaria de assentamento depende do estado da obra. Regra geral:
- O aro de espera (quando existe) entra durante a alvenaria.
- O aro definitivo entra depois de rebocos e estuques secos, para não absorver humidade nem ficar manchado.
- A folha da porta, as guarnições e os remates entram quase no fim, depois da primeira demão de pintura das paredes e, sempre que possível, depois do pavimento, porque a folga inferior da porta depende da cota do pavimento acabado.
Exemplo resolvido, preparar a montagem de um aro de porta interior
O desenho indica uma porta interior com aro de medida exterior 86 × 206 cm, numa parede acabada com 14 cm de espessura. A abertura é à direita.
- Medir o vão real: largura 88,5 cm em cima, 88,0 cm a meio, 88,3 cm em baixo; altura 207,5 cm à esquerda e 207,0 cm à direita (medidas a partir do pavimento acabado ou da cota de referência).
- Folga para o aro: a menor largura (88,0 cm) menos a largura do aro (86 cm) dá 2,0 cm, cerca de 1 cm de cada lado para cunhas e enchimento. A menor altura (207,0 cm) menos 206 cm dá 1,0 cm em cima. O vão serve; a folga exata a respeitar é a que o fabricante do aro indica.
- Espessura: 14 cm de parede acabada pede aduela de 14 cm (ou um aro extensível que cubra esse valor).
- Ferramentas e materiais: cunhas de madeira, nível de bolha de 2 m, fio de prumo ou nível laser, fita métrica, berbequim e aparafusadora, buchas e parafusos, espuma de poliuretano de baixa expansão, travessas de travamento, EPI.
- Ordem: posicionar com cunhas, nivelar a travessa superior, aprumar as ombreiras nos dois planos, verificar diagonais, travar, fixar, injetar espuma, deixar curar, pendurar a folha e acertar, aplicar guarnições.
- Local: limpar o vão de entulho e pó, proteger o pavimento com cartão.
Ler o sentido de abertura
Um erro caro e frequente é receber (ou montar) uma porta com o sentido de abertura trocado. A convenção mais comum em obra é olhar a porta do lado para onde ela abre (o lado de onde se veem as dobradiças): se as dobradiças ficam à direita, a porta é "de abrir à direita". Há fabricantes que usam a convenção contrária, por isso confirma-se sempre no desenho e na encomenda, e nunca só pelo nome.
3. Segurança, saúde e EPI em obra
Cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho é um dos dois critérios de desempenho oficiais desta UC, avaliado ao mesmo nível da qualidade da montagem. Utilizar os EPI e aplicar as normas de segurança são, além disso, duas aptidões próprias do referencial.
Enquadramento legal (o essencial)
| Diploma | O que regula |
|---|---|
| Lei n.º 102/2009 | regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho (obrigações gerais de empregador e trabalhador) |
| Decreto-Lei n.º 273/2003 | segurança nos estaleiros temporários ou móveis (obras de construção): plano de segurança e saúde, coordenação |
| Decreto-Lei n.º 50/2005 | requisitos mínimos de segurança na utilização de equipamentos de trabalho, incluindo os equipamentos para trabalhos em altura (escadas, andaimes) |
| Decreto-Lei n.º 348/93 e Portaria n.º 988/93 | utilização de equipamentos de proteção individual |
| Decreto-Lei n.º 182/2006 | exposição dos trabalhadores ao ruído |
Não precisas de decorar os números, mas deves saber que existem e que a obra onde trabalhas tem de os cumprir.
Riscos típicos do assentamento
| Risco | Onde aparece | Medida |
|---|---|---|
| Queda em altura | janelas de andares elevados, bandeiras, tetos | trabalhar de dentro do vão sempre que possível, plataformas e andaimes em bom estado, proteção coletiva antes da individual |
| Queda ao mesmo nível | entulho, cabos, peças no chão | arrumação contínua, cabos encaminhados |
| Esmagamento e cortes | transporte de aros e folhas, ferragens, formão | luvas no manuseamento, transporte a dois, calçado de proteção |
| Projeção de partículas | furar alvenaria, aparafusar, cortar | óculos de proteção |
| Ruído | berbequim com percussão, serra circular, rebarbadora | proteção auditiva |
| Pó de madeira e de alvenaria | serrar, lixar, furar | aspiração na origem, máscara |
| Produtos químicos | espumas, colas, silicones, vernizes | ler a ficha de dados de segurança, ventilar, luvas de nitrilo |
| Elétrico | furar paredes com cablagem embebida, extensões danificadas | detetor de cabos, verificar ferramentas e extensões |
Ruído e pó: dois valores que interessam
- Ruído: o DL 182/2006 fixa valores de ação de 80 dB(A) (inferior) e 85 dB(A) (superior), e um valor-limite de 87 dB(A). Acima do valor de ação superior, os protetores auditivos são de uso obrigatório. Muitas máquinas portáteis de corte ultrapassam esse valor, por isso a regra prática é: máquina de corte ou de furar alvenaria ligada, protetores postos.
- Pó de madeira dura: é um agente cancerígeno reconhecido. A Diretiva (UE) 2017/2398 fixou para ele um valor-limite de exposição de 2 mg/m³ (média de 8 horas), aplicável desde 18 de janeiro de 2023. A proteção faz-se primeiro na origem (aspiração acoplada à lixadora ou à serra) e depois com máscara FFP2 ou FFP3 quando a captação não chega.
Equipamentos de proteção individual (EPI)
| EPI | Protege de | Quando |
|---|---|---|
| Óculos de proteção | aparas, pó, projeções de espuma e cola | furar, aparafusar, cortar, aplicar espuma |
| Luvas de proteção mecânica | farpas, arestas, ferragens | transportar e manusear aros, folhas, perfis |
| Luvas de nitrilo | colas, espumas, solventes | aplicar produtos químicos |
| Protetores auditivos | ruído | máquinas de corte e berbequim com percussão |
| Máscara FFP2 ou FFP3 | pó de madeira e de alvenaria | lixar, serrar, furar |
| Calçado de proteção | queda de peças, pregos | sempre em obra |
| Capacete | queda de objetos | sempre que a obra o exija (estaleiro) |
| Arnês com linha de vida | queda em altura | quando a proteção coletiva não é possível |
Luvas e máquinas rotativas. Luvas soltas, pulseiras, anéis e roupa larga não se usam junto de ferramentas em rotação (berbequim, serra circular), porque podem ser agarrados e arrastar a mão. As luvas usam-se para manusear peças, não para segurar a peça ao pé da broca ou do disco.
O EPI escolhe-se em função da tarefa concreta, nunca "por rotina" nem se dispensa "só por um instante". E é o último recurso: primeiro elimina-se o risco, depois protege-se coletivamente (aspiração, guarda-corpos), só depois individualmente.
Máquinas-ferramentas portáteis "em conformidade com os requisitos"
O referencial pede máquinas portáteis em conformidade com os requisitos. Na prática quer dizer:
- A máquina tem marcação CE e manual de instruções em português.
- Proteções no lugar (a proteção pendular da serra circular não se prende aberta), cabo e ficha sem danos, interruptor a funcionar.
- Disco, broca ou lixa adequados ao material e em bom estado.
- A máquina usa-se como o fabricante indica, e desliga-se da corrente (ou retira-se a bateria) para trocar acessórios.
4. Nivelamento, prumadas e marcação de referências
Nível, prumo e esquadria
Três verificações geométricas sustentam toda a montagem:
| Verificação | Eixo | Instrumentos |
|---|---|---|
| Nivelamento | horizontal | nível de bolha, mangueira de água, nível laser, nível digital |
| Prumada | vertical | fio de prumo, nível de bolha na vertical, nível laser (linha vertical) |
| Esquadria | ângulo reto (90 graus) | esquadro, regra das diagonais, regra 3-4-5 |
| Alinhamento | peças em linha reta ou no mesmo plano | fio esticado, régua, fio de marcar (fio blue), laser |
Nível é horizontal, prumo é vertical. É a confusão de terminologia mais comum.
Os instrumentos, um a um
- Nível de bolha: régua com ampolas. Quanto mais comprido, melhor faz a média das irregularidades: para aros usa-se um nível de 1 a 2 m, ou uma régua direita com um nível mais curto em cima. Verifica-se um nível de bolha invertendo-o: lê-se numa superfície, roda-se 180 graus no mesmo sítio e lê-se de novo; se a bolha não fica no mesmo lugar, o nível está descalibrado.
- Fio de prumo: peso pendurado num fio. Pela gravidade, o fio fica vertical. Mede-se a distância do fio à peça em cima e em baixo: se as duas distâncias forem iguais, a peça está a prumo.
- Mangueira de água (nível de mangueira): mangueira transparente cheia de água. Pelo princípio dos vasos comunicantes, a água fica à mesma altura nas duas pontas, mesmo que haja uma parede ou uma esquina pelo meio. É barata e fiável para transportar um nível entre divisões ou pontos afastados sem linha de vista direta. Cuidados: sem bolhas de ar no interior, sem dobras, e esperar que a água estabilize.
- Fio de marcar (o "fio blue" do referencial): cordel impregnado de pó colorido (normalmente azul), guardado numa caixa com giz em pó. Estica-se entre dois pontos, puxa-se a meio e larga-se: o fio bate na superfície e deixa uma linha reta. Serve para marcar no pavimento e no teto a linha das guias de uma divisória, ou uma linha de nível ao longo de uma parede.
- Equipamento digital de nivelamento: níveis laser de linhas ou de cruz (projetam linhas horizontais e verticais), níveis rotativos (varrem um plano horizontal em toda a divisão) e níveis digitais (réguas com ecrã que indicam a inclinação em graus ou em percentagem). São rápidos e permitem trabalhar sozinho, mas também se verificam: bateria, calibração, e se o aparelho está dentro da sua faixa de autonivelamento.
Esquadria: diagonais e regra 3-4-5
Regra das diagonais. Num quadrilátero em que os lados opostos são iguais dois a dois, se as duas diagonais forem iguais, os quatro ângulos são retos. As duas condições contam: primeiro confirma-se que as ombreiras têm o mesmo comprimento e a largura é igual em cima e em baixo, depois comparam-se as diagonais.
A diagonal teórica de um retângulo calcula-se pelo teorema de Pitágoras: diagonal = raiz quadrada de (largura² + altura²).
Regra 3-4-5. Um triângulo com lados na proporção 3, 4 e 5 tem um ângulo reto (porque 3² + 4² = 9 + 16 = 25 = 5²). Serve para traçar ângulos retos no chão ou na parede, sem esquadro grande: marca-se 60 cm num lado e 80 cm no outro, a partir do canto; se a distância entre as duas marcas for 100 cm, o canto está a 90 graus. Para maior rigor usam-se múltiplos maiores: 90, 120 e 150 cm, ou 1,20, 1,60 e 2,00 m.
Exemplo resolvido, verificar a esquadria de um aro pelas diagonais
Um aro de porta tem medida interior de 90 cm de largura por 210 cm de altura. As ombreiras medem as duas 210 cm e a largura é 90 cm em cima e em baixo. Mede-se, de canto a canto pelo interior, 228,1 cm numa diagonal e 228,9 cm na outra.
- Diagonal teórica: raiz de (90² + 210²) = raiz de (8100 + 44 100) = raiz de 52 200 ≈ 228,5 cm.
- Diferença entre as diagonais medidas: 228,9 menos 228,1 = 0,8 cm (8 mm).
- Conclusão: o aro está "em losango", fora de esquadro. Numa porta, 8 mm de diferença traduz-se numa folga visivelmente desigual e numa porta que pode prender num canto.
- Correção: antes de fixar, ajustam-se as cunhas para empurrar os dois cantos da diagonal maior um para o outro (encurtando-a); a diagonal menor alonga-se ao mesmo tempo. Volta-se a medir até as duas diagonais coincidirem (ficarão ambas perto de 228,5 cm).
O valor aceitável de diferença é o que o fabricante ou o caderno de encargos definem; o objetivo de trabalho é diagonais iguais.
Exemplo resolvido, traçar a esquadria de uma divisória pela regra 3-4-5
Uma divisória vai partir da parede existente em ângulo reto. A partir do canto, marca-se no chão, ao longo da parede, 1,20 m. Na direção aproximada da divisória, marca-se 1,60 m. A distância entre as duas marcas deve ser:
raiz de (1,20² + 1,60²) = raiz de (1,44 + 2,56) = raiz de 4,00 = 2,00 m.
Mede-se 2,03 m: o ângulo está aberto (mais de 90 graus). Roda-se a linha da divisória na direção da parede até a medida dar exatamente 2,00 m, e só então se marca a linha das guias com o fio de marcar.
Marcar pontos de referência
Marcar pontos de referência é uma aptidão que aparece duas vezes no referencial: para o assentamento do aro e, em geral, para a aplicação. Marcam-se sempre antes de fixar:
- A cota de referência (muitas vezes o "metro": uma linha de nível a 1,00 m acima do pavimento acabado, marcada em todas as paredes da obra). É a partir dela que se medem alturas de aros, peitoris e guias, e não a partir do chão em tosco, que raramente está nivelado.
- A linha de prumo nas ombreiras do vão.
- O eixo do vão e, na espessura da parede, a posição do aro (à face de um dos lados, ou ao meio).
- Os pontos de fixação ao longo do aro, com espaçamento regular.
- No caso da janela, o nível do peitoril e os pontos de fixação do caixilho.
- No caso da divisória, as linhas das guias no pavimento e no teto, e as posições dos montantes e dos vãos.
Exemplo resolvido, transportar a cota com a mangueira de água
Na sala está marcada a linha do "metro" (1,00 m acima do pavimento acabado). É preciso marcá-la no corredor, onde vai assentar-se uma porta, sem linha de vista entre os dois sítios.
- Enche-se a mangueira transparente, sem bolhas.
- Um colega encosta uma ponta à marca da sala e ajusta até o nível da água coincidir com a linha.
- Leva-se a outra ponta ao corredor, espera-se que a água pare e marca-se no vão o nível da água: é a mesma cota.
- A partir dessa marca, se o aro tem 206 cm de altura e assenta no pavimento acabado, a face inferior da travessa superior do aro fica 206 cm menos 100 cm = 106 cm acima da marca do metro (ou a cota que o desenho indicar, descontando a espessura da travessa se a medida for interior).
Retificar nivelamentos, prumadas e alinhamentos
Retificar é uma aptidão própria: não basta verificar, é preciso corrigir. Os meios de correção são:
- Cunhas de madeira, usadas aos pares e em sentidos opostos, para subir, descer ou empurrar uma peça sem a rodar nem forçar.
- Calços de espessura fixa (plástico, contraplacado), para apoiar a peça depois de acertada.
- Pequenos rebaixos ou aplainamentos quando a peça toca na alvenaria.
- Travamento provisório (travessas ou esticadores entre as ombreiras) para manter a geometria enquanto se fixa.
Corrige-se sempre pela ordem: nível da peça de referência, depois prumo, depois esquadria, e volta-se a confirmar tudo no fim, porque mexer num eixo pode desacertar outro.
5. Aros e aduelas: preparar o vão da porta
Os nomes certos
O referencial fala em "montagem e assentamento de aduelas e aros". Em obra os dois termos aparecem muitas vezes juntos, e convém saber o que cada um quer dizer:
| Termo | O que é |
|---|---|
| Aro | a moldura fixa, assente e fixada no vão, onde a folha se articula (dobradiças) e bate quando fecha. Tem duas ombreiras (peças verticais) e uma travessa superior (padieira do aro). Nas janelas, também a peça inferior (travessa de peitoril). |
| Aduela | a tábua que forra o vão da ombreira da porta, isto é, que reveste a espessura da parede nos lados e em cima. Nas portas interiores atuais, a aduela é muitas vezes a própria peça do aro, com o rebaixo ou o batente onde a porta fecha e com a largura igual à espessura da parede acabada. |
| Batente | o ressalto (rebaixo ou régua aplicada) do aro contra o qual a folha encosta ao fechar. |
| Guarnição (ou alizar) | a moldura que remata e esconde a junta entre o aro (ou a aduela) e a parede, dos dois lados. |
| Aro de espera (precaixilho) | moldura simples fixada ao vão em fase de alvenaria, que recebe mais tarde o aro definitivo. |
| Folha | a parte móvel da porta. |
Em resumo: o aro é a estrutura fixa onde a porta bate; a aduela é o forro do vão, e na porta interior moderna faz muitas vezes as duas funções; a guarnição remata. Não se trocam estes nomes numa encomenda: pedir "guarnições" quando se queria "aduelas" é receber o material errado.
Tipos de aro de porta
| Tipo | Como é | Onde se usa |
|---|---|---|
| Aro maciço tradicional | madeira maciça, com rebaixo de batente, fixado à alvenaria (muitas vezes sobre aro de espera) | portas exteriores, reabilitação, portas de maior peso |
| Aduela fixa | aduela com largura igual à espessura da parede, guarnições pregadas ou coladas | portas interiores correntes |
| Aduela extensível (telescópica) | aduela com ranhura onde encaixa a guarnição, que "corre" para absorver diferenças de espessura da parede | portas interiores em kit, obra nova e remodelação |
| Aro metálico | perfil de aço, comum em portas técnicas e corta-fogo | escolas, garagens, zonas técnicas |
Preparar o vão
- Confirmar as medidas do vão (largura em três pontos, altura dos dois lados, espessura da parede, diagonais).
- Confirmar a cota do pavimento acabado: o aro assenta ao nível do pavimento acabado, não da laje em tosco. Se o pavimento ainda não está feito, o aro fica calçado à cota certa.
- Montar o aro, se vier desmontado: ligar as ombreiras à travessa superior pelas ligações previstas (encaixe, cavilhas, parafusos), confirmar a esquadria e a medida interior.
- Colocar as cunhas de posicionamento provisório.
- Introduzir o aro no vão, à face certa da parede (no caso das aduelas, à face dos dois lados).
- Confirmar a folga entre o aro e a alvenaria para cunhas, enchimento e remate.
6. Assentar a porta com aro: nivelar, aprumar e fixar
A sequência
- Nivelar a travessa superior do aro.
- Aprumar as ombreiras, nos dois planos: no plano da parede (de frente) e no plano perpendicular (de lado), para a ombreira não ficar "tombada" para dentro ou para fora.
- Verificar a torção (empeno) do aro: um fio esticado em cruz entre os cantos opostos das ombreiras deve cruzar sem se afastar; se um fio passa longe do outro, o aro está torcido.
- Verificar as diagonais.
- Retificar com as cunhas até tudo bater certo.
- Travar o aro com travessas ou esticadores provisórios, à altura das dobradiças e da fechadura, para manter a largura durante a fixação.
- Fixar mecanicamente: parafusos com bucha (ou parafusos de aro) através das ombreiras, junto às cunhas e à altura das dobradiças e da fechadura, apertando de forma progressiva e voltando a verificar o prumo depois de cada aperto.
- Encher a caixa entre o aro e a parede com espuma de poliuretano, se previsto, com o aro travado.
- Deixar curar, retirar os travamentos, cortar o excesso de espuma.
A espuma de poliuretano não é, sozinha, fixação mecânica. Enche, cola e isola a junta, mas o aro tem de ficar preso por parafusos, garras ou outro meio mecânico previsto pelo fabricante (há sistemas de aduela que se fixam só com espuma e travamento, e aí manda o fabricante). A espuma expande: usa-se espuma de baixa expansão própria para aros, em pouca quantidade, a meio da caixa e com o aro travado, senão empurra as ombreiras para dentro e a porta deixa de fechar.
Só se fixa em definitivo depois de todas as verificações confirmadas. Retificar um aro já fixado é muito mais trabalho do que verificar antes.
Pontos de fixação de um aro de porta
- Pelo menos três pontos por ombreira: perto do topo, perto da base e a meio, com pontos adicionais à altura das dobradiças (onde está o peso da folha) e à altura da fechadura (onde bate o trinco).
- Os parafusos passam através das cunhas ou junto delas, para o aperto não empenar a ombreira.
- Em portas exteriores ou pesadas, mais pontos e parafusos mais compridos.
Exemplo resolvido, verificar o prumo com fio de prumo
Pendura-se o fio de prumo junto da ombreira, a partir de um prego no topo. Mede-se a distância do fio à face da ombreira: 25 mm em cima e 31 mm em baixo, numa ombreira com 2,00 m de altura.
- Diferença: 31 menos 25 = 6 mm em 2,00 m.
- Isto é 3 mm por metro: a base da ombreira está 6 mm mais afastada do fio do que o topo, ou seja, está fora de prumo.
- Correção: ajusta-se a cunha da base (ou do topo) até as duas distâncias serem iguais, por exemplo 28 mm e 28 mm, e volta-se a verificar o nível da travessa superior, que pode ter mexido.
7. Acerto da porta e folgas
O acerto
Executar o acerto da porta é uma aptidão própria do referencial. Com o aro fixo e curado:
- Marcar a posição das dobradiças na folha e no aro, com as mesmas cotas (medidas a partir do topo da folha e da travessa do aro, contando com a folga superior).
- Abrir os rebaixos das dobradiças com formão ou fresadora manual com gabarito, à profundidade da espessura da asa, para a dobradiça ficar à face.
- Instalar as dobradiças e pendurar a folha, primeiro com um parafuso em cada asa.
- Verificar a folga entre a folha e o aro, que deve ser uniforme ao longo de cada lado.
- Corrigir: primeiro pelas dobradiças (calçar ou aprofundar a asa, ou afinar nas dobradiças reguláveis), só depois, e como último recurso, aplainando a folha, porque aplainar é irreversível.
- Aplicar a fechadura e o testo (a chapa no aro onde entra o trinco), ajustando o testo para a porta fechar sem folga nem esforço.
- Confirmar que a porta abre, fecha e tranca sem esforço, e que não abre nem fecha sozinha a meio do curso (sinal de que as dobradiças não estão alinhadas na mesma vertical).
- Apertar todos os parafusos.
Folgas: regra prática
A folha nunca enche o aro por completo: precisa de folga para abrir, para a madeira mexer com a humidade e para a pintura. Valores de regra prática para uma porta interior de batente:
| Onde | Folga típica | Porquê |
|---|---|---|
| Lado das dobradiças | cerca de 2 a 3 mm | rodar sem tocar |
| Lado da fechadura | cerca de 2 a 4 mm | a aresta descreve um arco ao abrir |
| Em cima | cerca de 2 a 3 mm | uniformidade com os lados |
| Em baixo | bastante maior, muitas vezes na ordem de 1 cm | passar sobre o pavimento e tapetes, e deixar passar o ar da ventilação entre divisões |
Estes valores servem para orientar. Mandam o projeto e o fabricante (há portas com folgas definidas em fábrica, portas com juntas de vedação, portas corta-fogo e portas acústicas com exigências próprias).
Exemplo resolvido, calcular a medida da folha
O aro de uma porta interior tem, no rebaixo onde a folha vai entrar, 824 mm de largura e 2040 mm de altura, medidos a partir do pavimento acabado. Quer-se 3 mm de folga em cada lado, 3 mm em cima e 10 mm em baixo.
- Largura da folha: 824 menos (3 + 3) = 824 menos 6 = 818 mm.
- Altura da folha: 2040 menos (3 + 10) = 2040 menos 13 = 2027 mm.
Se a folha chegar com 2040 mm de altura, é preciso retirar 13 mm. Corta-se em baixo (é a zona que não se vê), com serra de lâmina fina e fita de papel no corte para evitar lascar o acabamento, e nunca mais do que o fabricante permite, porque as folhas ocas têm um aro interior de madeira com largura limitada.
Exemplo resolvido, diagnosticar uma porta que prende
Uma porta prende no canto inferior, do lado das dobradiças, mas fecha bem no resto do perímetro.
Diagnóstico: a folha está demasiado encostada ao aro em baixo, do lado das dobradiças. As causas mais prováveis são a dobradiça inferior demasiado embutida (rebaixo mais fundo do que o da superior), que puxa a folha contra a ombreira nesse canto, ou a ombreira desse lado fora de prumo.
Correção: primeiro confirma-se o prumo da ombreira. Se estiver correto, calça-se a dobradiça inferior (uma lâmina fina de cartão ou de folheado por trás da asa) para a trazer para fora, ou afina-se a dobradiça, se for regulável. Aplainar a folha é sempre a última opção, por ser irreversível.
8. Ferragens para portas interiores e exteriores
O referencial pede os tipos de ferragens para portas interiores e exteriores e os processos de aplicação. Aplicar as ferragens é, além disso, uma aptidão avaliada.
Tipos de ferragens de porta
| Ferragem | Tipos | Nota de aplicação |
|---|---|---|
| Dobradiças | de leme (pino e asas), de livro (charneira), invisíveis (ocultas no canto), reguláveis em 3 eixos, de mola | embutidas à face; todas alinhadas na mesma vertical |
| Fechaduras | de trinco (só lingueta), de trinco e lingueta com chave, de casa de banho (com condenação), de cilindro europeu, multiponto | caixa embutida no canto da folha (fechadura de embutir); testo alinhado no aro |
| Puxadores e manípulos | de roseta, de espelho (placa), puxador fixo, puxador de correr (embutido) | altura normal de manípulo em porta interior à volta de 1 m, ou a que o projeto definir |
| Cilindros | cilindro europeu simples ou de segurança (anti-arranque, anti-gazua) | o cilindro não deve sobressair do espelho, para não poder ser partido |
| Retentores e batentes | batente de chão ou de parede, retentor magnético | evitam que a folha bata na parede |
| Fechos | ferrolhos, fechos de alavanca (folha semifixa de portas de duas folhas) | na folha semifixa, em cima e em baixo |
| Molas | mola aérea (com braço), mola de pavimento, dobradiça de mola | portas de uso público e portas corta-fogo |
| Ferragem de emergência | barras antipânico (EN 1125), puxadores de emergência (EN 179) | portas de saída em edifícios públicos, como escolas |
| Ferragem de correr | calha, carrinhos, guia inferior, caixa embutida na parede | a calha nivela-se com o mesmo rigor de um aro |
Interior e exterior: o que muda
| Porta interior | Porta exterior | |
|---|---|---|
| Dobradiças | correntes, em regra 3 (2 em folhas leves), à medida do peso da folha | reforçadas, em regra 3 ou 4, de aço inoxidável ou latão, resistentes à corrosão |
| Fechadura | de trinco, de trinco e chave, de condenação | de segurança, frequentemente multiponto, com cilindro de segurança |
| Vedação | normalmente não exigida | vedantes no batente, soleira com vedante e pingadeira |
| Acabamento das ferragens | decorativo | resistente à intempérie e à corrosão |
| Fixação do aro | corrente | mais pontos, parafusos mais compridos, ancoragem mais exigente |
| Norma de produto | · | portas pedonais exteriores têm marcação CE segundo a norma europeia de produto (EN 14351-1) |
O número de dobradiças depende do peso e da altura da folha e das instruções do fabricante das dobradiças; os valores acima são regra prática.
Processo de aplicação das ferragens
Dobradiças
- Marcar a posição (à volta de 15 a 25 cm do topo e da base, e a terceira a meio ou mais perto da de cima, conforme o fabricante), à mesma cota na folha e no aro.
- Riscar o contorno da asa com uma lâmina de marcar ou o graminho.
- Abrir o rebaixo com formão (ou fresadora com gabarito), à profundidade da espessura da asa.
- Pré-furar os parafusos com broca mais fina do que o parafuso, para a madeira não rachar.
- Aparafusar primeiro um parafuso por asa, experimentar, e só depois colocar os restantes.
Fechadura de embutir
- Marcar a altura do manípulo e o eixo da fechadura no canto da folha e nas duas faces.
- Abrir a caixa no canto com broca de mecha (broca chata ou de Forstner) e formão, ou com máquina de fechaduras, à medida do corpo da fechadura.
- Rebaixar a testa da fechadura para ficar à face do canto.
- Furar as duas faces para o quadrado do manípulo e para o cilindro, a partir das duas faces para não lascar.
- Montar a fechadura, os espelhos e o manípulo.
- Fechar a porta, marcar a posição do trinco no aro, abrir a caixa do testo e aplicá-lo.
Exemplo resolvido, posicionar três dobradiças
Uma folha tem 2027 mm de altura. O fabricante indica a dobradiça superior a 180 mm do topo e a inferior a 247 mm da base; a do meio fica equidistante das outras duas.
- Eixo da superior: a 180 mm do topo.
- Eixo da inferior: a 247 mm da base, ou seja, a 2027 menos 247 = 1780 mm do topo.
- Eixo da do meio: a meio entre 180 e 1780: (180 + 1780) / 2 = 1960 / 2 = 980 mm do topo.
- No aro marcam-se as mesmas cotas somadas da folga superior (3 mm): 183 mm, 983 mm e 1783 mm a partir da face inferior da travessa do aro.
9. Remates e guarnições
Para que servem
Depois de fixado o aro, fica uma junta entre ele e a parede, com cunhas e espuma à vista. Os elementos de remate escondem essa junta, protegem as arestas e dão o acabamento final. Aplicar os elementos de remate e aplicar as guarnições são aptidões próprias do referencial.
Tipos de remate e guarnição
| Elemento | O que é | Onde |
|---|---|---|
| Guarnição plana | régua de secção retangular, com arestas boleadas | portas interiores de linhas simples |
| Guarnição moldurada | régua com perfil trabalhado (meia-cana, degraus) | reabilitação, estilos clássicos |
| Guarnição de encaixe | guarnição com lingueta que encaixa na ranhura da aduela extensível | portas em kit |
| Tapa-juntas (ou bite de remate) | fasquia estreita que tapa uma junta entre duas peças ou entre o aro e a parede | janelas, portas, painéis |
| Rodapé | régua na base das paredes, que remata com a guarnição | todo o perímetro |
| Cantoneira | perfil em L que protege uma aresta saliente | esquinas de paredes, arestas de aros |
| Soleira | peça no pavimento, sob a porta | portas exteriores e mudanças de pavimento |
| Peitoril e pingadeira | peça inferior do vão da janela, com inclinação e ranhura por baixo para a água cair sem escorrer para a parede | janelas exteriores |
Aplicar as guarnições
- A guarnição fica afastada alguns milímetros da aresta interior do aro (o "recuo" ou "filete"), igual em todo o contorno, o que disfarça pequenas diferenças.
- Os cantos cortam-se a meia-esquadria: cada peça a 45 graus, para formarem juntas um canto a 90 graus.
- Fixam-se com pregos sem cabeça (pregos de acabamento ou agrafos de pregador pneumático), com cola, ou por encaixe nas aduelas extensíveis.
- Os pregos punçoam-se (enterram-se ligeiramente) e os furos betumam-se com massa da cor da madeira.
- A guarnição não prende a folha: confirma-se que a porta abre por completo sem tocar na guarnição do lado das dobradiças.
Exemplo resolvido, cortar as guarnições de uma porta
Aro com medida interior de 824 mm × 2040 mm. A guarnição tem 70 mm de largura e fica recuada 5 mm da aresta interior do aro.
- Travessa (em cima): o comprimento medido na aresta interior da guarnição é 824 + 5 + 5 = 834 mm; na aresta exterior, com os dois cortes a 45 graus, soma-se duas vezes a largura: 834 + 70 + 70 = 974 mm (ponta a ponta).
- Ombreiras (lados): aresta interior 2040 + 5 = 2045 mm (o recuo só existe em cima, porque em baixo a guarnição assenta no pavimento); aresta exterior com o corte a 45 graus: 2045 + 70 = 2115 mm no lado mais comprido.
- Antes de cortar, confirma-se com o esquadro se o canto é mesmo a 90 graus; se não for, ajusta-se o ângulo de cada peça para metade do ângulo real.
- Cortam-se primeiro as peças com uns milímetros a mais, faz-se o encaixe a seco e só depois se corta à medida final.
Os cortes limpos a 45 graus fazem-se na serra de esquadria ou, à mão, com serrote de costas e caixa de meia-esquadria.
10. Assentar a janela com aro
A janela tem tudo o que a porta tem (aro, folha, ferragens, remates) e mais uma exigência: fica na fronteira entre o interior e o exterior, e tem de ser estanque à água e ao ar, resistir ao vento e não criar pontes térmicas. Um aro de janela mal assente pode funcionar bem e, mesmo assim, deixar entrar água na primeira chuvada com vento.
Tipos de janela pelo modo de abertura
| Tipo | Como abre | Nota de assentamento |
|---|---|---|
| Batente | folha roda sobre dobradiças verticais | dobradiças alinhadas; folga uniforme |
| Oscilo-batente | abre de batente e também bascula pela parte de cima, com o mesmo manípulo | ferragem perimetral com compasso; aro rigorosamente a esquadro, senão a ferragem não engata |
| Basculante | roda sobre um eixo horizontal | comum em casas de banho e bandeiras |
| Guilhotina | folha desliza na vertical, equilibrada por contrapesos ou molas | tradicional na arquitetura portuguesa; comum em reabilitação |
| De correr | folhas deslizam na horizontal em calhas | calha inferior rigorosamente nivelada |
| Fixa | não abre | só vidro, bites e vedação |
Preparar o local para a montagem e o assentamento
Preparar o local para a janela é uma aptidão própria do referencial. Inclui:
- Limpar o vão de entulho, pó e restos de argamassa.
- Medir: largura em cima, a meio e em baixo; altura dos dois lados; diagonais; profundidade do vão.
- Verificar o peitoril: nivelado no sentido do comprimento e com inclinação para fora no sentido da profundidade, com pingadeira por baixo. Um peitoril inclinado para dentro leva a água para a casa.
- Verificar a alvenaria à volta do vão: firme (para as buchas agarrarem), seca, sem fissuras nem partes soltas; tratar a impermeabilização do vão se o projeto o prever.
- Definir a posição do aro na espessura da parede: no alinhamento do isolamento térmico da fachada, sempre que possível, para reduzir a ponte térmica.
- Preparar calços e cunhas, as ferragens de fixação e os materiais de vedação.
- Proteger o vidro e os acabamentos, e verificar as condições de trabalho em altura.
Marcar pontos de referência na janela
- Nível da travessa inferior do aro (a partir da cota de referência da obra, não do peitoril em tosco).
- Prumo das ombreiras, nos dois planos.
- Eixo do vão, para centrar o aro, e alinhamento com as outras janelas da mesma fachada.
- Pontos de fixação ao longo do perímetro.
- Pontos de calçamento (onde o aro apoia em calços).
Sequência de assentamento
- Retirar as folhas móveis (se o sistema o permitir), para aliviar o peso e não empenar o aro.
- Colocar calços de apoio sob a travessa inferior, nos pontos que o fabricante indica (em geral sob as ombreiras e sob os montantes intermédios), para o peso descarregar no peitoril e não nas fixações.
- Posicionar o aro, centrar, nivelar, aprumar e verificar as diagonais.
- Fixar mecanicamente ao longo de todo o perímetro.
- Voltar a montar as folhas, verificar a abertura e o fecho.
- Encher e vedar a junta perimetral (capítulo 12).
- Rematar por dentro (guarnição, bite de remate, tapa-juntas) e por fora (vedante, peitoril).
- Executar o acerto da janela.
Executar o acerto das janelas
Executar o acerto da porta e das janelas é uma aptidão própria. Na janela, acertar é:
- Verificar que cada folha abre e fecha sem esforço e que o manípulo engata todos os pontos de fecho.
- Verificar a folga entre folha e aro, igual em todo o contorno.
- Verificar o aperto dos vedantes: a junta deve ficar comprimida de forma uniforme; um truque de oficina é fechar a janela sobre uma tira de papel em vários pontos e puxar: deve oferecer resistência igual em todos.
- Afinar as dobradiças e os fechos (as ferragens modernas de janela têm pontos de regulação em altura, lateral e pressão).
- Numa oscilo-batente, confirmar que a folha não cai quando está em báscula (compasso bem afinado) e que o manípulo não permite as duas posições ao mesmo tempo.
11. Ferragens e pontos de fixação para janelas e caixilhos
Ferragens de caixilho
| Ferragem | Função |
|---|---|
| Dobradiças (ou ferragens de canto) | articulam a folha no aro |
| Cremona | mecanismo acionado pelo manípulo que move as varas de fecho |
| Ferragem perimetral (oscilo-batente) | conjunto de varas, cantos e pontos de fecho à volta da folha, com compasso |
| Compasso | braço que segura a folha em báscula |
| Fechos e trincos | pontos de fecho da folha no aro |
| Carrinhos e calhas | nas janelas de correr |
| Manípulos | com ou sem chave, com ou sem bloqueio para segurança de crianças |
Ferragens e acessórios para fixar o aro à parede
| Sistema | Como funciona | Quando |
|---|---|---|
| Parafuso de aro (parafuso de caixilho) | parafuso comprido que atravessa o aro e rosca diretamente na alvenaria (ou em bucha), com cabeça pequena | fixação direta, frequente em aros de madeira e PVC |
| Bucha e parafuso | bucha de nylon própria para o tipo de alvenaria | alvenaria firme |
| Garras ou patilhas | chapas metálicas fixas ao aro, que dobram contra a parede e se aparafusam (ou se chumbam) | quando não se quer furar o aro à vista |
| Aro de espera (precaixilho) | moldura de madeira ou metálica fixada antes, onde se aparafusa o aro definitivo | obras com acabamentos delicados ou com janela colocada no fim |
| Espuma, fitas e selantes | não são fixação mecânica; enchem, vedam e isolam | sempre, em complemento da fixação mecânica |
Onde ficam os pontos de fixação
- Ao longo de todo o perímetro, com espaçamento regular, nunca só nos quatro cantos: um aro fixado só nos cantos flete a meio sob a pressão do vento e o esforço da manobra, e as folhas deixam de fechar bem.
- Perto dos cantos, mas não em cima deles, a uma distância que não force as ligações de canto.
- À altura das dobradiças e dos pontos de fecho, onde estão os esforços.
- Nos montantes intermédios das janelas de várias folhas.
As distâncias exatas são as das instruções do fabricante do sistema de caixilharia. A título de ordem de grandeza, as instruções de montagem de um fabricante de caixilharia de PVC com presença em Portugal indicam uma distância máxima de 70 cm entre fixações consecutivas e pedem que não se faça nenhuma fixação a menos de 20 cm dos cantos, para não os forçar.
Exemplo resolvido, calcular os pontos de fixação de uma janela
Janela com aro de 120 cm × 120 cm. O fabricante manda: primeira fixação a 20 cm de cada canto e máximo de 70 cm entre fixações consecutivas.
- Em cada lado, a zona entre as duas fixações de canto mede 120 menos 20 menos 20 = 80 cm.
- 80 cm é mais do que o máximo de 70 cm, por isso é preciso pelo menos mais uma fixação a meio. Com uma a meio, ficam dois intervalos de 40 cm (dentro do limite).
- Fixações por lado: 2 junto aos cantos + 1 a meio = 3.
- Total no perímetro (4 lados): 4 × 3 = 12 fixações.
Se na travessa inferior o fabricante não permitir furar (para não abrir caminho à água), essas fixações são substituídas por garras ou pelo apoio em calços e fixação lateral, conforme as instruções.
12. Bites e vedantes
O referencial junta os dois termos, mas são coisas diferentes, e a confusão é frequente.
O que é um bite
O bite é uma régua ou moldura estreita (de madeira, alumínio ou PVC) aplicada no caixilho para fixar o vidro no seu rebaixo: o vidro assenta no rebaixo da folha e o bite aperta-o do outro lado. Nas janelas e portas envidraçadas de madeira, os bites são pequenas molduras pregadas ou aparafusadas, e retiram-se para trocar um vidro partido sem desmontar a folha.
Por extensão, em obra chama-se também bite a uma fasquia fina de remate que tapa uma junta (por exemplo, a junta entre o aro e a parede, escondendo a espuma). Quando se encomenda ou se lê um desenho, confirma-se sempre qual dos dois se trata.
Regras de aplicação do bite de vidro:
- O vidro não assenta diretamente na madeira: apoia em calços de vidro (calços de apoio em baixo e de posicionamento nos lados), que transmitem o peso ao caixilho sem tensões e deixam espaço para a drenagem e a dilatação.
- Entre o vidro e o rebaixo, e entre o vidro e o bite, fica um vedante: junta de borracha (EPDM), massa de vidraceiro (solução tradicional) ou selante compatível com o vidro duplo.
- Em muitos sistemas atuais o bite fica do lado de dentro, o que dificulta retirar o vidro por fora; nas janelas tradicionais o vidro era muitas vezes fixado por fora com massa de vidraceiro. Segue-se o sistema do fabricante.
- Pregos ou parafusos do bite não tocam no vidro.
O que é um vedante
Vedante é tudo o que fecha uma junta contra a passagem de água, ar, pó ou ruído. Há dois grandes grupos:
| Grupo | Exemplos | Onde |
|---|---|---|
| Vedantes de perfil (juntas) | borracha EPDM, elastómero termoplástico (TPE), silicone em perfil, escovas (nas janelas de correr) | na ranhura do aro ou da folha, entre elementos móveis (folha e aro), e entre vidro e caixilho |
| Vedantes de junta fixa (selantes e fitas) | silicone neutro, selante de polímero MS (híbrido), selante acrílico, fita de espuma pré-comprimida expansiva, fitas butílicas, membranas de janela | entre o aro e a parede, e noutras juntas fixas |
| Enchimento | espuma de poliuretano | dentro da junta perimetral, como isolamento; não é vedante de superfície (degrada-se com a luz e absorve água se ficar exposta) |
Os três planos da junta perimetral
Uma regra moderna de montagem de janelas, usada pelos fabricantes, é pensar a junta entre aro e parede em três planos:
- Exterior: estanque à chuva e ao vento, mas deixa sair o vapor (fita pré-comprimida, selante próprio para exterior sobre fundo de junta).
- Meio: isolamento térmico e acústico (espuma de poliuretano ou lã mineral).
- Interior: estanque ao ar e ao vapor de água (fita ou membrana, selante interior), para o vapor da casa não condensar dentro da junta.
A regra de ouro é: mais fechado por dentro do que por fora, para a humidade que entrar conseguir sair.
Aplicar selantes: regras práticas
- Superfície limpa, seca e sem pó; se o fabricante o pedir, primário.
- Fundo de junta (cordão de espuma de polietileno) nas juntas largas, para o selante trabalhar só em duas faces e ter a espessura certa.
- Cordão contínuo, sem bolhas, alisado com espátula ou dedo molhado em água com sabão antes de formar pele.
- Em madeira, pedra e metais, silicone neutro, não acético: o acético (o que cheira a vinagre) liberta ácido que pode atacar alguns metais e suportes. Se a junta vai ser pintada, usa-se selante acrílico ou de polímero MS, porque o silicone não aceita tinta.
- Aplicado sobre pó ou humidade, qualquer selante perde a aderência em pouco tempo e a junta passa a deixar entrar água.
Exemplo resolvido, quantidade de selante para uma janela
Janela de 120 cm × 120 cm, junta exterior de 10 mm de largura por 8 mm de profundidade, em todo o perímetro. Cartucho de 300 ml.
- Perímetro: 4 × 1,20 m = 4,80 m = 4800 mm.
- Secção da junta: 10 mm × 8 mm = 80 mm².
- Volume: 4800 mm × 80 mm² = 384 000 mm³ = 384 ml (1 ml = 1000 mm³).
- Cartuchos: 384 / 300 = 1,28, ou seja, 2 cartuchos (arredonda-se sempre para cima e conta-se com perdas).
Se se usasse fundo de junta para reduzir a profundidade para 6 mm, o volume baixava para 4800 × 60 = 288 000 mm³ = 288 ml, e bastava 1 cartucho (à justa).
13. Colas e resinas
Tipos de colas
| Cola | Base | Uso típico em assentamento | Notas |
|---|---|---|---|
| Cola branca (vinílica, PVA) | acetato de polivinilo | madeira com madeira: cavilhas, ligações do aro, guarnições em interior | há classes de resistência à água (ver abaixo) |
| Cola de poliuretano (PU) | poliuretano | madeira com madeira em exterior ou húmido, juntas com pouca folga | expande um pouco ao curar; precisa de humidade para curar; mancha a pele |
| Cola de contacto | borracha sintética com solvente | laminados, folheados, orlas | aplica-se nas duas faces, espera-se, e cola ao primeiro toque: não deixa corrigir |
| Adesivo de montagem (polímero MS ou similar) | polímero híbrido | colar guarnições, rodapés e painéis a paredes e a madeira | cola e veda, tolera superfícies irregulares |
| Resina epóxi | dois componentes (resina e endurecedor) | reparações, enchimento de madeira degradada, ancoragens químicas | mistura na proporção exata; tempo de trabalho limitado |
| Cola termofusível | polímero aplicado a quente | fixações leves e provisórias | não é para ligações que trabalham |
Classes de resistência à água das colas de madeira
As colas de madeira termoplásticas (como a PVA) classificam-se, pela norma europeia EN 204, em quatro classes de durabilidade, de D1 a D4:
| Classe | Utilização |
|---|---|
| D1 | interior seco |
| D2 | interior, com exposição ocasional e curta a água ou humidade elevada |
| D3 | interior com exposição frequente e curta a água ou humidade elevada; exterior não exposto à intempérie |
| D4 | interior com exposição frequente e prolongada a água; exterior exposto à intempérie, com um acabamento de superfície adequado |
Por isso "cola branca não serve para exterior" só é verdade para a cola branca comum (em regra D1 ou D2). Uma PVA de classe D3 ou D4 serve para situações húmidas e exteriores, dentro dos limites da classe.
Exemplo resolvido, escolher a cola certa
- Colar uma guarnição fina, sem pregos à vista, no interior de uma sala: cola branca D2 (ou adesivo de montagem se a parede for irregular); a ligação não tem humidade nem esforço estrutural.
- A mesma guarnição numa varanda exterior coberta mas húmida: cola de poliuretano, ou PVA de classe D3 ou superior.
- Cavilhas do aro de uma porta exterior: PVA D4 ou poliuretano.
- Reconstruir o canto podre de uma ombreira antiga que se quer manter: resina epóxi de enchimento para madeira.
- Colar um laminado a um tampo: cola de contacto.
Regras comuns a todas as colas: superfícies limpas, secas e sem pó ou gordura; respeitar o tempo aberto (o tempo que a cola aguenta antes de ser preciso juntar as peças) e o tempo de prensagem; apertar com grampos ou sargentos; limpar o excesso antes de endurecer; ler a ficha de dados de segurança e usar luvas.
14. Acessórios de fixação em estruturas de madeira
| Acessório | Para quê | Nota |
|---|---|---|
| Buchas e parafusos | fixar madeira a alvenaria ou betão | a bucha escolhe-se pelo suporte: tijolo maciço, tijolo furado, betão, placa de gesso cartonado |
| Buchas químicas (ancoragem química) | fixações pesadas em alvenaria fraca ou furada | resina injetada com casquilho de rede no tijolo furado |
| Parafusos para madeira | ligações madeira a madeira | pré-furar perto das extremidades, para não rachar |
| Parafusos de aro | fixação direta de aros | ver capítulo 11 |
| Cavilhas | ligações madeira a madeira, com cola | discretas; exigem furação rigorosa |
| Pregos (lisos, anelados, sem cabeça) | fixações rápidas: guarnições, ripados, grelhas | pregos anelados seguram muito mais do que lisos |
| Agrafos | fixações leves de painéis finos e remates | com agrafador pneumático |
| Esquadros e ligadores metálicos | reforço de nós entre montantes e travessas | aço galvanizado, com parafusos ou pregos próprios |
| Sapatas e estribos metálicos | apoio de vigas e barrotes | estruturas de pavimento e cobertura |
| Garras e patilhas | fixação de aros sem furar a face | janelas e portas |
Buchas: o suporte manda. Uma bucha de nylon comum num tijolo furado cai no vazio do tijolo e arranca com o tempo; aí usa-se bucha comprida própria para tijolo furado ou ancoragem química. Antes de furar, confirma-se o tipo de alvenaria (o pó que sai da broca diz muito: vermelho de tijolo, cinzento de betão) e usa-se o detetor de cabos e tubos.
Exemplo resolvido, escolher o comprimento do parafuso
Uma ombreira de 30 mm de espessura vai ser fixada a tijolo com uma folga (junta com cunhas) de 12 mm. O fabricante da bucha indica uma ancoragem mínima de 50 mm dentro do tijolo.
Comprimento mínimo do parafuso = espessura da madeira + folga + ancoragem = 30 + 12 + 50 = 92 mm. Escolhe-se o comprimento comercial imediatamente acima (por exemplo 100 mm), e a bucha com comprimento adequado à profundidade do furo.
15. Estruturas divisórias: samblagens, ligações e assentamento
A estrutura de uma divisória em madeira
Uma divisória de madeira de construção leve é uma grelha de peças verticais e horizontais, revestida dos dois lados (placas de gesso cartonado, contraplacado, OSB, aglomerado, lambrim), com isolamento no meio.
| Peça | Posição | Função |
|---|---|---|
| Guia inferior (ou soleira da divisória) | horizontal, fixa ao pavimento | receber os montantes em baixo |
| Guia superior | horizontal, fixa ao teto ou à laje | receber os montantes em cima |
| Montantes | verticais, entre as guias | estrutura principal; dão fixação às placas |
| Travessas (ou travamentos) | horizontais, entre montantes | travar os montantes, dar apoio às juntas horizontais das placas e a cargas suspensas |
| Montantes duplos e padieira | à volta dos vãos | enquadrar o vão de uma porta e suportar o aro |
| Reforços | onde se vão fixar objetos | dar madeira maciça atrás do revestimento para pendurar armários, lavatórios, televisões |
Espaçamento dos montantes
Os montantes espaçam-se a eixo (de centro a centro) de modo a que as juntas das placas de revestimento caiam sempre sobre um montante. Como as placas mais comuns têm 1,20 m de largura, os espaçamentos correntes são 40 cm ou 60 cm a eixo (1,20 m é múltiplo dos dois). O espaçamento exato é o que o projeto e o fabricante das placas indicam para a altura da parede e o tipo de placa.
Exemplo resolvido, quantos montantes para uma divisória
Divisória com 3,00 m de comprimento e 2,60 m de pé-direito, montantes a 60 cm a eixo, sem vãos.
- Número de intervalos: 3,00 / 0,60 = 5.
- Número de montantes: intervalos + 1 = 5 + 1 = 6 (inclui os dois de topo, junto às paredes).
- Comprimento de cada montante: pé-direito menos a espessura das duas guias. Com guias de 45 mm: 2600 menos 45 menos 45 = 2510 mm.
- Guias: 2 × 3,00 m = 6,00 m de guia.
Com montantes a 40 cm: 3,00 / 0,40 = 7,5, ou seja, são precisos 8 intervalos (o último mais curto, com 20 cm), e portanto 9 montantes.
Samblagens e ligações em estruturas divisórias
Samblar é ligar duas peças de madeira trabalhando-as para encaixarem uma na outra. Nas divisórias usam-se samblagens simples, muitas vezes reforçadas com parafusos, pregos ou ligadores metálicos.
| Ligação | Como funciona | Onde na divisória |
|---|---|---|
| Topo a topo pregado ou aparafusado | a peça encosta de topo à outra e prega-se ou aparafusa-se através da guia | ligação corrente montante com guia |
| Pregagem oblíqua (de esguelha) | pregos cravados em ângulo pelo lado da peça, através do topo | quando não se chega por trás da guia |
| Meia-madeira | cada peça perde metade da espessura na zona da ligação, e as duas ficam à face | cruzamentos e emendas de guias, travessas em cruz |
| Entalhe (ou encaixe) | rebaixo aberto numa peça, onde a outra entra sem ser cortada | montante entalhado na guia, travessa entalhada no montante |
| Respiga e mecha (fura e respiga) | a respiga (espiga) talhada no topo de uma peça entra na mecha (furo, também chamada caixa) aberta na outra | estruturas à vista, aros, ligações de melhor qualidade |
| Cavilhada | cavilhas coladas atravessam as duas peças | ligações discretas |
| Com ligadores metálicos | esquadros, chapas perfuradas, sapatas, aparafusados ou pregados | nós que levam carga, montagem rápida |
Não confundir malhete com respiga e mecha: o malhete é a ligação em cauda de andorinha (ou em dentes retos), típica dos cantos de gavetas e caixas, não o nome do furo. Numa respiga e mecha, a respiga é a parte macho, a mecha é a parte fêmea.
Executar o assentamento de estrutura divisória
- Marcar a linha da divisória no pavimento com o fio de marcar, com a esquadria verificada pela regra 3-4-5.
- Transportar a linha para o teto a prumo, ponto a ponto com fio de prumo ou de uma vez com o laser de linhas.
- Marcar os vãos (portas) e as posições dos montantes nas guias, as duas guias juntas, para as marcas coincidirem.
- Fixar as guias ao pavimento e ao teto com buchas e parafusos (ou fixações próprias para o suporte), com uma banda de isolamento (fita resiliente) por baixo para cortar a transmissão de ruído, se o projeto o pedir.
- Cortar os montantes à medida real de cada posição (o pé-direito varia ao longo da divisória).
- Posicionar cada montante, verificar o prumo nos dois planos e só então fixar.
- Enquadrar os vãos com montantes duplos e padieira, à medida do aro que vai lá ser assente.
- Instalar travessas e reforços.
- Verificar o conjunto: prumo, alinhamento (fio esticado ao longo da face dos montantes: todos lhe devem tocar) e planeza.
- Passar as instalações (tubos, caixas), aplicar o isolamento e revestir um lado de cada vez.
Nunca se fixam todos os montantes antes de verificar o prumo de cada um. Uma estrutura fora de prumo compromete tudo o que se fixa a ela depois: placas com juntas abertas, portas embutidas que não fecham, rodapés que não assentam.
Trabalhar em altura na divisória
Fixar a guia superior e revestir a parte de cima obriga a trabalhar em altura. Usam-se plataformas ou andaimes estáveis em vez de escadas sempre que o trabalho é demorado, e as escadas só como meio de acesso ou para trabalhos curtos, de acordo com as regras dos equipamentos de trabalho (DL 50/2005).
16. Isolamentos: tipos e características
Térmico e acústico não são a mesma coisa
- O isolamento térmico reduz a passagem de calor. Mede-se pela condutibilidade térmica do material, λ (lambda), em W/(m·K): quanto menor o λ, melhor isola. A resistência térmica de uma camada é R = espessura / λ, em m²·K/W: quanto maior o R, melhor.
- O isolamento acústico de uma divisória reduz a passagem de som de um lado para o outro. Depende sobretudo do sistema: massa dos revestimentos (placas mais pesadas ou duplas), caixa de ar com material absorvente (as lãs minerais), desligamento entre as duas faces e estanquidade (uma fresta ou uma caixa elétrica mal vedada deixa passar o som). O isolante na caixa ajuda, mas sozinho não faz o isolamento.
Tipos e características de isolamentos
| Material | λ aproximado W/(m·K) | Características | Uso típico em carpintaria |
|---|---|---|---|
| Lã de rocha (lã mineral) | cerca de 0,033 a 0,040 | incombustível, bom absorvente acústico, não apodrece | caixa de divisórias, juntas, zonas com exigência ao fogo |
| Lã de vidro (lã mineral) | cerca de 0,031 a 0,040 | leve, económica, bom absorvente acústico | caixa de divisórias, tetos |
| Aglomerado de cortiça expandida | cerca de 0,037 a 0,040 | produto natural, muito produzido em Portugal, estável, bom comportamento acústico | revestimentos, pavimentos, isolamento de paredes |
| Fibra de madeira | cerca de 0,038 a 0,050 | natural, boa inércia térmica, respirante | construção em madeira |
| Poliestireno expandido (EPS) | cerca de 0,031 a 0,040 | leve, barato, combustível (precisa de proteção) | paredes, pavimentos, fachadas |
| Poliestireno extrudido (XPS) | cerca de 0,030 a 0,036 | resiste à humidade e à compressão | pavimentos, coberturas invertidas, zonas húmidas |
| Poliuretano / poliisocianurato (PUR/PIR) | cerca de 0,022 a 0,028 | o que isola mais por espessura; combustível | painéis, coberturas |
| Espuma de poliuretano em lata | · | enchimento de juntas | juntas de aros de portas e janelas |
Os valores exatos de cada produto estão na sua ficha técnica e na declaração de desempenho da marcação CE; a tabela serve para comparar ordens de grandeza.
Exemplo resolvido, resistência térmica de uma camada de isolamento
Uma divisória entre uma sala e uma garagem não aquecida leva 60 mm de lã mineral com λ = 0,035 W/(m·K).
- Espessura em metros: 60 mm = 0,060 m.
- R = 0,060 / 0,035 ≈ 1,71 m²·K/W.
- Com 40 mm do mesmo material: R = 0,040 / 0,035 ≈ 1,14 m²·K/W. Menos espessura, menos resistência.
- Se a lã de 60 mm for esmagada numa caixa de 40 mm, não isola como 60 mm: perde o ar que retém e fica perto do valor dos 40 mm ou pior. Por isso a espessura do isolamento escolhe-se pela largura dos montantes.
Exemplo resolvido, quantidade de isolamento de uma divisória
Divisória de 3,00 m × 2,60 m, com um vão de porta de 0,90 m × 2,10 m.
- Área total: 3,00 × 2,60 = 7,80 m².
- Área do vão: 0,90 × 2,10 = 1,89 m².
- Área a isolar: 7,80 menos 1,89 = 5,91 m².
- Com 10 % para cortes e perdas: 5,91 × 1,10 ≈ 6,5 m². Compra-se o número de embalagens que cubra pelo menos 6,5 m².
Aplicar o isolamento
- Lã mineral cortada uns milímetros mais larga do que o espaço entre montantes, para ficar presa por atrito, sem esmagar.
- Sem vazios nos cantos, atrás das caixas elétricas e à volta dos tubos.
- Luvas, manga comprida, óculos e máscara ao cortar e aplicar lãs minerais, que irritam a pele e as vias respiratórias.
- Em paredes para o exterior ou para espaços húmidos, a barreira ou freio de vapor fica do lado quente (o de dentro), se o projeto o previr.
17. Ferramentas, máquinas portáteis e acabamentos
Ferramentas manuais
| Ferramenta | Uso no assentamento |
|---|---|
| Fita métrica e metro articulado | medir vãos, peças e diagonais |
| Esquadro de carpinteiro e suta | verificar e transportar ângulos |
| Graminho | riscar linhas paralelas a uma aresta (rebaixos de dobradiças) |
| Lápis de carpinteiro | marcar na madeira sem manchar |
| Martelo e maço | pregar, ajustar cunhas, bater formão |
| Formões | abrir rebaixos de dobradiças e caixas de fechaduras |
| Serrote e serrote de costas | cortes à mão, meias-esquadrias com caixa de meia-esquadria |
| Plaina manual | acertar arestas de folhas e ombreiras |
| Chaves de fendas, de estrela e de caixa | aparafusar e afinar ferragens |
| Punção | enterrar a cabeça dos pregos de acabamento |
| Pistola de cartuchos | aplicar selantes e adesivos |
| Pistola de espuma | aplicar espuma de poliuretano com dosagem controlada |
| Grampos e sargentos | apertar peças coladas, segurar peças durante a fixação |
| Cunhas de madeira | posicionar, nivelar e aprumar |
Equipamento de nivelamento
Nível de bolha, fio de prumo, mangueira de água, fio de marcar ("fio blue") e equipamento digital de nivelamento (laser de linhas, laser rotativo, nível digital), tratados no capítulo 4.
Máquinas-ferramentas portáteis
| Máquina | Uso | Cuidados |
|---|---|---|
| Berbequim com percussão | furar alvenaria para buchas | óculos, protetores auditivos, detetor de cabos, broca de alvenaria |
| Aparafusadora a bateria | aparafusar fixações e ferragens | embraiagem regulada para não moer a cabeça nem afundar o parafuso |
| Serra circular portátil | cortar folhas, aduelas, montantes | proteção pendular a funcionar, peça bem apoiada e presa, nunca cortar com a peça na mão |
| Serra de esquadria | cortes de guarnições, rodapés, montantes | mão fora da zona do disco, peça encostada ao esbarro |
| Serra de recortes | recortes curvos, rasgos para caixas | lâmina própria para o material |
| Fresadora manual | rebaixos de dobradiças com gabarito, ranhuras | fresa bem apertada, sentido de avanço correto |
| Plaina elétrica | aplainar a aresta de uma folha | passagens finas, peça bem presa |
| Lixadora (orbital, excêntrica, de rolos) | preparar o acabamento | aspiração ligada, máscara |
| Pregador pneumático ou a bateria | pregar guarnições e remates | nunca apontar a pessoas, desligar para desencravar |
| Multiferramenta oscilante | cortes rentes (cortar a base de uma guarnição ou de uma aduela no pavimento) | lâmina própria |
Lixas
As lixas classificam-se pelo grão (número): quanto maior o número, mais fina a lixa.
| Grão | Uso |
|---|---|
| 40 a 60 | desbaste, remover acabamento velho |
| 80 a 120 | preparação da madeira |
| 150 a 180 | acabamento antes do primeiro produto |
| 220 a 320 | lixagem entre demãos |
Lixa-se no sentido do fio (do veio) da madeira: lixar contra o fio risca a superfície, e os riscos aparecem depois de aplicado o acabamento. E não se saltam grãos: de 80 passa-se a 120 e depois a 180, porque cada grão tem de apagar os riscos do anterior.
Produtos de acabamento
| Produto | Características | Onde |
|---|---|---|
| Vernizes (aquosos ou de solvente) | película protetora, brilhante, acetinada ou mate | aros, guarnições, portas interiores |
| Lacas e esmaltes | película opaca colorida | portas e aros lacados |
| Velaturas e lasures | penetram e protegem, deixam ver o veio; próprios para exterior | caixilharia e portas exteriores |
| Óleos | penetram, realçam o veio, manutenção simples | madeiras nobres, interiores |
| Ceras | proteção leve, toque suave | peças interiores de pouco uso |
Nas peças exteriores, o acabamento é também proteção contra a água e o sol, e tem de ser mantido. As extremidades (topos) das peças absorvem muito mais água do que as faces: selam-se sempre, antes de assentar, sobretudo nas bases das ombreiras e nas travessas de peitoril.
18. Normas da qualidade e controlo final
O que quer dizer "aplicar as normas da qualidade"
"Normas da qualidade" aparece no referencial como recurso, conhecimento e aptidão. Em obra, significa três coisas:
- Cumprir o que está especificado: desenho, caderno de encargos, instruções do fabricante e normas de produto aplicáveis (por exemplo, as janelas e portas pedonais exteriores têm marcação CE segundo a norma europeia EN 14351-1, com classes de desempenho de permeabilidade ao ar, estanquidade à água e resistência ao vento).
- Verificar e registar: controlar cada fase com uma lista de verificação e deixar registo do que foi verificado.
- Tratar o que não está conforme: corrigir antes de avançar, e comunicar ao responsável o que não se pode corrigir.
Nas empresas com sistema de gestão da qualidade (muitas vezes segundo a norma NP EN ISO 9001), estas listas e registos fazem parte dos procedimentos da empresa, e o técnico tem de os seguir.
Controlo por fase
| Fase | O que se verifica |
|---|---|
| Receção de material | medidas, sentido de abertura, espécie, acabamento, defeitos, ferragens completas |
| Vão | medidas, esquadria, cota de pavimento, estado da alvenaria |
| Assentamento | nível, prumo nos dois planos, diagonais, torção, fixações no sítio certo |
| Acerto | folgas uniformes, abrir, fechar e trancar sem esforço, folha que não se mexe sozinha |
| Vedação | cordão contínuo, sem falhas, aderente; vedantes de perfil bem comprimidos |
| Remates | meias-esquadrias fechadas, recuo uniforme, pregos punçoados e betumados |
| Final | limpeza, proteção, entrega ao cliente com as instruções de uso e manutenção |
Exemplo resolvido, checklist final de uma janela
Terminada a montagem de uma janela, o técnico confirma, por esta ordem:
- Nível da travessa inferior e prumo das ombreiras (nível de bolha).
- Diagonais iguais.
- Folga uniforme entre folha e aro; vedantes de perfil comprimidos por igual (teste da tira de papel).
- Abertura, fecho, báscula e trancamento sem esforço.
- Todas as fixações colocadas, com as tampas de acabamento.
- Bites bem fixos, vidro calçado, sem riscos.
- Junta perimetral cheia e vedada por fora e por dentro; cordão contínuo.
- Peitoril inclinado para fora, pingadeira livre.
- Guarnições e remates aplicados, sem folgas.
- Limpeza dos vidros, do caixilho e do local; retirada de resíduos (espuma, cartuchos) para o contentor certo.
Só depois desta lista a tarefa é dada como concluída perante o cliente.
Atitudes profissionais
O referencial pede responsabilidade, autonomia, sentido de organização, cooperação com a equipa, sentido crítico, iniciativa, empenho, flexibilidade e respeito pelas regras. No assentamento veem-se em coisas concretas: não esconder um defeito atrás de uma guarnição, avisar o encarregado quando o vão está fora de medida em vez de "dar um jeito", deixar o local limpo para o ofício seguinte, e ajudar o colega a transportar a folha pesada em vez de a carregar sozinho.
Erros comuns
- Fixar o aro antes de verificar nivelamento, prumada (nos dois planos), torção e diagonais.
- Tratar a espuma de poliuretano como fixação: sem parafusos ou garras, e sem o aro travado, a espuma empurra as ombreiras e a porta deixa de fechar.
- Apertar todos os parafusos de uma vez, deformando o aro em vez de o fixar progressivamente e verificando depois de cada aperto.
- Medir alturas a partir da laje em tosco e não da cota de pavimento acabado: a porta fica sem folga inferior quando o pavimento é colocado.
- Trocar o sentido de abertura por não confirmar a convenção no desenho e na encomenda.
- Aplainar a folha antes de corrigir as dobradiças: aplainar é irreversível.
- Usar ferragens de porta interior numa porta exterior, que enferrujam ou falham à primeira intempérie.
- Fixar o aro de uma janela só nos quatro cantos, sem pontos de fixação intermédios.
- Assentar a janela sobre um peitoril inclinado para dentro ou sem pingadeira.
- Confundir bite com vedante: o bite fixa o vidro; o vedante fecha a junta.
- Deixar a espuma de poliuretano à vista no exterior, sem vedação por cima: degrada-se com o sol e absorve água.
- Aplicar silicone sobre pó ou humidade, ou silicone numa junta que vai ser pintada.
- Usar bucha comum em tijolo furado, que arranca com o tempo.
- Fixar todos os montantes de uma divisória antes de verificar o prumo de cada um.
- Espaçar os montantes sem pensar na largura das placas, deixando juntas de placa sem apoio.
- Comprimir a lã mineral ao instalar, reduzindo a sua capacidade isolante.
- Usar luvas junto de uma broca ou disco em rotação.
- Dar o trabalho por terminado sem repetir a verificação final de nível, prumo e funcionamento.
Glossário
- Aro: moldura fixa assente no vão, onde a folha da porta ou da janela se articula e bate.
- Aduela: tábua que forra o vão da ombreira de uma porta (reveste a espessura da parede); na porta interior atual, é muitas vezes a própria peça do aro.
- Aro de espera (precaixilho): moldura fixada ao vão durante a obra, que recebe mais tarde o aro definitivo.
- Batente: ressalto do aro contra o qual a folha encosta ao fechar.
- Bite: régua ou moldura estreita que fixa o vidro no caixilho; por extensão, fasquia fina que tapa uma junta.
- Calço: peça de espessura fixa que apoia um elemento (aro, vidro) depois de acertado.
- Cota de referência (metro): linha de nível marcada a uma altura conhecida acima do pavimento acabado.
- Cunha: calço em forma de rampa, usado aos pares para posicionar e ajustar uma peça antes de a fixar.
- Esquadria: condição de um ângulo reto; verifica-se pelas diagonais ou pela regra 3-4-5.
- Acerto: ajuste fino de uma porta ou janela para funcionar sem esforço e com folgas uniformes.
- Fio de marcar ("fio blue"): cordel com pó colorido que, esticado e largado, marca uma linha reta.
- Folga: espaço deixado entre a folha e o aro, ou entre o aro e a parede.
- Guarnição (alizar): moldura que remata a junta entre o aro e a parede.
- Mangueira de água: mangueira transparente com água, que transporta um nível pelo princípio dos vasos comunicantes.
- Montante, guia, travessa: peças vertical, horizontal de pavimento/teto e horizontal intermédia de uma estrutura divisória.
- Nivelamento: verificação e acerto da horizontalidade.
- Ombreira: peça vertical lateral de um aro ou de um vão.
- Pingadeira: ranhura ou ressalto sob um peitoril ou travessa, que obriga a água a cair sem escorrer para a parede.
- Prumada: verificação e acerto da verticalidade.
- Respiga e mecha: samblagem em que a respiga de uma peça entra na mecha (furo) da outra.
- Samblagem: ligação de duas peças de madeira trabalhadas para encaixarem uma na outra.
- Selante: produto aplicado em pasta que veda uma junta fixa (silicone, polímero MS, acrílico).
- Testo: chapa aplicada no aro onde entra o trinco da fechadura.
- Vedante: perfil ou produto que fecha uma junta contra água, ar, pó ou ruído.
- EPI: equipamento de proteção individual.
Síntese
O trabalho desta UC repete sempre a mesma sequência, aplicada a três realizações diferentes (porta com aro, janela com aro, estruturas de madeira):
preparar (sequência de operações, EPI, local, medidas) · marcar pontos de referência (cota, prumo, eixos, pontos de fixação) · nivelar, aprumar e esquadrar · retificar com cunhas · fixar mecanicamente com os acessórios certos para o suporte · encher e vedar · acertar (porta, janela) ou revestir e isolar (divisória) · aplicar ferragens, guarnições e remates · verificar contra as normas de segurança e de qualidade.
Os pontos que não se podem esquecer: nível é horizontal, prumo é vertical; diagonais iguais só garantem esquadria com os lados opostos iguais; a espuma enche e isola mas não fixa; o bite fixa o vidro e o vedante fecha a junta; as folgas e as distâncias de fixação vêm do fabricante; e a segurança (EPI, pó, ruído, altura) é critério de avaliação ao mesmo nível da qualidade.
Exercícios resolvidos
1. Um aro de porta com lados opostos iguais tem diagonais de 228,1 e 228,9 cm. Está a esquadro? O que fazer?
Resolução: não está. A diferença é 228,9 menos 228,1 = 0,8 cm (8 mm). Antes de fixar, ajustam-se as cunhas para aproximar os dois cantos da diagonal maior, até as duas diagonais ficarem iguais, e só então se trava e fixa o aro.
2. Qual deve ser a diagonal de um aro com medida interior de 80 × 200 cm?
Resolução: raiz de (80² + 200²) = raiz de (6400 + 40 000) = raiz de 46 400 ≈ 215,4 cm. As duas diagonais devem medir isto e ser iguais entre si.
3. Para traçar um ângulo reto no chão, marcaram-se 90 cm numa direção e 120 cm na outra. Que medida deve ter a hipotenusa?
Resolução: é um triângulo 3-4-5 multiplicado por 30: 3 × 30 = 90, 4 × 30 = 120, 5 × 30 = 150 cm. Confirmação: 90² + 120² = 8100 + 14 400 = 22 500 = 150².
4. O rebaixo de um aro mede 824 × 2040 mm. Com folgas de 3 mm nos lados e em cima e 10 mm em baixo, qual é a medida da folha?
Resolução: largura 824 menos 6 = 818 mm; altura 2040 menos 13 = 2027 mm.
5. Uma porta prende no canto inferior do lado das dobradiças e o aro está a prumo. Qual é a causa provável e a correção?
Resolução: a dobradiça inferior está demasiado embutida e puxa a folha contra a ombreira nesse canto. Calça-se a asa da dobradiça inferior (ou afina-se, se for regulável). Aplainar a folha é a última opção, por ser irreversível.
6. Um colega diz que "a espuma de poliuretano chega para fixar o aro". Concordas?
Resolução: não, salvo nos sistemas em que o fabricante o preveja expressamente. A espuma enche, cola e isola a junta, mas não é fixação mecânica: o aro fixa-se com parafusos, garras ou outro meio mecânico, e a espuma aplica-se com o aro travado, em pouca quantidade, para não empurrar as ombreiras.
7. Distingue bite de vedante numa janela de madeira.
Resolução: o bite é a moldura estreita que fixa o vidro no rebaixo da folha. O vedante fecha uma junta contra água, ar e ruído: pode ser um perfil (EPDM, escova) entre folha e aro ou entre vidro e caixilho, ou um selante e uma fita na junta fixa entre aro e parede.
8. Janela de 120 × 120 cm; o fabricante manda fixar a 20 cm de cada canto e no máximo a 70 cm entre fixações. Quantas fixações são precisas?
Resolução: em cada lado ficam 120 menos 40 = 80 cm entre as fixações de canto, mais do que 70 cm, logo mais uma a meio (dois intervalos de 40 cm). São 3 por lado e 12 no total.
9. Que cola se escolhe para as cavilhas de um aro de porta exterior, e porquê?
Resolução: uma cola de poliuretano ou uma PVA de classe D4 (EN 204), porque a ligação vai estar exposta à humidade e à intempérie. A cola branca comum (em regra D2) é para interior.
10. Divisória de 3,00 m com montantes a 60 cm a eixo: quantos montantes? E a 40 cm?
Resolução: a 60 cm: 3,00 / 0,60 = 5 intervalos, logo 6 montantes. A 40 cm: 3,00 / 0,40 = 7,5, logo 8 intervalos (o último com 20 cm) e 9 montantes.
11. Uma divisória vai separar dois quartos de dormir. O que se deve fazer para ter um bom isolamento acústico?
Resolução: encher a caixa com lã mineral (de rocha ou de vidro) sem a esmagar, usar revestimentos com massa (placa dupla, se o projeto o pedir), separar as duas faces sempre que possível, colocar banda resiliente sob as guias e vedar todas as frestas e caixas elétricas. O isolamento acústico é do sistema, não só do material.
12. Calcula a resistência térmica de 60 mm de lã mineral com λ = 0,035 W/(m·K).
Resolução: R = 0,060 / 0,035 ≈ 1,71 m²·K/W.
13. Que EPI usas para: furar tijolo com berbequim de percussão; lixar guarnições de carvalho; aplicar espuma de poliuretano?
Resolução: furar: óculos, protetores auditivos, máscara (pó de tijolo), sem luvas junto da broca. Lixar carvalho (madeira dura, cujo pó é cancerígeno): aspiração ligada à lixadora e máscara FFP2 ou FFP3, óculos. Espuma: luvas de nitrilo e óculos, local ventilado.
14. Uma estrutura divisória tem os montantes todos fixados, mas só depois se percebe que um está fora de prumo. Que consequência tem e como se devia ter evitado?
Resolução: o montante fora de prumo desalinha as placas, as juntas e o aro de uma porta que lá seja assente, e obriga a desmontar e refazer. Devia ter sido verificado cada montante, nos dois planos, antes de o fixar.