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UC · Unidade de Competência · UC02119

Sebenta · Executar portas e janelas (UC02119)

Desenho técnico, tipos de janelas, portas e aros, samblagens, colagem com palmetas, ferragens e vidros
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Marcenaria e Carpintari ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta ensina a executar portas e janelas de madeira com aro, da leitura do desenho técnico até ao conjunto montado, colado, ferrado, envidraçado e pronto a instalar. É uma das competências mais completas da carpintaria: junta desenho, escolha e preparação da madeira, marcação, samblagens, colagem, acabamento, ferragens e vidro num único objeto que tem de funcionar todos os dias durante décadas, à chuva, ao sol e às mãos de quem o usa.

O percurso segue a ordem real de produção numa oficina: ler e interpretar o desenho, selecionar e preparar a madeira (serrar, aparelhar e desengrossar), marcar e traçar as peças (montantes e travessas do aro, couceiras, travessas e pinázios da folha), executar a furação, a respigagem e a moldagem, armar a seco, colar com palmetas fazendo o ajustamento e o desempeno, verificar esquadrias e empenos, afagar e lixar, e por fim aplicar ferragens e vidros. Tudo com as normas de segurança, saúde e qualidade cumpridas do primeiro ao último passo.

A sebenta foi escrita para estudares sozinho: cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e exemplos resolvidos passo a passo, com as contas feitas. No fim tens erros comuns, glossário, síntese e exercícios resolvidos.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar desenhos e outras especificações técnicas; aplicar técnicas de execução de portas e janelas; operar máquinas e ferramentas. No fim da UC deves ser capaz de construir janelas com aro e construir portas com aro de acordo com as especificações técnicas do desenho, cumprindo as normas de segurança e saúde no trabalho.

1. Portas e janelas: visão geral, nomenclatura e contexto

Uma porta ou uma janela de madeira é um conjunto de peças ligadas entre si por samblagens, coladas, afinadas e ferradas, com uma função precisa: fechar um vão, deixar passar pessoas, luz ou ar quando se quer, isolar do exterior e resistir ao uso.

Todo o conjunto assenta em duas partes:

Nomenclatura das peças

Usar o nome certo de cada peça evita cortes errados. Não se confunde o que é do aro com o que é da folha.

Onde Peça Posição e função
Aro montantes (ou prumos) do aro peças verticais do aro; recebem as dobradiças, os recebedores dos fechos ou as calhas
Aro travessa superior do aro (cabeceira ou padieira do aro) peça horizontal de cima
Aro peitoril (janela) ou soleira (porta) peça horizontal de baixo; na janela exterior tem pingadeira e inclinação para escoar a água
Aro batente (rebaixo do aro) degrau do aro contra o qual a folha encosta ao fechar
Folha couceiras peças verticais da folha; a do lado das dobradiças é a couceira de suspensão, a outra é a couceira do fecho
Folha travessas (superior, inferior, intermédias) peças horizontais da folha; a inferior é normalmente a mais larga
Folha pinázios peças finas que dividem o vidro em partes mais pequenas
Folha almofadas (painéis) enchimentos de madeira ou derivado nas portas almofadadas
Folha bites ou baguetes réguas finas que prendem o vidro no rebaixo

Atenção à palavra "ombreira". Em construção, a ombreira é a face lateral do vão da parede (em alvenaria ou pedra). Algumas oficinas também chamam ombreiras aos montantes do aro. O que nunca se faz é chamar ombreira a uma couceira: a couceira é sempre da folha.

Contexto de trabalho

Estas operações fazem-se em obras de carpintaria, em indústrias de carpintaria e mobiliário com madeira e noutras indústrias da segunda transformação da madeira: sempre que se produzem janelas, portas interiores ou exteriores, à medida (reabilitação, obra nova) ou em série.

Esta UC integra a qualificação de Técnico/a de Marcenaria e Carpintaria, com 4,5 créditos e 50 horas. É avaliada por três critérios de desempenho: construir janelas com aro de acordo com o desenho, construir portas com aro de acordo com o desenho, e cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho.

Portas e janelas exteriores e interiores

2. Desenho técnico: leitura e interpretação

Nenhuma peça se corta sem antes se ler o desenho até ao pormenor. É a primeira realização da UC: analisar desenhos e outras especificações técnicas (caderno de encargos, notas da obra, fichas técnicas das ferragens e do vidro).

O que um desenho de porta ou janela mostra

Elemento do desenho O que define Onde o usas
Alçado (vista de frente) forma geral, medidas fora a fora do aro, divisão das folhas, pinázios, sentido de abertura escolha do tipo, lista de peças
Corte horizontal secção dos montantes do aro, das couceiras e do encontro entre folhas espessuras, rebaixos, perfis
Corte vertical secção da travessa superior do aro, das travessas da folha e do peitoril ou soleira pingadeira, escoamento, altura das travessas
Pormenores (escala 1:1 ou 1:2) perfil exato, rebaixo do vidro, posição das ferragens e dos vedantes afinação da tupia, alojamentos
Cotas medidas de cada componente marcação e lista de corte
Lista de materiais espécie de madeira, quantidades, colas, ferragens, vidro encomenda e seleção
Notas técnicas acabamento, tipo de vidro, folgas de funcionamento, tolerâncias verificação final

Escalas e cotas

Sentido de abertura

No alçado, o sentido de abertura de uma folha de batente representa-se por duas linhas que formam um triângulo, com o vértice virado para o lado das dobradiças. A folha de correr representa-se com uma seta no sentido do movimento. A convenção exata (traço contínuo ou interrompido consoante a folha abra para o observador ou para o lado oposto) varia entre gabinetes: confirma sempre na legenda do desenho e, na dúvida, pergunta de que lado se vê o alçado (interior ou exterior).

Exemplo resolvido 1 · interpretar um corte de aro

Um corte horizontal indica: montante do aro com 68 mm × 42 mm, batente formado por um rebaixo de 15 mm × 20 mm, e a primeira dobradiça a 200 mm do topo da folha.

  1. A secção do montante (68 × 42 mm) diz que peça tens de preparar: 68 mm de largura e 42 mm de espessura, já aparelhada. A madeira em bruto tem de ser maior (ver capítulo 3).
  2. O rebaixo (15 × 20 mm) é o batente contra o qual a folha fecha. Ler bem qual das duas medidas é a profundidade e qual é a largura (o desenho mostra-o); trocá-las muda a posição da folha no aro.
  3. A cota da dobradiça (200 mm) localiza o alojamento, medida sempre a partir da mesma referência (o topo da folha) e nunca em cadeia a partir de outra marca já feita.

Interpretar mal uma cota propaga o erro a várias peças: lê-se o desenho todo antes de ligar qualquer máquina.

Exemplo resolvido 2 · da cota à lista de corte

O alçado de uma janela de uma folha dá o aro com 800 mm × 1200 mm fora a fora. O corte mostra montantes e travessa superior do aro com 60 mm de face e peitoril com 80 mm de face.

Com estas medidas faz-se a lista de corte: uma tabela com cada peça, quantidade, comprimento, largura, espessura e espécie. A lista de corte é o documento que vai para a serra; o desenho fica na bancada para a marcação. O cálculo completo da folha desta janela está no capítulo 6.

3. A madeira: seleção, serragem, aparelhamento e desengrosso

A madeira mexe: anisotropia e retração

A madeira é anisotrópica: comporta-se de maneira diferente conforme a direção.

Consequência prática: uma peça cortada com os anéis quase perpendiculares às faces largas (corte radial) é mais estável e empena menos do que uma com os anéis paralelos às faces (corte tangencial). Numa janela, onde as peças são estreitas e compridas e têm de ficar direitas durante anos, esta escolha conta. É também por isso que a indústria usa muito a madeira lamelada colada para caixilharia: várias lamelas coladas com os anéis alternados compensam-se umas às outras e a peça empena menos.

Teor de água

A madeira troca humidade com o ar até atingir o equilíbrio. Se for trabalhada mais húmida do que vai ficar em serviço, retrai depois de montada: as juntas abrem, as almofadas soltam-se, as folhas empenam.

O teor de água calcula-se em base seca:

teor de água (%) = (massa húmida - massa anidra) ÷ massa anidra × 100

A massa anidra obtém-se secando a amostra em estufa até a massa deixar de variar. Na oficina usa-se no dia a dia o higrómetro (medidor de humidade de agulhas ou de contacto), ajustado à espécie.

Exemplo resolvido 3 · teor de água. Uma amostra de pinho pesa 520 g ao sair da pilha e 460 g depois de seca em estufa.

  1. Água contida: 520 - 460 = 60 g.
  2. Divide pela massa anidra (não pela húmida): 60 ÷ 460 = 0,130.
  3. Multiplica por 100: 13,0 %.

Para uma porta interior (8 a 12 %), esta madeira ainda está húmida de mais: deixa-se estabilizar na oficina antes de aparelhar. Erro típico: dividir pela massa húmida (60 ÷ 520 = 11,5 %), que dá um valor mais baixo e engana.

Espécies correntes

Espécie Tipo Uso típico em portas e janelas
Pinho bravo resinosa aros, portas interiores e janelas pintadas; tratado em autoclave para exterior
Casquinha (pinho silvestre) resinosa caixilharia tradicional portuguesa, pintada ou envernizada
Abeto, espruce resinosa portas interiores, lamelados para caixilharia
Carvalho folhosa portas e janelas de qualidade, à vista
Câmbala (iroko) folhosa portas de entrada e janelas exteriores, boa durabilidade
Sapeli, meranti folhosas caixilharia exterior envernizada ou velada

As resinosas são mais leves, baratas e fáceis de trabalhar; as folhosas indicadas acima são mais densas e duráveis. A escolha depende do uso (interior ou exterior), da exposição à água e do acabamento (pintado esconde a madeira; envernizado mostra-a).

Selecionar a peça

Serrar, aparelhar e desengrossar

A preparação segue sempre a mesma ordem, antes de qualquer marcação:

  1. Serrar (traçar e rachar): cortar a madeira em bruto nos comprimentos e larguras aproximados, com sobra. Uma regra prática de oficina é deixar alguns milímetros (tipicamente 3 a 5 mm) na espessura e na largura e umas dezenas de milímetros no comprimento, conforme o empeno da tábua.
  2. Desempenar na desempenadeira: acertar uma face de referência plana e depois um canto de referência a 90° com essa face (encostado à guia esquadriada). A desempenadeira endireita, mas não garante espessura nem paralelismo entre faces.
  3. Desengrossar na garlopa de desengrosso (desengrossadeira): com a face de referência para baixo, dar a espessura final, paralela à face de referência. Depois, com o canto de referência de lado ou na serra, dar a largura final, paralela ao canto de referência.
  4. Cortar ao comprimento na serra de esquadria ou na esquadrejadora, com topos a 90°, deixando as sobras que a samblagem pedir.

Ao conjunto destas operações chama-se aparelhar a madeira. A face e o canto de referência marcam-se logo com o sinal de marceneiro: todas as cotas seguintes medem-se a partir deles.

Exemplo resolvido 4 · sequência de uma couceira. Precisas de uma couceira acabada com 55 mm × 45 mm × 1080 mm.

  1. Serrar da tábua uma peça com cerca de 60 mm de largura, 50 mm de espessura e 1150 mm de comprimento.
  2. Desempenar uma face e o canto adjacente a 90°.
  3. Desengrossar para 45,0 mm; depois dar a largura de 55,0 mm.
  4. Deixar o comprimento maior do que 1080 mm: as sobras nos topos protegem a peça quando se abre a caixa junto da ponta, e cortam-se depois da colagem.
  5. Medir com paquímetro: se a espessura deu 44,5 mm em vez de 45,0 mm, a peça pode servir (depende da tolerância do desenho), mas todas as peças do conjunto têm de ter a mesma espessura, senão as faces não ficam à face.

4. Tipos de janelas e respetivos aros

O tipo de janela define-se pelo movimento da folha, e o movimento define o aro, a ferragem e a marcação. Vê primeiro o quadro geral e depois cada tipo.

Tipo Movimento da folha Eixo Uso típico
De batente roda como uma porta vertical, na couceira das dobradiças o tipo mais comum; uma ou duas folhas
De correr desliza na horizontal, em calhas do aro não roda vãos largos, onde a folha não pode ocupar espaço a abrir
De guilhotina desliza na vertical, em guias do aro não roda arquitetura tradicional, reabilitação
Basculante roda em torno de um eixo horizontal, geralmente inferior; o topo inclina para dentro horizontal, na travessa inferior ventilação, bandeiras, casas de banho
Pivotante roda em torno de um eixo central, horizontal ou vertical horizontal ou vertical, a meio da folha (ou perto) folhas grandes, limpeza das duas faces por dentro
Oscilobatente abre de batente ou bascula, comandada por um único puxador vertical (batente) e horizontal inferior (báscula) habitação atual; ventila com segurança

4.1 Janela de batente

É a janela "de abrir" clássica. A folha está presa ao aro por dobradiças numa das couceiras e fecha contra o batente do aro. Em Portugal abre normalmente para o interior.

4.2 Janela de correr com aro

As folhas deslizam lado a lado em planos diferentes, guiadas por calhas ou ranhuras no aro.

4.3 Janela de guilhotina

As folhas (geralmente duas, uma superior e uma inferior) deslizam na vertical, em planos paralelos, dentro de guias do aro. É a janela de muita arquitetura tradicional portuguesa e surge com frequência em reabilitação.

4.4 Janela basculante

A folha roda em torno de um eixo horizontal, geralmente o inferior: as dobradiças ficam na travessa inferior e a parte de cima inclina para dentro. A variante com eixo superior e abertura para fora chama-se habitualmente janela de projeção (ou projetante).

4.5 Janela pivotante

A folha roda em torno de um eixo central, horizontal ou vertical, definido por dois pivôs. Metade da folha vai para dentro e a outra metade para fora, o que permite limpar as duas faces a partir do interior.

4.6 Janela oscilobatente

Combina dois movimentos com um único puxador:

(A posição exata do puxador para cada movimento pode variar com o fabricante; confirma na ficha técnica.)

Não confundas basculante com oscilobatente. A basculante só bascula; a oscilobatente bascula e abre de batente, com a ferragem própria. Uma ferragem de basculante não serve numa oscilobatente.

Exemplo resolvido 5 · escolher o tipo certo

Uma casa de banho tem um vão estreito, alto em relação ao chão, e precisa de ventilação frequente sem ocupar espaço à frente do lavatório.

  1. Movimento: uma basculante (ou uma oscilobatente em posição de báscula) ventila com a folha pouco aberta e não invade o espaço interior como uma batente.
  2. Aro: batente nos quatro lados, peitoril com escoamento.
  3. Ferragem: dobradiças na travessa inferior, braços limitadores, fecho alto com comando.
  4. Vidro: translúcido (fosco ou impresso), por privacidade.

A escolha do tipo de janela nasce da função do espaço, não só da estética.

5. Tipos de portas e respetivos aros

As portas classificam-se de duas maneiras: pelo movimento e pela construção da folha. Uma porta pode ser, ao mesmo tempo, de batente e almofadada.

Pelo movimento

Tipo Como funciona Uso típico
De batente (de abrir), uma folha roda sobre dobradiças numa couceira o caso geral, interior e exterior
De batente, duas folhas uma folha ativa e uma passiva, presa por ferrolhos vãos largos, portas de entrada, salas
De correr desliza sobre calha ou carril, à face da parede ou embutida numa caixa dentro da parede onde não há espaço para a folha rodar
Pivotante roda num eixo vertical definido por pivôs no chão e no aro, sem dobradiças convencionais folhas grandes e pesadas, entradas
De vaivém abre para os dois lados e volta sozinha ao centro, com dobradiças ou pivôs de mola cozinhas profissionais, zonas de serviço

Pela construção da folha

Tipo Construção
Almofadada quadro de couceiras e travessas com almofadas (painéis) encaixadas em ranhuras; a almofada fica solta na ranhura, sem cola, para poder dilatar e retrair
Envidraçada quadro com rebaixo para vidro em vez de almofada, com ou sem pinázios
Lisa duas faces de contraplacado ou MDF coladas sobre um quadro com enchimento (alveolar tipo favo, aglomerado tubular ou maciço)
De réguas réguas macheadas, presas por travessas e, muitas vezes, uma diagonal (portas rústicas, arrecadações)

Na almofadada, colar a almofada à ranhura é um erro clássico: a almofada deixa de poder mexer com a humidade e racha, ou abre fendas junto às couceiras.

O aro da porta

Folgas: aro, folha e vão

Há três espaços que não se confundem:

  1. Folga de montagem entre o aro e o vão da parede: permite colocar o aro a prumo e nível e fixá-lo, mesmo que a parede não esteja perfeita.
  2. Folga de funcionamento entre a folha e o aro: permite abrir e fechar sem roçar, com espaço para a tinta ou o verniz e para a madeira mexer.
  3. Folga inferior entre a folha e o pavimento acabado (portas sem soleira): deixa passar o ar e evita que a folha roce no chão.

Os valores concretos destas folgas vêm do desenho da obra, que tem em conta o tipo de porta, o acabamento, o pavimento e as ferragens. Não se decidem a olho.

Exemplo resolvido 6 · medidas da folha de uma porta interior

Dados do desenho (valores do exemplo):

Largura da folha

  1. Luz entre montantes: 900 - 2 × 40 = 820 mm.
  2. A folha entra nos rebaixos dos dois lados, por isso a medida entre fundos dos rebaixos é 820 + 2 × 12 = 844 mm.
  3. Tira a folga dos dois lados: 844 - 2 × 2 = 840 mm.

Altura da folha

  1. Luz do aro até ao pavimento: 2100 - 40 = 2060 mm.
  2. Soma o rebaixo de cima (a folha entra nele): 2060 + 12 = 2072 mm.
  3. Tira a folga superior e a inferior: 2072 - 2 - 8 = 2062 mm.

Folha: 840 mm × 2062 mm. Confirma sempre com a medição do aro já feito: se o aro saiu com 1 mm a menos, a folha acompanha.

Exemplo resolvido 7 · peças de uma folha almofadada

A folha de 840 × 2062 mm leva couceiras de 110 mm, travessa superior de 110 mm, travessa intermédia (à altura da fechadura) de 180 mm e travessa inferior de 200 mm. As travessas entram nas couceiras com respigas passantes.

  1. Couceiras: 2 peças com 2062 mm, mais sobras nos topos para cortar depois da colagem.
  2. Travessas: com respiga passante, a travessa ocupa a largura toda da folha: 840 mm (o ombro a ombro é 840 - 2 × 110 = 620 mm e cada respiga tem o comprimento da largura da couceira, 110 mm; 620 + 110 + 110 = 840 mm). Deixa-se 1 a 2 mm de sobra em cada respiga para afagar à face depois de encunhada.
  3. Travessa inferior (200 mm): uma respiga única tão larga obrigava a abrir na couceira uma caixa enorme, que a enfraquecia e deixava a respiga retrair muito. Faz-se respiga dupla (duas respigas lado a lado na largura da travessa, com um intervalo entre elas).
  4. Almofadas: medida da luz entre couceiras e travessas mais a profundidade das ranhuras, menos uma folga para a almofada mexer. Se a luz na largura for 620 mm e as ranhuras tiverem 12 mm de profundidade, a almofada terá no máximo 620 + 24 = 644 mm; tira-se uma folga (por exemplo 2 mm de cada lado) e fica 640 mm.

6. Medidas de corte: do aro à folha, às travessas e ao vidro

Esta é a conta que mais erros dá na oficina, por isso faz-se por escrito, peça a peça, e confirma-se no fim.

Exemplo resolvido 8 · janela de batente de uma folha

Retomamos o aro do exemplo 2: 800 mm × 1200 mm fora a fora, montantes e travessa superior com 60 mm de face, peitoril com 80 mm de face. Os outros dados do desenho (valores do exemplo):

Passo 1 · medidas da folha

Largura Altura
Medida fora a fora do aro 800 1200
menos as peças do aro - 60 - 60 - 60 - 80
= luz do aro 680 1060
mais os dois rebaixos de batente + 12 + 12 + 12 + 12
= medida entre fundos dos rebaixos 704 1084
menos a folga dos dois lados - 2 - 2 - 2 - 2
= medida da folha 700 1080

Passo 2 · couceiras. Têm a altura da folha: 1080 mm, mais sobras nos topos (por exemplo 20 mm em cada ponta, comprimento de corte 1120 mm), cortadas depois da colagem.

Passo 3 · travessas. Com respiga passante:

  1. Ombro a ombro (do lado sem rebaixo): 700 - 55 - 55 = 590 mm.
  2. Cada respiga atravessa a couceira: 55 mm, mais 2 mm de sobra = 57 mm.
  3. Comprimento de corte: 590 + 57 + 57 = 704 mm.

Verificação: sem as sobras, 590 + 55 + 55 = 700 mm, a largura da folha. Com respiga passante, a travessa tem sempre o comprimento da largura da folha mais as sobras.

Passo 4 · ombros desencontrados. A folha tem rebaixo de vidro com 12 mm de profundidade. Do lado do rebaixo, a couceira tem menos 12 mm de madeira à vista (55 - 12 = 43 mm), por isso a travessa tem de avançar mais 12 mm de cada lado para tapar o rebaixo da couceira:

Os dois ombros da mesma travessa ficam desencontrados 12 mm em cada ponta. Se os marcares iguais, a junta fica com um buraco do lado do vidro.

Passo 5 · espessura da respiga. Regra prática do terço: cerca de 1/3 da espessura da peça, 45 ÷ 3 = 15 mm. Na prática escolhe-se a medida da ferramenta de abrir caixas mais próxima e ajusta-se a respiga a essa caixa. A respiga fica centrada na espessura, ou alinhada com o perfil quando o desenho assim o indica.

Passo 6 · vidro.

  1. Luz do vidro (visível): largura 700 - 55 - 55 = 590 mm; altura 1080 - 55 - 75 = 950 mm.
  2. Mais os rebaixos: largura 590 + 24 = 614 mm; altura 950 + 24 = 974 mm.
  3. Menos a folga de 3 mm a toda a volta: largura 614 - 6 = 608 mm; altura 974 - 6 = 968 mm.

O vidro encomenda-se com 608 × 968 mm, mas só depois de medir o rebaixo na folha já colada (capítulo 14).

Passo 7 · diagonal de verificação. Para verificar a esquadria da folha na colagem: √(700² + 1080²) = √(490 000 + 1 166 400) = √1 656 400 ≈ 1287 mm. As duas diagonais da folha têm de medir o mesmo, cerca de 1287 mm.

Passo 8 · peso do vidro. O vidro pesa cerca de 2,5 kg por m² e por milímetro de espessura (massa volúmica de cerca de 2500 kg/m³). Área: 0,608 × 0,968 = 0,589 m².

O peso do vidro conta para escolher as dobradiças e para o calçamento: o vidro duplo quase duplica a carga que a folha pendura nas dobradiças.

Lista de corte resumida da folha

Peça Qt. Comprimento de corte Largura Espessura
Couceira 2 1120 (acaba em 1080) 55 45
Travessa superior 1 704 55 45
Travessa inferior 1 704 75 45
Bites (baguetes) conforme o perímetro cortados à medida no fim conforme perfil conforme perfil

7. Marcação e traçagem dos componentes

Marcar é passar as cotas do desenho para a madeira; traçar é riscar as linhas que as máquinas e as ferramentas vão seguir. Um erro aqui só aparece na furação ou na montagem, quando já não tem emenda sem perder a peça.

Ferramentas de marcação

Ferramenta Para quê
Fita métrica e régua graduada medidas; a régua metálica é mais rigorosa do que a fita
Esquadro de carpinteiro linhas a 90° a partir da face ou do canto de referência
Suta (esquadro de ângulo variável) linhas a qualquer ângulo, por exemplo a 45°
Graminho linhas paralelas a um canto (largura de rebaixos, posição das caixas)
Graminho de caixas (duas pontas) as duas linhas da caixa e da respiga de uma só vez, com a mesma afinação
Lápis de carpinteiro e navalha de marcar o lápis para marcas gerais; a navalha para linhas de corte finas e exatas
Paquímetro espessuras e profundidades

Regras de ouro

  1. Tudo a partir da face e do canto de referência. Se cada peça for marcada a partir de um lado diferente, as diferenças de espessura acumulam-se e as faces não ficam à face.
  2. Marcar as peças iguais em conjunto. As duas couceiras marcam-se lado a lado, apertadas, com as linhas passadas de uma para a outra com o esquadro: saem iguais.
  3. Numerar e orientar. Cada peça leva o número do conjunto e o sinal de marceneiro (um triângulo riscado sobre as peças juntas), que diz onde fica cada uma e para que lado.
  4. Marcar o que se tira. Riscar com uma cruz as zonas de desperdício (o material a remover), para não cortar do lado errado da linha.
  5. Uma cota, uma referência. Medir sempre a partir do mesmo ponto (por exemplo, o topo da folha) e não em cadeia a partir de uma marca anterior.

Couceiras, travessas e pinázios de janelas

  1. Marcar nas couceiras a altura da folha e, a partir dela, a posição das travessas (a largura de cada travessa define a caixa).
  2. Traçar com o graminho de caixas a largura da caixa nas couceiras e a espessura da respiga nas travessas, com a mesma afinação.
  3. Nas travessas, marcar os ombros (os do lado do rebaixo desencontrados, capítulo 6).
  4. Marcar a posição dos pinázios: a partir da luz do vidro, dividida em partes iguais (ou como o desenho indicar). Os pinázios entram nas couceiras e nas travessas com respiga curta; onde um pinázio horizontal cruza um vertical, faz-se meia-madeira (cada um perde metade da espessura na zona do cruzamento) ou, nas soluções com perfil, respiga com contraperfil.
  5. Marcar os alojamentos das ferragens (dobradiças, fechos) já nesta fase, em conjunto com o aro.

Exemplo resolvido 9 · marcar dois pinázios verticais. A luz do vidro de uma folha tem 590 mm de largura e leva 2 pinázios verticais de 25 mm, a dividir o vidro em 3 partes iguais.

  1. Largura ocupada pelos pinázios: 2 × 25 = 50 mm.
  2. Vidro que sobra: 590 - 50 = 540 mm; cada parte: 540 ÷ 3 = 180 mm.
  3. Posição (a partir da face interior da couceira esquerda): 1.º pinázio de 180 a 205 mm; 2.º pinázio de 385 a 410 mm (180 + 25 + 180 = 385).
  4. Confirmação: 410 + 180 = 590 mm. Bate.

Componentes de janela de correr com aro

Janelas de guilhotina e basculantes com aro

Janelas pivotantes com aro e oscilobatentes

Marcação das portas

8. Samblagens e componentes de janelas e portas

Samblagem é o nome genérico das ligações entre peças de madeira. Em portas e janelas, a ligação de referência é a fura e respiga: a respiga (ou espiga), um saliente talhado no topo de uma peça, entra na caixa (ou furo), um rasgo aberto na outra. Nas folhas, a respiga está normalmente nas travessas e a caixa nas couceiras.

Os nomes variam de oficina para oficina e até os dicionários divergem (o termo "mecha", por exemplo, aparece umas vezes para o saliente e outras para o rasgo). Para não haver dúvidas, nesta sebenta diz-se sempre respiga para o saliente e caixa para o rasgo.

Partes da respiga

Tipos de samblagem usados

Samblagem Como é Onde se usa
Fura e respiga passante a respiga atravessa a couceira e vê-se na face exterior; encunha-se com palmetas cantos de folhas e aros de janelas e portas; a mais resistente
Fura e respiga cega (não passante) a caixa não atravessa a peça; a respiga não se vê onde a face de fora fica à vista e não se quer ver a ponta da respiga; fixa-se com cola, por vezes com cavilha
Respiga dupla duas respigas lado a lado na largura da travessa travessas inferiores e intermédias largas de portas
Respiga com ombros desencontrados ombros a distâncias diferentes em cada face peças com rebaixo (vidro, batente)
Respiga com contraperfil o ombro reproduz, em negativo, o perfil moldado da couceira caixilharia com perfil decorativo ou pingadeira; fecha sem folga sobre o perfil
Meia-madeira cada peça perde metade da espessura na zona da ligação cruzamento de pinázios; cantos de aros simples
Cavilhas (buchas de madeira) pinos cilíndricos colados em furos das duas peças ligações industriais, reforço de juntas
Malhete (cauda de andorinha ou dentes retos) dentes de uma peça entram nos entalhes da outra pouco usado em caixilharia; aparece em algumas gavetas e caixas, não nas folhas
Meia-esquadria corte a 45° em cada peça para formar um canto a 90° guarnições (alizares), baguetes, molduras aplicadas

Samblagens do aro

Nos aros, a ligação dos cantos é tipicamente de fura e respiga (passante ou cega) ou meia-madeira, conforme o desenho. Em muitos aros tradicionais a travessa superior prolonga-se para lá dos montantes, e essas pontas ajudam a prender o aro à parede. O peitoril, com a sua inclinação, liga-se aos montantes de forma a que a água não entre na junta: esta junta é das mais expostas e das que mais apodrecem se for mal feita.

Função de cada componente

9. Máquinas-ferramentas e ferramentas manuais

A UC pede para operar máquinas e ferramentas. Cada máquina tem uma função, uma afinação e riscos próprios.

Máquina Operação nesta UC Cuidados principais
Serra circular de bancada / esquadrejadora serrar ao comprimento e à largura, cortes a 45° cutelo divisor atrás da serra, alinhado com ela; resguardo superior; empurrador para peças estreitas
Serra de fita cortes curvos, desbaste de peças grossas resguardo ajustado à altura da peça
Desempenadeira face e canto de referência resguardo de ponte ajustado; empurradores; nunca passar peças muito curtas
Garlopa de desengrosso espessura e largura final paralelas nunca meter a mão na boca de entrada; respeitar o comprimento mínimo da peça
Furadora de corrente caixas (retangulares) peça bem apertada; corrente afiada e tensa
Furadora de formão oco caixas de fundo quadrado, uma a uma peça apertada; afinação da broca dentro do formão
Furadora horizontal (de broca oscilante) caixas de pontas arredondadas, furos para cavilhas peça apertada no carro
Respigadeira respigas, ombros e contraperfis em série carro com a peça apertada; ferramentas equilibradas
Tupia rebaixos, perfis, ranhuras, contraperfis; respigas com carro de respigar ferramenta certa para a rotação; resguardos e pentes de pressão; nunca trabalhar sem guia ou apoio
Lixadoras (de banda, orbital, excêntrica) lixagem aspiração ligada; peça segura
Berbequim, aparafusadora, fresadora manual furos das ferragens, alojamentos de dobradiças e fechaduras (com gabarito) brocas certas; peça apertada

Ferramentas manuais: serrote, formões, maço, plainas (de mão, de rebaixo), graminhos, esquadros, grampos e sargentos, torno de bancada.

Operar com segurança

10. Furação, respigagem e moldagem

Estas três operações produzem, na prática, as samblagens, os rebaixos e os perfis definidos no desenho.

Furação

Abre as caixas das respigas, os furos das cavilhas e os alojamentos das ferragens.

Respigagem

Corta as respigas nos topos das travessas e dos pinázios.

A espessura da respiga ajusta-se à caixa já aberta: deve entrar com a mão, justa, sem ser preciso bater com força (que racha a couceira) nem cair sozinha (que deixa a junta fraca e cheia de cola).

Moldagem

Dá forma aos rebaixos (de batente e de vidro), às ranhuras (almofadas, vedantes, ferragem), às pingadeiras e aos perfis decorativos. Faz-se na tupia (ou na moldureira, em série), com a fresa própria para cada perfil. Nas janelas em série usam-se jogos de ferramentas que moldam o perfil e o contraperfil correspondente, para as juntas fecharem perfeitas.

A ordem das operações

Não há uma única ordem certa; depende das máquinas da oficina e do tipo de junta. Há, porém, regras que valem sempre:

  1. As peças estão aparelhadas e cortadas ao comprimento (com sobras) antes de tudo.
  2. As caixas abrem-se e as respigas cortam-se antes de se moldar o perfil na aresta, ou então com uma ferramenta de contraperfil que reproduz o perfil no ombro. O que não pode acontecer é cortar a respiga com ombros direitos numa peça que vai levar perfil: a junta fica com um vazio.
  3. Nas peças com rebaixo, os ombros marcam-se desencontrados à profundidade do rebaixo (capítulo 6).
  4. Quando se molda depois de respigar, protege-se a saída nos topos (tábua de apoio atrás da peça), para a ferramenta não arrancar lascas.

Exemplo resolvido 10 · sequência numa travessa de janela. Travessa com respiga passante nas duas pontas e rebaixo de vidro de 12 mm numa das arestas, sem perfil decorativo. Uma sequência possível:

  1. Cortar ao comprimento (704 mm, capítulo 6) com os topos a 90°.
  2. Marcar os ombros: 590 mm de um lado, 614 mm do lado do rebaixo.
  3. Respigar as duas pontas com a espessura ajustada à caixa das couceiras.
  4. Moldar o rebaixo ao longo da travessa, com tábua de apoio à saída.
  5. Armar a seco e verificar que o rebaixo da travessa fica alinhado com o das couceiras.

Se o desenho tiver perfil decorativo, a respiga faz-se com contraperfil ou o perfil corta-se à mão no ombro (em meia-esquadria de 45° no encontro dos perfis), conforme o método da oficina.

11. Armação dos elementos construtivos

Armar é montar a seco (sem cola) todas as peças de um aro ou de uma folha, para confirmar que tudo encaixa antes da colagem.

  1. Encaixar as respigas nas caixas, pela ordem do conjunto: numa folha, uma couceira deitada, todas as travessas e pinázios encaixados nela, depois a outra couceira por cima.
  2. Confirmar que todas as juntas fecham sem forçar e que os ombros encostam a toda a largura, sem luz.
  3. Apertar ligeiramente com sargentos (com calços de proteção) e verificar a esquadria pelas diagonais e a planeza (sem empeno).
  4. Verificar se as faces ficam à face e se os rebaixos estão alinhados.
  5. Numa folha com almofadas, confirmar que as almofadas entram nas ranhuras com folga.
  6. Desmontar, corrigir o que houver a corrigir, e só depois colar.

Armar a seco é o momento de apanhar um erro de corte sem desperdiçar cola nem tempo de secagem. Nunca se cola um conjunto que não foi antes armado e verificado a seco.

12. Colagem com palmetas: ajustamento e desempeno

A colagem fixa as samblagens de forma permanente. Nas folhas e aros com respigas passantes, a técnica tradicional é colar e encunhar com palmetas.

O que são palmetas

As palmetas são pequenas cunhas de madeira, finas e compridas, que se metem com cola ao lado da respiga passante, na face de saída da caixa. Ao serem batidas, apertam a respiga contra as paredes da caixa e travam a junta como uma cunha: mesmo que a cola envelheça, a respiga não sai.

Palmeta não é o calço de proteção do sargento. Os pedaços de madeira que se põem entre o sargento e a peça para não a marcar chamam-se calços (ou tacos). São úteis e obrigatórios, mas não são as palmetas.

A cola

Técnica passo a passo

  1. Preparar: bancada plana e limpa, sargentos já abertos à medida, calços de proteção, palmetas feitas (duas por respiga), maço, esquadro, fita métrica, pano húmido.
  2. Aplicar a cola nas faces da respiga e nas paredes da caixa, em camada fina e contínua. Os ombros levam pouca ou nenhuma (a cola a mais escorre e mancha).
  3. Montar o conjunto pela ordem ensaiada na armação a seco.
  4. Apertar com sargentos (com calços), um por junta, alinhados com as travessas, progressivamente e alternando os lados, até os ombros fecharem.
  5. Verificar a esquadria pelas diagonais (capítulo 13).
  6. Encunhar: pôr cola nas palmetas e batê-las com o maço, as duas de cada respiga de forma equilibrada, até ficarem firmes. É aqui que se faz o ajustamento.
  7. Verificar o desempeno (a planeza do conjunto) e corrigir.
  8. Limpar a cola que escorreu, com o pano húmido ou, depois de ficar elástica, com o formão.
  9. Deixar secar no plano, sem mexer, o tempo indicado.
  10. Depois de seca, cortar as sobras dos topos, as pontas das respigas e das palmetas, e afagar à face.

Ajustamento

Com as palmetas consegue-se acertar a esquadria do conjunto. Bater mais a palmeta de um lado da respiga empurra a respiga para o lado oposto dentro da caixa alargada e roda ligeiramente a travessa em relação à couceira. Assim, com as diagonais a serem medidas, ajusta-se até ficarem iguais. Depois, a outra palmeta trava a posição.

O ajustamento inclui também as pequenas correções feitas antes da colagem (com formão, plaina ou lixa) nas respigas e nos ombros que na armação a seco não fecharam bem.

Desempeno

Desempeno é garantir que o conjunto colado fica plano, sem torção (empeno). Uma folha empenada não encosta ao batente nos quatro cantos: fica a abanar ou deixa entrar ar e água.

Exemplo resolvido 11 · colar a folha de 700 × 1080 mm

  1. Diagonal teórica: 1287 mm (capítulo 6).
  2. Depois do aperto, as diagonais medem 1290 mm e 1284 mm. Diferença: 6 mm. A folha está "em losango": a diagonal de 1290 mm é a mais comprida.
  3. Correção: aliviar os sargentos, inclinar um deles ligeiramente no sentido da diagonal comprida e voltar a apertar, ou bater as palmetas do lado que faz rodar as travessas no sentido de encurtar essa diagonal.
  4. Medir de novo: 1287 e 1287 mm. Diferença nula, dentro da tolerância.
  5. Verificar o desempeno com as réguas de empeno; se um canto levantar, carregá-lo até assentar.
  6. Deixar secar sem mexer no conjunto.

Nota: nesta folha, uma diferença de 6 mm entre diagonais corresponde a um dos lados desviado cerca de 5 a 6 mm em relação à posição em esquadria (o desvio calcula-se com o teorema de Pitágoras, tal como a diagonal). Uma folha assim roça ou não encosta ao batente; por isso a diferença admitida vem na tolerância do desenho e é pequena.

13. Verificação de esquadrias e empenos, afagamento e lixagem

Verificar esquadrias

Verificar empenos

Tipo de empeno Como se vê Como se verifica
Torção os quatro cantos não estão no mesmo plano réguas de empeno; pousar o conjunto numa bancada plana e ver se abana
Arqueamento (curvatura ao longo da face) a peça faz "barriga" no comprimento régua comprida sobre a face; luz por baixo
Encurvamento de canto o canto da peça não é direito régua ou fio esticado ao longo do canto
Abaulamento (em largura) a face larga fica côncava ou convexa régua atravessada

Ações de correção

Desvio observado Quando Ação
Diagonais diferentes com a cola fresca reajustar sargentos e palmetas até as diagonais ficarem iguais
Conjunto torcido com a cola fresca corrigir o plano (sargentos no plano, calços, peso)
Peça torcida antes de colar antes da montagem substituir a peça ou, se o empeno for ligeiro, voltar a aparelhar; não se cola uma peça torcida à espera que o conjunto a endireite
Junta com folga na armação a seco ajustar ou refazer a peça; a cola não enche folgas
Defeito descoberto depois de seca a cola tarde normalmente não há correção sem desmontar ou refazer; é por isso que se verifica antes

Afagar

Depois de seca a cola, afagar é deixar as juntas e as faces lisas, planas e à face: tirar as pontas das respigas e das palmetas, os pequenos desníveis entre couceiras e travessas e as marcas das máquinas. Faz-se com plaina de mão (bem afiada, aplainando no sentido do fio sempre que possível) ou, na indústria, com afagadora ou lixadora de banda larga.

Num canto de fura e respiga, o fio da couceira e o da travessa cruzam-se a 90°. Aplaina-se de fora para dentro, para não arrancar o fio da peça atravessada.

Lixar

Lixar prepara a superfície para o acabamento:

  1. Começar com um grão médio (por exemplo 100 ou 120) só se for preciso tirar marcas; se a superfície estiver bem afagada, começa-se já num grão mais fino.
  2. Passar por grãos progressivamente mais finos (por exemplo 120, depois 150 ou 180), sem saltar grãos: cada grão tira os riscos do anterior.
  3. Lixar no sentido do fio. Nos cantos das juntas, lixar primeiro a travessa e depois a couceira, com uma régua a proteger a outra peça, para não deixar riscos atravessados.
  4. Partir ligeiramente as arestas vivas (um pequeno arredondamento): a tinta e o verniz agarram mal a uma aresta viva e é aí que começam a estalar, sobretudo no exterior.
  5. Tirar o pó (aspiração e pano) antes do acabamento.

Os grãos concretos dependem da espécie e do acabamento previsto (tinta, verniz, velatura); a ficha técnica do produto de acabamento indica o grão final recomendado.

14. Ferragens para janelas e portas

As ferragens dão movimento, fecho e segurança ao conjunto. Escolhem-se pelo tipo de folha, pelo peso e pelas dimensões da folha, e aplicam-se seguindo a ficha técnica do fabricante.

Tipos de ferragem para janelas

Ferragem Função Onde se usa
Dobradiças (de pernos, de embutir, de canto) articulam a folha no aro batente, basculante, oscilobatente
Cremona (ou espanholeta) fecha a folha em cima e em baixo com varões comandados pelo puxador batente de uma ou duas folhas
Ferrolhos prendem a folha passiva de uma janela de duas folhas batente de duas folhas
Ferragem oscilobatente caixa de manobra, varões, pontos de fecho, compasso, dobradiça de canto, bloqueio de falsa manobra oscilobatente
Braços limitadores (compassos) seguram e limitam a abertura basculante, projetante, oscilobatente
Pivôs (com travão) eixo de rotação pivotante
Roldanas, patins, calhas deslizamento correr
Cordas, roldanas e contrapesos ou balanceadores equilibram a folha guilhotina
Fecho de correr (de gancho) fecha as folhas de correr correr
Fecho de guilhotina prende as travessas de encontro guilhotina
Puxadores e conchas manobra todas
Vedantes (borracha, escova) estanquidade em ranhura na folha ou no aro

Tipos de ferragem para portas

Ferragem Função Notas
Dobradiças (de pernos, de livro, de embutir, ocultas, de mola) suportam e articulam a folha o número e o tamanho dependem do peso e da altura da folha
Fechadura de embutir trinco (lingueta que fecha com a mola) e lingueta de trancar embutida na couceira do fecho; a testa fica à face do canto
Chapa-testa (contratesta) recebe o trinco e a lingueta no aro alojada no montante do aro
Cilindro (canhão) trancar com chave nas fechaduras que o preveem; segurança nas portas exteriores
Puxadores / maçanetas e espelhos (ou rosetas) manobra altura cómoda, alinhada com a fechadura
Ferrolhos prendem a folha passiva portas de duas folhas
Fecha-portas (mola aérea ou de pavimento) fecho automático e controlado portas de serviço, zonas comuns
Batente de chão ou de parede trava a abertura e protege a parede quase todas
Calhas, roldanas e guias deslizamento portas de correr
Pivôs eixo de rotação portas pivotantes
Vedantes e soleira estanquidade ao ar e à água portas exteriores

Dobradiças: quantas? Uma folha leve de interior leva normalmente três dobradiças; duas podem bastar em folhas muito leves e baixas, e folhas pesadas ou altas levam mais ou dobradiças reforçadas. A ficha técnica da dobradiça indica a carga que aguenta. A dobradiça de cima é a mais solicitada (a folha tende a descair e a puxá-la para fora), por isso a terceira dobradiça coloca-se muitas vezes mais perto da de cima do que da de baixo. As posições exatas vêm do desenho.

Técnicas de aplicação de ferragens

  1. Ler a ficha técnica da ferragem: medidas do alojamento, posição, parafusos, sentido (esquerda ou direita).
  2. Marcar a posição exata a partir do desenho (ou com o gabarito do fabricante), marcando a folha e o aro em conjunto, com a folha calçada no aro com as folgas finais. Assim as dobradiças e os fechos coincidem.
  3. Abrir o alojamento:
  4. dobradiças de embutir: traçar o contorno com a navalha, cortar os limites com o formão e rebaixar à profundidade da asa (ou fresar com fresadora manual e gabarito); a asa fica à face da madeira;
  5. fechadura de embutir: furar a caixa na couceira com broca (ou furadora de fechaduras), esquadrar com formão, rebaixar a testa; furar o quadrado da maçaneta e o cilindro à medida da distância ao eixo indicada na ficha;
  6. ferragem oscilobatente: ranhuras e furos à medida do sistema, com gabarito.
  7. Pré-furar os parafusos com broca mais fina do que o parafuso, sobretudo em folhosas e perto das pontas, para a madeira não rachar.
  8. Fixar com os parafusos próprios (comprimento e diâmetro da ficha), sem forçar nem moer a cabeça.
  9. Montar a folha no aro e afinar: folgas iguais em todo o perímetro, a folha não abre nem fecha sozinha (sinal de aro fora de prumo), o trinco entra sem ser preciso empurrar.
  10. Testar o funcionamento completo: abrir, fechar, trancar, bascular, deslizar, conforme o tipo, várias vezes.

Uma dobradiça mal alinhada torce a folha e força a fechadura. A precisão da marcação vale tanto na ferragem como em qualquer samblagem.

Exemplo resolvido 12 · dobradiças de uma porta interior

Folha de 840 × 2062 mm, 40 mm de espessura, com três dobradiças de embutir de 100 mm; o desenho manda pôr a primeira a 180 mm do topo, a última a 250 mm da base e a do meio a 400 mm abaixo da primeira.

  1. 1.ª dobradiça: topo a 180 mm do topo da folha (até 280 mm).
  2. 2.ª dobradiça: 180 + 400 = 580 mm do topo (até 680 mm): mais perto da de cima, que é a mais carregada.
  3. 3.ª dobradiça: fundo a 250 mm da base, portanto de 2062 - 250 - 100 = 1712 mm a 1812 mm do topo.
  4. Marca-se na folha e no aro ao mesmo tempo, com a folha calçada no aro (2 mm em cima). No aro, as cotas medem-se a partir do rebaixo de cima mais os 2 mm de folga: a 1.ª dobradiça começa a 182 mm do fundo do rebaixo superior.
  5. Profundidade do alojamento: a espessura da asa da dobradiça (vem na ficha); a asa fica à face da madeira.

15. Aplicação de vidros

O vidro fecha a luz da folha e fica alojado no rebaixo preparado na moldagem, preso pelos bites (baguetes).

Tipos de vidro

Vidro Características Onde se usa
Simples (recozido) uma só lâmina; parte em pedaços grandes e cortantes interiores sem risco de impacto; reabilitação
Impresso ou fosco translúcido, dá privacidade casas de banho, portas interiores
Duplo (unidade de vidro isolante) dois vidros separados por uma câmara de ar ou gás, com perfil separador e selagem periférica janelas e portas exteriores; isola do frio, do calor e do ruído
Temperado tratado termicamente; mais resistente e, se partir, desfaz-se em pequenos fragmentos pouco cortantes zonas de risco de impacto, portas totalmente envidraçadas
Laminado dois ou mais vidros colados com película plástica intercalar; se partir, os fragmentos ficam presos à película zonas de risco de impacto e queda, segurança contra intrusão

Nas zonas de risco (portas envidraçadas, vidros junto ao chão, vidros onde alguém pode cair ou bater) usa-se vidro de segurança, temperado ou laminado, conforme o projeto e a regulamentação aplicável. Quem escolhe o vidro é o projeto; o carpinteiro garante que o rebaixo e a fixação servem esse vidro.

Um vidro duplo designa-se pelas espessuras: 4 + 16 + 4 quer dizer vidro de 4 mm, câmara de 16 mm, vidro de 4 mm, com 24 mm de espessura total. O rebaixo da folha tem de ter altura e largura para esta espessura mais os vedantes e o bite; uma folha desenhada para vidro simples, em regra, não recebe vidro duplo sem se mudar o perfil.

Envidraçar passo a passo

  1. Proteger o rebaixo. A madeira do rebaixo nunca fica nua debaixo do vidro: leva pelo menos o primário ou a primeira demão do sistema de acabamento antes de envidraçar, porque é aí que a água se acumula se a vedação falhar. A lixagem faz-se toda antes de pôr o vidro.
  2. Medir o rebaixo na folha já colada, nas duas direções e em dois ou três sítios, e só depois confirmar a encomenda do vidro (o desenho diz o que devia ser; a folha diz o que é). Descontar a folga periférica indicada.
  3. Pôr os calços. O vidro assenta sobre calços de apoio (de material plástico ou madeira dura tratada) no fundo do rebaixo e é centrado com calços periféricos, de forma a nunca tocar diretamente na madeira. A folga à volta deixa a madeira mexer sem partir o vidro e deixa o vedante trabalhar. Numa folha de batente, os calços colocam-se de forma a transmitir o peso do vidro para o canto do lado das dobradiças, o que ajuda a folha a não descair; a posição exata vem das regras do fornecedor do vidro.
  4. Vedar. Com massa de vidraceiro (tradicional, em vidro simples), silicone ou mástique compatível com o vidro duplo, ou vedantes de borracha em perfil. Os vedantes e as massas têm de ser compatíveis com a selagem do vidro duplo e com o acabamento.
  5. Aplicar os bites (baguetes): réguas cortadas à medida, com os cantos em meia-esquadria (45°), pregadas com pregos finos sem cabeça ou aparafusadas. Pregam-se com o prego inclinado para a madeira da folha, nunca para o vidro, e com uma chapa ou espátula a proteger o vidro do martelo.
  6. Verificar: sem folgas visíveis na vedação, o vidro não bate, o bite está à face, não há pontos por onde entre a água; a água que entre no rebaixo tem por onde sair (nos sistemas com drenagem).
  7. Acabamento: conforme o sistema, a última demão aplica-se antes ou depois de envidraçar. Se for depois, protege-se o vidro com fita.

Nas janelas exteriores, o bite fica normalmente do lado interior (não pode ser arrancado por fora e fica protegido da chuva), mas alguns sistemas de caixilharia têm o bite exterior com vedação própria. Segue o desenho.

Exemplo resolvido 13 · verificar o vidro encomendado

O vidro da folha do capítulo 6 foi calculado com 608 × 968 mm. Medido o rebaixo da folha colada, encontras 613 mm na largura (em três pontos: 613, 614, 613) e 973 mm na altura.

  1. Largura mínima medida: 613 mm. Com 3 mm de folga de cada lado: 613 - 6 = 607 mm.
  2. Altura: 973 - 6 = 967 mm.
  3. O vidro de 608 × 968 mm ficaria com 2,5 mm e 2,5 mm de folga em vez de 3 mm; cabe, mas fica no limite. Se a tolerância do fornecedor for positiva (vidro com mais 1 mm), deixa de caber folga suficiente. Decisão: encomendar 607 × 967 mm, pela medida real.

16. Segurança, saúde e ambiente

Cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho é um critério de desempenho desta UC: avalia-se em todas as operações, não só no fim.

Equipamentos de proteção individual (EPI)

EPI Quando
Óculos ou viseira sempre nas máquinas, no formão e no martelo, na limpeza com ar comprimido
Proteção auditiva (tampões ou abafadores) nas máquinas de corte (serra, desempenadeira, garlopa, tupia, respigadeira, lixadoras)
Máscara de proteção respiratória FFP2 ou FFP3 na lixagem e sempre que a captação de pó não chega; FFP3 para exposições maiores
Calçado de segurança sempre na oficina e na obra (quedas de peças, pregos)
Luvas só no manuseamento de madeira em bruto, vidro e produtos químicos, nunca junto de ferramentas em rotação
Vestuário ajustado sempre; sem adornos, mangas presas, cabelo apanhado

As luvas soltas, os adornos e a roupa larga são proibidos nas máquinas com ferramentas em rotação porque podem ser agarrados e puxar a mão para a ferramenta.

Riscos e prevenção

Risco Origem Prevenção
Corte e amputação serra, desempenadeira, tupia, respigadeira, furadoras resguardos no sítio, empurradores, afinações com a máquina parada, nada de luvas
Retrocesso (peça projetada para trás) serra circular, tupia cutelo divisor, altura correta da serra, sentido de avanço certo, não ficar na linha da peça
Projeção de lascas e aparas ferramentas mal afiadas ou mal apertadas, nós soltos verificar a ferramenta e a peça antes; óculos
Pó de madeira serrar, aparelhar, lixar captação na origem, limpeza por aspiração (não com vassoura nem ar comprimido), máscara
Ruído todas as máquinas de corte proteção auditiva, manutenção
Esforço e postura movimentar aros, folhas e vidros ajuda de um colega ou meios mecânicos, costas direitas, carga junto ao corpo
Cortes com vidro manuseamento de vidro luvas próprias, ventosas, transporte na vertical
Produtos químicos colas, vernizes, tintas, diluentes ficha de dados de segurança, ventilação, luvas adequadas, sem chamas

Pó de madeira: um agente cancerígeno

O pó de madeira de folhosas (madeiras duras como o carvalho) é um agente cancerígeno reconhecido (está associado ao cancro das fossas nasais). A Diretiva (UE) 2017/2398, transposta em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 35/2020, fixou para ele um valor-limite de exposição profissional de 2 mg/m³, aplicável desde 18 de janeiro de 2023 (até 17 de janeiro de 2023 vigorou um valor transitório de 3 mg/m³).

Na prática: captação de pó na origem em todas as máquinas (a aspiração ligada antes de começar), limpeza por aspiração, e máscara FFP2 ou FFP3 quando a captação não chega.

Máquinas: o que diz a lei

Ambiente

17. Normas da qualidade

Qualidade não é o que se vê no fim: é verificar cada fase antes de passar à seguinte (autocontrolo) e registar o que se verificou.

Pontos de controlo

Fase O que se verifica Com quê
Desenho cotas completas, tipo de abertura, ferragem e vidro definidos desenho, caderno de encargos
Madeira espécie, teor de água, defeitos higrómetro, inspeção visual
Aparelhamento planeza, esquadria face/canto, espessura e largura régua, esquadro, paquímetro
Marcação cotas, ombros desencontrados, numeração fita, esquadro, desenho
Samblagens ajuste da respiga à caixa, ombros sem luz armação a seco
Colagem diagonais iguais, conjunto plano fita métrica, réguas de empeno
Afagamento e lixagem à face, sem riscos atravessados, arestas partidas inspeção com luz rasante
Ferragens folgas iguais, funcionamento, fecho ensaio de manobra
Vidro calçado, vedado, bite firme inspeção

Tolerâncias e registo

Normas de produto

As janelas e portas pedonais exteriores colocadas no mercado europeu estão abrangidas pela norma harmonizada de produto EN 14351-1, que define as características a declarar (por exemplo permeabilidade ao ar, estanquidade à água, resistência ao vento, desempenho térmico) e leva à marcação CE. Na oficina escolar não se faz a marcação CE, mas o princípio é o mesmo: o produto tem de cumprir o que se declara, e isso só se garante com processos controlados e registados.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Executar uma porta ou uma janela com aro segue sempre a mesma lógica:

ler o desenho (alçado, cortes, pormenores; fora a fora, luz e folha) · selecionar a madeira (espécie, fio, teor de água) · serrar, desempenar e desengrossar a partir de uma face e um canto de referência · calcular a lista de corte (folgas, rebaixos, respigas, ombros desencontrados, vidro) · marcar e traçar montantes, travessas, couceiras e pinázios, com a marcação própria de cada tipo de janela · furar, respigar e moldar · armar a seco · colar e encunhar com palmetas, fazendo o ajustamento da esquadria e o desempeno · verificar esquadrias e empenos · afagar e lixar · aplicar ferragens pela ficha técnica · envidraçar com calços, vedação e bites.

A janela pode ser de batente, de correr, de guilhotina, basculante, pivotante ou oscilobatente; a porta pode ser de batente, de correr ou pivotante, almofadada, envidraçada, lisa ou de réguas. Cada tipo tem o seu aro, a sua ferragem e a sua marcação. Em tudo: EPI, máquinas com resguardos e captação de pó, e autocontrolo registado.

Exercícios resolvidos

1. Uma amostra de madeira pesa 486 g húmida e 450 g anidra. Qual é o teor de água? Serve para uma porta interior?

Resolução: (486 - 450) ÷ 450 × 100 = 36 ÷ 450 × 100 = 8,0 %. Está dentro da gama usual para interior (8 a 12 %), portanto serve.

2. Um desenho indica um montante de aro com 68 × 42 mm. Que operações preparam a peça antes da marcação, e em que ordem?

Resolução: serrar com sobra; desempenar uma face e o canto adjacente na desempenadeira; desengrossar na garlopa de desengrosso até 42 mm, com a face de referência para baixo; dar a largura de 68 mm paralela ao canto de referência; cortar ao comprimento com sobras. A desempenadeira não dá a espessura nem o paralelismo: isso é o desengrosso.

3. Aro com 1000 × 1300 mm fora a fora, montantes e travessa superior com 60 mm, peitoril com 80 mm, batente de 12 mm, folga de 2 mm. Calcula a medida da folha.

Resolução: largura: 1000 - 120 = 880; + 24 = 904; - 4 = 900 mm. Altura: 1300 - 60 - 80 = 1160; + 24 = 1184; - 4 = 1180 mm. Folha de 900 × 1180 mm.

4. Na folha do exercício 3, com couceiras de 60 mm e respigas passantes com 2 mm de sobra, qual é o comprimento de corte das travessas e o ombro a ombro do lado do rebaixo de vidro de 12 mm?

Resolução: ombro a ombro (lado sem rebaixo): 900 - 120 = 780 mm; corte: 780 + 2 × 62 = 904 mm. Do lado do rebaixo: 780 + 24 = 804 mm (ombros desencontrados 12 mm em cada ponta).

5. Qual é a diagonal de verificação da folha de 900 × 1180 mm?

Resolução: √(900² + 1180²) = √(810 000 + 1 392 400) = √2 202 400 ≈ 1484 mm. As duas diagonais têm de medir o mesmo.

6. Qual é a diferença entre uma janela basculante e uma oscilobatente?

Resolução: a basculante só roda em torno de um eixo horizontal (geralmente o inferior; o topo inclina para dentro). A oscilobatente faz esse movimento e abre de batente em torno do eixo vertical, escolhendo-se o movimento com um único puxador, graças a uma ferragem perimetral com bloqueio de falsa manobra.

7. Numa janela pivotante de eixo horizontal, o que acontece ao batente na linha do eixo?

Resolução: muda de face. A metade de cima da folha roda para um lado e a de baixo para o outro, por isso o batente (no aro e na folha) está numa face acima do eixo e na face oposta abaixo dele.

8. O que são palmetas e para que servem na colagem?

Resolução: são pequenas cunhas de madeira que se batem com cola ao lado das respigas passantes, na face de saída da caixa. Travam a junta e, batendo mais de um lado ou do outro, permitem ajustar a esquadria do conjunto enquanto a cola está fresca. Não se confundem com os calços que protegem a madeira dos sargentos.

9. Depois de apertar uma folha, as diagonais medem 1482 mm e 1488 mm. O que fazes?

Resolução: a folha não está em esquadria (6 mm de diferença) e a diagonal de 1488 mm é a mais comprida. Com a cola fresca, corrige-se: inclinar um sargento no sentido da diagonal comprida ou bater as palmetas do lado que a encurta, até as duas medirem o mesmo, próximo dos 1484 mm calculados no exercício 5. Depois verifica-se o empeno e deixa-se secar sem mexer.

10. Porque se deixa a almofada de uma porta solta na ranhura?

Resolução: porque a almofada é larga e retrai e incha na largura (sobretudo na direção tangencial) com as variações de humidade. Solta, mexe dentro da ranhura; colada, racha ou abre fendas.

11. Um vidro duplo 4 + 16 + 4 com 0,60 m × 0,95 m: qual é a espessura total e quanto pesa, aproximadamente?

Resolução: espessura 4 + 16 + 4 = 24 mm. Área 0,60 × 0,95 = 0,57 m²; vidro total 8 mm; 0,57 × 2,5 × 8 ≈ 11,4 kg. A câmara (ar ou gás) tem peso desprezável.

12. Um aluno aplica o vidro diretamente sobre a madeira nua do rebaixo, sem calços. O que lhe indicarias?

Resolução: que o rebaixo tem de levar pelo menos o primário antes de envidraçar, porque a água que passe a vedação apodrece a madeira nua; e que o vidro assenta sobre calços de apoio e é centrado com calços periféricos, para nunca tocar na madeira: assim a madeira pode mexer sem partir o vidro, e o peso do vidro é bem transmitido à folha.

13. Porque é que não se usam luvas junto da tupia ou da serra circular?

Resolução: porque a luva pode ser agarrada pela ferramenta em rotação e puxar a mão para ela. Nas máquinas usam-se empurradores e resguardos; as luvas ficam para o manuseamento de madeira em bruto, vidro e produtos químicos.

14. Que valor-limite se aplica hoje ao pó de madeira de folhosas e que medidas o respeitam na oficina?

Resolução: 2 mg/m³ (Diretiva (UE) 2017/2398, aplicável desde 18 de janeiro de 2023). Respeita-se com captação na origem em todas as máquinas, limpeza por aspiração e, quando a captação não chega, máscara FFP2 ou FFP3.