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UC · Unidade de Competência · UC02084

Sebenta · Aplicar ferragens em estruturas de madeira e em mobiliário (UC02084)

Dobradiças, corrediças, fechaduras, puxadores, ligadores e parafusos, do catálogo à afinação final
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. CNC em Madeira e Mobili, T. Marcenaria e Carpintari ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Um móvel bem construído pode falhar por completo se as ferragens estiverem mal escolhidas, mal marcadas ou mal afinadas. Uma porta que não fecha direito, uma gaveta que range ou uma dobradiça que cede ao fim de meses de uso raramente são defeitos da madeira: quase sempre são defeitos de ferragem, de furação ou de afinação. Esta sebenta ensina a aplicar ferragens em estruturas de madeira e em mobiliário, da escolha no catálogo até à afinação final, nos dois contextos da profissão: a indústria da madeira e mobiliário e a indústria da carpintaria.

A sebenta foi escrita para estudares sozinho. Cada capítulo explica a matéria, dá números de referência quando eles existem (e diz de onde vêm), e fecha com exemplos resolvidos passo a passo. Uma regra atravessa tudo: os valores de furação, de carga e de afinação vêm sempre da ficha técnica do fabricante do modelo concreto. Os números que aqui aparecem são ordens de grandeza para perceberes o raciocínio e reconheceres um valor absurdo, não substituem o catálogo.

Objetivos de aprendizagem (referencial): analisar e preparar as superfícies para aplicação das ferragens; implementar procedimentos de aplicação e afinação das ferragens; identificar, analisar e selecionar o tipo de ferragem adequado ao peso, às dimensões e ao tipo de projeto; utilizar ferramentas, instrumentos e máquinas-ferramentas portáteis; posicionar a ferragem nos componentes e aplicar os elementos de fixação; proceder às afinações; utilizar os equipamentos de proteção individual; e cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho e as normas da qualidade.

Como está organizada: os capítulos 1 a 3 dão a base (o que é uma ferragem, em que material vai ser fixada e o sistema de furação normalizado dos móveis). Os capítulos 4 a 8 tratam cada família de ferragens: dobradiças, corrediças, fechaduras e puxadores, ligadores e parafusos. O capítulo 9 aplica tudo por ambiente (cozinha, quarto, sala, banho, roupeiros e carpintaria de obra). Os capítulos 10 a 13 tratam o processo de trabalho: catálogo, preparação e marcação, ferramentas, aplicação e afinação. Os capítulos 14 e 15 fecham com segurança, saúde e qualidade.

1. Ferragens no mobiliário e na indústria da madeira

As ferragens são os componentes, geralmente metálicos mas também de plástico técnico, que dão movimento, ligação, fecho e manuseamento a uma estrutura de madeira ou a uma peça de mobiliário. Sem elas, a madeira cortada e montada não passa de uma caixa fixa: são as ferragens que transformam essa caixa num móvel funcional, com portas que abrem, gavetas que deslizam, tampos que se desmontam e fechos que protegem o conteúdo.

As famílias de ferragens

Família Função Exemplos
Ferragens de movimento permitir que uma parte se mova em relação à estrutura dobradiças, corrediças, sistemas de portas de correr, sistemas elevatórios
Ferragens de ligação (fixação de componentes) unir os painéis e peças entre si ligadores excêntricos, parafusos de montagem, cavilhas, cantoneiras, ligadores de tampo
Ferragens de fecho manter fechado ou trancar fechaduras, fechos magnéticos, fechos de pressão, fechos centrais de gavetas
Ferragens de manuseamento permitir abrir com a mão puxadores, botões, perfis de puxador, puxadores embutidos
Ferragens de apoio e acessórios suportar cargas e completar o móvel suportes de prateleira, varões de roupeiro, pés niveladores, calhas de suspensão

O referencial da UC fala de tipos de ferragem (dobradiças, corrediças, fechaduras, puxadores) e de ferragens para fixação de componentes (ligadores, parafusos). A tabela acima arruma essas duas listas e acrescenta os acessórios que aparecem no dia a dia da oficina.

Ferragem e estrutura, uma decisão conjunta

A estrutura de mobiliário é o modo como os componentes (laterais, prateleiras, tampo, base, costas, portas, frentes de gaveta) se ligam entre si. A escolha da ferragem não é um passo isolado no fim do fabrico: condiciona o próprio desenho da estrutura.

Analisar o peso e as dimensões dos componentes

Um dos critérios de desempenho desta UC é aplicar as ferragens "analisando o peso e as dimensões das componentes". Na prática, antes de abrir o catálogo, respondes a quatro perguntas:

  1. Quanto pesa a parte móvel? Uma porta de aglomerado de 19 mm com 700 × 450 mm pesa uns 4 a 5 kg; uma porta de vidro ou de madeira maciça da mesma medida pesa bastante mais.
  2. Quanto pesa o que vai lá dentro? Uma gaveta de talheres leva pouco; um gavetão de panelas ou de louça pode passar os 20 kg.
  3. Que dimensões tem? Altura e largura da porta, comprimento e largura da gaveta, espessura do painel onde a ferragem vai ser fixada.
  4. Com que frequência e em que ambiente vai ser usada? Cozinha e casa de banho são mais exigentes do que um móvel de sala.

Exemplo resolvido · estimar o peso de uma porta

Situação: porta de aglomerado revestido a melamina, 720 × 446 mm, espessura 19 mm. Massa volúmica de referência do aglomerado: cerca de 650 kg/m³ (valor típico; o fabricante do painel indica o valor exato).

  1. Volume da porta: 0,720 m × 0,446 m × 0,019 m = 0,00610 m³.
  2. Massa: 0,00610 m³ × 650 kg/m³ ≈ 4,0 kg.
  3. Somam-se o puxador e as dobradiças (algumas centenas de gramas): cerca de 4,3 kg no total.
  4. Conclusão: é uma porta leve para dobradiças de copa; a tabela do fabricante define o número de dobradiças para esta altura e peso (em muitos catálogos, duas bastam para esta medida).

Repara nas unidades: as medidas em milímetros passam a metros antes de multiplicar. Se multiplicares 720 × 446 × 19 obténs 6 101 280 mm³, que é o mesmo volume (1 m³ = 1 000 000 000 mm³).

Onde se aplica esta competência

Em ambos, o percurso é o mesmo: identificar o tipo de ferragem, analisar peso e dimensões, selecioná-la no catálogo, preparar a superfície, marcar, furar, fixar e afinar, cumprindo as regras de segurança e de qualidade.

2. O suporte: madeira maciça e painéis derivados

Uma ferragem só aguenta o que o material onde está fixada aguentar. O parafuso mais forte do catálogo arranca se estiver aparafusado no sítio errado de um painel. Por isso, analisar a superfície (primeira realização do referencial) começa por saber de que material é a peça.

Madeira maciça

Exemplo resolvido · teor de água de uma amostra

Uma amostra de faia pesa 58,3 g ao sair da oficina e 52,0 g depois de seca em estufa até massa constante (massa anidra).

  1. Água contida: 58,3 menos 52,0 = 6,3 g.
  2. Teor de água: 6,3 ÷ 52,0 × 100 ≈ 12,1 %.
  3. Conclusão: está no limite superior do intervalo usual para interior. Para um móvel que vai para uma casa aquecida, convém deixar a madeira estabilizar antes de afinar portas maciças.

Erro frequente: dividir pela massa húmida (6,3 ÷ 58,3 = 10,8 %). Isso é a base húmida, e dá um valor diferente.

Painéis derivados de madeira

Painel Constituição Comportamento com ferragens
Aglomerado de partículas partículas de madeira coladas e prensadas, geralmente revestido a melamina aceita bem parafusos de aglomerado na face; no canto, só com furo-piloto e parafuso próprio; lasca se o furo ficar muito perto da aresta
MDF fibras de madeira coladas e prensadas superfície e bordos homogéneos, bom para fresar e pintar; o canto fende se o parafuso for grosso sem furo-piloto
Contraplacado folhas de madeira coladas com o fio cruzado, em número ímpar boa retenção de parafusos em todas as direções da face; no canto, as camadas podem abrir
OSB partículas longas (lamelas) orientadas uso estrutural e de obra, pouco usado em mobiliário à vista
Lamelado ou painel de madeira maciça réguas de madeira maciça coladas comporta-se como madeira maciça

Três regras práticas para qualquer painel:

  1. Face é melhor do que canto. Sempre que puderes escolher, fixa a ferragem na face.
  2. Distância à aresta. Um furo muito junto à aresta faz saltar o revestimento ou abrir o painel. As cotas mínimas estão na ficha técnica da ferragem.
  3. Espessura manda na profundidade. Num painel de 16 mm e noutro de 19 mm, o mesmo furo de 13 mm deixa por baixo 3 mm ou 6 mm de material. A espessura real mede-se com paquímetro antes de regular o limitador da broca.

Orlas e revestimentos

Os painéis revestidos (melamina, folha de madeira, laminado) têm os cantos cobertos por orla. Antes de aplicar uma ferragem no canto ou junto a ele, verifica se a orla está bem colada e rente: uma orla levantada impede o assentamento de uma corrediça ou de uma dobradiça e acaba por descolar com o uso.

3. O Sistema 32 e a furação normalizada

Grande parte do mobiliário de painel fabricado na Europa segue o Sistema 32: uma forma de organizar a furação dos laterais que permite que dobradiças, corrediças, suportes de prateleira e ligadores de vários fabricantes encaixem nos mesmos furos.

As regras base

Nestes furos de 5 mm entram os parafusos Euro (parafusos de cabeça específica, com rosca de cerca de 6,3 mm, próprios para furos de 5 mm), as cavilhas de expansão das bases das dobradiças e os suportes de prateleira de 5 mm.

Porque é que o passo de 32 mm é importante

Exemplo resolvido · posição dos furos de uma linha

Um lateral de 720 mm de altura leva uma linha de furos de 5 mm a 37 mm do bordo da frente. O primeiro furo fica a 9,5 mm do topo do painel (valor de exemplo; cada fabricante ou cada oficina define o seu). Quantos furos cabem e onde fica o último?

  1. Espaço disponível a partir do primeiro furo: 720 menos 9,5 menos 9,5 = 701 mm (deixando a mesma margem em baixo).
  2. Número de intervalos de 32 mm que cabem: 701 ÷ 32 = 21,9, portanto 21 intervalos inteiros.
  3. Número de furos: 21 intervalos + 1 = 22 furos.
  4. Último furo: 9,5 + 21 × 32 = 9,5 + 672 = 681,5 mm do topo. Fica a 720 menos 681,5 = 38,5 mm do fundo.

A lógica (intervalos + 1 = furos) é a mesma de uma fila de postes: com 21 espaços precisas de 22 postes.

Sistema 32 e CNC

No curso de CNC, estas regras aparecem no programa: a furação dos laterais, das portas (copas das dobradiças) e dos furos dos ligadores é feita pela máquina a partir do desenho. Um erro no desenho repete-se em todas as peças do lote. Por isso, antes de lançar um lote, faz-se uma primeira peça e verifica-se a furação com as ferragens reais montadas.

4. Dobradiças: tipos e escolha

A dobradiça liga uma porta (ou uma tampa) à estrutura fixa e permite abrir e fechar. É a ferragem de movimento mais comum no mobiliário e na carpintaria.

Os principais tipos

Tipo Como é Uso típico
Dobradiça de copa (também chamada invisível ou de caneco) um corpo cilíndrico (a copa) aloja-se num furo na porta; um braço liga-a a uma base aparafusada no lateral; fica escondida com a porta fechada portas de móveis de painel: cozinha, roupeiro, casa de banho, escritório
Dobradiça de livro (de abas) duas abas planas unidas por um eixo; as abas embutem-se ou aplicam-se na porta e no aro portas interiores, portas de móveis em madeira maciça, caixas
Dobradiça de piano uma dobradiça de livro contínua, com todo o comprimento da peça tampas de arcas, tampos rebatíveis, portas longas e estreitas
Dobradiça de leme ou de pivô a porta roda sobre um eixo vertical colocado em cima e em baixo portas de móvel sem dobradiças à vista, portas de vidro
Dobradiça para vidro copa ou pinça que prende o vidro sem furar a madeira vitrines, portas de vidro de móveis
Dobradiças especiais de canto, de ângulo, para portas espessas, para portas de rebater móveis de canto, frentes de rebater, portas com mais de 25 mm

Nesta UC, a dobradiça de copa merece mais atenção porque é a que mais se aplica e a que mais afinações tem. A de livro é a mais comum na carpintaria (portas interiores).

A dobradiça de copa em pormenor

A dobradiça de copa tem três partes: a copa, embutida na porta; o braço, que contém o mecanismo; e a base (ou calço), aparafusada ao lateral, onde o braço encaixa (em muitos modelos, por clipe, sem ferramentas).

Cotas de referência (confirmar sempre no catálogo do modelo):

Tipos de aplicação: como a porta assenta no móvel

A mesma família de dobradiças existe em três versões, conforme a posição da porta em relação ao lateral:

Aplicação Posição da porta Onde se usa
Sobreposta total (cotovelo reto) a porta tapa quase toda a espessura do lateral portas que ficam num extremo do móvel
Meia sobreposta (partilhada, cotovelo médio) duas portas partilham o mesmo lateral, cada uma tapa cerca de metade lateral intermédio entre duas portas
Interior (embutida, cotovelo acentuado) a porta fica dentro da caixa do móvel, à face dos laterais móveis de estilo, frentes à face

O que distingue as três versões é o cotovelo do braço (a curvatura que afasta a porta do lateral). A sobreposição final resulta da combinação do braço, da base (altura do calço) e da cota K, segundo a tabela do fabricante.

Exemplo resolvido · posição da copa numa porta

Dobradiça de copa de 35 mm, com cota K = 4 mm indicada no catálogo. Onde fica o centro da copa?

  1. Raio da copa: 35 ÷ 2 = 17,5 mm.
  2. Centro da copa ao bordo da porta: K + raio = 4 + 17,5 = 21,5 mm.
  3. Marca-se uma linha a 21,5 mm do bordo do lado das dobradiças; o centro de cada copa fica sobre essa linha.

Se o catálogo der a cota ao centro (21,5 mm) e alguém a marcar como se fosse K, a copa fica 17,5 mm deslocada: a porta nunca fecha. Confirma sempre a partir de onde o catálogo mede.

Exemplo resolvido · sobreposição em lateral partilhado

Um lateral intermédio tem 19 mm de espessura e recebe duas portas meia sobrepostas. Pretende-se uma folga de 2 mm entre as duas portas. Quanto deve tapar cada porta?

  1. Espessura a dividir pelas duas portas, descontando a folga: 19 menos 2 = 17 mm.
  2. Sobreposição de cada porta: 17 ÷ 2 = 8,5 mm.
  3. Consulta-se a tabela do fabricante e escolhe-se a combinação braço + base + cota K que dá uma sobreposição próxima de 8,5 mm; a afinação lateral corrige o resto.

Ângulo de abertura, amortecimento e abertura por pressão

Porta junto a uma parede: o problema real

Uma porta sobreposta que abre para o lado de uma parede tem um problema geométrico: ao rodar, o bordo da porta e o puxador avançam para lá do lateral e batem na parede. Uma dobradiça de maior ângulo de abertura não resolve isto, porque a parede trava a porta muito antes desse ângulo.

As soluções habituais são:

  1. Remate (enchimento) lateral: uma peça fixa entre o móvel e a parede, com largura suficiente para a porta e o puxador rodarem sem tocar. A largura mínima depende da espessura da porta, da sobreposição e do puxador; calcula-se com os dados do fabricante ou por ensaio.
  2. Dobradiças que não fazem a porta avançar para lá do lateral ao abrir (o fabricante indica este comportamento na ficha), quando há gavetas interiores que precisam de passar pela porta aberta.
  3. Limitador de abertura, se a parede deixar menos de 90° e se quiser evitar que a porta bata.

Quantas dobradiças por porta

O número de dobradiças depende da altura, da largura e do peso da porta. Os fabricantes publicam tabelas próprias; são essas tabelas que mandam, não uma "regra" geral. Como ordem de grandeza, em muitos catálogos uma porta de móvel de cozinha com até cerca de 900 mm de altura e peso moderado leva duas dobradiças, e o número aumenta com a altura e o peso. Portas altas e estreitas beneficiam de uma dobradiça extra mesmo quando o peso não a exige, porque ajuda a manter a porta direita.

A posição das dobradiças também se escolhe: a uma distância das extremidades indicada pelo fabricante, evitando que coincidam com prateleiras fixas, travessas ou corrediças, e, havendo três ou mais, com espaçamento regular entre elas.

5. Dobradiças: furação, montagem e afinação

Furar a copa

O furo da copa faz-se com uma broca de fundo plano de 35 mm (broca Forstner ou broca de copa para dobradiças), nunca com uma broca de ponta cónica comum, que não deixa fundo plano. Em oficina faz-se com:

Em todos os casos, o limitador de profundidade regula-se a partir da ficha técnica e confirma-se num retalho da mesma espessura antes de furar a porta.

Exemplo resolvido · furar para uma dobradiça de copa sem estragar a porta

Porta de aglomerado com 16 mm (medida com paquímetro), dobradiça com copa de 35 mm, profundidade de furação de 13 mm e cota K de 4 mm, segundo a ficha técnica.

  1. Material que fica por baixo da copa: 16 menos 13 = 3 mm. Pouco, mas é o previsto para esta espessura; não se pode furar nem um milímetro a mais.
  2. Marcação: com o gabarito encostado ao bordo e ao topo da porta, marca-se o centro da copa a 21,5 mm do bordo (4 + 17,5) e à altura definida para a dobradiça.
  3. Ensaio: fura-se primeiro um retalho de 16 mm e mede-se a profundidade com o paquímetro (haste de profundidade).
  4. Furação: broca perpendicular à face, velocidade moderada, avanço suave, a porta bem apoiada e presa com grampo.
  5. Verificação: a copa entra sem folga e sem ser forçada, assenta à face e o fundo do furo está intacto do outro lado.

Montar a dobradiça

  1. Colocar a copa no furo, alinhar o braço perpendicular ao bordo da porta (um esquadro ajuda) e aparafusar a copa com parafusos de aglomerado do comprimento indicado, ou com as cavilhas de pressão se o modelo as tiver.
  2. Fixar as bases no lateral, na linha de furação (a 37 mm do bordo da frente, se o móvel seguir o Sistema 32), com parafusos Euro ou parafusos de aglomerado, conforme o modelo.
  3. Encaixar o braço na base (clipe ou parafuso).
  4. Fechar a porta e observar folgas, alinhamento e o encosto ao móvel.

Afinação em três eixos

A dobradiça de copa afina-se com a porta montada, através de parafusos de regulação:

Eixo O que corrige Como se regula (em regra)
Lateral (cobertura) a porta está mais para a esquerda ou para a direita; a folga entre portas vizinhas é desigual; a porta bate na vizinha parafuso de regulação no braço, perto da copa
Profundidade a porta fica saliente ou afundada em relação às vizinhas; não encosta ao móvel parafuso excêntrico ou rasgo no braço ou na base
Altura a porta está mais alta ou mais baixa do que as vizinhas base com rasgos ou excêntrico de altura

A localização exata de cada parafuso muda de modelo para modelo: a ficha técnica tem um desenho com as setas de cada regulação.

Exemplo resolvido · diagnóstico de uma porta desalinhada

Uma porta de cozinha, montada com duas dobradiças de copa, tem estes sintomas: o topo está 2 mm mais baixo do que o da porta vizinha; a folga entre as duas portas é de 1 mm em cima e 4 mm em baixo.

  1. Folga em "V" (maior em baixo do que em cima): a porta está inclinada. Corrige-se com o ajuste lateral, atuando mais numa dobradiça do que na outra. Aqui, afasta-se o canto inferior da vizinha (dobradiça de baixo) ou aproxima-se o canto superior, até a folga ficar igual em cima e em baixo, por exemplo 2,5 mm e 2,5 mm (a média de 1 e 4 mm).
  2. Porta 2 mm mais baixa: corrige-se com o ajuste de altura nas duas bases, a mesma quantidade em ambas.
  3. Ordem: primeiro a altura, depois o lateral, por fim a profundidade. Cada ajuste mexe ligeiramente nos outros, por isso confirma-se tudo no fim.

Dobradiças de livro na carpintaria

Nas portas interiores de carpintaria, as dobradiças de livro (ou de abas) aplicam-se de forma diferente:

6. Corrediças e sistemas de gaveta

A corrediça permite que a gaveta deslize para fora e para dentro da estrutura, de forma suave e alinhada. Cada corrediça tem duas partes: a que se fixa no lateral do móvel (o corpo) e a que se fixa na gaveta.

Tipos de corrediça

Tipo Como funciona Extração Notas
De rodízios (de rolos) a gaveta rola sobre pequenas rodas em perfis, em geral lacados parcial (a gaveta não sai toda) a mais económica; carga baixa; fácil de tirar a gaveta
De esferas (telescópica) perfis metálicos que deslizam sobre esferas de aço parcial ou total aparafusa-se ao lado da gaveta; muito usada em móveis de escritório e oficina; há versões de carga elevada
Oculta (por baixo da gaveta) os perfis ficam debaixo do fundo da gaveta, invisíveis com a gaveta aberta em regra total, com amortecimento gaveta de madeira ou painel com medidas próprias exigidas pelo fabricante
Sistema de gaveta com laterais metálicas o fabricante fornece os laterais da gaveta já com a corrediça; só se cortam o fundo e as costas parcial ou total muito usado em cozinhas; montagem rápida e afinação na frente

Dois termos a dominar:

Muitas corrediças atuais incluem amortecimento, autofecho (puxam a gaveta nos últimos centímetros) ou abertura por pressão.

Capacidade de carga

Cada corrediça tem uma capacidade de carga indicada pelo fabricante, em quilogramas, em geral por par de corrediças e com a gaveta totalmente aberta (a condição mais desfavorável). A capacidade pode variar com o comprimento da corrediça e com a largura da gaveta, por isso a ficha técnica apresenta-a numa tabela.

Para escolher, soma-se o peso da própria gaveta ao do conteúdo previsto e deixa-se margem. Ordens de grandeza encontradas em catálogos, a confirmar sempre no modelo:

Exemplo resolvido · escolher a corrediça de um gavetão de panelas

Situação: gavetão de cozinha com 500 mm de profundidade útil, num módulo de 600 mm de largura. Conteúdo estimado: 22 kg de panelas e tampas. A gaveta em si (laterais, fundo, costas e frente) pesa cerca de 6 kg. No catálogo há três modelos com o comprimento certo: A (30 kg por par), B (40 kg por par) e C (70 kg por par).

  1. Carga total a suportar: 22 + 6 = 28 kg.
  2. Margem: a gaveta vai ser puxada com força e, às vezes, carregada de mais. Uma margem de 25 % dá 28 × 1,25 = 35 kg. (A margem é uma decisão da oficina, não um valor normativo.)
  3. Comparação: o modelo A (30 kg) fica abaixo dos 35 kg e quase no limite dos 28 kg reais: rejeitado. O modelo B (40 kg) cumpre com folga. O modelo C (70 kg) também cumpre, mas é mais caro e pode exigir outras medidas.
  4. Escolha: modelo B, com extração total e amortecimento, confirmando na ficha que os 40 kg valem para este comprimento e para esta largura de gaveta.

A folga lateral e as medidas da gaveta

Com corrediças laterais (de esferas ou de rodízios), a gaveta é mais estreita do que o vão interior do móvel, na medida da espessura das corrediças. Muitas corrediças de esferas pedem uma folga de 12,7 mm por lado (meia polegada), outras 12,5 mm ou outro valor: é o catálogo que diz, e a tolerância costuma ser pequena (décimas de milímetro). Folga a menos, a gaveta prende; folga a mais, a corrediça não encaixa ou sai da calha.

Exemplo resolvido · largura exterior da gaveta

Módulo de 600 mm de largura exterior, laterais de 19 mm, corrediças de esferas com folga de 12,7 mm por lado (ficha técnica).

  1. Vão interior: 600 menos 2 × 19 = 562 mm.
  2. Folga total das duas corrediças: 2 × 12,7 = 25,4 mm.
  3. Largura exterior da caixa da gaveta: 562 menos 25,4 = 536,6 mm.
  4. Se os laterais da gaveta tiverem 16 mm, a frente interior e as costas entram entre eles: 536,6 menos 2 × 16 = 504,6 mm.

Com corrediças ocultas ou sistemas de laterais metálicos, as contas são outras e vêm numa fórmula própria do fabricante (por exemplo, "largura interior do móvel menos um valor fixo").

Montar e afinar corrediças

  1. Marcar ou usar a linha de furação do lateral: as duas corrediças do mesmo par têm de ficar à mesma altura e paralelas, e a distância ao bordo da frente é a da ficha (depende do tipo de frente: sobreposta ou interior).
  2. Fixar o corpo ao lateral do móvel (parafusos de aglomerado ou parafusos Euro nos furos de 5 mm).
  3. Fixar a parte da gaveta, na altura indicada, com os parafusos próprios.
  4. Introduzir a gaveta, testar o curso completo e o fecho.
  5. Afinar: nos sistemas que o permitem, regula-se a altura, a inclinação e o alinhamento lateral da frente. Nas corrediças simples, a afinação faz-se pelos furos rasgados de montagem, antes do aperto final.

Sintomas e causas habituais: gaveta que prende a meio (corrediças não paralelas ou gaveta mais larga do que devia); gaveta que abre sozinha (móvel desnivelado ou corrediças inclinadas); frente torta (ajuste de inclinação ou de altura desigual entre os dois lados).

7. Fechaduras, fechos e puxadores

Fechaduras de mobiliário

A fechadura tranca uma porta ou uma gaveta com chave (ou com código, cartão ou comando, nas versões eletrónicas).

Tipo Aplicação Notas
Fechadura de aplicar (de sobrepor) aparafusada na face interior da porta ou da frente, só o cilindro atravessa a mais simples de aplicar: um furo para o cilindro e parafusos
Fechadura de embutir alojada num rebaixo aberto no canto ou na face da peça mais discreta; exige rebaixo com fresadora e gabarito
Fechadura de cilindro com lingueta rotativa o cilindro atravessa a porta e uma lingueta roda por trás do lateral ou de uma chapa-testa cacifos, gavetas de secretária, móveis de escritório
Fecho central de gavetas uma só fechadura tranca todas as gavetas de um bloco através de uma barra blocos de gavetas e móveis de escritório
Fechadura para porta de correr ou de vidro lingueta em gancho ou fecho de pressão vitrines, roupeiros

Aplicar uma fechadura exige: o furo do cilindro no diâmetro da ficha, a posição da lingueta coincidente com a chapa-testa ou com o encaixe no lateral, e uma verificação com a chave de que a lingueta entra e sai sem forçar.

Fechos sem chave

Puxadores

O puxador é a peça de manuseamento. Pode ser de barra, de arco, de botão (um só ponto de fixação), embutido (encastrado num rasgo, sem relevo), em perfil contínuo aplicado no topo da frente, ou integrado na própria frente (frente com rasgo ou em "J").

Regras de aplicação:

Exemplo resolvido · comprimento dos parafusos de um puxador

Porta de 19 mm; puxador de barra com entre-eixos de 160 mm; a ficha técnica indica rosca M4 no pé do puxador, com uma penetração útil entre 6 e 10 mm.

  1. O parafuso atravessa a porta: 19 mm.
  2. Tem de entrar no puxador entre 6 e 10 mm: comprimento entre 19 + 6 = 25 mm e 19 + 10 = 29 mm.
  3. Escolhe-se M4 × 25 mm (comprimento corrente dentro do intervalo). Um M4 × 20 mm entraria só 1 mm no puxador e arrancaria; um M4 × 35 mm bateria no fundo da rosca e não apertaria o puxador contra a porta.
  4. Furo na porta: de passagem para M4 (com folga, por exemplo 4,5 a 5 mm), centrado nas marcas a 160 mm uma da outra.

Exemplo resolvido · centrar um puxador numa frente de gaveta

Frente de gaveta com 596 mm de largura; puxador com entre-eixos de 128 mm, centrado.

  1. Centro da frente: 596 ÷ 2 = 298 mm a partir do bordo esquerdo.
  2. Metade do entre-eixos: 128 ÷ 2 = 64 mm.
  3. Furo esquerdo: 298 menos 64 = 234 mm do bordo esquerdo.
  4. Furo direito: 298 + 64 = 362 mm do bordo esquerdo.
  5. Verificação: 362 menos 234 = 128 mm (confere) e 596 menos 362 = 234 mm do bordo direito (simétrico).

Nas duas cotas, mede-se sempre a partir do mesmo bordo de referência, nunca de um furo para o outro.

8. Ferragens para fixação de componentes: ligadores e parafusos

Os ligadores e os parafusos unem os componentes entre si e formam a estrutura do móvel. A escolha depende de três perguntas: que painel é (aglomerado, MDF, contraplacado, maciço), que espessura tem e se a estrutura vai ser desmontada.

Parafusos

Parafuso Características Uso
Parafuso para aglomerado rosca contínua, grossa e afiada, núcleo fino; cabeça de embeber fixação geral em painéis e madeira; bases de dobradiças, corrediças, costas
Parafuso de montagem tipo confirmat parafuso grosso (o mais comum é 7 × 50 mm), rosca larga, ponta romba, cabeça com sextavado interior ligação de painéis em ângulo (face contra canto) sem cola, em aglomerado e MDF
Parafuso Euro rosca de cerca de 6,3 mm para furos de 5 mm fixar ferragens nas linhas de furação do Sistema 32
Parafuso métrico (M4, M5, M6) rosca de máquina, entra numa porca ou numa rosca metálica puxadores, ligadores com casquilho roscado, pés
Parafuso para madeira clássico rosca só em parte do comprimento madeira maciça, carpintaria tradicional

O parafuso confirmat

O confirmat liga dois painéis em ângulo (por exemplo, o tampo ao lateral): atravessa a face de um e rosca no canto do outro. Para um confirmat de 7 × 50 mm, fura-se com uma broca escalonada própria, que faz de uma só vez:

Sem o furo-guia, o parafuso fende o canto do aglomerado ou do MDF. Com o furo-guia largo de mais, a rosca não agarra. O confirmat é forte e rápido, mas a cabeça fica à vista (tapa-se com um tampão) e não aguenta muitas montagens e desmontagens.

O ligador excêntrico (tipo minifix)

É o ligador típico do mobiliário desmontável. Tem duas peças:

  1. um perno (parafuso de ligação) que se enrosca, ou se prende por expansão, no canto ou na face de um painel;
  2. um excêntrico (caixa cilíndrica) embutido num furo na face do outro painel; ao rodar com a chave, agarra a cabeça do perno e puxa os dois painéis um contra o outro.

Cotas de referência de um modelo corrente de 15 mm, a confirmar sempre no catálogo:

A cota que liga as duas peças (distância do excêntrico ao canto e comprimento do perno) tem de bater certo: se o perno ficar curto, o excêntrico roda em vazio; se ficar comprido, os painéis não encostam.

Cavilhas

As cavilhas de madeira (as mais usadas em mobiliário têm 8 mm de diâmetro) servem para alinhar e reforçar ligações. Em mobiliário desmontável acompanham os ligadores excêntricos: o excêntrico aperta, as cavilhas impedem que os painéis deslizem. Em mobiliário fixo podem ser coladas.

Regras práticas: furo com o mesmo diâmetro da cavilha (8 mm para cavilha de 8 mm), profundidade tal que a soma dos dois furos seja um pouco maior do que o comprimento da cavilha (para sobrar espaço à cola), e broca com ponta de centrar para não desviar.

Exemplo resolvido · profundidade dos furos de cavilha

Cavilha de 8 × 30 mm a ligar a face de um lateral de 19 mm ao canto de uma prateleira de 19 mm.

  1. No lateral (fura-se na face), não se pode atravessar: fica-se por uma profundidade de cerca de 12 mm, deixando 7 mm de material (19 menos 12).
  2. No canto da prateleira: comprimento da cavilha menos o que entra no lateral, mais uma pequena folga: 30 menos 12 + 1 = 19 mm.
  3. Soma dos furos: 12 + 19 = 31 mm, um milímetro a mais do que a cavilha, para a cola não ficar presa no fundo e impedir o encosto.

Outros ligadores e fixações

Exemplo resolvido · o parafuso certo para o painel certo

Uma aluna quer fixar a base de uma dobradiça no lateral de aglomerado de 16 mm com um parafuso para aglomerado de 4 × 30 mm. Está certo?

  1. O parafuso entra na face do lateral. Com 30 mm de comprimento, num painel de 16 mm, atravessa-o: mesmo descontando 2 a 3 mm para a aba da base onde assenta a cabeça, sobram 11 a 12 mm do lado de fora (30 menos 3 menos 16 = 11 mm).
  2. Consulta-se a ficha técnica da base: indica parafusos de aglomerado de 3,5 × 15 mm ou parafusos Euro nos furos de 5 mm.
  3. Conclusão: parafuso comprido de mais. O comprimento de um parafuso na face tem de ser menor do que a espessura do painel mais a espessura da ferragem, deixando sempre material por baixo da ponta.

9. Ferragens por tipo de mobiliário

O referencial pede ferragens para cozinha, para mobiliário de quarto, sala e banho, e para roupeiros. Cada ambiente impõe exigências próprias de peso, humidade e frequência de uso.

Cozinha

A cozinha é o espaço mais exigente: uso intenso (dezenas de aberturas por dia), cargas elevadas (louça, panelas, pequenos eletrodomésticos), vapor, gordura e humidade junto ao lava-louça e ao fogão.

Elemento Ferragem típica Cuidado principal
Portas dos módulos baixos e altos dobradiças de copa com amortecimento número de dobradiças pela tabela do fabricante; portas junto a parede com remate
Gavetas e gavetões sistemas de gaveta ou corrediças ocultas de extração total capacidade por par com a gaveta aberta; gavetões de panelas com carga elevada
Armários superiores com porta de abrir para cima sistemas elevatórios (braços ou compassos de elevação, portas basculantes) força do mecanismo escolhida pelo peso e pela altura da porta, segundo a tabela
Módulos de canto carrosséis, prateleiras extraíveis de canto, dobradiças de canto espaço interior mínimo indicado pelo fabricante
Colunas e despenseiros extraíveis de coluna, dobradiças para portas altas várias dobradiças, fixação robusta, guia inferior
Módulo do lava-louça dobradiças e corrediças com proteção anticorrosiva; tabuleiro protetor no fundo humidade e fugas de água
Fixação dos módulos altos à parede suportes de suspensão reguláveis capacidade de carga e buchas adequadas à parede
Puxadores barras, perfis ou frentes sem puxador (abertura por pressão) resistência à limpeza frequente; bordos que não firam

Quarto e sala

Casa de banho

Roupeiros

Solução Ferragens Cuidados
Portas de batente dobradiças de copa em maior número (portas altas); por vezes dobradiças para portas espessas ou de espelho número de dobradiças pela tabela; portas altas e estreitas pedem uma extra
Portas de correr calhas superiores e inferiores, rodízios ou carros, guias, travões e amortecedores de fim de curso peso máximo por porta; calha nivelada; afinação da altura das rodas
Portas de correr suspensas calha superior que suporta o peso; guia em baixo o tampo do roupeiro tem de aguentar a carga
Interior varões com suportes, varões basculantes (que descem para alcançar), gavetas, calceiras, cabides extraíveis varão com apoios intermédios em vãos largos, para não fletir

Estruturas de madeira e carpintaria de obra

Na carpintaria, as ferragens aplicam-se em estruturas fixas:

Exemplo resolvido · varão de roupeiro

Um roupeiro tem 1 200 mm de vão interior e leva um varão para cabides. A ficha técnica do varão escolhido admite, segundo o fabricante, um vão máximo sem apoio de 900 mm para a carga prevista.

  1. O vão (1 200 mm) é maior do que o máximo admitido (900 mm): precisa de apoio intermédio.
  2. Com um apoio ao centro, cada tramo fica com 1 200 ÷ 2 = 600 mm, dentro do limite.
  3. O apoio fixa-se ao tampo ou a uma prateleira com a ferragem de suspensão própria, com parafusos na face.

(O valor de 900 mm é deste exemplo; cada varão tem o seu na ficha técnica.)

10. Catálogos e fichas técnicas de ferragens

Os fabricantes organizam a oferta em catálogos (por família: dobradiças, corrediças e sistemas de gaveta, sistemas elevatórios, portas de correr, fechaduras, puxadores, ligadores, acessórios) e, dentro de cada família, em fichas técnicas por modelo. Hoje muitos catálogos são digitais e incluem configuradores que calculam o número de dobradiças, a força dos elevatórios ou as medidas das gavetas.

O que traz uma ficha técnica

Informação Para que serve
Código de referência encomendar exatamente o modelo certo; o mesmo nome comercial pode ter vários códigos (ângulo, amortecimento, acabamento)
Desenho com cotas de furação marcar e furar: diâmetro e profundidade da copa, cota K, entre-eixos, distâncias ao bordo
Espessuras de painel admitidas saber se a ferragem serve para 16, 19 ou 22 mm
Capacidade de carga e limites de uso peso por par, número de dobradiças por altura e peso, vão máximo
Tabelas de sobreposição ou de medidas relacionar base, braço e cota K com a sobreposição; fórmulas das medidas das gavetas
Regulações quais os eixos de afinação e em que amplitude (por exemplo, mais ou menos 2 mm)
Acabamento e material níquel, inox, zamak, lacado; adequação a ambientes húmidos
Instruções de montagem sequência, ferramentas, binários de aperto, gabaritos recomendados
Ensaios e conformidade referência a normas de ensaio, número de ciclos testados, garantia
  1. Identificar o tipo de ferragem necessário (movimento, ligação, fecho, manuseamento) e o tipo de projeto.
  2. Analisar peso e dimensões do componente (capítulo 1).
  3. Pré-selecionar modelos no catálogo.
  4. Verificar na ficha técnica se cada modelo aguenta essas condições, com margem.
  5. Confirmar espessura do painel, cotas de furação e espaço disponível no móvel.
  6. Confirmar acabamento, ambiente de uso e compatibilidade com as outras ferragens.
  7. Registar a escolha (código e quantidade) na lista de ferragens do projeto.

Cotas de furação variam entre fabricantes e até entre modelos do mesmo fabricante: nunca assumir que "todas as dobradiças de copa são iguais". Se a ficha não trouxer um dado essencial, como a carga, pede-se ao fornecedor antes de aplicar.

Exemplo resolvido · lista de ferragens de um módulo

Módulo baixo de cozinha, 600 × 720 mm, com uma porta em cima (400 mm de altura) e uma gaveta em baixo, estrutura em aglomerado de 19 mm desmontável.

Ferragem Cálculo Quantidade
Dobradiças de copa com amortecimento porta de 400 mm, leve: 2 segundo a tabela 2
Bases para as dobradiças uma por dobradiça 2
Corrediças ocultas de extração total um par por gaveta 1 par
Puxadores com entre-eixos de 160 mm um na porta e um na gaveta 2
Parafusos M4 × 25 para puxadores 2 por puxador 4
Ligadores excêntricos 4 ligações (2 laterais × tampo e base), 2 ligadores por ligação 8
Cavilhas de 8 × 30 mm 2 por ligação, a acompanhar os ligadores 8
Pés reguláveis um em cada canto 4

Verificação da contagem de ligadores: 2 laterais × 2 ligações (em cima e em baixo) = 4 ligações; 4 × 2 = 8 ligadores. Mesma conta para as cavilhas.

11. Preparação de superfícies e técnicas de marcação

Analisar e preparar as superfícies

Antes de marcar e de furar, analisa-se e prepara-se cada superfície onde vai ser aplicada uma ferragem:

Técnicas de marcação

A marcação transfere as medidas do projeto e da ficha técnica para a peça real, com rigor, antes da furação.

  1. Referência fixa: escolhe-se um bordo e um topo de referência (em regra, o bordo do lado das dobradiças e o topo da porta) e todas as cotas medem-se a partir deles, nunca de marca em marca.
  2. Traçado: lápis de ponta fina ou riscador, esquadro para linhas perpendiculares, graminho para linhas paralelas a um bordo (muito útil para a linha dos centros das copas ou da linha de furação a 37 mm).
  3. Centro do furo: marca-se com uma cruz e aprofunda-se com o punção ou o riscador, para a broca não deslizar.
  4. Gabaritos: com várias peças iguais, um gabarito (de dobradiças, de puxadores, de ligadores, de cavilhas) garante a mesma posição em todas, sem medir peça a peça.
  5. Transferência: na carpintaria, a posição das dobradiças e das fechaduras passa-se da porta para o aro com a porta calçada no vão, com as folgas definidas.
  6. Confirmação: mede-se duas vezes antes de furar; confere-se a marcação com a própria ferragem apresentada no sítio.

Exemplo resolvido · o erro que se acumula

Um formando marca cinco furos numa prateleira a cada 96 mm, medindo cada furo a partir do anterior. Em cada medição engana-se, em média, 0,5 mm para o mesmo lado.

  1. Erro do primeiro furo: 0,5 mm; do segundo: 1,0 mm; e assim sucessivamente.
  2. Erro do quinto furo: 5 × 0,5 = 2,5 mm, bem visível num puxador ou numa linha de suportes.
  3. Se todos os furos forem medidos a partir do bordo (96, 192, 288, 384 e 480 mm), o erro de cada um fica em 0,5 mm, sem se somar.
  4. Com um gabarito, o erro fica no do próprio gabarito, igual em todas as peças.

12. Ferramentas, instrumentos e máquinas-ferramentas portáteis

Instrumentos de medição e marcação

Instrumento Uso na aplicação de ferragens
Fita métrica e metro articulado medições gerais de vãos e peças
Régua metálica graduada medições curtas e verificação de planeza
Paquímetro espessura real dos painéis, diâmetro e profundidade dos furos, medidas das ferragens (resolução de 0,1 mm ou melhor)
Esquadro linhas perpendiculares; verificar a esquadria de portas e caixas
Graminho traçar linhas paralelas a um bordo, como a linha dos centros das copas
Riscador, lápis de ponta fina traçar as marcas
Punção marcar o centro de um furo para a broca não deslizar
Nível de bolha nivelar móveis, calhas de portas de correr, corrediças
Gabaritos de furação posicionar dobradiças, puxadores, ligadores e cavilhas em série

Ferramentas manuais para fixação

Máquinas-ferramentas portáteis

Máquina Uso Cuidados
Berbequim (furadora) com e sem fio furos de 5 mm, de cavilha, de passagem de parafusos, copas com gabarito broca perpendicular; batente ou limitador de profundidade
Aparafusadora (com embraiagem regulável) apertar parafusos de aglomerado, confirmat, Euro regular a embraiagem (binário) para não moer a rosca no painel nem partir a cabeça; acabar à mão os apertos sensíveis
Fresadora portátil (tupia) rebaixos para dobradiças de livro e fechaduras de embutir, rasgos para puxadores embutidos gabarito ou guia; fresa própria; peça bem presa
Furadora de dobradiças (de bancada, transportável) copa e furos de fixação numa só operação, com repetição exata afinar cotas num retalho antes da série

Brocas

Broca Para quê
Broca de fundo plano (Forstner) de 35 mm, ou broca de copa própria furo da copa das dobradiças
Broca de ponta de centrar (tipo "brad point") furos limpos de cavilha (8 mm) e de linha (5 mm) em madeira e painéis
Broca escalonada de confirmat furo-guia, furo de passagem e escareado do confirmat numa só passagem
Broca de 15 mm de fundo plano alojamento do excêntrico dos ligadores
Escareador embeber cabeças de parafusos

Chama-se broca de cavilha à broca que faz os furos das cavilhas (8 mm, por exemplo). Não é a broca da copa das dobradiças.

Ligação ao CNC

Na indústria, grande parte desta furação faz-se no centro de maquinação CNC ou em furadoras múltiplas, a partir do desenho. O técnico continua a precisar das ferramentas portáteis para a montagem, para as correções em obra e para as peças únicas, e tem de saber verificar, com paquímetro e com a ferragem real, se a furação da máquina está certa.

13. Aplicação e afinação das ferragens

A sequência de aplicação

  1. Confirmar a ferragem (código da ficha) e os elementos de fixação (tipo e comprimento dos parafusos).
  2. Posicionar a ferragem sobre a marcação ou no gabarito, orientada corretamente.
  3. Aplicar os elementos de fixação com a ferramenta adequada, primeiro com aperto ligeiro em todos os pontos.
  4. Verificar posição e alinhamento; só depois dar o aperto final.
  5. Montar a parte móvel (porta, gaveta, tampa) na estrutura.
  6. Testar o movimento completo: abrir, fechar, curso total, fecho, amortecimento.
  7. Afinar até as folgas e o alinhamento ficarem dentro do especificado.
  8. Registar a verificação e qualquer não conformidade.

Numa porta com duas ou mais dobradiças, apertam-se ligeiramente todas antes de apertar totalmente qualquer uma, para permitir corrigir o alinhamento a tempo.

Afinar

Afinar é ajustar a ferragem já montada até o movimento e o alinhamento ficarem corretos:

Um bom trabalho nota-se nas folgas: iguais entre todas as portas e gavetas, paralelas ao longo de todo o comprimento, com movimento suave e sem que nenhuma peça toque na vizinha.

Exemplo resolvido · folgas de uma frente com três gavetas

Um módulo tem 720 mm de altura de frente disponível e leva três gavetas iguais, sobrepostas, com folga de 3 mm entre frentes e 1,5 mm no topo e na base do conjunto (valores definidos no projeto).

  1. Folgas totais: 1,5 (topo) + 2 × 3 (entre as três frentes há duas folgas) + 1,5 (base) = 9 mm.
  2. Altura disponível para as frentes: 720 menos 9 = 711 mm.
  3. Altura de cada frente: 711 ÷ 3 = 237 mm.
  4. Verificação: 3 × 237 + 9 = 711 + 9 = 720 mm.

Na afinação, confirma-se com calços de 3 mm (ou com um apalpa-folgas) que as folgas ficam iguais nos dois extremos de cada frente.

14. Segurança e saúde no trabalho e equipamentos de proteção individual

A aplicação de ferragens parece um trabalho "leve", mas junta furação, máquinas rotativas, peças pesadas, pó e posturas difíceis (dentro de móveis, em cima de escadotes, a fixar móveis altos à parede). Cumprir as normas de segurança e saúde definidas internamente é um dos critérios de desempenho desta UC.

Riscos e medidas na aplicação de ferragens

Risco Onde aparece Medidas
Projeção de aparas e fragmentos furação, fresagem, broca que parte óculos de proteção; brocas em bom estado; peça presa
Enrolamento por ferramenta rotativa berbequim, aparafusadora, fresadora sem luvas soltas, adornos, pulseiras, mangas largas nem cabelo solto junto à broca
Cortes arestas de ferragens, perfis metálicos, formão, lâminas luvas de proteção ao manusear ferragens e perfis, mas nunca a segurar a peça junto a uma broca em rotação; formão a trabalhar para longe do corpo
Peça que roda ou salta furação de peças soltas ou pequenas prender com grampos ou torno de bancada, nunca segurar à mão
Ruído fresadora, furadora de dobradiças, ambiente de oficina proteção auditiva conforme a avaliação do ruído
furação e fresagem de madeira dura e painéis aspiração na origem; máscara FFP2 ou FFP3 quando a aspiração não chega
Esforço e posturas peças pesadas, montagem de móveis altos levantar a dois, usar escadote estável, calçado de proteção
Queda de peças portas e móveis altos durante a montagem calçar e escorar antes de fixar; nunca largar uma porta presa por uma só dobradiça
Mecanismos com mola ou gás sistemas elevatórios, dobradiças com mola seguir a ordem de montagem do fabricante; não soltar a porta com a mola carregada
Elétrico cabos de máquinas portáteis verificar cabos e fichas; desligar da corrente para mudar a broca

EPI mais usados

Retirar o EPI "só para um furo rápido" é precisamente quando acontecem os acidentes.

15. Normas da qualidade

As normas da qualidade garantem que o resultado é consistente, seguro e adequado ao uso previsto. Na aplicação de ferragens funcionam a três níveis:

  1. Normas do sistema de gestão da empresa: muitas empresas trabalham segundo a NP EN ISO 9001, que exige procedimentos definidos, controlo e registo das não conformidades e melhoria contínua.
  2. Normas de produto e de ensaio: há normas europeias de ensaio de resistência e durabilidade de ferragens de mobiliário, como a EN 15570 (dobradiças) e a EN 15338 (corrediças e outros elementos de extração). São usadas pelos fabricantes: por isso a ficha técnica fala em ensaios e ciclos. O teu papel é aplicar a ferragem como o fabricante indica, para que esse desempenho se mantenha.
  3. Normas internas e do projeto: tolerâncias de posição e de folga, sequência de montagem, lista de verificação por peça.

Controlo da qualidade na aplicação

Ponto de controlo Como se verifica Critério (exemplo de projeto)
Ferragem correta código da ficha contra a lista do projeto igual à especificada
Posição dos furos paquímetro, gabarito, comparação com o desenho dentro da tolerância definida (por exemplo, mais ou menos 0,5 mm)
Profundidade dos furos paquímetro de profundidade sem atravessar; copa à face
Fixação aperto à mão, observação sem folgas, sem roscas moídas, sem parafusos a aparecer
Folgas calços, apalpa-folgas, régua iguais e paralelas (por exemplo, 2 a 3 mm, conforme o projeto)
Movimento abrir e fechar várias vezes suave, sem ruído, amortecimento a funcionar
Aspeto inspeção visual sem riscos, lascas nem marcas de ferramenta

As tolerâncias da tabela são exemplos: em cada empresa valem as que estão definidas.

Não conformidades

Uma não conformidade é tudo o que não cumpre o especificado: um furo fora de posição, uma dobradiça errada, uma folga desigual. Trata-se em quatro passos: identificar (o quê, onde, quanto), registar, corrigir (afinar, trocar a ferragem, refazer a peça) e analisar a causa para não se repetir (gabarito mal regulado, ficha mal lida, broca gasta).

Uma oficina organizada mantém uma pequena lista de verificação por peça, preenchida antes de a dar como concluída: é mais fácil corrigir uma dobradiça mal afinada na oficina do que explicar ao cliente porque é que a porta não fecha.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Aplicar ferragens em estruturas de madeira e em mobiliário segue sempre a mesma sequência: identificar o tipo de ferragem (movimento, ligação, fecho, manuseamento) e o tipo de projeto; analisar peso e dimensões dos componentes, somando o peso da própria peça ao do conteúdo; consultar o catálogo e a ficha técnica, confirmando carga, espessura, cotas e acabamento; analisar e preparar a superfície (material, espessura real, face vista, estado); marcar a partir de referências fixas, com os instrumentos e gabaritos certos; furar com a broca e a máquina adequadas e com o limitador regulado; aplicar os elementos de fixação com aperto progressivo; afinar até as folgas ficarem iguais e o movimento suave; e verificar e registar a qualidade. O Sistema 32, a copa de 35 mm, a cota K, a folga das corrediças, o entre-eixos dos puxadores e as cotas dos ligadores são a linguagem comum entre o desenho, a máquina CNC e a bancada, mas os valores exatos vêm sempre da ficha do modelo. Todo o processo se faz com o EPI adequado e cumprindo as normas de segurança e saúde, sem luvas junto a ferramentas rotativas e com o pó captado na origem.

Exercícios resolvidos

1. Uma porta de cozinha sobreposta vai ficar encostada a uma parede do lado das dobradiças. O colega propõe dobradiças de 170° "para abrir mais". Tem razão?

Resolução: não. A parede trava a porta muito antes dos 170°; o problema é o bordo da porta e o puxador baterem na parede ao rodar. A solução habitual é um remate lateral entre o móvel e a parede, com a largura que a geometria da porta e do puxador exigem (dados do fabricante ou ensaio), eventualmente com dobradiças que não fazem a porta avançar para lá do lateral e com limitador de abertura.

2. Uma dobradiça de copa de 35 mm tem cota K de 5 mm. A que distância do bordo da porta fica o centro da copa?

Resolução: raio da copa = 35 ÷ 2 = 17,5 mm. Centro = K + raio = 5 + 17,5 = 22,5 mm do bordo.

3. A porta tem 16 mm de espessura e a ficha indica 13 mm de profundidade para a copa. Quanto material fica por baixo? E se a porta tivesse 19 mm?

Resolução: 16 menos 13 = 3 mm; com 19 mm ficariam 19 menos 13 = 6 mm. Com 3 mm não há margem: o limitador tem de ser regulado e confirmado num retalho.

4. Um gavetão vai levar 25 kg de louça; a gaveta pesa 5 kg. O catálogo tem corrediças de 30 kg e de 40 kg por par, para esse comprimento. Com margem de 20 %, qual escolhes?

Resolução: carga = 25 + 5 = 30 kg; com margem: 30 × 1,2 = 36 kg. A de 30 kg fica no limite e abaixo da carga com margem: rejeitada. Escolhe-se a de 40 kg por par, confirmando na ficha que o valor vale para a gaveta aberta e para esta largura.

5. Um módulo tem 450 mm de largura exterior e laterais de 16 mm. As corrediças de esferas pedem 12,7 mm de folga por lado. Qual a largura exterior da gaveta?

Resolução: vão interior = 450 menos 2 × 16 = 418 mm. Folga total = 2 × 12,7 = 25,4 mm. Largura da gaveta = 418 menos 25,4 = 392,6 mm.

6. Uma frente de gaveta tem 446 mm de largura. Onde ficam os furos de um puxador de entre-eixos 96 mm, centrado?

Resolução: centro = 446 ÷ 2 = 223 mm; metade do entre-eixos = 48 mm. Furos a 223 menos 48 = 175 mm e a 223 + 48 = 271 mm do bordo esquerdo. Verificação: 271 menos 175 = 96 mm; 446 menos 271 = 175 mm (simétrico).

7. Num lateral de 720 mm, a linha de furos de 5 mm começa a 9,5 mm do topo, com passo de 32 mm. O projeto põe a base de uma dobradiça no 4.º furo. A que altura fica, medida do topo?

Resolução: do 1.º ao 4.º furo há 3 intervalos: 3 × 32 = 96 mm. Altura = 9,5 + 96 = 105,5 mm do topo.

8. Porque é que um parafuso de aglomerado aparafusado no canto de um painel sem furo-guia é má escolha para ligar um tampo, e o que usas em vez disso?

Resolução: no canto, o parafuso abre as partículas e fende o painel, e a retenção é fraca. Usa-se um confirmat (por exemplo, 7 × 50 mm) com furo feito pela broca escalonada própria (furo-guia de cerca de 5 mm no canto, passagem de 7 mm na face), ou um ligador excêntrico com cavilhas se o móvel tiver de ser desmontável.

9. Uma porta de roupeiro de 2 000 mm de altura e 500 mm de largura pesa 11 kg. Quantas dobradiças leva?

Resolução: manda a tabela do fabricante da dobradiça escolhida, cruzando altura, largura e peso. Uma porta com esta altura leva claramente mais de duas dobradiças; é o catálogo que diz se são quatro ou cinco, e a posição de cada uma. Não se responde "de cabeça".

10. Um colega fura um puxador com luvas de proteção e a segurar a porta com a outra mão, junto à broca. Que dois erros comete?

Resolução: (1) usa luvas junto a uma ferramenta rotativa, que podem ser agarradas e enrolar a mão; (2) segura a peça à mão em vez de a prender com grampos. Deve prender a porta, tirar as luvas para furar, usar óculos de proteção e voltar a pôr as luvas só para manusear perfis e ferragens com arestas.

11. Uma porta tem folga de 1 mm em cima e 3 mm em baixo em relação à porta vizinha, e está alinhada em altura e em profundidade. Que regulação usas e qual é o objetivo?

Resolução: a regulação lateral, atuando mais numa dobradiça do que na outra, até a folga ficar igual em cima e em baixo: (1 + 3) ÷ 2 = 2 mm em toda a altura.

12. Uma amostra de madeira para uma porta maciça pesa 64,4 g húmida e 56,0 g anidra. Qual o teor de água, e serve para um móvel de interior?

Resolução: (64,4 menos 56,0) ÷ 56,0 × 100 = 8,4 ÷ 56,0 × 100 = 15 %. Está acima do intervalo usual para interior (cerca de 8 a 12 %): a madeira vai secar e contrair depois de aplicada, desalinhando as ferragens. Deve estabilizar antes de se fazer a porta.