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UC · Unidade de Competência · UC00616

Normas de segurança e saúde no trabalho no setor da informática (UC00616)

Da prevenção do risco no posto de trabalho à emergência, ao incêndio e à evacuação
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Desenv. Software, T. Sist. Comp. Redes, T. Inform. Gestão ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Há um pacote premium desta unidade: um PowerPoint editável de 100 ou mais diapositivos, um manual em PDF e dois testes com correção. Esta sebenta continua gratuita.

Introdução

Quem trabalha em informática raramente se imagina num ambiente perigoso: não há andaimes, nem prensas. E, no entanto, o técnico passa horas sentado diante de um ecrã, abre equipamentos ligados à rede elétrica, carrega servidores e monitores pesados, trabalha em salas técnicas com cabos por todo o lado e convive com baterias e aparelhos que aquecem. Os acidentes e as doenças que daqui resultam são menos espetaculares do que noutros setores, mas são frequentes: dores de costas e de pulsos, fadiga visual, tropeções em cabos, choques elétricos, queimaduras, pequenos incêndios em extensões sobrecarregadas, furtos de equipamento.

Esta sebenta ensina a implementar as normas de segurança e saúde no trabalho (SST) no setor da informática. Começa pelos princípios, pelo enquadramento legal e pelos planos e manuais que uma organização deve ter, e desce ao concreto: meios e regras de segurança (EPI, ergonomia, proteção dos equipamentos), manuseamento de equipamento e movimentação de materiais, causas de acidentes, primeiros socorros e situações de emergência. Fecha com o incêndio: causas, deteção, extintores, plano de ataque e extinção por gás.

Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo explica a matéria, apresenta tabelas de consulta e termina, quando faz sentido, com um exemplo resolvido passo a passo. Tenta resolvê-lo antes de ler a solução.

Uma nota sobre diplomas legais. Os diplomas citados são identificados pelo número e pelo assunto, sempre na redação em vigor, porque a legislação é alterada. Antes de citares um artigo concreto, consulta o texto consolidado no Diário da República Eletrónico.

1. Princípios de segurança e saúde no trabalho

1.1. Segurança, higiene e saúde: três palavras, um objetivo

Falamos de segurança e saúde no trabalho para designar o conjunto de políticas, métodos e comportamentos que impedem que o trabalho prejudique quem o faz. Tradicionalmente distinguem-se três vertentes:

Vertente O que protege Exemplos em informática
Segurança A integridade física contra acidentes (eventos súbitos) Desligar o equipamento da tomada antes de o abrir, calhas para cabos, proteção contra quedas
Higiene A saúde contra agentes que atuam de forma lenta e contínua (ruído, poeiras, iluminação, ambiente térmico) Ruído de uma sala de servidores, má iluminação, poeira em ventoinhas
Saúde O estado de bem-estar físico e psicológico do trabalhador Vigilância médica, ergonomia, prevenção do esgotamento profissional

A diferença entre acidente e doença profissional passa precisamente por aqui. O acidente é súbito e identificável no tempo: um choque elétrico, uma queda, um corte. A doença instala-se devagar, por exposição repetida: a tendinite de quem escreve milhares de caracteres por dia com os pulsos dobrados, a perda de audição de quem trabalha anos junto de ruído.

1.2. Conceitos fundamentais

Os conceitos seguintes aparecem em qualquer documento de SST.

Conceito Definição Exemplo
Perigo Propriedade ou situação com potencial para causar dano Um cabo de alimentação com o isolamento rasgado
Risco Combinação da probabilidade de o dano ocorrer com a sua gravidade A probabilidade de alguém pisar o cabo e sofrer um choque, multiplicada pela gravidade do choque
Acidente de trabalho Ocorrência súbita ligada ao trabalho que provoca lesão Queda num cabo no chão da sala técnica
Doença profissional Doença que resulta diretamente das condições do trabalho, constante da lista oficial Doença musculoesquelética provocada por movimentos repetitivos
Dano Lesão ou prejuízo que resulta de o risco se concretizar Uma entorse, um choque elétrico, uma queimadura
Quase-acidente Ocorrência que podia ter causado dano e não causou Um monitor que escorrega da bancada e é apanhado a tempo

1.3. Os princípios gerais de prevenção

A legislação portuguesa de SST assenta na ideia de que a prevenção deve estar integrada em todas as atividades da organização e não ser um complemento. O regime jurídico (Lei n.º 102/2009, na redação em vigor) enuncia, para o empregador, princípios gerais de prevenção que, resumidos, são:

  1. Identificar os riscos previsíveis em todas as atividades, antes que se transformem em danos.
  2. Combater os riscos na origem, em vez de apenas tratar as consequências.
  3. Adaptar o trabalho ao trabalhador, e não o contrário: conceção dos postos, escolha de equipamentos e métodos.
  4. Ter em conta a evolução da técnica: substituir o que é perigoso pelo que é menos perigoso ou inócuo.
  5. Dar prioridade à proteção coletiva sobre a individual.
  6. Dar instruções adequadas aos trabalhadores e informá-los dos riscos.
  7. Planificar a prevenção num sistema coerente que inclua a organização do trabalho, as condições de trabalho e as relações sociais.

A hierarquia das medidas de controlo traduz estes princípios numa ordem prática. Pergunta-se sempre, por esta ordem:

Nível Pergunta Exemplo em informática
1. Eliminar Podemos eliminar o perigo? Trabalhar com o equipamento desligado e separado da rede elétrica, em vez de trabalhar com tensão
2. Substituir Podemos trocar por algo menos perigoso? Trocar uma fonte de alimentação avariada por uma nova em vez de a reparar
3. Proteção coletiva Podemos proteger todos de uma vez? Calhas para cabos, tapete antiderrapante, extração, sinalização
4. Organização do trabalho Podemos mudar procedimentos e horários? Rotação de tarefas, pausas, procedimentos escritos, formação
5. Proteção individual (EPI) Resta algum risco que só o EPI cobre? Luvas, óculos, protetores auriculares, pulseira antiestática

O equipamento de proteção individual é o último recurso, não o primeiro.

Exemplo resolvido · Classificar uma situação em perigo, risco e dano

Situação. Numa sala de formação, o formador deixou uma extensão elétrica de seis tomadas no chão, entre duas filas de mesas, com cinco computadores ligados nela.

Pergunta. Identifica o perigo, o risco, o dano possível e a medida de controlo a aplicar, seguindo a hierarquia de controlo.

Resolução.

  1. Perigo: o cabo e a extensão no chão, numa zona de passagem. O segundo perigo é a ligação em cadeia de vários equipamentos à mesma extensão.
  2. Risco: alguém tropeçar no cabo (probabilidade alta, porque é zona de passagem) e a extensão sobreaquecer por sobrecarga (probabilidade menor, mas de gravidade maior).
  3. Dano possível: queda com contusões ou fratura; sobreaquecimento da extensão, queimadura ou início de incêndio.
  4. Eliminar: reposicionar as mesas ou usar tomadas junto a cada posto, deixando de ter cabos na zona de passagem.
  5. Proteção coletiva: se o cabo tiver de atravessar a passagem, usar uma calha de cabos sinalizada.
  6. Organização do trabalho: definir que as extensões não podem ficar no chão e que não se ligam extensões em série; incluir a verificação na lista do início de cada aula.
  7. EPI: não se aplica. O risco resolve-se na origem.

Conclusão. A melhor resposta é eliminar o cabo da passagem; a calha é a segunda hipótese; o procedimento escrito mantém o resultado.

2.1. Da Constituição ao Código do Trabalho

O direito à prestação do trabalho em condições de higiene, segurança e saúde está consagrado na Constituição da República Portuguesa. O Código do Trabalho concretiza este direito e remete o regime detalhado da SST para legislação própria. A União Europeia deu o impulso decisivo através de uma diretiva-quadro (89/391/CEE), complementada por diretivas especiais que Portugal foi transpondo.

2.2. Os diplomas que importam em informática

Diploma Assunto Onde aparece na informática
Lei n.º 102/2009 Regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho Obrigações gerais do empregador e do trabalhador, serviços de SST, informação, consulta e formação
Decreto-Lei n.º 347/93 Prescrições mínimas de segurança e saúde nos locais de trabalho Condições gerais do local: espaço, iluminação, ventilação, saídas
Decreto-Lei n.º 349/93 e Portaria n.º 989/93 Prescrições mínimas para o trabalho com equipamentos dotados de visor O posto com computador: ecrã, teclado, mesa, cadeira, ambiente, interrupções
Decreto-Lei n.º 330/93 Prescrições mínimas para a movimentação manual de cargas Transportar servidores, monitores, caixas de papel e consumíveis
Decreto-Lei n.º 50/2005 Prescrições mínimas para a utilização de equipamentos de trabalho pelos trabalhadores Utilização segura de máquinas e equipamentos, incluindo riscos elétricos
Decreto-Lei n.º 141/95 Prescrições mínimas de sinalização de segurança e de saúde Sinais de proibição, aviso, obrigação, salvamento e combate a incêndio
Lei n.º 98/2009 Reparação dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais Participação do acidente, seguro, direitos do sinistrado
Decreto-Lei n.º 220/2008 e respetivo regulamento técnico (Portaria n.º 1532/2008) Segurança contra incêndio em edifícios (SCIE) Medidas de autoproteção, evacuação, extintores, deteção

2.3. As obrigações do empregador

O dever geral do empregador está no artigo 15.º da Lei n.º 102/2009 e concretiza-se em obrigações como as seguintes (o registo dos acidentes e incidentes consta do artigo 46.º):

  1. Avaliar os riscos de cada posto e atividade e manter essa avaliação atualizada.
  2. Planificar a prevenção e organizar os serviços de SST.
  3. Informar e formar os trabalhadores sobre os riscos e as medidas de prevenção, na admissão e sempre que haja mudanças.
  4. Consultar os trabalhadores e os seus representantes.
  5. Assegurar a vigilância da saúde: exames de admissão, periódicos e ocasionais, conforme o caso.
  6. Fornecer equipamentos de proteção e de trabalho adequados e em bom estado.
  7. Organizar os meios de emergência: primeiros socorros, combate a incêndios, evacuação.
  8. Registar os acidentes e os incidentes e participar os acidentes nos termos da Lei n.º 98/2009; investigar as causas, também as dos quase-acidentes, é a boa prática que dá utilidade ao registo.
  9. Suportar os custos das medidas de SST, sem os transferir para o trabalhador.

2.4. As obrigações do trabalhador

O artigo 17.º da mesma lei define o dever de cumprir as prescrições de SST, de zelar pela própria segurança e saúde e pela das outras pessoas que possam ser afetadas pelas suas ações ou omissões, e de cooperar com o empregador. Na prática:

O cumprimento das obrigações do trabalhador não afasta as do empregador. O empregador não fica desculpado pela distração do trabalhador se não lhe deu formação, equipamento e organização.

2.5. Acidente de trabalho e doença profissional

O regime de reparação (Lei n.º 98/2009) trata como acidente de trabalho o que se verifica no local e no tempo de trabalho e produz, direta ou indiretamente, lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte morte ou redução da capacidade de trabalho ou de ganho. O regime estende o conceito ao acidente de trajeto, isto é, ao que ocorre no percurso normal de ida para o local de trabalho ou de regresso a casa, dentro das condições que a lei fixa.

A doença profissional é a que resulta diretamente das condições de trabalho e consta da lista oficial publicada em diploma próprio. Para uma doença ser reconhecida como profissional, tem de estar relacionada com a exposição e o diagnóstico deve ser feito segundo os procedimentos legais.

2.6. As entidades de referência

Saber a quem recorrer é parte da prevenção:

Entidade Papel
ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) Fiscaliza as condições de trabalho e promove a SST
DGS (Direção-Geral da Saúde) Normas e orientações de saúde, incluindo a saúde ocupacional
ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil) Proteção civil e segurança contra incêndio em edifícios
INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) Emergência médica, acessível pelo 112; integra o CIAV
Serviços de SST Apoio técnico ao empregador: riscos, vigilância da saúde, formação

2.7. Trabalhar no espaço do cliente

O técnico de informática trabalha muitas vezes nas instalações de um cliente. A lei manda que os empregadores que atuam em simultâneo no mesmo local cooperem na proteção da segurança e da saúde, e que a empresa em cujas instalações outros trabalhadores prestam serviço assegure também a segurança e a saúde destes, sem afastar a responsabilidade de cada empregador (artigo 16.º da Lei n.º 102/2009). Na prática, à chegada:

Exemplo resolvido · Quem faz o quê numa pequena empresa

Situação. Uma empresa de manutenção de computadores com seis trabalhadores quer organizar a SST. Um técnico propõe: «A empresa é pequena, por isso a responsabilidade é de cada um e basta darmos luvas e uma pulseira antiestática.»

Pergunta. Comenta a proposta à luz dos princípios e das obrigações.

Resolução.

  1. Responsabilidade: o dever geral de assegurar condições de SST é do empregador. A dimensão da empresa não o elimina nem o transfere para os trabalhadores.
  2. EPI em primeiro lugar: a proposta inverte a hierarquia. Primeiro avaliam-se os riscos (cabos, postos, cargas, eletricidade) e eliminam-se ou reduzem-se na origem; o EPI cobre o risco que sobra.
  3. Em falta: avaliação de riscos escrita, formação, vigilância da saúde, plano de emergência (extintores, saídas, primeiros socorros), seguro de acidentes de trabalho, organização dos serviços de SST.
  4. O que cabe ao técnico: cumprir as regras, usar o EPI, comunicar os perigos, participar na formação. Pode também propor melhorias, como fez, mas não substitui o empregador.
  5. Resposta final: a proposta é insuficiente. Deve ser completada com a avaliação de riscos, o plano de prevenção e os serviços de SST, tudo da responsabilidade do empregador.

3. O plano de segurança do estabelecimento e os manuais de segurança

3.1. O que é um plano de segurança

Um plano de segurança é o documento (ou conjunto de documentos) em que uma organização regista, de forma organizada, o que fará para prevenir riscos e como reagirá quando estes se concretizam. Num estabelecimento, o plano de segurança reúne, entre outras partes:

No regime de segurança contra incêndio em edifícios, estas ideias aparecem como medidas de autoproteção, que se organizam em três grupos: as medidas de prevenção (procedimentos de prevenção, formação, simulacros), as medidas de intervenção em caso de incêndio (procedimentos de emergência ou plano de emergência interno) e os registos de segurança (relatórios de inspeção, manutenções e ocorrências). A sua exigência depende da utilização-tipo e da categoria de risco do edifício, nos termos do regime de SCIE e do respetivo regulamento técnico, nas redações em vigor.

3.2. Interpretar o plano de segurança

Interpretar o plano é saber ler um documento que existe para ser usado em situações de stress. Um técnico de informática, mesmo recém-chegado a uma organização, deve conseguir responder a estas perguntas:

  1. Quem é o responsável de segurança e como se contacta?
  2. Qual é o procedimento ao detetar fumo?
  3. Por onde se sai e onde fica o ponto de encontro?
  4. Onde está o extintor e de que tipo é?
  5. Onde está a caixa de primeiros socorros?
  6. Quando foi o último simulacro?

Quando o plano não responde a alguma destas perguntas, ou está desatualizado (mudaram as pessoas, as salas, o equipamento), deve-se comunicar a falha ao responsável. Um plano que ninguém conhece não protege ninguém.

3.3. Manuais de segurança

Os manuais de segurança são documentos mais próximos da operação: instruem passo a passo sobre como realizar uma tarefa em segurança, ou como usar um equipamento. Em informática, aparecem sob várias formas:

Tipo de manual Conteúdo Exemplo
Manual do equipamento Instruções do fabricante: instalação, ventilação, ligação elétrica, limpeza, advertências Manual de uma UPS ou de um servidor em rack
Ficha de procedimento Sequência de passos para uma tarefa recorrente «Substituição de uma fonte de alimentação»
Ficha de dados de segurança (FDS) Informação sobre um produto químico: perigos, primeiros socorros, manuseamento Toner, solventes de limpeza, isopropanol

Reconhecer um manual de segurança é perceber para que serve, a quem se dirige e quando consultar. O manual do fabricante prevalece na instalação e na manutenção: se contradiz um hábito da equipa, vale o manual.

3.4. Sinalização de segurança

A sinalização de segurança é parte do plano. A legislação (Decreto-Lei n.º 141/95 e a portaria que o regulamenta, nas redações em vigor) define sinais normalizados que o trabalhador deve conhecer. A forma e a cor identificam a família do sinal:

Tipo de sinal Forma e cor Significado Exemplos
Proibição Círculo, orla e barra vermelhas sobre fundo branco Comportamento proibido Proibido fumar; proibido apagar com água
Aviso Triângulo, orla preta sobre fundo amarelo Perigo Perigo de eletricidade; risco de queda
Obrigação Círculo azul com símbolo branco Comportamento obrigatório Proteção auricular obrigatória; luvas obrigatórias
Salvamento ou socorro Retângulo ou quadrado verde com símbolo branco Saídas e meios de socorro Saída de emergência; primeiros socorros
Combate a incêndio Retângulo ou quadrado vermelho com símbolo branco Meios de combate Extintor; boca de incêndio

Uma regra mnemónica simples: vermelho proíbe ou combate o fogo, amarelo avisa, azul obriga, verde salva.

Exemplo resolvido · Ler um plano de segurança e responder a uma emergência

Situação. Chegas como estagiário a uma empresa de apoio informático. Na sala técnica, às 10h, ouves um alarme contínuo e sentes cheiro a queimado vindo de um bastidor (rack).

Pergunta. Com o plano de segurança à frente, que informação procuras e por que ordem atuas?

Resolução.

  1. Segurança pessoal primeiro: não te aproximes do bastidor nem tentes desmontar nada.
  2. Procura no plano o procedimento para «alarme de incêndio» e o contacto do responsável de segurança.
  3. Ativa o alarme manual se ainda não estiver ativado e comunica ao responsável, com a localização exata («sala técnica, piso 1, bastidor 3, cheiro a queimado»).
  4. Se estiveres treinado e o fogo for pequeno, usa o extintor adequado (ver capítulo 13) sem te colocares em risco; caso contrário, sai.
  5. Segue o percurso indicado na planta de evacuação do teu local até ao ponto de encontro.
  6. Contagem: apresenta-te ao responsável no ponto de encontro. Só ele ou o comando dos bombeiros decide o regresso.

Conclusão. O plano responde às perguntas «quem avisar», «por onde sair», «onde esperar».

4. Avaliação de riscos no setor da informática

4.1. As etapas da avaliação

A avaliação de riscos é o método que transforma «isto parece perigoso» em decisões ordenadas. Segue cinco passos:

  1. Identificar os perigos (o que pode causar dano?).
  2. Identificar quem pode ser afetado e como (trabalhadores, visitantes, prestadores de serviço).
  3. Estimar o risco (qual a probabilidade e a gravidade?).
  4. Decidir e aplicar medidas, seguindo a hierarquia de controlo.
  5. Registar, comunicar e rever periodicamente.

A avaliação deve ser atualizada sempre que muda o local, o equipamento, a organização, ou depois de um acidente.

4.2. Uma matriz de risco simples

Há vários métodos de avaliação. Um dos mais usados no ensino é a matriz de probabilidade e gravidade. Neste exemplo (método didático, sem valor legal próprio), usam-se escalas de 1 a 5.

Probabilidade (P): 1 improvável · 2 pouco provável · 3 possível · 4 provável · 5 quase certa.

Gravidade (G): 1 sem lesão ou apenas desconforto · 2 lesão ligeira sem baixa · 3 lesão com baixa temporária · 4 lesão grave ou incapacidade permanente · 5 morte.

O nível de risco é o produto N = P × G e define a ação:

Nível N Classificação Ação recomendada
1 a 4 Baixo Aceitável; manter controlos e monitorizar
5 a 9 Médio Planear medidas e aplicá-las em prazo definido
10 a 16 Alto Intervir com prioridade; reduzir antes de continuar a rotina
17 a 25 Muito alto Parar a atividade e só retomar após controlo

A matriz ordena, não dá verdades absolutas: dois avaliadores podem divergir por um ponto; o importante é que o critério seja explícito e igual para todos os riscos.

Exemplo resolvido · Avaliar quatro riscos de uma sala de manutenção

Situação. Numa sala de manutenção de equipamentos, identificaram-se estes perigos: (a) fontes de alimentação abertas em cima da bancada, com acesso a alunos; (b) cabos soltos no chão entre duas bancadas; (c) cadeiras sem regulação em postos de uso diário; (d) caixa de ferramentas numa prateleira alta, acessível por escadote instável.

Pergunta. Estima P e G, calcula N, classifica e ordena por prioridade.

Resolução.

Perigo P G N = P × G Classificação
(a) Fontes abertas ao alcance 3 5 15 Alto
(b) Cabos no chão 4 3 12 Alto
(c) Cadeiras sem regulação 5 2 10 Alto
(d) Escadote instável 3 4 12 Alto
  1. Justificação de (a): o contacto com um condensador carregado pode ser grave (G = 5 como limite superior, por causa do risco de eletrocussão), mas só ocorre se alguém abrir ou tocar (P = 3).
  2. Ordem de prioridade: (a) com N = 15; empate entre (b) e (d) com N = 12, desempatado pela gravidade (d tem G = 4); (c) com N = 10.
  3. Medidas: (a) retirar as fontes da bancada para um armário fechado e etiquetar «não abrir»; (b) cabos em calhas; (d) substituir o escadote por um com travão e reorganizar a prateleira; (c) substituir as cadeiras.
  4. Risco residual esperado: todos passam para «baixo» ou «médio» se as medidas forem aplicadas.

Conclusão. A matriz não decide sozinha, mas obriga a justificar a ordem das intervenções.

5. Ergonomia e o posto de trabalho com equipamento de visualização

5.1. O que é a ergonomia

A ergonomia estuda a adaptação do trabalho ao ser humano: do posto, dos equipamentos, do ambiente e da organização. Em informática, o objetivo é simples: trabalhar horas diante de um ecrã sem dor, sem fadiga excessiva e sem lesões que apareçam anos depois. O princípio legal já o conhecemos (adaptar o trabalho ao trabalhador), mas aqui ganha forma concreta.

O trabalho com computador tem um perfil de risco particular: postura estática prolongada, movimentos repetitivos de mãos e dedos, esforço visual contínuo e, muitas vezes, ritmo mental elevado. Nenhum dos fatores é grave sozinho; a combinação, ao longo de meses, é que provoca lesões.

O Decreto-Lei n.º 349/93 transpõe a diretiva europeia sobre trabalho com equipamentos dotados de visor, e a Portaria n.º 989/93 define as prescrições técnicas. Em linhas gerais, esta legislação:

O diploma identifica os requisitos de forma qualitativa (por exemplo, ecrã sem tremor, imagem estável, teclado independente do ecrã, espaço suficiente para posicionar as mãos). Os números que se encontram em manuais e guias (distâncias, alturas) são boas práticas de ergonomia, úteis como ponto de partida mas sempre ajustáveis à pessoa.

5.3. Os elementos do posto

Elemento Boas práticas
Cadeira Altura regulável; encosto que apoie a zona lombar e regulável em inclinação; rodízios; apoio de braços regulável quando possível. Regula-se para que os pés fiquem apoiados e as coxas aproximadamente horizontais
Mesa Superfície mate, com espaço para teclado, rato, documentos e para as pernas se movimentarem. Altura compatível com os cotovelos em ângulo aproximado de 90 graus
Ecrã Perpendicular às janelas, sem reflexos. Topo do ecrã à altura dos olhos ou ligeiramente abaixo. Distância confortável de leitura, que costuma ficar próxima de um braço estendido
Teclado e rato Pulsos em posição neutra, sem dobrar para cima ou para os lados. Rato ao alcance do teclado. Teclados e ratos ergonómicos quando há uso intensivo

5.4. Iluminação e ambiente

5.5. Pausas e organização do trabalho

A lei fala de interrupções periódicas, sem fixar uma duração universal, e a prática recomenda trabalhar em ciclos curtos. Boas práticas conhecidas:

5.6. As lesões mais frequentes

Problema O que é Sinais Prevenção
Perturbações musculoesqueléticas Lesões de músculos, tendões e nervos por esforço repetido ou postura mantida Dor, formigueiro, rigidez Postura, pausas, mudança de tarefa, mobilização
Síndrome do túnel cárpico Compressão do nervo mediano no pulso Formigueiro e dormência nos dedos, sobretudo à noite Pulsos neutros, equipamento adequado, pausas; avaliação médica se persistir
Cervicalgia Dor no pescoço Rigidez, dor nos ombros Ecrã à altura certa, suporte para documentos
Lombalgia Dor na zona lombar Dor ao fim do dia Cadeira com apoio lombar, levantar-se com frequência
Fadiga visual Cansaço dos olhos Olhos secos, vermelhos, visão desfocada, dor de cabeça Iluminação, ecrã limpo e bem regulado, pausas, exame de vista

Estes sintomas não se «aguentam»: se persistem, comunicam-se ao responsável e ao médico do trabalho.

Exemplo resolvido · Diagnóstico de um posto de trabalho

Situação. Um programador de 28 anos queixa-se de dor no pescoço e formigueiro nos dedos ao fim do dia. O posto: portátil sobre a mesa, ecrã bem abaixo do nível dos olhos, teclado do portátil, janela atrás do ecrã com o sol a bater, cadeira sem regulação, pés pendurados, sem pausas durante horas.

Pergunta. Identifica os problemas, relaciona-os com os sintomas e propõe correções por ordem de prioridade.

Resolução.

Problema Consequência provável Correção
Ecrã baixo (portátil sobre a mesa) Pescoço inclinado: cervicalgia Suporte para o portátil e teclado e rato externos
Teclado do portátil, braços sem apoio Pulsos dobrados, ombros tensos: formigueiro, risco de túnel cárpico Teclado externo, apoiar antebraços, pulsos neutros
Janela atrás do ecrã Reflexos e encandeamento: fadiga visual Rodar o posto para a janela ficar de lado; estore
Cadeira sem regulação, pés pendurados Má circulação, sobrecarga lombar Cadeira regulável; apoio para os pés
Sem pausas Fadiga acumulada Lembretes de pausa; alternar tarefas; micropausas
  1. Prioridade: primeiro o que resolve mais com menos custo, o suporte e o teclado externo (corrigem pescoço e pulsos), e a reorientação do posto (custo zero).
  2. Depois: a cadeira, que exige compra, e o hábito das pausas.
  3. Acompanhamento: como há sintomas, o trabalhador deve falar com o médico do trabalho. A correção do posto não substitui a avaliação clínica.

Conclusão. Uma queixa no pescoço e nos dedos raramente tem uma única causa. A solução é sistemática: ecrã, teclado, luz, cadeira e pausas.

6. Plano de prevenção de acidentes e causas de acidentes no trabalho

6.1. O plano de prevenção de acidentes

O plano de prevenção de acidentes reúne o que a organização faz antes de o acidente acontecer. Estrutura habitual:

  1. Objetivo e âmbito: que locais, atividades e pessoas abrange.
  2. Avaliação de riscos resumida, com os riscos prioritários.
  3. Medidas de prevenção por risco, com responsáveis e prazos.
  4. Formação e informação: quem recebe, quando, com que conteúdos.
  5. Inspeções e manutenções: do equipamento elétrico, das saídas, dos extintores, das instalações.
  6. Procedimentos de comunicação de acidentes e incidentes.
  7. Indicadores e revisão: número de incidentes, ações concluídas, resultados dos simulacros.

6.2. As causas dos acidentes

Os acidentes têm raramente uma só causa. Costuma distinguir-se:

Intervir apenas no ato inseguro («foi descuido do trabalhador») deixa as causas de fundo intactas. A boa investigação pergunta «porquê?» até chegar à organização.

6.3. Os grupos de causas do referencial

O referencial desta UC identifica grupos de acidentes típicos. Em informática, aparecem assim:

Grupo O que acontece Exemplo no setor Prevenção
Acidentes de movimentação Lesões ao levantar, transportar ou empurrar cargas Levantar um servidor sozinho, empurrar um carro com monitores Avaliar o peso, pedir ajuda, usar carrinho, técnica de levantamento
Choques e quedas Pancadas contra objetos ou queda ao mesmo nível ou em altura Tropeçar num cabo, bater num bastidor aberto, cair de um escadote Calhas de cabos, arrumação, iluminação, escadote adequado
Ferramentas e máquinas em movimento Cortes, esmagamentos, entalamentos Chassis com arestas vivas, ventoinhas em rotação, portas de rack Luvas quando indicado, desligar antes de intervir, ferramenta adequada
Choques elétricos Passagem de corrente pelo corpo Abrir uma fonte de alimentação, cabo danificado Desligar e descarregar, não tocar em partes sob tensão, equipamentos com marcação
Agentes químicos Contacto com substâncias perigosas Toner derramado, eletrólito de bateria, solventes Ler a ficha de dados de segurança, luvas e óculos, ventilação
Queimaduras Contacto com superfícies quentes, líquidos ou chamas Fonte de alimentação e dissipadores quentes, impressora laser, ferro de soldar Deixar arrefecer, sinalizar, luvas térmicas

6.4. Comunicar, registar e investigar

Todos os acidentes e incidentes devem ser comunicados ao responsável, registados e, consoante a gravidade, investigados. Passos típicos:

  1. Socorrer o sinistrado e tornar o local seguro.
  2. Comunicar de imediato ao responsável (e ao 112, se necessário).
  3. Registar o que aconteceu: data, hora, local, pessoas, descrição, testemunhas.
  4. Participar à seguradora e às entidades, quando aplicável, nos prazos legais.
  5. Investigar as causas: o que falhou no equipamento, no procedimento, na formação, na organização?
  6. Corrigir e verificar se a correção funcionou.
  7. Partilhar a lição aprendida.

Exemplo resolvido · Análise de um acidente por causas

Situação. Um técnico torceu o tornozelo ao tropeçar num cabo de rede esticado entre dois bastidores, numa sala técnica mal iluminada, quando saía a correr para atender um telefonema urgente.

Pergunta. Classifica o acidente, separa causas imediatas e de fundo e propõe medidas.

Resolução.

  1. Grupo: choque e queda (queda ao mesmo nível). Consequência: entorse (lesão ligeira a moderada).
  2. Causas imediatas: cabo esticado na passagem (condição perigosa); pouca luz (condição perigosa); pressa do técnico (comportamento).
  3. Causas de fundo: instalação de cabos sem canalização; manutenção da iluminação em atraso; cultura de urgência permanente (as chamadas exigem resposta imediata).
  4. Medidas imediatas: retirar o cabo da passagem; arranjar a iluminação; sinalizar.
  5. Medidas estruturais: passar a cablagem para calhas e para o teto técnico; inspeção periódica da sala; estabelecer prioridades e canais de comunicação para que o telefone não obrigue a correr.
  6. Comunicação: registar o acidente, participar ao empregador e à seguradora, e rever a avaliação de riscos da sala.

Conclusão. A causa «descuido do técnico» é verdadeira mas pouco útil: corrigir apenas o comportamento deixaria o cabo e a pouca luz à espera do próximo.

7. Regras de segurança no manuseamento de equipamento e na movimentação de materiais

7.1. O vestuário e a apresentação do trabalhador

O vestuário também é uma medida de segurança. Em trabalho técnico com equipamento:

7.2. Prevenção de choques elétricos

O choque elétrico ocorre quando a corrente atravessa o corpo. A gravidade depende da intensidade, da duração, do percurso da corrente e do estado de saúde da pessoa. Para o técnico de informática, as situações típicas são: abrir equipamento ligado à rede, tocar em cabos ou fichas danificadas, manusear fontes de alimentação e UPS, trabalhar com humidade, usar extensões sobrecarregadas.

Regras base:

  1. Desligar da tomada, e não apenas pelo botão, antes de abrir qualquer equipamento. Retirar também baterias amovíveis, quando existam.
  2. Aguardar o tempo indicado pelo fabricante para descarregar condensadores. Em fontes de alimentação e em equipamentos com condensadores de grande capacidade, esta espera é essencial.
  3. Nunca abrir uma fonte de alimentação ou um ecrã antigo (CRT) se não tiver formação e autorização. Substitui-se a unidade completa.
  4. Inspecionar cabos, fichas e tomadas antes de usar. Cabo com isolamento rasgado ou ficha aquecida: retirar de serviço e sinalizar.
  5. Não sobrecarregar extensões nem ligar extensões em série.
  6. Não reparar com o equipamento ligado. Se a tarefa exigir tensão (medição), deve ser feita por pessoa qualificada, com instrumentos adequados.

Descarga eletrostática (ESD). A eletricidade estática do corpo, mesmo imperceptível para a pessoa, pode danificar componentes eletrónicos sensíveis. Prevenção: pulseira antiestática ligada a uma referência de massa adequada, tapete antiestático, sacos antiestáticos para armazenar e transportar componentes, tocar numa superfície metálica ligada à massa antes de manipular, e evitar manipular placas pelos contactos. A pulseira antiestática deve ser usada em equipamento desligado da rede; não se usa quando se trabalha em circuitos com tensão perigosa, porque ligaria o corpo à terra.

7.3. Movimentação manual de cargas

A movimentação manual de cargas é regulada pelo Decreto-Lei n.º 330/93, que visa evitar sobretudo as lesões dorsolombares. Princípio geral: evitar a movimentação manual quando possível, recorrendo a meios mecânicos (carrinhos, plataformas, elevadores); se não for possível, reduzir o risco com organização e formação.

Técnica de levantamento seguro:

  1. Avaliar a carga: peso aproximado, estabilidade, pegas, caminho livre. Se parece pesada, é: pedir ajuda ou usar meios.
  2. Aproximar-se da carga e colocar os pés ligeiramente afastados, um ligeiramente à frente do outro.
  3. Flexionar os joelhos, manter a coluna direita, olhar em frente.
  4. Agarrar com firmeza, de preferência com as duas mãos e a carga próxima do corpo.
  5. Levantar com a força das pernas, sem rodar o tronco.
  6. Mover os pés para mudar de direção, em vez de torcer a coluna.
  7. Pousar pela ordem inversa, sem largar a carga de repente.

Em informática, os servidores em bastidor são muitas vezes demasiado pesados para uma pessoa, os monitores antigos são pesados e desequilibrados e as caixas de consumíveis têm peso concentrado. O peso está na etiqueta ou na ficha técnica. Para instalar equipamento em bastidor, usam-se calhas e, quando necessário, elevador de servidores e duas pessoas, começando a instalação pelos níveis baixos.

7.4. Baterias e UPS

As baterias das UPS e dos equipamentos portáteis armazenam muita energia. Regras:

Exemplo resolvido · Planear a movimentação de um servidor

Situação. Vais instalar, num bastidor, um servidor de 2U cuja ficha técnica indica 24 kg. O bastidor tem espaços livres a meio e no topo. A sala técnica está a 40 passos de distância do armazém, com uma pequena rampa.

Pergunta. Descreve o plano de movimentação e instalação seguro.

Resolução.

  1. Peso: 24 kg num equipamento volumoso e sem pegas, para instalar em altura, é carga para duas pessoas e com meios de apoio, apesar de a unidade «caber» nos braços de um adulto.
  2. Transporte: usar carrinho de plataforma até à sala, com o servidor na embalagem e cintas; evitar a rampa com a carga solta.
  3. Preparação do bastidor: escolher o espaço mais baixo disponível compatível com o plano de ocupação, para manter o bastidor estável; instalar primeiro as calhas; confirmar a fixação.
  4. Levantamento: duas pessoas, uma de cada lado, comunicação clara (contagem). Em alternativa, elevador de servidores.
  5. Fixação: encaixar nas calhas, travar e confirmar antes de largar.
  6. Cabos: ligar só depois de o servidor estar fixo; etiquetar e arrumar nas calhas, sem cruzar zonas de passagem.

Conclusão. Planear a sequência (peso, meios, local, pessoas, cablagem) evita lesões e quedas de equipamento.

8. Meios e regras de segurança na informática: EPI, negligência, proteção de equipamentos e ergonomia

8.1. Quatro eixos

O referencial agrupa os meios e as regras de segurança na informática em quatro eixos: os equipamentos de proteção individual, os métodos de supressão da negligência e da falta de atenção, a proteção dos equipamentos de trabalho e a ergonomia (vista no capítulo 5).

8.2. Equipamentos de proteção individual (EPI)

EPI é todo o equipamento destinado a ser usado pelo trabalhador para o proteger de um ou mais riscos que possam ameaçar a sua segurança ou saúde. O EPC (equipamento de proteção coletiva) protege várias pessoas ao mesmo tempo (por exemplo, uma calha de cabos, uma barreira, um sistema de extração). Quando possível, preferem-se os EPC.

O empregador deve fornecer os EPI adequados, gratuitamente, em bom estado, e o trabalhador deve usá-los conforme as instruções. Os EPI devem possuir a marcação CE correspondente à categoria de risco, e a escolha deve basear-se na avaliação de riscos.

EPI Para que serve Quando se usa em informática
Pulseira antiestática Evita descarga eletrostática sobre componentes Montagem e reparação de equipamentos
Luvas de proteção Mecânica (corte, abrasão), química ou térmica, consoante o tipo Manuseamento de chassis cortantes, baterias, produtos de limpeza
Óculos de proteção Protegem os olhos de projeções e salpicos Baterias, ar comprimido, soldadura, corte
Protetores auriculares Reduzem o ruído que chega ao ouvido Permanência prolongada em salas de equipamentos ruidosos
Calçado de segurança Protege os pés de quedas de objetos e de piso escorregadio Movimentação de equipamento pesado
Máscara de proteção respiratória Filtra poeiras e vapores Limpeza de poeiras acumuladas em equipamentos, trabalhos de obra
Luvas isolantes e ferramentas isoladas Protegem do contacto com partes sob tensão Trabalho elétrico, só por pessoal qualificado

Regras de uso: conhecer a função de cada EPI; verificar o estado antes de usar; ajustar; limpar e guardar segundo as instruções; não partilhar o que é pessoal (máscaras, protetores de inserção); substituir o danificado ou fora de prazo; comunicar avarias e perdas.

8.3. Negligência e falta de atenção

Muitos acidentes de trabalho envolvem lapsos de atenção, rotina e pressa. A segurança não pode depender de que ninguém se distraia: tem de suportar a distração humana. Chamamos supressão da negligência e da falta de atenção ao conjunto de métodos que reduzem a oportunidade de falha.

Método Como funciona Exemplo em informática
Listas de verificação (checklists) Obrigam a cumprir os passos por ordem, sem confiar na memória Lista antes de abrir um servidor: desligar, desconectar, esperar, pulseira
Procedimentos escritos e passos curtos Reduzem a improvisação Ficha de substituição de fonte de alimentação
Sinalização e etiquetagem Tornam o perigo visível «Não abrir. Condensadores carregados»; etiquetas nos cabos
Bloqueio e etiquetagem de energia (lockout/tagout) Impede que alguém religue um equipamento em manutenção Cadeado e etiqueta no disjuntor da UPS durante a intervenção
Duplo controlo Uma segunda pessoa confirma passos críticos Confirmar a carga antes de içar um servidor
Cultura de segurança Valoriza comunicar erros e quase-acidentes Reuniões curtas de segurança antes das tarefas críticas

8.4. Proteção dos equipamentos de trabalho

Proteger os equipamentos é proteger as pessoas e a atividade. O Decreto-Lei n.º 50/2005 estabelece que os equipamentos de trabalho têm de ser adequados, mantidos em bom estado e utilizados por pessoas informadas e formadas. Em informática, na prática:

Exemplo resolvido · Construir uma lista de verificação antes de abrir um computador

Situação. Um colega abriu um computador de secretária ligado à tomada «só para ver a RAM» e levou um pequeno choque ao tocar na fonte de alimentação. O responsável quer um método que evite a repetição, que não dependa da boa vontade de cada um.

Pergunta. Propõe uma lista de verificação e dois métodos de supressão da negligência.

Resolução.

  1. Lista de verificação (afixada na bancada):
  2. Informar a pessoa responsável e verificar que o equipamento não tem trabalho em curso.
  3. Desligar o equipamento e retirar a ficha da tomada.
  4. Desligar periféricos e cabos de rede.
  5. Aguardar o tempo indicado pelo fabricante para descarga.
  6. Colocar a pulseira antiestática, ligada a uma referência de massa adequada, e confirmar o contacto.
  7. Abrir o equipamento. Não tocar na fonte de alimentação.
  8. No final, fechar, voltar a ligar à tomada e testar.
  9. Método 1, etiquetagem e bloqueio: uma etiqueta «em manutenção, não ligar» fixada na ficha ou no equipamento, para que ninguém o ligue enquanto está aberto.
  10. Método 2, duplo controlo: em intervenções repetidas e críticas, uma segunda pessoa confirma o passo 2 antes de abrir.
  11. Causa de fundo: o procedimento não existia por escrito e a pressa fez saltar passos. A lista e a formação corrigem essa causa.

Conclusão. A segurança ancorada em listas, etiquetas e duplo controlo funciona mesmo quando a pessoa está cansada ou distraída.

9. Plano contra roubos e segurança do património

9.1. Porque é um tema de SST

Num estabelecimento de informática há equipamento valioso e fácil de vender: portáteis, telemóveis, discos, componentes. Mas o roubo é também um tema de segurança das pessoas: um assalto pode envolver violência, e o furto de dados pode ter consequências graves. O plano contra roubos organiza a prevenção e a reação.

9.2. Medidas de prevenção

Medida Exemplos
Controlo de acessos Portas com fechadura ou leitor, registo de visitantes, acompanhamento de prestadores
Barreiras físicas Bastidores com chave, armários, cabos de fixação em portáteis, cofre para suportes de dados e peças de valor
Vigilância Alarme de intrusão e, quando justificado, videovigilância cumprindo a lei de proteção de dados
Boas práticas das pessoas Não deixar equipamento sem vigilância, bloquear o ecrã, não revelar códigos, desconfiar de pedidos invulgares

Exemplo resolvido · Rever a segurança de uma loja de informática

Situação. Uma loja tem portáteis expostos sem fixação, a caixa e a reserva de peças no mesmo balcão, e a porta das traseiras é deixada aberta durante o horário para ventilar.

Pergunta. Aponta três medidas de prevenção e diz o que fazer se alguém tentar levar um portátil à vista de todos.

Resolução.

  1. Medida 1: fixar os portáteis de demonstração com cabos de segurança e manter as unidades de reserva em armário fechado.
  2. Medida 2: a porta das traseiras fechada, com ventilação assegurada de outra forma, e saída de emergência desobstruída (não confundir com deixar aberta).
  3. Medida 3: inventário diário com número de série e registo do pessoal presente.
  4. Se alguém tenta levar o portátil: não perseguir nem confrontar. Chamar a atenção do responsável, memorizar a descrição e, se for seguro, ligar ao 112.
  5. Depois: registar o incidente e rever as medidas.

Conclusão. Prevenção significa dificultar o ato; reação significa proteger as pessoas antes do património.

10. Primeiros socorros e a caixa de primeiros socorros

10.1. Princípios

Os primeiros socorros são os cuidados imediatos prestados a uma vítima, por quem está presente, até à chegada de ajuda diferenciada. O objetivo é preservar a vida, evitar o agravamento e promover a recuperação. Não substituem o médico.

A sequência é P.A.S.: Proteger, Alertar, Socorrer.

  1. Proteger: avaliar o local e garantir a segurança de quem socorre, da vítima e de terceiros (por exemplo, cortar a corrente antes de tocar numa vítima de choque elétrico). Se o local for perigoso e não puder ser controlado, não entrar.
  2. Alertar: ligar 112 (número europeu de emergência) e responder ao operador, dizendo por esta ordem: quem sou (nome e número de telefone de onde se liga), onde (morada exata, piso, sala, pontos de referência), o quê aconteceu, quantas vítimas (sexo e idade aparente) e como estão (estado, queixas principais, perigos adicionais). Seguir as instruções e não desligar antes de o operador o dizer.
  3. Socorrer: prestar os cuidados de que se tem formação, por prioridade: consciência, respiração, hemorragias.

10.2. Avaliação da vítima

  1. Está consciente? Chamar, tocar nos ombros.
  2. Respira? Observar o tórax, ouvir e sentir a respiração durante até 10 segundos.
  3. Tem hemorragias graves? Comprimir diretamente a ferida.

Se está inconsciente mas respira: colocar em posição lateral de segurança. Se não responde e não respira normalmente: chamar o 112 e iniciar suporte básico de vida. Quem não tem formação deve seguir as instruções que o operador do 112 der ao telefone.

10.3. Suporte básico de vida e desfibrilhador

O suporte básico de vida (SBV) combina compressões torácicas e, se treinado, ventilações. Nas orientações europeias de reanimação usadas em Portugal, para adultos: compressões no centro do tórax, com ritmo rápido e profundidade suficiente, deixando o tórax voltar à posição entre compressões, com a relação de 30 compressões para 2 ventilações, quando se fazem ventilações. O desfibrilhador automático externo (DAE) deve ser utilizado o mais cedo possível: liga-se, seguem-se as instruções de voz, e ele decide se há choque a administrar. Saber onde está o DAE faz parte do plano de segurança. Os valores exatos aprendem-se num curso de SBV, com manequim.

10.4. A caixa de primeiros socorros

Todo o local de trabalho deve ter meios de primeiros socorros adequados à dimensão e aos riscos. A caixa deve estar visível, sinalizada, de fácil acesso, longe de zonas de risco, com o conteúdo revisto com regularidade e o prazo de validade verificado. Um conteúdo típico (a composição final depende da avaliação de riscos e do que o serviço de SST definir):

Grupo Exemplos
Limpeza e desinfeção Soro fisiológico, compressas esterilizadas, desinfetante cutâneo
Pensos e ligaduras Pensos rápidos, ligaduras de crepe e de gaze, adesivo, compressas
Imobilização e compressão Ligaduras elásticas, tala, ligadura triangular
Queimaduras Compressas para queimadura, soro, película aderente
Instrumentos Tesoura de ponta romba, pinça, termómetro
Proteção do socorrista Luvas descartáveis, máscara de bolso para ventilação
Informação Lista de números de emergência, instruções de primeiros socorros, ficha de registo de utilização

A caixa não contém medicamentos de uso livre sem indicação do responsável do serviço de saúde. O responsável verifica-a periodicamente, repõe o que foi usado e regista.

Exemplo resolvido · Chamar o 112 numa emergência na sala técnica

Situação. Um colega cai de um escadote na sala técnica do 2.º piso do edifício B, e fica no chão, consciente, a queixar-se de dor na perna e sem conseguir levantar-se.

Pergunta. Descreve o que fazes, passo a passo, e a mensagem para o 112.

Resolução.

  1. Proteger: verificar que não há perigo (escadote caído, cabos), sinalizar e impedir que outros se aproximem sem necessidade.
  2. Alertar: ligar 112 (ou pedir a outra pessoa) e dizer: «Sou [nome], ligo do [telefone]. Estou na [morada], edifício B, 2.º piso, sala técnica. Queda de um escadote. Uma vítima, homem adulto, consciente, com dor intensa na perna, que não consegue levantar-se.» Seguir as instruções.
  3. Socorrer: não mover a vítima (risco de lesão na coluna ou fratura); falar com ela, tranquilizá-la, vigiar a respiração; tapá-la para evitar perda de calor.
  4. Receber o INEM: alguém vai à entrada indicar o caminho.
  5. Comunicar ao responsável e, depois, registar o acidente e participar.

Conclusão. A mensagem ao 112 é uma lista curta: quem sou, onde, o quê, quantos, como estão.

11. Situações de emergência: o que fazer em cada caso

11.1. Visão geral

Perante uma emergência, o essencial é manter a calma, proteger-se, alertar e fazer o que se sabe fazer bem. A tabela resume as situações do referencial, com o que fazer e o que não fazer; em caso de dúvida, ligar 112 e seguir as instruções.

Situação O que fazer O que não fazer
Perda de sentidos Verificar consciência e respiração; se respira, posição lateral de segurança; ligar 112 Dar de beber ou comer; deixar sozinha
Ferida aberta (hemorragia) Luvas, compressão direta com compressa limpa, manter a pressão, elevar o membro se possível; ligar 112 se grave Retirar objetos cravados; tirar a compressa para espreitar
Ferida fechada (contusão, hematoma) Repouso, frio local protegido com pano; vigiar Aplicar gelo diretamente na pele; ignorar dor intensa ou deformação
Choque elétrico Cortar a corrente primeiro; só então tocar na vítima; ligar 112; avaliar consciência e respiração; avaliação médica mesmo que a vítima pareça bem Tocar na vítima enquanto estiver em contacto com a corrente; usar objetos metálicos ou molhados
Eletrocussão (paragem por choque) Cortar a corrente, chamar 112, iniciar SBV e usar DAE Interromper sem indicação do INEM
Ataque cardíaco Sentar a vítima em posição confortável, ligar 112 imediatamente, manter a calma, preparar DAE; SBV se perder consciência e não respirar Deixar a pessoa «ver se passa»; fazê-la andar
Entorse ou distensão Repouso, imobilização, frio protegido, elevação; avaliação médica Massajar; forçar o movimento
Envenenamento Identificar o produto (guardar a embalagem), ligar ao Centro de Informação Antivenenos (CIAV) (linha gratuita 800 250 250) ou ao 112 e seguir as instruções Provocar o vómito; dar leite, água ou remédios caseiros sem indicação
Queimaduras Arrefecer com água corrente fresca, nunca gelada, até a dor aliviar de forma substancial; retirar anéis e roupa não aderente; cobrir com compressa limpa; 112 se extensa ou grave Furar bolhas; aplicar gelo, pasta de dentes, óleos, manteiga; arrancar roupa colada

11.2. Reportar a situação de emergência

O referencial exige reportar a situação de emergência. Um bom reporte é curto, ordenado e completo. Usa-se a ordem QUEM SOU · ONDE · O QUÊ · QUANTOS · COMO ESTÃO, a mesma da mensagem ao 112 (secção 10.1): primeiro a identificação e o contacto, para que o socorro possa voltar a ligar, e logo a seguir a localização:

  1. Quem sou: nome e contacto de quem comunica, e de quem receberá o socorro.
  2. Onde (edifício, piso, sala, bastidor).
  3. O quê aconteceu (incêndio, queda, choque elétrico, fuga de gás).
  4. Quantos estão em perigo.
  5. Como estão (conscientes, respiram, ferimentos visíveis) e que perigos adicionais existem (fumo, tensão, produtos).

Internamente, comunicar também ao responsável de segurança e, em caso de incêndio, acionar o alarme. Ao exterior, ligar ao 112.

Exemplo resolvido · Choque elétrico numa bancada

Situação. Na bancada de reparação, um aluno toca num cabo de alimentação com o isolamento rasgado, fica com a mão presa, grita e deixa de se mexer. A ficha está na tomada de parede, a dois passos de ti.

Pergunta. Que fazes, por ordem?

Resolução.

  1. Proteger: não toques no aluno. Desliga o disjuntor ou retira a ficha da tomada (se for possível sem te expor), e só então o aluno deixa de estar em contacto com a corrente.
  2. Alertar: pede a um colega que ligue o 112 e avise o responsável. Se estiveres sozinho, liga tu.
  3. Avaliar: o aluno responde? Respira?
  4. Se respira: posição lateral de segurança, observar, cobrir. Observar queimaduras.
  5. Se não responde e não respira normalmente: suporte básico de vida e DAE, conforme as instruções do 112.
  6. Depois: sinalizar e retirar o cabo, impedir o acesso à bancada, registar o acidente e rever a inspeção dos cabos.

Conclusão. A ordem é sempre cortar a corrente, alertar, socorrer. A pressa em tocar na vítima cria uma segunda vítima.

12. Incêndio: causas, tipos e sistemas de deteção

12.1. O fogo e o triângulo do fogo

O fogo precisa de três elementos em simultâneo: combustível, comburente (normalmente o oxigénio do ar) e calor (energia de ativação). É o chamado triângulo do fogo; se se retira um dos lados, o fogo apaga-se. Daqui vêm os três princípios de extinção: abafamento (retirar o oxigénio), arrefecimento (retirar calor) e isolamento (retirar o combustível). A reação em cadeia, acrescentada ao triângulo, forma o «tetraedro do fogo»; alguns agentes extintores atuam interrompendo-a.

12.2. Causas de incêndio

As causas do referencial aplicam-se também ao setor:

Causa Como pode acontecer Prevenção
Sistemas de aquecimento e cozedura Aquecedores portáteis junto de papel, micro-ondas e fogões na copa deixados sem vigilância Afastar combustíveis, não usar aquecedores sem vigilância, desligar no fim
Chaminés e tubos de fumo Acumulação de fuligem, fugas de gases quentes Limpeza e inspeção periódicas
Materiais inflamáveis Papel, cartão, embalagens, líquidos de limpeza e solventes junto de fontes de calor Armazenamento próprio, arrumação, remoção de lixo e embalagens
Aparelhos elétricos Extensões sobrecarregadas, fichas aquecidas, cabos danificados, carregadores baratos, UPS e baterias de lítio defeituosas, equipamentos tapados sem ventilação Inspeção, instalação elétrica adequada, equipamento com marcação, não tapar ventilação
Fumadores Pontas de cigarro mal apagadas, cinzeiros junto de lixo Cumprir a lei do tabaco e as regras da casa; zonas autorizadas; cinzeiros adequados

Em informática, as causas mais prováveis são as elétricas (sobrecarga, curto-circuito, maus contactos) e as baterias. A frase prática: o fogo começa pequeno e cada minuto conta.

12.3. Tipos de incêndio (classes de fogo)

A norma europeia sobre classificação dos fogos distingue as classes seguintes, pelo tipo de combustível:

Classe Combustível Exemplos
A Sólidos, normalmente de natureza orgânica, que ardem com brasas Madeira, papel, tecido, cartão; alguns plásticos, consoante o comportamento ao fogo
B Líquidos ou sólidos liquidificáveis Solventes, álcool, gasolina, tinta
C Gases Gás de rede, GPL, propano
D Metais Magnésio, sódio, lítio metálico
F Óleos e gorduras de cozinha Fritadeiras

Os equipamentos elétricos sob tensão não são uma classe de combustível: é a presença de tensão que impõe o uso de agentes não condutores (por exemplo, dióxido de carbono ou pó) e, sempre que possível, o corte da energia. Numa sala técnica, o combustível são sobretudo cabos e invólucros, que podem arder como sólidos (classe A), com origem elétrica.

12.4. Sistemas de deteção

A deteção precoce reduz os danos e salva vidas. Um sistema de deteção e alarme de incêndio inclui:

Componente Função
Detetores de fumo (óticos ou iónicos) Reagem às partículas de combustão; os óticos são mais sensíveis a fumos lentos, os iónicos a chamas rápidas
Detetores de temperatura (térmicos) Reagem a temperatura elevada ou a subida rápida; usados onde o fumo normal exista (cozinhas)
Detetores de chama Reagem à radiação das chamas; usados em espaços de risco específicos
Detetores de gás Detetam gases combustíveis ou monóxido de carbono
Botoneiras de alarme manual Permitem a qualquer pessoa disparar o alarme
Central de deteção Recebe os sinais, identifica a zona e aciona os alarmes e outros dispositivos
Sirenes e sinais luminosos Alertam os ocupantes
Ligações A central pode ligar-se a um serviço de monitorização, aos bombeiros e aos sistemas automáticos de extinção

Em salas técnicas e centros de dados usa-se muito a deteção por aspiração, que recolhe amostras de ar e deteta o sobreaquecimento antes da chama.

Exemplo resolvido · Classificar os fogos de um escritório de informática

Situação. Numa sala de apoio informático ocorreram três princípios de incêndio: (a) um caixote com papel e cartão a arder; (b) uma extensão sobrecarregada a deitar fumo, com três carregadores ligados; (c) um pequeno derrame de álcool isopropílico a arder no tampo da bancada.

Pergunta. Indica a classe de cada um, a causa provável e a medida preventiva.

Resolução.

Caso Classe Causa provável Prevenção
(a) Papel e cartão A Material combustível acumulado junto de fonte de calor ou de ignição Remover o lixo, armazenar cartão fora da sala
(b) Extensão Origem elétrica; ardem cabos e invólucros, que se comportam como sólidos (A) Sobrecarga e mau contacto Reduzir cargas, usar extensão com proteção, inspeção, evitar ligações em série
(c) Álcool B Líquido inflamável junto de fonte de calor ou de faísca Armazenar em armário próprio, pequenas quantidades, longe de calor
  1. No caso (b), primeiro cortar a energia (disjuntor ou tomada se for seguro); só depois combater.
  2. O caso (c) nunca se apaga com água, porque espalharia o líquido a arder.
  3. Em todos: alarme primeiro e só depois avaliar se é possível combater com segurança.

Conclusão. A classe do fogo, determinada pelo combustível, escolhe o agente extintor.

13. Extintores, plano de ataque e extinção de incêndios de gás

13.1. Os tipos de extintores

Os extintores portáteis são classificados pelo agente extintor e pelas classes de fogo para que são adequados. O quadro seguinte é indicativo; a etiqueta do extintor é que manda.

Agente Classes de fogo Ação Cuidados
Água (com ou sem aditivos) A Arrefecimento Não usar em equipamentos sob tensão nem em líquidos inflamáveis
Espuma A e B Arrefecimento e abafamento Contém água: não usar em equipamento sob tensão
Pó químico (ABC ou BC) A, B, C (conforme o tipo) Interrupção da reação, abafamento Suja muito e é danoso para eletrónica; pouca visibilidade; irritante
Dióxido de carbono (CO2) B e, em equipamento elétrico, adequado por ser limpo e não condutor Abafamento e arrefecimento Não deixa resíduos; em espaços fechados reduz o oxigénio; pode queimar por frio
Pó especial para metais D Abafamento Específico por metal
Agentes para óleos e gorduras F Arrefecimento e saponificação Específico de cozinhas; nunca usar água

Em salas com equipamento eletrónico, o extintor de CO2 é o mais adequado por ser limpo e não condutor; o pó ABC apaga, mas danifica a eletrónica e deve ser reservado para o caso em que seja a única opção. Em escritórios, o extintor de água com aditivos ou o de pó é comum. Confirmar o tipo e a sinalização à entrada.

13.2. Plano de ataque ao fogo

O combate a um incêndio por um não profissional é limitado: só se tenta quando o fogo é pequeno, há uma saída atrás de quem combate e se sabe usar o extintor. A sequência:

  1. Alarme: acionar o alarme e avisar o responsável. A prioridade é que as pessoas saibam.
  2. Avaliar: o fogo está no início? Há fumo denso? Há uma saída livre atrás de mim? O extintor é o certo para a classe do fogo? Se alguma resposta é «não», sair.
  3. Cortar a energia, se o fogo for elétrico e for seguro.
  4. Posicionar-se a alguma distância, com as costas para a saída, vento ou corrente de ar (se existir) nas costas.
  5. Utilizar o extintor (ver 13.3).
  6. Verificar que o fogo está mesmo extinto; vigiar para evitar reacendimento.
  7. Retirar-se e comunicar. Mesmo que se tenha apagado, registar e avisar o responsável, porque o extintor tem de ser recarregado.
  8. Se o fogo crescer, sair imediatamente e fechar as portas atrás de si: as portas fechadas atrasam o fumo e o fogo.

13.3. Manipular o extintor: P.A.S.S.

Uma regra mnemónica internacional (adaptável em português). Não a confundas com o P.A.S. dos primeiros socorros (Proteger, Alertar, Socorrer): aqui são os quatro gestos do extintor.

  1. Puxar o pino ou cavilha de segurança.
  2. Apontar o jato à base das chamas, não às chamas altas.
  3. Segurar o extintor na vertical e apertar a alavanca com firmeza.
  4. Sobre a base das chamas, varrer de um lado para o outro até cobrir a zona.

Antes disto, ler a etiqueta, saber se o extintor está carregado (indicador, quando existe) e perceber o alcance (curto no CO2). O CO2 não deve ser apontado a pessoas e a corneta arrefece muito durante a descarga, por isso segura-se pela pega.

13.4. Sistema automático e gases extintores

Em salas técnicas e centros de dados, a água estragaria o equipamento, por isso usam-se sistemas automáticos de extinção por gases. Há três famílias de agentes: o dióxido de carbono (CO2), os gases inertes (por exemplo, azoto ou árgon) e os agentes químicos limpos, que se descarregam em forma de gás e não deixam resíduos. O CO2 e os gases inertes atuam sobretudo por redução do oxigénio na sala; os agentes limpos, por absorção de calor e interferência na reação em cadeia. A descarga enche o compartimento inteiro, daí o alarme pré-descarga, que dá tempo para sair. Quando existe sistema automático de extinção:

13.5. Incêndio de gás

Um incêndio de gás (classe C) tem uma particularidade: apagar a chama não resolve o problema, porque o gás continua a sair e, se acumular, pode criar uma atmosfera explosiva que se inflama e explode. Daqui as técnicas de extinção de gás:

  1. Cortar a fonte: fechar a válvula do gás (ou o grande corte do edifício) é o passo decisivo. Quando a fonte é cortada, a chama apaga-se por falta de combustível.
  2. Se não for possível cortar a fonte, não apagar a chama: a chama a arder é preferível a uma fuga de gás sem chama. Arrefecer com água o que está à volta (recipientes, estruturas) e aguardar os bombeiros.
  3. Extintor de pó para chamas de gás, apenas se se conseguir cortar a fonte logo a seguir e houver segurança.
  4. Fuga sem chama: não acionar interruptores nem aparelhos elétricos (ficha, telemóvel dentro da zona), não produzir faíscas, ventilar abrindo janelas, fechar a válvula, evacuar e ligar ao 112 já do exterior.

Exemplo resolvido · Escolher o extintor e combater o fogo

Situação. Sentes cheiro a queimado e vês chamas pequenas numa UPS no canto da sala técnica. Há um extintor de água na parede do corredor e um extintor de CO2 ao lado da porta da sala.

Pergunta. Que extintor escolhes e como atuas?

Resolução.

  1. Alarme: aciona o alarme/avisa o responsável.
  2. Avaliar: fogo pequeno, saída livre atrás de ti. Equipamento elétrico sob tensão (ou com baterias).
  3. Energia: se houver um corte de emergência acessível e seguro, usá-lo.
  4. Extintor: CO2, porque é limpo e não condutor. O extintor de água não é indicado: contém água, que conduz eletricidade.
  5. Técnica: puxar a cavilha, apontar à base das chamas, apertar a alavanca e varrer, sem aproximar a corneta de equipamento nem de pessoas.
  6. Se não apaga em poucos segundos, ou o fumo aumentar, abandonar, fechar a porta e sair.
  7. Depois: informar o responsável, registar o uso do extintor e pedir recarga.

Conclusão. A escolha do extintor depende da classe do fogo e da presença de tensão; a decisão de combater depende da dimensão do fogo e da saída livre.

14. Plano de prevenção de incêndios e plano de evacuação

14.1. Plano de prevenção de incêndios

O plano de prevenção de incêndios conjuga as medidas que reduzem a probabilidade de incêndio e limitam as suas consequências:

14.2. Plano de evacuação

O plano de evacuação define como as pessoas abandonam o edifício em segurança. Inclui:

Elemento Conteúdo
Plantas de emergência Percursos de evacuação, saídas, extintores, botoneiras e ponto de encontro
Percursos e saídas Livres, sinalizados e com iluminação de emergência
Ponto de encontro Local exterior seguro, afastado do edifício e dos acessos dos bombeiros
Responsáveis Quem dá o alarme, quem verifica salas, quem apoia pessoas com mobilidade reduzida, quem faz a contagem
Sinal de alarme Sirene ou voz, conhecida de todos
Contactos Responsável de segurança, 112, bombeiros
Simulacros Exercícios periódicos para testar e melhorar

14.3. Regras de conduta na evacuação

  1. Manter a calma e não correr.
  2. Parar o que se está a fazer, sem recolher bens pessoais (a vida vale mais).
  3. Sair pelo percurso mais próximo e seguro, seguindo a sinalização. Não usar elevadores.
  4. Fechar as portas ao sair, sem trancar.
  5. Ajudar quem precise, sem se pôr em risco.
  6. Seguir para o ponto de encontro e apresentar-se ao responsável para a contagem.
  7. Não regressar ao edifício até autorização.

Exemplo resolvido · Montar o plano de evacuação de um laboratório

Situação. Um laboratório de informática tem 24 lugares, duas saídas (uma para o corredor principal e outra para o pátio) e uma sala técnica anexa com gás extintor. Há um aluno com mobilidade reduzida.

Pergunta. Quais os elementos essenciais de um plano de evacuação para este espaço?

Resolução.

  1. Planta afixada junto a cada porta, com a indicação «está aqui», saídas, extintores e botoneira de alarme.
  2. Saídas: a principal e a do pátio, sempre desobstruídas; abertura pelo interior sem chave.
  3. Ponto de encontro: no pátio exterior, afastado do edifício; indicado em sinal.
  4. Responsáveis: o professor dá o alarme e conduz; dois alunos «chefes de fila» e «cerra-filas» (verifica que ninguém ficou); o professor conta os alunos no ponto de encontro com a lista.
  5. Pessoa com mobilidade reduzida: acordar com o aluno o apoio previsto (colega designado), a saída acessível e o aviso ao responsável; nunca usar o elevador.
  6. Sala técnica: sinalização do gás extintor; regra de saída imediata ao alarme pré-descarga.
  7. Treino: simulacro no início do ano e outro a meio, avaliando o tempo e o comportamento.

Conclusão. Um plano bom é aquele que todos sabem aplicar sem pensar, e por isso se treina.

15. Saúde mental, organização do trabalho e prevenção psicossocial

15.1. Riscos psicossociais em informática

A SST inclui a saúde mental. No setor, os fatores de risco psicossocial incluem: prazos apertados, resolução de problemas urgentes em produção, disponibilidade permanente (chamadas fora de horas), mudança tecnológica constante, isolamento no teletrabalho, desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Em excesso e durante tempo prolongado, podem provocar stress crónico e esgotamento profissional (burnout).

15.2. Prevenção

Os efeitos psicossociais afetam também a segurança física: quem está cansado e sob pressão salta passos e comete erros que causam acidentes.

Exemplo resolvido · Reorganizar o apoio fora de horas

Situação. Uma equipa de quatro técnicos presta apoio 24 horas e quem está de serviço recebe chamadas por todos os motivos, inclusive coisas que podiam esperar até de manhã. Dois técnicos queixam-se de insónias e de erros.

Pergunta. Propõe três medidas organizacionais.

Resolução.

  1. Critérios de severidade: só os incidentes graves (serviço parado) justificam chamada à noite; o resto vai para a fila do dia seguinte.
  2. Rotação e compensação: cada técnico de serviço um período por mês, com folga compensatória no dia seguinte a uma noite com chamadas.
  3. Escalonamento e documentação: nível 2 definido, e procedimentos escritos para os problemas mais frequentes.
  4. Revisão: analisar os alertas que mais tocam e corrigi-los na origem.

Conclusão. A solução é organizacional, não de força de vontade individual.

Erros comuns

Glossário

Síntese

A segurança e saúde no trabalho assenta na prevenção: identificar perigos, avaliar riscos e agir pela hierarquia de controlo, com o EPI como último recurso. O dever geral de segurança é do empregador; o trabalhador cumpre, zela e comunica. A Lei n.º 102/2009 e os diplomas especiais, na redação em vigor, enquadram tudo isto, também no espaço do cliente. No dia a dia contam a ergonomia, a segurança elétrica, a movimentação segura de cargas, o EPI e os métodos que suprimem a negligência. Em emergência aplica-se o P.A.S., com um reporte claro ao 112. No incêndio, conhecem-se as classes de fogo, a deteção, os extintores, o plano de ataque, o sistema automático e a regra do gás (cortar a fonte). A evacuação treina-se, e a saúde mental faz parte da prevenção.

Exercícios resolvidos

1. Um cabo de alimentação com o isolamento rasgado está na zona de passagem. Identifica perigo, risco e dano e uma medida segundo a hierarquia.

Resolução: perigo = cabo danificado na passagem; risco = tropeço e contacto com condutores; dano = queda ou choque elétrico. Eliminar: retirar o cabo de serviço e substituí-lo; se for provisório, sinalizar e proteger com calha até à substituição.

2. Uma situação tem P = 4 e G = 3. Calcula o nível, classifica e diz que ação aplicar (escala do capítulo 4).

Resolução: N = 4 × 3 = 12, classificação alto: intervir com prioridade e reduzir o risco antes de continuar a rotina.

3. Ordena os passos antes de abrir um PC: (a) pulseira antiestática, (b) retirar a ficha da tomada, (c) aguardar a descarga, (d) abrir o equipamento.

Resolução: (b), (c), (a), (d).

4. Um colega tem uma queimadura pequena na mão com um ferro de soldar. O que fazes?

Resolução: afastar da fonte de calor, arrefecer com água corrente fresca, nunca gelada, até a dor aliviar de forma substancial, retirar anéis, cobrir com compressa limpa; não furar bolhas nem aplicar pomadas caseiras. Procurar avaliação médica se for extensa, profunda ou em zona sensível.

5. Que classes de fogo existem e qual o extintor adequado a uma pequena UPS elétrica a arder?

Resolução: A, B, C, D e F (por tipo de combustível). Para equipamento sob tensão, o extintor de CO2 (limpo e não condutor), depois de cortar a energia se possível.

6. Numa evacuação, quais os passos de conduta?

Resolução: manter a calma, parar, não recolher bens, seguir a sinalização, não usar elevadores, fechar portas, ajudar quem precise, ir ao ponto de encontro, apresentar-se ao responsável e não regressar sem autorização.