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aulify · Sebenta
UC · Unidade de Competência · UC00188

Sebenta · Atuar de acordo com as normas e regulamentos da Marinha (UC00188)

LOBOFA, LOMAR, OSN, RGSNT, RIFUN, Ordens Honoríficas, medalhas, avaliação do mérito, aptidão física e gestão de férias
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Militar Naval ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Depois de conhecer o quadro normativo comum a todas as Forças Armadas, um militar da Marinha precisa de dominar as normas e os regulamentos próprios do seu ramo: a lei que organiza a Marinha, o cerimonial marítimo que a distingue de qualquer outro ramo, o funcionamento das unidades em terra e a bordo, o reconhecimento do mérito através de condecorações e avaliações, e a gestão da aptidão física e das férias ao longo da carreira.

Esta sebenta percorre esse quadro, do geral para o específico: primeiro a organização das Forças Armadas e da Marinha (LOBOFA e LOMAR), depois o cerimonial e a hierarquia naval (OSN), depois a organização das unidades em terra e a bordo (RGSNT e RIFUN), depois o reconhecimento do mérito através de ordens honoríficas e medalhas, e por fim a avaliação do mérito, as provas de aptidão física e a gestão das férias.

Objetivos de aprendizagem (referencial): atuar conforme os requisitos estabelecidos nas Leis e Regulamentos militares; efetuar o cerimonial marítimo, os costumes e as cortesias próprias da Marinha; e atuar conforme os regulamentos de avaliação do mérito, das provas de aptidão física e da gestão das férias. Tudo isto respeitando as normas e regulamentos em vigor nas unidades navais e em terra, e considerando os procedimentos relativos à imposição de medalhas e condecorações.

Esta matéria treina, sobretudo, atitudes: responsabilidade, autonomia, controlo emocional, disciplina, assertividade, empatia, atavio e aprumo, empenho, flexibilidade e adaptabilidade, integridade, resiliência, sentido crítico, sentido de organização, respeito pela diferença, conduta e ética militar, e respeito pelas normas, regulamentos e procedimentos instituídos. Na Marinha, estas atitudes ganham um sentido muito concreto: o cerimonial marítimo só funciona quando cada militar sabe, sem hesitar, o que fazer perante um posto, uma bandeira ou uma ordem de serviço.

1. A Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas (LOBOFA)

A Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas (LOBOFA) estabelece a estrutura orgânica comum aos três ramos: Marinha, Exército e Força Aérea. É o diploma que explica onde a Marinha se encaixa no todo militar português, antes de entrarmos no detalhe próprio de cada ramo.

Em traços gerais, a LOBOFA define:

Uma forma simples de fixar isto: a LOBOFA é a "planta do edifício" das Forças Armadas; a LOMAR é a "planta de um dos andares", o da Marinha. Os requisitos das leis e regulamentos militares começam sempre por perceber onde se está nesta estrutura.

Para o detalhe articulado e atualizado da LOBOFA, o militar deve sempre consultar o texto do diploma em vigor.

2. A Lei Orgânica da Marinha (LOMAR)

A Lei Orgânica da Marinha (LOMAR), aprovada pelo Decreto-Lei n.º 185/2014, é o diploma central desta unidade curricular: define a natureza, a missão e a estrutura da Marinha Portuguesa.

Exemplo resolvido · localizar uma norma na estrutura da Marinha

Um militar precisa de saber se uma determinada instrução se aplica à sua unidade. Como deve proceder?

  1. Confirmar se a instrução decorre da LOMAR (organização geral do ramo) ou de um regulamento mais específico, como a OSN, o RGSNT ou o RIFUN.
  2. Identificar a que nível da estrutura a instrução se dirige: ao ramo inteiro, a uma unidade em terra ou a um navio.
  3. Em caso de dúvida sobre o organograma atual, consultar o organograma oficial em vigor, publicado pela Marinha, e não confiar em versões desatualizadas ou de memória.

A estrutura, os comandos e as superintendências da Marinha podem mudar de nome ou de composição ao longo do tempo. O princípio (comando único do CEMA, apoiado por um estado-maior e por estruturas de pessoal, material e finanças) mantém-se; os nomes exatos devem confirmar-se sempre no organograma em vigor.

3. Hierarquia naval, distintivos e cerimonial (a Ordenança de Serviço Naval)

A Ordenança de Serviço Naval (OSN) regula os distintivos, as honras e cumprimentos, as cerimónias diversas e os distintivos pessoais próprios da Marinha. É o regulamento que dá corpo ao cerimonial marítimo, um dos objetivos centrais desta UC.

A hierarquia de postos na Marinha

A Marinha tem uma hierarquia de postos com designações próprias, diferentes das do Exército e da Força Aérea, organizada em três categorias:

Categoria Amplitude de postos
Praças de grumete e marinheiro até cabo e cabo-mor
Sargentos de segundo-sargento até sargento-mor
Oficiais de guarda-marinha ou subtenente até almirante

Cada categoria tem postos intermédios próprios, com distintivos que os identificam visualmente (por exemplo, galões nas mangas ou dragonas nos ombros, consoante o uniforme). A designação exata de cada posto intermédio e o respetivo distintivo devem confirmar-se sempre no quadro de postos e distintivos em vigor: é matéria que muda de detalhe, mas nunca de princípio.

Honras, cumprimentos e cerimónias

Costumes e cortesias da Marinha

Além das honras formais, a Marinha tem costumes e cortesias próprios, transmitidos de geração em geração: a forma de se dirigir a um superior a bordo, a etiqueta ao entrar e sair de um compartimento, o respeito por tradições marítimas em cerimónias e passagens de comando. Conhecer e cumprir estes costumes é parte do cerimonial marítimo tanto quanto as honras formalmente regulamentadas.

Exemplo resolvido · prestar a continência certa

Um marinheiro cruza-se, no convés, com um oficial que não reconhece de imediato pelo distintivo. Como deve agir, à luz da OSN?

  1. Presume-se que qualquer posto não identificado de imediato pode ser superior: presta-se a continência.
  2. Confirma-se o posto pelo distintivo, consultando a tabela de postos e distintivos, assim que possível.
  3. Regra de ouro do cerimonial: o excesso de respeito nunca é falta; a omissão pode ser.

4. O Regulamento Geral do Serviço Naval em Terra (RGSNT)

O Regulamento Geral do Serviço Naval em Terra (RGSNT) organiza o funcionamento das unidades da Marinha que operam em terra: quartéis, estabelecimentos e escolas.

Numa Escola de Fuzileiros, o oficial de dia usa uma braçadeira distintiva (o distintivo de serviço previsto no RGSNT) e é o responsável, durante o seu turno, por garantir a segurança, a disciplina e o normal funcionamento da unidade, seguindo a organização geral definida no regulamento.

5. O Regulamento Interno das Forças e Unidades Navais (RIFUN)

O Regulamento Interno das Forças e Unidades Navais (RIFUN) é o equivalente do RGSNT para a componente embarcada: aplica-se às forças navais e aos navios.

Situação Organização predominante Foco
Navio em navegação quartos de mar, por departamento segurança da navegação e prontidão operacional
Navio no porto guarnição de porto, escalas de serviço segurança do navio atracado e apoio logístico

Exemplo resolvido · o navio muda de organização ao entrar no porto

Um navio termina uma missão no mar e atraca no porto. O que muda na sua organização interna, à luz do RIFUN?

  1. Os quartos de navegação, ativos durante a missão, dão lugar a uma guarnição de porto, com escalas de serviço adaptadas à situação de navio atracado.
  2. Mantém-se a estrutura de comando (comandante, imediato, departamentos), mas os efetivos de serviço e as responsabilidades de segurança redistribuem-se conforme o RIFUN.
  3. O princípio que não muda: há sempre um responsável de serviço identificável, a bordo, em qualquer situação.

6. A Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas

A Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas regula o sistema português de condecorações honoríficas, atribuídas pelo Estado a título de reconhecimento de serviços relevantes, civis ou militares.

As Ordens Honoríficas Portuguesas distinguem-se das medalhas militares e comemorativas, tratadas no capítulo seguinte: as ordens têm uma origem, uma orgânica e um processo de investidura próprios, regulados por lei específica; as medalhas seguem o seu próprio regulamento (RMMMCFA). Não confundir os dois sistemas de reconhecimento é um dos pontos mais importantes desta matéria.

7. O Regulamento das Medalhas Militares e das Medalhas Comemorativas das Forças Armadas (RMMMCFA)

O Regulamento das Medalhas Militares e das Medalhas Comemorativas das Forças Armadas (RMMMCFA) regula as condecorações próprias do meio militar, distintas das Ordens Honoríficas do Estado.

Exemplo resolvido · classificar uma condecoração

Um militar recebe uma condecoração por ter participado numa missão internacional de vários meses. Outro recebe uma condecoração por um ato de bravura numa situação de perigo. Como se classifica cada uma, à luz do RMMMCFA?

  1. A primeira é, tipicamente, uma medalha comemorativa: assinala a participação numa missão ou período de serviço específico.
  2. A segunda é, tipicamente, uma medalha militar de mérito ou de bravura: reconhece um ato concreto que ultrapassa o exigido em serviço.
  3. Em qualquer dos casos, o processo de concessão, os padrões da medalha e as regras de uso seguem o RMMMCFA, e o uso indevido de qualquer condecoração é sempre uma infração.

8. O Regulamento da Avaliação do Mérito dos Militares das Forças Armadas (RAMMFA)

O Regulamento da Avaliação do Mérito dos Militares das Forças Armadas (RAMMFA) disciplina a forma como o desempenho de cada militar é avaliado ao longo da carreira, com impacto direto na progressão.

Preencher a ficha de avaliação de mérito do militar é uma aptidão concreta desta UC. O erro mais comum de quem está a aprender é tratar a avaliação como um formulário burocrático: é, na verdade, o registo formal que sustenta decisões de carreira, e deve ser preenchido com rigor e em tempo.

9. Provas de Aptidão Física (PAF) e Exames Médicos Anuais (EMA)

Manter a condição física e de saúde é uma exigência permanente da condição militar, verificada através de dois procedimentos regulares.

Ambos os procedimentos seguem regras e calendários próprios, fixados pela entidade competente da Marinha, que o militar deve confirmar junto do seu serviço de pessoal ou de saúde, sem confiar em datas ou critérios de memória.

Não faz parte desta matéria decorar valores concretos de tempos, repetições ou distâncias das provas físicas: esses critérios são fixados e atualizados por regulamentação própria. O que importa reter é o princípio: a aptidão física e médica é verificada com regularidade, com impacto real na situação do militar, e os procedimentos e prazos aplicáveis devem confirmar-se sempre na norma em vigor.

10. Gestão de férias na Marinha

A gestão das férias dos militares da Marinha segue sistemas de gestão de férias próprios, que aplicam as regras gerais aplicáveis ao pessoal das Forças Armadas às particularidades do serviço naval.

Exemplo resolvido · pedido de férias e necessidade de serviço

Um militar submete um pedido de férias com a antecedência exigida, mas a sua unidade recebe, entretanto, uma missão inesperada que coincide com o período pedido. Como se resolve a situação?

  1. A hierarquia avalia a necessidade de serviço face ao pedido já submetido, dentro dos princípios de gestão do sistema de férias.
  2. Se a missão prevalecer, o pedido pode ser reagendado, com garantias e eventuais compensações previstas na lei aplicável ao pessoal militar.
  3. O militar deve consultar o sistema de gestão de férias para acompanhar a decisão e reformular o pedido para uma nova data, assim que possível.

Erros comuns

Glossário

Síntese

A conduta de um militar da Marinha assenta numa estrutura que vai do geral ao específico: a LOBOFA organiza os três ramos das Forças Armadas; a LOMAR define a natureza, a missão e a estrutura da Marinha; a OSN regula a hierarquia de postos, os distintivos, as honras, as cerimónias e os costumes que compõem o cerimonial marítimo; o RGSNT e o RIFUN organizam, respetivamente, as unidades em terra e as forças navais e os navios; a Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas e o RMMMCFA regulam o reconhecimento do mérito através de condecorações; e o RAMMFA, as PAF, os EMA e os sistemas de gestão de férias acompanham o militar ao longo da carreira, avaliando o seu desempenho, a sua condição física e de saúde, e o seu direito ao descanso. Conhecer estas normas é o ponto de partida; aplicá-las com rigor, disciplina e sentido de organização é o verdadeiro objetivo desta UC.

Exercícios resolvidos

1. Um militar quer saber se uma instrução se aplica a toda a Marinha ou só à sua unidade. Que diplomas deve consultar, por ordem?

Resolução: primeiro a LOMAR, para perceber se a instrução decorre da organização geral do ramo; depois, consoante o contexto, a OSN (cerimonial e hierarquia), o RGSNT (unidade em terra) ou o RIFUN (força naval ou navio), para confirmar o âmbito específico da instrução.

2. Um marinheiro não reconhece de imediato o posto de um militar que se aproxima. Deve prestar continência?

Resolução: sim. A regra do cerimonial marítimo, prevista na OSN, é prestar sempre a continência em caso de dúvida sobre o posto, confirmando depois o distintivo. O excesso de respeito nunca é falta; a omissão pode ser.

3. Um navio termina uma missão e atraca no porto. Que regulamento organiza a mudança de serviço de bordo?

Resolução: o RIFUN, que prevê a passagem dos quartos de navegação para a guarnição de porto, com escalas de serviço próprias para o navio atracado, mantendo sempre um responsável de serviço identificável.

4. Um militar recebe uma medalha por ter participado numa missão internacional de seis meses. É uma Ordem Honorífica ou uma medalha do RMMMCFA?

Resolução: é, tipicamente, uma medalha comemorativa do RMMMCFA, que assinala a participação numa missão ou período de serviço. As Ordens Honoríficas Portuguesas seguem uma lei e uma orgânica próprias, distintas do sistema de medalhas militares.

5. Um militar tem férias marcadas, mas a unidade recebe uma missão inesperada. O que deve fazer?

Resolução: consultar o sistema de gestão de férias para acompanhar a decisão da hierarquia, que pondera a necessidade de serviço face ao pedido submetido; se a missão prevalecer, reformular o pedido para uma nova data, com as garantias e compensações previstas na lei aplicável.