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UC · Unidade de Competência · 10986

Montagem de sistemas de ar condicionado, split e multi-split (UFCD 10986)

Guia de obra para instalar, ensaiar, pôr em serviço e entregar um split ou um multi-split, da escolha do local ao relatório final
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Refrigeração e Climatização ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

O split é a instalação mais comum do ofício. Numa casa, num escritório pequeno ou numa loja, o técnico chega com a unidade interior, a unidade exterior, um rolo de tubo de cobre e uma bolsa de ferramentas, e sai ao fim do dia com um equipamento que vai trabalhar dez ou quinze anos sem que ninguém volte a pensar nele. Isso só acontece se a montagem estiver bem feita. Quase todas as avarias precoces de um split novo, a fuga lenta ao fim de três meses, o compressor que morre ao segundo verão, a água que pinga na parede da sala, o ruído que o vizinho reclama, nascem na instalação e não no fabrico.

Esta sebenta é escrita como um guia de obra. Segue a ordem em que o trabalho se faz: planear, escolher o local, fixar as unidades, passar a tubagem, fazer as uniões, montar o dreno, ligar a parte elétrica, ensaiar a estanquidade, fazer o vácuo, abrir as válvulas, arrancar, medir, registar e entregar ao cliente. No fim há um capítulo sobre o multi-split, que repete a mesma sequência com mais ligações e mais regras. Cada capítulo diz o que se faz, com que ferramenta, em que ordem, com que valor de referência e quando se pára, e vem com exemplos resolvidos que se podem repetir na oficina da escola.

Objetivos de aprendizagem (referencial): planear e organizar o trabalho; instalar equipamentos de ar condicionado do tipo split ou multi-split; verificar e regular os parâmetros de funcionamento do sistema.

Conteúdos (referencial), pela ordem em que são tratados: ferramentas e equipamentos de trabalho; localização, suporte e fixação; ligações mecânicas, apertos, fixações e soldadura (brasagem) em tubagem de cobre; ligações elétricas e controlo; verificações e ensaios de entrada em funcionamento do sistema; ensaio de pressão; vácuo e purga do sistema; procedimentos de manuseamento ecológico do fluido frigorigéneo; carga adicional ou recarga do sistema; regulação dos parâmetros de funcionamento e eficiência; registos e elaboração de relatório da intervenção.

Uma regra que vale para toda a sebenta. Os valores numéricos de aperto, de comprimento de tubagem, de carga adicional, de pressão de ensaio e de afastamentos que aparecem nos exemplos são valores típicos de manual, usados para praticar o raciocínio. Em obra manda sempre o manual de instalação do equipamento que tens à frente. Quando o manual e esta sebenta divergirem, vale o manual. Um técnico que instala "de cabeça" faz o que fazia o último equipamento, e o equipamento novo pode pedir outra coisa.

Sobre matéria regulada. O manuseamento de fluidos frigorigéneos, as classes de segurança, os limites de carga por volume de local e a certificação de técnicos e empresas estão regulados por legislação europeia e nacional que muda com frequência. Nesta sebenta ficam tratados os princípios e os procedimentos; os números de diplomas, os prazos e os limites concretos consultam-se sempre na redação em vigor, junto da entidade competente. Onde isso acontece o texto diz-lo.

Fronteira com a refrigeração comercial. A montagem de sistemas de refrigeração comercial (câmaras, vitrinas, centrais) é outra matéria, com outros circuitos e outras ferramentas. Aqui o ponto de vista é o do ar condicionado de conforto: equipamento de série, instalado em paredes de habitações e de pequenos espaços de serviços, com unidades interiores de parede, cassete, conduta ou chão e uma ou várias unidades exteriores.

Fronteira com os procedimentos oficinais. Fazer o cone na bancada, cuidar do abocardador e inspecionar o cone é matéria de oficina tratada noutra unidade. Aqui o cone interessa como parte da instalação: o binário de cada diâmetro, a contra-chave no corpo da válvula de serviço, a marca na porca, a acessibilidade da união e a obrigação de refazer o cone sempre que a ligação é aberta.

Como estudar com esta sebenta. Lê o capítulo, refaz as contas dos exemplos com a calculadora antes de ver o resultado e, sempre que possível, repete o procedimento na oficina com o equipamento verdadeiro. A competência de um instalador mede-se pelo que faz com as mãos, e as mãos aprendem a repetir.

1. Ferramentas e equipamentos de trabalho

Um instalador de splits trabalha com um conjunto de ferramentas relativamente pequeno e bem definido. Conhecê-lo, saber para que serve cada peça, como se lê e como se cuida, é o primeiro conteúdo desta UFCD. Uma ferramenta ou instrumento inadequado ou estragado é causa direta de avarias futuras: um alargador gasto dá uma porca cónica que fuga, um manómetro descalibrado dá uma carga errada, uma bomba de vácuo com óleo sujo nunca chega ao vácuo pedido.

1.1 Corte, preparação e conformação do tubo de cobre

Ferramenta Para que serve Como se usa bem Falha típica
Corta-tubos de rolete (de cobre) Corte perpendicular do tubo sem rebarba grossa Marcar, apertar pouco a pouco por volta, rodando à volta do tubo Apertar de uma vez e deformar o tubo (ovalização)
Serra de tubo Corte quando não há espaço para o corta-tubos Guia reta, tubo preso Corte inclinado, limalha para dentro do tubo
Escareador (rebarbador) interior e exterior Retira a rebarba do corte Tubo virado para baixo, para a limalha cair fora Deixar a limalha dentro do circuito
Calibrador / alargador (flaring tool) de cónico a 45° Faz o cone (alargamento, ou "flare") da união por porca cónica Porca enfiada antes, tubo à altura certa na matriz, apertar até ao fim do curso Esquecer a porca, usar alargador de classe errada para o fluido
Expansor de tubo (expander) Alarga a ponta do tubo para encaixar outro tubo da mesma medida (junta de brasagem) Lubrificar levemente e rodar Alargar demais e rasgar o tubo
Dobrador de tubo (mola ou alavanca) Curvar o tubo sem o esmagar Raio mínimo do tubo respeitado, curva única em vez de várias Dobrar com o joelho e deixar um vinco que estrangula o fluxo
Calibrador de profundidade (gabarito de alargamento) Verifica a altura do tubo na matriz e o diâmetro do cone Colocar sobre o cone e conferir Medir a olho

A chave dinamométrica (chave de binário) para porcas cónicas é uma ferramenta de importância própria e tem capítulo à parte (capítulo 6). Costuma trazer um jogo de bocas para as medidas de porca mais comuns (1/4", 3/8", 1/2", 5/8", 3/4") ou uma chave de duas pontas, uma para apertar e outra para travar a porca da válvula.

1.2 Manómetros, vácuo e carga

Instrumento Para que serve Notas de uso
Manifold (cesto de manómetros) de duas ou quatro vias Ligar o sistema ao azoto, à bomba de vácuo e à garrafa do fluido Mangueiras com válvula de esfera junto à ligação para reduzir a perda de fluido; ligações próprias para fluidos A2L quando o fabricante o pede
Bomba de vácuo de duas fases Fazer o vácuo profundo Óleo limpo, mudar com a periodicidade do fabricante; válvula de corte entre a bomba e o sistema
Vacuómetro eletrónico (leitura em micron, Pa ou mbar) Medir o vácuo com verdade Ligado diretamente ao sistema, longe da bomba; o manómetro do manifold não mede vácuo profundo
Balança eletrónica de carga Pesar a carga adicional do fluido Precisão de gramas, colocada em plano, tara com a mangueira ligada
Garrafa de azoto seco (isento de oxigénio) com redutor Ensaio de pressão e proteção da brasagem Redutor de duas fases com válvula de segurança; nunca ligar a garrafa diretamente ao sistema
Detetor de fugas eletrónico Localizar fugas pequenas Sensibilidade adequada ao fluido; verificar o funcionamento com uma amostra de referência
Espuma ou líquido detetor de fugas Marcar a fuga ao tocar com bolhas Apenas produto próprio para fugas, nunca detergente caseiro

1.3 Medida elétrica e térmica

1.4 Ferramentas de fixação e de trabalho em altura

1.5 Equipamento de proteção individual (EPI)

EPI Quando é obrigatório
Luvas Em qualquer manuseamento de tubo, corte e brasagem; luvas de proteção contra o frio no manuseamento de fluido líquido
Óculos ou viseira Ao furar, ao cortar, ao brasar, ao abrir uma ligação com pressão e sempre que se liga o fluido
Calçado de proteção Em toda a obra
Capacete Em obras com trabalho acima e em coberturas
Proteção auditiva A furar betão, a rebarbar
Máscara para pó A furar betão e tijolo (pó de sílica)
Arnês e linha de vida Em trabalho em altura sem proteção coletiva

Segurança integrada. O EPI não é um capítulo decorativo: é o primeiro passo de cada procedimento. Os óculos ficam postos a partir do momento em que o manifold é ligado e só saem quando o último tampão está apertado.

1.6 Cuidados com as ferramentas

  1. Limpeza: os furos de saída do alargador e as matrizes limpam-se com pano seco; uma limalha na matriz risca o cone seguinte.
  2. Armazenamento: mangueiras e manifold com tampões nas ligações, para não entrar humidade e pó.
  3. Verificação periódica: balança e vacuómetro confirmam-se com padrão ou na assistência recomendada; um instrumento que ninguém verifica dá números sem valor.
  4. Calibração da chave dinamométrica: depende do fabricante e da frequência de uso; uma chave que caiu ao chão deve ser verificada antes de voltar a ser usada.

2. Planear e organizar a obra

O primeiro objetivo do referencial é planear e organizar o trabalho. Em instalações pequenas, quase toda a informação necessária para uma boa instalação é recolhida antes de se começar a furar. Quem chega à obra sem ter olhado para o local, sem material e sem plano acaba a improvisar, e a improvisação no ar condicionado dá fugas e água na parede.

2.1 A visita prévia e a ficha de obra

Antes de qualquer trabalho, faz-se uma visita ao local, por vezes com o cliente, para recolher os dados da ficha de obra:

Dado a recolher Porquê
Divisão a climatizar, área, pé-direito, orientação solar, número de ocupantes, equipamentos que emitem calor Confirmar que a potência do equipamento escolhido é adequada (o dimensionamento é do projeto ou do cálculo de cargas, o instalador confirma a coerência)
Parede em que fica a unidade interior e o que há do outro lado Furação, risco de cabos e de tubagem de água, encosto a armários
Local da unidade exterior: varanda, fachada, cobertura, chão Afastamentos, ruído, acessos, suporte
Distância e desnível entre as duas unidades Comparar com os limites do fabricante
Percurso da tubagem, do cabo e do dreno Quantidade de material, passagens em paredes, necessidade de calha
Ponto de descarga do dreno Esgoto, ralo, fachada ou bomba de condensados
Alimentação elétrica: quadro, proteção disponível, secção do cabo, ponto de ligação Se é preciso reforço, nova proteção ou novo circuito
Acessos para levar a unidade exterior Escadas, elevadores, guindaste, andaime
Autorizações: condomínio, senhorio, câmara (conforme o caso), horário permitido para obras Evitar embargo ou queixa
Cliente: hábitos, horários, o que espera do conforto Escolher modo de instalação do comando, posição do jato de ar

2.2 A lista de material

Com os dados da visita calcula-se o material. Para um split simples:

Item Como se calcula
Tubo de cobre isolado (par) Comprimento do percurso real entre as unidades, mais folga para curvas e ligações (cerca de 1 m a 1,5 m)
Cabo de interligação O mesmo comprimento do percurso, com a secção pedida no manual
Tubo de dreno Do ponto de saída da unidade interior até ao esgoto, com a inclinação contínua
Fita de acabamento e isolamento Para cobrir todo o percurso
Calha ou tubagem de proteção (se o percurso é à vista) Comprimento do percurso à vista
Suportes da unidade exterior (consolas) ou base Conforme o peso e o local
Amortecedores de vibração Um jogo por unidade exterior
Fixações e buchas Para a base da interior, para os suportes e para as braçadeiras
Selante e espuma Para vedar a travessia da parede
Fluido frigorigéneo extra Só se o comprimento exceder o da pré-carga do equipamento (capítulo 13)

Exemplo resolvido · Lista de material de um split de parede

Dados. Quarto de 14 m², unidade interior numa parede exterior, unidade exterior na fachada, a 4,5 m na horizontal e 1,5 m em altura. O percurso real do tubo inclui duas curvas e uma passagem pela parede.

Passo 1 · Percurso real. Comprimento = 4,5 + 1,5 + folga das curvas (cerca de 1 m) = 7 m, um valor bem acima da distância em linha reta.

Passo 2 · Tubo. Pedem-se 8 m (7 m mais margem de corte e de alargamento), de dois diâmetros conforme o manual (por exemplo, o fino do líquido e o grosso do gás).

Passo 3 · Cabo. 8 m da secção e do número de condutores do manual (por exemplo, 4 condutores).

Passo 4 · Dreno. Dreno da interior até ao ralo exterior: 3 m de tubo flexível ou rígido, a verificar na visita.

Passo 5 · Carga adicional. Se o manual do equipamento tiver pré-carga para os primeiros 5 m, a carga adicional será calculada para 2 m a mais (capítulo 13).

Resultado. A lista tem 8 m de tubo isolado, 8 m de cabo, 3 m de dreno, consola, amortecedores, buchas, selante, e a previsão de carga adicional. Um camião de material desnecessário nunca chegou a obra nenhuma, e a falta de 1 m de tubo à última hora estragou muitos dias de trabalho.

2.3 A organização do dia de trabalho

Uma instalação típica de um split de parede, feita por dois técnicos, ocupa um dia. A ordem, que vai ser desenvolvida nos capítulos seguintes, é esta:

Fase O que se faz Capítulo
1 Verificar o equipamento recebido, abrir os manuais, ler os valores de instalação 2, 3, 4
2 Marcar e furar a parede, fixar a base da interior e o suporte da exterior 3, 4
3 Preparar tubagem, cabo e dreno e passá-los pela travessia 5
4 Fazer as uniões (alargamento, aperto com chave dinamométrica) 6
5 Montar o dreno e ensaiá-lo com água 8
6 Ligar a parte elétrica e a interligação 9
7 Ensaio de estanquidade com azoto 10
8 Vácuo e prova de subida de pressão 11
9 Abrir as válvulas de serviço, carga adicional se for o caso 12, 13
10 Arranque, medições e regulação 14
11 Acabamentos, limpeza, registo e entrega ao cliente 16

Dica de oficina. Prepara uma folha de verificação (checklist) com estas onze fases. Cada fase termina com uma marca de verificação que só se faz quando o resultado foi realmente verificado. Quem marca "ensaio de estanquidade" sem ter lido o manómetro dois minutos depois do ensaio está a enganar-se a si próprio.

2.4 Segurança e ambiente no planeamento

3. Localização, suporte e fixação da unidade interior

3.1 Escolher o local da unidade interior

A unidade interior de parede (a mais comum) faz circular o ar da divisão. A localização determina o conforto e a durabilidade da instalação. Os critérios são:

Critério O que fazer Erro que evitar
Distribuição do ar Posição que deixa o jato percorrer a divisão sem soprar diretamente para as pessoas Soprar para a cama ou para a secretária
Retorno livre Espaço livre à frente da grelha de entrada de ar, sem armários ou cortinas Colocar a unidade por cima de um móvel que a tapa
Afastamentos de segurança Distâncias ao teto e às paredes laterais que o manual fixa (típico: pelo menos cerca de 150 mm ao teto e cerca de 50 mm às laterais) Encostar ao teto e impedir a retirada do filtro
Altura A altura mínima ao chão que o manual pede (valores típicos acima de 2,2 m a 2,3 m) Baixa demais, a pessoa toca-lhe e o ar bate nos móveis
Parede Parede que aguenta o peso e tem capacidade de fixação Parede de gesso cartonado sem reforço
Fontes de calor Longe de fontes de calor, de vapor e de gases inflamáveis Cozinha, ao lado de um fogão
Sensores Longe de luz solar direta e de correntes de ar que enganam o sensor de temperatura Sensor de temperatura colocado numa parede quente
Dreno e tubagem Lado da saída mais curto para a saída do dreno e para a travessia Fazer curvas inúteis
Ruído Longe da cabeceira de uma cama, se possível Instalar à cabeceira por ser a parede mais fácil
Acesso Espaço para filtros e limpeza Esconder a unidade atrás de uma moldura

3.2 Verificar a parede antes de furar

  1. Detetar cabos e tubos com o detetor na zona onde vai ser a base e a travessia.
  2. Identificar o material da parede: tijolo furado, tijolo maciço, betão, gesso cartonado, pladur. Cada material pede buchas diferentes.
  3. Confirmar o que há do outro lado: quarto vizinho, caixa de estore, canalização, chaminé.
  4. Marcar a posição a lápis, com o nível, conforme o gabarito do manual.

3.3 Fixar a base (placa de montagem)

A unidade interior de parede é fornecida com uma placa de montagem (base) que se fixa à parede e onde a unidade encaixa. O procedimento é:

  1. Posicionar a placa com o nível de bolha, horizontal. Ligeira inclinação para o lado do dreno pode ser pedida pelo manual do equipamento, mas na maior parte dos casos a unidade vem com o tabuleiro preparado e a placa vai a nível.
  2. Marcar os furos com o gabarito, em todos os pontos de fixação previstos (os fabricantes indicam o número mínimo, muitas vezes 6 a 8 pontos).
  3. Furar com o berbequim-martelo, com a broca e a profundidade da bucha. Pó aspirado do furo.
  4. Colocar as buchas adequadas ao material; em placas de gesso cartonado usam-se buchas de expansão ou de báscula, e nunca em gesso simples.
  5. Aparafusar a placa; as cabeças de parafuso ao nível da placa e não a mais.
  6. Verificar o nível outra vez e fazer a prova de carga com a mão: a placa não se mexe.

Segurança. A queda de uma unidade interior sobre uma pessoa é um acidente grave. A placa de montagem é o elemento de segurança da unidade interior: dimensiona-se para o peso do equipamento mais uma margem, e não se fixa com menos parafusos do que o manual pede.

3.4 Furar a travessia

A travessia (o furo na parede) é o ponto fraco de qualquer instalação. É por ela que passam, ao mesmo tempo, os dois tubos de cobre, o cabo de interligação e o dreno. Os requisitos são:

Exemplo resolvido · Inclinação da travessia numa parede de 30 cm

Dados. A parede tem 300 mm de espessura. O manual pede que o furo desça para o exterior e a prática de obra usa cerca de 1 a 2 % de inclinação.

Passo 1 · Descida. Com 1 %: 300 mm × 0,01 = 3 mm. Com 2 %: 300 mm × 0,02 = 6 mm.

Passo 2 · Marcação. O furo é marcado ao centro do lado interior e 3 a 6 mm mais baixo do lado exterior, o que se faz inclinando ligeiramente a carotadora ao furar.

Passo 3 · Verificação. Com uma haste de madeira ou um pedaço de tubo, vê-se a inclinação e corrige-se antes de passar o feixe.

Resultado. A inclinação é pequena mas contínua. Uma travessia horizontal ou a subir leva a água de condensação e da chuva para dentro da divisão.

4. Localização, suporte e fixação da unidade exterior

A unidade exterior contém o compressor, o condensador e o ventilador. Despeja para o ar exterior todo o calor retirado da divisão mais a energia consumida pelo compressor. Se o ar quente que sai volta a entrar na unidade, ou se o ar não consegue chegar à serpentina, a pressão de condensação sobe, o consumo sobe, a capacidade cai e o compressor morre mais cedo.

4.1 Escolher o local da unidade exterior

Critério O que fazer Erro de oficina
Ar livre à entrada Lado da entrada de ar (a serpentina) desobstruído, com os afastamentos do manual Unidade encostada à parede ou metida num recanto sem ar
Ar livre à saída Saída para um espaço aberto, sem obstáculo à frente a menos da distância do manual Saída a soprar para uma parede a 30 cm, o ar quente volta e recircula (curto-circuito do ar)
Afastamentos Lados, parte de trás e de cima conforme o manual (por exemplo, atrás 100 mm, lado de manutenção 300 mm, frente 1 000 mm a 1 500 mm, em cima livre) Medir "mais ou menos"
Sol e calor Preferir sombra ou proteção contra sol direto, longe de saídas de exaustão, de chaminés e de caldeiras Colocar a unidade ao lado do ventilador de extração da cozinha
Ruído Longe de janelas de quartos e do vizinho; atenção a paredes refletoras que amplificam o ruído Unidade num pátio estreito que faz de caixa de ressonância
Vibração Sobre base que aguenta o peso e com amortecedores Fixar rigidamente a uma parede que transmite a vibração para o interior
Neve, folhas, água Elevada do chão (por exemplo, por 100 mm a 200 mm ou o que o manual diz) em zonas de chuva, folhas e neve Unidade ao rés do chão e sobre a água
Acesso Espaço para trabalhar, para ligar o manifold às válvulas de serviço e para retirar a tampa Unidade num sítio inacessível, onde ninguém consegue fazer a manutenção
Distância e desnível Dentro dos limites do fabricante (comprimento máximo de tubagem e diferença de cota máxima entre unidades) Ultrapassar o comprimento e não calcular a carga adicional
Dreno da exterior Em bomba de calor, a água do degelo sai pela base: prever o seu escoamento sem formar gelo em zonas de passagem Despejar a água do degelo sobre o passeio

Erro frequente. A unidade exterior encostada a uma parede, num "nicho" ou debaixo de uma varanda fechada, é uma das causas mais comuns de má performance. O sintoma é: pressão de condensação alta, corrente alta, desarme por proteção térmica nas tardes de verão.

Exemplo resolvido · Verificar os afastamentos da unidade exterior

Dados. O manual indica: atrás, mínimo 100 mm; lado de manutenção (esquerdo), mínimo 300 mm; lado direito, mínimo 100 mm; frente (saída do ar), mínimo 1 500 mm; em cima, livre. O local previsto é um recanto de varanda com 1 200 mm de profundidade à frente da unidade e 80 mm atrás.

Passo 1 · Comparar cada lado.

Lado Exigido Disponível Resultado
Atrás 100 mm 80 mm Não cumpre
Esquerdo (manutenção) 300 mm 400 mm Cumpre
Direito 100 mm 150 mm Cumpre
Frente (saída do ar) 1 500 mm 1 200 mm Não cumpre

Passo 2 · Decisão. Dois lados não cumprem: o local não serve, mesmo que a unidade "caiba".

Passo 3 · Alternativas. Deslocar a unidade 20 mm para a frente resolve o lado de trás mas agrava a frente. Há que escolher outro local (fachada, cobertura) ou outra posição que respeite os quatro lados, falando com o cliente antes de começar, e não depois.

Resultado. O afastamento é uma medição, e regista-se. "Cabe" e "cumpre" são coisas diferentes.

4.2 Suportes e bases da unidade exterior

Os modos de instalar a unidade exterior são três:

  1. Em consolas de parede (suportes metálicos em L ou em esquadro): para fachadas. Cada consola é dimensionada para o peso da unidade e fixada com buchas químicas ou mecânicas adequadas ao material da parede. Exige parede de betão ou de alvenaria sólida; não se instala em tijolo furado sem bucha própria. Em tijolo furado, bucha química com camisa de rede, que trava no vazio do tijolo.
  2. Em base no chão (sapata de betão, base pré-fabricada de plástico ou de betão, ou perfis de aço): para jardins, pátios e logradouros. A base tem de ser plana, nivelada e estável, acima do nível da água.
  3. Em cobertura plana (bases em perfis, sobre lajetas ou apoios distribuídos): exige cuidado com a impermeabilização da cobertura e com a carga distribuída.

A fixação da unidade ao suporte faz-se com parafusos e amortecedores de vibração, que impedem que o ruído do compressor passe à estrutura. A unidade fica nivelada (nível de bolha em duas direções).

Regra prática. Se o suporte vibra quando a unidade arranca, ou se a mão sente a vibração na parede, os amortecedores estão a faltar ou estão mal aplicados.

4.3 Verificar o peso e dimensionar o suporte

O peso da unidade está na chapa e no manual. O suporte dimensiona-se com margem; os fabricantes das consolas indicam a carga máxima por par. Em equipamentos grandes, ou em consolas altas, o técnico pede a verificação de segurança ao responsável pela obra.

O peso faz alavanca. Com o centro de gravidade a uma distância d da parede e as buchas afastadas h na vertical, a tração nas buchas de cima é, num modelo simplificado, P × d ÷ h, repartida por essas buchas. Como regra de prudência, usa-se, no máximo, metade da carga de tração admissível da bucha.

Exemplo resolvido · Escolher a consola

Dados. Unidade exterior de 38 kg. Consolas disponíveis: par com carga máxima de 60 kg por par, par com carga máxima de 100 kg por par. Parede de betão.

Passo 1 · Carga. Peso 38 kg. A margem prática: 38 kg ÷ 60 kg = 63 % da carga do primeiro par; ÷ 100 kg = 38 % da carga do segundo.

Passo 2 · Critério. Procurar que a unidade ocupe, no máximo, cerca de metade a dois terços da carga nominal do par, porque o par nominal é medido em condições ideais e a unidade vibra.

Passo 3 · Decisão. O par de 100 kg dá folga; o par de 60 kg está no limite aceitável, com buchas adequadas ao betão e ao peso, e sem saliência excessiva da unidade.

Resultado. Em caso de dúvida, usa-se a consola mais forte. A diferença de preço é pequena face ao custo de uma queda.

4.4 Colocação segura da unidade exterior

  1. Levar a unidade com dois técnicos, ou com meios de elevação para pesos maiores. Nunca à mão por escadas exteriores.
  2. Fixar a linha de vida ou usar plataforma ao trabalhar numa fachada.
  3. Apoiar a unidade nas consolas e apertar os parafusos com os amortecedores já colocados.
  4. Nivelar e confirmar a estabilidade.
  5. Deixar as válvulas de serviço fechadas como saem de fábrica, com as tampas postas: a unidade traz a pré-carga de fluido e não se abre antes de a tubagem estar ligada, ensaiada e em vácuo.

5. Tubagem de cobre e travessia: preparar, passar e isolar

5.1 O tubo de cobre para ar condicionado

A ligação entre as duas unidades faz-se com dois tubos de cobre, de diâmetros diferentes:

Os diâmetros são os que o manual do equipamento indica (valores comuns em splits domésticos: líquido de 1/4" com gás de 3/8" para as potências mais pequenas, líquido de 1/4" com gás de 1/2" ou líquido de 3/8" com gás de 5/8" para as maiores). Não se escolhe o diâmetro pelo tubo que há no carro: um tubo grosso demais não arrasta o óleo de volta ao compressor, um tubo fino demais estrangula e baixa a capacidade.

Característica O que exigir
Material Cobre desoxidado, limpo por dentro, tubo próprio para refrigeração (fornecido tapado nas pontas), nunca tubo de canalização de água
Parede A espessura do manual ou da norma de equipamento; nos tubos de maior diâmetro e para os fluidos de maior pressão, a parede é maior
Estado Recozido (mole) para dobrar e fazer o cone; em rolos de comprimento corrido
Isolamento Isolamento térmico próprio para refrigeração, de espessura e de classe conforme o manual, nos dois tubos, separadamente
Limpeza Pontas tapadas até ao momento de ligar; tubo que ficou aberto, sujo ou com humidade, não se usa

5.2 Isolar os tubos

O tubo do gás está frio quando o equipamento arrefece e quente quando aquece; o do líquido está morno nos dois casos. Sem isolamento perde-se capacidade e há condensação (suor) no tubo frio, que pinga. Por isso:

  1. Cada tubo tem o seu isolamento, e os dois não partilham a mesma manga: o tubo morno do líquido, encostado ao frio do gás, anularia parte do efeito.
  2. O isolamento é contínuo de ponta a ponta, sem interrupções: nas uniões e nas travessias é onde mais se falha. As juntas do isolamento colam-se com cola própria e fitam-se.
  3. Nas uniões (porcas cónicas) o isolamento só se coloca depois do ensaio de estanquidade, porque é preciso ver e tocar a união para localizar uma fuga. Deixa-se o isolamento recolhido no tubo e puxa-se para cobrir só no fim.
  4. Nos pontos de curva, o isolamento não se esmaga nem se rasga: um isolamento comprimido isola menos.
  5. À vista, depois do isolamento, o feixe pode levar fita de acabamento ou calha para proteção mecânica e raios UV.

Erro de oficina clássico. Passar o tubo pela travessia sem isolamento, "para ser mais fácil", e deixar a zona da parede sem isolar. O tubo do gás vai suar dentro da parede e a água aparece no reboco ao fim de uma semana. O isolamento é contínuo, também dentro da manga.

5.3 Cortar e preparar

  1. Medir o percurso real, e cortar o tubo com cerca de 30 cm a mais do que o necessário. Cobre cortado a menos não se estica.
  2. Cortar com o corta-tubos, apertando o rolete pouco a pouco. O corte tem de ser perpendicular ao eixo do tubo: se estiver inclinado, o cone sai torto e fuga. Verifica-se encostando um esquadro.
  3. Rebarbar o interior e o exterior do corte com o escareador, com a ponta do tubo voltada para baixo, para que as limalhas caiam fora e não entrem no circuito.
  4. Soprar (ou passar um pano) a ponta para tirar resíduos.
  5. Tapar logo a ponta com tampão ou fita se não for ligar de imediato.

5.4 Dobrar o tubo

5.5 Passar o feixe pela travessia

O feixe (tubo do líquido isolado, tubo do gás isolado, cabo de interligação e dreno) vai junto, enrolado em fita de acabamento, de forma que:

  1. O dreno fique na parte de baixo do feixe e com a inclinação contínua para fora.
  2. O feixe seja passado pelo furo sem forçar, do lado onde há mais espaço de manobra; se for pelo lado do exterior, a ponta da unidade interior fica de dentro, e vice-versa.
  3. As pontas dos tubos estejam tapadas enquanto atravessam, para não entrar pó, gesso ou água.
  4. O isolamento não seja arrancado ao passar pela manga. Se o feixe engasga, não se puxa à força: recua-se, verifica-se o que prende e volta-se a passar.
  5. No fim, a travessia é vedada com selante ou espuma no lado de fora e no lado de dentro. Isto pára o ar, a água, os insetos e o ruído.

Exemplo resolvido · Quanto tubo cortar

Dados. Unidade interior com saída de tubos à esquerda; unidade exterior numa consola à esquerda e 6 m para o exterior, com 1,2 m de altura de diferença; folga para as ligações em cada ponta de 0,5 m.

Passo 1 · Percurso. Percurso horizontal 6 m + vertical 1,2 m = 7,2 m. Somam-se as folgas de ligação: 7,2 + 0,5 + 0,5 = 8,2 m.

Passo 2 · Corte. Cortam-se 8,5 m de cada tubo, ficando 30 cm de reserva para repetir um cone se for preciso.

Passo 3 · Comprimento total registado. Para a carga adicional (capítulo 13) o que conta é o comprimento real instalado, e não o de corte. Fica registado o comprimento medido depois de passada a tubagem, por exemplo 8,0 m.

Resultado. Cortar com folga é boa prática; contar o fluido pelo comprimento instalado é obrigatório.

6. Ligações mecânicas: a união por porca cónica

A união por porca cónica (alargamento, flare) é a ligação mecânica que liga os tubos de cobre às válvulas de serviço da unidade exterior e às ligações da interior. É a união mais comum num split e é também a causa mais frequente de fugas de fluido depois da instalação. Uma porca cónica mal feita fuga ao fim de semanas ou meses, quando o cobre assenta e o aperto relaxa, e por isso é a ligação que mais exige método.

6.1 Como funciona

A ponta do tubo é alargada em forma de cone a 45° (o cone ou "flare"). A porca, que já estava enfiada no tubo, empurra o cone contra o ressalto cónico da ligação (a "mama" do corpo da válvula). A estanquidade faz-se por contacto metal com metal entre o cone do tubo e o cone da ligação. Não leva vedante nas faces; uma gota de óleo do compressor (do tipo do fluido) lubrifica e ajuda a assentar, mas só no cone e nunca na rosca, para evitar que o aperto seja mal lido.

6.2 Sequência do procedimento, passo a passo

  1. Cortar o tubo perpendicularmente (capítulo 5).
  2. Rebarbar o interior e o exterior, com o tubo virado para baixo.
  3. Enfiar a porca cónica no tubo antes de alargar. Sem essa porca no tubo, o cone sai e a porca já não pode ser enfiada: repete-se tudo. É o erro que todos cometem uma vez.
  4. Colocar o tubo na matriz do alargador, no furo do diâmetro certo, com a ponta a sobressair a altura indicada pelo fabricante do alargador (com o alargador com embraiagem, a ponta fica nivelada ou a sobressair uma fração de milímetro; com o alargador clássico, cerca de 1 mm a 1,5 mm; o manual do alargador diz qual).
  5. Alargar, rodando a manivela até ao fim do curso (a embraiagem estala) ou até o cone preencher a matriz, sem forçar demais.
  6. Inspecionar o cone à luz:
  7. superfície lisa, uniforme e sem riscos nem fissuras;
  8. o cone concêntrico com o tubo, sem "sombrear" para um lado;
  9. o diâmetro exterior do cone dentro da tolerância da tabela do fabricante (mede-se com o calibrador);
  10. sem rebarbas, sem vincos, sem esmagamento.
  11. Se o cone não está perfeito, corta-se e refaz-se. Um cone mau nunca se "corrige" apertando mais.
  12. Limpar a ponta do cone e a mama do corpo da válvula (pano limpo, sem fiapos).
  13. Pôr uma gota de óleo do tipo recomendado só no cone.
  14. Alinhar o tubo com a ligação, de modo que o cone assente sem esforço lateral. Apertar a porca à mão até assentar (duas a três voltas sem esforço).
  15. Apertar com a chave dinamométrica, ao binário do fabricante, usando uma segunda chave para travar o corpo da válvula (a contra-chave), de modo que o aperto seja absorvido pela porca e pela válvula e não torça a tubagem.
  16. Marcar a porca com uma linha de marcador, atravessando porca e corpo, para registar que está apertada ao binário.

6.3 Binários de aperto

O binário de aperto é uma grandeza do fabricante, que depende do diâmetro da ligação e do material do corpo. Os intervalos que se seguem são ordens de grandeza típicas de manuais de splits, para referência de oficina; para cada instalação aplica-se o valor da tabela do manual do equipamento.

Diâmetro do tubo Binário típico de aperto (N·m) Diâmetro exterior típico do cone (A)
1/4" (6,35 mm) cerca de 14 a 18 cerca de 9 mm
3/8" (9,52 mm) cerca de 33 a 42 cerca de 13 mm
1/2" (12,7 mm) cerca de 50 a 62 cerca de 16 mm
5/8" (15,88 mm) cerca de 63 a 77 cerca de 19 mm
3/4" (19,05 mm) sem valor típico; aplica-se o da tabela do manual cerca de 23 mm

No diâmetro de 3/4" os valores publicados variam de fabricante para fabricante e não se dá aqui um número: lê-se sempre o binário na tabela do manual do equipamento.

Apertar a olho é errar. Com a mão e uma chave de bocas não se sabe se se aplicou 20 N·m ou 50 N·m. Apertar de menos deixa a ligação fugar ao fim de meses; apertar de mais deforma o cone, parte a porca ou fende a mama. A chave dinamométrica é obrigatória nas porcas cónicas, e o binário é o do manual.

Exemplo resolvido · O que significa 36 N·m na mão

Dados. Porca de 3/8" para apertar a 36 N·m. A chave dinamométrica tem 0,30 m de comprimento até ao ponto de apoio da mão.

Passo 1 · Binário = força × braço. Força = binário ÷ braço = 36 N·m ÷ 0,30 m = 120 N.

Passo 2 · Em quilogramas-força. 120 N ÷ 9,81 ≈ 12 kgf, a força de pendurar 12 kg numa chave de 30 cm.

Passo 3 · Leitura. Ninguém tem a noção, "a olho", de 12 kgf aplicados no ponto exato de 30 cm. Com uma chave de bocas de 20 cm, para dar os mesmos 36 N·m seriam precisos 180 N (18 kgf), e a pessoa teria de sentir isso.

Resultado. Duas pessoas diferentes apertam "a olho" com diferenças de ordem do dobro. A chave dinamométrica elimina essa diferença. Com chave de estalo, aplica-se a força sem sacudidelas, até ouvir ou sentir o estalo, e pára-se.

6.4 Erros que fazem uma porca cónica fugar

Erro Efeito Como evitar
Corte inclinado Cone assimétrico, fuga de um lado Esquadro no corte; corta-tubos bem apertado
Rebarba por retirar Risca o cone ou deixa limalha no circuito Escareador, com o tubo voltado para baixo
Esquecer a porca antes de alargar Cone feito sem porca, tudo a repetir Fazer da porca o primeiro gesto
Altura do tubo na matriz errada Cone pequeno demais (não assenta) ou grande demais (a porca não passa) Gabarito e tabela do alargador
Cone com riscos, fissuras ou espessura irregular Fuga lenta Inspeção à luz; cortar e refazer
Alargador gasto ou de má qualidade Cones deformados Alargador de classe adequada, cuidado com a matriz
Aperto a olho Fuga ou cone deformado Chave dinamométrica
Não usar contra-chave Torção da tubagem e da válvula Segunda chave sempre
Reutilizar um cone já apertado várias vezes O cobre está encruado e não assenta Refazer o cone sempre que a ligação é aberta
Óleo na rosca Binário mal lido, aperto a mais Óleo só no cone
Tubo a trabalhar à tração ou a vibrar contra a parede Fadiga e fuga Curva de alívio e fixação do tubo

Regra de ouro. Cada vez que uma ligação mecânica é aberta, refaz-se o cone. É um minuto de trabalho que evita uma segunda deslocação.

6.5 Fixações, abraçadeiras e apoios

7. Brasagem (soldadura forte) em tubagem de cobre

Nos splits de pequena potência, as uniões do instalador são quase todas por porca cónica. A brasagem (soldadura forte, a mais de 450 °C, com liga de adição) aparece:

É uma operação com chama, com tubo sob azoto e com risco de incêndio. Faz-se por quem tem formação e procedimento aprovado; a brasagem junto a um fluido do tipo A2L pede cuidados adicionais que vêm no capítulo 12.

7.1 Material de brasagem

Material Função
Maçarico (propano, MAPP ou oxiacetilénico) Fonte de calor, chama regulada
Varetas de liga de prata ou de fósforo-cobre Liga de adição. Para cobre com cobre, as ligas de fósforo-cobre dispensam fluxo; para cobre com latão ou aço, usa-se liga de prata com fluxo
Fluxo (decapante), quando necessário Limpa o óxido no momento da brasagem
Azoto seco com redutor Gás de proteção interior
Escovas, lixa e pano Preparação
Manta ou escudo resistente ao fogo Proteger a parede e o isolamento
Extintor ao alcance Segurança
Luvas, óculos de proteção para brasagem EPI

7.2 Sequência da brasagem

  1. Preparar a peça e a zona de trabalho: afastar materiais combustíveis (isolamentos, plásticos, cabos); proteger com manta; retirar o isolamento do tubo numa extensão segura; extintor à mão.
  2. Cortar, rebarbar e limpar as pontas; lixar o cobre até ficar brilhante nas zonas a juntar; limpar o interior da união.
  3. Encaixar o tubo na união com folga muito pequena (a folga permite a capilaridade da liga).
  4. Ligar o azoto ao tubo e fazer correr um caudal suave e contínuo, a uma pressão baixa do redutor (de ordem de décimas de bar, o que o procedimento fixar), com a outra ponta do circuito aberta para o azoto sair. O azoto expulsa o ar e impede a formação de óxido (escama) por dentro do tubo, o qual se soltaria depois e iria entupir o dispositivo de expansão ou o compressor.
  5. Aquecer a união de modo uniforme com a chama, a começar pelo tubo e depois pela união, até o cobre ficar à temperatura de trabalho da liga (cor ligeiramente vermelha mate à luz). A chama nunca aquece diretamente a liga.
  6. Tocar a liga na junta, do lado oposto à chama: ela funde por contacto com o cobre quente e é puxada por capilaridade para dentro da folga.
  7. Retirar a chama, deixar arrefecer com o azoto a correr (alguns minutos), e só depois fechar o azoto.
  8. Limpar a junta (pano húmido, quando o fluxo foi usado) e inspecionar: cordão contínuo e brilhante em volta, sem poros e sem falhas.
  9. A junta é ensaiada à pressão no ensaio de estanquidade (capítulo 10).

Sem azoto não há brasagem. Brasar tubo de refrigeração sem azoto interior forma uma camada de óxido preto que se desprende mais tarde, entope capilares e válvulas de expansão e destrói compressores. O azoto custa pouco; a avaria custa muito.

7.3 Cuidados específicos

8. Dreno de condensados

Quando o ar da divisão passa pela serpentina fria da unidade interior, o vapor de água do ar condensa e escorre para o tabuleiro. Num dia de verão húmido, um split pode produzir vários décimos de litro a mais de um litro de água por hora. Essa água tem de ter um caminho, contínuo e descendente, até ao exterior ou ao esgoto. Um dreno mal feito é a causa mais frequente de queixas de clientes, com água a pingar da unidade ou a escorrer na parede.

8.1 Os requisitos do dreno

Requisito Valor ou regra
Inclinação contínua Sempre a descer, sem pontos altos nem pontos baixos. Valor mínimo habitual: cerca de 1 % (10 mm por metro); o manual do equipamento prevalece. Mais inclinação é melhor quando o espaço o permite
Diâmetro Nunca inferior ao da saída do tabuleiro da unidade; em extensões longas pode subir-se um diâmetro
Sem sifão a mais Uma "barriga" no tubo retém água e deixa de escorrer; evitar contra-inclinações
Sem contra-inclinação Nenhum troço pode subir em relação à saída
Ligação Bem apertada, com braçadeira, na saída do tabuleiro; ligação estanque
Isolamento Isolar o troço do dreno que atravessa espaços quentes ou húmidos, ou que passa junto à parte fria, para não pingar de fora
Destino Esgoto com sifão (ralo sifonado, ou ligação em Y com sifão), ou exterior onde a descarga não cause problema (ao lado da unidade exterior, com cuidado de não formar gelo ou perturbar vizinhos)
Não ligar diretamente ao esgoto sem sifão Os maus cheiros sobem pelo dreno
Bomba de condensados Quando a inclinação gravítica é impossível (unidade abaixo do nível de saída), usa-se uma bomba com alarme de nível. Segue as instruções do fabricante
Fixação Braçadeiras a cada 0,8 m a 1,0 m (ou o necessário para manter a inclinação sem barrigas)

Dois defeitos opostos. A contra-inclinação (um troço que sobe) dá uma bolsa de água que enche e transborda. O sifão a mais (uma volta em U no percurso, quando não é pedido) retém água, dá cheiros e, com o ventilador a puxar por baixo, pode aspirar o dreno e fazer a água voltar para a unidade. Pede-se uma linha reta e a descer.

8.2 Montagem do dreno

  1. Verificar o tabuleiro da unidade interior: limpo, sem resíduos de obra.
  2. Escolher o lado da saída do dreno conforme o manual (a unidade permite sair pela esquerda ou pela direita; a saída não usada fica tapada com o tampão de origem).
  3. Ligar o tubo de dreno à saída, com braçadeira ou cola conforme o tipo, e isolar a ligação.
  4. Guiar o dreno ao longo do feixe, na parte inferior, em linha descendente.
  5. Fixar em pontos regulares, medindo a inclinação com o nível ao longo do percurso.
  6. Chegar ao destino: ralo sifonado ou saída exterior, sem ficar mergulhado em água (um dreno com a ponta mergulhada em água cria vácuo e não escorre).

8.3 Ensaio do dreno com água

O dreno ensaia-se com água antes de fechar a obra. O procedimento é simples e obrigatório:

  1. Preparar um regador ou uma garrafa com cerca de 1 a 2 litros de água limpa.
  2. Verter a água devagar no tabuleiro da unidade interior (por uma das aberturas de acesso ou diretamente sobre a serpentina, conforme o equipamento).
  3. Observar a saída do dreno: a água tem de sair, de forma contínua, no destino.
  4. Verificar ao longo do percurso fugas nas ligações e pontos de pingar.
  5. Verificar o tabuleiro: não fica água retida; a unidade não transborda.
  6. Registar o resultado (a água saiu em tantos segundos, sem fugas).

Exemplo resolvido · Inclinação do dreno e ensaio

Dados. Dreno com 4,0 m de extensão horizontal desde a saída do tabuleiro até ao ralo. Inclinação pretendida: 2 %.

Passo 1 · Descida total. 4 000 mm × 0,02 = 80 mm. O ponto de chegada tem de estar 80 mm abaixo do ponto de saída.

Passo 2 · Verificar o desnível disponível. O ralo está 150 mm abaixo da saída. Há 150 mm disponíveis para 80 mm precisos: cumpre, com folga.

Passo 3 · Verificação com nível. Ao fixar, verifica-se a inclinação com o nível a cada 0,5 m: 2 % são 20 mm por metro, e a bolha nunca se pode inverter ao longo do percurso.

Passo 4 · Ensaio. Verte-se 1 litro de água. Resultado esperado: a água aparece no ralo em poucos segundos, sem gotas nas ligações. Se aparece uma gota na ligação, aperta-se a braçadeira e repete-se.

Resultado. Um dreno que passa o ensaio com água nunca é uma surpresa para o cliente.

8.4 Condensados da unidade exterior

Em bomba de calor (aquecimento), a unidade exterior forma gelo na serpentina e, durante o degelo, escorre água pela base. O escoamento previsto no manual (aberturas na base, kit de dreno, base com resistência em climas frios) é cumprido, e a água não se despeja em zonas de passagem, onde gelaria no inverno.

9. Ligações elétricas e controlo

9.1 A alimentação e o cabo de interligação

O split tem duas partes ligadas por tubos e por cabo. Há dois cabos a considerar:

  1. O cabo de alimentação: leva a energia do quadro à unidade que a recebe (conforme o equipamento, a exterior ou a interior), através de uma proteção dedicada.
  2. O cabo de interligação: liga a unidade exterior à interior para a energia de um dos lados e para o sinal de comunicação. Tem tipicamente quatro condutores (fase, neutro, terra e sinal) ou o número indicado no manual.

A secção dos condutores, o tipo de cabo, o calibre do disjuntor e a necessidade de diferencial vêm no manual do equipamento e estão sujeitos às regras técnicas de instalações elétricas de baixa tensão em vigor. O instalador de AVAC liga o equipamento, mas a alteração do quadro e a proteção da instalação do cliente seguem as regras de quem está habilitado para esse trabalho.

Item O que verificar
Circuito dedicado O split não partilha circuito com outros recetores de grande consumo
Proteção Disjuntor do calibre pedido no manual e proteção diferencial; o equipamento tem corte omnipolar junto à unidade quando o manual o pede
Secção do cabo A do manual, nunca menor, tendo em conta o comprimento (queda de tensão)
Tipo de cabo Cabo flexível adequado ao exterior, do tipo e da secção que o manual indica (por exemplo, H07RN-F). A designação H07RN-F não garante, por si, proteção contra a radiação ultravioleta: se o cabo ficar exposto ao sol, protege-se com calha ou usa-se um cabo adequado a essa exposição
Terra Ligação de terra obrigatória, de comprimento maior que os outros condutores na caixa, para ser a última a soltar-se
Ligação Terminais bem apertados, condutores descarnados no comprimento certo, sem fios soltos

9.2 Ligação da interligação

  1. Cortar a tensão no quadro, bloquear e verificar com o multímetro que o circuito está sem tensão. Etiqueta de aviso no disjuntor.
  2. Abrir as tampas de ligação das duas unidades.
  3. Descarnar o cabo no comprimento do manual, sem cortar os condutores.
  4. Respeitar a numeração dos terminais: o terminal 1 da exterior liga ao terminal 1 da interior, o 2 ao 2, o 3 ao 3, e o terra ao terra. Troca de fase com neutro, ou de sinal, danifica as placas eletrónicas ou impede a comunicação.
  5. Apertar os terminais com a chave de fendas adequada; puxar levemente cada condutor para confirmar.
  6. Fixar o cabo no grampo de alívio de tração da unidade, de modo que o esforço não passe para os terminais.
  7. Colocar as tampas e as passagens de cabo vedadas contra água e insetos.

Erro frequente. Trocar dois condutores de numeração iguais em cor, por exemplo castanho e preto, sem os etiquetar. Identifica cada condutor com fita numerada nas duas extremidades antes de desligar o que quer que seja.

9.3 Verificações elétricas antes de energizar

  1. Continuidade de cada condutor do cabo de interligação (de ponta a ponta) e ausência de curto-circuito entre condutores.
  2. Resistência de isolamento com o megóhmetro a 500 V entre os condutores ativos e a terra, com a alimentação desligada e os equipamentos eletrónicos protegidos conforme o manual do megóhmetro. O critério de aceitação é o do manual do equipamento e das regras de instalações elétricas, em geral não inferior a 1 MΩ.
  3. Terra ligada e com continuidade.
  4. Tensão disponível no ponto de ligação, com o multímetro, dentro da tolerância do equipamento (por exemplo, 230 V monofásico).
  5. Aperto de todos os terminais confirmado.

9.4 Controlo

Exemplo resolvido · Corrente esperada e verificação do circuito

Dados. Split monofásico de 230 V, potência elétrica absorvida nominal em arrefecimento 1 000 W, fator de potência de cerca de 0,95. Proteção do manual: disjuntor de 16 A.

Passo 1 · Corrente nominal aproximada. I = P ÷ (U × fator de potência) = 1 000 ÷ (230 × 0,95) = 1 000 ÷ 218,5 ≈ 4,6 A.

Passo 2 · Leitura na pinça. Na verificação final, a pinça no condutor de fase da unidade exterior, em arrefecimento estável, lê 4,4 A. A leitura é coerente com os 4,6 A calculados (diferença de cerca de 4 %).

Passo 3 · Leitura anómala. Se lesse 9 A, a corrente seria o dobro: procurar causas (pouco ar na unidade exterior, excesso de fluido, tensão baixa, aperto de terminais).

Passo 4 · Proteção. 16 A é bastante superior aos 4,6 A de funcionamento, o que cobre a ponta de arranque e protege o cabo; não se altera o calibre sem consultar o manual e as regras elétricas.

Resultado. A corrente medida compara-se com a nominal da chapa; é uma forma rápida de detetar uma instalação com problemas.

10. Verificações e ensaio de pressão (estanquidade)

Com a tubagem passada, as uniões feitas e o dreno ensaiado, a primeira prova a sério é a de estanquidade: o circuito frigorífico segura a pressão sem perder? Este ensaio faz-se com azoto seco (isento de oxigénio), a unidade exterior com as válvulas de serviço fechadas, de modo a ensaiar a tubagem e a unidade interior sem expor o fluido de fábrica.

Nunca com ar nem com oxigénio. Ar comprimido leva humidade e oxigénio ao circuito (o oxigénio com óleo é explosivo). Nunca se ensaia com o próprio fluido frigorigéneo para "ver se fuga", porque, se fugar, fica fluido no ambiente. O ensaio faz-se com azoto, e é o azoto que, se houver fuga, vai para o ar, sem dano.

10.1 Verificações antes do ensaio

Antes de pôr pressão, uma ronda de verificação evita ensaios repetidos:

Verificação Critério
Uniões por porca cónica Todas apertadas com chave dinamométrica ao binário; marcadas
Tubo Sem vincos, sem esmagamentos, sem contacto metálico com estruturas
Brasagens Cordão contínuo, sem poros
Válvulas de serviço da exterior Fechadas (fechadas de fábrica)
Isolamento das uniões Ainda recolhido, com as uniões à vista
Dreno Já ensaiado com água
Ligações elétricas Feitas, mas sem tensão

10.2 Ligar o manifold e o azoto

  1. EPI: óculos de proteção e luvas.
  2. Ligar a mangueira de serviço do manifold à ligação de serviço da válvula de gás (válvula de serviço de três vias, com porto de serviço), com a válvula do porto fechada e a mangueira bem apertada.
  3. Ligar a mangueira central do manifold ao redutor da garrafa de azoto, com o redutor totalmente fechado (o parafuso de regulação solto).
  4. Verificar o redutor e a válvula de segurança antes de abrir a garrafa.
  5. Abrir lentamente a garrafa, ver a pressão de fonte e ir aumentando a pressão do redutor pouco a pouco.

10.3 O ensaio por escalões

Os fabricantes e as boas práticas fazem o ensaio por escalões, com tempos de espera, em que cada escalão deteta um tipo de fuga:

Escalão O que faz Tempo de espera típico
1.º, baixa pressão Deteta as fugas grosseiras (uma porca cónica por apertar, uma junta aberta) Alguns minutos; ouvir e usar a espuma
2.º, pressão intermédia Deteta fugas médias Alguns minutos
3.º, pressão final do manual Prova a resistência e a estanquidade com a pressão de ensaio do fabricante Pelo menos 15 a 60 minutos, ou o tempo que o manual ou a regra da empresa indicar (e, para mais confiança, "durante a noite" em instalações grandes)

O valor da pressão de ensaio depende do equipamento e do fluido e é o do manual do fabricante. Varia de equipamento para equipamento; nunca se ultrapassa a pressão máxima de ensaio da unidade nem da tubagem. Em splits com ensaio feito com as válvulas da exterior fechadas, o valor aplicável ao troço é o do manual de instalação.

Passos:

  1. Subir ao 1.º escalão, fechar a ligação do azoto e observar o manómetro.
  2. Aplicar espuma de deteção a todas as uniões; ouvir; passar o detetor; ver bolhas.
  3. Subir ao escalão seguinte, repetir.
  4. Chegar à pressão final, isolar o azoto (fechar a válvula do manifold e a garrafa) e registar: hora, pressão, temperatura ambiente.
  5. Esperar o tempo definido.
  6. Ler outra vez a pressão e a temperatura.

10.4 Critério de aceitação: a pressão não cai (corrigida pela temperatura)

O ensaio passa se a pressão não baixa durante o tempo de espera, depois de se ter em conta o efeito da temperatura. Um gás à pressão constante muda de pressão quando a temperatura muda: arrefece à noite e a pressão cai sem haver fuga. Por isso se regista a temperatura no início e no fim.

A conversão usa a lei dos gases (volume constante): a pressão absoluta é proporcional à temperatura absoluta (em kelvin). A pressão do manómetro é relativa (mede acima da atmosfera), e soma-se a atmosfera (≈ 0,101 MPa) para obter a absoluta.

Exemplo resolvido · A pressão caiu, há fuga?

Dados. Ensaio com o valor de 2,5 MPa (relativa), escolhido só para praticar a conta. No início, a temperatura ambiente é de 22 °C. Passadas 24 horas, o ambiente está a 14 °C e o manómetro lê 2,43 MPa.

Passo 1 · Converter para absolutas e kelvin.

Passo 2 · Pressão esperada se não houver fuga. p₂ = p₁ × (T₂ ÷ T₁) = 2,601 × (287,15 ÷ 295,15) = 2,601 × 0,9729 = 2,531 MPa (abs.).

Passo 3 · Voltar a relativa. 2,531 − 0,101 = 2,43 MPa (relativa).

Passo 4 · Comparar. O manómetro lê 2,43 MPa, exatamente a pressão esperada. A queda de 2,50 para 2,43 MPa é toda devida ao arrefecimento. Sem fuga: ensaio aceite.

Variante. Se o manómetro lesse 2,35 MPa, faltariam 0,08 MPa em relação ao esperado: fuga. Procura-se com a espuma, uma ligação de cada vez, a começar pelas porcas cónicas.

Resultado. Uma queda de pressão só é fuga depois de descontar a temperatura. Registam-se sempre as duas.

Aviso. Os valores de pressão deste exemplo e dos exercícios servem para praticar a conta. Os manuais de R-410A e de R-32 pedem muitas vezes pressões de ensaio mais altas do que estas, e não há um valor corrente que sirva para todos os equipamentos: aplica-se sempre a pressão de ensaio do manual do equipamento.

10.5 Localizar e corrigir uma fuga

  1. Libertar o azoto de modo lento e seguro (nunca abrir de repente) antes de mexer numa ligação.
  2. Apertar uma porca cónica fugitiva não resolve se o cone é mau: refazer o cone.
  3. Repetir o ensaio completo depois de qualquer reparação.
  4. Só se passa ao vácuo com um ensaio aceite e registado.

10.6 Libertar o azoto: a purga do ensaio

No fim do ensaio de estanquidade o azoto sai do circuito por uma purga controlada: abre-se devagar a válvula do manifold e deixa-se o azoto sair para o ar, onde é inofensivo, num local ventilado. Este é o único sentido, nos splits, em que "purgar" é correto: sai azoto, nunca fluido (capítulo 11).

11. Vácuo e purga do sistema

Depois do ensaio de estanquidade, o circuito está cheio de azoto seco e, antes disso, de ar e de humidade. O circuito frigorífico tem de ficar seco e livre de gases não condensáveis. Isso consegue-se com vácuo.

11.1 Porque se faz vácuo

O que há no circuito Problema
Ar (azoto e oxigénio) Os gases não condensáveis sobem a pressão de condensação, baixam o rendimento, aumentam o consumo e a temperatura de descarga
Humidade (vapor de água) Reage com o fluido e o óleo e forma ácidos, ataca o enrolamento do compressor, congela no dispositivo de expansão e entope-o

A humidade só sai com vácuo profundo: a água ferve a temperatura ambiente quando a pressão desce o suficiente. A uma pressão absoluta de cerca de 2,3 kPa, a água ferve a 20 °C; para a retirar toda, em tempo razoável, é preciso descer muito mais, até valores de ordem das centenas de micron (cerca de 0,5 Torr, ver quadro).

11.2 Unidades do vácuo

Unidade Equivalência
1 Torr 133,3 Pa = 1 000 micron (µm de Hg)
500 micron 0,5 Torr ≈ 67 Pa ≈ 0,67 mbar
1 mbar 100 Pa
Pressão atmosférica 101,3 kPa = 760 Torr

O manómetro de baixa pressão do manifold não mede vácuo profundo: a sua escala marca até cerca de −100 kPa (−1 bar relativos), que é o "zero" prático e fica ainda a milhares de micron. Só um vacuómetro eletrónico diz se o circuito está realmente seco.

11.3 Procedimento de vácuo, passo a passo

Estado inicial: ensaio de estanquidade aceite; azoto purgado; válvulas de serviço da exterior ainda fechadas.

  1. Montar o conjunto:
  2. bomba de vácuo ligada ao manifold por mangueira de grande diâmetro (as de pequeno diâmetro atrasam o vácuo);
  3. válvula de corte entre a bomba e o manifold;
  4. vacuómetro ligado ao sistema, num ponto longe da bomba (idealmente na outra extremidade, no porto da linha), para medir o sistema e não a bomba;
  5. se o equipamento tem dois portos (líquido e gás), ligar o vácuo aos dois, para evitar que o vácuo só chegue a um troço.
  6. Verificar a bomba: óleo limpo, no nível; fazer funcionar com a mangueira fechada para ver o vácuo da própria bomba.
  7. Arrancar a bomba com o sistema aberto ao manifold e deixar trabalhar. O tempo depende da extensão do circuito e da bomba; em splits pequenos são dezenas de minutos, em tubagens longas pode ser mais de uma hora. Um tempo fixo não substitui a leitura do vacuómetro.
  8. Esperar até ao valor-alvo: o vacuómetro desce de milhares de micron até ao valor pedido, tipicamente 500 micron (67 Pa) ou menos, ou o do fabricante. Se o fabricante pede um valor de manómetro (por exemplo, −101 kPa durante uma hora no manómetro de vácuo), segue-se o do fabricante.
  9. Isolar o sistema da bomba: fechar a válvula de corte (não desligar a bomba antes), e observar o vacuómetro. Este é o passo mais importante e o que mais se salta.

11.4 A prova de subida de pressão (prova de vácuo mantido)

A prova de subida de pressão confirma que o circuito não tem fuga e não tem humidade residual. Com a bomba isolada, o vacuómetro não deve subir de forma sustentada.

Comportamento do vacuómetro depois de isolar Diagnóstico Ação
Sobe um pouco e estabiliza abaixo do limite (por exemplo, 500 micron, ou o limite do fabricante) Vácuo mantido: circuito estanque e seco Aceite, pode avançar
Sobe devagar e estabiliza num valor alto (milhares de micron) Humidade a evaporar no circuito (o vapor de água sobe a pressão até saturar) Voltar a ligar a bomba e prolongar o vácuo; se persistir, quebrar com azoto seco e refazer
Sobe continuamente, sem parar Fuga para dentro Quebrar o vácuo com azoto, localizar e corrigir a fuga; voltar a ensaiar

O tempo de espera da prova é o do manual ou o da regra da empresa (comum: 10 a 30 minutos, mais em instalações longas).

Exemplo resolvido · Ler uma prova de subida de pressão

Dados. Vácuo de um split com 8 m de tubagem. A bomba trabalha 40 minutos. O vacuómetro atinge 380 micron. Isola-se a bomba e registam-se as leituras.

Tempo após isolar Leitura (micron)
0 min 380
5 min 430
10 min 450
15 min 455

Passo 1 · Calcular a subida total. 455 − 380 = 75 micron em 15 minutos.

Passo 2 · Tendência. As subidas por intervalo são 50, 20 e 5 micron: a subida abranda e estabiliza. Está abaixo do limite de 500 micron.

Passo 3 · Decisão. Vácuo mantido, estável e abaixo do limite: prova aceite.

Contraexemplo. Se as leituras fossem 380, 600, 850, 1 100 micron (subida de 220 a 250 micron por intervalo, constante), a subida não abranda: é fuga. Se fossem 380, 900, 1 800, 2 300 e depois 2 400, 2 400, trata-se de humidade: a subida pára quando o vapor satura.

Resultado. O que decide é a forma da curva, e não apenas o valor final. Por isso se registam as leituras com a hora.

11.5 Quebrar o vácuo e fechar

11.6 O que não se faz: purgar com fluido

Houve uma prática antiga: em instalações de pequeno comprimento, abrir um pouco a válvula da unidade exterior e deixar o fluido da pré-carga expulsar o ar pelas ligações, "purgando" o circuito com o próprio fluido. Essa prática é errada e proibida:

  1. Liberta fluido para a atmosfera, o que a regulamentação em vigor proíbe e é um dano ambiental. As emissões deliberadas de fluidos frigorigéneos não são admitidas.
  2. Não remove a humidade: o fluido arrasta algum ar, mas deixa o vapor de água no circuito.
  3. Deixa ar residual nunca quantificado.
  4. Com fluidos inflamáveis (classe A2L e outras), cria uma nuvem inflamável à volta do técnico.

O vácuo é o único método aceite para tirar o ar e a humidade. Um vácuo "curto demais", feito sem vacuómetro e só até o manómetro do manifold marcar zero, é uma versão disfarçada do mesmo erro: não seca o circuito.

Três erros de vácuo. (1) Vácuo curto, sem esperar o valor-alvo. (2) Sem vacuómetro eletrónico, só com o manómetro do manifold. (3) Sem prova de subida de pressão: parar a bomba e abrir logo as válvulas. Qualquer um dos três deixa um split que parece bem e avaria cedo.

12. Manuseamento ecológico do fluido frigorigéneo

O fluido frigorigéneo é um produto regulado. Os fluidos usados em ar condicionado são, em geral, gases fluorados com efeito de estufa; alguns têm também propriedades de inflamabilidade. O instalador deve cumprir três princípios simples: não libertar para a atmosfera, recuperar o que se retira, e registar o que se põe.

12.1 O que a lei exige, em princípio

O fluido está sujeito a um conjunto de regras, europeias e nacionais, sobre:

O texto dos regulamentos e as condições, prazos, limites de carga e requisitos de certificação mudam e devem ser lidos na redação em vigor, junto da autoridade competente e do Diário da República e do Jornal Oficial da União Europeia. Nesta sebenta não há números de diplomas nem valores-limite: o técnico consulta a versão atual antes de trabalhar e confirma que ele e a empresa têm a certificação aplicável ao tipo de intervenção.

Para a prática. Antes de abrir uma garrafa ou ligar um manifold: (1) o técnico tem certificação aplicável a esta intervenção? (2) a empresa tem? (3) qual é o fluido da chapa e que classe de segurança tem? (4) onde se regista a intervenção?

12.2 Classes de segurança e o fluido da chapa

Os fluidos classificam-se em toxicidade (A, baixa; B, alta) e inflamabilidade (1, não propaga chama; 2L, ligeiramente inflamável; 2, inflamável; 3, altamente inflamável). Nos splits correntes aparecem:

Fluido Classe de segurança Notas de instalação
R-410A A1 Mistura sem inflamabilidade; pressões mais altas que as dos fluidos mais antigos; uso de ferramentas próprias para essa pressão
R-32 A2L Ligeiramente inflamável; é hoje corrente nos splits novos; exige as precauções de A2L
R-290 (propano) A3 Altamente inflamável; aparece em alguns equipamentos de carga muito pequena, com regras de segurança próprias

(O potencial de aquecimento global de cada fluido varia consoante o relatório de avaliação em que é calculado e é indicado na chapa do equipamento e nas fichas técnicas; consulta-se a fonte em vigor e não se decora.)

Para os A2L (os mais frequentes nos splits novos), o princípio é: a inflamabilidade é baixa e difícil de iniciar, mas existe, por isso o instalador segue as instruções do fabricante e as normas de segurança aplicáveis quanto a:

Brasar com A2L. Nunca se braseja um circuito com fluido dentro. Recupera-se, evacua-se, purga-se com azoto e só então se aquece. A chama junto de um fluido inflamável, ou de fluido que se decompõe na chama, é perigosa para o técnico e para o cliente.

12.3 Recuperar o fluido

Quando é preciso abrir um circuito que tem fluido (por exemplo, reparar uma fuga numa unidade já em serviço), o fluido é recuperado para uma garrafa de recuperação, com um recuperador adequado ao fluido, e nunca libertado. Procedimento resumido:

  1. Ligar a garrafa de recuperação (vazia, limpa, identificada para o fluido, dentro do prazo de validade do ensaio da garrafa) ao recuperador e ao manifold.
  2. Recuperar em fase líquida e depois em vapor, até a pressão descer ao valor definido pelo procedimento.
  3. Pesar a garrafa e não exceder a percentagem de enchimento máxima (as garrafas nunca se enchem acima de uma fração do seu volume, de ordem de 80 %).
  4. Registar a quantidade recuperada e o destino.

12.4 Evitar fugas durante o trabalho

13. Carga adicional ou recarga do sistema

13.1 A pré-carga e a carga adicional

Os splits são fornecidos com carga de fluido na unidade exterior, suficiente para um comprimento de tubagem de referência (por exemplo, 5 m ou 7,5 m, conforme o manual). Se a tubagem instalada for mais curta, a pré-carga serve (não se tira). Se for mais comprida, é preciso acrescentar fluido: a carga adicional.

Duas razões justificam esta carga: o tubo mais comprido tem maior volume interior (principalmente o do líquido) e o fluido que ocupa esse volume não está a trabalhar no ciclo.

A regra, que vem do manual do equipamento, tem a forma:

carga adicional (g) = (comprimento real da tubagem − comprimento de referência) × gramas por metro

O valor de gramas por metro depende do diâmetro da linha de líquido e do equipamento. O manual também fixa os limites: comprimento máximo, desnível máximo e, em alguns modelos, uma carga total máxima ou o limite de carga por volume de local.

Exemplo resolvido · Carga adicional de um split

Dados (do manual do equipamento do exemplo). Pré-carga para 5 m de tubagem. Para além de 5 m: 12 g por metro na linha de líquido de 1/4". Comprimento máximo 15 m; desnível máximo 10 m. Comprimento real instalado: 9 m; desnível 2,5 m.

Passo 1 · Verificar os limites. 9 m ≤ 15 m, cumpre; 2,5 m ≤ 10 m, cumpre.

Passo 2 · Comprimento a mais. 9 − 5 = 4 m.

Passo 3 · Carga adicional. 4 m × 12 g/m = 48 g.

Passo 4 · Registar e preparar. O valor, 48 g, vai à balança de precisão de gramas. Anota-se no relatório: fluido, pré-carga, carga adicional e carga total.

Resultado. 48 g de fluido a acrescentar. Se a tubagem fosse de 4 m (menos do que os 5 m), a carga adicional seria zero: nunca se retira fluido da pré-carga, nem se faz a conta com número negativo.

13.2 Procedimento de carga adicional

A carga adicional faz-se depois do vácuo e é feita por massa (pesada na balança), e não "a olho" nem pelas pressões do manifold.

  1. Estado: vácuo aceite. O manual do fabricante diz em que fase se acrescenta a carga (com as válvulas ainda fechadas ou já abertas).
  2. Garrafa do fluido certo (o da chapa), sobre a balança, com a mangueira ligada; tara da balança com a garrafa e a mangueira.
  3. Mangueira sem ar: a mangueira de carga liga-se ao manifold antes do vácuo, para ser evacuada com o circuito; ar na mangueira entra no circuito e anula o vácuo feito. Não se purga a mangueira com fluido para o ar.
  4. Carregar a massa calculada:
  5. com o fluido de mistura ou que o fabricante manda carregar em fase líquida, usa-se a garrafa na posição que o permite e estrangulamento do líquido no manifold, para que entre vapor no compressor;
  6. com o sistema em funcionamento, a entrada de líquido faz-se pela aspiração e em pequenas quantidades;
  7. com o sistema parado e em vácuo, a entrada é pela linha de líquido, conforme o manual.
  8. Fechar a garrafa quando a balança marca a massa pedida, e confirmar a leitura.
  9. Recuperar o fluido que ficou na mangueira, antes de a desligar.
  10. Registar a massa carregada.

Mistura de fluidos. Nunca se mistura fluidos nem se "completa" uma carga com um fluido diferente do da chapa. Nunca se enche além da massa calculada para "ficar seguro". O excesso de fluido sobe a pressão de condensação, a corrente e a temperatura, e pode inundar o compressor com líquido.

13.3 Recarga (depois de uma intervenção)

A recarga é a reposição de fluido depois de uma fuga ou de uma reparação com recuperação. Princípios:

  1. Nunca se recarrega uma fuga sem a procurar e reparar. Acrescentar fluido a um circuito que fuga é libertar fluido para a atmosfera.
  2. Recuperar o que resta, reparar, ensaiar com azoto, fazer vácuo e carregar a massa nominal do equipamento (carga da chapa), por pesagem.
  3. Quando não é possível recuperar tudo e pesar (equipamento de carga desconhecida), segue-se o procedimento do fabricante.
  4. Registar o fluido recuperado, a massa recarregada e a causa da intervenção.

14. Colocação em serviço, regulação dos parâmetros e eficiência

Com o vácuo mantido, o fluido de fábrica (e a carga adicional, se for caso disso) no circuito e a parte elétrica ligada, falta o último passo: abrir as válvulas, arrancar, medir e regular.

14.1 Abrir as válvulas de serviço

As válvulas de serviço da unidade exterior abrem-se com chave Allen (ou chave de ponta redonda, conforme o modelo). A sequência segue o manual; a regra geral é:

  1. Manifold ligado ao porto de serviço da válvula do gás, com o vácuo mantido (a bomba já isolada).
  2. Retirar a tampa da válvula do líquido e abrir com a chave Allen até ao fim do curso, à razão de uma volta de cada vez. O fluido entra no circuito.
  3. Com o fluido no circuito, o manómetro sobe. Verificar que não desce depois (sem fugas).
  4. Retirar a tampa da válvula do gás e abrir também até ao fim do curso.
  5. Soltar a mangueira de serviço com um movimento rápido e a válvula do porto fechada (as mangueiras com válvula perdem muito pouco fluido), e colocar o tampão do porto.
  6. Apertar as tampas de todas as válvulas e de todos os portos, com o aperto indicado. Os tampões e as tampas são vedantes secundários, e muitas fugas lentas vêm de tampões em falta.
  7. Passar o detetor em volta das válvulas, dos portos e das uniões.

Só depois de a fuga ter sido excluída se isola (volta a isolar) cada união e se acaba o isolamento: o isolamento que cobre as uniões é a última coisa a fechar.

14.2 Primeiro arranque

  1. Verificar que tudo está fechado e livre: tampas, grelhas, filtros, dreno ensaiado, nada a obstruir o ar das duas unidades.
  2. Ligar a alimentação, respeitando o tempo de pré-aquecimento do cárter, se o manual o pedir.
  3. Com o comando, arrancar em arrefecimento (modo cool), com a temperatura programada baixa e a ventoinha ao máximo.
  4. Observar nos primeiros minutos: arranque do ventilador exterior e do compressor, ruídos estranhos, vibração, cheiro, mensagem de erro.
  5. Deixar estabilizar de 10 a 15 minutos antes de medir; os valores são lidos em regime estável.

14.3 O que medir

Medição Instrumento Como
Temperatura do ar de retorno (entrada, interior) Sonda de temperatura À entrada do filtro
Temperatura do ar de insuflação (saída, interior) Sonda de temperatura Ao centro da saída
Diferença de temperatura do ar (ΔT) Cálculo Retorno − insuflação
Pressão de baixa Manifold, no porto de serviço da válvula de gás Sempre possível num split: é o porto onde se ligou o manifold para o vácuo
Pressão de alta Manifold, só se o equipamento tiver porto do lado de alta A maior parte dos splits domésticos não tem porto de alta; nesse caso não se mede a pressão de condensação e o subarrefecimento só se estima pela temperatura dos tubos (ver 14.4)
Temperatura da linha de aspiração (gás), perto da unidade exterior Sonda de contacto, isolada Na linha grossa
Temperatura da linha de líquido Sonda de contacto Na linha fina
Corrente do compressor e da unidade Pinça amperimétrica No cabo de alimentação
Tensão em carga Multímetro Aos terminais, a unidade a funcionar
Ruído e vibração Ouvido e mão Procurar contactos, folgas, ressonâncias
Condensados Visual Dreno a funcionar

14.4 Interpretar os valores

Diferença de temperatura do ar (ΔT). Em arrefecimento estável, a diferença entre o retorno e a insuflação situa-se tipicamente entre 8 e 12 K (valores de referência de manual; cada fabricante tem os seus). O ΔT depende de dois fatores: do frio que o equipamento produz (a capacidade) e da quantidade de ar a que esse frio é entregue. Com a mesma capacidade, menos caudal de ar significa que cada metro cúbico de ar que passa na serpentina cede mais calor e sai mais frio, e por isso o ΔT sobe; com mais caudal, o mesmo frio reparte-se por mais ar e o ΔT desce. Daqui sai o diagnóstico. Muito acima da referência aponta para pouco caudal de ar (filtro sujo, ventilador lento, serpentina interior entupida). Muito abaixo aponta para pouca capacidade, isto é, o equipamento produz pouco frio: pouco fluido, compressor fraco, condensação deficiente (exterior suja ou sem ar) ou problema na expansão. Um filtro sujo, sozinho, faz subir o ΔT e não descê-lo. O ΔT é apenas um primeiro teste e confirma-se com o sobreaquecimento, o subarrefecimento e a massa de fluido.

Sobreaquecimento (superheat). É a diferença entre a temperatura do vapor na linha de aspiração e a temperatura de saturação (de evaporação) correspondente à pressão de baixa. A tabela do fluido lê-se em pressão absoluta, e para o sobreaquecimento usa-se a temperatura de vapor saturado (a temperatura de orvalho) a essa pressão, porque é a partir dela que o vapor começa a aquecer acima da saturação:

sobreaquecimento = temperatura da linha de gás − temperatura de saturação à pressão de baixa

Mostra se o evaporador está alimentado com a quantidade certa de fluido: demasiado baixo (ou nulo) é risco de líquido ao compressor; demasiado alto, evaporador com falta de fluido.

Subarrefecimento (subcooling). É a diferença entre a temperatura de saturação (de condensação) à pressão de alta e a temperatura do líquido. Aqui usa-se a temperatura de líquido saturado (a temperatura de bolha) à pressão de alta, porque é a partir dela que o líquido arrefece abaixo da saturação:

subarrefecimento = temperatura de saturação à pressão de alta − temperatura da linha de líquido

Mostra se a carga é suficiente e o condensador funciona bem.

Quando não há porto de alta. A maior parte dos splits domésticos tem um único porto de serviço, na válvula de gás. Com ele mede-se a pressão de baixa e calcula-se o sobreaquecimento, que é o valor de verificação possível em obra. Sem porto do lado de alta não se mede a pressão de condensação e, por isso, não se calcula o subarrefecimento pela tabela. Nesses equipamentos a carga confirma-se pela massa (capítulo 13), pelo ΔT do ar e pelo sobreaquecimento, e registam-se as temperaturas das linhas de gás e de líquido para comparação em intervenções futuras. O método pela temperatura dos tubos faz-se assim: com o equipamento estável, coloca-se uma sonda de contacto, bem isolada do ar, na serpentina da unidade exterior, a meio do condensador, onde o fluido está a condensar, e lê-se a temperatura; essa leitura é uma estimativa da temperatura de condensação. Subtrai-se-lhe a temperatura da linha de líquido, lida com a sonda na linha fina. Por exemplo, 44 °C na serpentina e 40 °C na linha de líquido dão uma estimativa de cerca de 4 K de subarrefecimento. É uma temperatura de superfície e não substitui uma leitura de pressão, pelo que serve para comparar e para acompanhar a evolução, e não se aceita nem se rejeita uma carga com base nela. Quando o manual do equipamento der um critério próprio (por exemplo, a temperatura da linha de líquido para uma dada temperatura exterior), é esse que vale.

No R-410A a diferença entre a temperatura de orvalho e a de bolha, à mesma pressão, é de cerca de 0,1 K e despreza-se, pelo que a tabela do R-410A dá praticamente um só valor. O princípio importa na mesma: em fluidos que são misturas com deslizamento de temperatura maior, as duas temperaturas diferem de forma que conta, e escolher a errada falseia o resultado.

Nos splits com válvula de expansão eletrónica e compressor inverter, o sobreaquecimento é controlado pelo equipamento: não se "regula" à mão e o fabricante não costuma dar valores de carga por sobreaquecimento. Mede-se para verificar que está dentro do razoável (de ordem de poucos kelvin a uma dezena) e para diagnosticar. O método de referência de carga é a massa (capítulo 13).

Exemplo resolvido · Calcular sobreaquecimento e subarrefecimento

Dados. Split com R-410A, em arrefecimento, regime estável. O manifold lê 8,8 bar relativos na baixa e 26,3 bar relativos na alta. A sonda dá 13 °C na linha de gás (perto da exterior) e 40 °C na linha de líquido.

Passo 1 · Pressões absolutas. Soma-se a atmosfera (≈ 1,0 bar): baixa 9,8 bar abs.; alta 27,3 bar abs.

Passo 2 · Temperaturas de saturação (tabela do R-410A). Para 9,8 bar abs. a saturação do vapor é cerca de 6,6 °C; para 27,3 bar abs., a saturação do líquido é cerca de 45 °C. (Valores de saturação do R-410A: 9,3 bar a 5 °C; 9,9 bar a 7 °C; 27,3 bar a 45 °C.)

Passo 3 · Sobreaquecimento. 13 − 6,6 = 6,4 K.

Passo 4 · Subarrefecimento. 45 − 40 = 5 K.

Passo 5 · Interpretação. Sobreaquecimento de 6,4 K e subarrefecimento de 5 K estão em valores plausíveis para um split a funcionar com carga correta. Se o sobreaquecimento fosse 20 K e o subarrefecimento fosse 1 K, o diagnóstico seria pouco fluido. Se o sobreaquecimento fosse 0 K e o subarrefecimento fosse 15 K, o diagnóstico seria excesso de fluido ou dispositivo mal regulado.

Resultado. As duas diferenças contam a história da carga. Para outro fluido usa-se a tabela de pressão e temperatura desse fluido (o R-32 tem pressões ligeiramente superiores às do R-410A à mesma temperatura).

Exemplo resolvido · Verificar o ΔT do ar

Dados. Retorno a 26,0 °C, insuflação a 14,5 °C, ventilador em alta, filtro limpo, 15 minutos de funcionamento.

Passo 1 · ΔT. 26,0 − 14,5 = 11,5 K.

Passo 2 · Comparar. Dentro de 8 a 12 K: aceitável.

Passo 3 · Se fosse 5 K. O equipamento produz pouco frio. Não é um problema de pouco ar, porque pouco ar faria o ΔT subir: aponta para pouca capacidade. Verificar a carga de fluido (com o sobreaquecimento e o subarrefecimento), as serpentinas interior e exterior, o ar da exterior e o compressor. Se o ΔT fosse 16 K, aí sim, verificar o filtro e o ventilador.

Resultado. Uma medida de dois termómetros é um primeiro teste muito eficaz.

14.5 Regulação e eficiência

O que o instalador regula num split resume-se a poucos itens, mas todos contam:

  1. Direção e orientação das palhetas do ar, para não incomodar os ocupantes.
  2. Parâmetros do comando: modo, temperatura de conforto, velocidade, temporizador, modo de poupança.
  3. Ligação e configuração de rede, se o equipamento tem.
  4. Funções especiais (modo noturno, silêncio, auto) conforme as preferências do cliente.
  5. Ajustes de instalação do menu técnico, quando existem (endereço da unidade, configuração de bomba, comprimento de tubagem): fazem-se segundo o manual.
  6. Limpeza e verificação dos filtros, que condicionam o caudal de ar e o consumo.

A eficiência do sistema depende da qualidade da instalação: unidade exterior com ar livre (menos pressão de condensação), tubagem bem isolada, carga certa, vácuo bem feito, filtros limpos e comando bem programado. O consumo verifica-se com a pinça (comparação com a corrente nominal) e, quando o cliente tem contador, em kWh ao longo dos dias. Uma temperatura de conforto a 24 °C a 26 °C no verão e a 20 °C no inverno é mais eficiente do que ajustar para extremos.

14.6 Critérios de aceitação: a lista de fim de obra

Verificação Critério
Ensaio de estanquidade Pressão sem queda, corrigida pela temperatura
Vácuo Valor-alvo atingido e mantido na prova
Carga Massa igual à calculada, com limites do manual respeitados
Fugas pós-abertura Zero com detetor nas uniões, válvulas e portos
ΔT do ar Dentro do intervalo do fabricante
Sobreaquecimento e subarrefecimento Valores plausíveis e estáveis (o subarrefecimento pela tabela só se houver porto de alta: ver 14.4)
Corrente Coerente com a nominal
Dreno Escoamento livre, sem fugas
Ruído e vibração Sem ruídos anormais
Isolamento Contínuo, sem interrupções
Travessia Vedada
Limpeza Obra limpa, resíduos levados

15. Multi-split: o que muda

Um multi-split liga uma unidade exterior a duas, três, quatro ou mais unidades interiores, cada uma a servir uma divisão. A lógica do split mantém-se (ensaiar, fazer vácuo, abrir, medir), mas a quantidade de ligações, as regras do fabricante e as consequências de um erro multiplicam-se.

15.1 Comparação com o split simples

Aspeto Split Multi-split
Unidades 1 exterior + 1 interior 1 exterior + 2 ou mais interiores
Tubagem 1 par de tubos Um par de tubos por unidade interior, desde a exterior ou desde uma derivação
Uniões 2 pares de uniões Muitas mais: cada interior tem as suas, e a exterior tem um par de válvulas por saída
Funcionamento Uma só divisão Várias divisões em simultâneo; todas no mesmo modo (arrefecimento ou aquecimento) em sistemas simples
Comprimentos Um comprimento e um desnível Comprimento por ramo, comprimento total e desníveis entre unidades
Carga adicional Em função do comprimento total Em função do comprimento total de tubagem de líquido, ou segundo a tabela do fabricante
Combinações Equipamento emparelhado de fábrica Limites de combinação: potência total das interiores em relação à exterior
Sequência de obra Uma sequência Mesma sequência, repetida por ramo, e com etiquetagem de cada ramo

15.2 Derivações e esquemas de distribuição

Há duas formas de distribuir o fluido pelas unidades interiores:

  1. Ligação direta de cada unidade interior à exterior (esquema "em estrela"): a exterior tem uma saída (par de válvulas) por interior, e cada interior tem a sua linha própria. É o esquema dos multi-splits residenciais.
  2. Ligação por derivações (Y, T ou coletor): uma linha comum parte da exterior e divide-se em ramos através de peças de derivação fornecidas pelo fabricante, à medida que se chega a cada unidade. É usado em multi-splits maiores e em sistemas de caudal variável.

As derivações têm regras:

15.3 Comprimentos, desníveis e limites de combinação

O fabricante dá, no manual, um quadro como este (valores ilustrativos de um exemplo, não universais):

Limite Valor do exemplo
Comprimento máximo de tubagem para cada ramo 25 m
Comprimento total de tubagem (soma dos ramos) 50 m
Desnível máximo entre exterior e interior 15 m
Desnível máximo entre unidades interiores 7,5 m
Pré-carga Para um comprimento total de referência (por exemplo, 30 m)
Carga adicional Gramas por metro acima do comprimento de referência, por diâmetro de linha de líquido
Potência total das interiores / potência da exterior Entre limites definidos (por exemplo, de 50 % a 130 %)
Combinações Tabela de combinações permitidas (por exemplo, "2 interiores de 2,5 kW + 3,5 kW")

Se qualquer limite for ultrapassado, o fabricante não garante o retorno do óleo ao compressor, a repartição do fluido nem a capacidade. Os limites medem-se antes de comprar a tubagem.

Exemplo resolvido · Carga adicional num multi-split de três interiores

Dados (do manual do exemplo). Pré-carga para 30 m de tubagem total de líquido. Acima disso, 20 g por metro. Limites: comprimento máximo por ramo 25 m; comprimento total máximo 50 m. A instalação tem três ramos de líquido: 12 m, 15 m e 18 m.

Passo 1 · Verificar o comprimento por ramo. 12, 15 e 18 m: todos ≤ 25 m. Cumpre.

Passo 2 · Comprimento total. 12 + 15 + 18 = 45 m. Está ≤ 50 m. Cumpre.

Passo 3 · Excesso sobre a pré-carga. 45 − 30 = 15 m.

Passo 4 · Carga adicional. 15 m × 20 g/m = 300 g.

Passo 5 · Registar. Fluido, pré-carga, 300 g adicionais, carga total e comprimentos por ramo.

Resultado. Se o ramo de 18 m fosse de 27 m, o ramo ultrapassava o limite de 25 m e a instalação não era admissível como estava: teria de se rever o percurso, não se resolve com mais fluido.

Exemplo resolvido · Limite de combinação

Dados. Exterior de 5,0 kW de capacidade nominal, com faixa de combinação permitida de 50 % a 130 % (isto é, 2,5 kW a 6,5 kW de capacidade nominal das interiores somada). Proposta: interiores de 2,5 kW, 2,5 kW e 2,5 kW.

Passo 1 · Soma. 2,5 + 2,5 + 2,5 = 7,5 kW.

Passo 2 · Relação com a exterior. 7,5 ÷ 5,0 = 1,5 = 150 %.

Passo 3 · Comparar. 150 % > 130 %: combinação fora do limite.

Passo 4 · Alternativa. Duas interiores de 2,5 kW e uma de 1,5 kW dão 6,5 kW = 130 %: no limite, aceitável se a tabela de combinações o permitir. Ou escolher uma exterior de maior capacidade.

Resultado. A combinação consulta-se na tabela do fabricante, e não apenas no cálculo.

15.4 Sequência de obra do multi-split

A sequência é a do split, com cuidados adicionais:

  1. Etiquetar cada ramo (divisão, linha de líquido, linha de gás, cabo) nas duas pontas, antes de passar a tubagem. Um ramo trocado liga a unidade da sala ao circuito do quarto, e o equipamento ou não funciona ou funciona na divisão errada.
  2. Ligar cada interior à saída correspondente da exterior, com os diâmetros do manual (adaptadores se for preciso).
  3. Ensaiar a estanquidade com todos os ramos ligados, por escalões; há mais uniões e a espera de pressão tem de ser respeitada. Cada união é verificada.
  4. Vácuo em todos os ramos, ligando a bomba aos portos de líquido e de gás conforme o manual; o tempo e o valor da prova são os do split ou superiores (mais volume, mais humidade possível).
  5. Portas não usadas: se a exterior tem saídas sem interior ligado, as saídas ficam tampadas e estanques como manda o manual.
  6. Carga adicional pelo comprimento total, como no exemplo.
  7. Abertura das válvulas de todas as saídas utilizadas e arranque.
  8. Verificação por divisão: temperaturas de retorno e de insuflação, dreno e ruído em cada interior; corrente total e a de cada ramo, se mensurável.
  9. Endereços e configuração das interiores, se o sistema o pede, para o controlo reconhecer cada unidade.

Teste das ligações cruzadas. No fim, liga-se uma interior de cada vez e observa-se que a linha de gás dessa interior arrefece. Se arrefecer a de outra divisão, os ramos estão trocados. Corrigir é muito mais fácil agora do que depois do isolamento e do acabamento.

15.5 Cuidados de segurança e ambiente no multi-split

16. Registos, relatório e entrega ao cliente

Uma instalação só termina quando o trabalho está documentado e o cliente sabe usar o que recebeu.

16.1 O registo da intervenção

O instalador regista, por escrito, em modelo da empresa ou do fabricante:

Campo Exemplo de conteúdo
Identificação Cliente, morada, data, técnico, empresa
Equipamento Marca, modelo, números de série das unidades, potência
Fluido Tipo, classe de segurança, massa de pré-carga, massa de carga adicional, carga total
Instalação Comprimento real de tubagem, desnível, diâmetros, local da exterior
Ensaios Ensaio de estanquidade (pressão, tempo, temperaturas, resultado); vácuo (valor atingido, subida na prova); ensaio do dreno com água
Elétrica Tensão medida, calibre da proteção, secção do cabo, resistência de isolamento
Medições de arranque ΔT do ar, pressões e temperaturas, sobreaquecimento e subarrefecimento, corrente
Observações Anomalias, desvios ao manual, recomendações
Assinaturas Técnico e cliente

Os registos obrigatórios de fluidos (quantidade e tipo, data, técnico, entidade certificada) seguem a legislação em vigor e guardam-se pelo tempo que ela determina. Consulta-se a redação aplicável.

16.2 O relatório da intervenção

O relatório é o resumo escrito e assinado. Deve ser:

Exemplo resolvido · Extrato do relatório de uma instalação

Campo Valor
Equipamento Split de parede, 3,5 kW, fluido R-32 (A2L)
Tubagem real 9 m; desnível 2,5 m; 1/4" + 3/8"
Pré-carga / adicional / total Valores do manual e da balança: 5 m de referência, 48 g adicionais
Estanquidade 2,5 MPa (valor de treino; na obra, o do manual), 30 min, ambiente 21 °C ao início e 21 °C ao fim, sem queda
Vácuo 420 micron; subida de 60 micron em 15 min, estabilizada
Dreno 1 L de água escoado em poucos segundos, sem fugas
Arranque Retorno 26,0 °C, insuflação 14,5 °C (ΔT 11,5 K); corrente 4,4 A
Observações Unidade exterior com afastamentos conformes; filtros entregues limpos

Resultado. Um técnico diferente que visite a instalação daqui a três anos tem toda a informação para comparar.

16.3 Entrega ao cliente

A entrega é a parte menos técnica e mais visível do trabalho. Antes de sair:

  1. Limpeza: obra limpa, resíduos recolhidos e levados, sem restos de cobre, embalagens ou isolamento.
  2. Demonstração: mostrar o comando, os modos, a temperatura de conforto, a velocidade, o temporizador, como orientar as palhetas.
  3. Filtros: mostrar como se retiram, limpam e repõem, e de quanto em quanto tempo (em uso frequente, a cada poucas semanas).
  4. O que é normal: som de água e de gás em arranque, pequena pausa antes de o compressor arrancar, vapor na exterior em aquecimento (degelo), gotas do dreno em dias húmidos.
  5. O que não é normal e se deve comunicar: ruído metálico, cheiro, água a pingar da unidade interior, gelo persistente na exterior, mensagem de erro repetida, aparelho que liga e desliga sem parar.
  6. Segurança: não tapar as unidades, não colocar objetos à frente da exterior, não puxar os tubos, não mexer na parte elétrica; se há fluido do tipo A2L, informar o cliente de que o equipamento é de fluido ligeiramente inflamável e que, perante um alarme de fuga ou cheiro anormal, se ventila o espaço e se chama o técnico.
  7. Manutenção: limpeza periódica de filtros pelo utilizador; revisões periódicas pelo técnico certificado, de acordo com a legislação e o manual.
  8. Documentos: entregar o manual do utilizador, a garantia, o relatório da intervenção e o contacto do técnico.
  9. Assinatura: o cliente confirma a receção e a demonstração.

Uma frase que poupa chamadas. "Se a água pingar do aparelho, antes de ligar, veja se o filtro está limpo; se continuar, ligue-nos." Quase todas as chamadas de assistência de uma instalação nova são de uso, e não de avaria.

17. Guia de obra: a sequência completa de uma instalação split

Este capítulo reúne tudo numa folha de obra. Cada passo diz o que fazer, com que critério passa e onde está explicado.

N.º Passo Critério de passagem Cap.
1 EPI posto, circuito de alimentação identificado, local limpo e protegido EPI completo; proteção do piso 1
2 Ler o manual: diâmetros, binários, afastamentos, limites, pré-carga, pressão de ensaio Valores sublinhados na ficha de obra 2
3 Escolher e verificar o local da interior (ar, afastamentos, parede, altura) Cumpre a tabela do manual 3
4 Escolher e verificar o local da exterior (ar livre, afastamentos, ruído, acessos) Todos os lados cumprem 4
5 Detetar cabos e tubos, marcar, furar a travessia com inclinação para fora Furo limpo, descendente, com manga 3
6 Fixar a placa da interior e a consola ou base da exterior Nível; prova de carga 3, 4
7 Cortar, rebarbar e dobrar a tubagem; isolar os dois tubos separadamente Corte perpendicular; isolamento contínuo 5
8 Passar o feixe (tubos, cabo, dreno) pela travessia e vedar Feixe sem esforços; travessia vedada no fim 5
9 Fazer os cones; apertar com chave dinamométrica ao binário; marcar as porcas Cones sem defeito; binário do manual 6
10 Montar o dreno e ensaiar com água Escoa livre, sem fugas 8
11 Ligar a parte elétrica, etiquetando os condutores; verificar continuidade e isolamento Numeração coincide; isolamento ≥ critério 9
12 Ensaio de estanquidade com azoto, por escalões Sem queda, corrigida pela temperatura 10
13 Purgar o azoto; montar a bomba e o vacuómetro; fazer o vácuo Valor-alvo atingido 11
14 Prova de subida de pressão Estável, abaixo do limite 11
15 Carga adicional por massa (se aplicável) Massa = cálculo; limites respeitados 13
16 Abrir as válvulas de serviço; tampas e tampões; detetor de fugas Zero fugas 14
17 Arranque em arrefecimento; estabilizar; medir ΔT, corrente, temperaturas, pressões Dentro dos critérios 14
18 Isolar as uniões, fitar o feixe, acabamentos Isolamento contínuo 5
19 Registo e relatório; limpeza Documentos completos 16
20 Demonstração ao cliente e assinatura Cliente sabe operar e limpar filtros 16

Regra de paragem. Em qualquer passo, se o critério não passa, pára-se e corrige-se antes de avançar. Os passos 12 a 14 não se saltam nem se encurtam para recuperar tempo perdido noutros passos.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Uma boa instalação de split é uma sequência disciplinada: planear com o manual na mão, escolher locais com ar livre e afastamentos cumpridos, fixar com nível e prova de carga, passar o feixe por uma travessia inclinada, com manga e vedada, e manter o isolamento contínuo. As uniões por porca cónica fazem-se com corte perpendicular, rebarba retirada, cone inspecionado e chave dinamométrica ao binário do fabricante, sempre com contra-chave, e refazem-se sempre que se abrem. A brasagem faz-se só com azoto por dentro e nunca com fluido no circuito. O dreno desce de forma contínua, sem contra-inclinação nem sifão a mais, e ensaia-se com água.

A parte elétrica liga-se sem tensão, com os condutores etiquetados, terra ligada e isolamento verificado. O ensaio de estanquidade faz-se com azoto seco, por escalões, e a queda de pressão avalia-se corrigida pela temperatura. O vácuo mede-se com vacuómetro, até ao valor-alvo, seguido de prova de subida de pressão: a forma da curva distingue circuito estanque, humidade e fuga. Purgar com fluido é prática errada e proibida. A carga adicional calcula-se pelo comprimento real acima da referência e carrega-se por massa; os limites do manual (comprimento, desnível, combinações no multi-split) verificam-se antes.

No fim abrem-se as válvulas, procuram-se fugas, arranca-se em arrefecimento e medem-se ΔT do ar, temperaturas, pressões, sobreaquecimento, subarrefecimento e corrente, comparando-os com critérios. O fluido manuseia-se com certificação aplicável, sem emissões, com recuperação e registo, respeitando as classes de segurança, em particular as A2L. Termina-se com registo, relatório e entrega ao cliente, com demonstração e instruções de uso e manutenção. No multi-split repete-se tudo por ramo, com etiquetagem, limites de combinação e carga adicional pelo comprimento total.

Exercícios resolvidos

1. Uma porca cónica de 1/2" tem de ser apertada ao binário de 55 N·m. Que força é preciso aplicar a 0,35 m do eixo da porca?

Resolução: F = M ÷ d = 55 ÷ 0,35 ≈ 157 N, cerca de 16 kgf. É por isso que se usa chave dinamométrica e não o "aperto à vista".

2. Ao alargar um tubo, o técnico percebe que a porca ficou do lado do cone. O que faz?

Resolução: Corta o cone (corte perpendicular, rebarba), enfia a porca e refaz o alargamento. Não se pode enfiar a porca depois de feito o cone.

3. A travessia de uma parede de 250 mm deve descer 1 % para o exterior. Qual é a descida?

Resolução: 250 mm × 0,01 = 2,5 mm de descida entre o interior e o exterior.

4. O dreno tem 6 m de extensão horizontal e 1,5 % de inclinação. Qual o desnível?

Resolução: 6 000 mm × 0,015 = 90 mm.

5. A pressão de ensaio é de 3,0 MPa relativos a 24 °C. Qual a pressão esperada, sem fuga, a 12 °C?

Resolução: p₁ = 3,0 + 0,101 = 3,101 MPa abs.; T₁ = 297,15 K; T₂ = 285,15 K. p₂ = 3,101 × 285,15 ÷ 297,15 = 2,976 MPa abs. Relativa: 2,976 − 0,101 = 2,875 MPa.

6. Um vacuómetro indica 350 micron. Converte para pascal e mbar.

Resolução: 350 micron = 0,35 Torr; × 133,3 = 46,7 Pa; ÷ 100 = 0,47 mbar.

7. Vácuo: após isolar a bomba, o vacuómetro lê 400, 700, 1 000, 1 300 micron em intervalos de 5 minutos. Diagnóstico?

Resolução: subida regular de 300 micron por intervalo, sem abrandar: fuga. Quebra-se o vácuo com azoto, procura-se a fuga, corrige-se e repete-se o ensaio.

8. Uma instalação tem 11 m de tubagem. O manual dá pré-carga para 5 m e 15 g/m acima disso. Qual a carga adicional?

Resolução: (11 − 5) × 15 = 90 g.

9. Uma instalação de 3 m, com pré-carga para 5 m. Quanto fluido se acrescenta?

Resolução: Nada. Nunca se tira nem se faz carga negativa.

10. Num R-410A, a baixa marca 9,0 bar relativos (10,0 bar abs., saturação cerca de 7,3 °C) e a linha de gás está a 14 °C. Qual o sobreaquecimento?

Resolução: 14 − 7,3 = 6,7 K.

11. Multi-split: exterior 4,0 kW, faixa permitida de 50 % a 130 %. Interiores de 2,0 + 2,0 + 2,5 kW. Aceitável?

Resolução: soma 6,5 kW; 6,5 ÷ 4,0 = 162 %, acima de 130 %: fora da combinação.

12. Retorno 25 °C e insuflação 18 °C ao fim de 15 minutos. O ΔT é de 7 K. O que verificar primeiro?

Resolução: ΔT abaixo dos 8 a 12 K de referência: o equipamento entrega pouco frio, o que aponta para pouca capacidade e não para pouco ar. Pouco caudal de ar (filtro sujo) faria o ΔT subir, porque o mesmo frio seria entregue a menos ar. Verificam-se por isso as serpentinas interior e exterior, a carga de fluido (com sobreaquecimento e subarrefecimento) e o compressor; o filtro e o ventilador só interessam se o ΔT estivesse acima da referência.