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UC · Unidade de Competência · 10975

Manutenção e regulação de sistemas solares térmicos (10975)

Do princípio de funcionamento à afinação do controlador, da leitura de temperaturas ao plano de manutenção, em bancada e em cobertura
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Refrigeração e Climatização ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Um sistema solar térmico para águas quentes sanitárias parece simples: o sol aquece um fluido nos coletores, uma bomba leva esse calor ao depósito e a água quente fica pronta para o duche. Na prática, é uma instalação que trabalha todos os dias sob sol, gelo, pressão e temperaturas de mais de 100 °C, e que só continua a poupar energia se alguém a mantiver e a regular com método. Esta sebenta ensina a fazer exatamente isso: manter e regular uma instalação solar térmica de circulação forçada, como a que se encontra numa moradia ou num pequeno edifício de serviços.

O percurso segue a ordem de trabalho de um técnico. Primeiro percebemos como o sistema funciona e o que faz cada peça (coletores, depósito com serpentina, grupo hidráulico, bomba, vaso de expansão, válvula de segurança, purgadores, misturadora termostática, sondas, controlador diferencial e apoio). Depois estudamos o fluido solar e as suas verificações, as variáveis que dizem se a instalação está bem, a recolha e avaliação de dados, a regulação (elétrica, hidráulica e mecânica) e, por fim, as avarias típicas, o plano de manutenção e a segurança.

Objetivos de aprendizagem (referencial): descrever o princípio de funcionamento dos sistemas; identificar variáveis relevantes no funcionamento e na performance dos sistemas; recolher e avaliar os dados de funcionamento da instalação; regular um sistema solar térmico em termos elétrico, hidráulico e mecânico; executar o plano de manutenção.

Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo tem explicação, tabelas de consulta e, onde faz sentido, um exemplo resolvido passo a passo. Refaz as contas à mão antes de leres a solução. Sempre que puderes, repete o procedimento no equipamento da oficina da escola: um manómetro lê-se, um refratómetro aprende-se a usar olhando por ele, e um controlador só se percebe mexendo nos parâmetros (com o professor ao lado).

Instalação de referência. Para dar números concretos, ao longo da sebenta usamos sempre a mesma instalação, típica de uma moradia: 2 coletores planos de 2,0 m² cada (4,0 m² no total), depósito de 200 L com serpentina solar na parte inferior e apoio elétrico na parte superior, grupo hidráulico com bomba de três velocidades, caudalímetro, manómetro e válvula de retenção, vaso de expansão solar de 12 L, válvula de segurança de 6 bar, misturadora termostática à saída do depósito e controlador diferencial com duas sondas Pt1000. O circuito primário leva uma mistura de água e propilenoglicol. Os valores são ordens de grandeza realistas; numa intervenção real manda sempre a documentação do fabricante e o projeto da instalação.

1. Princípio de funcionamento de um sistema solar térmico

Um sistema solar térmico converte radiação solar em calor útil e armazena esse calor até ele ser preciso. Não produz eletricidade (isso é o fotovoltaico): produz água quente. O raciocínio de base cabe em quatro passos.

  1. Captação. O coletor absorve a radiação solar numa placa escura (o absorsor) e aquece o fluido que passa nos seus tubos.
  2. Transporte. Uma bomba circuladora faz o fluido percorrer o circuito primário, entre os coletores (no telhado) e o depósito (dentro de casa).
  3. Transferência. No depósito, o fluido quente passa numa serpentina (um permutador de calor) e cede calor à água sanitária, sem nunca se misturar com ela.
  4. Armazenamento e utilização. A água aquecida fica armazenada no depósito até ser consumida. Se o sol não chegar, o apoio (elétrico ou a gás) completa o aquecimento.

Circulação forçada e circulação natural

Tipo Como circula o fluido Onde se vê Regulação
Circulação forçada Bomba, comandada por controlador Instalações de moradias, edifícios, serviços Controlador diferencial, sondas, caudal, vaso
Termossifão (circulação natural) Diferença de densidade entre fluido quente e frio Pequenos equipamentos compactos, com depósito acima do coletor Praticamente sem regulação elétrica

Esta UFCD trata sobretudo da circulação forçada, porque é onde há mais para regular. O termossifão aparece, porém, como avaria: quando o fluido circula por si, de noite e no sentido errado, em instalações que não deviam ter termossifão. Voltamos a isso no capítulo 11.

Circuito aberto e circuito fechado

Na instalação de referência há dois circuitos hidráulicos separados:

Esta separação é a razão de ser da serpentina: o glicol e os inibidores não podem contaminar a água de beber, e a água da rede, rica em calcário, não deve circular pelos coletores.

O diferencial, o coração da regulação

A bomba não anda o dia todo. Só deve trabalhar quando o fluido nos coletores está mais quente do que a água no depósito, porque só então há calor útil a transportar. O controlador diferencial compara duas temperaturas:

Quando T1 - T2 ultrapassa o diferencial de arranque (por exemplo 6 K), o controlador liga a bomba. Quando desce abaixo do diferencial de paragem (por exemplo 3 K), desliga. Entre os dois valores há uma histerese que impede a bomba de ligar e desligar a todo o minuto.

Exemplo resolvido · acompanhar um dia de sol

Num dia de primavera, a instalação de referência começa a manhã com o depósito a 28 °C e os coletores a 20 °C, de noite arrefecidos.

  1. 8:30. O sol nasce sobre os coletores. T1 sobe para 31 °C. T1 - T2 = 31 - 28 = 3 K. Abaixo de 6 K: a bomba continua parada.
  2. 9:15. T1 = 36 °C. T1 - T2 = 8 K, acima de 6 K: o controlador liga a bomba.
  3. A bomba leva o fluido quente ao depósito. O fluido arrefece ao passar na serpentina e volta aos coletores a menor temperatura; T1 baixa um pouco (por exemplo 33 °C) enquanto T2 sobe devagar. O diferencial cai para 5 K, ainda acima de 3 K: a bomba continua a trabalhar.
  4. Ao meio-dia. T1 = 62 °C e T2 = 48 °C: diferencial de 14 K. A bomba trabalha em regime estável, com boa transferência.
  5. 16:45. O sol baixa. T1 desce para 58 °C, com T2 = 55 °C: T1 - T2 = 3 K, o diferencial de paragem. A bomba para e o depósito fica isolado com água quente. Às 17:30, T1 já desceu para 50 °C e T2 mantém-se por volta dos 55 °C.

A regulação é isto: ligar quando há ganho, desligar quando deixa de haver. Todo o resto do capítulo trata de garantir que as peças fazem o seu trabalho e que o controlador tem os valores certos.

O que acontece quando o depósito já está cheio de calor

Se o depósito atingir a temperatura máxima definida no controlador (por exemplo 70 °C), a bomba para, mesmo que os coletores continuem mais quentes. O depósito não pode aquecer sem limite. A partir desse momento, os coletores deixam de ter fluido a circular e entram em estagnação: o fluido dentro deles aquece muito, podendo ferver. É uma situação normal e prevista, que o sistema tem de suportar (vaso de expansão e válvula de segurança existem por isso), mas que envelhece o fluido e é uma das causas de avarias estudadas no capítulo 11.

2. Os coletores solares: planos e de tubos de vácuo

O coletor é a peça que está mais exposta e que mais depressa mostra problemas. Há dois tipos dominantes.

Coletor plano

É uma caixa metálica ou de alumínio, isolada por baixo e nas laterais, com uma cobertura de vidro à frente e, lá dentro, o absorsor (uma chapa de cobre ou alumínio com revestimento seletivo escuro) soldado a uma grelha de tubos por onde passa o fluido.

Coletor de tubos de vácuo

Cada tubo é um tubo duplo de vidro com vácuo entre as paredes, como uma garrafa térmica. Dentro vai o absorsor. Há duas famílias:

O vácuo quase elimina as perdas para o ar, por isso o coletor de vácuo rende melhor em dias frios e com pouco sol, e atinge temperaturas de estagnação muito altas.

Comparação para a manutenção

Aspeto Coletor plano Coletor de tubos de vácuo
Rendimento em tempo frio Menor Maior
Temperatura de estagnação Alta (pode passar os 150 °C) Muito alta (pode ultrapassar os 200 °C)
Neve e gelo Vidro grande aquece e liberta a neve Tubos separados retêm a neve
Avaria típica Condensação, vidro riscado, vedante degradado Tubo partido, perda de vácuo (tubo "branco")
Substituição de uma peça Complicada: o coletor inteiro Um tubo, sem esvaziar o circuito (nos de tubo de calor)
Limpeza Vidro liso, lavagem fácil Tubos cilíndricos, limpeza tubo a tubo

Estes dados são ordens de grandeza; a ficha técnica de cada coletor dá a temperatura de estagnação e os limites de pressão.

Orientação, inclinação e sombreamento

O rendimento depende de onde o coletor está virado. Em Portugal continental, a orientação ideal é a sul e a inclinação ideal para aquecimento de água o ano inteiro anda na ordem da latitude do local (muitas instalações usam entre 30° e 45°). Desvios moderados custam pouco rendimento; o que custa muito é o sombreamento: uma árvore que cresceu, uma chaminé ou um edifício novo que cobre parte do campo de coletores durante horas.

Inspeção e limpeza: procedimento

Antes de subir, verificar o plano de trabalho em altura: acessos, proteção coletiva ou linha de vida, calçado antiderrapante, não trabalhar com vento forte ou chuva. Aviso essencial: os coletores expostos ao sol queimam. Cobrir os coletores com uma lona opaca, ou trabalhar de manhã cedo ou ao fim do dia.

  1. Verificar visualmente o vidro: riscos, fissuras, estilhaços, vidro solto.
  2. Verificar a caixa: corrosão, fissuras no perfil, respiradouros livres.
  3. Verificar a condensação interior: um pouco de embaciamento de manhã é normal; água líquida permanente no vidro indica entrada de água ou vedante degradado.
  4. Verificar o absorsor (através do vidro): manchas, descoloração, zonas deformadas.
  5. Verificar ligações e tubagens junto ao coletor: fugas, vestígios de glicol (resíduo pegajoso ou cristalizado), apertos.
  6. Verificar fixações: parafusos e ganchos, em especial depois de vento forte.
  7. Verificar a sonda do coletor: dentro da bainha, cabo sem fissuras, ligação protegida da água.
  8. Limpar o vidro só com água e esponja macia ou pano, sem produtos abrasivos nem detergentes agressivos, de preferência com o coletor frio. Água fria num vidro quente pode estalá-lo.
  9. Registar o estado de cada coletor, com fotografia.

Exemplo resolvido · coletor com água dentro do vidro

Numa manutenção anual encontra-se, em ambos os coletores, uma película de água no interior do vidro às 14:00, com sol forte. Que se conclui?

  1. A essa hora o coletor está quente e a humidade normal já devia ter evaporado. Água líquida permanente é sinal de entrada de água.
  2. Verificam-se os respiradouros: um está tapado por uma teia de pó e resíduos, e o vedante do vidro de um dos coletores está rachado.
  3. Ação: desentupir os respiradouros, substituir o vedante degradado e voltar a inspecionar em dias seguidos. Se a água persistir, o coletor perdeu estanquidade e é trocado.
  4. Registo: data, coletor afetado, causa provável, ação tomada.

3. O depósito, a serpentina e o apoio

O depósito solar guarda a água quente. Tem duas características que o distinguem de um acumulador comum: é maior em relação ao consumo e tem a serpentina solar na parte inferior.

Estratificação

A água quente é menos densa e sobe; a fria desce. Num depósito alto e com saídas bem colocadas, forma-se uma estratificação: água quente em cima, fria em baixo. Isto é uma vantagem enorme:

Por isso a sonda do depósito do controlador se coloca na zona da serpentina solar (parte inferior): o que interessa é a temperatura que o coletor "vê" ao ceder o seu calor.

Constituição

Peça Função Notas de manutenção
Cuba (aço vitrificado ou inox) Guarda a água sanitária Vitrificado leva ânodo; verificar
Serpentina solar (inferior) Permutador do circuito primário Entrada de fluido quente em cima da serpentina, saída em baixo
Ânodo de proteção Protege a cuba da corrosão Desgasta-se; inspecionar e trocar quando consumido
Isolamento térmico Reduz perdas Verificar danos, humidade, zonas expostas
Bainhas de sonda Alojam as sondas Sonda bem encostada no fundo da bainha
Resistência elétrica ou permutador do apoio (superior) Completa o aquecimento Termostato regulado, só a zona superior
Grupo de segurança sanitário Válvula de segurança e retenção na entrada de água Acionar manualmente para testar

O apoio

O apoio garante água quente quando o sol não chega. Pode ser:

Regra de ouro: o apoio aquece só a parte superior do depósito. Se aquecer também a zona da serpentina solar, o coletor deixa de ter "espaço frio" para ceder calor e a poupança desaparece. A manutenção verifica por isso a altura da resistência, o termostato e a programação do apoio.

Legionela e depósito solar

A legionela é uma bactéria que pode multiplicar-se em água morna parada e ser inalada em aerossóis (duche). O risco aumenta em instalações com água armazenada numa faixa morna, abaixo das temperaturas de armazenamento seguras, e num depósito solar a parte inferior (pré-aquecimento) está, muitas horas por dia, nessa faixa. Por isso:

Os meios habituais, sempre conforme o projeto, são: a função de desinfeção do controlador ou do programador do apoio, quando existe, que sobe temporariamente a temperatura pedida ao apoio; uma bomba de recirculação ou de destratificação do depósito, que durante o ciclo mistura a água e leva o calor da zona superior à inferior; um apoio (permutador ou resistência) que abranja o volume do depósito, quando o projeto o prevê; e, em depósitos pequenos, o aquecimento do volume por períodos programados. Em qualquer caso é uma exceção programada e temporária à regra de ouro do apoio, e não o modo normal de funcionamento; a misturadora à saída mantém a proteção contra queimaduras durante o ciclo.

Na oficina, o técnico de manutenção não "inventa" valores: confirma no projeto e na legislação em vigor a temperatura de armazenamento e a periodicidade de desinfeção térmica, e regula o apoio e a programação do depósito de modo a que sejam cumpridas em todo o volume.

Exemplo resolvido · quanto custa aquecer o depósito

Quanta energia é preciso para aquecer os 200 L do depósito de 15 °C a 55 °C?

  1. A água tem calor específico de cerca de 1,163 Wh por quilograma e por kelvin (4,18 kJ/kg·K). 200 L de água pesam cerca de 200 kg.
  2. Variação de temperatura: 55 - 15 = 40 K.
  3. Energia: Q = 200 × 1,163 × 40 = 9 304 Wh ≈ 9,3 kWh.
  4. Uma instalação de 4 m² em bom dia de verão pode fornecer parte importante disto; no inverno, o apoio faz o resto.

4. Grupo hidráulico, bomba, vaso de expansão, segurança e purga

Entre os coletores e o depósito vive o conjunto de peças que faz o circuito primário funcionar e ser seguro. Muitas instalações trazem-nas montadas num único bloco, o grupo hidráulico (ou estação solar), isolado e com a bomba.

Peças do grupo hidráulico

Peça Função Como se verifica
Bomba circuladora Faz o fluido circular Ruído, corrente, velocidade, bloqueio
Caudalímetro com regulador Mede e regula o caudal em L/min Ler o valor, comparar com o projeto
Válvulas de retenção (uma por ramo ou em esfera) Impedem a circulação inversa (termossifão) à noite Posição aberta/fechada de teste, funcionamento
Manómetro Mostra a pressão do circuito Leitura a frio e a quente
Termómetros de ida e de retorno Mostram as temperaturas do fluido Comparar com as sondas do controlador
Torneiras de enchimento e esvaziamento Permitem encher, esvaziar e purgar Estanquidade, tampões
Válvula de segurança Descarrega o excesso de pressão Estado, pressão de abertura, tubo de descarga
Ligação do vaso de expansão Liga o vaso ao circuito Válvula de corte com bloqueio na posição aberta
Purgador de ar Retira o ar acumulado Ponto mais alto, torneira de corte

A bomba circuladora

A bomba de um sistema solar é, em geral, uma circuladora de rotor húmido, com três velocidades ou com regulação eletrónica. A velocidade determina o caudal. O que importa na manutenção:

O vaso de expansão solar

O fluido do circuito primário dilata quando aquece e, nos picos de estagnação, pode ferver, produzindo vapor que ocupa muito mais volume. O vaso de expansão absorve esses aumentos de volume. É um recipiente metálico dividido por uma membrana: de um lado, gás (azoto ou ar) à pressão de pré-carga; do outro, o fluido do circuito.

Pontos-chave do vaso solar:

A válvula de segurança

A válvula de segurança do circuito primário descarrega quando a pressão atinge o valor para que está tarada (por exemplo 6 bar). Regras:

Purgadores

O ar no circuito é inimigo: forma bolsas que travam o fluido, provoca ruído e reduz o caudal. Há dois tipos:

Há ainda separadores de ar e purgadores no grupo hidráulico. A purga final com bomba a trabalhar faz sair o ar dissolvido.

Isolamentos e tubagem

As tubagens exteriores levam isolamento resistente a temperaturas elevadas e à radiação UV (borracha com revestimento de alumínio ou material equivalente). Na manutenção, procura-se:

Exemplo resolvido · ler o grupo hidráulico em funcionamento

Às 12:30, em dia de sol, lê-se no grupo da instalação de referência: caudalímetro 2,8 L/min, manómetro 2,6 bar, termómetro de retorno (para os coletores) 45 °C e de ida (dos coletores) 58 °C.

  1. Caudal: 2,8 L/min = 168 L/h. Para 4 m², isto dá 42 L/h por m², dentro do intervalo habitual de 30 a 50 L/(h·m²).
  2. Pressão: 2,6 bar em funcionamento a quente é compatível com um enchimento a frio de 1,8 bar com dilatação normal.
  3. Salto térmico: 58 - 45 = 13 K entre a ida (saída dos coletores) e o retorno. É coerente com boa transferência.
  4. Conclusão: o grupo está a funcionar dentro do esperado; registar os quatro valores na ficha com a hora, a irradiância (se medida) e a temperatura do depósito.

5. O fluido solar: glicol, gelo, pH e substituição

O circuito primário leva uma mistura de água e propilenoglicol (normalmente com inibidores de corrosão). Porquê?

Por que existe o glicol

  1. Proteção contra o gelo. A água pura congela e dilata cerca de 9%, partindo tubagens e coletores. O glicol baixa o ponto de congelação.
  2. Proteção contra a corrosão. Os inibidores protegem o cobre, o aço e o alumínio do circuito.
  3. Resistência a temperaturas altas. O fluido solar suporta ferver nos coletores sem se decompor de imediato, enquanto a água evaporaria e depositaria calcário.
  4. Não tóxico em exposição pontual (propilenoglicol, ao contrário do etilenoglicol), o que é apropriado onde há permutadores com água sanitária. Mesmo assim, o fluido nunca é consumido nem deitado fora de forma incorreta.

Ao adicionar glicol perde-se um pouco de capacidade de transportar calor (o calor específico da mistura é menor, cerca de 3,7 kJ/kg·K contra os 4,18 da água, com ligeira subida da viscosidade) e a bomba trabalha um pouco mais. É um preço que compensa.

Concentração e proteção contra o gelo

A proteção depende da concentração. Valores indicativos para propilenoglicol em água, com a concentração expressa em volume (a ficha técnica do fluido usado é que dá os valores exatos):

Propilenoglicol na mistura (% em volume) Ponto de congelação aproximado
30% cerca de -14 °C
40% cerca de -22 °C
50% cerca de -34 °C

A base em volume é a que o técnico usa na oficina: é a das misturas feitas em litros, que é como se preparam na oficina. Em massa a leitura desloca-se cerca de 1 K, por isso confirma-se sempre qual a base da tabela do fabricante. Três regras acompanham a tabela:

Nem mais nem menos: concentração a mais piora a transferência de calor e a viscosidade, concentração a menos deixa de proteger. Dependendo do clima do local, a proteção exigida ao fluido varia; no projeto está o valor a respeitar. Muitos fluidos já vêm prontos a usar, pré-misturados, o que evita erros de mistura.

Verificar a proteção com o refratómetro

O refratómetro mede o índice de refração do fluido, que depende da concentração de glicol. A escala do aparelho lê-se diretamente em temperatura de congelação (ou de início de formação de cristais) para propilenoglicol.

Procedimento:

  1. Recolher algumas gotas do fluido numa válvula de enchimento ou de esvaziamento do grupo, com o circuito frio e em repouso, deixando sair um pouco para limpar a torneira.
  2. Limpar o prisma do refratómetro com um pano macio e acertar o zero com água destilada, se o aparelho o pedir.
  3. Pôr 2 a 3 gotas no prisma, fechar a tampa e distribuir o líquido sem bolhas.
  4. Apontar o aparelho para uma fonte de luz e ler onde a linha de fronteira entre zona clara e escura cruza a escala de propilenoglicol.
  5. Compensar a temperatura, se o modelo não for de compensação automática (a leitura depende da temperatura do prisma).
  6. Registar o valor lido e comparar com o valor exigido.
  7. Limpar o prisma de novo.

Atenção: a escala é específica para o tipo de glicol. Ler com a escala de etilenoglicol dá um valor falso. O técnico confirma sempre qual a escala usada.

Verificar o pH

Os inibidores do fluido mantêm o pH ligeiramente alcalino. À medida que o fluido envelhece (sobretudo com estagnações repetidas), o glicol oxida, produz ácidos e o pH desce.

Procedimento com papel indicador ou medidor:

  1. Recolher uma amostra pequena do fluido, como no refratómetro.
  2. Medir o pH com tira indicadora ou medidor eletrónico calibrado.
  3. Comparar com o intervalo indicado pelo fabricante do fluido. Como ordem de grandeza, um fluido novo anda por volta de 7,5 a 9; pH abaixo de cerca de 7 indica perda de inibidores e fluido a degradar-se.
  4. Observar também a cor (fluido escurecido ou com depósitos escuros), o cheiro (a queimado) e a presença de partículas.

Quando se substitui o fluido

Sinal Significa Ação
pH abaixo do valor mínimo do fabricante Inibidores esgotados Substituir o fluido
Cor escura, cheiro a queimado, depósitos Degradação por sobreaquecimento Substituir e procurar causa (estagnações)
Proteção ao gelo insuficiente Concentração baixa ou diluição Corrigir concentração ou substituir
Fluido com impurezas visíveis Contaminação ou corrosão Lavar circuito e substituir
Intervalo recomendado pelo fabricante atingido Fim de vida estimado Substituir, mesmo com bons parâmetros

Enquanto o fabricante indicar um intervalo de vida do fluido, segue-se esse intervalo; as medições de pH e de proteção contra o gelo confirmam ou antecipam a troca.

Substituição do fluido: procedimento

  1. Preparar o fluido novo (o tipo e a concentração do projeto), recipientes de recolha, funil, bomba de enchimento, EPI (luvas e óculos).
  2. Isolar a instalação do sol (cobrir coletores) e deixá-la arrefecer.
  3. Descarregar o fluido antigo pela torneira de esvaziamento para um recipiente próprio. O fluido usado é um resíduo, recolhido e encaminhado segundo as regras de resíduos, nunca despejado em esgoto nem no solo.
  4. Lavar o circuito se houver depósitos (com o produto indicado pelo fabricante).
  5. Encher com a bomba de enchimento até à pressão de enchimento, purgando o ar (capítulo 8).
  6. Verificar a proteção ao gelo com o refratómetro e o pH do fluido novo, para documentar o ponto de partida.
  7. Registar a data, o tipo de fluido e a concentração.

Exemplo resolvido · interpretar uma leitura de refratómetro

Num local onde o projeto exige proteção contra o gelo até -20 °C, o refratómetro lê -17 °C na escala de propilenoglicol e o pH medido é 7,2. O fluido tem 5 anos e a instalação já teve várias estagnações.

  1. Proteção real: -17 °C. Exigida: -20 °C. O valor está 3 K abaixo do exigido, isto é, a proteção é insuficiente.
  2. O pH de 7,2 está perto do limite de 7: o fluido está no fim de vida.
  3. Decisão: não basta juntar glicol concentrado (corrigia a proteção mas manteria o fluido degradado). Substitui-se o fluido todo, e investiga-se a causa das estagnações repetidas (ver capítulos 7 e 11).
  4. Ficha: valor lido, pH, decisão e data.

6. Variáveis relevantes no funcionamento e na performance

O técnico que regula e mantém uma instalação solar precisa de saber o que medir e o que cada valor quer dizer. As variáveis dividem-se em externas, internas e de resultado.

Variáveis externas

Variável Instrumento ou fonte Porque importa
Irradiância (W/m²) Piranómetro, ou estimada pelo céu Determina a potência disponível
Temperatura ambiente Termómetro Perdas térmicas do coletor
Vento Observação Arrefece os coletores
Temperatura da água da rede Termómetro Define o ponto de partida
Consumo de água quente Contador ou perfil de utilização Define a energia necessária

Variáveis internas da instalação

Variável Onde se mede Valor típico (ordem de grandeza)
Temperatura do coletor (T1) Sonda do coletor De 20 a mais de 100 °C, conforme o sol
Temperatura do depósito (T2) Sonda inferior De 15 a 70 °C
Temperatura de ida e retorno do fluido Termómetros do grupo Diferença de 8 a 15 K em funcionamento
Caudal do circuito primário Caudalímetro 30 a 50 L/(h·m²)
Pressão do circuito Manómetro 1,5 a 3 bar em funcionamento normal
Corrente da bomba Pinça amperimétrica Conforme a placa de características
Estado da bomba Controlador Ligada ou parada

Variáveis de resultado

Calcular a potência útil

A potência transportada pelo fluido calcula-se com o caudal, o calor específico da mistura e a diferença de temperatura:

P = m × cp × ΔT, com m (caudal mássico) em kg/s, cp (calor específico da mistura) em kJ/(kg·K), ΔT (temperatura à saída dos coletores menos temperatura à entrada) em K, e P em kW.

Exemplo resolvido · potência útil e rendimento

Dados da instalação de referência ao meio-dia: caudal 168 L/h, mistura com densidade 1,03 kg/L e cp = 3,7 kJ/(kg·K), diferença entre ida e retorno 13 K, irradiância no plano dos coletores 800 W/m² e área de 4 m².

  1. Caudal mássico: 168 L/h × 1,03 kg/L = 173 kg/h = 0,0481 kg/s.
  2. Potência útil: P = 0,0481 × 3,7 × 13 = 2,31 kW.
  3. Potência incidente: 800 W/m² × 4 m² = 3 200 W = 3,2 kW.
  4. Rendimento: 2,31 / 3,2 = 0,72, isto é, cerca de 72%.
  5. Interpretação: é um valor no topo do plausível, que só se alcança com o fluido a temperatura baixa face ao ambiente. À medida que a temperatura média do fluido sobe, o rendimento desce, por haver mais perdas para o ambiente, e com o fluido mais quente a ordem de grandeza é a de cerca de metade, que é a que se usa no cap. 8. Um valor muito abaixo do esperado para as mesmas condições indica problema (ar, caudal baixo, coletor sujo, sonda mal lida).

O que faz descer o desempenho

Causa Efeito observado
Coletores sujos ou sombreados Menor ΔT, T1 baixa
Caudal baixo (ar, bomba lenta, filtro) ΔT muito alto entre ida e retorno
Caudal alto demais ΔT muito baixo, bomba a gastar
Isolamento degradado Água do depósito arrefece de noite
Termossifão invertido Depósito arrefece à noite
Sondas mal colocadas ou avariadas Controlador decide mal
Consumo muito acima do previsto Depósito nunca chega a boas temperaturas

Este quadro serve de bússola nos capítulos de recolha de dados e de avarias.

7. Regulação elétrica: sondas, controlador diferencial e bomba

A regulação elétrica de um sistema solar resume-se a três coisas: as sondas que medem, o controlador que decide e a bomba que obedece. Qualquer das três pode estar bem e a instalação trabalhar mal por causa de uma ligação ou de um parâmetro.

As sondas Pt1000

A maior parte dos controladores solares usa sondas de platina Pt1000: a sua resistência é de 1000 Ω a 0 °C e sobe de forma quase linear com a temperatura. Isto permite verificar uma sonda com um multímetro, desligada do controlador.

Temperatura Resistência da Pt1000 (aprox.)
0 °C 1000 Ω
20 °C 1078 Ω
40 °C 1155 Ω
60 °C 1232 Ω
80 °C 1309 Ω
100 °C 1385 Ω

Cada 1 °C representa cerca de 3,9 Ω. Por isso um erro de 1 Ω na resistência da cablagem corresponde a cerca de 0,26 K de erro de leitura.

Cuidados com as sondas:

Procedimento · testar uma sonda

  1. Cortar a alimentação no quadro, bloquear o disjuntor e verificar a ausência de tensão, pela ordem que este capítulo fixa para todas as intervenções elétricas. Só então desligar os dois fios da sonda no borne.
  2. Com o multímetro em ohms, medir a resistência nos dois fios.
  3. Medir a temperatura real no local da sonda com um termómetro de contacto de confiança.
  4. Comparar o valor lido com a tabela: por exemplo, 1155 Ω corresponde a 40 °C.
  5. Se a diferença for superior a cerca de 1 a 2 K, suspeitar da sonda, do cabo ou da ligação (corrosão, humidade).
  6. Voltar a ligar e confirmar no ecrã do controlador.

Exemplo resolvido · sonda do coletor com leitura errada

No controlador, T1 mostra 48 °C num dia de sol forte, enquanto o termómetro do grupo hidráulico lê 70 °C à ida dos coletores. Desliga-se a sonda e mede-se: 1185 Ω.

  1. Interpolando a tabela: 40 °C = 1155 Ω; 60 °C = 1232 Ω. Entre os dois, 77 Ω por 20 K, ou seja 3,85 Ω/K.
  2. 1185 - 1155 = 30 Ω, ou seja 30 / 3,85 = 7,8 K acima de 40 °C: temperatura equivalente ≈ 47,8 °C.
  3. O controlador lê o que a sonda lhe dá (48 °C), por isso o controlador está certo e a sonda mede um sítio mais frio do que o coletor (70 °C). A sonda, em si, está boa; provavelmente não está encostada ao fundo da bainha ou está colocada no ponto errado.
  4. Ação: retirar a sonda, limpar a bainha, voltar a colocá-la até ao fundo, e voltar a comparar. Se persistir, medir a resistência a uma temperatura conhecida (banho de água) para confirmar se a sonda está boa.

O controlador diferencial

O controlador compara T1 e T2 e comanda a bomba. Também controla funções de proteção. Ler o manual do modelo existente é indispensável, mas os parâmetros e as funções são comuns.

Parâmetro O que faz Valor típico (ordem de grandeza)
Diferencial de arranque (ΔT on) Liga a bomba quando T1 - T2 o ultrapassa 6 a 8 K
Diferencial de paragem (ΔT off) Desliga a bomba quando T1 - T2 desce abaixo 3 a 4 K
Temperatura máxima do depósito Para a bomba quando o depósito chega a este valor Definida no projeto, abaixo do limite do depósito
Temperatura máxima do coletor Para a bomba para proteger o circuito se o coletor passa este valor Valores altos de proteção, conforme o manual
Temperatura mínima do coletor Impede a bomba de arrancar com coletor frio demais Poucos graus acima de zero
Função de arrefecimento do depósito (recooling) Faz o depósito arrefecer pelos coletores à noite, quando está acima de um limite Opcional, conforme o desenho
Função de arrefecimento do coletor Mantém a bomba a andar acima de certa temperatura, para reduzir estagnação Opcional
Função de desinfeção térmica (quando existe) Eleva temporariamente a temperatura do depósito, pelo apoio e, se previsto, pela recirculação, segundo uma programação Conforme o projeto e o regime de legionela em vigor
Proteção contra o gelo Liga a bomba se o coletor chegar a perto de zero Normalmente desligada em circuitos com glicol
Velocidade da bomba Seleção de velocidades ou regulação Conforme a sonda
Modo manual Liga a bomba para testes Só para ensaio

Regras para os diferenciais

  1. ΔT on > ΔT off, com pelo menos 3 K de diferença entre eles. Se estiverem muito próximos, a bomba liga e desliga constantemente (pendulação), gastando energia e desgastando a bomba.
  2. ΔT on baixo demais (por exemplo 3 K) faz a bomba arrancar quando o ganho é irrisório, gastando mais eletricidade na bomba do que o calor que recolhe.
  3. ΔT off alto demais (por exemplo 8 K) faz parar a bomba quando ainda havia ganho útil, perdendo calor ao fim da tarde.
  4. Temperatura máxima do depósito nunca ultrapassa o que o depósito e o fabricante suportam, e tem de ser coerente com a misturadora e com a proteção contra queimaduras.

A proteção contra o gelo em instalações com glicol

Em circuitos com glicol bem dimensionado, o fluido não congela e a função de proteção contra o gelo do controlador deve estar desligada: se estivesse ligada, o controlador faria circular fluido quente do depósito pelos coletores nas noites frias, perdendo calor para a atmosfera sem necessidade. Esta função é útil em sistemas de drenagem (drainback) ou com circuitos sem glicol, que não são o caso da instalação de referência.

Função de arrefecimento

Com o depósito cheio de calor e muito sol, os coletores entram em estagnação. Para limitar o stress do fluido, alguns controladores têm funções de arrefecimento: à noite, quando o coletor está mais frio que o depósito, a bomba liga e dissipa calor do depósito pelo coletor, até baixar um limite, deixando espaço para o dia seguinte. É uma decisão de projeto; o técnico verifica se está ativada de acordo com o desenho e não a liga sem critério (gastaria energia de bombagem e arrefeceria água que fazia falta).

Instalação elétrica: o que verificar

Em todas as intervenções elétricas o procedimento é o mesmo:

  1. Cortar a alimentação no quadro e sinalizar/bloquear o disjuntor.
  2. Verificar a ausência de tensão com o multímetro ou detetor de tensão.
  3. Abrir o controlador e verificar apertos nos bornes de alimentação, bomba e sondas.
  4. Verificar a ligação à terra da bomba e do controlador, e o estado da proteção diferencial.
  5. Verificar o fusível do controlador, se existir.
  6. Repor a alimentação, com a caixa de bornes fechada sempre que possível, e confirmar o funcionamento no ecrã.
  7. Só com a alimentação reposta se fazem as medições em tensão: a corrente da bomba com a pinça amperimétrica em funcionamento, comparada com a placa, e a tensão nos bornes, com instrumento adequado à tensão da rede, ponteiras isoladas e sem tocar em partes ativas.

Os passos 1 a 5 fazem-se sem tensão; os passos 6 e 7, com tensão. Qualquer intervenção mecânica na bomba volta a exigir corte, bloqueio e verificação da ausência de tensão.

Há que garantir também que a alimentação do apoio elétrico tem protecção adequada e que o termóstato de segurança do depósito está operacional.

Exemplo resolvido · bomba que não arranca

O controlador mostra T1 - T2 = 14 K e o relé de saída ativo, mas o grupo está silencioso, o caudalímetro a zero.

  1. Sem tensão. Cortar a alimentação no quadro, bloquear o disjuntor e verificar a ausência de tensão. Abrir a caixa de bornes da bomba e verificar a continuidade do cabo de alimentação, o estado dos apertos e do isolamento dos condutores (sem marcas de calor nem humidade).
  2. Ainda sem tensão, tentar rodar o veio com a chave de fendas. Está duro: suspeita de bomba bloqueada.
  3. Com tensão. Para confirmar que o controlador está a comandar a bomba, repor a alimentação e deixar a bomba em pedido de arranque (relé ativo). Medir a tensão nos bornes com multímetro adequado à tensão da rede, ponteiras isoladas e sem tocar em partes ativas: 230 V presentes.
  4. Há tensão, a bomba não roda e o veio está duro: o problema está na bomba (bloqueada), e não no controlador.
  5. Sem tensão outra vez. Cortar a alimentação, bloquear o disjuntor e verificar a ausência de tensão antes de tocar no veio. Desbloquear rodando o veio várias vezes.
  6. Repor a alimentação. A bomba arranca; medir a corrente com a pinça amperimétrica: 0,27 A, conforme a placa (0,30 A na velocidade 2).
  7. Registar a ocorrência e recomendar acompanhamento (bomba com sinais de fim de vida, procurar causa: instalação parada longos períodos, partículas no circuito).

8. Regulação hidráulica: pressão, vaso, caudal, purga e equilíbrio

A regulação hidráulica garante que o fluido chega ao sítio certo, com a pressão e o caudal certos, sem ar.

Pressão de enchimento e pré-carga do vaso

Três pressões formam um conjunto coerente:

Regras práticas, a verificar com o projeto e com o fabricante do vaso:

Na instalação de referência, o ponto mais alto dos coletores está 10 m acima do grupo hidráulico: pressão estática = 1,0 bar; P0 = 1,3 bar; Pf entre 1,6 e 1,8 bar.

Dimensionar e confirmar o vaso

O vaso deve poder receber:

  1. a dilatação do fluido entre a temperatura de enchimento e a máxima;
  2. o conteúdo dos coletores, que pode vaporizar em estagnação e empurrar fluido para o vaso;
  3. uma pequena reserva de líquido.

Exemplo resolvido · verificar se o vaso de 12 L serve

Dados: volume total do circuito 18 L; dilatação estimada 7% do volume; volume dos 2 coletores 2 × 1,6 L = 3,2 L; reserva de 1 L; Pf = 1,8 bar; Pv = 6 bar, logo Pmax = 0,9 × 6 = 5,4 bar.

  1. Volume a absorver: 0,07 × 18 = 1,26 L; mais 3,2 L dos coletores; mais 1 L de reserva: V útil = 5,46 L.
  2. Fator de pressão: (Pmax + 1) / (Pmax - Pf), com pressões relativas: (5,4 + 1) / (5,4 - 1,8) = 6,4 / 3,6 = 1,78.
  3. Volume mínimo do vaso: 5,46 × 1,78 = 9,7 L.
  4. O vaso instalado tem 12 L: serve, com margem.
  5. Conclusão: o vaso está bem dimensionado; se tivesse 8 L, seria curto e a válvula de segurança abriria nas estagnações.

Procedimento · verificar e acertar a pré-carga

  1. Isolar o vaso do circuito (válvula de corte) e descarregar o lado do líquido até à pressão atmosférica, ou despressurizar o circuito.
  2. Ligar o manómetro de pneus ou de azoto à válvula do vaso (como a de um pneu).
  3. Ler a pré-carga. Comparar com o valor de projeto (1,3 bar no exemplo).
  4. Corrigir com azoto (ou ar) se for baixa; libertar gás se for alta.
  5. Fechar a válvula de gás, reabrir a válvula de corte do vaso (e bloquear na posição aberta).
  6. Voltar a encher o circuito até à pressão de enchimento.

Um vaso com a membrana rasgada deixa passar fluido para o lado do gás: ao carregar a válvula de gás sai líquido. Nesse caso o vaso substitui-se.

Procedimento · enchimento do circuito primário

  1. Pré-condição de segurança: confirmar que os coletores estão frios ou cobertos com lona opaca e que o circuito não está em estagnação. Nunca se enche nem se purga um circuito quente: há risco de queimadura e de projeção de vapor ou de fluido, e um golpe de vapor ao entrar fluido frio num coletor quente. Se o circuito está quente, cobrem-se os coletores e espera-se que arrefeçam.
  2. Verificar que todas as válvulas de corte estão abertas, o vaso está ligado e a pré-carga está certa, e que a descarga da válvula de segurança está livre e canalizada (nunca tapada nem apontada para pessoas).
  3. Ligar a bomba de enchimento às torneiras de enchimento e esvaziamento do grupo (uma de entrada, uma de retorno a um recipiente).
  4. Encher com o fluido solar já misturado, em circuito fechado, para arrastar o ar; manter o enchimento até sair fluido sem bolhas.
  5. Fechar a torneira de retorno e subir a pressão até à pressão de enchimento (1,8 bar no exemplo).
  6. Purgar nos pontos altos, abrindo o purgador manual até sair só líquido.
  7. Com os coletores ainda frios ou cobertos, ligar a bomba do circuito a velocidade máxima durante alguns minutos para arrastar o ar dissolvido; voltar a purgar.
  8. Fechar a torneira de corte do purgador automático, se existir.
  9. Verificar a pressão de novo e ajustar para a pressão de enchimento.
  10. Fazer ensaio de estanquidade com a instalação a funcionar, em busca de fugas.
  11. Registar pressão, data e tipo de fluido.

Purga de ar: sinais e prevenção

Sinal Causa provável Ação
Ruído de água a correr, gorgolejo Ar nas tubagens Purgar nos pontos altos
Caudalímetro oscilante ou a zero com bomba a andar Bolsa de ar no ponto alto Purgar com a bomba na velocidade máxima
Pressão a descer ao longo dos dias Fuga ou ar a ser absorvido Procurar fuga; repetir a purga
ΔT ida e retorno muito alto Caudal baixo Verificar ar, bomba, filtro

O ar acumula-se nos pontos altos e nas curvas. Uma instalação bem projetada tem purgador no ponto mais alto de cada ramo.

Regular o caudal

O caudal de um circuito solar de circulação forçada situa-se tipicamente em 30 a 50 litros por hora por metro quadrado de coletor. Na instalação de referência (4 m²) isso dá 120 a 200 L/h, isto é, 2,0 a 3,3 L/min.

Procedimento:

  1. Ligar a bomba na velocidade média.
  2. Ler o caudalímetro, em funcionamento com sol (ou com a bomba em modo manual).
  3. Regular a abertura do regulador do caudalímetro até ao valor de projeto (por exemplo 2,8 L/min).
  4. Confirmar o salto térmico entre ida e retorno com sol forte: como ordem de grandeza, deve rondar 8 a 15 K. Este intervalo decorre do caudal de 30 a 50 L/(h·m²): com cerca de 800 W/m² de irradiância e um rendimento da ordem de metade, o campo cede cerca de 400 W/m² ao fluido, o que, a esses caudais, dá um salto desta ordem. Com caudais mais altos o salto é menor, e com caudais baixos é muito maior; manda sempre o projeto e a ficha técnica do fabricante.
  5. Se o salto for demasiado alto (por exemplo 25 K), aumentar o caudal; se demasiado baixo (por exemplo 3 K), reduzi-lo ou passar a bomba a uma velocidade menor.
  6. Registar o valor de caudal e a velocidade da bomba.

Caudal a mais gasta eletricidade, aumenta o ruído e leva a sonda a ver menos diferença; caudal a menos faz o fluido aquecer muito no coletor e reduz o rendimento.

Equilíbrio hidráulico entre coletores

Com vários coletores, cada um deve receber o mesmo caudal; se não, os mais próximos da entrada recebem mais e os do fim recebem menos, aquecem mais e rendem pior. Boas práticas de montagem, que o técnico reconhece e verifica:

Exemplo resolvido · duas baterias desequilibradas

Duas filas de dois coletores em paralelo. Com sol forte, a fila 1 tem ida (saída da fila) a 65 °C e a fila 2 a 83 °C, com a mesma temperatura de retorno.

  1. A fila 2 aquece mais: recebe menos caudal.
  2. A fila 1, que tem menos temperatura de saída, recebe mais caudal que o devido.
  3. Ação: fechar ligeiramente a válvula de equilíbrio da fila 1 (ou abrir a da fila 2), voltar a medir as duas saídas das filas com um termómetro de contacto e iterar.
  4. Critério de aceitação: diferença entre as duas saídas das filas inferior a cerca de 5 K, em regime estável e com sol.

9. Regulação mecânica e misturadora termostática

A regulação mecânica cobre o que se vê e se aperta: estruturas, fixações, ligações, isolamentos e válvulas. A misturadora termostática é o componente que protege o utilizador.

Estrutura e fixações dos coletores

Os coletores suportam sol, vento e, em climas frios, neve. Verifica-se:

Elemento O que olhar Ação
Estrutura de suporte Corrosão, empeno, folgas Tratar a corrosão, substituir peças deformadas
Parafusos e ganchos Aperto, ferrugem, apoio na cobertura Apertar com o binário indicado; substituir os corroídos
Ligações entre coletores Mangas de ligação, abraçadeiras, juntas Aperto, sem fuga, juntas em bom estado
Dilatação das tubagens Liras ou compensadores livres Verificar que se movem, sem tensões
Passagem de tubagem pela cobertura Telhas e vedação Sem infiltrações
Ligação à terra (estrutura metálica) Continuidade Corrigir se necessário

Alertas importantes de manutenção:

Isolamentos expostos ao sol

As tubagens entre os coletores e a cobertura estão expostas à radiação UV e às intempéries.

  1. Verificar se o isolamento é de material adequado para exterior e alta temperatura.
  2. Verificar se tem proteção contra UV (cobertura de alumínio, fita específica, manga).
  3. Reparar rasgões e refazer as juntas do isolamento nas ligações; um troço mal isolado perde calor e envelhece mais depressa.
  4. Substituir isolamento encharcado ou comido por aves.
  5. Fechar as costuras para baixo, para a água da chuva não entrar.

Válvulas de corte e de retenção

Nas válvulas do grupo e do circuito verifica-se:

A misturadora termostática

Num depósito com água armazenada quente, a água que sai pode estar a temperaturas que provocam queimaduras graves: a 60 °C bastam poucos segundos. A misturadora termostática, instalada à saída do depósito, mistura água quente com água fria para entregar à rede de distribuição uma temperatura regulada e constante, normalmente na ordem de 45 a 50 °C, conforme definido no projeto e nas normas em vigor.

Componentes

Procedimento · afinar a misturadora

  1. Esperar que o depósito tenha uma temperatura bem acima da que se quer à saída (por exemplo, 60 °C ou mais).
  2. Abrir uma torneira próxima, deixando correr cerca de 1 a 2 minutos até a temperatura estabilizar.
  3. Colocar um termómetro no jacto da água e ler a temperatura.
  4. Rodar o manípulo para subir ou descer; esperar um minuto após cada ajuste; repetir até atingir o valor de projeto (por exemplo 48 °C).
  5. Fixar a regulação (parafuso de bloqueio, limitador de curso ou selo), se existir.
  6. Ensaiar a falha de água fria: fechar a água fria à misturadora; o caudal da misturadora deve diminuir drasticamente ou parar (função de segurança de corte). Reabrir.
  7. Registar a temperatura e a data.

Sintomas e causas

Sintoma Causa provável Ação
Temperatura na torneira acima da regulada Elemento termostático gasto; calcário Limpar ou substituir cartucho
Temperatura oscila Pressões desiguais, retenção avariada Verificar retenções e pressões
Água só morna mesmo com depósito quente Regulação demasiado baixa ou entrada de fria a entrar na quente Reajustar e verificar retenções
Água fria a passar para o circuito quente Retenção avariada Substituir a retenção

Exemplo resolvido · afinar a misturadora

O depósito está a 62 °C e a misturadora, reposta depois de uma limpeza, entrega 55 °C à torneira da cozinha. O projeto pede 48 °C.

  1. Rodar o manípulo no sentido de mais frio um pouco (um quarto de volta) e esperar 1 minuto.
  2. Nova leitura: 50 °C. Rodar mais um oitavo.
  3. Leitura: 48 °C, estável durante 2 minutos.
  4. Ensaiar a falha de água fria: o jacto cai quase a nada. Boa função de segurança.
  5. Registar: depósito 62 °C, saída 48 °C, data, assinatura.

10. Recolher e avaliar os dados de funcionamento

Regular bem uma instalação exige dados. Sem leituras, tudo é opinião.

O que se recolhe e com que instrumentos

Dado Instrumento Como
Temperatura de coletor e depósito Controlador e termómetro de contacto Ler o ecrã e confirmar com o termómetro
Temperaturas de ida e retorno Termómetros do grupo e de contacto Comparar entre si
Caudal Caudalímetro do grupo Ler L/min
Pressão Manómetro Ler a frio e a quente
Corrente e tensão da bomba Pinça amperimétrica e multímetro Em funcionamento
Concentração do fluido Refratómetro Procedimento do capítulo 5
pH do fluido Tira ou medidor Procedimento do capítulo 5
Temperatura à torneira Termómetro de imersão Depois de correr 1 a 2 minutos
Resistência das sondas Multímetro Capítulo 7
Estado do isolamento e coletores Inspeção visual, termómetro de infravermelhos Sem tocar em peças quentes

O termómetro de infravermelhos é útil para identificar pontos quentes e frios em tubagens, mas lê mal superfícies brilhantes (isolamento em alumínio) por reflexão; é um indicador, não uma medida de precisão.

Cuidados na recolha

  1. Medir sempre nas mesmas condições: mesma hora, mesma situação (bomba a andar, sol), para poder comparar.
  2. Registar a hora, a irradiância (estimada) e o consumo do dia.
  3. Esperar a estabilização de uma leitura (um a dois minutos).
  4. Anotar o valor, não a opinião ("bom" ou "mau").
  5. Anotar a unidade (L/min ou L/h; bar ou kPa; °C ou K).

A ficha de registo

Uma boa ficha de registo de manutenção tem:

Campo Exemplo
Data e hora 14/10, 12:30
Estado do céu Limpo
T coletor (T1) 68 °C
T depósito (T2) 47 °C
T ida / T retorno 66 / 52 °C
Caudal 2,7 L/min
Pressão 2,5 bar
Bomba (velocidade e corrente) 2, 0,28 A
Temperatura à torneira 48 °C
Observações Ruído ligeiro, sem fuga
Técnico Nome e assinatura

O registo passa a ser referência: daqui a um ano, as mesmas condições devem dar valores semelhantes.

Avaliar os dados: perguntas a fazer

  1. A bomba arranca e pára quando devia? (T1 - T2 e diferenciais)
  2. O caudal está dentro do intervalo?
  3. O salto de temperatura entre ida e retorno é razoável?
  4. A pressão está estável?
  5. A temperatura do depósito sobe durante o dia e mantém-se à noite?
  6. A água à torneira está dentro da temperatura de projeto?

Exemplo resolvido · interpretar uma sequência de leituras

Numa visita, anotam-se, num dia limpo, às 11:00, às 13:00 e às 15:00:

Hora T1 T2 Ida Retorno Caudal Pressão Bomba
11:00 58 38 55 44 2,8 2,3 Ligada
13:00 72 48 68 53 2,8 2,6 Ligada
15:00 79 59 76 61 2,8 2,8 Ligada
  1. Diferencial T1 - T2: 20, 24 e 20 K: sempre bem acima de ΔT on e de ΔT off.
  2. Salto ida-retorno: 11, 15 e 15 K: bom.
  3. Caudal constante: 2,8 L/min, dentro do projeto.
  4. Pressão: sobe com a temperatura de 2,3 a 2,8 bar, o que é normal (dilatação do fluido); volta a baixar à noite.
  5. Energia ganha entre 11:00 e 15:00: o depósito de 200 L subiu 21 K (38 para 59 °C): Q = 200 × 1,163 × 21 ≈ 4 885 Wh ≈ 4,9 kWh em 4 horas, ou seja, uma média de 1,2 kW.
  6. Conclusão: funcionamento normal. Registar como referência.

Exemplo resolvido · leituras que denunciam um problema

Às 13:00, num dia limpo: T1 = 95 °C, T2 = 50 °C, ida 72 °C, retorno 49 °C, caudal 0,9 L/min, bomba ligada na velocidade 2, pressão 2,0 bar a descer.

  1. Salto ida-retorno: 23 K, o dobro do esperado.
  2. Caudal: 0,9 L/min, muito abaixo dos 2,8 do projeto.
  3. T1 muito alta com ΔT enorme e bomba ligada: o fluido quase não circula.
  4. Pressão a descer: pode haver fuga ou o ar ainda a ser purgado.
  5. Hipótese: ar nas tubagens ou filtro obstruído ou bomba com desgaste.
  6. Ação: purgar com a bomba em velocidade máxima; se o caudal subir para o normal, era ar. Procurar fugas se a pressão voltar a descer nos dias seguintes.

11. Avarias típicas e diagnóstico

Diagnosticar é seguir um método: observar, medir, formular hipótese, testar, corrigir, registar. Nunca se muda um parâmetro ao acaso. As avarias mais frequentes em instalações solares térmicas são as que se seguem.

Quadro de diagnóstico rápido

Sintoma Causas prováveis Primeiro teste
Água do depósito fria com sol Bomba parada, sonda avariada, ar, controlador em erro Ler T1, T2 e estado da bomba
Bomba a ligar e desligar a cada poucos minutos Diferenciais muito próximos; sonda mal posicionada; sol intermitente Ver ΔT on e ΔT off
Caudalímetro a zero com bomba ligada Ar, bomba bloqueada, válvula fechada Ouvir a bomba, ver válvulas
Pressão a subir muito no verão Estagnação, vaso com pré-carga baixa Medir a pré-carga
Pressão a descer ao longo do tempo Fuga, vaso com membrana rota Procurar fuga, medir pré-carga
Válvula de segurança a descarregar Sobrepressão por estagnação ou vaso mal carregado Ver pré-carga e histórico
Depósito arrefece de noite Termossifão inverso, isolamento fraco, apoio mal regulado Ver temperatura das tubagens à noite
Temperatura de T1 incoerente Sonda mal colocada ou avariada Medir a resistência
Água só morna à torneira Misturadora desregulada, depósito frio, apoio desligado Medir no depósito e à saída
Ruído no circuito Ar, caudal alto, bomba gasta Purgar, verificar velocidade

Estagnação e sobreaquecimento no verão

O que é: o depósito chegou à temperatura máxima, a bomba parou e os coletores, ainda com sol, ficam sem circulação. O fluido dentro dos coletores aquece muito, ferve e empurra líquido para o vaso. Quando o sol baixa e o coletor arrefece, o vapor condensa e o líquido regressa ao circuito.

Consequências: o glicol degrada-se com a repetição; a pressão sobe; a válvula de segurança pode descarregar; vedantes e juntas envelhecem.

Diagnóstico:

  1. Verificar se a temperatura do depósito atingiu o máximo programado.
  2. Verificar se T1 chegou a valores muito altos.
  3. Medir a pré-carga do vaso (a causa de estagnações mal absorvidas é muitas vezes o vaso).
  4. Verificar o pH e a cor do fluido, que são o diário das estagnações.
  5. Verificar o consumo: um depósito pequeno para o campo de coletores, ou consumo muito baixo em férias.

Correções: vaso corretamente carregado e dimensionado; função de arrefecimento (recooling) quando prevista no projeto; sombreamento temporário dos coletores em ausências prolongadas (lona) ou função de "férias" do controlador; revisão do dimensionamento junto do projetista se o problema for estrutural.

Ar no circuito

Sintomas: ruído, caudal instável, ΔT elevado, pressão que varia.

Procedimento: com o circuito frio, purgar nos pontos altos; ligar a bomba à velocidade máxima e voltar a purgar; completar a pressão; fechar a torneira do purgador automático. Se o ar volta, procurar entrada de ar: ligações não estanques, vaso com a pré-carga baixa, purgador automático aberto com vapor.

Bomba bloqueada ou avariada

Primeiro sem tensão: cortar, bloquear o disjuntor e verificar a ausência de tensão; verificar o cabo e os apertos e tentar rodar o veio. Depois, com a alimentação reposta e a bomba em pedido de arranque, medir a tensão nos bornes e a corrente, com instrumento adequado e ponteiras isoladas. Se a corrente for muito alta, o rotor está agarrado ou há sujidade; se for nula com tensão presente, a bobina está avariada. Antes de voltar a tocar no veio, cortar, bloquear e verificar outra vez a ausência de tensão. Substituir a bomba com o circuito despressurizado e isolado.

Sonda mal colocada ou avariada

Ver o capítulo 7. Sintomas típicos: T1 ou T2 absurdas (valores negativos, de 150 °C ou 0), erros no ecrã, comportamento incoerente com o sol. Testar a resistência, verificar a bainha e o cabo, substituir se for necessário e recolocar sempre encostada ao fundo da bainha.

Circulação inversa por termossifão à noite

O que acontece: à noite, a água do depósito está quente e os coletores frios. Se o fluido puder circular por gravidade (coletores acima do depósito, sem retenção), o fluido quente do depósito sobe por um ramo e o frio desce pelo outro, arrefecendo o depósito pelos coletores. É um ciclo que gasta o calor armazenado, em silêncio, durante a noite.

Como detetar:

  1. À noite ou de manhã cedo, tocar com cuidado (ou medir com termómetro de contacto) nas tubagens de ida e de retorno junto ao grupo: tubagens mornas com a bomba parada indicam circulação.
  2. Ver o registo: temperatura do depósito de manhã muito abaixo da do fim da tarde, sem consumo.
  3. Observar T1 de noite: valor anormalmente alto (acima do ambiente) com a bomba parada.

Causas e correções:

Causa Correção
Válvula de retenção ausente ou avariada Instalar ou substituir a retenção (travão de gravidade)
Retenção montada ao contrário Rever o sentido da seta
Retenção com resíduos (junta que não fecha) Limpar ou substituir
Traçado com ramo em sifão que favorece a gravidade Corrigir o traçado ou colocar anti-retorno
Isolamento em falta nos tubos de ida Isolar

Legionela por temperatura baixa do depósito

Causa: a parte inferior do depósito (zona solar) fica muitas horas na faixa de temperaturas mornas e, sem aquecimento periódico a temperatura elevada, a bactéria pode multiplicar-se.

Medidas de prevenção (procedimento genérico):

  1. Confirmar a temperatura de armazenamento definida pelo projeto e pela legislação em vigor, e regular o apoio para a garantir na zona superior, que é a que ele aquece.
  2. Programar ciclos de desinfeção térmica do depósito, com a periodicidade e a temperatura definidas pelas regras aplicáveis, de modo a que alcancem todo o volume, incluindo a zona inferior (um apoio que aquece só a parte superior não a trata por si só), e assegurar a proteção dos utilizadores (misturadora à saída).
  3. Evitar ramais mortos, águas paradas e depósitos sobredimensionados.
  4. Registar as temperaturas e as intervenções de desinfeção.
  5. Em caso de suspeita, não improvisar: comunicar ao responsável da instalação, que seguirá o regime de prevenção e controlo da legionela em vigor.

Outras avarias a reconhecer

Exemplo resolvido · depósito frio de manhã

Cliente: "A água só está quente à noite e de manhã está morna, mesmo sem ninguém ter gasto." Observação ao fim da tarde: depósito a 62 °C. De manhã, às 7:30: 41 °C. Perda de 21 K sem consumo.

  1. Perda por isolamento do depósito: em condições normais, um depósito de 200 L perde alguns graus por noite, não 21 K. A hipótese do isolamento fica de lado.
  2. Hipótese: termossifão. Medir com o termómetro de contacto as tubagens de ida e de retorno junto ao grupo às 7:30: ambas mornas (cerca de 35 °C), com a bomba parada.
  3. Teste: inspecionar a retenção do grupo: mecanicamente solta, mola partida (aberta por gravidade).
  4. Correção: substituir a válvula de retenção e ensaiar: na manhã seguinte, a perda é de 4 K.
  5. Registo: descrição, causa, peça substituída, valores antes e depois.

Exemplo resolvido · bomba a pendular

Num dia de sol intermitente, a bomba liga e desliga a cada 2 minutos. ΔT on = 4 K, ΔT off = 3 K.

  1. Diferença entre diferenciais: 1 K, insuficiente. Qualquer variação de T1 de 1 K liga ou desliga a bomba.
  2. Correção: ΔT on = 7 K e ΔT off = 3 K (diferença de 4 K).
  3. Verificação: observar durante uma hora; a bomba passa a ligar e desligar com espaçamentos de dezenas de minutos, ou continua a andar com sol.

12. O plano de manutenção e a sua execução

A manutenção preventiva evita avarias, mantém o rendimento e prolonga a vida da instalação. Um plano de manutenção é uma lista de tarefas com periodicidade, que o técnico executa e regista.

Plano de manutenção de referência

Periodicidade Tarefa Registo
Em cada visita Ler T1, T2, caudal, pressão, estado da bomba Ficha de registo
Semestral ou anual Inspeção visual dos coletores (vidros, caixas, vedantes, fixações) Estado e fotografias
Anual Limpeza do vidro dos coletores Data
Anual Verificação de apertos e de ligações hidráulicas e elétricas Anomalias corrigidas
Anual Verificação de isolamentos expostos (UV, aves, humidade) Troços reparados
Anual Verificação da pressão do circuito e da pré-carga do vaso Valores medidos
Anual Verificação da concentração do fluido (refratómetro) e do pH Valores medidos
Anual Verificação da válvula de segurança (estado e descarga livre) Estado
Anual Purga de ar Data
Anual Teste das sondas e do controlador (parâmetros, relés) Parâmetros confirmados
Anual Verificação da bomba (corrente, ruído, desbloqueio) Corrente medida
Anual Verificação da misturadora termostática Temperatura à saída
Anual Inspeção do ânodo do depósito, segundo o fabricante Estado
Anual Verificação do apoio (termostato, programação) Parâmetros
Conforme fabricante Substituição do fluido Tipo e concentração
Quando aplicável Ensaios e registos da prevenção da legionela Segundo as regras em vigor

Cada fabricante e cada projeto define o seu próprio plano: o plano acima é um ponto de partida, não substitui o documento do equipamento instalado.

Procedimento · execução de uma visita de manutenção

A ordem importa. O que se faz primeiro condiciona o que se pode medir depois.

  1. Preparar a visita. Ler o histórico (registos anteriores); levar instrumentos (multímetro, pinça amperimétrica, termómetro de contacto, manómetro, refratómetro, tiras de pH, chaves, bomba de enchimento, lona opaca), EPI e fluido sobresselente.
  2. Falar com o utilizador. Perguntar por queixas (água fria, ruídos, descargas).
  3. Registo de entrada (com a instalação a funcionar). Ler T1, T2, ida, retorno, caudal, pressão e corrente da bomba antes de mexer em nada. Esta é a fotografia do funcionamento real.
  4. Segurança e acesso. Preparar o trabalho em altura; cobrir os coletores com lona opaca se vai mexer neles, e esperar que arrefeçam.
  5. Coletores e estrutura. Inspeção visual, fixações, limpeza do vidro.
  6. Isolamentos e tubagens. Inspeção e reparação.
  7. Circuito hidráulico. Verificar fugas, apertos, válvulas; manómetro, pré-carga do vaso, purga; verificar a válvula de segurança.
  8. Fluido. Recolher amostra, refratómetro, pH, cor.
  9. Parte elétrica. Pela ordem do capítulo 7: cortar a alimentação, bloquear o disjuntor e verificar a ausência de tensão; sem tensão, apertos e sondas (resistência); repor a alimentação para as medições em tensão (corrente da bomba, parâmetros do controlador); e cortar, bloquear e verificar outra vez antes de qualquer desbloqueio mecânico da bomba.
  10. Depósito e apoio. Ânodo (se previsto), isolamento, termostato do apoio, programação.
  11. Misturadora. Medir a temperatura à saída e ensaiar.
  12. Repor tudo em serviço e voltar a ler os valores como no passo 3. Comparar antes e depois.
  13. Registo final e entrega. Preencher a ficha, assinar, informar o utilizador de anomalias e recomendações.

O que muda de ano para ano

Entre visitas, comparam-se os registos:

Exemplo resolvido · decidir após uma visita

Resultados de uma visita anual: vidro com sujidade ligeira (limpo); respiradouros livres; isolamento em 1 m de tubo rasgado (refeito); pressão a frio 1,4 bar (enchimento 1,8); pré-carga do vaso 0,9 bar (projeto 1,3); refratómetro -19 °C (exigido -20 °C); pH 7,6; corrente da bomba 0,29 A (placa 0,30 A); misturadora a 51 °C (projeto 48).

  1. Pressão 1,4 bar: perdeu 0,4 bar. Verificar fugas e a pré-carga.
  2. Pré-carga 0,9 bar: baixa (projeto 1,3). Corrigir. Possível causa da perda de pressão e de mau comportamento em estagnação.
  3. Refratómetro -19 °C: 1 K abaixo do exigido; o pH de 7,6 está bom. Juntar fluido de concentração mais alta para corrigir (pequeno acerto), em vez de trocar tudo.
  4. Corrente da bomba: normal.
  5. Misturadora a 51 °C: acima dos 48 °C do projeto. Reajustar.
  6. Ordem de intervenção: corrigir a pré-carga, repor a pressão a 1,8 bar, purgar, acertar o fluido, afinar a misturadora, voltar a medir tudo.
  7. Relatório: valores antes e depois, ações, próxima visita em 12 meses.

13. Segurança, ambiente e documentação

A segurança não é um capítulo à parte: faz parte de cada procedimento. Aqui juntam-se os riscos específicos e as regras.

Riscos específicos e medidas

Risco Onde Medida
Queimadura por fluido ou superfícies Coletores, tubagens, vapor da válvula de segurança Cobrir coletores, esperar arrefecimento, luvas, descarga canalizada
Queda em altura Cobertura Proteção coletiva ou linha de vida, arnês, calçado, parceiro
Choque elétrico Controlador, bomba, apoio Cortar, bloquear, verificar ausência de tensão
Pressão Circuito primário Despressurizar antes de abrir ligações
Água quente sanitária Torneiras Misturadora termostática bem afinada
Legionela Depósito, rede Regras de temperatura e desinfeção em vigor
Contacto com glicol e inibidores Substituição de fluido Luvas, óculos, ficha de dados de segurança
Vidro Coletor partido Luvas, EPI, remoção cuidadosa
Vento e carga Coletores com mau aperto Fixações verificadas

EPI recomendado

Capacete (em obra), calçado de segurança antiderrapante, luvas adequadas (calor, corte, químicos), óculos de proteção, arnês e linha de vida (trabalho em altura), roupa de manga comprida. O EPI é escolhido segundo a avaliação de riscos do trabalho.

Ambiente: resíduos

Documentação

O enquadramento regulamentar da certificação energética e dos sistemas técnicos dos edifícios é matéria que muda: o técnico confirma as regras na fonte oficial atual antes de afirmar prazos ou exigências ao cliente. Sempre que não houver certeza, escreve-se de forma genérica e remete-se para o diploma em vigor.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Um sistema solar térmico de circulação forçada capta o calor nos coletores (planos ou de tubos de vácuo), transporta-o pelo circuito primário com uma mistura de água e propilenoglicol, e cede-o à água sanitária através da serpentina do depósito. O controlador diferencial liga a bomba quando T1 - T2 passa o diferencial de arranque (6 a 8 K) e desliga-a abaixo do de paragem (3 a 4 K), com a temperatura máxima do depósito como limite. O grupo hidráulico reúne bomba, caudalímetro, retenções e manómetro; o vaso de expansão (pré-carga ≈ pressão estática + 0,3 bar; enchimento ≈ pré-carga + 0,3 a 0,5 bar), a válvula de segurança e o purgador (fechado depois da purga) protegem e mantêm o circuito. O fluido verifica-se com o refratómetro (proteção contra o gelo) e o pH, e substitui-se quando os inibidores se esgotam. O caudal anda por 30 a 50 L/(h·m²) e o salto ida-retorno por 8 a 15 K. A potência útil calcula-se com P = m × cp × ΔT, e a ficha de registo com valores, hora e condições é a base de toda a avaliação. As avarias típicas (estagnação, ar, bomba bloqueada, sonda mal colocada, termossifão, legionela) diagnosticam-se com método, medindo antes de mexer. O plano de manutenção faz-se numa ordem fixa, com leituras antes e depois, e tudo com segurança (coletores cobertos, trabalho em altura, eletricidade bloqueada, fluido recolhido) e documentação em dia, confirmando na redação em vigor a matéria regulamentar.

Exercícios resolvidos

1. A sonda do depósito, desligada, mede 1232 Ω. Que temperatura indica?

Resolução: na tabela da Pt1000, 1232 Ω corresponde a 60 °C.

2. Com ΔT on = 6 K e ΔT off = 3 K, T2 = 45 °C. A que valor de T1 a bomba liga e a que valor desliga (quando T2 se mantém em 45 °C)?

Resolução: liga quando T1 - T2 ≥ 6 K, isto é, T1 ≥ 51 °C. Desliga quando T1 - T2 ≤ 3 K, isto é, T1 ≤ 48 °C.

3. Qual é o caudal recomendado, em L/min, para 6 m² de coletores, a 40 L/(h·m²)?

Resolução: 6 × 40 = 240 L/h; 240 / 60 = 4,0 L/min.

4. Um circuito tem caudal de 150 L/h, densidade 1,03 kg/L, cp = 3,7 kJ/(kg·K) e ΔT ida-retorno de 10 K. Qual é a potência útil?

Resolução: m = 150 × 1,03 = 154,5 kg/h = 0,0429 kg/s. P = 0,0429 × 3,7 × 10 = 1,59 kW.

5. Um edifício tem ponto mais alto 15 m acima do vaso. Calcula a pré-carga e a pressão de enchimento.

Resolução: pressão estática = 1,5 bar. P0 = 1,5 + 0,3 = 1,8 bar. Pf = P0 + 0,3 a 0,5 = 2,1 a 2,3 bar.

6. Com válvula de segurança de 6 bar, qual é a pressão máxima em serviço recomendada (90%)?

Resolução: 0,9 × 6 = 5,4 bar.

7. O refratómetro lê -14 °C onde se exige -20 °C. O pH é 8,2 e o fluido tem cor normal. Que se faz?

Resolução: o fluido está são (pH bom), mas a concentração é baixa. Corrige-se juntando fluido de concentração mais alta (ou fluido concentrado, nas proporções do fabricante), voltando a ler até se alcançar a proteção exigida.

8. Quanta energia é preciso para aquecer 300 L de água de 14 °C para 50 °C?

Resolução: Q = 300 × 1,163 × 36 = 12 560 Wh ≈ 12,6 kWh.

9. Um depósito perde 18 K de uma tarde para a manhã seguinte, sem consumo. Qual é a primeira hipótese e como se testa?

Resolução: termossifão invertido (retenção avariada ou em falta). Testa-se verificando, de manhã cedo, se as tubagens de ida e de retorno estão mornas com a bomba parada, e inspecionando a retenção.

10. Numa estagnação de verão, a válvula de segurança descarrega. A pré-carga medida é 0,6 bar para um valor de projeto de 1,3 bar. Qual é a causa mais provável e a ação?

Resolução: o vaso, com a pré-carga baixa, não absorve o volume de fluido e vapor, e a pressão sobe até a válvula abrir. Ação: repor a pré-carga a 1,3 bar com o circuito despressurizado, repor a pressão de enchimento, verificar o fluido (estagnações degradam-no) e o estado da membrana.