Isolamentos térmicos em AVAC&R (10958)
- Introdução
- 1. O que é o isolamento térmico
- 2. Critérios de dimensionamento
- 3. O isolamento térmico dos edifícios: abordagem genérica
- 4. Materiais isolantes para AVAC e refrigeração: tipos
- 5. Características dos materiais e critérios de escolha
- 6. A barreira de vapor: o que é e por que lado se põe
- 7. Espessura mínima para evitar condensação
- 8. Cálculo de perdas térmicas
- 9. Ferramentas, materiais auxiliares e segurança na oficina
- 10. Aplicação de isolamento em tubagem frigorífica, passo a passo
- 11. Isolamento de paredes de sistemas frigoríficos: câmaras
- 12. Linhas de aspiração, de líquido e de descarga: o que se isola e o que não
- 13. Manutenção dos isolamentos em refrigeração
- 14. Aplicação de isolamento em AVAC: tubagem de água
- 15. Condutas de ar: aplicação do isolamento
- 16. Manutenção dos isolamentos em AVAC
- 17. Acabamento e proteção mecânica no exterior
- 18. Estudo de caso: custo-benefício do isolamento
- 19. Lista de verificação e erros de oficina que se veem a olho
- 20. Tabela de decisão para o dimensionamento no terreno
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Numa instalação de AVAC&R o isolamento térmico é o trabalho que toda a gente vê e poucos fazem bem. Um circuito frigorífico bem montado, bem ensaiado e bem carregado pode perder uma parte importante da sua capacidade, gastar energia a mais e deixar um rasto de água no teto falso, apenas porque a linha de aspiração ficou com uma junta aberta ou porque a barreira de vapor foi furada por uma abraçadeira. O isolamento não é um acabamento estético: é uma parte do sistema, com função, cálculo, procedimento de aplicação e manutenção.
Esta sebenta foi escrita para a oficina. Segue a ordem do referencial: primeiro o conceito de isolamento térmico e os critérios de dimensionamento; depois uma abordagem genérica ao isolamento dos edifícios; em seguida os materiais usados em AVAC e refrigeração (tipos, características e aplicação); a aplicação em tubagens e paredes de sistemas frigoríficos, com o procedimento passo a passo; a manutenção dos isolamentos em refrigeração; a aplicação em AVAC e a respetiva manutenção; e, por fim, um estudo de caso de custo-benefício.
Objetivos de aprendizagem (referencial): descrever o conceito de isolamento térmico, os principais tipos e o respetivo dimensionamento; instalar os principais tipos de materiais isolantes, analisar o estado de conservação e a sua substituição; reconhecer a eficácia dos sistemas de isolamento utilizados e a ordem de grandeza do custo-benefício associado a essa eficácia.
Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo traz explicação, tabelas de consulta e exemplos resolvidos passo a passo. Refaz as contas com a calculadora antes de leres a solução. Sempre que possível, repete o procedimento na oficina com um troço de tubo de cobre e um tubo de isolamento: aplicar isolamento aprende-se com as mãos, e a diferença entre uma junta bem feita e uma junta mal feita só se percebe depois de se ter feito as duas.
Sobre valores e regulamentação. Os valores de condutibilidade, resistência à difusão do vapor e custos que aparecem nos exemplos são valores de ordem de grandeza, escolhidos para que as contas sejam claras. Na vida real usa-se sempre o valor da ficha técnica do fabricante do produto que vai ser aplicado. As espessuras mínimas exigidas e o enquadramento regulamentar do desempenho energético dos edifícios e dos seus sistemas técnicos são matéria regulada: consultam-se na redação em vigor dos diplomas aplicáveis e dos documentos técnicos que os acompanham, nunca de memória e nunca nesta sebenta.
1. O que é o isolamento térmico
O calor passa sempre do corpo mais quente para o mais frio. Isolar termicamente é tornar essa passagem mais difícil, interpondo entre as duas zonas um material que conduz mal o calor. Em AVAC&R isolamos por dois motivos opostos, conforme o fluido esteja mais frio ou mais quente do que o ar à volta:
- Fluido frio (linha de aspiração, água gelada, ar insuflado frio, câmara frigorífica): o isolamento impede que o calor do ambiente entre no circuito. Evita-se perda de capacidade, gasto de energia e condensação na superfície.
- Fluido quente (água quente de aquecimento, linha de descarga, ar insuflado quente): o isolamento impede que o calor se perca para o ambiente. Evita-se desperdício de energia e protege-se quem toca na tubagem.
1.1 As três formas de transmissão de calor
| Forma | O que acontece | Onde se vê em AVAC&R |
|---|---|---|
| Condução | o calor passa através de um material sólido, de molécula em molécula | parede do tubo de cobre, espessura do isolamento |
| Convecção | o calor é levado por um fluido em movimento (ar, água) | ar a roçar a superfície exterior do isolamento, água dentro do tubo |
| Radiação | o calor passa por ondas, sem precisar de meio material | superfícies expostas ao sol, folha de alumínio que reflete |
Os materiais isolantes são, quase todos, materiais com muito ar (ou gás) preso em células minúsculas. O ar parado conduz mal o calor. Se as células se enchem de água, o material passa a conduzir muito mais: por isso o isolamento molhado deixa de isolar.
1.2 Grandezas que se usam sempre
- Condutibilidade térmica, λ (lambda), em W/(m·K): quantidade de calor que passa por metro de espessura, por metro quadrado, por cada kelvin de diferença de temperatura. Quanto menor, melhor isola. Depende da temperatura média e do estado do material.
- Resistência térmica, R, em m²·K/W: R = e / λ, em que e é a espessura em metros. Quanto maior, melhor. As resistências de camadas em série somam-se.
- Coeficiente de transmissão térmica, U, em W/(m²·K): U = 1 / R total. Quanto menor, melhor.
- Coeficiente de transferência superficial, h, em W/(m²·K): descreve a troca de calor entre a superfície e o ar. Em ar interior calmo, um valor de ordem de grandeza de 8 W/(m²·K) para a superfície exterior é razoável nos cálculos de oficina.
- Fluxo de calor: em superfície plana, q = U × ΔT, em W/m². Em tubagem, expressa-se por metro de tubo, em W/m.
Duas regras práticas que se verificam em tudo o que se segue:
- Dobrar a espessura não reduz as perdas a metade. Há a resistência superficial do ar, que não muda, e, nos tubos, o aumento do diâmetro exterior aumenta a área de troca.
- O primeiro centímetro rende mais do que o quinto. É por isso que existe uma espessura económica: a partir de certo ponto, o isolamento extra custa mais do que poupa.
Exemplo resolvido · resistência térmica de um revestimento
Um painel de isolamento tem 40 mm de espessura e λ = 0,040 W/(m·K). Qual é a sua resistência térmica? E se for o dobro da espessura?
- Converter a espessura: 40 mm = 0,040 m.
- R = e / λ = 0,040 / 0,040 = 1,0 m²·K/W.
- Com 80 mm: R = 0,080 / 0,040 = 2,0 m²·K/W.
A resistência dobra com a espessura numa superfície plana. Já o fluxo total não reduz a metade, porque a resistência do ar à superfície (cerca de 1/8 = 0,125 m²·K/W) fica igual nos dois casos.
2. Critérios de dimensionamento
Dimensionar o isolamento é escolher o material e a espessura. Não há uma só resposta: depende do critério que manda. Em AVAC&R, os critérios são quatro e aplicam-se por esta ordem de risco.
2.1 Critério 1 · Evitar condensação superficial
É o critério que manda em tudo o que está abaixo da temperatura de orvalho do ambiente: aspiração de refrigeração, água gelada, condutas de ar frio, evaporadores. A superfície exterior do isolamento tem de ficar acima da temperatura de orvalho do ar envolvente. Se não ficar, forma-se água na superfície, o isolamento molha-se e a instalação "sua".
A temperatura de orvalho depende da temperatura e da humidade relativa do ar. Valores de ordem de grandeza, calculados com a fórmula de Magnus:
| Ar ambiente | Temperatura de orvalho |
|---|---|
| 24 °C e 60 % | cerca de 15,8 °C |
| 25 °C e 60 % | cerca de 16,7 °C |
| 26 °C e 65 % | cerca de 18,9 °C |
| 28 °C e 70 % | cerca de 22,0 °C |
| 28 °C e 80 % | cerca de 24,2 °C |
| 30 °C e 75 % | cerca de 25,1 °C |
| 32 °C e 70 % | cerca de 25,8 °C |
Como se obtém a temperatura de orvalho na oficina. Há três caminhos, e qualquer um serve.
- Ler no termo-higrómetro. A maior parte dos aparelhos de oficina mostra a temperatura de orvalho a par da temperatura e da humidade relativa. É o caminho normal em obra.
- Ler na carta psicrométrica. Entra-se com a temperatura do ar e a humidade relativa, desce-se na vertical até à linha de saturação e lê-se a temperatura de orvalho.
- Calcular pela fórmula de Magnus, com a temperatura T em °C e a humidade relativa HR em %:
α = ln(HR / 100) + 17,62 × T / (243,12 + T)
T_orvalho = 243,12 × α / (17,62 − α)
Exemplo: T = 24 °C e HR = 60 %. α = ln(0,60) + 17,62 × 24 / 267,12 = −0,511 + 1,583 = 1,072. T_orvalho = 243,12 × 1,072 / (17,62 − 1,072) = cerca de 15,8 °C.
Os coeficientes 17,62 e 243,12 °C são os de uso corrente desta fórmula para ar húmido acima de 0 °C. O resultado é uma aproximação, suficiente para dimensionar isolamento; em projeto usa-se a carta psicrométrica ou a função do aparelho.
Repara: um dia de verão em Lisboa com 28 °C e humidade alta já dá uma temperatura de orvalho perto dos 24 °C. Uma espessura que "chega" a 70 % de humidade falha a 80 %. Dimensiona-se para as condições mais desfavoráveis do local (cozinha, lavandaria, piscina, zona costeira, casa de máquinas sem ventilação), não para o dia de inspeção.
2.2 Critério 2 · Limitar as perdas ou os ganhos de calor
Escolhe-se a espessura em que o custo da energia poupada compensa o custo do isolamento (espessura económica) ou em que as perdas ficam abaixo de um valor máximo imposto. Os valores impostos para sistemas técnicos de edifícios constam da regulamentação em vigor; a oficina consulta-os na fonte, projeto a projeto.
2.3 Critério 3 · Proteção de pessoas
Tubagens quentes acessíveis (descarga do compressor, água quente de aquecimento, vapor) têm de ficar a uma temperatura superficial que não queime ao toque. O isolamento, o acabamento exterior e a distância às zonas de passagem fazem parte desta proteção. Também as superfícies muito frias (linhas de baixa temperatura) queimam por contacto.
A temperatura superficial admissível depende do material do acabamento e do tempo de contacto previsível, e fixa-se no projeto; confirma-se na redação em vigor da norma de superfícies quentes aplicável. A regra de oficina é: tubagem quente acessível leva isolamento e acabamento, e o que não se isola sinaliza-se e afasta-se das zonas de passagem.
2.4 Critério 4 · Condições de funcionamento do fluido
Evitar que a água gelada aqueça no percurso, que o gás de aspiração chegue ao compressor mais quente do que o previsto, que a água quente chegue fria ao radiador. O isolamento serve a estabilidade do processo.
2.5 Fatores que fazem subir a espessura
| Fator | Efeito |
|---|---|
| Temperatura do fluido mais baixa | mais espessura |
| Humidade do ambiente mais alta | mais espessura (critério de condensação) |
| Diâmetro do tubo maior | mais espessura para o mesmo efeito |
| Ar em movimento sobre o isolamento | superfície mais fria, mais condensação |
| Material com λ mais alto | mais espessura |
| Tubagem em exterior ou em zona quente | mais espessura e proteção mecânica |
Exemplo resolvido · qual critério manda
Uma tubagem de água a 7 °C passa por um teto falso a 28 °C e 70 % de humidade, e por um corredor com pessoas por baixo. Qual é o critério que manda?
- Temperatura de orvalho: 22 °C.
- A água a 7 °C está muito abaixo de 22 °C: a superfície do tubo nu forma condensado de certeza.
- Critério 1 (condensação) é o que manda: a espessura tem de ser tal que a superfície exterior fique acima de 22 °C, com folga.
- O critério 2 (energia) dará, em regra, uma espessura inferior ou semelhante: verifica-se depois.
3. O isolamento térmico dos edifícios: abordagem genérica
O técnico de refrigeração e climatização trabalha dentro de edifícios, e o edifício faz parte do problema. Um sistema de climatização ligado a um edifício mal isolado trabalha mais horas, a maior potência, e nunca chega bem à temperatura pedida.
3.1 A envolvente
A envolvente de um edifício é o conjunto de elementos que separa o interior do exterior: paredes, cobertura, pavimentos sobre o exterior, envidraçados e portas. Cada elemento tem o seu U. Quanto menor o U, menor a energia necessária para manter a temperatura interior.
| Elemento | Onde se perde ou ganha calor | Solução corrente |
|---|---|---|
| Paredes exteriores | condução pela parede | isolamento pelo exterior (sistema ETICS) ou na caixa-de-ar |
| Cobertura | radiação solar e condução | isolamento sob a telha ou sobre a laje |
| Envidraçados | condução, radiação solar, infiltração | vidro duplo, caixilharia com corte térmico, proteções solares |
| Pavimentos | contacto com o solo ou com o exterior | isolamento sob a betonilha |
| Pontes térmicas | cantos, vigas, caixas de estore, ligações | corrigir a continuidade do isolamento |
3.2 Pontes térmicas
Uma ponte térmica é uma zona onde o calor passa mais depressa do que no resto da envolvente, porque o isolamento é interrompido ou mais fino. Em AVAC&R encontramos o mesmo conceito em miniatura: o suporte metálico que encosta ao tubo frio, sem calço isolante, é uma ponte térmica que condensa e escorre.
3.3 Ligação à climatização
- Um edifício bem isolado e estanque precisa de menos potência instalada. Dimensionar a climatização sem ter em conta o isolamento leva ao sobredimensionamento.
- A ventilação passa a ser o principal canal de entrada de ar novo e de perda de energia: a ventilação com recuperação de calor deve ser isolada nas condutas que atravessam espaços não climatizados.
- Em edifícios de comércio e serviços, a regulamentação do desempenho energético fixa requisitos para a envolvente e para os sistemas técnicos, e os sistemas de climatização têm requisitos próprios, incluindo as redes de distribuição. A oficina confirma esses requisitos na redação em vigor do regime aplicável e dos documentos técnicos de apoio.
3.4 O que o técnico de AVAC&R tem de levar daqui
- Se o edifício muda (nova caixilharia, isolamento reforçado), as cargas mudam e a climatização pode ficar sobredimensionada.
- Um sistema de distribuição bem isolado é o prolongamento do isolamento do edifício: tubos e condutas fora da zona climatizada contam como perdas diretas.
- Todas as passagens de tubos e condutas pela envolvente (paredes, lajes, coberturas) são pontes térmicas e pontos de infiltração: selam-se e isolam-se na continuidade.
4. Materiais isolantes para AVAC e refrigeração: tipos
Em AVAC&R usam-se quatro grandes famílias, mais algumas de uso mais especializado. Cada uma tem a sua norma de produto europeia, em geral harmonizada para marcação CE. Por exemplo, os produtos de espuma elastomérica flexível (FEF) para equipamentos de edifícios e instalações industriais seguem a norma EN 14304, aplicável numa gama de temperatura de funcionamento que vai, aproximadamente, de -200 °C a +175 °C (abaixo de -50 °C a norma prevê a verificação da adequação do produto à aplicação).
4.1 Espuma elastomérica flexível (elastómero expandido)
Material de célula fechada, flexível, em tubo pré-formado, manta ou rolo (muitas vezes com autocolante). É o isolamento de eleição para tubagem frigorífica e água gelada, porque tem uma resistência à difusão do vapor de água muito elevada e dispensa, na maior parte das aplicações correntes, uma barreira de vapor adicional. Corta-se com faca bem afiada e cola-se com cola de contacto própria.
4.2 Polietileno expandido
Espuma de célula fechada, mais rígida e mais barata que o elastómero. Aplica-se sobretudo em tubagem de água quente sanitária e aquecimento e, com boa resistência à humidade, em alguns casos de água fria. Tem limites de temperatura de serviço mais baixos do que o elastómero e em muitos produtos uma classe de reação ao fogo menos favorável: confirma sempre a ficha técnica antes de o usar em linhas de descarga ou em locais com exigência de comportamento ao fogo.
4.3 Lã mineral (lã de rocha e lã de vidro)
Material fibroso, de célula aberta. Usa-se em condutas de ar (mantas e painéis com folha de alumínio que faz de barreira de vapor), em coquilhas para tubagem quente de maior temperatura e em zonas com exigências de resistência ao fogo. Sem a barreira de vapor bem fechada, a lã mineral absorve a humidade e deixa de isolar. Por isso não é, em regra, a primeira escolha para linhas frias sem uma camada de barreira bem executada.
4.4 Poliuretano e poliisocianurato (PUR e PIR)
Espuma rígida de célula fechada, com das mais baixas condutibilidades térmicas dos isolantes correntes. Em AVAC&R encontra-se em:
- painéis sanduíche de câmaras frigoríficas (espuma entre duas chapas metálicas);
- condutas pré-isoladas (painel de PUR ou PIR com revestimento de alumínio dos dois lados);
- coquilhas rígidas de tubagem de maior diâmetro e em espuma projetada ou injetada.
4.5 Outros materiais
| Material | Onde aparece | Nota |
|---|---|---|
| Poliestireno extrudido (XPS) | pavimentos de câmaras frias, sobre o solo | boa resistência à compressão e à humidade |
| Poliestireno expandido (EPS) | painéis e enchimentos | célula fechada, mais barato |
| Vidro celular | tubagem de temperaturas extremas, apoios de tubos | incombustível, estanque ao vapor, caro |
| Aerogel (manta) | zonas com pouco espaço | muito baixa condutibilidade, caro |
4.6 Quadro comparativo
| Material | Estrutura | λ (ordem de grandeza) | Resistência ao vapor | Uso típico em AVAC&R |
|---|---|---|---|---|
| Elastómero expandido | célula fechada | cerca de 0,035 a 0,040 W/(m·K) | muito alta | aspiração, água gelada, condensação |
| Polietileno expandido | célula fechada | cerca de 0,035 a 0,040 W/(m·K) | alta | água quente, aquecimento |
| Lã mineral | fibrosa | cerca de 0,035 a 0,045 W/(m·K) | baixa (precisa de barreira) | condutas, tubagem quente |
| PUR / PIR | célula fechada rígida | cerca de 0,022 a 0,028 W/(m·K) | alta | painéis de câmaras, condutas pré-isoladas |
Os valores são ordens de grandeza para cálculo de aula. O valor de projeto lê-se na ficha técnica do produto, à temperatura média de utilização.
5. Características dos materiais e critérios de escolha
5.1 O que se lê numa ficha técnica
| Característica | Símbolo / unidade | Para que serve |
|---|---|---|
| Condutibilidade térmica | λ, W/(m·K) | calcular a espessura e as perdas |
| Fator de resistência à difusão do vapor | μ (sem unidade) | decidir se precisa de barreira de vapor |
| Temperatura máxima e mínima de serviço | °C | adequar o produto ao fluido |
| Reação ao fogo | Euroclasse (A1 a F) | cumprir a exigência do local |
| Absorção de água | % em volume | durabilidade em ambiente húmido |
| Resistência à compressão | kPa | apoios, pavimentos, suportes |
| Estabilidade a UV e ao ozono | descrição | aplicação no exterior |
A reação ao fogo dos produtos de construção classifica-se segundo a norma EN 13501-1 em Euroclasses, de A1 (incombustível) a F (sem desempenho determinado). Qual é a classe exigida num dado edifício é matéria regulada de segurança contra incêndio: consulta-se a regulamentação em vigor e o projeto. No isolamento de tubagem circular de pequeno diâmetro (esta classificação aplica-se aos produtos de isolamento lineares para tubagem, até ao diâmetro exterior definido na norma, da ordem dos 300 mm), a classe indica-se com o índice L (A1L, A2L, BL, CL, DL, EL, FL), por exemplo BL-s1,d0; é essa a classe que se procura na ficha técnica de um isolamento de tubagem frigorífica.
5.2 A resistência à difusão do vapor (μ)
O fator μ diz quantas vezes o material resiste mais à passagem do vapor de água do que o ar parado. Quanto maior, melhor como barreira. A espessura equivalente de ar é Sd = μ × e (em metros). Um material com μ de milhares e 13 mm de espessura tem um Sd de dezenas de metros ou mais: é praticamente uma barreira de vapor por si só. Já a lã mineral tem μ próximo de 1: o vapor passa por ela como pelo ar.
5.3 Como escolher
- Linha fria com risco de condensação → material de célula fechada com μ alto (elastómero ou equivalente), ou lã mineral com barreira de vapor contínua.
- Linha quente de baixa temperatura (água de aquecimento) → polietileno, elastómero ou lã mineral conforme a temperatura e o fogo.
- Linha de descarga ou temperaturas elevadas → ver temperatura máxima de serviço na ficha; lã mineral ou produto específico.
- Condutas de ar → lã mineral com folha, elastómero em manta, ou conduta pré-isolada.
- Câmaras frigoríficas → painéis PUR/PIR, com juntas estanques e barreira de vapor.
- Exterior → proteção mecânica e contra UV obrigatória.
Exemplo resolvido · escolher o material
Uma linha de aspiração Ø 22 mm percorre um teto falso húmido e uma passagem com risco de pancadas. Que material e que cuidados?
- Linha fria com condensação provável → elastómero de célula fechada com μ alto, em tubo pré-formado ou manta.
- Teto falso húmido → atenção a todas as juntas, coladas e seladas.
- Risco de pancadas → proteção mecânica (calha ou chapa) no troço exposto.
- Suportes → abraçadeiras com calço isolante, que não esmaguem o isolamento.
6. A barreira de vapor: o que é e por que lado se põe
O ar quente e húmido contém vapor de água. Por diferença de pressão de vapor, esse vapor migra do lado quente (alta pressão de vapor) para o lado frio (baixa pressão). Se encontra uma superfície abaixo da temperatura de orvalho, condensa. Dentro do isolamento, essa água não se vê, mas o material molha-se, perde propriedades e pode corroer o tubo por baixo.
6.1 A regra
A barreira de vapor põe-se sempre do lado quente do isolamento.
Nas linhas frias, o lado quente é o exterior, o lado do ar ambiente. A barreira está na superfície exterior (ou o próprio material de célula fechada serve de barreira) e tem de estar contínua e estanque. Se o vapor entrar por uma abertura, fica preso contra o tubo frio e acumula-se.
Nas linhas quentes dentro de um edifício, o vapor tende a sair do isolamento para fora, e a barreira não é crítica; a proteção mecânica e a estanquidade ao vapor interessam menos. O mesmo princípio vale nas câmaras de congelados: o vapor vem do exterior, quente, para o interior, frio, e a barreira fica do lado exterior.
6.2 Como a barreira falha
| Falha | Consequência |
|---|---|
| Junta não colada ou mal fechada | o vapor entra e condensa no tubo, corrosão e água a escorrer |
| Fita rasgada ou descolada | entrada de vapor pelo rasgo |
| Abraçadeira metálica a apertar o isolamento | esmaga e fura a barreira, forma ponte térmica e condensa em volta |
| Parafuso ou prego que atravessa o isolamento | ponto de entrada de vapor |
| Remate aberto nas extremidades | o isolamento "bebe" a água por capilaridade ao longo do tubo |
| Isolamento molhado reaplicado | a água fica fechada lá dentro |
6.3 Como se garante a barreira
- Isolamento de célula fechada com μ alto, em tubo sem juntas longitudinais abertas.
- Todas as juntas coladas com cola recomendada e, nos pontos críticos, seladas com fita autocolante do fabricante.
- Remate de extremidades e de passagens com vedante e fita.
- Suportes por calço isolante que ligue o tubo à abraçadeira sem esmagar o isolamento.
- Nada de furar: se tiver de se fixar, fixa-se por fora, por cima da barreira, com selagem.
Exemplo resolvido · do lado de que se põe a barreira
Uma conduta de ar frio a 14 °C passa num pátio coberto a 30 °C e 75 %. O isolamento é lã mineral de 30 mm com folha de alumínio numa só face. Em que face fica a folha?
- O lado quente é o exterior da conduta: o ar a 30 °C.
- A folha de alumínio é a barreira de vapor e fica do lado exterior, à vista.
- As juntas entre mantas selam-se com fita de alumínio.
- Se a folha ficasse do lado da chapa, o vapor entraria pela face aberta, condensaria na chapa fria e a lã ficaria encharcada.
7. Espessura mínima para evitar condensação
Este é o cálculo mais importante do isolamento frio. Pretende-se saber a espessura a partir da qual a temperatura da superfície exterior do isolamento fica acima da temperatura de orvalho.
7.1 Raciocínio
O fluxo de calor que entra do ar até ao tubo atravessa duas resistências em série: a do ar à superfície (resistência superficial) e a do isolamento. A queda de temperatura repartida por cada resistência é proporcional ao seu valor. A superfície exterior fica a:
T_superfície = T_ar - q × R_superficial
em que q é o fluxo de calor. Para uma superfície plana (condutas, painéis), podes usar diretamente:
T_superfície = T_ar - (T_ar - T_fluido) × (1/h) / R_total
com R_total = 1/h_interior + e/λ + 1/h, onde 1/h_interior pode desprezar-se quando o fluido é um líquido e a parede metálica é fina.
7.2 Para tubos
Num tubo, a área de troca cresce com o raio. Com r₁ o raio do tubo, r₂ = r₁ + e o raio exterior do isolamento, por metro de tubo:
- Resistência do isolamento: R_iso = ln(r₂ / r₁) / (2π λ), em m·K/W.
- Resistência superficial: R_s = 1 / (h × 2π r₂).
- Fluxo por metro: q = (T_ar - T_fluido) / (R_iso + R_s).
- Temperatura da superfície: T_s = T_ar - q × R_s.
Exemplo resolvido · tubo de água gelada Ø 22
Tubo de cobre Ø 22 mm (r₁ = 11 mm), água a 7 °C, ar a 28 °C e 70 %, isolamento com λ = 0,036 W/(m·K) (valor de exercício), h = 8 W/(m²·K). Que espessura evita a condensação?
- Temperatura de orvalho: 22,0 °C. É preciso T_s acima deste valor.
- Calcula-se T_s para várias espessuras (cálculo em tabela):
| Espessura | q (W/m) | Temperatura da superfície | Conclusão |
|---|---|---|---|
| 6 mm | 6,8 | 20,1 °C | condensa |
| 9 mm | 5,8 | 22,3 °C | quase no limite, sem folga |
| 13 mm | 4,9 | 23,9 °C | folga de 1,9 K, abaixo dos 2 K exigidos; falha se a humidade subir para 80 % |
| 19 mm | 4,1 | 25,3 °C | folga de 3,3 K, confortável |
| 25 mm | 3,6 | 26,0 °C | folga larga |
- Mínimo teórico: cerca de 9 mm. Com 13 mm a folga é de 1,9 K (23,9 - 22,0), abaixo da margem de 2 K que esta unidade exige; com 19 mm é de 3,3 K (25,3 - 22,0). Nestas condições (Ø 22, água a 7 °C, ar a 28 °C e 70 %), para uma margem de 2 K ou mais usam-se 19 mm, e o escalão seguinte se o local for muito húmido ou a humidade puder passar de 70 %. Noutras condições o mínimo é outro: o que não muda é a folga de 2 K.
- Conferir com o ar a 28 °C e 80 %: temperatura de orvalho 24,2 °C. Com 13 mm, T_s = 23,9 °C: condensa. Com 19 mm, T_s = 25,3 °C: não condensa (folga de cerca de 1 K, curta para um local tão húmido).
Conclusão: a espessura certa depende da humidade do local, não só da temperatura.
Exemplo resolvido · conduta plana
Conduta metálica com ar a 14 °C, ar ambiente a 30 °C e 75 % (orvalho 25,1 °C), manta de lã mineral com λ = 0,040 W/(m·K) (valor de exercício). Resistência interior 1/25 = 0,04 m²·K/W e exterior 1/8 = 0,125 m²·K/W. Que espessura mínima?
- Queda de temperatura admissível no ar à superfície: 30 - 25,1 = 4,9 K (no máximo).
- Queda total: 30 - 14 = 16 K.
- Condição: 16 × 0,125 / R_total ≤ 4,9, logo R_total ≥ 2,0 / 4,9 = 0,408 m²·K/W.
- R do isolamento = 0,408 - 0,04 - 0,125 = 0,243 m²·K/W.
- Espessura: 0,243 × 0,040 = 0,0097 m, ou seja, cerca de 10 mm, no limite.
- Com margem prática, usam-se 25 mm (R = 0,625): T_s = 30 - 16 × 0,125 / 0,79 = 27,5 °C, folga de 2,4 K sobre o orvalho.
8. Cálculo de perdas térmicas
8.1 Tubagem
Usa-se a mesma fórmula do capítulo anterior. Por metro de tubo:
q = |T_fluido - T_ar| / (R_iso + R_s)
Para tubo sem isolamento, R_iso = 0 e R_s = 1 / (h × 2π r₁).
Exemplo resolvido · água quente de aquecimento
Tubo Ø 22 mm, água a 60 °C, ar a 15 °C, λ = 0,040, h = 8. Calcula as perdas sem isolamento e com 20 mm.
- Sem isolamento: q = 45 / (1/(8 × 2π × 0,011)) = 45 × 0,5529 = 24,9 W/m.
- Com 20 mm: r₂ = 31 mm; R_iso = ln(31/11)/(2π × 0,040) = 1,036/0,2513 = 4,12; R_s = 1/(8 × 2π × 0,031) = 0,642; q = 45/4,76 = 9,4 W/m.
- Poupança: 15,5 W/m, ou 62 % de redução.
- Em 40 m de rede: 620 W que deixam de ser perdidos.
8.2 Conduta
Em conduta, calcula-se por área. Q = U × A × ΔT.
Exemplo resolvido · conduta de 10 m
Conduta 600 × 400 mm, 10 m, ar a 14 °C, ambiente a 30 °C, isolamento de 25 mm com λ = 0,040. Perdas com e sem isolamento.
- Perímetro: 2 × (0,6 + 0,4) = 2,0 m; área = 2,0 × 10 = 20 m².
- Com isolamento: R = 0,04 + 0,625 + 0,125 = 0,79; U = 1,266 W/(m²·K); Q = 1,266 × 20 × 16 = 405 W.
- Sem isolamento: R = 0,04 + 0,125 = 0,165; U = 6,06; Q = 6,06 × 20 × 16 = 1 939 W.
- Ganho de calor evitado: cerca de 1,5 kW de capacidade frigorífica que não se perde.
- Sem isolamento, a chapa estaria a cerca de 17,9 °C (30 - 16 × 0,125 / 0,165) e condensaria sempre em verão húmido, porque o orvalho é de 25,1 °C.
8.3 Parede de câmara frigorífica
Para painéis sanduíche de PUR/PIR com λ de ordem de grandeza de 0,022 W/(m·K):
Exemplo resolvido · painel de câmara a -20 °C
Parede exterior a 30 °C, câmara a -20 °C (ΔT = 50 K), R_se = 0,04 e R_si = 0,13 m²·K/W. Compara painéis de 80, 100 e 120 mm.
| Espessura | R total | U | Fluxo por m² |
|---|---|---|---|
| 80 mm | 3,81 | 0,263 | 13,1 W/m² |
| 100 mm | 4,72 | 0,212 | 10,6 W/m² |
| 120 mm | 5,63 | 0,178 | 8,9 W/m² |
Passar de 80 a 120 mm reduz o fluxo em cerca de um terço. O custo de energia do período de vida da câmara decide se compensa.
9. Ferramentas, materiais auxiliares e segurança na oficina
9.1 O que se leva para a bancada
| Item | Para que serve |
|---|---|
| Faca de lâmina fina bem afiada ou cortador de isolamento | cortar elastómero com corte limpo e perpendicular |
| Tesoura de chapa | cortar chapa de acabamento |
| Fita métrica e esquadro | medir e traçar o corte |
| Cola de contacto própria do fabricante | colar juntas e topos |
| Pincel ou espátula de cola | aplicar a cola em camada fina e uniforme |
| Fita autocolante do fabricante | selar juntas e remates |
| Abraçadeiras com calço isolante | suportar a tubagem sem esmagar o isolamento |
| Mandril ou varão cónico | alargar o tubo para o enfiar |
| Gabarito de mitras | cortar curvas a 45° |
| Fita de alumínio | selar mantas de lã com folha |
| Rebitadora, parafusos autorroscantes | fixar a chapa de proteção por fora |
| Luvas, óculos, máscara | proteção individual |
9.2 Segurança integrada
- Cola de contacto: contém solventes, é inflamável e liberta vapores. Aplica-se com ventilação, sem chama nem fontes de ignição por perto, com a embalagem tapada quando não se usa. Lê a ficha de segurança.
- Corte: faca sempre a cortar para longe do corpo, apoio estável, luvas resistentes ao corte quando possível. Nunca cortar com o isolamento em cima do tubo que se vai usar, nem apoiar-se na mão livre.
- Fibras minerais: a lã mineral irrita pele, olhos e vias respiratórias. Usa luvas, óculos, máscara de proteção respiratória adequada e roupa de manga comprida. Lava as mãos e não esfregues os olhos.
- Trabalho em altura: escadas e plataformas estáveis; nunca isolar apoiado em tubos ou condutas.
- Superfícies quentes: isolar tubagem quente apenas depois de arrefecer, ou com cuidado e EPI térmico.
- Equipamento em funcionamento: o isolamento só se fecha (cola-se e sela-se) depois dos ensaios de estanquidade e de pressão da tubagem, com o circuito consignado, e nunca antes; até ao ensaio, os tramos podem estar enfiados, mas recuados, sem cobrir nenhuma junta por ensaiar. Um isolamento fechado antes do ensaio esconde fugas.
- Resíduos: aparas de elastómero e fibras seguem o circuito de resíduos da oficina, não o lixo comum nem a rua.
10. Aplicação de isolamento em tubagem frigorífica, passo a passo
Este é o procedimento central da unidade. A ordem importa.
10.1 A ordem das operações
Numa tubagem nova, a ordem é esta, e não se troca:
- Limpar a superfície: tubo seco, sem óleo, sem fluxo de soldadura, sem pó e sem gotas de água. Limpar com pano seco e, se preciso, produto de limpeza adequado.
- Escolher o diâmetro certo do isolamento: o diâmetro interior do isolamento é o diâmetro exterior do tubo. Um tubo de 22 mm leva isolamento "para 22 mm". Isolamento demasiado largo deixa folga, demasiado apertado esmaga e rasga. Planear também as juntas: as juntas de topo ficam o mais longe possível de curvas e acessórios.
- Enfiar o isolamento recuado: antes de soldar a última junta, enfiam-se os tramos no tubo e deixam-se recuados, longe da zona a soldar. Depois de a última junta estar soldada, só se consegue abrir o isolamento ao comprido.
- Soldar a última junta e deixar arrefecer.
- Ensaiar a estanquidade e a pressão e registar o ensaio. Só aqui se sabe que todas as juntas, incluindo a última, estão boas. Enquanto o ensaio não estiver registado, o isolamento não se cola nem se sela.
- Com o ensaio registado, limpar e secar a zona das juntas soldadas, puxar os tramos para a posição, colar, selar e montar os suportes.
- Voltar a verificar com a linha fria, no arranque.
Se a tubagem já está montada e ensaiada (reparação, reposição), parte-se do passo 6, abrindo o isolamento ao comprido.
10.2 Aplicação em troço reto
- Medir o troço e cortar o isolamento ligeiramente maior, segundo as instruções do fabricante, para que os topos fiquem em contacto sem esticar o material.
- Se o tubo é aberto ao comprido: abrir, enfiar o tubo, colar as duas bordas da abertura com cola de contacto fina e uniforme e deixar o tempo de secagem indicado pelo fabricante (a cola não deve "pegar" ao dedo).
- Unir as bordas sem esticar o material e apertar ao longo do comprimento.
- Topos: cortar a direito (usar esquadro), colar topo com topo depois de aplicar cola nas duas faces.
- Cobrir a junta de topo com fita autocolante do fabricante, ao longo de toda a volta.
10.3 Curvas
Duas técnicas:
- Curva em tubo de isolamento: para curvas de raio grande, curva-se o próprio isolamento sem o dobrar demasiado; para curvas apertadas, cortam-se mitras a 45° no isolamento e coloca-se a união colada.
- Mitras: corta-se o isolamento com gabarito em duas peças (cada uma com corte a 45°), coladas ao tubo curvado. Todas as faces de corte levam cola. Verifica-se que não há folga.
Erro comum: dobrar o isolamento sem corte numa curva apertada. O isolamento vinca, a parede fica fina no extradorso e condensa ali.
10.4 Uniões em T
- Isolar primeiro o tubo principal, deixando o ponto de ramal exposto.
- Cortar uma "boca de peixe" no isolamento do ramal, copiando a curva do tubo principal.
- Colar o ramal ao principal com cola nos topos, e vedar a volta com fita.
- Verificar que não há luz entre os dois tubos de isolamento.
10.5 Válvulas e acessórios
- Válvula de serviço, de corte, filtro secador, visor de líquido, válvula de expansão: isolam-se com manta cortada à medida ou com peças pré-formadas.
- Deixar acessível o que se manobra: volantes, tampas de serviço e tomadas de pressão ficam sem isolamento permanente, mas com uma tampa isolante amovível ou com um recorte bem acabado.
- Bolbo da válvula de expansão termostática: fixa-se bem encostado ao tubo de aspiração, à saída do evaporador, e isola-se em conjunto com o tubo, por cima, para que meça a temperatura do tubo e não a do ar da sala. Um bolbo mal isolado lê a temperatura errada e a válvula regula mal o sobreaquecimento.
- Rematar todas as passagens com fita ou vedante.
10.6 Suportes e abraçadeiras
- Usar abraçadeiras largas, com calço de material rígido isolante (inserto) entre o tubo e a abraçadeira.
- O isolamento passa por dentro da abraçadeira, não por fora; o calço evita que a abraçadeira esmague o isolamento e fure a barreira.
- Nunca apertar uma abraçadeira de aço diretamente sobre o isolamento mole.
- Em linhas verticais, abraçadeira de apoio com colar na mesma lógica.
10.7 Atravessamentos
Em paredes e lajes, o isolamento passa pela abertura sem interrupção, com manga e vedante em volta. Em atravessamentos corta-fogo, segue-se a solução certificada do projeto.
Exemplo resolvido · isolar uma linha de aspiração com uma curva e um T
Linha de aspiração Ø 22 mm, três troços retos e uma curva a 90°, com um ramal em T para um segundo evaporador. Sequência de trabalho.
- Limpar o tubo e secar.
- Enfiar os tramos de isolamento "22" no tubo, recuados, longe da última junta a soldar.
- Soldar a última junta e esperar que arrefeça.
- Ensaiar a estanquidade da linha e registar o ensaio.
- Com o ensaio registado, limpar e secar a zona das juntas soldadas e puxar os tramos para a posição.
- Curva: aplicar mitra a 45° em duas peças ou curvar suavemente; colar as faces de corte.
- T: isolar o principal, cortar boca de peixe no ramal, colar.
- Selar todas as juntas de topo com fita.
- Colocar abraçadeiras com calço, sem apertar sobre o isolamento mole.
- Conferir visualmente: sem fendas, sem luz, sem vincos.
- No arranque, depois de a linha estar fria, voltar a verificar as juntas: uma junta mal colada abre com o frio.
11. Isolamento de paredes de sistemas frigoríficos: câmaras
Uma câmara frigorífica é uma caixa isolada. As paredes, o teto e o pavimento são o isolamento, e tudo o que atravessa essa caixa é um ponto fraco.
11.1 Painéis sanduíche
Painéis de PUR ou PIR entre duas chapas metálicas, com encaixe macho-fêmea e fecho por excêntricos ou por vedante e fita. As espessuras correntes dependem da temperatura de serviço: câmaras de congelados levam painéis mais espessos do que câmaras de conservação a temperatura positiva. A espessura final define-se em projeto.
11.2 Juntas
- Entre painéis: vedante (silicone, poliuretano) nas juntas, sem folgas.
- Na ligação ao pavimento e ao teto: perfis em U com vedante.
- Cantos interiores e exteriores: perfis de remate com vedante.
- Barreira de vapor do lado quente: o interior da câmara é frio, o vapor entra do exterior. Os painéis metálicos são barreiras de vapor se as juntas estiverem seladas.
11.3 Pavimento
Em câmaras de congelados, o solo pode gelar e levantar o pavimento (empolamento). Por isso o pavimento leva isolamento de grande espessura com boa resistência à compressão (XPS ou equivalente) e, em muitos casos, aquecimento do pavimento ou ventilação sob o pavimento, conforme o projeto.
11.4 Portas e atravessamentos
- Portas com vedante contínuo, resistência de aquecimento do aro em câmaras de congelados, cortina de lamelas.
- Atravessamentos de tubos e cabos: com manga, vedante de poliuretano e remate com fita. Cada atravessamento mal vedado é uma ponte térmica e um ponto de entrada de humidade.
- Respiradores de pressão em câmaras de baixa temperatura, para equalizar a pressão quando se abre a porta.
11.5 Erros típicos em câmaras
- Furos de passagem de tubos sem vedante.
- Painéis com juntas abertas por mau alinhamento.
- Evaporador fixado ao teto com buchas que atravessam o painel sem selagem.
- Pavimento sem isolamento adequado em câmara de congelados.
- Gelo à volta da porta: sinal de vedante gasto ou mal ajustado.
12. Linhas de aspiração, de líquido e de descarga: o que se isola e o que não
Na refrigeração, cada linha tem uma lógica própria. Misturá-las é o erro de oficina que mais se vê a olho.
| Linha | Temperatura típica | Isolar? | Porquê |
|---|---|---|---|
| Aspiração (gás frio, baixa pressão) | abaixo do ambiente | Sim, sempre, em toda a extensão | evita ganho de calor, evita condensação, protege o compressor de gás demasiado quente |
| Líquido (alta pressão, quente) | acima ou perto do ambiente | Em regra não em circuitos com expansão junto ao evaporador; sim em splits e bombas de calor (ver 12.1) | nos circuitos com expansão junto ao evaporador, o líquido quente deve poder ceder calor ao ambiente (sub-arrefecimento); isolar não ajuda |
| Descarga (gás quente) | muito acima do ambiente | Só em zonas acessíveis ou por proteção de pessoas | evita queimaduras e reduz a perda de calor em recuperações |
12.1 Casos em que a linha de líquido também se isola
- Quando atravessa uma zona mais quente do que o ambiente de condensação (casa de máquinas quente, zona de forno), para não ganhar calor e formar vapor (flash gas) antes da válvula de expansão.
- Quando a linha faz um trajeto longo por zonas mais quentes do que o líquido, mesmo com uma diferença pequena de temperatura, porque o ganho de calor se acumula ao longo do percurso e o líquido pode chegar ao órgão de expansão já com vapor (flash gas).
- Quando o projeto prevê permutador de líquido-aspiração: neste caso as duas linhas encostam de propósito e isolam-se em conjunto.
- Em splits e bombas de calor em que o órgão de expansão está na unidade exterior, ou em sistemas reversíveis: o tubo fino leva fluido frio (ou as funções trocam com o modo) e isolam-se as duas linhas, separadamente, conforme o manual do fabricante.
12.2 O erro de oficina
Ver a aspiração nua e o líquido isolado é o erro clássico: o técnico isolou o tubo mais pequeno (mais fácil de pegar) e deixou o grande a suar. Consequências da aspiração sem isolamento:
- gotas de água nos tetos, no equipamento e no chão;
- gás de aspiração a chegar mais quente ao compressor, o que aumenta a temperatura de descarga;
- menor rendimento do circuito e desperdício de energia;
- corrosão exterior e, no limite, gelo nas condutas de baixa temperatura.
12.3 Diagnóstico visual
Chegas a uma instalação e vês o tubo grande molhado e frio, com gotas a cair. Antes de qualquer medição: o tubo é de aspiração? Está isolado? Há juntas abertas? A observação diz-te meio diagnóstico.
Exemplo resolvido · a linha que sua
Um cliente queixa-se de pingos num teto falso, sob uma linha que liga a unidade exterior ao evaporador. O tubo grosso está isolado, mas há uma junta aberta ao longo de 30 cm. O tubo fino (líquido) está nu.
- Tubo grosso = aspiração, isolado: certo.
- Junta aberta de 30 cm: o ar húmido chega ao tubo frio e condensa. Local do pingo.
- Tubo fino nu: num split, a expansão costuma estar na unidade exterior e o tubo fino leva fluido frio em arrefecimento; o fabricante manda isolar os dois tubos, cada um com o seu isolamento. Tubo fino nu num split é defeito: isola-se também.
- Ação: cortar a zona danificada, secar o tubo e substituir o troço com junta nova colada e selada com fita, e isolar o tubo fino em toda a extensão.
- Verificar se o isolamento por baixo está molhado: se sim, substituir mais do que a zona aberta.
13. Manutenção dos isolamentos em refrigeração
O isolamento degrada-se. A inspeção visual regular é a manutenção mais barata e mais rentável que existe.
13.1 O que se inspeciona
| Sinal | O que pode significar | Ação |
|---|---|---|
| Água ou gotas à superfície | junta aberta, barreira rompida | localizar a abertura, secar, refazer |
| Gelo na linha de aspiração | falta de isolamento ou fuga de calor | avaliar a causa, refazer |
| Isolamento duro, quebradiço ou com fissuras | envelhecimento, UV, temperatura | substituir o troço |
| Isolamento mole e pesado (encharcado) | humidade absorvida | substituir; não secar para reaproveitar |
| Isolamento esmagado nas abraçadeiras | suporte inadequado | refazer com calço |
| Manchas de ferrugem no tubo ou nas abraçadeiras | corrosão por humidade retida | tratar o tubo antes de reisolar |
| Roedores ou aves a roer | danos mecânicos | proteção e reparação |
| Acabamento exterior amolgado | proteção mecânica falhada | reparar |
| Painéis de câmara com juntas abertas | entrada de humidade e perda de capacidade | revedar |
| Gelo à volta da porta da câmara | vedante gasto | substituir o vedante |
13.2 Como inspecionar
- Com o sistema em funcionamento, percorrer a instalação com lanterna. É em funcionamento que as juntas abertas suam.
- Passar a mão enluvada nos pontos suspeitos para sentir humidade, dureza ou deformação.
- Verificar suportes e abraçadeiras, passagens por paredes e acessórios (válvulas, filtros, visores).
- Registar o que se encontra (local, tipo de dano, fotografia) para planear a intervenção.
- Em câmaras: inspecionar juntas dos painéis, vedantes da porta e atravessamentos.
13.3 Quando se substitui
Substitui-se o isolamento quando: está molhado; tem fissuras ou perda de espessura; está esmagado em mais de uma pequena zona; perdeu a adesão nas juntas; está deteriorado por UV ou químicos; ou foi removido numa intervenção e não pode reaplicar-se. Não se reaproveita isolamento molhado: seca por fora, mas a água fica dentro e o material já perdeu propriedades.
13.4 Procedimento de substituição
- Consignar o circuito (sem trabalhos em equipamento em funcionamento). Se for necessário abrir o isolamento para trabalhar no tubo, faz-se com a instalação parada.
- Cortar o isolamento danificado até à zona sã, com corte a direito.
- Inspecionar o tubo: se houver corrosão, limpar e proteger (pintura anticorrosiva ou fita) antes de reisolar.
- Secar bem o tubo.
- Se o tubo teve de ser cortado e soldado, repetir o ensaio de estanquidade e registá-lo antes de fechar o isolamento.
- Cortar o isolamento novo com a espessura e o diâmetro iguais aos da instalação.
- Abrir ao comprido (porque o tubo está montado), enfiar, colar a abertura e os topos, selar com fita.
- Verificar o resultado, e depois do arranque a frio voltar a conferir.
- Registar a intervenção.
Exemplo resolvido · decisão de inspeção
Numa inspeção encontras (a) um troço de 40 cm com isolamento molhado e pesado; (b) uma abraçadeira a esmagar 5 mm de isolamento; (c) uma ponta de topo aberta ao longo de 10 cm.
- (a) Isolamento molhado: substituir o troço, e alargar até zona seca.
- (b) Esmagamento localizado: substituir a abraçadeira por uma com calço; avaliar o isolamento sob a abraçadeira; se a barreira está rasgada, refazer o troço.
- (c) Topo aberto: limpar, secar, colar, selar com fita.
- Prioridade: (a) primeiro, porque está a deteriorar-se e a molhar o tubo; (b) e (c) na mesma intervenção.
14. Aplicação de isolamento em AVAC: tubagem de água
Nos sistemas de AVAC com água (chiller, fan-coil, aquecimento por radiadores ou piso radiante, circuitos de água quente sanitária), a rede de tubagem tem duas faces: água gelada e água quente.
14.1 Água gelada (arrefecimento)
- Temperaturas de ida típicas de poucos graus acima de zero, com retorno um pouco mais alto.
- Critério de condensação manda. Isolamento de célula fechada com μ alto (elastómero) é a escolha corrente.
- Todas as válvulas, filtros, bombas, vasos e acessórios isolam-se, e as ligações a fan-coils também.
- Os suportes levam calço isolante; as tubagens sob o piso técnico levam proteção.
14.2 Água quente (aquecimento)
- Critério de perdas e proteção de pessoas. Polietileno, elastómero ou lã mineral conforme a temperatura de serviço.
- Redes de distribuição enterradas ou em ambiente não climatizado levam mais espessura e proteção mecânica.
- Piso radiante: isolamento sob a tubagem, para que o calor vá para cima e não para baixo.
14.3 Água quente sanitária e recirculação
O isolamento da rede de AQS e da recirculação reduz perdas e mantém a temperatura na torneira. As exigências de espessura e a prevenção do risco microbiológico (como a legionela) seguem a regulamentação em vigor: consulta-se na fonte.
14.4 Procedimento
O procedimento de colocação é o do capítulo 10: limpeza, diâmetro certo, colagem, selagem de juntas, suportes com calço. Em tubos de água gelada acrescentam-se estas particularidades:
- Tubos de ida e retorno isolam-se separadamente, nunca juntos num só isolamento.
- As bombas e válvulas de seccionamento isolam-se com caixa amovível quando é preciso aceder-lhes.
- Os purgadores e tomadas de pressão ficam acessíveis, com remate selado.
- As aberturas para sondas de temperatura são seladas.
Exemplo resolvido · escolher entre circuitos
Numa casa de máquinas há: (1) tubo de água gelada a 7 °C; (2) tubo de água quente a 60 °C; (3) tubo de retorno de piso radiante a 35 °C. Critério e material.
- (1) Água gelada: critério de condensação, elastómero com μ alto, 19 mm no mínimo no local húmido.
- (2) Água quente a 60 °C: critério de perdas e de proteção de pessoas, 20 a 30 mm em material adequado à temperatura.
- (3) Retorno a 35 °C: perdas mais baixas, espessura menor mas isolar na mesma, porque atravessa zonas não aquecidas.
15. Condutas de ar: aplicação do isolamento
15.1 Onde se isola a conduta
- Condutas de insuflação fria que passam fora da zona climatizada (tetos falsos, sótãos, exterior).
- Condutas de insuflação quente que passam em zonas não aquecidas.
- Condutas de ar novo (risco de condensação em ambientes frios ou húmidos).
- Condutas de extração que atravessam exterior.
- Câmaras de mistura e plenums.
15.2 Sistemas possíveis
| Sistema | Como é | Vantagem | Cuidado |
|---|---|---|---|
| Manta de lã mineral com folha de alumínio | colada ou fixada com pinos sobre a chapa | barata, acústica | folha contínua e juntas seladas |
| Painel de lã mineral rígida | em conduta de maior seção | planeza | selagem dos topos |
| Elastómero em manta autocolante | colado à chapa | barreira de vapor própria | cola e aperto |
| Condutas pré-isoladas PUR/PIR | painel que forma a própria conduta | rápida, boa estanquidade ao ar | corte e junção de painéis |
| Isolamento interior | forrado dentro da conduta | acústica | risco de acumulação de pó; só produto próprio |
15.3 Procedimento: manta de lã mineral com folha
- Chapa limpa e seca; a conduta já foi ensaiada à estanquidade ao ar.
- Marcar e cortar a manta ao perímetro, com a sobra que o fabricante indicar para as bordas de sobreposição da folha. A folha de alumínio fica sempre para o exterior, à vista.
- Fixar com cola e pinos soldados (ou pinos de cola), distribuídos pela face inferior e laterais. O espaçamento dos pinos é o que o fabricante indicar.
- Não comprimir a manta: o aperto reduz espessura e, por isso, o desempenho.
- Juntas de manta: unir de topo e selar com fita de alumínio por cima, centrada na junta.
- Cantos: dobrar a manta, nunca cortar completamente.
- Pinos: cortar o excesso e cobrir a cabeça com um disco ou fita.
- Flanges e suportes: isolar com tira e selar; os suportes que apoiam sob a conduta levam um calço para não comprimir a manta.
- Inspeção final: percorrer com a mão sem encontrar folgas, rasgos nem zonas deprimidas.
15.4 Conduta pré-isolada
Cortam-se os painéis, fazem-se os rasgos em V para as dobras, colam-se e selam-se as juntas com fita de alumínio própria e ensaiam-se à estanquidade. As flanges de ligação isolam-se e vedam-se. O isolamento é a própria conduta, pelo que cada junta aberta é um ponto fraco.
15.5 Condutas flexíveis isoladas
As condutas flexíveis isoladas têm manga de isolamento e barreira exterior. Não podem ficar esmagadas, dobradas ou comprimidas: a perda de espessura é perda de isolamento, e a dobra é perda de caudal.
Exemplo resolvido · selagem da folha
Uma conduta de insuflação fria, de 10 m, com 6 mantas de lã com folha. Quantas juntas e que verificação?
- 6 mantas ao longo de 10 m: 5 juntas transversais, mais as longitudinais.
- Todas as juntas levam fita de alumínio por cima, sobreposta de cada lado conforme a indicação do fabricante.
- Verificação: passar a mão ao longo de todas as juntas, procurar pontas levantadas e cantos rasgados.
- Uma só junta aberta é suficiente para a lã absorver água em verão húmido.
16. Manutenção dos isolamentos em AVAC
16.1 O que se inspeciona
| Sinal | Causa provável | Ação |
|---|---|---|
| Manchas de água no teto falso | junta aberta ou isolamento molhado numa conduta ou tubo | localizar o ponto, secar, refazer |
| Isolamento de conduta descaído | pinos soltos, cola vencida | refixar |
| Folha de alumínio rasgada | pancada, instalação posterior de outros serviços | refazer com fita |
| Isolamento comprimido nos suportes | suporte inadequado | calço |
| Condutas pré-isoladas com juntas abertas | selagem deficiente | selar |
| Isolamento de tubos de água gelada húmido ou frio ao toque inesperado | barreira rompida | substituir o troço |
| Fibras expostas ou soltas | desagregação | substituir, cuidado com fibras |
| Isolamento exterior com UV degradado | falta de proteção | proteção mecânica nova |
| Acessórios sem isolamento (válvulas, bombas) | foram abertos e não repostos | repor |
16.2 Intervenções frequentes
- Reposição depois de manutenção: depois de abrir uma válvula ou trocar um filtro, o isolamento tem de voltar a ficar como estava. É o esquecimento mais comum. A lista de verificação de saída de obra inclui "isolamento reposto".
- Remoção de isolamento antigo: quando um troço precisa de ser reparado, corta-se o isolamento com cuidado, regista-se o material e a espessura, e repõe-se igual ou melhor.
- Isolamentos antigos: edifícios mais antigos podem ter materiais cuja natureza se desconhece. Antes de mexer em isolamento antigo de composição incerta, para o trabalho e consulta o responsável: certos materiais antigos exigem procedimentos próprios de proteção e de resíduos.
16.3 Registo e plano
Um bom plano de manutenção do isolamento tem: inventário dos troços, inspeção visual periódica (no início da época de arrefecimento e antes do inverno), registo fotográfico, e substituição programada.
Exemplo resolvido · reposição depois de uma intervenção
Substituíste uma válvula de seccionamento de água gelada. Antes da intervenção, a válvula estava isolada com caixa de elastómero.
- Retira-se a caixa com cuidado, guarda-se, e verifica-se o estado.
- Depois de substituída a válvula e ensaiada a estanquidade, seca-se o corpo.
- Repõe-se a caixa; se estiver danificada, corta-se manta nova à medida.
- Cola-se e sela-se com fita.
- Confirma-se que a haste ou o volante ficam acessíveis.
- Regista-se a intervenção.
17. Acabamento e proteção mecânica no exterior
O isolamento mole não aguenta sol, chuva, pancadas nem aves. No exterior (cobertura, fachada, pátio técnico) precisa de acabamento protetor.
17.1 Opções
| Acabamento | Onde | Nota |
|---|---|---|
| Revestimento de chapa de alumínio ou inox | tubagem e condutas exteriores | juntas sobrepostas para escorrer a água |
| Revestimento de PVC | zonas interiores de passagem | proteção leve |
| Fita ou manta com proteção UV | pequenas extensões | atenção ao envelhecimento |
| Tinta própria para o elastómero | superfície exposta ao sol | protege contra UV |
| Calhas e caleiras de PVC ou metal | percursos de tubos de refrigeração em fachada | esconde e protege |
17.2 Regras de execução
- Sobreposição: as chapas sobrepõem-se no sentido de a água escorrer por cima da junta, nunca para dentro.
- Fixação: rebites ou parafusos autorroscantes, fixos na zona de sobreposição, não a atravessar a barreira em zonas expostas. Selar a cabeça do parafuso.
- Costura: orientada para baixo ou para o lado, nunca virada para cima.
- Pontos baixos: dreno ou abertura de escoamento.
- Remate com a parede: vedante flexível para que não entre água ao longo do tubo.
- Curvas e T: usam-se peças pré-formadas ou cortam-se "gomos" em chapa.
- Dilatação: nas chapas metálicas, deixam-se folgas e juntas de dilatação em troços longos.
- Não fixar a chapa ao tubo de forma rígida: a chapa assenta sobre o isolamento, sem o comprimir.
Exemplo resolvido · linha frigorífica na fachada
Uma linha de aspiração isolada percorre 6 m de fachada exposta ao sol e à chuva. Que acabamento?
- Elastómero exposto → perde propriedades com UV; precisa de proteção.
- Solução: calha de alumínio ou PVC com tampa, ou chapa em tubo, com remate nas pontas com vedante.
- Fixar a calha à parede com abraçadeiras, sem apertar o isolamento.
- A saída inferior da calha tem escoamento.
- O remate junto da unidade exterior é selado com vedante e a fita.
18. Estudo de caso: custo-benefício do isolamento
O isolamento tem um custo (material e mão de obra) e produz um benefício (energia poupada, condensação evitada, conforto, durabilidade). O estudo de custo-benefício compara os dois e calcula o tempo de retorno.
18.1 Caso: linha de aspiração de uma câmara de conservação
Tubo de aspiração Ø 22 mm (r₁ = 11 mm), 30 m, gás a -10 °C, ambiente a 25 °C e 60 % (orvalho 16,7 °C), λ = 0,036 W/(m·K), h = 8 W/(m²·K). Compara-se: sem isolamento, 13 mm, 19 mm e 25 mm.
Perdas por metro e temperatura da superfície
| Solução | q (W/m) | Para 30 m | Temperatura da superfície | Condensação a 25 °C e 60 % |
|---|---|---|---|---|
| Sem isolamento | 19,4 | 580 W | -10 °C | sim, forma gelo |
| 13 mm | 8,2 | 245 W | 18,2 °C | não condensa, mas a folga é de 1,5 K, abaixo dos 2 K desta unidade |
| 19 mm | 6,9 | 206 W | 20,5 °C | não (folga de 3,8 K) |
| 25 mm | 6,0 | 181 W | 21,7 °C | não (folga de 5,0 K) |
Impacto numa época de arrefecimento
Admite-se o equipamento a trabalhar 6 000 horas por ano e um coeficiente de desempenho (relação entre capacidade frigorífica e consumo elétrico) de ordem de grandeza 2, e um preço de eletricidade ilustrativo de 0,20 €/kWh. Estes valores são hipóteses de cálculo, não preços de mercado.
- Sem isolamento → 13 mm: perda evitada = 580 - 245 = 335 W, ou 0,335 kW. Energia térmica: 0,335 × 6 000 = 2 010 kWh. Energia elétrica: 2 010 / 2 = 1 005 kWh. Custo: 1 005 × 0,20 = cerca de 201 € por ano.
- 13 mm → 25 mm: perda evitada = 245 - 181 = 64 W. Energia térmica: 0,064 × 6 000 = 384 kWh; elétrica: 192 kWh; custo: cerca de 38 € por ano.
Custos de investimento (ilustrativos)
Admite-se um custo de instalação de 6 €/m para 13 mm e 10 €/m para 25 mm (valores de cálculo, não preços de mercado).
Com 13 mm a folga sobre o orvalho é de apenas 1,5 K, abaixo dos 2 K de margem que esta unidade exige; com 19 mm é de 3,8 K e com 25 mm de 5,0 K. Os 13 mm são, portanto, o ponto de partida da comparação de custos, e não a espessura a instalar: pela regra dos 2 K desta unidade, o mínimo neste caso é 19 mm (superfície a 20,5 °C, folga de 3,8 K, 6,9 W/m, 206 W em 30 m).
| Opção | Investimento (30 m) | Poupança face à anterior | Retorno |
|---|---|---|---|
| Sem isolamento para 13 mm | 180 € | 201 €/ano | menos de 1 ano |
| 13 mm para 25 mm | 120 € de acréscimo | 38 €/ano | cerca de 3 anos |
Leitura
- O primeiro isolamento paga-se em meses. Instalar isolamento é rentabilíssimo.
- O reforço de 13 para 25 mm demora cerca de 3 anos a pagar-se, o que, para uma instalação que dura mais de uma década, é um bom negócio.
- E há ainda benefícios que não entram na conta de energia: sem condensação não há água no teto, não há corrosão exterior, não há reclamações e não há deslocações para reparar.
18.2 Conta de uma conduta
No exemplo do capítulo 8, a conduta de 10 m sem isolamento ganhava cerca de 1 940 W; com 25 mm, 405 W. A diferença, cerca de 1,5 kW de capacidade de arrefecimento, corresponde a uma parte significativa da potência de um equipamento de pequena dimensão. Mesmo sem a conta em euros, percebe-se que o isolamento de condutas é uma medida de eficiência de primeira prioridade.
18.3 Como apresentar o estudo ao cliente
- Dados da instalação (fluido, temperatura, comprimento, diâmetro, horas).
- Soluções comparadas (material e espessura).
- Perdas em W e kWh por ano.
- Custo da energia (preço atualizado do cliente).
- Custo do investimento (orçamento real).
- Tempo de retorno simples = investimento / poupança anual.
- Benefícios adicionais: condensação evitada, conforto, durabilidade, cumprimento das exigências regulamentares.
- Conclusão.
Exemplo resolvido · retorno simples
Isolar 50 m de tubagem de água quente custa 600 €. Poupa 12 W/m durante 4 000 h por ano, a 0,08 € por kWh térmico (valores de cálculo, não preços de mercado). Quanto tempo demora a pagar-se?
- Potência poupada: 12 × 50 = 600 W = 0,6 kW.
- Energia: 0,6 × 4 000 = 2 400 kWh por ano.
- Poupança: 2 400 × 0,08 = 192 € por ano.
- Retorno: 600 / 192 = cerca de 3,1 anos.
19. Lista de verificação e erros de oficina que se veem a olho
Muitos defeitos de isolamento diagnosticam-se sem instrumentos. Quem sabe o que procurar vê-os da porta da casa de máquinas. Este capítulo reúne o que se verifica antes de dar o trabalho por terminado e o que se procura numa visita de manutenção.
19.1 Lista de verificação de fim de trabalho
| N.º | Verificação | Como se confirma |
|---|---|---|
| 1 | Ensaio de estanquidade feito e registado antes de colar e selar o isolamento | folha de registo assinada |
| 2 | Isolamento com o diâmetro e a espessura do projeto | ler a marcação do isolamento e medir a espessura com a régua |
| 3 | Todas as juntas longitudinais coladas | passar o dedo, sem aberturas nem bordas levantadas |
| 4 | Todas as juntas de topo coladas e com fita | olhar de frente, sem luz entre tramos |
| 5 | Curvas em mitra, sem vincos | olhar o extradorso |
| 6 | T, válvulas e filtros isolados | percorrer a linha |
| 7 | Bolbo da válvula de expansão fixo e isolado | abrir e verificar o contacto |
| 8 | Suportes com calço, sem esmagar | ver a espessura sob a abraçadeira |
| 9 | Atravessamentos vedados | ver o remate de vedante |
| 10 | Proteção exterior com sobreposição correta | ver o sentido de escorrência |
| 11 | Zonas de manobra acessíveis | tentar aceder aos volantes e tomadas |
| 12 | Material sobrante e embalagens recolhidos | olhar o chão |
19.2 O que se vê a olho nas visitas
- Gotas de água sob uma linha: junta aberta ou barreira furada. A água escorre pela inclinação do tubo, por gravidade, e pode pingar longe do sítio por onde entrou: procura a abertura mais acima, contra o sentido da escorrência, e não no ponto onde pinga.
- Auréola escura no teto falso: condensação repetida durante semanas.
- Isolamento de cor e textura diferente em troços vizinhos: troço substituído com outro material ou outra espessura.
- Fita descolada em "bandeira": fita de má qualidade ou aplicada em tubo sujo.
- Isolamento com uma "cintura" fina: apertado por abraçadeira.
- Curva com a parede franzida e rasgada: dobrada sem mitra.
- Tubo de líquido isolado e aspiração nua: troca de linhas.
- Extremidade do isolamento aberta junto ao equipamento: o isolamento "bebe" água pela ponta.
- Cola amarelada e vazia nas juntas: cola envelhecida ou aplicada em excesso e sem tempo de secagem.
19.3 Como se corrige cada defeito
| Defeito | Correção |
|---|---|
| Junta aberta de pequena extensão | limpar, secar, voltar a colar, selar com fita |
| Troço molhado | substituir o troço |
| Abraçadeira que esmaga | trocar por abraçadeira com calço |
| Fita descolada | remover a fita, limpar o tubo e aplicar fita nova |
| Curva vincada | substituir por mitra |
| Aspiração nua | isolar toda a extensão |
| Bolbo mal isolado | refazer a fixação e o isolamento |
Exemplo resolvido · diagnóstico a olho
Numa visita encontras: (a) pingos sob a linha grossa junto ao evaporador, numa linha que desce em direção ao evaporador; (b) a fita de topo em bandeira num ponto a 2 m do evaporador; (c) o tubo fino sem isolamento.
- A linha desce em direção ao evaporador, logo a água escorre nesse sentido e a abertura está mais acima, contra a escorrência, e não onde pinga. A fita em bandeira a 2 m do evaporador é o suspeito principal.
- Abre-se a fita: o tubo está húmido por baixo. Confirma-se.
- Secam-se o tubo e o topo, cola-se, sela-se com fita nova.
- O tubo fino sem isolamento é a linha de líquido. Se o circuito tem a expansão junto ao evaporador, em regra não se isola e não é defeito. Se for um split com expansão na unidade exterior, ou reversível, é defeito: isola-se.
- Volta-se à visita seguinte para confirmar que não há novos pingos.
20. Tabela de decisão para o dimensionamento no terreno
Quando não há tempo para a conta completa, a decisão de oficina segue uma árvore simples. Serve para uma primeira escolha; a espessura final confirma-se pelo cálculo, pela ficha técnica e pela regulamentação em vigor.
| Pergunta | Se sim | Se não |
|---|---|---|
| O fluido está abaixo da temperatura de orvalho do local? | critério de condensação, material de célula fechada com μ alto | passar à pergunta seguinte |
| O local é muito húmido (cozinha, lavandaria, piscina, zona costeira)? | subir um escalão de espessura | manter |
| O fluido está muito acima do ambiente? | critério de perdas e de proteção de pessoas | isolamento de conforto |
| O troço fica no exterior? | acrescentar proteção mecânica e contra UV | acabamento normal |
| Há risco de pancadas ou de roedores? | proteção mecânica (calha, chapa) | acabamento normal |
| Há exigência de comportamento ao fogo? | verificar a Euroclasse do produto | verificar na mesma, se houver dúvida |
Exemplo resolvido · duas linhas na mesma casa de máquinas
Linha A: água gelada a 7 °C num local a 30 °C e 75 %. Linha B: água quente a 60 °C no mesmo local.
- Linha A: orvalho 25,1 °C, fluido muito abaixo; local húmido. Critério de condensação com um escalão acima do mínimo: 19 mm ou 25 mm de elastómero, barreira contínua.
- Linha B: critério de perdas e de proteção de pessoas. 20 a 30 mm de material adequado à temperatura.
- As duas ficam afastadas uma da outra, ou isoladas em separado, para que o isolamento de uma não aqueça nem arrefeça a outra.
20.1 Como a condutibilidade varia com a temperatura
O λ de um isolante aumenta com a temperatura média. O valor que vem na ficha técnica refere-se a uma temperatura média indicada (por exemplo 0 °C ou 10 °C). Numa linha de água quente a 60 °C o λ real é um pouco superior ao de uma linha fria. Em cálculos de projeto usa-se o valor à temperatura média de serviço; nos cálculos de aula usa-se um valor único, mas a diferença existe e tem de ser lembrada.
20.2 Envelhecimento
Os isolantes de célula fechada com gases de expansão podem alterar a condutibilidade ao longo dos anos à medida que o gás sai e entra ar; os fabricantes declaram valores já envelhecidos. A lã mineral não envelhece da mesma forma, mas degrada-se se molhar. O envelhecimento é mais um motivo para inspecionar em vez de confiar.
Erros comuns
- Colar e selar o isolamento antes do ensaio de estanquidade, escondendo as fugas, ou deixar a última junta soldada depois do ensaio.
- Isolar a linha de líquido e deixar a aspiração nua, ao contrário do que a função de cada linha pede.
- Deixar juntas abertas que suam e deixam entrar humidade.
- Furar a barreira de vapor com abraçadeiras, pregos ou parafusos.
- Apertar abraçadeiras de metal diretamente sobre o isolamento mole.
- Pôr a barreira de vapor do lado frio em vez do lado quente.
- Escolher espessura pela temperatura e esquecer a humidade do local.
- Esticar o isolamento ao colar, criando zonas finas que condensam.
- Dobrar sem cortar mitra numa curva apertada, vincando o isolamento.
- Esquecer válvulas, filtros e acessórios da linha fria.
- Reutilizar isolamento molhado depois de seco por fora.
- Não repor o isolamento depois de uma intervenção de manutenção.
- Isolar sem proteção no exterior, expondo o material ao sol, à chuva e às aves.
- Cobrir o bolbo da válvula de expansão de modo errado, falseando a medida.
- Aplicar cola em local fechado, sem ventilação e com chama por perto.
- Tirar valores de qualquer tabela em vez da ficha técnica do produto.
Glossário
- Aspiração (linha de): tubagem que leva o gás frio do evaporador ao compressor; é a linha que mais se isola.
- Barreira de vapor: camada que impede a passagem do vapor de água; coloca-se do lado quente do isolamento.
- Célula fechada: estrutura do isolante em que cada célula é independente e estanque; resiste melhor à humidade.
- Célula aberta: estrutura em que o ar circula entre células; absorve humidade.
- Condensação: passagem do vapor de água a líquido quando encontra uma superfície abaixo do ponto de orvalho.
- Condutibilidade térmica (λ): propriedade que mede a facilidade com que um material conduz calor, em W/(m·K).
- Coquilha: peça de isolamento pré-formada para envolver um tubo.
- Elastómero expandido: espuma flexível de célula fechada usada em tubagem frigorífica e de água gelada.
- Espessura económica: espessura em que o custo total (isolamento mais energia perdida) é mínimo.
- Euroclasse: classificação europeia da reação ao fogo, de A1 a F.
- Fator μ: resistência à difusão do vapor, comparada com a do ar parado.
- Lã mineral: isolante fibroso de rocha ou vidro, usado em condutas e tubagem quente.
- Mitra: corte a 45° do isolamento para formar uma curva.
- Orvalho (temperatura de): temperatura abaixo da qual o vapor do ar condensa.
- Ponte térmica: zona onde o calor passa mais depressa por interrupção ou adelgaçamento do isolamento.
- Poliuretano (PUR) e poliisocianurato (PIR): espumas rígidas de célula fechada de muito baixa condutibilidade.
- Resistência térmica (R): oposição à passagem do calor, R = e / λ.
- Sd: espessura de ar equivalente, μ × e.
- Transmissão térmica (U): inverso da resistência térmica total, em W/(m²·K).
Síntese
O isolamento térmico em AVAC&R é uma parte funcional do sistema. Dimensiona-se pelo critério que manda: nas linhas frias é, em regra, a condensação; nas quentes, as perdas e a proteção de pessoas. Escolhe-se o material pela sua estrutura (célula fechada ou fibrosa), pelo λ, pelo μ, pela temperatura de serviço e pela reação ao fogo, sempre com a ficha técnica do produto. A barreira de vapor põe-se do lado quente e tem de ser contínua: juntas coladas e seladas, suportes com calço, nada de furos. Na tubagem frigorífica, a aspiração isola-se sempre e a linha de líquido só em casos específicos (entre eles, os splits e bombas de calor). Nas câmaras, o isolamento é a própria caixa e cada atravessamento mal vedado é uma ponte térmica. Em AVAC, a água gelada, a água quente e as condutas têm cada uma o seu procedimento. A manutenção é visual, regular e simples, e o isolamento molhado substitui-se, nunca se reaproveita. No exterior, o acabamento mecânico é parte do isolamento. O custo-benefício mostra que o primeiro isolamento se paga em meses e que o reforço se paga em poucos anos, além dos benefícios que não se medem em energia. Em tudo o que é regulado, consulta-se a redação em vigor na fonte oficial.
Exercícios resolvidos
1. Qual a resistência térmica de 25 mm de isolante com λ = 0,040 W/(m·K)?
Resolução: R = 0,025 / 0,040 = 0,625 m²·K/W.
2. Em que lado do isolamento se coloca a barreira de vapor numa conduta fria?
Resolução: do lado quente, ou seja, o exterior, do lado do ar ambiente.
3. A 30 °C e 75 % a temperatura de orvalho é 25,1 °C. Uma superfície a 24 °C condensa?
Resolução: sim, 24 °C está abaixo de 25,1 °C: condensa.
4. Das duas linhas, aspiração e líquido, qual se isola sempre?
Resolução: a aspiração, em toda a extensão. A linha de líquido só em casos especiais (entre eles, os splits e bombas de calor).
5. Uma manta com 50 mm e λ = 0,040 tem que resistência?
Resolução: R = 0,050 / 0,040 = 1,25 m²·K/W.
6. Uma abraçadeira de aço aperta diretamente o isolamento mole. Qual o problema e a solução?
Resolução: esmaga o isolamento, fura a barreira e cria ponte térmica. Solução: abraçadeira larga com calço rígido isolante entre o tubo e a abraçadeira.
7. Uma conduta de 15 m² de superfície, com U = 1,2 W/(m²·K), entre 14 °C e 30 °C. Qual o ganho de calor?
Resolução: Q = 1,2 × 15 × 16 = 288 W.
8. Um isolamento de tubo de água gelada apresenta-se mole e pesado numa zona de 30 cm. O que fazer?
Resolução: está encharcado. Substituir o troço (e alargar até zona seca), inspecionar o tubo, refazer a junta colada e selada. Não reaproveitar.
9. Pretende-se isolar 20 m de tubo por 300 €. Poupa 600 kWh por ano a 0,10 € por kWh (valores de cálculo, não preços de mercado). Retorno?
Resolução: poupança = 600 × 0,10 = 60 €/ano; retorno = 300 / 60 = 5 anos.
10. Para que serve fazer o ensaio de estanquidade antes de fechar o isolamento?
Resolução: para encontrar fugas enquanto a tubagem está visível. Com o isolamento aplicado, as fugas escondem-se e custa mais corrigir.