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UC · Unidade de Competência · 10958

Isolamentos térmicos em AVAC&R (10958)

Materiais, barreira de vapor, espessuras, aplicação passo a passo e manutenção do isolamento de tubagens, condutas e câmaras
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Refrigeração e Climatização ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Numa instalação de AVAC&R o isolamento térmico é o trabalho que toda a gente vê e poucos fazem bem. Um circuito frigorífico bem montado, bem ensaiado e bem carregado pode perder uma parte importante da sua capacidade, gastar energia a mais e deixar um rasto de água no teto falso, apenas porque a linha de aspiração ficou com uma junta aberta ou porque a barreira de vapor foi furada por uma abraçadeira. O isolamento não é um acabamento estético: é uma parte do sistema, com função, cálculo, procedimento de aplicação e manutenção.

Esta sebenta foi escrita para a oficina. Segue a ordem do referencial: primeiro o conceito de isolamento térmico e os critérios de dimensionamento; depois uma abordagem genérica ao isolamento dos edifícios; em seguida os materiais usados em AVAC e refrigeração (tipos, características e aplicação); a aplicação em tubagens e paredes de sistemas frigoríficos, com o procedimento passo a passo; a manutenção dos isolamentos em refrigeração; a aplicação em AVAC e a respetiva manutenção; e, por fim, um estudo de caso de custo-benefício.

Objetivos de aprendizagem (referencial): descrever o conceito de isolamento térmico, os principais tipos e o respetivo dimensionamento; instalar os principais tipos de materiais isolantes, analisar o estado de conservação e a sua substituição; reconhecer a eficácia dos sistemas de isolamento utilizados e a ordem de grandeza do custo-benefício associado a essa eficácia.

Como estudar com esta sebenta. Cada capítulo traz explicação, tabelas de consulta e exemplos resolvidos passo a passo. Refaz as contas com a calculadora antes de leres a solução. Sempre que possível, repete o procedimento na oficina com um troço de tubo de cobre e um tubo de isolamento: aplicar isolamento aprende-se com as mãos, e a diferença entre uma junta bem feita e uma junta mal feita só se percebe depois de se ter feito as duas.

Sobre valores e regulamentação. Os valores de condutibilidade, resistência à difusão do vapor e custos que aparecem nos exemplos são valores de ordem de grandeza, escolhidos para que as contas sejam claras. Na vida real usa-se sempre o valor da ficha técnica do fabricante do produto que vai ser aplicado. As espessuras mínimas exigidas e o enquadramento regulamentar do desempenho energético dos edifícios e dos seus sistemas técnicos são matéria regulada: consultam-se na redação em vigor dos diplomas aplicáveis e dos documentos técnicos que os acompanham, nunca de memória e nunca nesta sebenta.

1. O que é o isolamento térmico

O calor passa sempre do corpo mais quente para o mais frio. Isolar termicamente é tornar essa passagem mais difícil, interpondo entre as duas zonas um material que conduz mal o calor. Em AVAC&R isolamos por dois motivos opostos, conforme o fluido esteja mais frio ou mais quente do que o ar à volta:

1.1 As três formas de transmissão de calor

Forma O que acontece Onde se vê em AVAC&R
Condução o calor passa através de um material sólido, de molécula em molécula parede do tubo de cobre, espessura do isolamento
Convecção o calor é levado por um fluido em movimento (ar, água) ar a roçar a superfície exterior do isolamento, água dentro do tubo
Radiação o calor passa por ondas, sem precisar de meio material superfícies expostas ao sol, folha de alumínio que reflete

Os materiais isolantes são, quase todos, materiais com muito ar (ou gás) preso em células minúsculas. O ar parado conduz mal o calor. Se as células se enchem de água, o material passa a conduzir muito mais: por isso o isolamento molhado deixa de isolar.

1.2 Grandezas que se usam sempre

Duas regras práticas que se verificam em tudo o que se segue:

  1. Dobrar a espessura não reduz as perdas a metade. Há a resistência superficial do ar, que não muda, e, nos tubos, o aumento do diâmetro exterior aumenta a área de troca.
  2. O primeiro centímetro rende mais do que o quinto. É por isso que existe uma espessura económica: a partir de certo ponto, o isolamento extra custa mais do que poupa.

Exemplo resolvido · resistência térmica de um revestimento

Um painel de isolamento tem 40 mm de espessura e λ = 0,040 W/(m·K). Qual é a sua resistência térmica? E se for o dobro da espessura?

  1. Converter a espessura: 40 mm = 0,040 m.
  2. R = e / λ = 0,040 / 0,040 = 1,0 m²·K/W.
  3. Com 80 mm: R = 0,080 / 0,040 = 2,0 m²·K/W.

A resistência dobra com a espessura numa superfície plana. Já o fluxo total não reduz a metade, porque a resistência do ar à superfície (cerca de 1/8 = 0,125 m²·K/W) fica igual nos dois casos.

2. Critérios de dimensionamento

Dimensionar o isolamento é escolher o material e a espessura. Não há uma só resposta: depende do critério que manda. Em AVAC&R, os critérios são quatro e aplicam-se por esta ordem de risco.

2.1 Critério 1 · Evitar condensação superficial

É o critério que manda em tudo o que está abaixo da temperatura de orvalho do ambiente: aspiração de refrigeração, água gelada, condutas de ar frio, evaporadores. A superfície exterior do isolamento tem de ficar acima da temperatura de orvalho do ar envolvente. Se não ficar, forma-se água na superfície, o isolamento molha-se e a instalação "sua".

A temperatura de orvalho depende da temperatura e da humidade relativa do ar. Valores de ordem de grandeza, calculados com a fórmula de Magnus:

Ar ambiente Temperatura de orvalho
24 °C e 60 % cerca de 15,8 °C
25 °C e 60 % cerca de 16,7 °C
26 °C e 65 % cerca de 18,9 °C
28 °C e 70 % cerca de 22,0 °C
28 °C e 80 % cerca de 24,2 °C
30 °C e 75 % cerca de 25,1 °C
32 °C e 70 % cerca de 25,8 °C

Como se obtém a temperatura de orvalho na oficina. Há três caminhos, e qualquer um serve.

  1. Ler no termo-higrómetro. A maior parte dos aparelhos de oficina mostra a temperatura de orvalho a par da temperatura e da humidade relativa. É o caminho normal em obra.
  2. Ler na carta psicrométrica. Entra-se com a temperatura do ar e a humidade relativa, desce-se na vertical até à linha de saturação e lê-se a temperatura de orvalho.
  3. Calcular pela fórmula de Magnus, com a temperatura T em °C e a humidade relativa HR em %:

α = ln(HR / 100) + 17,62 × T / (243,12 + T)

T_orvalho = 243,12 × α / (17,62 − α)

Exemplo: T = 24 °C e HR = 60 %. α = ln(0,60) + 17,62 × 24 / 267,12 = −0,511 + 1,583 = 1,072. T_orvalho = 243,12 × 1,072 / (17,62 − 1,072) = cerca de 15,8 °C.

Os coeficientes 17,62 e 243,12 °C são os de uso corrente desta fórmula para ar húmido acima de 0 °C. O resultado é uma aproximação, suficiente para dimensionar isolamento; em projeto usa-se a carta psicrométrica ou a função do aparelho.

Repara: um dia de verão em Lisboa com 28 °C e humidade alta já dá uma temperatura de orvalho perto dos 24 °C. Uma espessura que "chega" a 70 % de humidade falha a 80 %. Dimensiona-se para as condições mais desfavoráveis do local (cozinha, lavandaria, piscina, zona costeira, casa de máquinas sem ventilação), não para o dia de inspeção.

2.2 Critério 2 · Limitar as perdas ou os ganhos de calor

Escolhe-se a espessura em que o custo da energia poupada compensa o custo do isolamento (espessura económica) ou em que as perdas ficam abaixo de um valor máximo imposto. Os valores impostos para sistemas técnicos de edifícios constam da regulamentação em vigor; a oficina consulta-os na fonte, projeto a projeto.

2.3 Critério 3 · Proteção de pessoas

Tubagens quentes acessíveis (descarga do compressor, água quente de aquecimento, vapor) têm de ficar a uma temperatura superficial que não queime ao toque. O isolamento, o acabamento exterior e a distância às zonas de passagem fazem parte desta proteção. Também as superfícies muito frias (linhas de baixa temperatura) queimam por contacto.

A temperatura superficial admissível depende do material do acabamento e do tempo de contacto previsível, e fixa-se no projeto; confirma-se na redação em vigor da norma de superfícies quentes aplicável. A regra de oficina é: tubagem quente acessível leva isolamento e acabamento, e o que não se isola sinaliza-se e afasta-se das zonas de passagem.

2.4 Critério 4 · Condições de funcionamento do fluido

Evitar que a água gelada aqueça no percurso, que o gás de aspiração chegue ao compressor mais quente do que o previsto, que a água quente chegue fria ao radiador. O isolamento serve a estabilidade do processo.

2.5 Fatores que fazem subir a espessura

Fator Efeito
Temperatura do fluido mais baixa mais espessura
Humidade do ambiente mais alta mais espessura (critério de condensação)
Diâmetro do tubo maior mais espessura para o mesmo efeito
Ar em movimento sobre o isolamento superfície mais fria, mais condensação
Material com λ mais alto mais espessura
Tubagem em exterior ou em zona quente mais espessura e proteção mecânica

Exemplo resolvido · qual critério manda

Uma tubagem de água a 7 °C passa por um teto falso a 28 °C e 70 % de humidade, e por um corredor com pessoas por baixo. Qual é o critério que manda?

  1. Temperatura de orvalho: 22 °C.
  2. A água a 7 °C está muito abaixo de 22 °C: a superfície do tubo nu forma condensado de certeza.
  3. Critério 1 (condensação) é o que manda: a espessura tem de ser tal que a superfície exterior fique acima de 22 °C, com folga.
  4. O critério 2 (energia) dará, em regra, uma espessura inferior ou semelhante: verifica-se depois.

3. O isolamento térmico dos edifícios: abordagem genérica

O técnico de refrigeração e climatização trabalha dentro de edifícios, e o edifício faz parte do problema. Um sistema de climatização ligado a um edifício mal isolado trabalha mais horas, a maior potência, e nunca chega bem à temperatura pedida.

3.1 A envolvente

A envolvente de um edifício é o conjunto de elementos que separa o interior do exterior: paredes, cobertura, pavimentos sobre o exterior, envidraçados e portas. Cada elemento tem o seu U. Quanto menor o U, menor a energia necessária para manter a temperatura interior.

Elemento Onde se perde ou ganha calor Solução corrente
Paredes exteriores condução pela parede isolamento pelo exterior (sistema ETICS) ou na caixa-de-ar
Cobertura radiação solar e condução isolamento sob a telha ou sobre a laje
Envidraçados condução, radiação solar, infiltração vidro duplo, caixilharia com corte térmico, proteções solares
Pavimentos contacto com o solo ou com o exterior isolamento sob a betonilha
Pontes térmicas cantos, vigas, caixas de estore, ligações corrigir a continuidade do isolamento

3.2 Pontes térmicas

Uma ponte térmica é uma zona onde o calor passa mais depressa do que no resto da envolvente, porque o isolamento é interrompido ou mais fino. Em AVAC&R encontramos o mesmo conceito em miniatura: o suporte metálico que encosta ao tubo frio, sem calço isolante, é uma ponte térmica que condensa e escorre.

3.3 Ligação à climatização

3.4 O que o técnico de AVAC&R tem de levar daqui

  1. Se o edifício muda (nova caixilharia, isolamento reforçado), as cargas mudam e a climatização pode ficar sobredimensionada.
  2. Um sistema de distribuição bem isolado é o prolongamento do isolamento do edifício: tubos e condutas fora da zona climatizada contam como perdas diretas.
  3. Todas as passagens de tubos e condutas pela envolvente (paredes, lajes, coberturas) são pontes térmicas e pontos de infiltração: selam-se e isolam-se na continuidade.

4. Materiais isolantes para AVAC e refrigeração: tipos

Em AVAC&R usam-se quatro grandes famílias, mais algumas de uso mais especializado. Cada uma tem a sua norma de produto europeia, em geral harmonizada para marcação CE. Por exemplo, os produtos de espuma elastomérica flexível (FEF) para equipamentos de edifícios e instalações industriais seguem a norma EN 14304, aplicável numa gama de temperatura de funcionamento que vai, aproximadamente, de -200 °C a +175 °C (abaixo de -50 °C a norma prevê a verificação da adequação do produto à aplicação).

4.1 Espuma elastomérica flexível (elastómero expandido)

Material de célula fechada, flexível, em tubo pré-formado, manta ou rolo (muitas vezes com autocolante). É o isolamento de eleição para tubagem frigorífica e água gelada, porque tem uma resistência à difusão do vapor de água muito elevada e dispensa, na maior parte das aplicações correntes, uma barreira de vapor adicional. Corta-se com faca bem afiada e cola-se com cola de contacto própria.

4.2 Polietileno expandido

Espuma de célula fechada, mais rígida e mais barata que o elastómero. Aplica-se sobretudo em tubagem de água quente sanitária e aquecimento e, com boa resistência à humidade, em alguns casos de água fria. Tem limites de temperatura de serviço mais baixos do que o elastómero e em muitos produtos uma classe de reação ao fogo menos favorável: confirma sempre a ficha técnica antes de o usar em linhas de descarga ou em locais com exigência de comportamento ao fogo.

4.3 Lã mineral (lã de rocha e lã de vidro)

Material fibroso, de célula aberta. Usa-se em condutas de ar (mantas e painéis com folha de alumínio que faz de barreira de vapor), em coquilhas para tubagem quente de maior temperatura e em zonas com exigências de resistência ao fogo. Sem a barreira de vapor bem fechada, a lã mineral absorve a humidade e deixa de isolar. Por isso não é, em regra, a primeira escolha para linhas frias sem uma camada de barreira bem executada.

4.4 Poliuretano e poliisocianurato (PUR e PIR)

Espuma rígida de célula fechada, com das mais baixas condutibilidades térmicas dos isolantes correntes. Em AVAC&R encontra-se em:

4.5 Outros materiais

Material Onde aparece Nota
Poliestireno extrudido (XPS) pavimentos de câmaras frias, sobre o solo boa resistência à compressão e à humidade
Poliestireno expandido (EPS) painéis e enchimentos célula fechada, mais barato
Vidro celular tubagem de temperaturas extremas, apoios de tubos incombustível, estanque ao vapor, caro
Aerogel (manta) zonas com pouco espaço muito baixa condutibilidade, caro

4.6 Quadro comparativo

Material Estrutura λ (ordem de grandeza) Resistência ao vapor Uso típico em AVAC&R
Elastómero expandido célula fechada cerca de 0,035 a 0,040 W/(m·K) muito alta aspiração, água gelada, condensação
Polietileno expandido célula fechada cerca de 0,035 a 0,040 W/(m·K) alta água quente, aquecimento
Lã mineral fibrosa cerca de 0,035 a 0,045 W/(m·K) baixa (precisa de barreira) condutas, tubagem quente
PUR / PIR célula fechada rígida cerca de 0,022 a 0,028 W/(m·K) alta painéis de câmaras, condutas pré-isoladas

Os valores são ordens de grandeza para cálculo de aula. O valor de projeto lê-se na ficha técnica do produto, à temperatura média de utilização.

5. Características dos materiais e critérios de escolha

5.1 O que se lê numa ficha técnica

Característica Símbolo / unidade Para que serve
Condutibilidade térmica λ, W/(m·K) calcular a espessura e as perdas
Fator de resistência à difusão do vapor μ (sem unidade) decidir se precisa de barreira de vapor
Temperatura máxima e mínima de serviço °C adequar o produto ao fluido
Reação ao fogo Euroclasse (A1 a F) cumprir a exigência do local
Absorção de água % em volume durabilidade em ambiente húmido
Resistência à compressão kPa apoios, pavimentos, suportes
Estabilidade a UV e ao ozono descrição aplicação no exterior

A reação ao fogo dos produtos de construção classifica-se segundo a norma EN 13501-1 em Euroclasses, de A1 (incombustível) a F (sem desempenho determinado). Qual é a classe exigida num dado edifício é matéria regulada de segurança contra incêndio: consulta-se a regulamentação em vigor e o projeto. No isolamento de tubagem circular de pequeno diâmetro (esta classificação aplica-se aos produtos de isolamento lineares para tubagem, até ao diâmetro exterior definido na norma, da ordem dos 300 mm), a classe indica-se com o índice L (A1L, A2L, BL, CL, DL, EL, FL), por exemplo BL-s1,d0; é essa a classe que se procura na ficha técnica de um isolamento de tubagem frigorífica.

5.2 A resistência à difusão do vapor (μ)

O fator μ diz quantas vezes o material resiste mais à passagem do vapor de água do que o ar parado. Quanto maior, melhor como barreira. A espessura equivalente de ar é Sd = μ × e (em metros). Um material com μ de milhares e 13 mm de espessura tem um Sd de dezenas de metros ou mais: é praticamente uma barreira de vapor por si só. Já a lã mineral tem μ próximo de 1: o vapor passa por ela como pelo ar.

5.3 Como escolher

  1. Linha fria com risco de condensação → material de célula fechada com μ alto (elastómero ou equivalente), ou lã mineral com barreira de vapor contínua.
  2. Linha quente de baixa temperatura (água de aquecimento) → polietileno, elastómero ou lã mineral conforme a temperatura e o fogo.
  3. Linha de descarga ou temperaturas elevadas → ver temperatura máxima de serviço na ficha; lã mineral ou produto específico.
  4. Condutas de ar → lã mineral com folha, elastómero em manta, ou conduta pré-isolada.
  5. Câmaras frigoríficas → painéis PUR/PIR, com juntas estanques e barreira de vapor.
  6. Exterior → proteção mecânica e contra UV obrigatória.

Exemplo resolvido · escolher o material

Uma linha de aspiração Ø 22 mm percorre um teto falso húmido e uma passagem com risco de pancadas. Que material e que cuidados?

  1. Linha fria com condensação provável → elastómero de célula fechada com μ alto, em tubo pré-formado ou manta.
  2. Teto falso húmido → atenção a todas as juntas, coladas e seladas.
  3. Risco de pancadas → proteção mecânica (calha ou chapa) no troço exposto.
  4. Suportes → abraçadeiras com calço isolante, que não esmaguem o isolamento.

6. A barreira de vapor: o que é e por que lado se põe

O ar quente e húmido contém vapor de água. Por diferença de pressão de vapor, esse vapor migra do lado quente (alta pressão de vapor) para o lado frio (baixa pressão). Se encontra uma superfície abaixo da temperatura de orvalho, condensa. Dentro do isolamento, essa água não se vê, mas o material molha-se, perde propriedades e pode corroer o tubo por baixo.

6.1 A regra

A barreira de vapor põe-se sempre do lado quente do isolamento.

Nas linhas frias, o lado quente é o exterior, o lado do ar ambiente. A barreira está na superfície exterior (ou o próprio material de célula fechada serve de barreira) e tem de estar contínua e estanque. Se o vapor entrar por uma abertura, fica preso contra o tubo frio e acumula-se.

Nas linhas quentes dentro de um edifício, o vapor tende a sair do isolamento para fora, e a barreira não é crítica; a proteção mecânica e a estanquidade ao vapor interessam menos. O mesmo princípio vale nas câmaras de congelados: o vapor vem do exterior, quente, para o interior, frio, e a barreira fica do lado exterior.

6.2 Como a barreira falha

Falha Consequência
Junta não colada ou mal fechada o vapor entra e condensa no tubo, corrosão e água a escorrer
Fita rasgada ou descolada entrada de vapor pelo rasgo
Abraçadeira metálica a apertar o isolamento esmaga e fura a barreira, forma ponte térmica e condensa em volta
Parafuso ou prego que atravessa o isolamento ponto de entrada de vapor
Remate aberto nas extremidades o isolamento "bebe" a água por capilaridade ao longo do tubo
Isolamento molhado reaplicado a água fica fechada lá dentro

6.3 Como se garante a barreira

  1. Isolamento de célula fechada com μ alto, em tubo sem juntas longitudinais abertas.
  2. Todas as juntas coladas com cola recomendada e, nos pontos críticos, seladas com fita autocolante do fabricante.
  3. Remate de extremidades e de passagens com vedante e fita.
  4. Suportes por calço isolante que ligue o tubo à abraçadeira sem esmagar o isolamento.
  5. Nada de furar: se tiver de se fixar, fixa-se por fora, por cima da barreira, com selagem.

Exemplo resolvido · do lado de que se põe a barreira

Uma conduta de ar frio a 14 °C passa num pátio coberto a 30 °C e 75 %. O isolamento é lã mineral de 30 mm com folha de alumínio numa só face. Em que face fica a folha?

  1. O lado quente é o exterior da conduta: o ar a 30 °C.
  2. A folha de alumínio é a barreira de vapor e fica do lado exterior, à vista.
  3. As juntas entre mantas selam-se com fita de alumínio.
  4. Se a folha ficasse do lado da chapa, o vapor entraria pela face aberta, condensaria na chapa fria e a lã ficaria encharcada.

7. Espessura mínima para evitar condensação

Este é o cálculo mais importante do isolamento frio. Pretende-se saber a espessura a partir da qual a temperatura da superfície exterior do isolamento fica acima da temperatura de orvalho.

7.1 Raciocínio

O fluxo de calor que entra do ar até ao tubo atravessa duas resistências em série: a do ar à superfície (resistência superficial) e a do isolamento. A queda de temperatura repartida por cada resistência é proporcional ao seu valor. A superfície exterior fica a:

T_superfície = T_ar - q × R_superficial

em que q é o fluxo de calor. Para uma superfície plana (condutas, painéis), podes usar diretamente:

T_superfície = T_ar - (T_ar - T_fluido) × (1/h) / R_total

com R_total = 1/h_interior + e/λ + 1/h, onde 1/h_interior pode desprezar-se quando o fluido é um líquido e a parede metálica é fina.

7.2 Para tubos

Num tubo, a área de troca cresce com o raio. Com r₁ o raio do tubo, r₂ = r₁ + e o raio exterior do isolamento, por metro de tubo:

Exemplo resolvido · tubo de água gelada Ø 22

Tubo de cobre Ø 22 mm (r₁ = 11 mm), água a 7 °C, ar a 28 °C e 70 %, isolamento com λ = 0,036 W/(m·K) (valor de exercício), h = 8 W/(m²·K). Que espessura evita a condensação?

  1. Temperatura de orvalho: 22,0 °C. É preciso T_s acima deste valor.
  2. Calcula-se T_s para várias espessuras (cálculo em tabela):
Espessura q (W/m) Temperatura da superfície Conclusão
6 mm 6,8 20,1 °C condensa
9 mm 5,8 22,3 °C quase no limite, sem folga
13 mm 4,9 23,9 °C folga de 1,9 K, abaixo dos 2 K exigidos; falha se a humidade subir para 80 %
19 mm 4,1 25,3 °C folga de 3,3 K, confortável
25 mm 3,6 26,0 °C folga larga
  1. Mínimo teórico: cerca de 9 mm. Com 13 mm a folga é de 1,9 K (23,9 - 22,0), abaixo da margem de 2 K que esta unidade exige; com 19 mm é de 3,3 K (25,3 - 22,0). Nestas condições (Ø 22, água a 7 °C, ar a 28 °C e 70 %), para uma margem de 2 K ou mais usam-se 19 mm, e o escalão seguinte se o local for muito húmido ou a humidade puder passar de 70 %. Noutras condições o mínimo é outro: o que não muda é a folga de 2 K.
  2. Conferir com o ar a 28 °C e 80 %: temperatura de orvalho 24,2 °C. Com 13 mm, T_s = 23,9 °C: condensa. Com 19 mm, T_s = 25,3 °C: não condensa (folga de cerca de 1 K, curta para um local tão húmido).

Conclusão: a espessura certa depende da humidade do local, não só da temperatura.

Exemplo resolvido · conduta plana

Conduta metálica com ar a 14 °C, ar ambiente a 30 °C e 75 % (orvalho 25,1 °C), manta de lã mineral com λ = 0,040 W/(m·K) (valor de exercício). Resistência interior 1/25 = 0,04 m²·K/W e exterior 1/8 = 0,125 m²·K/W. Que espessura mínima?

  1. Queda de temperatura admissível no ar à superfície: 30 - 25,1 = 4,9 K (no máximo).
  2. Queda total: 30 - 14 = 16 K.
  3. Condição: 16 × 0,125 / R_total ≤ 4,9, logo R_total ≥ 2,0 / 4,9 = 0,408 m²·K/W.
  4. R do isolamento = 0,408 - 0,04 - 0,125 = 0,243 m²·K/W.
  5. Espessura: 0,243 × 0,040 = 0,0097 m, ou seja, cerca de 10 mm, no limite.
  6. Com margem prática, usam-se 25 mm (R = 0,625): T_s = 30 - 16 × 0,125 / 0,79 = 27,5 °C, folga de 2,4 K sobre o orvalho.

8. Cálculo de perdas térmicas

8.1 Tubagem

Usa-se a mesma fórmula do capítulo anterior. Por metro de tubo:

q = |T_fluido - T_ar| / (R_iso + R_s)

Para tubo sem isolamento, R_iso = 0 e R_s = 1 / (h × 2π r₁).

Exemplo resolvido · água quente de aquecimento

Tubo Ø 22 mm, água a 60 °C, ar a 15 °C, λ = 0,040, h = 8. Calcula as perdas sem isolamento e com 20 mm.

  1. Sem isolamento: q = 45 / (1/(8 × 2π × 0,011)) = 45 × 0,5529 = 24,9 W/m.
  2. Com 20 mm: r₂ = 31 mm; R_iso = ln(31/11)/(2π × 0,040) = 1,036/0,2513 = 4,12; R_s = 1/(8 × 2π × 0,031) = 0,642; q = 45/4,76 = 9,4 W/m.
  3. Poupança: 15,5 W/m, ou 62 % de redução.
  4. Em 40 m de rede: 620 W que deixam de ser perdidos.

8.2 Conduta

Em conduta, calcula-se por área. Q = U × A × ΔT.

Exemplo resolvido · conduta de 10 m

Conduta 600 × 400 mm, 10 m, ar a 14 °C, ambiente a 30 °C, isolamento de 25 mm com λ = 0,040. Perdas com e sem isolamento.

  1. Perímetro: 2 × (0,6 + 0,4) = 2,0 m; área = 2,0 × 10 = 20 m².
  2. Com isolamento: R = 0,04 + 0,625 + 0,125 = 0,79; U = 1,266 W/(m²·K); Q = 1,266 × 20 × 16 = 405 W.
  3. Sem isolamento: R = 0,04 + 0,125 = 0,165; U = 6,06; Q = 6,06 × 20 × 16 = 1 939 W.
  4. Ganho de calor evitado: cerca de 1,5 kW de capacidade frigorífica que não se perde.
  5. Sem isolamento, a chapa estaria a cerca de 17,9 °C (30 - 16 × 0,125 / 0,165) e condensaria sempre em verão húmido, porque o orvalho é de 25,1 °C.

8.3 Parede de câmara frigorífica

Para painéis sanduíche de PUR/PIR com λ de ordem de grandeza de 0,022 W/(m·K):

Exemplo resolvido · painel de câmara a -20 °C

Parede exterior a 30 °C, câmara a -20 °C (ΔT = 50 K), R_se = 0,04 e R_si = 0,13 m²·K/W. Compara painéis de 80, 100 e 120 mm.

Espessura R total U Fluxo por m²
80 mm 3,81 0,263 13,1 W/m²
100 mm 4,72 0,212 10,6 W/m²
120 mm 5,63 0,178 8,9 W/m²

Passar de 80 a 120 mm reduz o fluxo em cerca de um terço. O custo de energia do período de vida da câmara decide se compensa.

9. Ferramentas, materiais auxiliares e segurança na oficina

9.1 O que se leva para a bancada

Item Para que serve
Faca de lâmina fina bem afiada ou cortador de isolamento cortar elastómero com corte limpo e perpendicular
Tesoura de chapa cortar chapa de acabamento
Fita métrica e esquadro medir e traçar o corte
Cola de contacto própria do fabricante colar juntas e topos
Pincel ou espátula de cola aplicar a cola em camada fina e uniforme
Fita autocolante do fabricante selar juntas e remates
Abraçadeiras com calço isolante suportar a tubagem sem esmagar o isolamento
Mandril ou varão cónico alargar o tubo para o enfiar
Gabarito de mitras cortar curvas a 45°
Fita de alumínio selar mantas de lã com folha
Rebitadora, parafusos autorroscantes fixar a chapa de proteção por fora
Luvas, óculos, máscara proteção individual

9.2 Segurança integrada

10. Aplicação de isolamento em tubagem frigorífica, passo a passo

Este é o procedimento central da unidade. A ordem importa.

10.1 A ordem das operações

Numa tubagem nova, a ordem é esta, e não se troca:

  1. Limpar a superfície: tubo seco, sem óleo, sem fluxo de soldadura, sem pó e sem gotas de água. Limpar com pano seco e, se preciso, produto de limpeza adequado.
  2. Escolher o diâmetro certo do isolamento: o diâmetro interior do isolamento é o diâmetro exterior do tubo. Um tubo de 22 mm leva isolamento "para 22 mm". Isolamento demasiado largo deixa folga, demasiado apertado esmaga e rasga. Planear também as juntas: as juntas de topo ficam o mais longe possível de curvas e acessórios.
  3. Enfiar o isolamento recuado: antes de soldar a última junta, enfiam-se os tramos no tubo e deixam-se recuados, longe da zona a soldar. Depois de a última junta estar soldada, só se consegue abrir o isolamento ao comprido.
  4. Soldar a última junta e deixar arrefecer.
  5. Ensaiar a estanquidade e a pressão e registar o ensaio. Só aqui se sabe que todas as juntas, incluindo a última, estão boas. Enquanto o ensaio não estiver registado, o isolamento não se cola nem se sela.
  6. Com o ensaio registado, limpar e secar a zona das juntas soldadas, puxar os tramos para a posição, colar, selar e montar os suportes.
  7. Voltar a verificar com a linha fria, no arranque.

Se a tubagem já está montada e ensaiada (reparação, reposição), parte-se do passo 6, abrindo o isolamento ao comprido.

10.2 Aplicação em troço reto

  1. Medir o troço e cortar o isolamento ligeiramente maior, segundo as instruções do fabricante, para que os topos fiquem em contacto sem esticar o material.
  2. Se o tubo é aberto ao comprido: abrir, enfiar o tubo, colar as duas bordas da abertura com cola de contacto fina e uniforme e deixar o tempo de secagem indicado pelo fabricante (a cola não deve "pegar" ao dedo).
  3. Unir as bordas sem esticar o material e apertar ao longo do comprimento.
  4. Topos: cortar a direito (usar esquadro), colar topo com topo depois de aplicar cola nas duas faces.
  5. Cobrir a junta de topo com fita autocolante do fabricante, ao longo de toda a volta.

10.3 Curvas

Duas técnicas:

Erro comum: dobrar o isolamento sem corte numa curva apertada. O isolamento vinca, a parede fica fina no extradorso e condensa ali.

10.4 Uniões em T

  1. Isolar primeiro o tubo principal, deixando o ponto de ramal exposto.
  2. Cortar uma "boca de peixe" no isolamento do ramal, copiando a curva do tubo principal.
  3. Colar o ramal ao principal com cola nos topos, e vedar a volta com fita.
  4. Verificar que não há luz entre os dois tubos de isolamento.

10.5 Válvulas e acessórios

10.6 Suportes e abraçadeiras

  1. Usar abraçadeiras largas, com calço de material rígido isolante (inserto) entre o tubo e a abraçadeira.
  2. O isolamento passa por dentro da abraçadeira, não por fora; o calço evita que a abraçadeira esmague o isolamento e fure a barreira.
  3. Nunca apertar uma abraçadeira de aço diretamente sobre o isolamento mole.
  4. Em linhas verticais, abraçadeira de apoio com colar na mesma lógica.

10.7 Atravessamentos

Em paredes e lajes, o isolamento passa pela abertura sem interrupção, com manga e vedante em volta. Em atravessamentos corta-fogo, segue-se a solução certificada do projeto.

Exemplo resolvido · isolar uma linha de aspiração com uma curva e um T

Linha de aspiração Ø 22 mm, três troços retos e uma curva a 90°, com um ramal em T para um segundo evaporador. Sequência de trabalho.

  1. Limpar o tubo e secar.
  2. Enfiar os tramos de isolamento "22" no tubo, recuados, longe da última junta a soldar.
  3. Soldar a última junta e esperar que arrefeça.
  4. Ensaiar a estanquidade da linha e registar o ensaio.
  5. Com o ensaio registado, limpar e secar a zona das juntas soldadas e puxar os tramos para a posição.
  6. Curva: aplicar mitra a 45° em duas peças ou curvar suavemente; colar as faces de corte.
  7. T: isolar o principal, cortar boca de peixe no ramal, colar.
  8. Selar todas as juntas de topo com fita.
  9. Colocar abraçadeiras com calço, sem apertar sobre o isolamento mole.
  10. Conferir visualmente: sem fendas, sem luz, sem vincos.
  11. No arranque, depois de a linha estar fria, voltar a verificar as juntas: uma junta mal colada abre com o frio.

11. Isolamento de paredes de sistemas frigoríficos: câmaras

Uma câmara frigorífica é uma caixa isolada. As paredes, o teto e o pavimento são o isolamento, e tudo o que atravessa essa caixa é um ponto fraco.

11.1 Painéis sanduíche

Painéis de PUR ou PIR entre duas chapas metálicas, com encaixe macho-fêmea e fecho por excêntricos ou por vedante e fita. As espessuras correntes dependem da temperatura de serviço: câmaras de congelados levam painéis mais espessos do que câmaras de conservação a temperatura positiva. A espessura final define-se em projeto.

11.2 Juntas

11.3 Pavimento

Em câmaras de congelados, o solo pode gelar e levantar o pavimento (empolamento). Por isso o pavimento leva isolamento de grande espessura com boa resistência à compressão (XPS ou equivalente) e, em muitos casos, aquecimento do pavimento ou ventilação sob o pavimento, conforme o projeto.

11.4 Portas e atravessamentos

11.5 Erros típicos em câmaras

  1. Furos de passagem de tubos sem vedante.
  2. Painéis com juntas abertas por mau alinhamento.
  3. Evaporador fixado ao teto com buchas que atravessam o painel sem selagem.
  4. Pavimento sem isolamento adequado em câmara de congelados.
  5. Gelo à volta da porta: sinal de vedante gasto ou mal ajustado.

12. Linhas de aspiração, de líquido e de descarga: o que se isola e o que não

Na refrigeração, cada linha tem uma lógica própria. Misturá-las é o erro de oficina que mais se vê a olho.

Linha Temperatura típica Isolar? Porquê
Aspiração (gás frio, baixa pressão) abaixo do ambiente Sim, sempre, em toda a extensão evita ganho de calor, evita condensação, protege o compressor de gás demasiado quente
Líquido (alta pressão, quente) acima ou perto do ambiente Em regra não em circuitos com expansão junto ao evaporador; sim em splits e bombas de calor (ver 12.1) nos circuitos com expansão junto ao evaporador, o líquido quente deve poder ceder calor ao ambiente (sub-arrefecimento); isolar não ajuda
Descarga (gás quente) muito acima do ambiente Só em zonas acessíveis ou por proteção de pessoas evita queimaduras e reduz a perda de calor em recuperações

12.1 Casos em que a linha de líquido também se isola

12.2 O erro de oficina

Ver a aspiração nua e o líquido isolado é o erro clássico: o técnico isolou o tubo mais pequeno (mais fácil de pegar) e deixou o grande a suar. Consequências da aspiração sem isolamento:

12.3 Diagnóstico visual

Chegas a uma instalação e vês o tubo grande molhado e frio, com gotas a cair. Antes de qualquer medição: o tubo é de aspiração? Está isolado? Há juntas abertas? A observação diz-te meio diagnóstico.

Exemplo resolvido · a linha que sua

Um cliente queixa-se de pingos num teto falso, sob uma linha que liga a unidade exterior ao evaporador. O tubo grosso está isolado, mas há uma junta aberta ao longo de 30 cm. O tubo fino (líquido) está nu.

  1. Tubo grosso = aspiração, isolado: certo.
  2. Junta aberta de 30 cm: o ar húmido chega ao tubo frio e condensa. Local do pingo.
  3. Tubo fino nu: num split, a expansão costuma estar na unidade exterior e o tubo fino leva fluido frio em arrefecimento; o fabricante manda isolar os dois tubos, cada um com o seu isolamento. Tubo fino nu num split é defeito: isola-se também.
  4. Ação: cortar a zona danificada, secar o tubo e substituir o troço com junta nova colada e selada com fita, e isolar o tubo fino em toda a extensão.
  5. Verificar se o isolamento por baixo está molhado: se sim, substituir mais do que a zona aberta.

13. Manutenção dos isolamentos em refrigeração

O isolamento degrada-se. A inspeção visual regular é a manutenção mais barata e mais rentável que existe.

13.1 O que se inspeciona

Sinal O que pode significar Ação
Água ou gotas à superfície junta aberta, barreira rompida localizar a abertura, secar, refazer
Gelo na linha de aspiração falta de isolamento ou fuga de calor avaliar a causa, refazer
Isolamento duro, quebradiço ou com fissuras envelhecimento, UV, temperatura substituir o troço
Isolamento mole e pesado (encharcado) humidade absorvida substituir; não secar para reaproveitar
Isolamento esmagado nas abraçadeiras suporte inadequado refazer com calço
Manchas de ferrugem no tubo ou nas abraçadeiras corrosão por humidade retida tratar o tubo antes de reisolar
Roedores ou aves a roer danos mecânicos proteção e reparação
Acabamento exterior amolgado proteção mecânica falhada reparar
Painéis de câmara com juntas abertas entrada de humidade e perda de capacidade revedar
Gelo à volta da porta da câmara vedante gasto substituir o vedante

13.2 Como inspecionar

  1. Com o sistema em funcionamento, percorrer a instalação com lanterna. É em funcionamento que as juntas abertas suam.
  2. Passar a mão enluvada nos pontos suspeitos para sentir humidade, dureza ou deformação.
  3. Verificar suportes e abraçadeiras, passagens por paredes e acessórios (válvulas, filtros, visores).
  4. Registar o que se encontra (local, tipo de dano, fotografia) para planear a intervenção.
  5. Em câmaras: inspecionar juntas dos painéis, vedantes da porta e atravessamentos.

13.3 Quando se substitui

Substitui-se o isolamento quando: está molhado; tem fissuras ou perda de espessura; está esmagado em mais de uma pequena zona; perdeu a adesão nas juntas; está deteriorado por UV ou químicos; ou foi removido numa intervenção e não pode reaplicar-se. Não se reaproveita isolamento molhado: seca por fora, mas a água fica dentro e o material já perdeu propriedades.

13.4 Procedimento de substituição

  1. Consignar o circuito (sem trabalhos em equipamento em funcionamento). Se for necessário abrir o isolamento para trabalhar no tubo, faz-se com a instalação parada.
  2. Cortar o isolamento danificado até à zona sã, com corte a direito.
  3. Inspecionar o tubo: se houver corrosão, limpar e proteger (pintura anticorrosiva ou fita) antes de reisolar.
  4. Secar bem o tubo.
  5. Se o tubo teve de ser cortado e soldado, repetir o ensaio de estanquidade e registá-lo antes de fechar o isolamento.
  6. Cortar o isolamento novo com a espessura e o diâmetro iguais aos da instalação.
  7. Abrir ao comprido (porque o tubo está montado), enfiar, colar a abertura e os topos, selar com fita.
  8. Verificar o resultado, e depois do arranque a frio voltar a conferir.
  9. Registar a intervenção.

Exemplo resolvido · decisão de inspeção

Numa inspeção encontras (a) um troço de 40 cm com isolamento molhado e pesado; (b) uma abraçadeira a esmagar 5 mm de isolamento; (c) uma ponta de topo aberta ao longo de 10 cm.

  1. (a) Isolamento molhado: substituir o troço, e alargar até zona seca.
  2. (b) Esmagamento localizado: substituir a abraçadeira por uma com calço; avaliar o isolamento sob a abraçadeira; se a barreira está rasgada, refazer o troço.
  3. (c) Topo aberto: limpar, secar, colar, selar com fita.
  4. Prioridade: (a) primeiro, porque está a deteriorar-se e a molhar o tubo; (b) e (c) na mesma intervenção.

14. Aplicação de isolamento em AVAC: tubagem de água

Nos sistemas de AVAC com água (chiller, fan-coil, aquecimento por radiadores ou piso radiante, circuitos de água quente sanitária), a rede de tubagem tem duas faces: água gelada e água quente.

14.1 Água gelada (arrefecimento)

14.2 Água quente (aquecimento)

14.3 Água quente sanitária e recirculação

O isolamento da rede de AQS e da recirculação reduz perdas e mantém a temperatura na torneira. As exigências de espessura e a prevenção do risco microbiológico (como a legionela) seguem a regulamentação em vigor: consulta-se na fonte.

14.4 Procedimento

O procedimento de colocação é o do capítulo 10: limpeza, diâmetro certo, colagem, selagem de juntas, suportes com calço. Em tubos de água gelada acrescentam-se estas particularidades:

  1. Tubos de ida e retorno isolam-se separadamente, nunca juntos num só isolamento.
  2. As bombas e válvulas de seccionamento isolam-se com caixa amovível quando é preciso aceder-lhes.
  3. Os purgadores e tomadas de pressão ficam acessíveis, com remate selado.
  4. As aberturas para sondas de temperatura são seladas.

Exemplo resolvido · escolher entre circuitos

Numa casa de máquinas há: (1) tubo de água gelada a 7 °C; (2) tubo de água quente a 60 °C; (3) tubo de retorno de piso radiante a 35 °C. Critério e material.

  1. (1) Água gelada: critério de condensação, elastómero com μ alto, 19 mm no mínimo no local húmido.
  2. (2) Água quente a 60 °C: critério de perdas e de proteção de pessoas, 20 a 30 mm em material adequado à temperatura.
  3. (3) Retorno a 35 °C: perdas mais baixas, espessura menor mas isolar na mesma, porque atravessa zonas não aquecidas.

15. Condutas de ar: aplicação do isolamento

15.1 Onde se isola a conduta

15.2 Sistemas possíveis

Sistema Como é Vantagem Cuidado
Manta de lã mineral com folha de alumínio colada ou fixada com pinos sobre a chapa barata, acústica folha contínua e juntas seladas
Painel de lã mineral rígida em conduta de maior seção planeza selagem dos topos
Elastómero em manta autocolante colado à chapa barreira de vapor própria cola e aperto
Condutas pré-isoladas PUR/PIR painel que forma a própria conduta rápida, boa estanquidade ao ar corte e junção de painéis
Isolamento interior forrado dentro da conduta acústica risco de acumulação de pó; só produto próprio

15.3 Procedimento: manta de lã mineral com folha

  1. Chapa limpa e seca; a conduta já foi ensaiada à estanquidade ao ar.
  2. Marcar e cortar a manta ao perímetro, com a sobra que o fabricante indicar para as bordas de sobreposição da folha. A folha de alumínio fica sempre para o exterior, à vista.
  3. Fixar com cola e pinos soldados (ou pinos de cola), distribuídos pela face inferior e laterais. O espaçamento dos pinos é o que o fabricante indicar.
  4. Não comprimir a manta: o aperto reduz espessura e, por isso, o desempenho.
  5. Juntas de manta: unir de topo e selar com fita de alumínio por cima, centrada na junta.
  6. Cantos: dobrar a manta, nunca cortar completamente.
  7. Pinos: cortar o excesso e cobrir a cabeça com um disco ou fita.
  8. Flanges e suportes: isolar com tira e selar; os suportes que apoiam sob a conduta levam um calço para não comprimir a manta.
  9. Inspeção final: percorrer com a mão sem encontrar folgas, rasgos nem zonas deprimidas.

15.4 Conduta pré-isolada

Cortam-se os painéis, fazem-se os rasgos em V para as dobras, colam-se e selam-se as juntas com fita de alumínio própria e ensaiam-se à estanquidade. As flanges de ligação isolam-se e vedam-se. O isolamento é a própria conduta, pelo que cada junta aberta é um ponto fraco.

15.5 Condutas flexíveis isoladas

As condutas flexíveis isoladas têm manga de isolamento e barreira exterior. Não podem ficar esmagadas, dobradas ou comprimidas: a perda de espessura é perda de isolamento, e a dobra é perda de caudal.

Exemplo resolvido · selagem da folha

Uma conduta de insuflação fria, de 10 m, com 6 mantas de lã com folha. Quantas juntas e que verificação?

  1. 6 mantas ao longo de 10 m: 5 juntas transversais, mais as longitudinais.
  2. Todas as juntas levam fita de alumínio por cima, sobreposta de cada lado conforme a indicação do fabricante.
  3. Verificação: passar a mão ao longo de todas as juntas, procurar pontas levantadas e cantos rasgados.
  4. Uma só junta aberta é suficiente para a lã absorver água em verão húmido.

16. Manutenção dos isolamentos em AVAC

16.1 O que se inspeciona

Sinal Causa provável Ação
Manchas de água no teto falso junta aberta ou isolamento molhado numa conduta ou tubo localizar o ponto, secar, refazer
Isolamento de conduta descaído pinos soltos, cola vencida refixar
Folha de alumínio rasgada pancada, instalação posterior de outros serviços refazer com fita
Isolamento comprimido nos suportes suporte inadequado calço
Condutas pré-isoladas com juntas abertas selagem deficiente selar
Isolamento de tubos de água gelada húmido ou frio ao toque inesperado barreira rompida substituir o troço
Fibras expostas ou soltas desagregação substituir, cuidado com fibras
Isolamento exterior com UV degradado falta de proteção proteção mecânica nova
Acessórios sem isolamento (válvulas, bombas) foram abertos e não repostos repor

16.2 Intervenções frequentes

16.3 Registo e plano

Um bom plano de manutenção do isolamento tem: inventário dos troços, inspeção visual periódica (no início da época de arrefecimento e antes do inverno), registo fotográfico, e substituição programada.

Exemplo resolvido · reposição depois de uma intervenção

Substituíste uma válvula de seccionamento de água gelada. Antes da intervenção, a válvula estava isolada com caixa de elastómero.

  1. Retira-se a caixa com cuidado, guarda-se, e verifica-se o estado.
  2. Depois de substituída a válvula e ensaiada a estanquidade, seca-se o corpo.
  3. Repõe-se a caixa; se estiver danificada, corta-se manta nova à medida.
  4. Cola-se e sela-se com fita.
  5. Confirma-se que a haste ou o volante ficam acessíveis.
  6. Regista-se a intervenção.

17. Acabamento e proteção mecânica no exterior

O isolamento mole não aguenta sol, chuva, pancadas nem aves. No exterior (cobertura, fachada, pátio técnico) precisa de acabamento protetor.

17.1 Opções

Acabamento Onde Nota
Revestimento de chapa de alumínio ou inox tubagem e condutas exteriores juntas sobrepostas para escorrer a água
Revestimento de PVC zonas interiores de passagem proteção leve
Fita ou manta com proteção UV pequenas extensões atenção ao envelhecimento
Tinta própria para o elastómero superfície exposta ao sol protege contra UV
Calhas e caleiras de PVC ou metal percursos de tubos de refrigeração em fachada esconde e protege

17.2 Regras de execução

  1. Sobreposição: as chapas sobrepõem-se no sentido de a água escorrer por cima da junta, nunca para dentro.
  2. Fixação: rebites ou parafusos autorroscantes, fixos na zona de sobreposição, não a atravessar a barreira em zonas expostas. Selar a cabeça do parafuso.
  3. Costura: orientada para baixo ou para o lado, nunca virada para cima.
  4. Pontos baixos: dreno ou abertura de escoamento.
  5. Remate com a parede: vedante flexível para que não entre água ao longo do tubo.
  6. Curvas e T: usam-se peças pré-formadas ou cortam-se "gomos" em chapa.
  7. Dilatação: nas chapas metálicas, deixam-se folgas e juntas de dilatação em troços longos.
  8. Não fixar a chapa ao tubo de forma rígida: a chapa assenta sobre o isolamento, sem o comprimir.

Exemplo resolvido · linha frigorífica na fachada

Uma linha de aspiração isolada percorre 6 m de fachada exposta ao sol e à chuva. Que acabamento?

  1. Elastómero exposto → perde propriedades com UV; precisa de proteção.
  2. Solução: calha de alumínio ou PVC com tampa, ou chapa em tubo, com remate nas pontas com vedante.
  3. Fixar a calha à parede com abraçadeiras, sem apertar o isolamento.
  4. A saída inferior da calha tem escoamento.
  5. O remate junto da unidade exterior é selado com vedante e a fita.

18. Estudo de caso: custo-benefício do isolamento

O isolamento tem um custo (material e mão de obra) e produz um benefício (energia poupada, condensação evitada, conforto, durabilidade). O estudo de custo-benefício compara os dois e calcula o tempo de retorno.

18.1 Caso: linha de aspiração de uma câmara de conservação

Tubo de aspiração Ø 22 mm (r₁ = 11 mm), 30 m, gás a -10 °C, ambiente a 25 °C e 60 % (orvalho 16,7 °C), λ = 0,036 W/(m·K), h = 8 W/(m²·K). Compara-se: sem isolamento, 13 mm, 19 mm e 25 mm.

Perdas por metro e temperatura da superfície

Solução q (W/m) Para 30 m Temperatura da superfície Condensação a 25 °C e 60 %
Sem isolamento 19,4 580 W -10 °C sim, forma gelo
13 mm 8,2 245 W 18,2 °C não condensa, mas a folga é de 1,5 K, abaixo dos 2 K desta unidade
19 mm 6,9 206 W 20,5 °C não (folga de 3,8 K)
25 mm 6,0 181 W 21,7 °C não (folga de 5,0 K)

Impacto numa época de arrefecimento

Admite-se o equipamento a trabalhar 6 000 horas por ano e um coeficiente de desempenho (relação entre capacidade frigorífica e consumo elétrico) de ordem de grandeza 2, e um preço de eletricidade ilustrativo de 0,20 €/kWh. Estes valores são hipóteses de cálculo, não preços de mercado.

  1. Sem isolamento → 13 mm: perda evitada = 580 - 245 = 335 W, ou 0,335 kW. Energia térmica: 0,335 × 6 000 = 2 010 kWh. Energia elétrica: 2 010 / 2 = 1 005 kWh. Custo: 1 005 × 0,20 = cerca de 201 € por ano.
  2. 13 mm → 25 mm: perda evitada = 245 - 181 = 64 W. Energia térmica: 0,064 × 6 000 = 384 kWh; elétrica: 192 kWh; custo: cerca de 38 € por ano.

Custos de investimento (ilustrativos)

Admite-se um custo de instalação de 6 €/m para 13 mm e 10 €/m para 25 mm (valores de cálculo, não preços de mercado).

Com 13 mm a folga sobre o orvalho é de apenas 1,5 K, abaixo dos 2 K de margem que esta unidade exige; com 19 mm é de 3,8 K e com 25 mm de 5,0 K. Os 13 mm são, portanto, o ponto de partida da comparação de custos, e não a espessura a instalar: pela regra dos 2 K desta unidade, o mínimo neste caso é 19 mm (superfície a 20,5 °C, folga de 3,8 K, 6,9 W/m, 206 W em 30 m).

Opção Investimento (30 m) Poupança face à anterior Retorno
Sem isolamento para 13 mm 180 € 201 €/ano menos de 1 ano
13 mm para 25 mm 120 € de acréscimo 38 €/ano cerca de 3 anos

Leitura

18.2 Conta de uma conduta

No exemplo do capítulo 8, a conduta de 10 m sem isolamento ganhava cerca de 1 940 W; com 25 mm, 405 W. A diferença, cerca de 1,5 kW de capacidade de arrefecimento, corresponde a uma parte significativa da potência de um equipamento de pequena dimensão. Mesmo sem a conta em euros, percebe-se que o isolamento de condutas é uma medida de eficiência de primeira prioridade.

18.3 Como apresentar o estudo ao cliente

  1. Dados da instalação (fluido, temperatura, comprimento, diâmetro, horas).
  2. Soluções comparadas (material e espessura).
  3. Perdas em W e kWh por ano.
  4. Custo da energia (preço atualizado do cliente).
  5. Custo do investimento (orçamento real).
  6. Tempo de retorno simples = investimento / poupança anual.
  7. Benefícios adicionais: condensação evitada, conforto, durabilidade, cumprimento das exigências regulamentares.
  8. Conclusão.

Exemplo resolvido · retorno simples

Isolar 50 m de tubagem de água quente custa 600 €. Poupa 12 W/m durante 4 000 h por ano, a 0,08 € por kWh térmico (valores de cálculo, não preços de mercado). Quanto tempo demora a pagar-se?

  1. Potência poupada: 12 × 50 = 600 W = 0,6 kW.
  2. Energia: 0,6 × 4 000 = 2 400 kWh por ano.
  3. Poupança: 2 400 × 0,08 = 192 € por ano.
  4. Retorno: 600 / 192 = cerca de 3,1 anos.

19. Lista de verificação e erros de oficina que se veem a olho

Muitos defeitos de isolamento diagnosticam-se sem instrumentos. Quem sabe o que procurar vê-os da porta da casa de máquinas. Este capítulo reúne o que se verifica antes de dar o trabalho por terminado e o que se procura numa visita de manutenção.

19.1 Lista de verificação de fim de trabalho

N.º Verificação Como se confirma
1 Ensaio de estanquidade feito e registado antes de colar e selar o isolamento folha de registo assinada
2 Isolamento com o diâmetro e a espessura do projeto ler a marcação do isolamento e medir a espessura com a régua
3 Todas as juntas longitudinais coladas passar o dedo, sem aberturas nem bordas levantadas
4 Todas as juntas de topo coladas e com fita olhar de frente, sem luz entre tramos
5 Curvas em mitra, sem vincos olhar o extradorso
6 T, válvulas e filtros isolados percorrer a linha
7 Bolbo da válvula de expansão fixo e isolado abrir e verificar o contacto
8 Suportes com calço, sem esmagar ver a espessura sob a abraçadeira
9 Atravessamentos vedados ver o remate de vedante
10 Proteção exterior com sobreposição correta ver o sentido de escorrência
11 Zonas de manobra acessíveis tentar aceder aos volantes e tomadas
12 Material sobrante e embalagens recolhidos olhar o chão

19.2 O que se vê a olho nas visitas

19.3 Como se corrige cada defeito

Defeito Correção
Junta aberta de pequena extensão limpar, secar, voltar a colar, selar com fita
Troço molhado substituir o troço
Abraçadeira que esmaga trocar por abraçadeira com calço
Fita descolada remover a fita, limpar o tubo e aplicar fita nova
Curva vincada substituir por mitra
Aspiração nua isolar toda a extensão
Bolbo mal isolado refazer a fixação e o isolamento

Exemplo resolvido · diagnóstico a olho

Numa visita encontras: (a) pingos sob a linha grossa junto ao evaporador, numa linha que desce em direção ao evaporador; (b) a fita de topo em bandeira num ponto a 2 m do evaporador; (c) o tubo fino sem isolamento.

  1. A linha desce em direção ao evaporador, logo a água escorre nesse sentido e a abertura está mais acima, contra a escorrência, e não onde pinga. A fita em bandeira a 2 m do evaporador é o suspeito principal.
  2. Abre-se a fita: o tubo está húmido por baixo. Confirma-se.
  3. Secam-se o tubo e o topo, cola-se, sela-se com fita nova.
  4. O tubo fino sem isolamento é a linha de líquido. Se o circuito tem a expansão junto ao evaporador, em regra não se isola e não é defeito. Se for um split com expansão na unidade exterior, ou reversível, é defeito: isola-se.
  5. Volta-se à visita seguinte para confirmar que não há novos pingos.

20. Tabela de decisão para o dimensionamento no terreno

Quando não há tempo para a conta completa, a decisão de oficina segue uma árvore simples. Serve para uma primeira escolha; a espessura final confirma-se pelo cálculo, pela ficha técnica e pela regulamentação em vigor.

Pergunta Se sim Se não
O fluido está abaixo da temperatura de orvalho do local? critério de condensação, material de célula fechada com μ alto passar à pergunta seguinte
O local é muito húmido (cozinha, lavandaria, piscina, zona costeira)? subir um escalão de espessura manter
O fluido está muito acima do ambiente? critério de perdas e de proteção de pessoas isolamento de conforto
O troço fica no exterior? acrescentar proteção mecânica e contra UV acabamento normal
Há risco de pancadas ou de roedores? proteção mecânica (calha, chapa) acabamento normal
Há exigência de comportamento ao fogo? verificar a Euroclasse do produto verificar na mesma, se houver dúvida

Exemplo resolvido · duas linhas na mesma casa de máquinas

Linha A: água gelada a 7 °C num local a 30 °C e 75 %. Linha B: água quente a 60 °C no mesmo local.

  1. Linha A: orvalho 25,1 °C, fluido muito abaixo; local húmido. Critério de condensação com um escalão acima do mínimo: 19 mm ou 25 mm de elastómero, barreira contínua.
  2. Linha B: critério de perdas e de proteção de pessoas. 20 a 30 mm de material adequado à temperatura.
  3. As duas ficam afastadas uma da outra, ou isoladas em separado, para que o isolamento de uma não aqueça nem arrefeça a outra.

20.1 Como a condutibilidade varia com a temperatura

O λ de um isolante aumenta com a temperatura média. O valor que vem na ficha técnica refere-se a uma temperatura média indicada (por exemplo 0 °C ou 10 °C). Numa linha de água quente a 60 °C o λ real é um pouco superior ao de uma linha fria. Em cálculos de projeto usa-se o valor à temperatura média de serviço; nos cálculos de aula usa-se um valor único, mas a diferença existe e tem de ser lembrada.

20.2 Envelhecimento

Os isolantes de célula fechada com gases de expansão podem alterar a condutibilidade ao longo dos anos à medida que o gás sai e entra ar; os fabricantes declaram valores já envelhecidos. A lã mineral não envelhece da mesma forma, mas degrada-se se molhar. O envelhecimento é mais um motivo para inspecionar em vez de confiar.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O isolamento térmico em AVAC&R é uma parte funcional do sistema. Dimensiona-se pelo critério que manda: nas linhas frias é, em regra, a condensação; nas quentes, as perdas e a proteção de pessoas. Escolhe-se o material pela sua estrutura (célula fechada ou fibrosa), pelo λ, pelo μ, pela temperatura de serviço e pela reação ao fogo, sempre com a ficha técnica do produto. A barreira de vapor põe-se do lado quente e tem de ser contínua: juntas coladas e seladas, suportes com calço, nada de furos. Na tubagem frigorífica, a aspiração isola-se sempre e a linha de líquido só em casos específicos (entre eles, os splits e bombas de calor). Nas câmaras, o isolamento é a própria caixa e cada atravessamento mal vedado é uma ponte térmica. Em AVAC, a água gelada, a água quente e as condutas têm cada uma o seu procedimento. A manutenção é visual, regular e simples, e o isolamento molhado substitui-se, nunca se reaproveita. No exterior, o acabamento mecânico é parte do isolamento. O custo-benefício mostra que o primeiro isolamento se paga em meses e que o reforço se paga em poucos anos, além dos benefícios que não se medem em energia. Em tudo o que é regulado, consulta-se a redação em vigor na fonte oficial.

Exercícios resolvidos

1. Qual a resistência térmica de 25 mm de isolante com λ = 0,040 W/(m·K)?

Resolução: R = 0,025 / 0,040 = 0,625 m²·K/W.

2. Em que lado do isolamento se coloca a barreira de vapor numa conduta fria?

Resolução: do lado quente, ou seja, o exterior, do lado do ar ambiente.

3. A 30 °C e 75 % a temperatura de orvalho é 25,1 °C. Uma superfície a 24 °C condensa?

Resolução: sim, 24 °C está abaixo de 25,1 °C: condensa.

4. Das duas linhas, aspiração e líquido, qual se isola sempre?

Resolução: a aspiração, em toda a extensão. A linha de líquido só em casos especiais (entre eles, os splits e bombas de calor).

5. Uma manta com 50 mm e λ = 0,040 tem que resistência?

Resolução: R = 0,050 / 0,040 = 1,25 m²·K/W.

6. Uma abraçadeira de aço aperta diretamente o isolamento mole. Qual o problema e a solução?

Resolução: esmaga o isolamento, fura a barreira e cria ponte térmica. Solução: abraçadeira larga com calço rígido isolante entre o tubo e a abraçadeira.

7. Uma conduta de 15 m² de superfície, com U = 1,2 W/(m²·K), entre 14 °C e 30 °C. Qual o ganho de calor?

Resolução: Q = 1,2 × 15 × 16 = 288 W.

8. Um isolamento de tubo de água gelada apresenta-se mole e pesado numa zona de 30 cm. O que fazer?

Resolução: está encharcado. Substituir o troço (e alargar até zona seca), inspecionar o tubo, refazer a junta colada e selada. Não reaproveitar.

9. Pretende-se isolar 20 m de tubo por 300 €. Poupa 600 kWh por ano a 0,10 € por kWh (valores de cálculo, não preços de mercado). Retorno?

Resolução: poupança = 600 × 0,10 = 60 €/ano; retorno = 300 / 60 = 5 anos.

10. Para que serve fazer o ensaio de estanquidade antes de fechar o isolamento?

Resolução: para encontrar fugas enquanto a tubagem está visível. Com o isolamento aplicado, as fugas escondem-se e custa mais corrigir.