Mini-Projecto · Inspeção de segurança contra incêndio a um edifício
Contexto
O Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) de um concelho pediu à turma, em regime de estágio prático, uma inspeção de segurança contra incêndio a um edifício previamente identificado (uma escola, um edifício municipal ou outro equipamento público escolhido pelo professor). O objetivo é entregar um dossiê técnico completo: risco avaliado, pontos críticos identificados, sistemas de deteção e extinção caracterizados a partir das peças desenhadas, um teste real ao sistema de deteção, o plano de emergência analisado e um simulacro preparado e avaliado.
Trabalhas em grupo de 3 a 4 elementos, seguindo sempre os normativos legais em vigor (RJ-SCIE, RT-SCIE) e usando as peças desenhadas do edifício como principal ferramenta de trabalho, tal como um técnico de proteção civil faria no terreno.
Requisitos
Funcionais
- Relatório de avaliação de risco do edifício (utilização-tipo, carga de incêndio, efetivo, categoria de risco aproximada).
- Levantamento de, no mínimo, 4 pontos críticos, localizados nas peças desenhadas do edifício.
- Caracterização do tipo de construção e identificação de materiais ignífugos e inflamáveis presentes.
- Descrição, a partir das peças desenhadas, do sistema de deteção de incêndio instalado (ou proposto, se o edifício não tiver um).
- Teste real (ou simulado em sala, se o edifício não permitir) ao sistema de deteção, com registo do procedimento e resultados.
- Descrição dos dispositivos de extinção existentes (extintores, RIA, outros) e verificação do estado de fiscalização/manutenção.
- Análise do plano de emergência existente (ou proposta de um, se não existir), com os 5 pontos de verificação da sebenta.
- Plano de evacuação, incluindo procedimento para pessoas com mobilidade reduzida.
- Guião de simulacro, preparado e, sempre que possível, executado ou apresentado em role-play à turma.
Não-funcionais
- Todo o dossiê cumpre os normativos legais em vigor, com referência explícita ao RJ-SCIE e ao RT-SCIE.
- As peças desenhadas usadas ou produzidas estão anexadas e legíveis.
- Linguagem técnica correta e consistente com a sebenta e as fichas.
- Apresentação final à turma, em suporte visual (slides ou cartazes).
Fases
Fase 1 · Escolha do edifício e recolha de peças desenhadas (2h) Selecionar o edifício identificado para a prática, obter ou desenhar a planta com quadros elétricos, cozinha, arquivos, saídas e caminhos de evacuação.
Fase 2 · Avaliação de risco e pontos críticos (3h) Determinar a utilização-tipo aproximada, o efetivo e a carga de incêndio; identificar e localizar na planta pelo menos 4 pontos críticos.
Fase 3 · Construção e materiais (2h) Caracterizar o tipo de construção do edifício e listar materiais inflamáveis e elementos ignífugos identificados.
Fase 4 · Sistemas de deteção e teste (4h) Descrever o SADI existente a partir das peças desenhadas; planear e realizar (ou simular em sala) o teste ponto a ponto, com registo dos resultados.
Fase 5 · Sistemas de extinção e fiscalização (2h) Levantar extintores e outros dispositivos de extinção; verificar classes de fogo cobertas e o estado de manutenção (NP 4413).
Fase 6 · Plano de emergência, evacuação e simulacro (5h) Analisar (ou propor) o plano de emergência, desenhar o procedimento de evacuação com apoio a PMR, e preparar o guião do simulacro.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o dossiê completo à turma, incluindo as peças desenhadas anotadas e o guião do simulacro.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Avaliação de risco e pontos críticos, corretos e justificados | 20% |
| Uso correto das peças desenhadas para caracterizar deteção e extinção | 20% |
| Teste ao sistema de deteção, procedimento e registo completos | 20% |
| Plano de emergência, evacuação e apoio a PMR | 20% |
| Guião de simulacro e avaliação prevista | 10% |
| Dossiê, rigor técnico e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Avaliar o risco só pelo número de pessoas, sem olhar à carga de incêndio nem à geometria do edifício.
- Descrever os sistemas de deteção e extinção "de memória", sem consultar as peças desenhadas do edifício.
- Testar o sistema de deteção só num ou dois pontos e dar o sistema como validado.
- Propor água como agente extintor para um fogo de gorduras (classe F) ou de líquidos inflamáveis (classe B).
- Analisar o plano de emergência sem confirmar no local se corresponde à realidade atual do edifício.
- Esquecer o procedimento específico para pessoas com mobilidade reduzida no plano de evacuação.
- Entregar um guião de simulacro sem ficha de avaliação nem proposta de correção do plano.
Bónus (opcional)
- Propor uma melhoria concreta ao sistema de deteção existente (por exemplo, substituir um detetor ótico mal localizado por um térmico).
- Desenhar a planta de emergência do edifício ("Está aqui", com caminhos e ponto de encontro), pronta a afixar.
- Executar o simulacro na prática, com a turma, e apresentar os tempos reais medidos.
- Comparar o edifício escolhido com um segundo edifício de utilização-tipo diferente, destacando as diferenças de categoria de risco.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que testar um sistema de deteção de incêndio tem de ser feito ponto a ponto, e não por amostragem? E, olhando para o edifício que inspecionaste, qual foi o ponto crítico que mais te surpreendeu identificar, e porquê?