Mini-Projeto · Planear e conduzir um simulacro municipal
Contexto
O Serviço Municipal de Proteção Civil de Vale Fundeiro vai realizar, dentro de três meses, o seu primeiro exercício de grande escala em dois anos. A matriz de riscos do concelho aponta o incêndio florestal na zona periurbana como o cenário de maior probabilidade, com um bairro residencial junto à mata municipal particularmente exposto.
Foste destacado/a, individualmente ou em equipa, para a equipa de planeamento. O trabalho vai da conceção do programa até ao relatório final, tal como acontece na realidade: planear, preparar recursos, desenhar a condução, prever a gestão de imprevistos, definir a segurança e estruturar a avaliação.
Requisitos
Funcionais
- Enquadramento no programa de exercícios: justificar a escolha do tipo de exercício (mesa, funcional ou campo) para este cenário, face à matriz de riscos.
- Plano de exercício escrito, com papéis e responsabilidades, cronograma e procedimentos de segurança.
- Definição do cenário, com pelo menos uma justificação de priorização face a outros riscos do concelho.
- Lista de recursos materiais, humanos e financeiros necessários.
- Estrutura de condução: direção, supervisão, controlo e arbitragem, com nomes de funções atribuídas.
- Pelo menos duas injeções de ocorrências planeadas, com o objetivo pedagógico de cada uma.
- Plano de segurança, com identificação de perigos, classificação e medidas de mitigação, e palavra de paragem definida.
- Plano de gestão de imprevistos, com pelo menos dois cenários de imprevisto e a resposta prevista (adaptar, substituir ou suspender).
- Grelha de avaliação e estrutura do relatório final.
Não-funcionais
- Documento claro, organizado por secções, sem travessões nem jargão desnecessário.
- Cronograma coerente com a duração real do exercício proposto.
- Coerência entre o tipo de exercício escolhido e o nível de detalhe do plano (um exercício de mesa não precisa do mesmo plano de segurança de um Livex).
- Linguagem rigorosa e alinhada com o referencial de Proteção Civil.
Fases
Fase 1 · Programa e escolha do tipo de exercício (2h) Analisar a matriz de riscos fornecida, justificar a escolha do tipo de exercício (mesa, funcional ou campo) e o enquadramento no programa anual do serviço.
Fase 2 · Definir e priorizar o cenário (2h) Descrever o cenário de incêndio florestal periurbano em detalhe (magnitude, área, hora do dia) e justificar a priorização face a outros riscos do concelho.
Fase 3 · Elaborar o plano do exercício (3h) Escrever papéis e responsabilidades, cronograma detalhado e procedimentos de segurança.
Fase 4 · Preparar os recursos (3h) Listar recursos materiais, humanos e financeiros, e descrever o processo de inventariar, reservar, confirmar e distribuir.
Fase 5 · Estrutura de condução e injeções (3h) Definir direção, supervisão, controlo e arbitragem, e desenhar pelo menos duas injeções de ocorrências.
Fase 6 · Segurança e gestão de imprevistos (3h) Identificar e classificar perigos, definir medidas de mitigação e a palavra de paragem, e descrever dois cenários de imprevisto com a resposta prevista.
Fase 7 · Avaliação e apresentação (4h) Construir a grelha de avaliação, a estrutura do relatório final, e apresentar o dossiê completo à turma como se fosse à direção do serviço.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Programa, tipo de exercício e priorização do cenário | 15% |
| Plano do exercício (papéis, cronograma, segurança) | 20% |
| Recursos materiais, humanos e financeiros | 15% |
| Estrutura de condução e injeções de ocorrências | 20% |
| Segurança e gestão de imprevistos | 15% |
| Avaliação, relatório final e apresentação | 15% |
Erros comuns
- Escolher um exercício de campo (Livex) sem antes ter testado a coordenação num exercício de mesa ou funcional.
- Definir o cronograma antes de identificar os perigos e os procedimentos de segurança.
- Esquecer a palavra de paragem ou não a comunicar a todos os participantes.
- Planear injeções de ocorrências a mais, tornando o exercício confuso em vez de instrutivo.
- Não prever recursos de reserva para imprevistos previsíveis, como avarias de viaturas.
- Entregar um relatório final sem recomendações concretas, prazo nem responsável.
- Misturar o plano do exercício com o Plano de Emergência do território, que são documentos distintos.
Bónus (opcional)
- Desenhar um segundo cenário alternativo (por exemplo, cheia rápida) para o programa do ano seguinte.
- Propor um sistema simples de registo digital das grelhas de avaliação, para facilitar o relatório final.
- Simular, em sala de aula, uma sessão de balanço (hotwash) de dez minutos com base no cenário criado.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a decisão de suspender um exercício não deve ser vista como um fracasso? E identifica duas atitudes profissionais (do referencial da UC) que foram mais exigidas ao longo deste projeto, com um exemplo concreto de cada uma.