Mini-Projecto · Painel decorativo em relevo e textura
Contexto
O "Atelier da Ribeira", um pequeno estúdio de cerâmica com loja própria, recebeu uma encomenda: um painel decorativo de parede, composto por peças individuais em barro, que combine pelo menos duas técnicas de relevo e textura estudadas nesta UC. O cliente pediu um tema à escolha do atelier, com uma condição só: a peça tem de ter identidade própria, não pode parecer um padrão genérico comprado numa loja.
Foste destacado/a para desenvolver este trabalho, do projeto no papel até à peça cozida, pronta a entregar ao cliente com um pequeno dossiê explicativo das escolhas feitas.
Requisitos
Funcionais
- Um projeto escrito e desenhado, com a peça, a(s) técnica(s) e a composição definidas antes de tocar na pasta.
- Combinação de, no mínimo, duas técnicas de relevo e textura diferentes (por exemplo, impressão e adereço, ou incisão e esgrafito).
- Utilização de, pelo menos, um adereço fixado pela técnica de riscar e colar.
- Composição com hierarquia visual: uma zona de destaque e zonas de apoio, mais uma zona de descanso sem decoração.
- Peça seca de forma controlada e cozida em biscoito no forno da oficina.
Não-funcionais
- Uso correto do kit de ferramentas e dos instrumentos de gravação disponíveis na oficina.
- Cumprimento das normas de higiene e segurança, com uso de avental e limpeza da bancada.
- Proteção do trabalho entre sessões, com sacos de plástico e etiqueta de identificação.
- Registo fotográfico das principais etapas, para o dossiê final.
Fases
Fase 1 · Projeto (1h30) Escolher o tema e a forma da peça; esboçar a composição; escolher as técnicas a combinar; listar ferramentas e materiais necessários.
Fase 2 · Preparação da pasta e provetes (2h) Selecionar a pasta adequada; amassar e preparar; fazer provetes das técnicas escolhidas e cozê-los numa cozedura de teste, se possível.
Fase 3 · Modelação da base (2h) Modelar a peça base a decorar, garantindo a espessura e a forma previstas no projeto.
Fase 4 · Execução do relevo e da textura (3h) Aplicar as técnicas escolhidas: impressão, incisão, esgrafito, perfuração ou adereços, seguindo a composição planeada.
Fase 5 · Proteção, secagem e cozedura (2h de acompanhamento, mais o tempo de secagem) Proteger o trabalho entre sessões; garantir secagem lenta e uniforme; enfornar e cozer em biscoito, verificando o arrefecimento completo.
Fase 6 · Controlo de qualidade e apresentação (1h30) Verificar regularidade, fixação e composição da peça acabada; preparar o dossiê e apresentar o trabalho ao cliente simulado (a turma).
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Projeto (peça, técnica e composição definidos) | 15% |
| Preparação da pasta e uso correto dos provetes | 10% |
| Execução técnica do relevo e da textura | 30% |
| Composição, harmonia e fidelidade ao projeto | 20% |
| Secagem, cozedura e ausência de defeitos evitáveis | 15% |
| Higiene, segurança e dossiê final | 10% |
Erros comuns
- Começar a modelar sem projeto, decidindo a composição peça a peça à medida que se avança.
- Não testar as técnicas em provete, descobrindo problemas só na peça final.
- Fixar o adereço só com água, sem riscar as superfícies, provocando descolamento certo.
- Trabalhar a incisão com pasta demasiado mole, obtendo um traço rasgado em vez de limpo.
- Secar depressa demais, sobretudo junto ao adereço, criando fendas por tensão desigual.
- Abrir o forno com a peça ainda quente, arriscando choque térmico numa peça já quase pronta.
- Cobrir toda a superfície com o mesmo padrão, sem hierarquia nem espaço de descanso visual.
Bónus (opcional)
- Combinar três técnicas de relevo e textura, em vez do mínimo de duas exigido.
- Aplicar um engobe e uma técnica de esgrafito numa das peças do painel.
- Preparar o painel para receber vidrado numa UC seguinte, prevendo a zona a vidrar no próprio projeto.
- Fotografar o painel em diferentes condições de luz, mostrando como o relevo muda de leitura consoante a sombra projetada.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi a decisão de composição mais difícil de tomar neste painel, e porquê? E identifica duas situações, ao longo do projeto, em que o provete evitou um erro que, de outra forma, só terias descoberto na peça final já cozida.