Mini-Projecto · Porta e janela com aro para uma casa de campo
Contexto
A "Casa da Quinta", uma pequena casa de campo em reabilitação, precisa de uma porta interior com aro e de uma janela com aro para o mesmo compartimento. Foste contratado/a pela oficina de carpintaria para executar as duas peças de raiz, a partir do desenho técnico fornecido, prontas a instalar no vão da obra.
Trabalhas individualmente ou a pares, seguindo todo o percurso da UC: leitura do desenho, preparação da madeira, marcação, execução das samblagens, armação, colagem, verificação, acabamento, ferragens e vidro.
Requisitos
Funcionais
- Desenho técnico próprio (alçado, cortes horizontal e vertical e lista de materiais) para a porta e para a janela, com todas as cotas necessárias à execução.
- Lista de corte calculada: medidas das folhas a partir do aro (luz, rebaixos, folgas), comprimento das travessas, ombros desencontrados, medida do vidro e diagonais de verificação.
- Porta com aro, de abrir (batente), com couceiras, travessas, respiga e caixa nas uniões de canto.
- Janela com aro, de um dos tipos estudados (correr, guilhotina, basculante, pivotante ou oscilobatente), com couceiras, travessas e pelo menos um pinázio.
- Samblagens de respiga e caixa em todas as uniões estruturais, armadas a seco e verificadas antes da colagem.
- Colagem com palmetas em ambos os conjuntos: respigas passantes coladas e encunhadas com palmetas (pequenas cunhas de madeira), com ajustamento da esquadria pelas diagonais e verificação do desempeno.
- Ferragens completas e funcionais: dobradiças e fecho na porta; a ferragem própria do tipo de janela escolhido.
- Vidro aplicado na janela, com rebaixo protegido, calços de apoio e periféricos, vedação e bites.
Não-funcionais
- Peças sem empeno percetível, com esquadrias verificadas e registadas.
- Acabamento afagado e lixado antes da aplicação de ferragens e vidro.
- Equipamentos de Proteção Individual (EPI) usados em todas as operações de máquina.
- Dossiê com o desenho técnico, o registo de verificações e as decisões tomadas.
Fases
Fase 1 · Desenho técnico (2h) Elaborar ou interpretar o desenho da porta e da janela: alçado, cortes, cotas e lista de materiais; calcular a lista de corte.
Fase 2 · Seleção e preparação da madeira (3h) Selecionar a madeira e medir o teor de água; serrar, desempenar e desengrossar todas as peças até à espessura e largura finais.
Fase 3 · Marcação e traçagem (2h) Marcar e traçar couceiras, travessas e pinázios de ambos os conjuntos, com a marcação específica do tipo de janela escolhido.
Fase 4 · Furação, respigagem e moldagem (4h) Executar as respigas, as caixas, os rebaixos e os furos necessários em todas as peças.
Fase 5 · Armação e colagem (4h) Armar a seco, verificar, colar e encunhar com palmetas os dois conjuntos, ajustando a esquadria pelas diagonais e verificando o desempeno.
Fase 6 · Verificação, afagamento e lixagem (3h) Verificar esquadrias e empenos; afagar e lixar as superfícies até ficarem prontas para acabamento.
Fase 7 · Ferragens e vidro (4h) Marcar, alojar e fixar as ferragens; preparar o rebaixo, assentar e vedar o vidro na janela.
Fase 8 · Apresentação (2h) Demonstrar o funcionamento da porta e da janela à turma, explicando as decisões do dossiê.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Leitura e desenho técnico | 10% |
| Preparação da madeira e marcação | 15% |
| Samblagens, furação, respigagem e moldagem | 20% |
| Armação, colagem e esquadria | 20% |
| Ferragens e aplicação de vidro | 20% |
| Segurança, acabamento e dossiê | 15% |
Erros comuns
- Avançar para a execução sem ler todas as cotas do desenho técnico.
- Saltar o aparelhamento e o desengrosso, partindo de uma face que não é plana.
- Colar sem armar e verificar a seco primeiro.
- Confundir palmetas (cunhas que travam a respiga) com calços (proteção do sargento), e apertar sem calços, marcando a madeira.
- Não medir as diagonais antes de a cola secar.
- Marcar as ferragens a olho, sem partir do desenho técnico.
- Aplicar o vidro antes de terminado o acabamento.
Bónus (opcional)
- Aplicar um perfil decorativo moldado nas faces visíveis da janela.
- Executar um pinázio adicional na janela, repartindo o vidro em dois painéis.
- Ensaiar um segundo tipo de junta: meia-madeira no cruzamento de dois pinázios.
- Preparar um acabamento final (verniz ou pintura) sobre as peças concluídas.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a verificação da esquadria tem de acontecer antes de a cola secar, e não depois? E identifica duas situações do projeto em que um erro de marcação só seria detetado numa fase muito posterior, com que consequências.