Mini-Projeto · Controlo dimensional e geométrico de um lote de peças CNC
Contexto
A marcenaria "Oficina do Freixo" produz componentes de mobiliário num centro de trabalho CNC e recebeu uma encomenda de um armário modular. Antes da montagem, a chefia de produção pede-te para controlar dimensional e geometricamente um lote de peças e confirmar o estado de três ferramentas do centro de trabalho, entregando uma ficha de controlo da qualidade completa e fundamentada.
Trabalhas individualmente ou a pares, com o desenho técnico fornecido pelo professor, uma bancada de medição equipada e os instrumentos estudados na UC, e entregas um dossiê com todas as medições, decisões e uma reflexão final.
Requisitos
Funcionais
- Identificar, para cada peça do lote, a tolerância exigida a partir do desenho técnico.
- Selecionar o instrumento adequado a cada tolerância, com justificação.
- Medir dimensionalmente, no mínimo, 5 componentes diferentes (prateleiras, laterais, portas, gavetas ou similares).
- Verificar geometricamente, no mínimo, 2 peças com esquadria ou paralelismo relevantes.
- Medir, no mínimo, 3 ferramentas do centro de trabalho CNC (fresas, brocas ou serras), incluindo verificação do batimento com comparador e, se houver, uma ferramenta de número ímpar de arestas medida com instrumento de 3 ou 5 contactos.
- Converter pelo menos 1 medida entre sistema imperial e SI, documentando o cálculo.
- Preencher uma ficha de controlo da qualidade com valor medido, intervalo de tolerância e decisão para cada peça.
Não-funcionais
- Registo organizado e legível, com unidades sempre explícitas.
- Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho e uso correto do EPI durante todo o trabalho.
- Instrumentos verificados no zero antes de cada série de medições.
- Reflexão final com base em dados reais recolhidos, não em valores inventados.
Fases
Fase 1 · Leitura do desenho e planeamento (2h) Analisar o desenho técnico fornecido, identificar as tolerâncias de cada peça e planear qual instrumento usar em cada uma, com justificação escrita.
Fase 2 · Preparação da bancada (1h) Organizar a bancada de medição, verificar o zero de todos os instrumentos e confirmar o EPI necessário para a tarefa.
Fase 3 · Controlo dimensional dos componentes (5h) Medir os 5 componentes com o instrumento selecionado, repetindo cada leitura e registando o valor na ficha de controlo.
Fase 4 · Controlo geométrico (3h) Verificar esquadria e paralelismo das 2 peças indicadas, com esquadro, comparação das diagonais, régua de fio e apalpa-folgas, registando os valores e as conclusões.
Fase 5 · Medição das ferramentas CNC (5h) Medir as 3 ferramentas com a aparelhagem própria (diâmetro, comprimento, haste, batimento com o comparador, marcação de n max), decidir se cada uma está apta a montar na máquina e indicar os valores a registar na tabela de ferramentas. Toda a medição é feita com as ferramentas desmontadas ou com a máquina parada em modo seguro.
Fase 6 · Conversão de unidades e decisão final (2h) Converter pelo menos uma medida entre sistema imperial e SI, comparar todos os resultados com as tolerâncias e fechar a ficha de controlo da qualidade com a decisão de cada peça e ferramenta.
Fase 7 · Apresentação e reflexão (2h) Apresentar o dossiê à turma, explicando as escolhas de instrumento e pelo menos um caso em que a peça não ficou conforme.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Leitura do desenho e escolha justificada dos instrumentos | 15% |
| Controlo dimensional dos componentes | 20% |
| Controlo geométrico das peças | 15% |
| Medição das ferramentas de centro de trabalho CNC | 20% |
| Conversão de unidades e registo correto | 10% |
| Segurança, EPI e organização da bancada | 10% |
| Dossiê, ficha de controlo e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Medir sem verificar o zero do instrumento no início da bancada.
- Escolher um instrumento com resolução insuficiente para a tolerância pedida.
- Confundir milímetros com polegadas numa ferramenta importada.
- Dar uma peça como conforme só pela cota, sem verificar a geometria.
- Medir uma ferramenta ainda montada e em rotação na máquina.
- Registar apenas "está bem" em vez do valor numérico medido.
- Esquecer o EPI por a tarefa "ser só medir".
Bónus (opcional)
- Calibrar um instrumento contra um bloco padrão e documentar o desvio encontrado.
- Medir uma fresa de 3 cortes com um paquímetro normal e com um instrumento de 3 contactos, e explicar a diferença entre as duas leituras.
- Propor um modelo próprio de ficha de controlo da qualidade para a oficina.
- Repetir uma medição crítica com dois instrumentos diferentes e comparar os resultados.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi a peça ou ferramenta em que a escolha do instrumento fez mais diferença no resultado, e porquê? E se tivesses usado sempre o instrumento mais preciso disponível em todas as medições, que impacto teria isso no tempo total do trabalho?