Mini-Projecto · Produzir uma peça de mobiliário na oficina de segunda transformação
Contexto
A marcenaria "Oficina do Vale" recebeu uma encomenda de um pequeno lote de bancos baixos em madeira maciça, com pernas em esquadria, travessas ligadas por respiga e mortalha, e um assento em painel com rebaixo de encaixe. Foste destacado/a para produzir uma unidade de amostra, seguindo o fluxo completo de máquinas da oficina, do desenho à peça acabada, com registo escrito de todas as verificações de segurança.
Trabalhas individualmente ou em pequeno grupo, e entregas a peça montada mais um dossiê técnico com o planeamento de corte, as fichas de verificação de máquina e o registo de qualidade.
Requisitos
Funcionais
- Desenho técnico simples do banco, com cotas das pernas, travessas e assento.
- Planeamento do corte das peças a partir das tábuas disponíveis, minimizando o desperdício.
- Pernas e travessas desempenadas na garlopa (face e canto de referência) e levadas à espessura e largura finais na desengrossadeira.
- Peças cortadas ao comprimento na serra circular, com o cutelo divisor sempre montado.
- Pelo menos uma ligação respiga e mortalha entre perna e travessa, com a respiga cortada na respigadeira e a mortalha aberta na furadora de corrente.
- Pelo menos um rebaixo ou ranhura feito na fresadora, para o encaixe do assento.
- Acabamento final lixado, com sequência de grão do mais grosso ao mais fino.
Não-funcionais
- Registo escrito da verificação de segurança feita antes de operar cada máquina.
- Uso constante e documentado do sistema de aspiração e despoeiramento.
- EPI correto identificado e usado em cada operação (sem luvas junto de ferramentas rotativas).
- Peça final com esquadria e cotas dentro da especificação do desenho.
Fases
Fase 1 · Desenho e planeamento (3h) Desenhar as peças do banco com cotas; planear o corte a partir das tábuas disponíveis, minimizando desperdício.
Fase 2 · Preparação de máquinas (2h) Verificar e, se necessário, substituir ferramentas de corte (disco, fresa, broca), registando o procedimento seguido.
Fase 3 · Serrar e aparelhar (5h) Cortar as tábuas na serra de fita ou circular à medida bruta; aplainar na garlopa; levar à espessura final na desengrossadeira.
Fase 4 · Furar e cortar respigas (5h) Abrir as mortalhas na furadora de corrente; cortar as respigas correspondentes na respigadeira; ajustar as ligações a seco.
Fase 5 · Moldar e fresar (4h) Fresar o rebaixo ou ranhura de encaixe do assento; se aplicável, moldar um perfil decorativo na tupia.
Fase 6 · Montagem e acabamento (4h) Montar as peças (a seco ou com cola); lixar com sequência de grão progressiva; verificação final de qualidade.
Fase 7 · Apresentação (2h) Apresentar o banco e o dossiê técnico à turma, explicando as decisões de segurança e de planeamento tomadas.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Desenho e planeamento de corte | 10% |
| Preparação e substituição correta de ferramentas | 15% |
| Serrar e aparelhar (garlopa, desengrossadeira, serra) | 20% |
| Furar e samblagem (respiga e mortalha) | 20% |
| Moldar/fresar e acabamento (fresadora, lixamento) | 15% |
| Segurança, EPI e aspiração documentados | 15% |
| Dossiê e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Cortar as peças ao comprimento final antes de as aplainar e desengrossar.
- Substituir uma ferramenta de corte sem isolar a máquina da corrente.
- Cortar a respiga sem confirmar a largura real da mortalha já aberta.
- Avançar a peça a favor da rotação da fresa em vez de contra ela.
- Saltar grãos de lixa, deixando riscos visíveis no acabamento.
- Não documentar a verificação de segurança feita antes de operar cada máquina.
- Trabalhar peças curtas à mão em vez de usar empurrador ou fixação.
Bónus (opcional)
- Acrescentar um perfil decorativo moldado na tupia ao bordo do assento.
- Produzir uma segunda unidade em série, medindo o tempo de cada fase e comparando com a primeira.
- Testar diferentes grãos de lixa numa peça de amostra e documentar o resultado ao tato e à vista.
- Propor uma melhoria ao planeamento de corte que reduza ainda mais o desperdício de material.
Reflexão
No dossiê final, responde: porque é que a ordem garlopa, desengrossadeira, serra é importante, e o que aconteceria se a invertesses? E identifica duas situações do projeto em que uma verificação de segurança evitou, ou teria evitado, um risco concreto.