Mini-Projeto · Controlar o stock de um armazém de cortiça
Contexto
A "Corticeira do Vale", uma pequena fábrica de rolhas de cortiça natural, está a rever o seu sistema de controlo de stocks depois de ter tido, no último trimestre, duas roturas de material que pararam a produção e uma divergência grave num inventário que nunca foi bem explicada. A direção decidiu contratar um técnico de operações para reorganizar o armazém de semiacabados e o armazém de produto acabado, e para propor um processo completo de gestão de stocks, do momento em que um material entra até ao momento em que sai como produto vendido.
Trabalhas individualmente ou a pares, no papel deste técnico, e entregas um dossiê completo com a proposta de organização, os cálculos de stock mínimo, o critério de movimentação escolhido para cada família de material, e o resultado de um exercício de inventário simulado.
Requisitos
Funcionais
- Mapa de organização do armazém de semiacabados e do armazém de produto acabado, por família e critério de arrumação.
- Sistema de codificação de artigos, aplicado a pelo menos três famílias de material (granulado, rolhas, produtos de tratamento).
- Cálculo do stock de segurança e do ponto de encomenda para, no mínimo, duas referências diferentes.
- Escolha justificada do critério de movimentação (FIFO, LIFO ou FEFO) para cada família de material do armazém.
- Simulação de uma contagem cíclica de inventário, com pelo menos uma divergência proposta e a respetiva investigação.
- Pelo menos duas conversões de unidades (arroba para quilograma, milheiro para unidade), aplicadas a casos concretos do dossiê.
Não-funcionais
- Todos os documentos do ciclo de armazém (guia de receção, ficha de stock, requisição interna) representados, ainda que de forma simplificada.
- Registo de pelo menos uma não conformidade de qualidade (por exemplo, humidade fora dos limites) e do respetivo encaminhamento.
- Referência explícita a pelo menos duas medidas de segurança e saúde no trabalho aplicáveis ao armazém proposto.
- Linguagem e formato profissionais, como se o dossiê fosse entregue à direção da empresa.
Fases
Fase 1 · Levantamento e organização do armazém (3h) Definir as famílias de material do armazém de semiacabados e de produto acabado, e propor a organização (por família, rotação ou localização) e os critérios de arrumação de cada uma.
Fase 2 · Codificação e documentação (3h) Construir o sistema de codificação para as três famílias exigidas, e desenhar os modelos simplificados de guia de receção, ficha de stock e requisição interna.
Fase 3 · Critérios de movimentação (2h) Para cada família de material, escolher e justificar FIFO, LIFO ou FEFO, com base na natureza do material (degradação, validade).
Fase 4 · Stocks mínimos e pontos de encomenda (3h) Calcular o stock de segurança e o ponto de encomenda para duas referências, a partir de dados de consumo médio diário e prazo de entrega definidos pelo grupo.
Fase 5 · Simulação de inventário (4h) Simular uma contagem cíclica com uma divergência realista, investigar a causa provável e registar o ajuste com justificação.
Fase 6 · Conversões, qualidade e segurança (3h) Resolver as conversões de unidades exigidas, registar uma não conformidade de qualidade e indicar duas medidas de segurança e saúde no trabalho para o armazém proposto.
Fase 7 · Apresentação do dossiê (2h) Apresentar à turma a proposta completa de gestão de stocks, justificando as principais decisões tomadas em cada fase.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Organização e codificação do armazém | 20% |
| Critérios de movimentação justificados | 15% |
| Stocks mínimos e pontos de encomenda | 20% |
| Simulação e investigação do inventário | 20% |
| Conversões, qualidade e segurança | 15% |
| Dossiê e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Propor um sistema de codificação sem espaço para distinguir calibres ou classes muito semelhantes.
- Escolher FIFO para todos os materiais, ignorando produtos com validade que exigiriam FEFO.
- Calcular o stock de segurança sem justificar de onde vêm o consumo médio e o prazo de entrega usados.
- Simular uma divergência de inventário e ajustar o saldo sem propor nenhuma investigação da causa.
- Esquecer a conversão de unidades antes de registar uma quantidade, ou converter na direção errada.
- Ignorar por completo os requisitos de segurança e saúde no trabalho, tratando o armazém como um espaço sem risco.
Bónus (opcional)
- Desenhar um esboço (em texto ou diagrama simples) da planta do armazém proposto, com zonas identificadas.
- Propor um conjunto de alertas automáticos que um sistema informático de gestão de stocks deveria disparar para este armazém.
- Simular um segundo inventário, três meses depois, mostrando a evolução do número de divergências.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual das duas roturas de material do trimestre anterior, receção mal conferida ou stock mínimo mal calculado, seria evitada com a proposta que desenvolveste, e como? E identifica uma atitude profissional do referencial (por exemplo, sentido crítico ou sentido de organização) que consideras mais determinante para o sucesso desta proposta na prática do dia a dia.