Mini-Projeto · Montar, ensaiar e entregar um split na oficina da escola
Contexto
A oficina da escola vai receber um split de parede de ensaio, montado num painel ou numa parede de treino que simula uma fachada: a unidade interior de um lado, a unidade exterior do outro, com uma travessia entre as duas. O professor atua como cliente e o grupo como a equipa de instalação.
Trabalhas em grupos de dois ou três, com o material que a oficina tem: um split com o manual de instalação, tubo de cobre isolado, ferramentas de alargamento e de dobrar, chave dinamométrica, azoto com redutor, manifold, bomba de vácuo, vacuómetro, balança, detetor de fugas, multímetro, pinça e sondas de temperatura. Entregas um dossiê de obra: ficha de obra, registos de cada ensaio, medições de arranque e relatório assinado pelo "cliente".
Os valores de aperto, de ensaio, de vácuo e de carga são sempre os do manual do equipamento da oficina. Quem faz intervenções com fluido frigorigéneo trabalha sob a supervisão do professor e com a certificação exigida pela legislação em vigor para a atividade; o fluido da pré-carga não é libertado em nenhuma fase.
Requisitos
Funcionais
- Preencher a ficha de obra: locais, percurso real, desnível, limites do manual, lista de material e cálculo da carga adicional (que pode dar zero).
- Verificar os afastamentos da unidade exterior e da interior com fita métrica e registá-los.
- Fixar a placa da interior e a base ou consola da exterior, com nível e prova de carga.
- Furar ou preparar a travessia com manga, descida para o exterior e vedação.
- Cortar, rebarbar e dobrar a tubagem; fazer pelo menos 4 cones (2 por tubo, no mínimo) e apertá-los com chave dinamométrica ao binário do manual, com contra-chave, marcando as porcas.
- Montar o dreno com inclinação contínua e ensaiá-lo com água.
- Fazer a interligação elétrica com condutores etiquetados, verificando continuidade, isolamento e terra antes de energizar.
- Fazer o ensaio de estanquidade com azoto, por escalões, com correção da queda de pressão pela temperatura.
- Fazer o vácuo com vacuómetro e a prova de subida de pressão.
- Abrir as válvulas, procurar fugas, arrancar em arrefecimento e medir: ΔT do ar, corrente, temperaturas das linhas e a pressão de baixa, calculando o sobreaquecimento e, se o equipamento tiver porto de alta, o subarrefecimento.
- Preencher o relatório da intervenção e fazer a demonstração ao cliente.
Não-funcionais
- Segurança em primeiro lugar: EPI completo, circuito sem tensão e bloqueado, azoto com redutor, ninguém brasa nem ensaia sem a supervisão do professor.
- Ambiente: nenhum fluido libertado; resíduos de cobre, isolamento e embalagens separados.
- Todos os valores registados com unidade e hora, nunca "está bem".
- Cumprimento da sequência: nenhum passo seguinte sem o critério do anterior cumprido.
- Dossiê legível e rastreável.
Fases
Fase 1 · Ficha de obra e planeamento (1h) Ler o manual e sublinhar os valores de instalação (afastamentos, diâmetros, binários, pressão e tempo de ensaio, vácuo, pré-carga, g/m, limites). Medir o percurso real e preencher a ficha de obra e a lista de material.
Fase 2 · Localização e fixação (1h30) Verificar os afastamentos, fixar a placa da interior e a base ou consola da exterior com nível e prova de carga, preparar a travessia com manga e descida para fora.
Fase 3 · Tubagem e uniões (2h) Cortar, rebarbar, dobrar e isolar os tubos; passar o feixe; fazer os cones, inspecioná-los, apertar com chave dinamométrica ao binário do manual e marcar as porcas. Os cones defeituosos são refeitos e contados no dossiê.
Fase 4 · Dreno e parte elétrica (1h) Montar o dreno, medir a inclinação com o nível e ensaiar com água; ligar a interligação com condutores etiquetados, medir continuidade, isolamento e terra, sem energizar.
Fase 5 · Estanquidade e vácuo (2h) Ensaio por escalões com azoto, registo de pressão e temperatura no início e no fim, cálculo da pressão esperada; purga do azoto; vácuo com vacuómetro; prova de subida de pressão.
Fase 6 · Arranque e medições (1h) Abrir as válvulas, passar o detetor, arrancar em arrefecimento, estabilizar e medir ΔT, corrente, temperaturas e a pressão de baixa; calcular o sobreaquecimento e, se houver porto de alta, o subarrefecimento. Se o equipamento não tiver porto de alta, registar sobreaquecimento, ΔT e massa carregada, estimar o subarrefecimento pela temperatura da serpentina a meio do condensador menos a temperatura da linha de líquido (só como indicação), e dizer no relatório que o subarrefecimento não foi medido por falta de porto de alta.
Fase 7 · Relatório e entrega (1h30) Isolar as uniões, acabar o feixe, limpar o posto, completar o relatório e fazer a demonstração ao "cliente", incluindo limpeza de filtros e o que é normal e anormal.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Ficha de obra, leitura do manual e cálculos | 10% |
| Localização, fixação e travessia | 10% |
| Tubagem, cones e aperto com chave dinamométrica | 20% |
| Dreno e ensaio com água; parte elétrica | 10% |
| Estanquidade e vácuo (método, registos e interpretação) | 20% |
| Arranque, medições e interpretação | 10% |
| Segurança, ambiente e organização do posto | 10% |
| Relatório e demonstração ao cliente | 10% |
Erros comuns
- Apertar as porcas a olho, sem chave dinamométrica nem contra-chave.
- Esquecer a porca antes de alargar, ou reaproveitar um cone mal feito.
- Dreno com contra-inclinação ou sem ensaio com água.
- Isolamento interrompido na travessia ou nas uniões, ou os dois tubos no mesmo isolamento.
- Ensaiar com ar em vez de azoto, ou não registar a temperatura do ensaio.
- Tomar uma queda de pressão térmica por fuga (ou o contrário).
- Vácuo curto, só com o manómetro do manifold, sem prova de subida de pressão.
- Purgar com o fluido da pré-carga em vez de fazer vácuo.
- Medir os valores de arranque nos primeiros minutos, antes de estabilizar.
- Deixar tampões e tampas por apertar nas válvulas.
- Não registar valores, ou escrever apenas "ok".
Bónus (opcional)
- Fazer o teste das ligações cruzadas com uma segunda interior de bancada, simulando um multi-split de duas divisões, com ramos etiquetados.
- Provocar, no painel de treino e com a supervisão do professor, uma contra-inclinação no dreno e registar o efeito no ensaio com água, antes de a corrigir.
- Comparar a curva de vácuo com o óleo da bomba limpo e com o óleo gasto, quando houver bomba para o ensaio.
- Propor um modelo próprio de folha de verificação de vinte passos para a oficina.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi o passo em que a tentação de poupar tempo foi maior, e que erro concreto teria resultado de o saltar? E se o grupo, numa instalação como esta, só tivesse conseguido medir a pressão de baixa, que conclusões podia tirar sobre a carga e quais ficavam por tirar?