Mini-Projeto · Inspeção a um equipamento de frio ou de climatização da oficina da escola
Contexto
A oficina da escola tem equipamentos de refrigeração e de climatização usados nas aulas: uma bancada didática de refrigeração, uma câmara frigorífica de treino, um split ou uma unidade de ar condicionado de demonstração. O responsável pelas oficinas quer saber em que estado estão, se os registos estão em ordem e o que deve ser corrigido, e pede-te uma inspeção completa a um deles, com um relatório que sirva de base ao próximo plano de manutenção.
Trabalhas a pares, com o equipamento escolhido pelo professor, o material de medição da oficina e o apoio de um técnico certificado do corpo docente para tudo o que implique ligar manómetros ao circuito frigorífico. Entregas um dossiê com a ficha de identificação, a lista de verificação preenchida, a folha de medições, o relatório e uma reflexão. As três folhas constróis tu: a ficha de identificação a partir do quadro de campos da chapa (sebenta, capítulo 5), a lista de verificação a partir das listas por tipo de equipamento (capítulo 11), com o modelo de tabela da ficha-01, exercício 3, e a folha de medições a partir dos quadros de grandezas a medir (capítulos 13.2, 14.1 e 15.1).
Requisitos
Funcionais
- Reunir e listar a documentação do equipamento (chapa, manual, esquemas, registos), identificando o que existe e o que falta.
- Fotografar e transcrever a chapa de características e calcular a carga em toneladas de CO2 equivalente a partir do GWP do rótulo ou da ficha do fluido, indicando o regime de verificação de fugas que se aplicaria.
- Avaliar o plano e os registos de manutenção (se não existirem, registar a falta e propor um plano).
- Ler com sentido crítico o excerto de relatório de inspeção de terceiros fornecido pelo professor (com recomendações, uma delas sem prova e um certificado de calibração em falta) e elaborar o plano de ações corretivas, com ordem, responsável, prazo e verificação de eficácia.
- Fazer a inspeção visual com lista de verificação e fotografias, classificando cada componente como Bom, Suficiente ou Mau.
- Fazer o ensaio de funcionamento com estabilização de, pelo menos, 30 minutos: pressões, temperaturas de aspiração e de líquido, sobreaquecimento, subarrefecimento, corrente, tensão e temperaturas do espaço ou do ar.
- Calcular a potência elétrica absorvida e, se houver circuito de água ou ar mensurável, a potência térmica e a eficiência.
- Verificar a ausência de fugas nas ligações acessíveis com detetor verificado.
- Classificar as não conformidades por estado, prazo e tipo (I ou II).
- Redigir o relatório de inspeção com identificação, caracterização, resultados, recomendações e notas, e as conclusões.
Não-funcionais
- Medições com instrumentos verificados antes do uso e registo da verificação.
- Cumprimento da segurança: EPI, tensão, partes móveis, pressão, e intervenção no circuito frigorífico só por técnico certificado, sem libertar fluido. A medição de corrente em quadros ou em cabos em tensão só é feita por quem tem habilitação elétrica adequada, com instrumentos de categoria de medição adequada e com o professor ou um eletricista habilitado presente.
- A passagem do detetor pelas ligações acessíveis é um exercício didático e não toca no circuito; a verificação de fugas que conta para o registo do equipamento é feita por pessoa certificada, nos termos da redação em vigor.
- Registo claro, com unidades e condições de medição sempre explícitas.
- Linguagem acessível ao dono do equipamento, sem acusações.
- Valores regulamentares citados apenas com a indicação de que se confirmam na redação em vigor.
Fases
Fase 1 · Pedido, âmbito e documentos (1h30) Definir o equipamento, o âmbito (que sistema, que nível de profundidade), escrever o pedido de documentos e acessos e reunir o que existir. Registar o que falta.
Fase 2 · Identificação e carga de fluido (1h) Fotografar a chapa, preencher a ficha de identificação, calcular a carga em t CO2 eq com o GWP do rótulo e indicar o regime de verificação de fugas aplicável, confirmando os valores na redação em vigor.
Fase 3 · Plano e qualidade da manutenção (1h30) Avaliar o plano e os registos (cinco perguntas: o quê, quando, quem, como, como se prova) e procurar no equipamento indícios da qualidade da manutenção (etiquetas, filtros, baterias, óleo, isolamento). Ler o excerto de relatório de terceiros fornecido pelo professor (pode ser o do exercício 9 da ficha-02), aplicar as perguntas críticas e montar o plano de ações corretivas.
Fase 4 · Preparação, instrumentos e segurança (1h) Escolher e verificar os instrumentos (zero, gelo fundente, detetor com fonte de teste), anotar números de série e datas de calibração, definir EPI e plano de segurança, e combinar com o técnico certificado a ligação dos manómetros.
Fase 5 · Inspeção visual (1h30) Fazer a volta ao equipamento com lista de verificação e fotografias; classificar cada componente (Bom, Suficiente, Mau).
Fase 6 · Ensaio de funcionamento e fugas (3h) Arrancar, estabilizar 30 minutos, medir, calcular sobreaquecimento, subarrefecimento, corrente e potência; verificar fugas com o detetor; registar tudo na folha de medições.
Fase 7 · Análise, classificação e relatório (1h30) Calcular, comparar com o manual e a chapa, classificar as não conformidades, redigir recomendações úteis e as conclusões, e montar o relatório.
Fase 8 · Apresentação e reflexão (1h) Apresentar o relatório ao responsável das oficinas (o professor), explicando as conclusões; discutir o que ficou por avaliar.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Documentação, identificação e carga de fluido | 15% |
| Avaliação do plano e da qualidade da manutenção, e plano de ações a partir do relatório de terceiros | 10% |
| Preparação, instrumentos verificados e segurança | 15% |
| Inspeção visual e classificação | 15% |
| Ensaio de funcionamento, medições e cálculos | 20% |
| Relatório, recomendações e conclusões | 20% |
| Apresentação e reflexão | 5% |
Erros comuns
- Afinar ou corrigir antes de registar o estado encontrado.
- Medir sem estabilizar ou sem declarar as condições de medição.
- Usar instrumentos sem verificação nem registo de verificação.
- Calcular a carga em toneladas de CO2 equivalente com um GWP de memória em vez do rótulo.
- Ligar manómetros ao circuito sem técnico certificado.
- Classificar sem critério ("Mau" por desagrado) ou sem prova (foto, medição).
- Escrever recomendações vagas sem equipamento, local, prazo e ganho.
- Esquecer as limitações do que não se conseguiu avaliar.
- Citar periodicidades ou limiares sem confirmar na redação em vigor.
- Aplicar todas as recomendações de um relatório de terceiros sem ver se têm prova, responsável e verificação de eficácia.
Bónus (opcional)
- Medir o caudal de ar ou de água e calcular a potência térmica e a eficiência pelo método indireto.
- Propor um plano de manutenção completo para o equipamento, com tarefas, periodicidades, responsáveis e registos.
- Estimar a poupança de energia de uma ação corretiva, com os pressupostos declarados.
- Repetir o ensaio em duas condições diferentes (por exemplo, com e sem limpeza do condensador) e comparar.
Reflexão
No final, responde: qual foi a anomalia que só descobriste por cruzar duas fontes (por exemplo, registo e estado visível)? Que parte do ensaio dependeu mais da qualidade dos instrumentos e do seu controlo? E se o dono não pudesse corrigir tudo, que critério usarias para decidir a ordem das ações?