Mini-Projeto · Avaliação da qualidade do ar de uma sala da escola e plano de melhoria
Contexto
A direção da escola pediu à turma de Refrigeração e Climatização uma avaliação técnica da qualidade do ar de uma sala de aula ou de oficina que serve de espaço de trabalho a cerca de 20 alunos e que, segundo os professores, "fica com o ar pesado" na segunda parte da manhã. A sala é servida por ventilação natural, por um equipamento de climatização (ventiloconvector, split ou unidade de tratamento de ar) ou por ambos. O professor indica a sala e o equipamento.
Trabalhas em grupo de 3 ou 4 alunos, com o material da oficina da escola: um registador de CO2 de princípio NDIR, um termo-higrómetro, um anemómetro, um manómetro diferencial ou o pressostato do equipamento, uma câmara endoscópica ou lanterna e, se existir, um contador de partículas. Entregas um dossiê com o plano de medição, os dados, o relatório de resultados, o plano de melhoria e o relatório de uma intervenção de manutenção higiénica.
Repartição das 25 horas. Mini-projeto de 12 h; com as duas fichas de 3 h e cerca de 7 h de exposição, a unidade fecha nas 25 h.
Regra de honestidade. Esta é uma avaliação de diagnóstico, feita com instrumentos de escola. Não é uma verificação legal de conformidade, que exige a metodologia oficial e laboratório qualificado. O relatório deve dizê-lo.
Requisitos
Funcionais
- Elaborar um plano de medição: definição da área, escolha de pelo menos 3 pontos no interior e 1 no exterior, com justificação das posições (altura entre 0,5 e 1,5 m, afastamento de paredes, difusores e fontes, segundo o Despacho n.º 1618/2022), e com o início das leituras pelo menos 1 hora depois do arranque do equipamento, quando for possível.
- Fazer o zero dos instrumentos ao ar livre e registar modelo, número de série e data de calibração.
- Medir CO2 em contínuo durante pelo menos uma aula completa (ou um período equivalente, nunca inferior aos 30 minutos que o Despacho n.º 1618/2022 exige para uma amostragem; as 8 horas são boa prática de campanha de diagnóstico, não obrigação), com registo de temperatura e humidade relativa, do número de ocupantes, da posição de portas e janelas e do funcionamento do equipamento.
- Se existir contador de partículas, medir PM2,5 e PM10 dentro e fora da sala.
- Calcular a média e o máximo das leituras por ponto e comparar com os valores de referência da Portaria n.º 138-G/2021, indicando o limite efetivo aplicável (com ou sem margem de tolerância) e o estado.
- Estimar o ar novo por pessoa pelo método do equilíbrio do CO2 e, se possível, pelo decaimento depois da saída dos alunos.
- Medir o caudal de um difusor ou de uma conduta, quando o equipamento o permitir, e comparar com o caudal indicado na documentação.
- Realizar uma inspeção higiénica ao equipamento (filtros, bateria, tabuleiro de condensados, grelhas, tomada de ar novo), fotografar o estado e executar a limpeza dos elementos acessíveis, com o procedimento de segurança.
- Redigir o relatório de medição e o relatório de manutenção higiénica, ambos com a estrutura estudada.
- Propor um plano de melhoria com ações ordenadas por eficácia (fonte, ventilação, filtragem, manutenção), responsável e verificação.
Não-funcionais
- Registo organizado, com unidades sempre indicadas e valores originais anexados.
- Segurança: bloqueio e etiquetagem, EPI adequado e informação aos ocupantes antes de abrir qualquer equipamento.
- Linguagem rigorosa: factos, comparações e hipóteses separados; nada de "ar bom" ou "ar mau" sem critério.
- Valores regulamentares retirados do diploma em vigor, com a fonte indicada.
- A inspeção e a limpeza são feitas sob supervisão do professor, com o equipamento fornecido pela escola, produtos de limpeza aprovados e ficha de dados de segurança; ficam excluídos torres de arrefecimento, humidificadores e circuitos de água quente, que não se abrem em contexto de projeto.
- Resultados desfavoráveis apresentados tal como saíram.
Fases
Fase 1 · Informação, plano de medição e zero dos instrumentos (2h) Reunir a informação da sala (dimensões, volume, ocupação, equipamento, horário, queixas), fazer a planta com os pontos de medição e escrever o plano com a duração, o intervalo de registo e as condições a anotar. Verificar baterias e calibração, fazer o zero ao ar livre, comparar dois instrumentos lado a lado (se houver) e registar o desvio.
Fase 2 · Campanha de medição (2h, distribuídas por uma ou mais aulas) Instalar as sondas, registar a ocupação e os eventos, medir CO2, temperatura, humidade e, se houver, partículas, dentro e fora. No fim da aula, medir o decaimento do CO2 com a sala vazia e as portas e janelas na mesma posição.
Fase 3 · Tratamento dos dados e interpretação (2h) Descarregar os dados, calcular médias de 15 minutos e de toda a aula, o máximo por ponto, a comparação com o limite efetivo, o ar novo por pessoa e a taxa de renovação. Descrever a curva de CO2 e relacioná-la com a ocupação.
Fase 4 · Medição do caudal e inspeção higiénica (3h) Medir o caudal do equipamento. Preparar a intervenção com bloqueio e etiquetagem, fotografar, medir a perda de carga do filtro, limpar filtro, bateria acessível, tabuleiro e grelhas, testar o escoamento e registar.
Fase 5 · Relatório e plano de melhoria (2h) Redigir o relatório de medição e o relatório de manutenção higiénica; construir o plano de melhoria com prioridades, responsáveis e forma de verificação.
Fase 6 · Apresentação e verificação (1h) Apresentar o dossiê à turma e ao professor; se for possível aplicar uma ação simples (por exemplo aumentar a ventilação nos intervalos), repetir a medição de CO2 em condições comparáveis e apresentar o antes e depois.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Plano de medição e escolha justificada dos pontos | 15% |
| Qualidade da campanha de medição e dos registos | 20% |
| Tratamento dos dados e interpretação (conformidade, ar novo, decaimento) | 20% |
| Inspeção e relatório de manutenção higiénica | 15% |
| Plano de melhoria ordenado por eficácia | 10% |
| Segurança, EPI e honestidade dos limites da avaliação | 10% |
| Relatório final e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Colocar a sonda sob o difusor, junto à janela ou ao nível do chão.
- Esquecer o zero ao ar livre e a data de calibração.
- Não registar a ocupação nem a posição de portas e janelas.
- Respirar sobre a sonda de CO2.
- Apresentar só a média e esconder o pico.
- Declarar "conforme" a um resultado de escola como se fosse verificação legal.
- Não medir o exterior em simultâneo.
- Usar o método do decaimento com janelas a abrir e a fechar.
- Abrir o equipamento sem bloqueio e etiquetagem.
- Desinfetar sem limpar primeiro e sem respeitar o tempo de contacto.
- Registar "limpo" sem fotografias nem valores.
Bónus (opcional)
- Repetir a campanha com as janelas abertas nos intervalos e comparar as curvas de CO2.
- Propor um valor de arranque para um controlo do ar novo por sonda de CO2 e estimar o efeito no consumo de energia.
- Comparar o contador de partículas dentro e fora para estimar a eficácia do filtro do ar novo.
- Fazer um cartaz de uma página para a escola, com as boas práticas de arejamento.
- Construir uma folha de cálculo para as médias, o máximo, o ar novo por pessoa e a taxa de renovação.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual foi a ação do plano de melhoria que mais reduziria a exposição dos alunos e porquê a colocaste nessa posição? O que mudou nos resultados quando comparaste a sala com o exterior? E que parte do trabalho não consegues afirmar com os instrumentos que usaste, e que passos seriam precisos para o poder afirmar?