Mini-Projecto · Plano de manutenção preventiva e visita de manutenção na oficina
Contexto
A oficina da escola vai ser entregue, para efeitos de manutenção, a uma pequena empresa fictícia de serviços de AVAC&R (a equipa de alunos) que tem de assumir a manutenção preventiva de três equipamentos de treino: um split de bancada (ou de parede, instalado na oficina), uma unidade de condensação com câmara didática (ou módulo de refrigeração de treino) e um ventilador ou unidade de tratamento de ar de treino com transmissão por correia. Se a oficina tiver uma bomba de calor ou uma caldeira de treino, pode substituir um dos equipamentos, respeitando os limites de habilitação para a parte do combustível.
O professor faz de cliente. A equipa começa por auditar o que existe, escreve um plano de manutenção preventiva (PMP) para os três equipamentos, executa uma visita completa a pelo menos um deles e entrega a ordem de trabalho, o relatório de intervenção, o histórico e os indicadores. Tudo o que toca no circuito frigorífico (ligar o manifold e ler pressões, recuperar, abrir o circuito, brasar, ensaio de estanquidade, vácuo, carga e controlo de fugas) só é executado por quem tiver a certificação aplicável, ou sob a supervisão direta do professor certificado, dentro do que o regime em vigor permitir; os alunos sem essa certificação executam todas as restantes tarefas e observam, registam e calculam a partir das leituras dessa parte.
Trabalha-se em equipas de dois ou três alunos, com o material de uma oficina escolar: aparelho de medida (multímetro, pinça amperimétrica, termómetro, manifold, detetor de fugas, medidor de isolamento, tensiómetro de correias), aspirador de líquidos, escovas, pentes de alhetas, produtos de limpeza e de desinfeção, EPI e cadeados de bloqueio.
Requisitos
Funcionais
- Fazer o inventário dos três equipamentos, com fotografia da chapa de características e ficha de equipamento preenchida.
- Classificar a criticidade de cada equipamento e justificar o tipo de manutenção escolhido (corretiva, preventiva sistemática, condicionada, preditiva).
- Escrever o PMP em tabela: tag, tarefa, periodicidade, responsável, instrumentos, critério de aceitação e registo, com pelo menos oito tarefas distintas entre os três equipamentos, abrangendo filtros, baterias, pressões e temperaturas, estanquidade, drenagem, apertos elétricos, correias e rolamentos, desinfeção de bandejas.
- Referir no plano as obrigações legais aplicáveis (qual o regime de controlo de fugas, incluindo o critério em CO2 equivalente e o critério em massa que o regulamento prevê para certos gases, e quem pode intervir no circuito), remetendo para o diploma na redação em vigor, sem decorar valores.
- Elaborar uma folha de supervisão do plano: quem acompanha, o que verifica (calendário, registos, visitas), com que frequência e que decisões toma perante um desvio.
- Fazer uma avaliação de risco de cada tarefa, com medidas e EPI, incluindo o procedimento de bloqueio de energia.
- Executar uma visita completa a um equipamento, seguindo a sequência: ler a OT, preparar, inspeção em funcionamento, leituras iniciais, parar e bloquear, rotinas, repor, leituras finais, registar.
- Preencher a folha de leituras (antes e depois) e a ordem de trabalho.
- Redigir o relatório de intervenção para o cliente, em linguagem simples, com recomendações por prioridade.
- Calcular indicadores: disponibilidade (a partir de dados fornecidos pelo professor para um mês), MTBF, MTTR e cumprimento do plano.
Não-funcionais
- Documentos legíveis, com nomenclatura consistente (tag, data, versão) e valores com unidade.
- Respeito pelos procedimentos de segurança em todas as fases, incluindo bloqueio de energia, verificação de ausência de tensão e uso de EPI.
- Nenhuma libertação de fluido para a atmosfera; resíduos separados e entregues no ponto indicado pela oficina.
- Trabalho em equipa, com divisão de tarefas registada na OT.
- Cumprimento dos prazos de cada fase.
Fases
Fase 1 · Auditoria e inventário (2h) Inventariar os três equipamentos, fotografar as chapas, preencher as fichas, identificar acessos e riscos, classificar a criticidade e elaborar o relatório de auditoria com anomalias por prioridade.
Fase 2 · Tipos de manutenção e PMP (3h) Escolher o tipo de manutenção para cada equipamento; escrever o PMP com tarefas, periodicidades, responsáveis, instrumentos, critérios de aceitação e registos; indicar as obrigações legais aplicáveis e quem pode intervir em cada tarefa.
Fase 3 · Segurança e preparação da visita (2h) Avaliar os riscos das tarefas que vão ser executadas; escrever o procedimento de bloqueio de energia; preparar a lista de material, EPI, instrumentos e consumíveis; abrir a ordem de trabalho.
Fase 4 · Execução da visita (4h) Executar a visita ao equipamento escolhido: inspeção em funcionamento e leituras iniciais (as pressões, com manifold, são lidas pelo professor certificado ou sob a sua supervisão direta, dentro do que o regime em vigor permitir; as restantes, pelos alunos); parar, bloquear, verificar ausência de tensão; filtros, baterias, drenagens e sifão, apertos elétricos, correias e rolamentos, desinfeção da bandeja, controlo de estanquidade (só com certificação aplicável, pelo professor ou sob a sua supervisão direta); repor, arrancar e fazer leituras finais.
Fase 5 · Registos e relatório (3h) Fechar a ordem de trabalho, atualizar a ficha e o histórico, redigir o relatório de intervenção, calcular a diferença entre as leituras antes e depois e propor a revisão da periodicidade.
Fase 6 · Indicadores e apresentação (2h) Calcular a disponibilidade, o MTBF, o MTTR e o cumprimento do plano com os dados fornecidos; preencher a folha de supervisão do plano sobre os dados do mês; apresentar o trabalho à turma e discutir o que mudar no plano.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Auditoria, inventário e criticidade | 10% |
| Escolha do tipo de manutenção e PMP (tarefas, periodicidades, critérios, responsáveis) | 25% |
| Avaliação de risco e procedimento de bloqueio de energia | 15% |
| Execução da visita (sequência, rotinas, leituras antes e depois) | 25% |
| Ordem de trabalho e relatório de intervenção | 15% |
| Indicadores e apresentação | 10% |
Erros comuns
- Escrever um plano com tarefas vagas ("limpeza geral") sem critério de aceitação.
- Copiar periodicidades do manual sem pensar no ambiente nem na criticidade.
- Saltar a verificação de ausência de tensão ou o bloqueio por "já estar desligado".
- Limpar antes de medir, e ficar sem prova do benefício.
- Acrescentar fluido para "corrigir" pressões sem procurar a causa.
- Intervir no circuito frigorífico sem a certificação aplicável.
- Preencher a OT sem unidades, sem tag e sem leituras antes e depois.
- Citar limiares e prazos legais de memória em vez de remeter para o diploma em vigor.
- Esquecer o destino dos resíduos (esponjas, líquidos de lavagem, filtros).
Bónus (opcional)
- Montar um calendário anual de visitas para os três equipamentos, com cores por tipo de tarefa e carga de trabalho por mês.
- Desenhar uma folha de leituras reutilizável em folha de cálculo, com os cálculos de sobreaquecimento, subarrefecimento e ΔT automáticos.
- Fazer uma termografia de um quadro em carga, se houver câmara térmica, e anexar a análise ao relatório.
- Propor uma lista de verificação de manutenção autónoma para o utilizador de um split (limpeza mensal dos filtros, o que observar, quando chamar o técnico).
Reflexão
- Que tarefa do plano achas que ficaria mais frequentemente por fazer na vida real, e como a garantirias?
- Em que situações a manutenção preventiva sistemática é pior do que a condicionada?
- O que muda no plano quando o equipamento passa de conforto a conservação de produto?
- Que parte do trabalho pode fazer um técnico sem certificação em gases fluorados, e porque é importante saber onde termina o seu âmbito?
- Se tivesses de explicar ao cliente, em dez linhas, por que razão o plano custa o que custa, o que dirias?