Mini-Projeto · Diagnóstico de avarias numa bancada didática de refrigeração
Contexto
A oficina da escola dispõe de uma bancada didática de refrigeração (circuito com compressor, condensador a ar, órgão de expansão, evaporador com ventilador, filtro secador, visor de líquido, manómetros, pressostatos e quadro de comando). O professor, ou um técnico certificado a quem a escola recorra, introduz avarias controladas na bancada, sem que os alunos saibam quais. Cada grupo recebe um pedido de assistência com a queixa de um cliente fictício e tem de diagnosticar a avaria seguindo o método, reparar (ou propor a reparação, quando esta exige intervenção no circuito) e entregar um relatório de intervenção completo.
Trabalhas em grupos de dois ou três, com o material da oficina: manifold, termómetros de contacto, pinça amperimétrica, multímetro, anemómetro, detetor de fugas e as tabelas do fluido da bancada. Toda a intervenção no circuito frigorífico (recuperação, abertura, carga) é feita pelo professor ou sob a sua supervisão direta, por pessoas com a certificação exigida, segundo a legislação em vigor.
Requisitos
Funcionais
- Preencher uma ficha de conversa com o cliente (as seis perguntas) a partir do pedido de assistência fornecido pelo professor.
- Aplicar a consignação antes de qualquer intervenção elétrica e registar a verificação de ausência de tensão.
- Recolher uma tabela de leituras em regime estável: baixa e alta pressão, temperaturas de aspiração, de líquido, de ar ambiente e de ar na câmara ou no retorno, corrente do compressor e dos ventiladores, tensão de alimentação.
- Converter as pressões em temperaturas de saturação e calcular sobreaquecimento e subarrefecimento.
- Comparar com os valores de referência da bancada (fornecidos pelo professor, medidos em regime normal) e escrever os desvios.
- Formular hipóteses ordenadas e indicar, para cada par de hipóteses próximas, a medição discriminante usada.
- Diagnosticar três avarias distintas introduzidas pelo professor (uma de ar ou ventilador, uma frigorífica e uma elétrica ou de comando), distinguindo em cada uma sintoma, causa imediata e causa raiz.
- Executar as ações de reparação que estiverem ao alcance da bancada (limpeza do condensador, restabelecimento de ventilador ou ligação, substituição de condensador) e ensaiar de novo, registando as leituras finais.
- Entregar o relatório de intervenção de cada avaria, com identificação, queixa, medições antes e depois, diagnóstico, intervenção, fluido (quando aplicável), resultado e recomendações.
- Montar e apresentar o kit de intervenção que levariam para uma chamada real com o mesmo sintoma.
Não-funcionais
- Cumprimento das normas de segurança: EPI, consignação, pressões dentro dos limites da bancada, nunca fazer ponte em pressostatos. Luvas isolantes e óculos postos sempre que se liguem ou desliguem mangueiras ou se abra uma ligação, porque o líquido que escapa causa queimaduras por frio.
- Leituras sempre com unidade e hora; condições do dia anotadas.
- Linguagem clara no relatório, utilizável por um cliente e por outro técnico.
- Atitude profissional na simulação com o cliente: cumprimento, escuta, explicação simples, local arrumado.
Fases
Fase 1 · Preparação e referência (2h) Rever o método, o quadro de diagnóstico e as fórmulas de SA, SR e caudal. Com a bancada em funcionamento normal, medir e registar os valores de referência (pressões, temperaturas, SA, SR, correntes), que servirão de comparação para as avarias. Preencher a lista de verificação do kit.
Fase 2 · Pedido de assistência e conversa com o cliente (1h) Receber o pedido de assistência da primeira avaria. Em simulação com o professor no papel de cliente, conduzir a conversa, preencher a ficha com as seis perguntas e escrever as primeiras hipóteses antes de qualquer medição.
Fase 3 · Diagnóstico da avaria 1, de ar ou ventilador (2h) Consignar, observar, medir, comparar e formular hipótese. Confirmar com uma prova, reparar e ensaiar. Exemplos de avarias introduzidas pelo professor: condensador parcialmente tapado, ventilador do evaporador desligado, filtro de ar obstruído. No fim da avaria, redigir o respetivo relatório de intervenção.
Fase 4 · Diagnóstico da avaria 2, frigorífica (3h) Tabela de leituras, SA e SR, quadro de diagnóstico, medição discriminante. Exemplos: pouca carga (retirada pelo professor, com recuperação e pesagem), restrição simulada por válvula de linha de líquido parcialmente fechada, excesso de carga. A intervenção no circuito é feita pelo professor, a pedido do grupo, depois de apresentada a justificação; o grupo põe luvas e óculos para ligar e desligar os manómetros. A bancada não tem depósito de líquido: o critério do subarrefecimento aplica-se assim; numa instalação com depósito, o SR é pequeno mesmo com a carga certa e não decide sozinho. No fim da avaria, redigir o respetivo relatório de intervenção.
Fase 5 · Diagnóstico da avaria 3, elétrica ou de comando (2h) Seguir a cadeia de alimentação, comando, contactor, arranque e motor, medindo tensões. Exemplos: condensador de funcionamento do ventilador desligado, sonda do termóstato mal posicionada, ligação solta no contactor. Medir, confirmar, reparar e ensaiar. No fim da avaria, redigir o respetivo relatório de intervenção.
Fase 6 · Fecho e revisão cruzada dos relatórios (1h) Cada relatório é redigido no fim da avaria correspondente, nas fases 3 a 5. Aqui fecham-se os três, confirma-se que cada um tem as medições antes e depois e a causa raiz separada do sintoma, e trocam-se os relatórios entre grupos para revisão cruzada, com a lista de qualidades do relatório (verdadeiro, claro, completo, rastreável).
Fase 7 · Kit, apresentação e reflexão (1h) Montar o kit de intervenção para um dos casos, justificando cada item e o transporte. Apresentar à turma um caso, explicando o raciocínio, a prova de confirmação e a causa raiz. Responder às perguntas da reflexão.
Critérios de avaliação
| Critério | Peso |
|---|---|
| Conversa com o cliente e atitude profissional | 10% |
| Segurança, consignação e organização do posto | 15% |
| Qualidade das medições e dos cálculos (SA, SR, saturações) | 20% |
| Diagnóstico: hipóteses, medição discriminante e causa raiz | 25% |
| Reparação e ensaio final | 10% |
| Relatórios de intervenção | 15% |
| Kit de intervenção e apresentação | 5% |
Erros comuns
- Medir antes do regime estável ou em pleno degelo.
- Usar pressão manométrica na tabela do fluido em vez da absoluta.
- Tirar conclusões de uma só leitura, sem calcular SA e SR.
- Colocar a sonda do termómetro sem isolamento ou sobre fita e tirar conclusões erradas.
- Decidir "falta gás" porque a pressão de baixa está baixa, sem olhar para o subarrefecimento (e, numa instalação com depósito de líquido, achar que o subarrefecimento decide sozinho).
- Ligar ou desligar mangueiras sem luvas e óculos.
- Aceitar um subarrefecimento negativo em vez de repetir a medição.
- Trocar o componente sem provar nem procurar a causa raiz.
- Fazer ponte num pressostato ou termóstato.
- Esquecer a consignação ou a verificação de ausência de tensão.
- Escrever relatórios com "tudo bem" em vez de valores.
- Esquecer de ouvir o cliente e perder pistas que encurtavam o diagnóstico.
Bónus (opcional)
- Construir uma folha de cálculo que, dadas as pressões e temperaturas, calcule SA, SR e a diferença de condensação para o ambiente e sugira a linha do quadro de diagnóstico que melhor corresponde.
- Medir o caudal e a potência sensível do ar do evaporador com o anemómetro e comparar com a capacidade esperada.
- Redigir um plano de manutenção preventiva de uma página para o equipamento da bancada, com periodicidades.
- Criar um cartão de bolso com as tabelas pressão-temperatura do fluido e o quadro de diagnóstico simplificado.
Reflexão
No dossiê final, responde: qual das três avarias foi a mais difícil de distinguir de outra, e que medição resolveu a dúvida? Em que momento do diagnóstico te sentiste tentado a trocar um componente "por palpite", e o que te fez parar? Que informação da conversa com o cliente teria encurtado o trabalho se a tivesses obtido logo?