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UC UC00034 · T. Desenv. Software, T. Sist. Comp. Redes, T. Multimédia, T. Mecatrónica, T. Gestão e Admin., T. Marketing/RP, T. Cozinha/Restaur.

Ficha 02 · Reuniões, conflitos, ferramentas, ágil

Práticas modernas, Scrum/Kanban, retrospectivas
Versão · Aluno
Tempo · 60 minutos
Cotação · 100 pontos
Aluno(a)
Turma
Data
Objectivos da ficha

Parte I · Reuniões

Exercício 1 · Análise (15 pts)

Reunião semanal de 8 pessoas, 2h. Sintomas: - 3 pessoas falam 80% do tempo. - Sem agenda escrita. - Termina sem decisões claras. - 2 pessoas chegaram tarde, 1 saiu cedo. - Telemóveis activos durante.

a) Identifica 5 problemas. b) Propõe 5 melhorias concretas.

5 Problemas identificados:

  1. Domínio por 3 pessoas (80% do tempo):
  2. Outras 5 pessoas não contribuem.
  3. Perde-se diversidade de perspectivas.
  4. Pode haver intimidação ou desinteresse.

  5. Sem agenda escrita:

  6. Reunião sem foco.
  7. Tempo desperdiçado a decidir o quê discutir.
  8. Pessoas sem preparação.

  9. Sem decisões claras:

  10. Reunião sem outputs.
  11. Pessoas saem confusas.
  12. Próxima reunião revisita os mesmos temas.

  13. Atrasos e saídas antecipadas:

  14. Falta de respeito pelo tempo dos outros.
  15. Indica falta de valor percebido da reunião.
  16. Discontinuidade.

  17. Telemóveis activos:

  18. Multitarefa diminui qualidade da participação.
  19. Sinaliza falta de respeito.
  20. Tempo perdido por todos.

5 Melhorias concretas:

Melhoria 1 — Agenda obrigatória, enviada 24h antes: - Líder envia agenda com: - Tópicos numerados. - Tempo previsto por tópico. - Material para ler antes. - Decisões esperadas.

Melhoria 2 — Reduzir tempo de 2h para 1h: - Parkinson's law: trabalho expande para preencher tempo disponível. - 1h obriga a foco. - Tópicos secundários em reuniões separadas.

Melhoria 3 — Round-robin para participação: - Cada pessoa partilha 1 ponto. - Todos têm voz garantida. - Quem domina aprende a moderar. - Quem é tímido sente segurança para falar.

Melhoria 4 — Decisões + responsáveis no fim: - Últimos 5 min: "O que decidimos?" + "Quem faz o quê + quando?" - Acta enviada em 24h. - Próxima reunião verifica progresso.

Melhoria 5 — Regras explícitas: - "Pontualidade obrigatória". - "Telemóveis silenciados". - "Quem chegar > 10 min tarde, espera pelo fim". - "Saída antecipada, avisar antes". - Aplicar consistentemente (mesmo a juniores).

Bónus — Outras melhorias:

KPI da reunião (a medir): - % de tempo a falar de cada pessoa. - % de decisões implementadas até próxima reunião. - Satisfação (1-5) dos participantes.

Se reunião continua a não ter valor: cancelar.

Exercício 2 · Standup (10 pts)

a) Que é um standup? b) Que estrutura? c) Que erros evitar?

Standup (Daily Standup):

a) O que é:

Objectivo: sincronizar equipa, identificar bloqueios, manter foco partilhado.

b) Estrutura:

Cada pessoa responde a 3 perguntas:

  1. O que fiz ontem? (1-2 frases).
  2. O que vou fazer hoje? (1-2 frases).
  3. Tenho algum bloqueio? (problemas que outros podem ajudar).

Tempo por pessoa: ~1-2 min.

Total: 8 pessoas × 2 min = 16 min (próximo do limite).

Para equipas maiores (> 8 pessoas): considerar dividir em sub-equipas.

Após standup (não durante): - Discussões detalhadas sobre bloqueios → reunião separada com afectados. - Notas para acompanhamento.

c) Erros a evitar:

  1. Discussões longas durante standup:
  2. "Vamos discutir isto após o standup".
  3. Mantém standup curto.

  4. Líder fala primeiro/mais:

  5. Inibe outros.
  6. Round-robin com líder por último.

  7. Standup como reporting ao chefe:

  8. Standup é para a equipa, não para chefe.
  9. Pessoas falam para chefe = perde-se sincronização horizontal.

  10. Sentar-se (em vez de em pé):

  11. Reuniões sentadas tendem a alongar-se.
  12. Em pé mantém foco.

  13. Tarde (após meio-dia):

  14. Standup deve ser no início do dia para alinhar o dia.
  15. Depois de meio-dia perde valor.

  16. Faltas:

  17. Todos devem estar (presencial ou remotamente).
  18. Se alguém falta consistentemente: revisitar valor da reunião.

  19. Sem follow-up:

  20. Bloqueios mencionados mas não resolvidos.
  21. Líder ou peers devem assumir desbloqueio.

  22. Standup só por standup:

  23. Se equipa não vê valor, descobrir porquê.
  24. Possivelmente standup não é o formato certo (alternativa: async standup em Slack).

Variação — Async standup (popular em equipas remotas/distribuídas): - Cada pessoa escreve as 3 respostas num canal Slack pela manhã. - Sem reunião síncrona. - Funciona se equipa for disciplinada e bloqueios forem geridos imediatamente.

Em equipas pequenas (3-4 pessoas): standup pode ser 5-10 min muito eficaz.

Em equipas grandes (> 12 pessoas): provavelmente precisa de outra abordagem (sub-equipas + síntese ao líder).

Parte II · Conflitos e diferenças

Exercício 3 · Groupthink (15 pts)

a) Que é groupthink? b) 3 exemplos históricos. c) 5 antídotos a aplicar.

a) Groupthink:

Conceito (Irving Janis, 1972): fenómeno em que pressão para conformidade num grupo leva a decisões pobres porque membros calam dúvidas e críticas.

Sintomas: - Ilusão de invulnerabilidade: "Nós nunca falhamos". - Racionalização colectiva: ignorar avisos. - Estereótipos sobre outsiders (que se opõem). - Pressão directa sobre dissidentes. - Auto-censura das próprias dúvidas. - Ilusão de unanimidade: silêncio = concordância. - Mind-guards: alguns membros protegem grupo de info contrária.

b) 3 Exemplos históricos:

1. Baía dos Porcos (Cuba, 1961): - JFK e equipa decidem invadir Cuba. - Vários conselheiros tinham dúvidas mas não as expressaram. - Operação falha desastrosamente. - Após, JFK introduziu mudanças no processo de decisão para evitar groupthink em crises futuras (úteis na Crise dos Mísseis 1962).

2. Challenger (NASA, 1986): - Engenheiros sabiam que O-rings podiam falhar a frio. - Pressão para lançar (políticos, ego, public relations). - Vozes dissidentes foram silenciadas/ignoradas. - Vaivém explode 73 segundos após lançamento. 7 mortos.

3. Crise Financeira 2008: - Bancos com cultura interna de "tudo está bem". - Risk managers que alertavam foram demitidos ou ignorados. - Ratings agencies davam AAA sem questionar. - Resultado: crise global.

Outros exemplos: - Bay Pearl Harbor (1941, EUA). - Vietnam decisões americanas. - Brexit decisões internas conservadores britânicos. - Theranos (startup): equipa não questionou Elizabeth Holmes.

c) 5 Antídotos:

1. Advogado do diabo designado: - Em cada decisão importante, designar alguém para desafiar a proposta. - Rota anti-conformidade. - Pessoa não está a discordar pessoalmente — está a fazer o seu papel. - Evita que dissidente seja visto como difícil.

Em prática:

"Maria, hoje és o advogado do diabo. O teu papel é encontrar todos os problemas com a nossa proposta. Por favor, sê o mais crítica possível."

2. Líder fala último: - Quando líder fala primeiro, outros tendem a concordar. - Round-robin com líder por último. - Permite que pessoas formem opinião sem influência hierárquica.

3. Decisões adiadas: - Não decidir tudo na mesma reunião. - "Vamos pensar 24h e decidir amanhã". - Permite reflexão, conversas individuais, novas perspectivas.

4. Consultar fontes externas: - Trazer outsiders ao processo de decisão: - Outro departamento. - Consultor externo. - Cliente. - Mentor. - Outsiders não estão presos à cultura interna.

5. Cultura de challenge respeitoso: - Líder modela ("eu posso estar errado, desafia-me"). - Recompensa quem traz perspectivas contrárias. - Premiar dissidência construtiva, não apenas concordância. - Demitir comportamentos que silenciam (mesmo se high-performers).

Bónus — Outros antídotos:

6. Brainstorming anónimo (brainwriting): - Ideias submetidas anonimamente. - Sem pressão social. - Avaliadas pelo mérito.

7. Decision pre-mortem: - "Imaginem que esta decisão falha catastroficamente. Porque falhou?" - Força pensar em riscos antes de decidir.

8. Estruturas formais de decisão: - DACI: Driver, Approver, Contributors, Informed. - RAPID (Bain). - Clarifica quem decide e quem influencia.

9. Diversidade da equipa: - Pessoas com backgrounds diferentes pensam diferentemente. - Diversidade cognitiva reduz groupthink natural.

10. Avaliação pós-decisão: - Documentar razões das decisões. - Avaliar resultados 6-12 meses depois. - Aprender com decisões más.

Princípio: groupthink é natural. Combatê-lo requer estrutura intencional, não apenas boas intenções.

Exercício 4 · Diversidade vs inclusão (10 pts)

Distingue e dá exemplos práticos.

Diversidade vs Inclusão

Diversidade: - Quem está na equipa. - Diferenças visíveis (género, idade, etnia) e invisíveis (educação, personalidade, experiência). - Foco em composição.

Inclusão: - Como as pessoas são tratadas. - Sentir-se valorizado, ouvido, respeitado. - Foco em cultura e práticas.

Analogia: - Diversidade: ser convidado para a festa. - Inclusão: ser convidado a dançar.

Sem inclusão, diversidade falha.

Exemplos práticos:

1. Contratação:

2. Reuniões:

3. Linguagem:

4. Decisões:

5. Eventos sociais:

6. Reconhecimento:

7. Carreira:

Evidência científica:

Indicadores de inclusão:

Bias inconsciente:

Todos temos bias. Reconhecê-los é o primeiro passo: - Halo effect (gostar de alguém faz parecer mais competente). - Affinity bias (preferir pessoas similares a nós). - Confirmation bias (procurar info que confirma o que já pensamos).

Mitigar bias: - Critérios objectivos para contratação e promoção. - Entrevistas estruturadas (mesmas perguntas para todos). - Painéis diversos em decisões importantes. - Formação em bias inconsciente.

Cultura inclusiva é construída todos os dias, em mil pequenas decisões. Não é evento; é prática.

Parte III · Ferramentas

Exercício 5 · Selecção de ferramentas (10 pts)

Para cada cenário, recomenda ferramenta(s):

a) Equipa de 8 developers a trabalhar em produto SaaS. b) Equipa de marketing a planear campanha trimestral. c) Startup pequena, 4 fundadores, fases iniciais. d) Empresa grande, várias equipas, integração com sistemas existentes.

a) Equipa 8 developers · SaaS:

Stack recomendada: - Comunicação: Slack (canais por feature, threads, integrações). - Tarefas: Linear ou Jira (Scrum/Kanban para developers). - Código: GitHub + GitHub Actions (CI/CD). - Docs: Notion ou Confluence (wiki técnica). - Design: Figma (se aplicável, para frontend). - Videoconferência: Google Meet ou Zoom.

Justificação: - Slack: standard tech. - Linear: moderno, rápido, developer-friendly. - GitHub: standard de facto para código. - Notion: flexível para documentação técnica + pessoal.

Custo aproximado: 30-60 €/utilizador/mês = 240-480 €/mês.


b) Equipa marketing · campanha trimestral:

Stack recomendada: - Gestão: Asana ou ClickUp (tarefas + timeline + dependências). - Comunicação: Microsoft Teams ou Slack. - Documentos: Google Workspace (colaboração tempo real em Docs, Sheets, Slides). - Visual: Canva (gráficos, posts redes sociais). - Calendário: Calendly (agendamento). - Analytics: Google Analytics + ferramentas específicas (HubSpot, etc.).

Justificação: - Asana: visual, bom para campanhas com timeline. - Google: colaboração tempo real em docs é crítica. - Canva: ferramenta de criação acessível a não-designers.


c) Startup pequena · 4 fundadores · early stage:

Stack recomendada (minimalista): - Comunicação: Slack (free tier suficiente). - Tarefas: Trello ou Notion (simples). - Docs: Notion (all-in-one). - Email: Google Workspace (~6 €/mês/utilizador). - Reuniões: Google Meet. - Repositório (se tech): GitHub (free tier).

Justificação: - Minimizar custos (cada euro conta). - Maximizar agilidade (sem processos pesados). - Notion all-in-one elimina ferramentas separadas. - Free tiers suficientes inicialmente.

Custo aproximado: < 50 €/mês total.


d) Empresa grande · várias equipas · integração:

Stack recomendada: - Standard corporativo: Microsoft 365 (Teams, Office, SharePoint, OneDrive) — integração total. - Tarefas: Microsoft Planner + Project (integração natural). - Tarefas avançadas (eng): Jira (integração com Atlassian). - Comunicação informal: Microsoft Teams (chat + meetings). - Email: Outlook. - CRM: Salesforce ou Dynamics 365. - Identity: Azure AD (SSO em tudo). - Documentação técnica: Confluence (Atlassian).

Justificação: - Integração é prioridade (não ferramentas isoladas). - Compliance e segurança (Microsoft enterprise). - Escala (milhares de utilizadores). - SSO essencial para gestão de acessos. - Suporte enterprise disponível.

Custo aproximado: 30-80 €/utilizador/mês (depende licenças).


Princípios gerais de selecção:

  1. Tamanho da equipa/empresa.
  2. Necessidades específicas (tech, marketing, etc.).
  3. Integração com sistemas existentes.
  4. Custo total (licenças + tempo de implementação).
  5. Curva de aprendizagem.
  6. Suporte e formação disponíveis.
  7. Cybersegurança e compliance.
  8. Evolução prevista (escalabilidade).

Erros comuns:

Recomendação geral: menos ferramentas, melhor integradas é melhor que muitas ferramentas top-of-class isoladas.

Exercício 6 · Scrum (15 pts)

Vais introduzir Scrum numa equipa de 7 developers. Plano:

Introdução de Scrum — Equipa 7 Developers

Análise prévia:

Plano de Implementação (3-6 meses):

Fase 0 — Avaliação (2 semanas):

Fase 1 — Formação (2-3 semanas):

Fase 2 — Setup (2 semanas):

Fase 3 — Primeiro Sprint (2 semanas):

Dia 1 — Sprint Planning (2-4h): - Parte 1 (1h): Product Owner explica top do backlog. - Parte 2 (2h): Dev Team decide quanto consegue fazer no sprint. - Sprint Goal definido. - Sprint Backlog populado.

Diariamente — Daily Standup (15 min, 09:00): - 3 perguntas (ontem, hoje, bloqueios). - Em pé. - Sem discussões longas.

Continuamente — Trabalho: - Dev Team auto-organiza-se. - Mover tarefas no board (To Do → In Progress → Review → Done). - Code reviews. - Testes.

Último dia — Sprint Review (1-2h): - Demonstração ao Product Owner (e stakeholders). - Feedback recolhido. - Backlog ajustado.

Último dia — Retrospective (1h): - O que correu bem? - O que correu mal? - O que mudar no próximo sprint? - 1-3 acções concretas.

Fase 4 — Iterar (próximos 2-3 sprints):

Fase 5 — Maturidade (após 3-6 meses):

Desafios comuns e mitigações:

Desafio 1 — "Não temos tempo para reuniões Scrum": - Resposta: estudos mostram que Scrum poupa tempo a longo prazo. Mas requer disciplina inicial.

Desafio 2 — "Product Owner não disponível": - Crítico para Scrum. Sem PO presente, falha. - Solução: encontrar substituto ou desistir de Scrum.

Desafio 3 — "Estimativas erradas": - Normal nos primeiros sprints. - Melhora com prática. - Não punir estimativas erradas (cria medo).

Desafio 4 — "Equipa não se auto-organiza": - Resultado de cultura previamente directiva. - Scrum Master facilita auto-organização gradualmente. - Líder antigo tem que soltar controlo.

Desafio 5 — "Cliente quer mudanças constantes": - Boas notícias: Scrum acomoda mudanças. - Más notícias: mudanças no meio do sprint são proibidas (apenas no Sprint Planning seguinte). - Educar cliente.

Indicadores de sucesso:

Métrica Antes Objectivo 6 meses
Velocity N/A Estável (var. < 20%)
Defeitos em produção (actual) -50%
Time-to-market (actual) -30%
Satisfação cliente (actual) +20%
Satisfação equipa (actual) +30%

Quando Scrum não é a resposta:

Próximos passos pessoais:

  1. Ler Scrum Guide oficial.
  2. Fazer curso CSM (Certified Scrum Master) ou PSM1 (Professional Scrum Master).
  3. Encontrar mentor com experiência Scrum real.
  4. Começar com 1 sprint piloto e iterar.

Lembrar: Scrum é framework, não receita. Adaptar à equipa e contexto.

Parte IV · Aplicação

Exercício 7 · Retrospectiva (10 pts)

Estrutura uma retrospectiva (1h) para equipa após sprint difícil:

Retrospectiva — Sprint Difícil (1h)

Contexto: equipa de 7 acabou de terminar sprint stressante. Não atingiu objectivo. Moral baixo.

Objectivo da retrospectiva: 1. Compreender o que aconteceu. 2. Aprender para evitar repetição. 3. Restaurar moral da equipa. 4. Decidir acções concretas.

Antes da retrospectiva:

Estrutura (60 min):

1. Check-in (5 min):

2. Recapitular sprint (5 min):

3. Gerar dados — formato "Mad, Sad, Glad" (15 min):

3 colunas no whiteboard: - MAD (frustrado): o que te chateou? - SAD (triste): o que te decepcionou? - GLAD (contente): o que correu bem?

Brainwriting silencioso (5 min): - Cada pessoa escreve em post-its (1 ideia por post-it). - Vários post-its por pessoa, em cada coluna.

Partilhar (10 min): - Cada um cola post-its no whiteboard e explica brevemente. - Sem discussão ainda. - Sem ataques pessoais.

4. Agrupar e identificar temas (10 min):

5. Análise profunda (15 min):

Para os top 2-3 temas, aplicar "5 porquês":

Exemplo: - Tema: "Estimativas erradas". - Porquê? "Subestimámos complexidade da feature X". - Porquê? "Não conhecíamos bem a biblioteca Y". - Porquê? "Era nova e não fizemos research suficiente". - Porquê? "Tínhamos pressa para começar". - Porquê? "Cliente queria ver progresso visível rápido".

Acção emergente: pré-research obrigatório antes de estimar features que envolvam tech nova.

6. Acções concretas (10 min):

Exemplo: - Acção 1: Pre-research obrigatório de 1 dia antes de sprint planning para features novas. - Quem: Tech lead. - Quando: A partir do próximo sprint. - Como medir: estimativas dentro de 20% do real.

7. Check-out (5 min):

Após retrospectiva:

Princípios fundamentais:

  1. Foco em sistema, não pessoas:
  2. "O que no nosso processo falhou?" não "Quem falhou?"
  3. Pessoas falham porque sistemas permitem.

  4. Sem culpas:

  5. "Norman Kerth's Prime Directive": "Acreditamos que todos fizeram o melhor que podiam, dadas as circunstâncias".
  6. Permite honestidade sem medo.

  7. Acções concretas:

  8. "Vamos comunicar melhor" = vago, sem efeito.
  9. "Vamos ter daily standup focado em bloqueios" = concreto, mensurável.

  10. Continuidade:

  11. Acções de uma retrospectiva acompanhadas na próxima.
  12. Aprendizagem contínua.

Erros a evitar:

Variações de formato:

Rotar formatos para manter retrospectivas frescas.

Exercício 8 · Equipa diversa (10 pts)

Equipa de 6: 3 portugueses, 1 brasileiro, 1 indiano, 1 ucraniano. Idades 22-55. Como gerir diversidade cultural?

Gestão de Equipa Multicultural

Análise inicial:

Diferenças prováveis:

Dimensão Variações
Língua Português nativo (PT, BR diferentes nuances), inglês como língua franca
Cultura de comunicação Direta (alguns) vs indirecta (outros)
Hierarquia Mais ou menos formal
Tempo Pontualidade rígida vs flexível
Conflito Aberto vs evitado
Espaço pessoal Próximo vs distante
Feedback Directo vs subtil
Decisão Individual vs colectiva

Práticas para gestão eficaz:

1. Língua comum:

Para brasileiro: - Algumas palavras diferentes (banheiro vs casa-banho, telha vs telhado). - Sotaque diferente — adaptar ouvido. - Não corrigir sotaque ou variações regionais.

Para indiano: - Inglês como língua de trabalho. - Inglês indiano tem ritmo próprio. - Cuidado com algumas expressões ("revert back" = responder).

Para ucraniano: - Inglês não-nativo, possivelmente recente. - Paciência. - Material escrito ajuda (lê melhor que ouve).

2. Calendário e horários:

3. Comunicação:

Práticas:

4. Hierarquia:

Acção do líder: - Modelar liderança acessível. - Pedir opinião especificamente a juniores. - Reconhecer contribuições de quem hesita em falar. - Evitar títulos hierárquicos excessivos (Sr./Mr./etc.) se equipa é informal.

5. Conflito:

Acção: - Conversas 1-1 privadas para feedback negativo (especialmente com quem evita conflito). - Mediação activa quando há tensões. - Não personalizar discussões técnicas.

6. Tempo e prazos:

Equipa multicultural: - Acordar standards comuns ("prazo é prazo"). - Comunicar atrasos com antecedência (não no dia). - Reuniões pontuais como cultura.

7. Idades 22-55 (diversidade geracional):

Bridging gerações:

8. Eventos sociais:

9. Reconhecimento e celebração:

10. Mediação activa:

Indicadores de sucesso:

Recursos:

Princípio fundamental:

Cultura é icebergue: - Visível (10%): comida, língua, vestuário. - Invisível (90%): valores, crenças, normas, comunicação.

Apenas com curiosidade e respeito se atinge entendimento real.

Resultado de equipa multicultural bem gerida: - Decisões melhores (mais perspectivas). - Inovação maior. - Acesso a mercados diferentes. - Riqueza humana. - Vantagem competitiva sustentável.

Resultado mal gerida: - Conflitos. - Sub-grupos isolados. - Performers a sair. - Reputação prejudicada.

Investir em gestão multicultural não é opcional — é competência crítica em ambientes profissionais modernos.