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UC UC00034 · T. Desenv. Software, T. Sist. Comp. Redes, T. Multimédia, T. Mecatrónica, T. Gestão e Admin., T. Marketing/RP, T. Cozinha/Restaur.

Ficha 01 · Equipa, fases, papéis

Diferenças, Tuckman, Belbin, dinâmicas
Versão · Aluno
Tempo · 60 minutos
Cotação · 100 pontos
Aluno(a)
Turma
Data
Objectivos da ficha

Parte I · Equipa vs grupo

Exercício 1 · Diferenciação (15 pts)

Identifica se cada caso é GRUPO ou EQUIPA e justifica:

a) 5 alunos numa sala que estudam para o mesmo exame. b) 5 alunos a fazer um trabalho de grupo com nota colectiva. c) Departamento de RH (8 pessoas com funções individuais). d) Equipa de futebol antes do jogo. e) Comissão organizadora de evento.

a) Grupo: cada aluno tem objectivo individual (sua nota), apenas partilham espaço. Não há objectivo comum nem dependência mútua.

b) Equipa: objectivo comum (trabalho), nota colectiva (responsabilidade partilhada), dependência mútua. Sinergia esperada.

c) Provavelmente grupo (com tendência a equipa). Cada um tem função própria mas, se bem geridos, podem colaborar em objectivos partilhados (estratégia de RH da empresa). Depende da cultura e da gestão.

d) Equipa: objectivo comum (ganhar jogo), cada jogador depende dos outros, responsabilidade colectiva. Exemplo clássico de equipa.

e) Equipa: objectivo comum (sucesso do evento), funções complementares (logística, comunicação, conteúdos), responsabilidade colectiva pelo resultado.

Critérios-chave: - Objectivo comum (não apenas individual). - Responsabilidade partilhada. - Dependência mútua. - Identidade colectiva.

Quando todos presentes → equipa. Quando ausentes → grupo.

Exercício 2 · Segurança psicológica (10 pts)

a) O que é segurança psicológica? b) Porque é o factor #1 do Google Project Aristotle? c) Como construí-la numa equipa?

a) Segurança psicológica:

Capacidade de falar livremente, arriscar, errar e fazer perguntas sem medo de: - Ser ridicularizado. - Ser punido. - Perder estatuto. - Ser visto como incompetente.

Conceito de Amy Edmondson (Harvard).

b) Porque é factor #1:

Sem segurança psicológica: - Pessoas calam ideias por medo → menos inovação. - Não admitem erros → erros repetem-se. - Não pedem ajuda → trabalham pior. - Não desafiam decisões más → decisões piores. - Não dão feedback → pessoas não crescem.

Com segurança psicológica: - Diversidade de ideias. - Aprendizagem rápida. - Confiança mútua. - Inovação contínua.

Google estudou centenas de equipas — equipas com alta segurança psicológica superaram outras significativamente, independentemente da composição, talento individual ou recursos.

c) Como construí-la:

Liderança: 1. Líder admite erros publicamente ("eu enganei-me em X"). 2. Líder pede feedback sinceramente ("o que posso melhorar?"). 3. Líder reconhece quando não sabe ("não tenho a resposta"). 4. Convida opiniões discordantes ("alguém vê isto de forma diferente?"). 5. Demitir comportamentos tóxicos rapidamente (incluindo high-performers tóxicos).

Processos: 1. Reuniões inclusivas (round-robin para ouvir todos). 2. Brainstorming sem julgamento inicial. 3. Retrospectivas focadas em sistema, não pessoas. 4. Pós-mortem sem culpa após falhas.

Cultura: 1. Celebrar tentativas, não apenas sucessos. 2. Falhar rápido = oportunidade de aprender. 3. Perguntas estúpidas não existem. 4. Respeito mútuo independente de hierarquia.

Tempo: construir leva meses; destruir leva 1 incidente.

Medir: surveys anónimos com perguntas como: - "Sinto-me à vontade para dizer o que penso na equipa." (1-5). - "Posso admitir erros sem medo de retaliação." (1-5). - "As minhas opiniões são valorizadas." (1-5).

Parte II · Fases Tuckman

Exercício 3 · Identificar fases (15 pts)

Para cada cenário, identifica a fase de Tuckman e indica acção do líder:

a) Equipa nova: pessoas formais, pouco diálogo, todos olham para o líder. b) Discussão acesa entre 2 membros sobre quem decide o quê. c) Equipa entrega projecto a tempo, com qualidade, todos satisfeitos. d) Membros começam a respeitar regras combinadas, conflitos diminuem. e) Projecto terminou, equipa dispersa, despedidas misturadas com tristeza.

a) Equipa nova, formal: FORMING.

Acção do líder: - Clarificar objectivos com clareza. - Definir papéis e responsabilidades. - Facilitar conhecimento mútuo (ice-breakers). - Estabelecer regras básicas (horários, comunicação, decisões). - Estar presente e directivo (estilo S1 ou S2 da liderança situacional).

b) Discussão acesa sobre poder: STORMING.

Acção do líder: - Não evitar o conflito — é normal e necessário. - Mediar com objectividade. - Facilitar diálogo (escutar ambas as partes). - Re-clarificar papéis e regras. - Permitir expressão de frustrações. - Reforçar comportamentos construtivos.

Esta é a fase mais difícil. Líderes inexperientes tendem a evitar — erro grave.

c) Equipa entrega com qualidade, satisfeita: PERFORMING.

Acção do líder: - Delegar mais. - Focar em estratégia/futuro. - Remover obstáculos externos. - Celebrar sucessos. - Manter condições que permitem performance. - Preparar próximos desafios.

d) Regras respeitadas, conflitos diminuem: NORMING.

Acção do líder: - Reforçar boas dinâmicas que emergiram. - Dar feedback específico e positivo. - Começar a delegar mais. - Promover autonomia gradual. - Estabilizar mas não acomodar.

e) Projecto terminado, despedidas: ADJOURNING.

Acção do líder: - Reconhecer contribuições individuais e colectivas. - Celebrar o percurso (festa, jantar, evento). - Documentar aprendizagens. - Reflectir sobre o que correu bem/mal. - Manter contactos (network futuro). - Apoiar transição para próximos projectos.

Importante: - Equipas podem regredir (novo membro entra → volta a Forming). - Equipas podem progredir mais rápido (experientes saltam fases). - Fases podem co-existir (alguns aspectos em Norming, outros em Storming).

Parte III · Papéis Belbin

Exercício 4 · Identificar papéis (15 pts)

Identifica o papel Belbin de cada pessoa:

a) Maria: cria muitas ideias originais, mas esquece detalhes. b) Pedro: pratico, organizado, garante que tudo é executado conforme planeado. c) João: diplomata, evita conflitos, faz todos sentirem-se bem. d) Ana: critica ideias com lógica fria, vê problemas antes dos outros. e) Rui: dinâmico, energético, desafia status quo, pode ser provocador.

a) Maria — Criador / Plantador (Plant): - Forças: criatividade, ideias originais, resolve problemas difíceis. - Fraquezas: ignora detalhes, comunica mal as ideias.

b) Pedro — Implementador (Implementer): - Forças: prático, organizado, fiável, executa. - Fraquezas: inflexível a mudanças, lento a adaptar-se a novidades.

c) João — Trabalhador de equipa (Team Worker): - Forças: cooperativo, diplomático, harmonizador. - Fraquezas: indeciso em momentos críticos, evita conflitos saudáveis.

d) Ana — Inspector-avaliador (Monitor-Evaluator): - Forças: estratégica, crítica construtiva, vê problemas, julga bem. - Fraquezas: pouco inspiradora, lenta, pode ser hipercrítica.

e) Rui — Modelador (Shaper): - Forças: dinâmico, prospera sob pressão, desafia o status quo. - Fraquezas: propenso a provocações, pode ser irritante.

Equipa equilibrada: precisa dos 5 (e idealmente mais alguns):

Papel Pessoa Contribuição
Criador Maria Inovação
Implementador Pedro Execução
Trab. equipa João Coesão
Inspector Ana Crítica
Modelador Rui Energia

Sem Maria: equipa não inova. Sem Pedro: ideias não se concretizam. Sem João: conflitos destruirão o grupo. Sem Ana: erros não detectados. Sem Rui: equipa adormece.

Faltam ainda: - Coordenador (gere o grupo, neutro). - Investigador de recursos (busca contactos exteriores). - Finalizador (garante perfeição nos detalhes). - Especialista (conhecimento técnico profundo se aplicável).

Princípio: - Cada pessoa tem 2-3 papéis dominantes. - Cada equipa deve cobrir os 9 (com sobreposições). - Diversidade de papéis = melhor desempenho.

Para projecto pequeno (3 pessoas): cada pessoa precisa de cobrir 3 papéis. Escolher pessoas com perfis complementares.

Exercício 5 · Equipa equilibrada (10 pts)

Vais formar equipa de 4 pessoas para projecto inovador de software (6 meses). Que perfis Belbin escolherias e porquê?

Equipa de 4 — Projecto Software Inovador (6 meses)

Recomendação:

Pessoa 1 — Criador + Especialista (tipicamente o tech lead criativo): - Por que: projecto inovador precisa de ideias originais + profundidade técnica. - Tipo de pessoa: developer sénior criativo, com domínio técnico forte. - Contribuição: arquitectura, soluções não-óbvias, exploração de novas tecnologias.

Pessoa 2 — Modelador + Coordenador (tipicamente o líder do projecto): - Por que: alguém para empurrar o projecto em frente + coordenar. - Tipo de pessoa: project manager dinâmico, com capacidade de liderar. - Contribuição: pacing, motivação, gestão de stakeholders, decisões rápidas.

Pessoa 3 — Implementador + Finalizador (developer sénior dedicado): - Por que: ideias têm que ser executadas + com qualidade. - Tipo de pessoa: developer disciplinado e detalhista. - Contribuição: implementar features, garantir qualidade, testes.

Pessoa 4 — Trabalhador de equipa + Inspector-avaliador (UX/Product): - Por que: precisa de alguém para validar ideias (critic) e cuidar das pessoas (team worker). - Tipo de pessoa: UX designer ou product owner com visão crítica. - Contribuição: validar com utilizadores, mediar conflitos, dar perspectiva externa.

Cobertura dos 9 papéis:

Papel Coberto por
Criador Pessoa 1
Especialista Pessoa 1
Modelador Pessoa 2
Coordenador Pessoa 2
Implementador Pessoa 3
Finalizador Pessoa 3
Trab. equipa Pessoa 4
Inspector Pessoa 4
Investigador recursos Coberto parcialmente por Pessoa 2 (network)

Sinergia esperada:

Riscos:

Cuidados:

  1. Onboarding conjunto crítico nos primeiros 30 dias.
  2. Regras acordadas cedo (comunicação, decisões, prazos).
  3. Retrospectivas quinzenais para ajustes.
  4. Reconhecimento das contribuições diferentes (não só código).

Alternativa para projecto rotineiro (não inovador): mais implementadores, menos criadores.

Princípio fundamental: equipa pequena tem que ser muito intencional na escolha. Cada pessoa cobre múltiplos papéis. Diversidade > talento individual bruto.

Parte IV · Casos práticos

Exercício 6 · Equipa em crise (15 pts)

Lideras equipa de 6 pessoas em projecto de 6 meses. Há 2 meses. Sintomas: - Reuniões com pouca participação. - Trabalho atrasado em 3 semanas. - 2 membros pediram para sair. - Cliente já se queixou da qualidade. - Tu próprio sentes-te exausto.

Plano de acção:

Plano de Acção — Equipa em Crise

Diagnóstico inicial:

Equipa provavelmente está na fase Storming (não progrediu para Norming) ou regressou. Pode haver problemas: - Liderança (eu próprio?). - Composição da equipa. - Objectivos mal definidos. - Processo ineficiente. - Cliente difícil. - Burnout.

Fase 1 — Pausa e Reflexão (1 semana):

  1. Auto-avaliação como líder:
  2. Tenho dado direcção clara?
  3. Tenho dado feedback?
  4. Tenho ouvido a equipa?
  5. Estou eu próprio bem?

  6. Conversas individuais (30 min cada × 6 pessoas):

  7. "O que está bem? O que está mal?"
  8. "Como te sentes?"
  9. "O que mudarias?"
  10. Ouvir sem defender.
  11. Anotar padrões.

  12. Análise de dados:

  13. Métricas do projecto (deadlines, qualidade).
  14. Feedback do cliente.
  15. Padrões nas reuniões.

Fase 2 — Reunião de Equipa Honesta (2-3h):

Formato — Retrospectiva profunda:

  1. Ground rules: respeito, ouvir, não atacar pessoas.

  2. Cada um partilha:

  3. O que sentes neste momento?
  4. O que está a impedir-te de dar o melhor?
  5. O que precisas para melhorar?

  6. Identificar problemas-raiz (não sintomas):

  7. "Reuniões pouco participadas" → porquê? Falta de preparação? Medo? Cultura?
  8. "Trabalho atrasado" → porquê? Estimativas erradas? Falta competências? Falta foco?
  9. "Membros querem sair" → porquê? Stress? Frustração? Cultura tóxica?

  10. Acordar acções concretas (top 5).

  11. Comprometer-se publicamente.

Fase 3 — Implementar Mudanças (próximas 2-4 semanas):

Acções típicas (conforme diagnóstico):

Se problema é direcção: - Re-clarificar objectivos e prioridades. - Definir o que NÃO fazer (cortar âmbito).

Se problema é processo: - Adoptar/melhorar Scrum, Kanban. - Reuniões mais curtas e focadas. - Daily standups. - Sprint planning + retrospectivas.

Se problema é cliente: - Conversa franca com cliente. - Re-negociar prazos ou âmbito. - Mostrar realidade do projecto.

Se problema é equipa errada: - Substituir pessoas que pediram para sair (em vez de tentar reter). - Trazer skills em falta.

Se problema é burnout (incluindo meu): - Reduzir horas de trabalho temporariamente. - Limitar comunicações fora de horário. - Apoio profissional se necessário. - Férias mesmo curtas (1-2 dias para desligar).

Fase 4 — Monitorizar e Ajustar (contínuo):

Fase 5 — Reflectir:

Após estabilização, aprender com a crise: - O que devia ter visto antes? - Que sinais ignorei? - Como prevenir no próximo projecto?

Comunicação ao chefe (importante):

Ser transparente com chefia: - "Temos uma crise mas estou a actuar." - "Acções X, Y, Z." - "Posso precisar de [recurso]."

Não esconder problemas (descoberta tardia é pior).

Mindset crítico:

Cenário em que considerar saída do projecto: - Cliente impossível e direcção não apoia. - Cultura tóxica que não posso mudar. - Risco para saúde mental.

Sair de projecto difícil é melhor que destruir-se a si próprio.

Princípios finais:

  1. Crise = oportunidade de transformação.
  2. Líder serve equipa, não o contrário.
  3. Honestidade brutal com factos, gentileza com pessoas.
  4. Acção > análise infinita.
  5. Cuidar de si para cuidar dos outros.

Exercício 7 · Liderança situacional (10 pts)

Tens 4 colaboradores diferentes. Que estilo de liderança usar com cada?

a) Recém-formado, 1ª semana, motivado mas perdido. b) Sénior experiente, super competente, automotivado, super ocupado. c) Médio sénior, competente mas desmotivado após recusa de promoção. d) Junior, 6 meses, técnicamente cresceu mas com dúvidas sobre tarefas novas.

Liderança Situacional (Hersey-Blanchard):

a) Recém-formado, 1ª semana, motivado mas perdido:

Maturidade: M1 (baixa competência, alto compromisso).

Estilo recomendado: S1 — Directivo. - Dizer exactamente o que fazer e como. - Demonstrar passo a passo. - Supervisionar de perto. - Aceitar erros como parte da aprendizagem. - Feedback frequente e específico.

Exemplo:

"Hoje vais fazer X. Primeiro, faz Y. Depois, Z. Mostra-me quando acabares. Qualquer dúvida, pergunta logo."

Erro comum: dar autonomia demais cedo ("aprende a nadar saltando para a água"). Resultado: frustração + erros.


b) Sénior experiente, competente, automotivado, ocupado:

Maturidade: M4 (alta competência, alto compromisso).

Estilo recomendado: S4 — Delegação. - Dar autonomia plena. - Definir resultado desejado (não como fazer). - Confiar no processo. - Estar disponível para escalation se necessário. - Reconhecer publicamente.

Exemplo:

"Precisamos do projecto X concluído até 30 de Junho. Sabes o que é preciso. Decide tu o como. Estou aqui se precisares de algo."

Erro comum: microgerir ("e fizeste isto?", "porque assim?"). Resultado: profissional sai da empresa.


c) Médio sénior, competente mas desmotivado (recusa promoção):

Maturidade: M3 (alta competência, baixo compromisso).

Estilo recomendado: S3 — Apoio. - Ouvir as preocupações. - Validar sentimentos. - Pouca direcção (sabe o que fazer). - Muito apoio emocional. - Envolver em decisões. - Investigar se há solução para a frustração.

Exemplo:

"Sei que ficaste desiludido com a decisão da promoção. Vamos conversar sobre como te sentes e o que precisas para continuar a crescer aqui."

Erro comum: pressionar para "melhorar atitude". Resultado: desmotivação aumenta.

Risco: se nada mudar, profissional procurará oportunidades externas.


d) Junior, 6 meses, com dúvidas sobre tarefas novas:

Maturidade: M2 (média competência, médio compromisso — entusiasta inexperiente em nova área).

Estilo recomendado: S2 — Coaching. - Dar direcção (ainda precisa). - Mas explicar porquê (não só o quê). - Apoiar emocionalmente. - Vender a tarefa (mostrar valor). - Encorajar perguntas. - Permitir erros pequenos.

Exemplo:

"Vamos fazer X. É novo para ti mas dás conta. A abordagem é Y. Comecei por A; tu segues com B. Pensa em C como exercício; depois discutimos."

Erro comum 1: tratar como M4 (delegar tudo). Resultado: frustração. Erro comum 2: tratar como M1 (microgerir). Resultado: desmotivação.


Princípios:

  1. Mesmo colaborador pode ter maturidades diferentes em tarefas diferentes:
  2. Pode ser M4 em programação Python.
  3. Pode ser M1 em apresentações públicas.
  4. Adaptar estilo por tarefa.

  5. Maturidade evolui com tempo e experiência:

  6. Junior progrede M1 → M2 → M3 → M4.
  7. Líder ajusta estilo conforme.

  8. Maturidade pode regredir:

  9. Mudança de tarefa drástica = volta a M1.
  10. Stress pessoal afecta compromisso (M4 → M3).

  11. Erro de estilo errado:

  12. Demasiado directivo com sénior → desmotivação.
  13. Demasiado delegativo com junior → erros + frustração.
  14. Demasiado emocional com quem precisa direcção → confusão.

  15. Conversação directa:

  16. "Que tipo de apoio precisas de mim para esta tarefa?"
  17. "Achas que tens autonomia suficiente?"
  18. Adaptar conforme respostas.

Exercício 8 · Brainstorming (10 pts)

Vais facilitar brainstorming para gerar ideias de novos produtos para a empresa. 6 pessoas, 1h.

a) Como preparar? b) Como conduzir? c) Como avaliar resultados?

Brainstorming — Novos Produtos

a) Preparação (antes da sessão):

  1. Definir objectivo claro:
  2. "Identificar 5 oportunidades de produto para 2026 alinhadas com nossa estratégia X".

  3. Convidar pessoas certas:

  4. 6 pessoas é número ideal (não 20).
  5. Diversidade: marketing, técnico, vendas, customer success, design.
  6. Misturar experientes e juniores.
  7. Incluir alguém de fora se possível (perspectiva fresca).

  8. Material prévio (enviar 2 dias antes):

  9. Contexto: dados de mercado, tendências, feedback de clientes.
  10. Restrições: orçamento, tempo, capacidades.
  11. Pedido: cada um traz 3 ideias iniciais.

  12. Espaço adequado:

  13. Sala com whiteboard ou paredes para post-its.
  14. Materiais: post-its, canetas, papel.
  15. Sem distrações (silenciar telemóveis).

  16. Facilitador definido (tu ou outro):

  17. Neutro (não deve dominar com próprias ideias).
  18. Energético.

b) Conduzir (durante a sessão, 60 min):

Estrutura:

Abertura (5 min): - Saudação e objectivo recap. - Regras: 1. Sem julgamento durante geração. 2. Quantidade antes de qualidade. 3. Construir sobre ideias dos outros ("sim, e..."). 4. Ideias loucas bem-vindas. 5. Foco no tópico. - Tempo total previsto.

Warm-up (5 min): - Exercício curto para activar criatividade. - Ex: "Listem 10 usos não-óbvios de um clipe de papel" (2 min). - Ajuda a libertar inibições.

Fase 1 — Brainwriting individual (10 min): - Cada pessoa escreve silenciosamente as suas ideias em post-its. - 1 ideia por post-it. - Quantidade: mínimo 5 ideias. - Sem partilha ainda.

Por que primeiro silencioso: - Pessoas introvertidas têm voz igual. - Evita anchoring (primeira ideia influencia restantes). - Mais ideias geradas.

Fase 2 — Partilha e construção (20 min): - Cada pessoa apresenta as suas ideias (2-3 min cada). - Colar post-its no whiteboard. - Outros podem acrescentar variações ou ideias inspiradas. - Sem julgamento ainda.

Facilitador: - Encoraja participação igual. - Não permite críticas. - Anota temas emergentes.

Fase 3 — Geração estimulada (10 min): - Técnicas para gerar mais: - "E se invertêssemos X?" - "E se fôssemos a Apple? E a IKEA?" - "E se tivéssemos orçamento ilimitado? E zero?" - Variações sobre ideias já geradas.

Fase 4 — Agrupar e Priorizar (15 min): - Agrupar ideias similares. - Votação com dots (cada pessoa: 5 dots para distribuir nas ideias preferidas). - Top 5 emerging.

Fase 5 — Próximos passos (5 min): - Donos definidos para top 5 ideias. - Prazo para análise mais profunda (1-2 semanas). - Próxima reunião marcada para decidir 1-2 ideias a prosseguir.

c) Avaliar resultados (após a sessão):

Critérios objectivos:

Critério Peso Escala
Alinhamento com estratégia 25% 1-5
Tamanho do mercado 20% 1-5
Diferenciação vs concorrência 15% 1-5
Viabilidade técnica 15% 1-5
Custo de desenvolvimento 10% 1-5 (invertido)
Time-to-market 10% 1-5
ROI esperado 5% 1-5

Pontuar cada ideia top com base nesses critérios.

Análise mais profunda das top 3: - Pesquisa de mercado. - Conversas com clientes potenciais. - Análise técnica preliminar. - Estimativa de custos.

Decisão final em comité (3-4 pessoas sénior).

Documentação: - Acta da sessão. - Lista completa de ideias (todas, não só seleccionadas). - Resultados da priorização. - Decisões e próximos passos.

Lessons learned: - O que funcionou bem na sessão? - O que melhorar na próxima?

Erros comuns a evitar:

Líder fala primeiro → outros seguem-no (groupthink). ❌ Critica ideias durante geração → mata criatividade. ❌ Convida apenas seniores → falta diversidade. ❌ Não dá tempo silencioso → introvertidos perdem-se. ❌ Sem follow-up → ideias morrem. ❌ Sem critérios para escolher → escolha emocional.

Princípio fundamental: brainstorming gera; selecção avalia. Misturar mata ambos.