UC05431

Projetar placas molde para fundição

Desenho técnico do molde, linha de apartação, saídas, contrações, machos e cálculo do sistema de alimentação e gitagem

Curso profissional · 50h · Indústria e Mecatrónica

Plano

  1. Da peça ao molde: o papel do desenho técnico
  2. Tecnologia de fundição
  3. Processos de moldação
  4. Tipos de molde e a placa molde
  5. Normas de desenho e projeto de moldes
  6. A linha de apartação
  7. Saídas de desmoldagem
  8. Contração dos materiais
  9. Sobreespessuras de maquinação
  10. Postiços, machos e caixas de macho
  11. Sistema de gitagem e alimentação
  12. Calcular a gitagem e a alimentação
  13. Simulação do enchimento
  14. Software de desenho de moldes
  15. Segurança, ambiente e qualidade

Bloco 1 · Da peça ao molde

Do desenho técnico ao molde

Tudo começa no desenho técnico da peça fundida: cotas, tolerâncias, material e acabamento. O projetista de placas molde tem de analisar esse desenho antes de desenhar seja o que for.

  • Identificar as superfícies funcionais, que não podem ter defeitos nem sobreespessura em excesso.
  • Perceber a orientação de vazamento mais favorável à peça.
  • Detetar zonas críticas: paredes finas, mudanças bruscas de secção, furos profundos.

O molde nunca é mais rigoroso do que a leitura que se faz do desenho da peça.

Relacionar o desenho técnico com o molde

Ler o desenho da peça é responder a um conjunto de perguntas concretas antes de desenhar o molde:

Pergunta O que determina
Qual o material e a liga? contração a aplicar
Onde ficam as tolerâncias apertadas? zonas com sobreespessura mínima
A peça tem furos ou reentrâncias? necessidade de machos
Qual a melhor posição de vazamento? linha de apartação

Cada resposta alimenta diretamente uma decisão de projeto do molde.

Bloco 2 · Tecnologia de fundição

O que é fundir

Fundição é o processo de obter uma peça vazando metal líquido para dentro de uma cavidade com a forma pretendida, o molde, e deixando-o solidificar.

  • Permite produzir formas complexas de outro modo difíceis ou caras de obter.
  • Usa-se em ligas ferrosas (ferro fundido, aço) e não ferrosas (alumínio, bronze, latão, zamak).
  • A peça fundida chama-se peça em bruto, e é normalmente maquinada depois.

A fundição é uma das tecnologias de fabrico mais antigas e ainda uma das mais usadas na indústria.

Famílias de processos de fundição

Família Molde Uso típico
Em areia perdido, um por peça séries curtas e médias, peças grandes
Em coquilha (molde metálico) permanente, reutilizável séries médias e grandes
Injeção sob pressão permanente, metálico zamak, alumínio, grandes séries
Cera perdida (microfusão) perdido, alta precisão peças de geometria complexa

Esta UC foca-se na fundição em areia com placa molde, a mais comum no ensino e na indústria de moldes e modelos.

Bloco 3 · Processos de moldação

O que é a moldação

Moldar é compactar areia (ou outro material) em torno de um modelo para reproduzir a forma da peça em negativo. O resultado é o molde.

  • Areia verde: areia siliciosa com bentonite e água, compactada mecanicamente. Rápida e económica.
  • Cura a frio (auto-secante): areia com resina e catalisador, endurece à temperatura ambiente. Mais rigor dimensional.
  • Cura a quente (shell moulding): areia com resina, moldada sobre uma placa aquecida. Grande precisão e bom acabamento.

A escolha do processo de moldação condiciona o próprio desenho do molde e da placa molde.

Sequência de moldação com placa molde

  1. Fixar o modelo (ou os postiços) sobre a placa molde.
  2. Colocar a caixa de moldação (fecho inferior) sobre a placa e compactar a areia.
  3. Voltar o conjunto, retirar a placa e repetir para o fecho superior.
  4. Abrir os canais de gitagem, colocar os machos, e fechar as duas metades.
  5. Vazar o metal líquido pela bacia de vazamento.

Cada etapa depende de decisões tomadas no projeto: a placa molde é o ponto de partida físico de todo o processo.

Bloco 4 · Tipos de molde e a placa molde

Definir o tipo de molde

Definir o tipo de molde é uma das realizações centrais da UC: a decisão certa evita retrabalho no resto do projeto.

  • Molde de uma só cavidade: uma peça por vazamento, prototipagem ou séries pequenas.
  • Molde multicavidade: várias peças iguais por vazamento, ganho de produtividade.
  • Molde com machos: quando a peça tem furos, reentrâncias ou zonas ocas.
  • Molde sem apartação (bloco único): peças muito simples, sem necessidade de dividir em duas metades.

A escolha cruza a geometria da peça, o volume de produção e o processo de moldação escolhido.

A placa molde

A placa molde é a placa, normalmente em madeira, resina ou alumínio, onde estão fixados o modelo (ou metade dele) e os canais de gitagem, usada para compactar a areia de forma repetível.

  • Simplifica e normaliza a moldação: todas as caixas compactadas a partir da mesma placa saem iguais.
  • Pode ser de face simples (um lado com o modelo) ou de duas faces (fecho inferior e superior juntos).
  • É o investimento inicial do projeto de fundição em série: um erro na placa repete-se em todas as peças.

Projetar bem a placa molde é o cerne desta UC.

Bloco 5 · Normas de desenho e projeto de moldes

Porque normalizar o desenho de moldes

O desenho de moldes segue as normas de desenho técnico gerais (projeções, cotagem, escalas) mais convenções específicas de fundição.

  • Vistas e cortes: normalmente corte pela linha de apartação, para mostrar as duas metades.
  • Simbologia própria: ângulos de saída, linha de apartação, referências de macho, identificadas com convenções da área.
  • Legenda completa: material da peça, liga, escala de contração aplicada, revisão e data.
  • Cotagem coerente com as tolerâncias da peça final, não só do molde.

Um desenho de molde sem estas convenções obriga o oficial de fundição a adivinhar.

O desenho do conjunto e dos detalhes

Um projeto de molde completo representa conjuntos e detalhes, como em qualquer projeto mecânico:

  • Desenho de conjunto: a placa molde montada, com o modelo, os canais e as referências de fecho.
  • Desenho de detalhe: cada postiço, cada macho, cada elemento de gitagem, isolado e cotado.
  • Lista de materiais (BOM): madeira ou resina da placa, metal dos postiços, referências normalizadas.
  • Vista explodida (quando útil): ajuda a montagem e a verificação de tolerâncias entre peças.

Representar conjuntos e detalhes é uma aptidão avaliada nesta UC.

Bloco 6 · A linha de apartação

O que é a linha de apartação

A linha de apartação é a linha (ou superfície) onde o molde se divide em duas metades, para permitir retirar o modelo e depois a peça.

  • Deve passar pela maior secção da peça, sempre que possível.
  • Idealmente é plana, para facilitar a moldação; apartações irregulares complicam o fabrico.
  • Condiciona diretamente as saídas de desmoldagem e a posição dos machos.
  • Deixa sempre uma marca fina na peça final, a rebarba de apartação.

Escolher mal a linha de apartação é o erro que mais compromete um projeto de molde.

Escolher a linha de apartação

Critérios práticos para decidir onde fica a linha de apartação:

  1. Minimizar o número de machos necessários.
  2. Evitar contra-saídas (zonas que impedem a extração direta do modelo).
  3. Facilitar o acesso ao sistema de gitagem a partir da linha escolhida.
  4. Colocar, sempre que possível, as superfícies funcionais do lado que fica mais limpo (sem rebarba de apartação a exigir acabamento extra).

Uma boa linha de apartação simplifica todo o resto do projeto, uma má linha obriga a compensar mais tarde com machos e acabamentos extra.

Bloco 7 · Saídas de desmoldagem

O que são as saídas

As saídas (ângulos de desmoldagem ou de saída) são a inclinação dada às paredes do modelo, paralelas à direção de extração, para que o modelo saia da areia sem a danificar.

  • Sem saída, o atrito ao retirar o modelo desmorona a areia compactada.
  • Aplicam-se a todas as paredes paralelas à direção de desmoldagem, internas e externas.
  • Quanto maior a parede, menor o ângulo necessário para o mesmo desvio dimensional.

A saída é acrescentada ao desenho da peça e, nas superfícies em bruto, fica na peça fundida: altera espessuras, massa e cotas não maquinadas. Só desaparece onde há maquinação posterior.

Valores de referência para as saídas

Zona Ângulo típico
Paredes externas, moldação em areia 1° a 2°
Paredes internas (machos) 2° a 3°
Paredes muito curtas valores maiores, para não gerar uma sobreespessura desprezável
Moldação de precisão (cura a frio) valores no limite inferior

Exemplo resolvido

Uma nervura de 40 mm de altura, moldada em areia verde, leva uma saída de 1,5°. O desvio na base é de 40 × tan(1,5°) ≈ 40 × 0,0262 ≈ **1,05 mm** de folga extra, que fica dentro da sobreespessura de maquinação prevista.

Bloco 8 · Contração dos materiais

Porque o metal contrai

Ao arrefecer, o metal líquido contrai: passa do estado líquido para sólido e depois arrefece até à temperatura ambiente, reduzindo de volume em cada uma dessas fases.

  • A contração corrigida no próprio modelo é a contração linear no estado sólido; a de solidificação é compensada pelo massalote.
  • Cada liga tem um coeficiente de contração diferente, retirado de tabelas normalizadas.
  • O modelo (e por isso a placa molde) é construído maior do que a peça final, exatamente na percentagem de contração prevista.

Sem esta correção, a peça fundida sai sistematicamente mais pequena do que o desenho pede.

Tabela de contrações e exemplo de cálculo

Liga Contração linear típica
Ferro fundido cinzento 1,0 %
Aço fundido 2,0 %
Alumínio e ligas 1,3 %
Bronze e latão 1,5 %

Exemplo resolvido

Uma peça em alumínio tem, no desenho final, um comprimento de 250 mm. Com uma contração de 1,3%, o modelo tem de ser construído com:

250 + (250 × 0,013) = 250 + 3,25 = **253,25 mm**

Esta cota, e não os 250 mm da peça, é a que vai para o desenho da placa molde.

Bloco 9 · Sobreespessuras de maquinação

O que é a sobreespessura de maquinação

A sobreespessura de maquinação é material extra deixado nas superfícies que vão ser maquinadas depois da fundição, para garantir que a maquinação remove qualquer imperfeição superficial e chega à cota final.

  • Aplica-se apenas às superfícies funcionais com tolerâncias apertadas, não à peça toda.
  • O valor depende do processo de moldação, do tamanho da peça e da posição (superfícies de cima acumulam mais defeitos do que as de baixo).
  • É diferente da contração: a contração compensa o encolhimento do metal, a sobreespessura garante material para maquinar.

Sem sobreespessura, a maquinação pode "furar" a peça antes de chegar à cota pretendida.

Valores típicos e onde aplicar

Situação Sobreespessura típica
Superfícies laterais, peça pequena 2 a 3 mm
Superfícies superiores (mais defeitos) 3 a 5 mm
Peças de grande dimensão valores maiores, por norma
Fundição de precisão (cera perdida) valores mínimos, quase sem maquinação

A sobreespessura de maquinação soma-se por cima da cota já corrigida pela contração: primeiro aplica-se a contração, depois a sobreespessura só nas superfícies a maquinar.

Bloco 10 · Postiços, machos e caixas de macho

Postiços

Os postiços são peças amovíveis do modelo ou da placa molde, usadas para reproduzir detalhes que, de outra forma, criariam contra-saídas.

  • Ficam na areia quando o modelo principal é extraído e retiram-se depois, à parte, pela cavidade já aberta.
  • Permitem representar saliências, nervuras ou reentrâncias localizadas sem complicar o resto do modelo.
  • Têm de ser posicionados com rigor na placa molde, com pinos ou referências de montagem.

Um bom postiço resolve um detalhe geométrico sem obrigar a redesenhar o modelo inteiro.

Machos e caixas de macho

O macho é uma peça de areia, produzida à parte, que se coloca dentro do molde para criar furos, canais ou reentrâncias internas que o modelo sozinho não consegue reproduzir.

  • É moldado numa caixa de macho, o negativo da forma do macho, normalmente em madeira, resina ou metal.
  • Assenta em marcas de macho, saliências no molde que o posicionam e sustentam durante o vazamento.
  • Depois de fundida a peça, o macho é destruído e removido, deixando a cavidade interna pretendida.

Projetar as marcas de macho corretamente é essencial: um macho mal apoiado desloca-se e a peça sai com paredes de espessura irregular.

Bloco 11 · Sistema de gitagem e alimentação

O sistema de gitagem

A gitagem é o conjunto de canais que conduzem o metal líquido desde o exterior até à cavidade do molde.

Elemento Função
Bacia de vazamento recebe o metal vertido pelo operador
Canal de descida (gito de vazamento) conduz o metal em queda até à base do molde
Canal de distribuição distribui o metal horizontalmente
Ataque (canal de ataque) entrada final do metal na cavidade da peça

Uma gitagem mal desenhada gera turbulência, arrastamento de areia e defeitos internos na peça.

O sistema de alimentação

A alimentação garante que há sempre metal líquido disponível para compensar a contração de solidificação, enquanto a peça arrefece.

  • Usa massalotes, reservas de metal líquido ligadas às zonas de maior espessura da peça.
  • O massalote tem de solidificar depois da peça, para continuar a alimentá-la até ao fim.
  • Localiza-se junto às zonas onde a peça tem maior massa e, por isso, arrefece mais devagar.

Sem alimentação adequada surgem rechupes, cavidades internas de contração por falta de metal na fase final.

Bloco 12 · Calcular a gitagem e a alimentação

Dimensionar os canais de gitagem

O dimensionamento parte do tempo de vazamento desejado e da massa da peça, para calcular a área do canal de ataque, com uma fórmula do tipo:

A_ataque = W / (ρ · t · c · √(2 · g · h))

Onde W é a massa a vazar, ρ a densidade do metal líquido, t o tempo de vazamento, c um coeficiente de eficiência do canal, g a aceleração da gravidade e h a altura efetiva de queda (bacia até ao ataque).

Exemplo resolvido de gitagem

Peça de alumínio, W = 3 kg, vazada em t = 12 s, com altura efetiva h = 200 mm = 0,2 m, c = 0,6 e densidade do alumínio líquido ρ ≈ 2400 kg/m³.

  1. Velocidade de queda: v = √(2 × 9,81 × 0,2) ≈ 1,98 m/s
  2. Área do ataque: A = 3 / (2400 × 12 × 0,6 × 1,98) ≈ **8,8 × 10⁻⁵ m² ≈ 88 mm²**
  3. Para um ataque retangular de 4 mm de altura, a largura ronda os 22 mm.

O sistema de alimentação (massalotes) é calculado à parte, com base no módulo de arrefecimento de cada zona da peça.

Bloco 13 · Simulação do enchimento

Porque simular o enchimento

A simulação do enchimento usa software para prever, antes de fundir a primeira peça real, como o metal líquido preenche o molde e como solidifica.

  • Deteta turbulência, ar aprisionado e zonas de enchimento incompleto.
  • Prevê rechupes e ajuda a validar o posicionamento dos massalotes.
  • Evita fundições de teste caras, corrigindo o projeto ainda no computador.

Simular não substitui a experiência da oficina, mas reduz drasticamente o número de tentativas físicas.

O que se lê numa simulação

Uma simulação típica devolve mapas de cor sobre o modelo 3D do molde:

Resultado da simulação O que mostra
Frente de enchimento ordem por que o metal preenche a cavidade
Temperatura zonas que arrefecem mais depressa
Porosidade prevista risco de rechupe por falta de alimentação
Tensões residuais risco de deformação ou fissura

Com estes resultados, ajusta-se o projeto (gitagem, alimentação, saídas) antes de cortar a placa molde.

Bloco 14 · Software de desenho de moldes

Ferramentas de desenho

O projeto de placas molde faz-se hoje sobretudo em software de desenho 2D/3D, o que agiliza cálculos, verificação de interferências e geração de desenhos técnicos.

  • CAD 2D (AutoCAD e equivalentes): desenhos técnicos normalizados, cortes e cotagem.
  • CAD 3D (SolidWorks, Inventor e equivalentes): modelação do modelo, dos postiços, das caixas de macho e da própria placa molde.
  • Software específico de fundição: incorpora bibliotecas de gitagem, massalotes e simulação de enchimento.

O fluxo típico: modelar a peça → aplicar contração → desenhar o molde (linha de apartação, saídas) → gitagem e alimentação → simular → gerar desenhos técnicos.

Verificar a conformidade do molde

Antes de aprovar o desenho final, verifica-se se o molde está conforme o seu próprio projeto e a peça pretendida:

  • Sobreposição do modelo 3D com a peça original, para confirmar que a contração e as saídas foram aplicadas corretamente.
  • Verificação de interferências entre postiços, machos e a placa molde.
  • Revisão da cotagem do desenho técnico final, comparando com o desenho da peça de origem.
  • Lista de materiais (BOM) completa, com todas as peças a fabricar.

Verificar a conformidade do molde com o projeto é a última aptidão da UC, o fecho de todo o processo.

Bloco 15 · Segurança, ambiente e qualidade

Segurança e saúde no trabalho

O projeto de moldes cruza-se sempre com a oficina de fundição, um ambiente com riscos reais que o técnico tem de conhecer e prevenir.

  • Equipamentos de proteção individual (EPI): óculos, luvas, calçado de proteção e proteção respiratória junto de poeiras de areia.
  • Normas de segurança e saúde no trabalho: manuseamento de ferramentas de corte, máquinas de moldação e cargas.
  • O desenho do molde também facilita a segurança na oficina: arestas vivas evitadas, pegas previstas para manuseio.

Cumprir as normas de segurança é um critério de desempenho explícito desta UC, não um extra.

Ambiente e qualidade

Duas frentes finais fecham o referencial da UC:

  • Normas de gestão de resíduos e proteção ambiental: areia usada, óleos e resinas têm de ser geridos e descartados conforme a legislação, e o projeto pode reduzir desperdício ao otimizar a gitagem.
  • Normas da qualidade: cada decisão de projeto documentada, revista e comparada com o desenho de origem, num processo repetível e rastreável.

Rigor, sentido de organização e sentido crítico não são atitudes soltas: são o que sustenta, na prática, a segurança, o ambiente e a qualidade de todo o projeto.

Recapitulando

  • Tudo parte de analisar o desenho técnico da peça e definir o tipo de molde.
  • A linha de apartação, as saídas, a contração e a sobreespessura de maquinação são as quatro correções geométricas do projeto.
  • Postiços e machos resolvem os detalhes que o modelo sozinho não consegue reproduzir.
  • A gitagem enche o molde, a alimentação compensa a contração, e a simulação do enchimento valida as duas antes do fabrico.
  • Tudo isto em software de desenho de moldes, cumprindo normas de segurança, ambiente e qualidade.

Próximo: fichas e mini-projeto, projetar uma placa molde de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: analisar o desenho técnico é a primeira realização da UC, não um passo secundário. Erros de leitura aqui propagam-se a todo o projeto do molde. - Erro comum: passar direto a desenhar o molde sem identificar as superfícies funcionais da peça, obrigando a refazer o projeto mais tarde. - Exemplo: uma peça de torneira com uma sede de vedação (superfície funcional) exige uma sobreespessura mínima nessa zona, para garantir estanquidade após maquinação.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta tabela é o percurso da UC inteira, cada coluna da direita é um bloco do curso. - Pergunta à turma: se mudarem a liga da peça de alumínio para ferro fundido, o que muda no molde? (a contração, o sistema de gitagem, a temperatura de vazamento). - Exemplo/analogia: ler o desenho da peça é como ler a planta de uma casa antes de desenhar as fundações, tudo o resto depende dessa leitura.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: distinguir a peça em bruto (à saída do molde) da peça acabada (depois de maquinada), conceito que volta na sobreespessura de maquinação. - Pergunta: porque se funde em vez de maquinar tudo a partir de um bloco maciço? (menos desperdício de material, formas internas impossíveis de maquinar, economia em grandes séries). - Exemplo: um bloco de motor de automóvel é fundido em uma só peça, com canais internos de água e óleo que seria impossível furar depois.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a placa molde é característica da fundição em areia; a coquilha e a injeção usam moldes metálicos permanentes, sem placa molde. - Erro comum: confundir molde permanente com molde perdido. O molde de areia é destruído para retirar a peça, por isso "perdido". - Exemplo/analogia: o molde de areia é como um saco de gelo, usa-se uma vez; a coquilha é como uma forma de bolos, usa-se centenas de vezes.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada processo de moldação exige tolerâncias e sobreespessuras diferentes, ligar ao Bloco 9. - Erro comum: achar que "moldar" e "fundir" são sinónimos. Moldar é preparar a cavidade; fundir é vazar e solidificar o metal. - Exemplo: a areia verde é a mais usada em oficinas de fundição de pequena e média série, por ser rápida e reciclável.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a placa molde é o elemento que "guarda" a geometria da peça e garante que o fecho inferior e o superior encaixam sem desvio. - Pergunta: porque se compacta em duas caixas separadas e não numa só? (para conseguir retirar o modelo sem destruir o molde, e para poder colocar os machos entre as duas metades). - Exemplo/analogia: a placa molde funciona como um molde de biscoitos com duas metades, cada compactação de areia é um biscoito com metade da forma.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "definir o tipo de molde" é uma realização avaliada por si só, não um detalhe implícito no desenho. - Erro comum: desenhar logo o molde multicavidade sem confirmar se o volume de produção o justifica, aumentando o custo da placa molde sem necessidade. - Exemplo: uma peça de prototipagem faz-se num molde de uma só cavidade; a mesma peça em série de 5000 unidades justifica um molde de quatro ou seis cavidades.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a placa molde é a peça central do referencial desta UC, ligar sempre de volta a ela nos blocos seguintes. - Pergunta: porque vale a pena investir numa placa molde bem feita em vez de moldar "à mão" peça a peça? (repetibilidade, produtividade, menos defeitos). - Exemplo/analogia: a placa molde está para a fundição em série como um carimbo está para uma tiragem de documentos, o mesmo desenho repetido sem desvio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: projetar o molde "de acordo com as normas de desenho" é um critério de desempenho explícito da UC, não uma boa prática opcional. - Erro comum: cotar o molde como se fosse a peça final, esquecendo que o molde já tem a contração e a sobreespessura incluídas. - Exemplo: a escala de contração usada tem de constar sempre na legenda do desenho do molde, para quem fabrica saber que a peça vai encolher X% ao arrefecer.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sem o desenho de detalhe de cada postiço e macho, a oficina não consegue fabricar as peças isoladas da placa molde. - Pergunta: porque não basta um único desenho de conjunto? (falta cotagem e tolerância individual de cada peça a fabricar). - Exemplo/analogia: o desenho de conjunto é como a fotografia de um móvel montado; os desenhos de detalhe são as instruções peça a peça para o carpinteiro.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a linha de apartação é a primeira decisão geométrica do projeto do molde e influencia todas as seguintes (saídas, machos, gitagem). - Erro comum: escolher uma linha de apartação irregular só porque "cabe" a peça, sem pensar na dificuldade de fabricar essa placa molde. - Exemplo: numa peça em forma de L, a linha de apartação ótima passa pelo plano que contém as duas maiores faces, minimizando as saídas necessárias.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada critério aqui é uma decisão que evita custo mais à frente no projeto, ligar aos blocos de machos e gitagem. - Pergunta: e se a peça tiver simetria de revolução (por exemplo, uma polia)? (a linha de apartação fica num plano perpendicular ao eixo, no maior diâmetro). - Exemplo/analogia: escolher a linha de apartação é como escolher por onde cortar um melão ao meio, a escolha certa facilita tudo o que vem a seguir.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as saídas existem só para permitir a extração do modelo, e desaparecem (dentro da tolerância) depois da maquinação da peça. - Erro comum: esquecer as saídas em paredes verticais internas de um macho, causando rasgão da areia ao desmoldar. - Exemplo/analogia: puxar um copo de gelo de dentro do congelador é mais fácil se as paredes do molde forem ligeiramente inclinadas, é exatamente a mesma lógica da saída.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os valores da tabela são pontos de partida, o catálogo do fabricante da areia e a experiência da oficina afinam o valor final. - Erro comum: aplicar o mesmo ângulo a paredes de alturas muito diferentes, sem verificar se o desvio resultante ainda cabe na sobreespessura. - Deixar o desafio: recalcular o desvio para uma parede de 80 mm com o mesmo ângulo de 1,5°.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a contração é sempre aplicada ao modelo/placa molde, nunca corrigida "depois" na peça, porque a peça já saiu pequena do molde. - Erro comum: usar a mesma percentagem de contração para todas as ligas, ignorando que o ferro fundido cinzento e o alumínio contraem de forma diferente. - Exemplo: existem réguas de contração (réguas "encolhidas") usadas na oficina, marcadas já com a escala ampliada para cada liga.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: fazer este cálculo em conjunto no quadro, com outra liga, até a turma automatizar a fórmula "cota final + contração". - Erro comum: aplicar a percentagem sobre a cota errada ou esquecer de a aplicar a todas as direções da peça, não só ao comprimento. - Pergunta: e se a peça fosse em aço fundido com o mesmo comprimento de 250 mm? (250 + 250×0,02 = 255 mm).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: contração e sobreespessura resolvem problemas diferentes; a peça soma as duas ao desenho original. - Erro comum: confundir as duas correções e aplicar só uma delas, deixando a peça fundida sem material suficiente para maquinar. - Exemplo/analogia: a sobreespessura é como deixar uma margem extra num tecido antes de cortar à medida, dá espaço para acertar sem estragar a peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a ordem importa, contração primeiro (em toda a peça), sobreespessura depois (só nas superfícies funcionais). - Erro comum: aplicar a sobreespessura a todas as superfícies da peça, encarecendo a maquinação sem necessidade. - Exercício rápido: pedir à turma para identificar, num desenho de peça simples, quais as 2 ou 3 superfícies que realmente precisam de sobreespessura.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: postiço não é macho, o postiço fica na areia e sai depois do modelo, o macho é feito à parte e colocado no molde já aberto. - Erro comum: tentar resolver com um macho um detalhe que um postiço resolveria de forma mais simples e barata. - Exemplo: uma saliência lateral numa peça, perpendicular à direção de desmoldagem, é um caso clássico de postiço.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as caixas de macho são desenhadas e cotadas como qualquer outro detalhe do projeto, com as suas próprias saídas. - Pergunta: porque não se pode moldar um furo interno sem macho? (o modelo não consegue "entrar e sair" de uma cavidade fechada, precisa de uma peça à parte). - Exemplo/analogia: o macho está para o molde como um miolo amovível está para uma forma de bolo com buraco no meio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o metal deve entrar na cavidade de forma calma e contínua, gitagem é sobretudo gestão de fluxo, não só "um buraco por onde entra o metal". - Erro comum: desenhar um ataque demasiado estreito, criando um jato turbulento que arrasta ar e areia para dentro da peça. - Exemplo/analogia: a gitagem é como as canalizações de água de uma casa, se forem mal dimensionadas há turbulência, ruído e má distribuição de caudal.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: alimentação e gitagem resolvem problemas diferentes, a gitagem enche o molde, a alimentação compensa a contração enquanto a peça solidifica. - Erro comum: colocar o massalote numa zona fina da peça, que solidifica antes da zona espessa e por isso não a consegue alimentar. - Pergunta: o que acontece se o massalote for demasiado pequeno? (solidifica antes da peça e deixa de a poder alimentar, formando um rechupe).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: não é preciso decorar a fórmula, mas perceber que a área do ataque depende de "quanto metal, em quanto tempo, com que altura de queda". - Erro comum: ignorar o coeficiente de eficiência c e assumir um fluxo perfeito, subdimensionando o canal na prática. - Exemplo: fornecer a fórmula já com números simples e pedir à turma para identificar cada variável antes de calcular.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: seguir o cálculo passo a passo no quadro, o resultado final (dimensões do canal) é o que interessa à oficina. - Erro comum: trocar unidades (mm com m, kg com g), o erro mais frequente neste tipo de cálculo. - Deixar o desafio: recalcular a área do ataque para o dobro do tempo de vazamento (t = 24 s) e comparar o resultado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a simulação valida decisões já tomadas nos blocos anteriores (linha de apartação, gitagem, alimentação), não substitui esse projeto. - Erro comum: confiar cegamente na simulação sem validar os parâmetros de entrada (temperatura, liga, tempo de vazamento). - Analogia: simular o enchimento é como um voo de teste num simulador antes de um avião real descolar, poupa tempo e recursos.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: mostrar (ou descrever) um mapa de cor típico de porosidade prevista, é a imagem mais reconhecível deste tipo de software. - Pergunta: se a simulação mostrar um risco de rechupe junto a uma zona espessa, o que se muda no projeto? (reposicionar ou redimensionar o massalote dessa zona). - Exemplo: softwares deste tipo (MAGMASOFT, ProCAST, NovaFlow&Solid) são usados na indústria de fundição em Portugal para validar peças críticas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o software não substitui as decisões de projeto ensinadas nos blocos anteriores, só as executa com mais rigor e rapidez. - Erro comum: aplicar a contração diretamente no desenho da peça em vez de a aplicar na modelação do molde, criando confusão entre as duas geometrias. - Exercício rápido: identificar no software disponível na sala onde se define a escala de contração de um novo desenho.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta verificação fecha o ciclo aberto no Bloco 1, voltamos a comparar o molde com o desenho da peça de origem. - Erro comum: saltar a verificação final por pressão de prazos, deixando passar erros que só aparecem já na oficina. - Pergunta: que aconteceria se a contração fosse aplicada duas vezes por engano, uma no desenho da peça e outra no molde? (a peça final sairia sistematicamente maior do que o previsto).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: mesmo um técnico que só desenha (não funde) decide, no projeto, detalhes que afetam a segurança de quem vai fabricar e usar o molde. - Erro comum: tratar a segurança como assunto só da oficina, esquecendo que más decisões de projeto criam riscos evitáveis. - Exemplo: uma placa molde sem pegas previstas obriga o operador a manuseá-la de forma insegura, um detalhe de projeto com impacto direto na segurança.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ligar explicitamente estas normas às atitudes do referencial (rigor, responsabilidade, respeito pelas regras), avaliadas ao longo de toda a UC. - Pergunta: como é que um sistema de gitagem melhor desenhado reduz o desperdício de areia e de metal? (menos rejeitados, menos gitos a reciclar, menos areia contaminada). - Exemplo: um plano de gestão de resíduos de uma fundição separa areia, metal e óleos, cada um com o seu circuito de reciclagem ou descarte controlado.