UC05427

Elaborar o desenho de moldes para fundição

Desenho técnico da peça, tipos de molde, contrações, linha de apartação, prensos, machos e sistema de gitagem e alimentação

Curso profissional · 50h · Técnico de Projeto de Moldes e Modelos, Fundição

Plano

  1. Desenho técnico da peça a fundir
  2. Cotagem, toleranciamento, legendas e listas
  3. Tipos de molde e critérios de seleção
  4. Técnicas de moldação e de execução de moldes
  5. Equipamentos e materiais do desenho do molde
  6. Contração dos diferentes materiais
  7. Espessuras de maquinação
  8. Linha de apartação e posição de moldação
  9. Prensos
  10. Machos e caixas de macho
  11. Sistema de gitagem e alimentação
  12. Desenhar o molde com todos os elementos
  13. Segurança, saúde, ambiente e qualidade
  14. Síntese e fecho

Bloco 1 · Desenho técnico da peça a fundir

O ponto de partida: interpretar a peça

Todo o desenho do molde nasce da leitura correta do desenho técnico da peça a fundir. Antes de desenhar seja o que for, o desenhador de moldes tem de saber ler:

  • Projeções ortogonais (vistas de frente, topo e perfil) e a sua correspondência.
  • Cortes e secções, que revelam furos, nervuras e cavidades interiores.
  • A forma geral da peça e os seus pontos críticos (paredes finas, ângulos vivos, saliências).

Sem esta leitura, todas as decisões seguintes (molde, apartação, machos) partem de uma base errada.

Normas do desenho técnico

O desenho da peça e, depois, o desenho do molde seguem sempre normas:

Elemento Função
Projeções mostrar a forma em várias vistas coerentes entre si
Cortes e secções mostrar o interior sem ambiguidade
Simbologia e anotações comunicar informação normalizada (acabamento, soldadura, roscas)
Toleranciamento geral fixar os desvios admissíveis quando não há cota tolerada específica

Sem normas, o mesmo desenho seria lido de forma diferente por cada oficina.

Bloco 2 · Cotagem, toleranciamento, legendas e listas

Cotagem nominal e cotagem de fabrico

A cotagem indica as dimensões da peça, mas com dois propósitos distintos:

  • Cotagem nominal: a dimensão final que a peça deve ter depois de acabada e maquinada.
  • Cotagem de fabrico: a dimensão que o molde e o modelo têm de ter para, depois da contração do metal e da maquinação, chegar à cota nominal.

A cota de fabrico é sempre maior do que a nominal, porque soma a contração e a espessura de maquinação. É este cálculo que ocupa boa parte desta UC.

Simbologia, toleranciamento e anotações

O desenho do molde reutiliza a simbologia do desenho técnico geral:

  • Simbologia e anotações: rugosidade superficial, soldadura, tratamento térmico, indicações de maquinação.
  • Toleranciamento geral: classe de tolerância aplicada quando a cota não tem tolerância própria.
  • Anotações específicas de fundição: zonas de prenso, zonas a maquinar, indicação da linha de apartação.

Cada anotação tem de ser lida da mesma forma por quem desenha o modelo, quem faz o molde e quem funde a peça.

Legendas, balões e lista de peças

  • Legenda (cartucho): título do desenho, escala, material, data, autor e número de revisão.
  • Balões de identificação: numeram cada componente do conjunto (molde superior, inferior, machos, caixas).
  • Lista de peças: tabela associada aos balões, com designação, material e quantidade de cada elemento.

Num desenho de molde com vários elementos (caixa de moldação superior, caixa de moldação inferior, machos, caixas de macho), os balões e a lista são o que evita confusão na oficina.

Bloco 3 · Tipos de molde e critérios de seleção

Classificar os tipos de molde

Existem várias famílias de molde para fundição, e escolher a certa é uma decisão de projeto:

Tipo de molde Características
Areia verde areia húmida com argila, sem químicos; económico, usa-se uma vez
Areia seca / autoendurecível maior estabilidade dimensional e melhor acabamento
Moldação permanente (coquilha) molde metálico reutilizável, para grandes séries
Cera perdida grande liberdade geométrica e elevada precisão, para peças complexas

A escolha depende da liga, da geometria da peça, da série a produzir e do acabamento pretendido.

Critérios de seleção do tipo de molde

Ao selecionar o tipo de molde, o desenhador pondera:

  • Quantidade a produzir: séries pequenas favorecem a areia, séries grandes favorecem moldes permanentes.
  • Complexidade geométrica: formas complexas com cavidades internas pedem machos, ou processos como a cera perdida.
  • Liga metálica: o ponto de fusão e o comportamento térmico condicionam o material do molde.
  • Acabamento e precisão exigidos: peças de precisão pedem areia fina, coquilha ou cera perdida.
  • Custo e prazo: o molde permanente é caro no arranque mas barato por peça em grandes séries.

Selecionar o tipo de molde com fundamento técnico, e não à intuição, é uma das aptidões exigidas nesta UC.

Bloco 4 · Técnicas de moldação e de execução de moldes

Técnicas de moldação em areia

A moldação é o processo de formar a cavidade do molde à volta do modelo:

  1. Colocar o modelo na caixa de moldação inferior.
  2. Compactar a areia de moldação à volta, por apiloamento ou vibração.
  3. Retirar o modelo com cuidado, deixando a cavidade com a forma da peça.
  4. Repetir para a caixa de moldação superior, alinhando pela linha de apartação.
  5. Colocar os machos, se existirem, e fechar o molde.

Cada etapa exige rigor: um modelo mal retirado deforma a cavidade e inutiliza o molde.

Técnicas de execução do molde

Para além da moldação em si, a execução do molde inclui decisões de projeto que o desenhador tem de fixar no desenho:

  • Definir o número de moldações por caixa (uma ou várias peças por molde).
  • Prever inclinações de saída (ângulos que facilitam a extração do modelo, sem prejudicar a peça).
  • Prever reforços nas zonas frágeis da cavidade.
  • Coordenar as duas metades do molde (superior e inferior) de forma a fecharem sem desvio.

Um molde bem executado reduz defeitos de fundição como rebarbas, desalinhamentos ou colapsos de areia.

Bloco 5 · Equipamentos e materiais do desenho do molde

Equipamentos de desenho manual

Apesar da digitalização, o desenho de moldes assenta ainda em instrumentos clássicos de desenho técnico, usados com rigor:

  • Estiradores: mesa de desenho inclinável, com régua paralela.
  • Réguas e esquadros: linhas retas e ângulos precisos (esquadros de 45° e de 30/60°).
  • Transferidores e sutas: medir e traçar ângulos, incluindo os não normalizados.
  • Compassos: circunferências e arcos, essenciais em furos e raios de concordância.
  • Máquina de calcular: cálculos de contrações, espessuras e cotas de fabrico.

Materiais e equipamento de trabalho da madeira

Os modelos e caixas de macho para fundição em areia são muitas vezes feitos em madeira, e o desenho tem de considerar o material de execução:

  • Máquinas para trabalhar madeira: corte, aplainamento e acabamento do modelo.
  • Papel ou madeira: suportes de desenho e de construção do modelo consoante a fase.
  • Materiais de escrita (lápis, borrachas): esboçar e anotar informação nos desenhos.
  • Lápis de cor: destacar no desenho zonas de apartação, prensos ou maquinação.

O desenhador escolhe cotas e tolerâncias compatíveis com o que a máquina e o material de execução conseguem cumprir.

Bloco 6 · Contração dos diferentes materiais

Porque contrai o metal

Ao arrefecer, o metal fundido contrai: passa do estado líquido para sólido e depois continua a encolher até à temperatura ambiente. Se o molde tivesse exatamente a dimensão final da peça, a peça sairia mais pequena do que o previsto.

Por isso, o modelo e o molde são desenhados maiores do que a peça final, na proporção da contração da liga usada. Esta sobre-medida chama-se contração (ou sobre-espessura de contração). O instrumento com que o modelador traça o modelo já à escala aumentada é que se chama régua de contração.

Calcular corretamente as contrações é um critério de desempenho central desta UC.

Valores de contração por liga

Valores típicos de contração linear (variam consoante a composição exata e a espessura da peça):

Liga Contração aproximada
Ferro fundido cinzento ≈ 1,0%
Aço fundido ≈ 2,0%
Ligas de alumínio ≈ 1,2% a 1,3%
Bronze (Cu-Sn) ≈ 1,3% a 1,5%
Latão ≈ 1,5% a 2,0%

Estes valores são consultados em tabelas técnicas e aplicados diretamente na cota de fabrico.

Exemplo resolvido: cálculo da contração

Uma peça em ferro fundido cinzento tem uma cota nominal de 350 mm. A contração da liga é 1,0%.

  1. Fator de contração: 1 + 1,0/100 = 1,01.
  2. Cota já com contração: 350 × 1,01 = 353,5 mm.
  3. Esta é a dimensão a desenhar no modelo, ainda antes de somar a espessura de maquinação (bloco seguinte).

O mesmo cálculo repete-se, com o fator correto, para cada liga e para cada cota da peça.

Bloco 7 · Espessuras de maquinação

O que é a espessura de maquinação

Muitas peças fundidas ficam com superfícies em bruto, que depois são maquinadas (torneadas, fresadas, retificadas) para atingir a cota final e o acabamento exigido.

A espessura de maquinação é o material extra deixado nessas superfícies, só para ser removido na maquinação:

  • Não confundir com a contração (compensa o encolhimento do metal).
  • A espessura de maquinação compensa a imprecisão da fundição em bruto e garante material suficiente para maquinar sem falhas.
  • Aplica-se às superfícies que vão ser maquinadas, não à peça toda.

Fatores que determinam a espessura de maquinação

A espessura a prever depende de:

  • Dimensão da peça: peças maiores toleram desvios de fundição maiores, logo maior espessura.
  • Posição da superfície no molde: as escórias, as inclusões e os gases sobem, por isso é a superfície virada para cima (na caixa superior) que acumula mais defeitos e pede mais espessura.
  • Tipo de molde: moldação em areia tem tolerâncias maiores que a coquilha ou a cera perdida.
  • Processo de maquinação previsto e o acabamento final exigido.

Estabelecer estas espessuras é outro critério de desempenho avaliado nesta UC.

Bloco 8 · Linha de apartação e posição de moldação

O que é a linha de apartação

A linha de apartação é a linha (ou superfície) por onde o molde se divide em duas ou mais partes, para permitir retirar o modelo e depois desmoldar a peça.

  • Separa a caixa de moldação superior da inferior (as duas metades do molde).
  • Deve escolher-se de forma a facilitar a extração do modelo e a reduzir o número de machos necessários.
  • Fica visível na peça final como uma pequena rebarba, que depois é removida no acabamento.

Definir a linha de apartação é um dos cinco critérios de desempenho centrais desta UC.

Posição de moldação e a sua escolha

A posição de moldação é a orientação da peça dentro do molde durante o vazamento, e está diretamente ligada à linha de apartação:

  • Zonas críticas da peça devem ficar viradas para baixo ou lateralmente, onde há menos defeitos de fundição.
  • A posição influencia o percurso do metal líquido e a eficácia do sistema de gitagem e alimentação.
  • Deve permitir que os gases escapem durante o vazamento, sem ficarem retidos na cavidade.

Definir o plano de apartação e a posição de moldação, em conjunto, é uma das quatro realizações centrais desta UC.

Bloco 9 · Prensos

O que são prensos

Os prensos são os prolongamentos do macho (ou as saliências correspondentes no molde) que servem para posicionar e apoiar o macho dentro da cavidade do molde, sem que ele precise de outro suporte.

  • O macho tem prensos nas extremidades; o molde tem as cavidades correspondentes (assentos de prenso) onde esses prensos encaixam.
  • Garantem que o macho fica centrado e estável durante o vazamento, resistindo ao empuxo do metal líquido.
  • O seu dimensionamento entra na cota de fabrico, tal como qualquer outra zona do molde.

Dimensionar os prensos

Ao desenhar os prensos, o desenhador considera:

  • O peso do macho e o empuxo que o metal líquido exerce sobre ele (tende a fazê-lo flutuar).
  • A folga necessária entre o prenso e o assento, para montar sem forçar mas sem folga excessiva.
  • A forma do prenso (cilíndrica, cónica), escolhida em função da orientação de montagem do macho.

Um prenso mal dimensionado desloca o macho durante o vazamento e desvia a cavidade interior da peça.

Bloco 10 · Machos e caixas de macho

O que são machos

Os machos são elementos colocados dentro da cavidade do molde para formar cavidades interiores ou contra-saídas na peça (furos, canais, reentrâncias) que o modelo, sozinho, não consegue reproduzir.

  • São normalmente feitos de areia aglomerada, moldada à parte, numa caixa de macho.
  • Depois de secos ou endurecidos, são colocados dentro do molde, encaixados pelos prensos, antes do fecho.
  • Depois do vazamento e arrefecimento, o macho é destruído e removido de dentro da peça sólida.

A caixa de macho

A caixa de macho é o molde onde se fabrica o macho, tal como a caixa de moldação é o molde onde se fabrica o molde da peça:

  • Geralmente feita em duas partes que se montam e desmontam, para permitir retirar o macho já formado.
  • Desenha-se com as mesmas regras de contração e cotagem do resto do projeto.
  • Deve incluir os prensos do macho já na sua forma, para que saiam corretos ao desmoldar.

Efetuar o desenho do macho e da respetiva caixa é uma das aptidões centrais desta UC.

Bloco 11 · Sistema de gitagem e alimentação

O percurso do metal líquido

O sistema de gitagem é o conjunto de canais por onde o metal líquido entra no molde até preencher a cavidade da peça:

[Bacia de vazamento] → [Gito de descida] → [Canal de distribuição] → [Ataques] → [Cavidade da peça]
  • Bacia de vazamento: recebe o metal vertido da colher ou panela.
  • Gito de descida: canal vertical que conduz o metal para baixo.
  • Canal de distribuição: reparte o metal pelas várias entradas.
  • Ataques: pontos finais de entrada do metal na cavidade da peça.

O sistema de alimentação: massalotes e respiros

Para além de encher a cavidade, o projeto tem de garantir que a peça solidifica sem defeitos:

  • Massalote (ou montante): reserva de metal líquido que compensa a contração de solidificação, alimentando as zonas que arrefecem por último.
  • Respiro: canal fino que permite aos gases escaparem do molde durante o vazamento, evitando bolhas na peça.
  • Os massalotes colocam-se sobre as zonas de maior espessura da peça, que solidificam por último.

Projetar o sistema de gitagem e alimentação é uma das quatro realizações centrais desta UC.

Bloco 12 · Desenhar o molde com todos os elementos

Integrar tudo no desenho do molde

Chegado a este ponto, o desenho do molde reúne, de forma coerente, todos os elementos estudados:

  1. Cotas de fabrico (nominal + contração + espessura de maquinação).
  2. Linha de apartação e posição de moldação definidas.
  3. Prensos e machos desenhados e cotados, com as respetivas caixas.
  4. Sistema de gitagem e alimentação (bacia, gito, canais, ataques, massalotes, respiros).
  5. Legenda, balões de identificação e lista de peças de todo o conjunto.

Desenhar o molde com todos os elementos é a última das quatro realizações desta UC, e reúne todas as anteriores.

Verificação final do desenho

Antes de dar o desenho por concluído, confere-se sistematicamente:

  • Todas as cotas estão em cota de fabrico, não em cota nominal.
  • A linha de apartação está assinalada e coerente com a posição de moldação.
  • Cada macho tem os seus prensos e a correspondente caixa de macho.
  • O sistema de gitagem e alimentação está completo, sem ataques nem massalotes esquecidos.
  • Legenda, balões e lista de peças preenchidos e coerentes entre si.

Um desenho que passa nesta verificação está pronto para seguir para a oficina de moldação.

Bloco 13 · Segurança, saúde, ambiente e qualidade

Equipamento de proteção individual e segurança

O trabalho de desenho e de acompanhamento em oficina de fundição exige o cumprimento rigoroso de normas de segurança:

  • Equipamento de proteção individual (EPI): usado sempre que há contacto com máquinas, materiais ou zonas de fundição.
  • Normas de segurança e saúde no trabalho: aplicadas às máquinas de trabalhar madeira e a todo o equipamento usado.
  • Normas de segurança dos materiais e das máquinas: verificação de que o equipamento está em condições seguras de utilização.

Estas normas não são um extra, fazem parte dos conhecimentos e aptidões avaliados nesta UC.

Ambiente e qualidade

O projeto de moldes cruza-se ainda com duas responsabilidades transversais:

  • Normas de gestão de resíduos: separação e destino correto de aparas de madeira, areias usadas e outros resíduos do processo.
  • Normas de proteção ambiental: minimizar o impacto do processo de moldação e fundição.
  • Normas da qualidade: rigor, verificação sistemática e cumprimento de especificações em todo o desenho.

Estas normas expressam-se nas atitudes avaliadas: responsabilidade, rigor, sentido de organização e respeito pelas regras definidas.

Bloco 14 · Síntese e fecho

Do desenho da peça ao molde completo

O percurso desta UC segue sempre a mesma lógica:

Desenho da peça → Tipo de molde → Contração → Espessura de maquinação
→ Linha de apartação e posição de moldação → Prensos e machos
→ Sistema de gitagem e alimentação → Desenho do molde completo

Cada etapa alimenta a seguinte, e nenhuma se pode saltar sem comprometer o resultado final.

Recapitulando

  • Tudo começa na leitura correta do desenho técnico da peça: projeções, cortes, cotagem, tolerâncias, legendas e listas.
  • Escolher o tipo de molde certo é uma decisão fundamentada, não intuitiva.
  • A contração e a espessura de maquinação transformam a cota nominal em cota de fabrico.
  • A linha de apartação, os prensos e os machos definem a estrutura do molde.
  • O sistema de gitagem e alimentação garante um enchimento e uma solidificação sem defeitos.
  • Tudo se junta no desenho final do molde, com segurança, ambiente e qualidade sempre presentes.

Próximo: fichas e projeto, desenhar um molde de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nenhuma decisão de molde se toma sem primeiro perceber a geometria completa da peça, incluindo o que os cortes escondem - erro comum: alunos avançam para o molde sem identificar todas as cavidades interiores, e só descobrem o problema quando faltam machos - exemplo: mostrar uma peça simples (ex. uma flange com furo central) em três vistas e pedir para identificarem onde estará a cavidade que só um macho resolve

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a norma é o que torna o desenho universal, tal como na eletrónica a IEC 60617 normaliza símbolos - erro comum: confundir tolerância específica de uma cota com a tolerância geral do desenho (aplica-se quando não há indicação particular) - analogia: a norma é a "gramática" do desenho técnico, sem ela cada oficina "fala" uma língua diferente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cota nominal é o resultado final, cota de fabrico é o que se desenha no molde - erro comum: cotar o desenho do molde com as cotas finais da peça, esquecendo contração e maquinação - exemplo: uma cota nominal de 100 mm, com 1% de contração e 3 mm de espessura de maquinação, dá uma cota de fabrico de aproximadamente 104 mm

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a linha de apartação e as zonas de maquinação são anotações específicas do desenho de fundição, não aparecem no desenho genérico - erro comum: esquecer de assinalar no desenho quais as superfícies a maquinar depois de fundidas - pergunta: porque é que a rugosidade superficial importa mais nalgumas zonas da peça do que noutras?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem balões numerados e lista de peças, um molde com vários componentes torna-se difícil de montar corretamente - erro comum: numerar os balões sem correspondência exata com a lista de peças - exemplo: mostrar um desenho de conjunto simples com 3 a 4 balões e a respetiva lista de peças ao lado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: não existe um "melhor" tipo de molde, existe o mais adequado a cada caso - erro comum: escolher moldação em areia verde para uma série muito grande, quando a coquilha seria mais económica a longo prazo - exemplo/analogia: é como escolher entre cofragem de madeira (uso único) e cofragem metálica reutilizável na construção

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar diretamente à atitude "sentido crítico" do referencial, a escolha justifica-se sempre - erro comum: escolher o tipo de molde só pelo que é mais conhecido, sem analisar a peça em concreto - pergunta: para uma peça de série única e geometria simples, que tipo de molde escolherias e porquê?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a sequência é sempre a mesma, o que muda entre técnicas é o material e o modo de compactação - erro comum: retirar o modelo com um movimento brusco, partindo as paredes da cavidade - exemplo: comparar a compactação manual (apiloamento) com a compactação mecânica (vibração ou prensagem)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: muitas decisões da execução do molde já se tomam na fase de desenho, não só na oficina - erro comum: esquecer as inclinações de saída, o que impede retirar o modelo sem danificar a cavidade - pergunta: porque é que colocar várias peças pequenas na mesma caixa de moldação pode ser mais eficiente?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mesmo em contexto digital, dominar os instrumentos manuais desenvolve rigor e leitura espacial - erro comum: usar o esquadro errado para um ângulo que ele não consegue reproduzir com exatidão - exemplo: pedir para traçarem um ângulo de 105° combinando esquadro e transferidor

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o desenho não existe isolado, é sempre pensado em função de quem e do que vai construir o modelo - erro comum: desenhar tolerâncias apertadas demais para o processo de fabrico do modelo em madeira - analogia: usar cores diferentes no desenho é como usar layers num esquema eletrónico, organiza a leitura

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a contração acontece em todas as direções, não só numa - erro comum: aplicar a mesma percentagem de contração a ligas diferentes - analogia: como encolher a receita de um bolo prevendo que ele vai "baixar" ao arrefecer

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: são valores de referência, o desenhador confirma sempre na tabela da liga concreta a usar - erro comum: confundir contração de solidificação (do estado líquido) com contração linear (a que interessa para a cota de fabrico) - exemplo: calcular a cota de fabrico de uma peça de 200 mm nominal em aço fundido (2%): 200 × 1,02 = 204 mm

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fator de contração aplica-se a todas as cotas da peça, uma a uma - erro comum: aplicar a contração só à cota principal e esquecer as restantes - pergunta: e se a peça fosse em bronze (1,5%) com a mesma cota nominal de 350 mm, qual seria a cota com contração?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: contração e espessura de maquinação são duas sobre-medidas distintas, que se somam na cota de fabrico - erro comum: aplicar espessura de maquinação a superfícies que ficam em bruto, desperdiçando material e tempo de máquina - analogia: é como deixar uma margem extra de tecido numa costura antes de aparar ao tamanho final

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: não existe um valor único, depende sempre do conjunto peça + processo + posição no molde - erro comum: usar sempre o mesmo valor "de cabeça", sem consultar tabelas técnicas do processo escolhido - exemplo: comparar a espessura de maquinação típica de uma peça em areia verde com a mesma peça em coquilha, bastante menor

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a linha de apartação condiciona tudo o resto do projeto do molde, é das primeiras decisões a tomar - erro comum: escolher uma linha de apartação que obriga a mais machos do que o necessário - analogia: é como decidir por onde se abre um molde de gelo, para o cubo sair inteiro sem partir

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: linha de apartação e posição de moldação decidem-se em conjunto, não isoladamente - erro comum: escolher a posição só pela facilidade de desenhar, sem pensar no percurso do metal - pergunta: porque é que colocar as superfícies mais importantes na parte de baixo do molde reduz defeitos?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: prenso é o encaixe físico entre macho e molde, não confundir com o próprio macho - erro comum: desenhar o macho sem prensos, deixando-o sem apoio dentro da cavidade - analogia: os prensos são como os "pés" de uma peça de encaixar num brinquedo, garantem que fica no sítio certo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "definindo os prensos e machos" é um dos critérios de desempenho explícitos da UC - erro comum: dimensionar o prenso só pela geometria, sem considerar o empuxo do metal sobre o macho - pergunta: o que acontece à peça final se o macho se deslocar durante o vazamento?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o macho existe porque o modelo, ao ser retirado do molde, não consegue deixar formas interiores fechadas - erro comum: confundir macho com modelo, o macho forma o interior, o modelo forma o exterior - exemplo: uma peça em forma de tubo precisa de um macho para o furo central ficar oco

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a caixa de macho segue a mesma lógica de projeto do molde principal, só que numa escala mais pequena - erro comum: esquecer a contração ao desenhar a caixa de macho, produzindo um macho fora de medida - pergunta: porque é que a caixa de macho tem também de ser bipartida, tal como o molde?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o sistema de gitagem controla a velocidade e a turbulência do enchimento, não é um detalhe menor - erro comum: desenhar ataques demasiado estreitos, que provocam turbulência e defeitos na peça - analogia: é como projetar as tubagens de enchimento de um reservatório, o caudal e a turbulência importam tanto como o volume final

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: massalote alimenta a contração de solidificação, é diferente da contração linear vista no Bloco 6 - erro comum: colocar o massalote numa zona fina, que já solidificou antes da zona espessa que precisava de ser alimentada - pergunta: o que acontece a uma peça se não houver respiros suficientes durante o vazamento?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este é o momento de síntese, nada do que foi visto antes fica de fora do desenho final - erro comum: entregar um desenho tecnicamente correto mas incompleto, por exemplo sem lista de peças ou sem balões - exemplo: percorrer com a turma um desenho de molde completo, elemento a elemento, verificando a lista acima

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma checklist sistemática evita esquecimentos que só se detetam já em fase de moldação, quando corrigir é caro - erro comum: verificar só a geometria e esquecer a documentação (legenda, balões, lista de peças) - pergunta: qual destes pontos, se falhar, tem mais impacto no resultado final da peça fundida?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: aplicar as normas de segurança é uma aptidão avaliada, tal como desenhar corretamente um molde - erro comum: tratar o EPI como opcional quando se trabalha "só" com desenho, esquecendo o acompanhamento em oficina - pergunta: que EPI seria necessário ao operar uma máquina de trabalhar madeira para construir um modelo?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ambiente e qualidade não são capítulos à parte, atravessam todas as decisões de projeto vistas nos blocos anteriores - erro comum: pensar que a gestão de resíduos é um problema só da oficina, e não também do projeto do molde - exemplo: perguntar à turma que resíduos são gerados numa oficina de modelação em madeira e como os separariam

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: recapitular esta cadeia lógica antes de avançar para as fichas e o projeto - erro comum: os alunos tratarem cada bloco como um tema isolado, em vez de um percurso encadeado - exemplo: percorrer o esquema com um exemplo concreto de peça, do desenho inicial ao molde acabado