UC05426

Executar moldes simples

Da leitura do desenho técnico ao molde montado: saídas, contrações e sobre-espessuras de maquinagem

Curso profissional · 50h · Técnico de Projeto de Moldes e Modelos - Fundição

Plano

  1. Do desenho técnico ao molde
  2. Tecnologia de fundição em areia
  3. Desenho e projeto do molde
  4. Materiais: madeiras e resinas
  5. Saídas, contrações e sobre-espessuras de maquinagem
  6. Equipamentos e ferramentas de carpintaria
  7. Traçagem: marcar as dimensões no material
  8. Executar os constituintes do molde
  9. Ligações e montagem
  10. Controlo metrológico
  11. Acabamento: massas, tintas e vernizes
  12. Segurança, resíduos e ambiente
  13. Normas da qualidade e boas práticas

Bloco 1 · Do desenho técnico ao molde

Analisar o desenho técnico

Antes de cortar uma única tábua, o técnico analisa o desenho técnico da peça a fundir. É a primeira realização do referencial e a que condiciona todas as outras.

  • Identifica vistas (frente, topo, perfil), cotas e tolerâncias.
  • Localiza o plano de partição: a linha por onde o molde se vai dividir.
  • Reconhece furos e reentrâncias internas, que vão exigir caixas de macho.
  • Confirma a escala do desenho e o material final da peça fundida (ferro, aço, alumínio, bronze), que determina a contração a aplicar mais à frente.

Um erro de leitura nesta fase propaga-se a todo o molde, e só se descobre tarde, quando a peça fundida sai com a forma errada.

Do desenho à peça: a cadeia da fundição

Executar um molde simples é uma etapa dentro de uma cadeia maior:

Desenho técnico → Projeto do molde → Molde (modelo em madeira/resina)
   → Moldação em areia → Vazamento do metal → Peça fundida
  • O molde (também chamado modelo) é o objeto físico que dá forma à cavidade onde o metal vai ser vazado.
  • Não é a peça final: é o positivo a partir do qual se obtém, em areia, o negativo (a cavidade).
  • Esta UC cobre da análise do desenho até ao molde montado e pronto a entregar à moldação.

O rigor no molde é o rigor de toda a peça fundida: não há forma de corrigir depois de o metal estar vazado.

Bloco 2 · Tecnologia de fundição em areia

Como se faz uma peça fundida

A moldação em areia é o processo de fundição mais comum para peças de ferro, aço, alumínio e bronze:

  1. O modelo (o molde que construímos nesta UC) é prensado em areia compactada dentro de uma caixa de moldação.
  2. Retira-se o modelo com cuidado, deixando a cavidade com a forma da peça.
  3. Colocam-se, se necessário, machos de areia para formar furos e reentrâncias internas.
  4. Vazam-se os canais de vazamento e a mazarota (reserva de metal líquido).
  5. O metal fundido é vazado na cavidade, arrefece e solidifica.
  6. A areia é desmoldada, e a peça é limpa e, quando necessário, maquinada.

O molde é reutilizado dezenas ou centenas de vezes: quanto mais rigoroso for, mais peças conformes se obtêm sem retrabalho.

O papel do modelo no processo

  • O modelo tem de ser extraível da areia sem a danificar: daí a necessidade de saídas (ver Bloco 5).
  • As zonas do modelo que correspondem a furos internos recebem assentos de macho, que posicionam a caixa de macho na moldação.
  • A qualidade da superfície do modelo (lisa, sem rebarbas, bem acabada) transfere-se diretamente para a superfície da peça fundida.
  • Um modelo bem feito poupa horas de maquinagem e reduz o desperdício de metal e de areia.

O molde é a ferramenta central da fundição: todo o resto do processo depende da forma e do rigor que lhe demos aqui.

Bloco 3 · Desenho e projeto do molde

Elaborar o projeto de moldes

A segunda realização do referencial é elaborar o projeto de moldes: decidir, antes de tocar em qualquer material, como o molde vai ser construído.

  • Definir o plano de partição: onde o molde se divide para permitir a extração e a desmoldação.
  • Decidir o tipo de modelo (simples ou bipartido) em função da geometria da peça.
  • Prever caixas de macho para furos e reentrâncias que a areia sozinha não consegue formar.
  • Planear os constituintes do molde: quantas peças de madeira ou resina vão ser precisas e como se vão ligar.

O projeto é o elo entre o desenho técnico e a execução: sem ele, cada constituinte seria cortado "a olho", sem garantia de encaixar no conjunto.

Tipos de modelo

Tipo de modelo Quando usar Constituintes
Simples (inteiro) peças com uma face plana que serve de plano de partição 1 peça
Bipartido peças com forma em ambos os lados do plano de partição 2 metades + pinos guia
Com caixa de macho peças com furos ou reentrâncias internas modelo + caixa(s) de macho
  • O modelo bipartido é o mais comum em peças mecânicas: uma metade fica na caixa inferior, a outra na superior.
  • Pinos guia garantem que as duas metades alinham sempre da mesma forma, molde após molde.
  • A escolha do tipo de modelo é registada no projeto, com o desenho anotado do plano de partição.

Bloco 4 · Materiais: madeiras e resinas

Madeiras para modelos

A madeira continua a ser o material mais usado para modelos de fundição, sobretudo em séries pequenas e protótipos:

Madeira Características Uso típico
Tília / pinho leve, fácil de trabalhar, económica modelos simples, série curta
Faia densa, resistente ao desgaste modelos de uso frequente
Contraplacado estável, pouco empeno painéis e placas-base
MDF homogéneo, lixa muito bem superfícies de acabamento fino
  • A madeira absorve humidade e pode empenar: precisa de selagem (ver Bloco 11).
  • É mais barata e mais rápida de trabalhar do que a resina, mas desgasta-se mais depressa em séries longas.

Resinas e a escolha do material

As resinas (epóxi, poliéster, muitas vezes reforçadas com fibra de vidro) são usadas quando se precisa de mais durabilidade ou de mais rigor dimensional:

  • Não empenam com a humidade como a madeira.
  • Suportam muito mais ciclos de moldação sem perder a forma.
  • Permitem detalhes finos e superfícies muito lisas, com pouco trabalho de acabamento.
  • Custam mais e exigem mistura e cura controladas (proporções, tempo, temperatura).

Como selecionar o material

  1. Confirmar o número de peças a produzir com aquele molde.
  2. Avaliar a complexidade e o detalhe exigidos pelo desenho.
  3. Verificar o prazo e o orçamento disponíveis.
  4. Decidir: séries curtas e protótipos → madeira; séries longas ou detalhe fino → resina.

Bloco 5 · Saídas, contrações e sobre-espessuras

Saídas: a inclinação que permite extrair o modelo

Uma saída (ângulo de desmoldação) é a inclinação dada às paredes verticais do modelo para que este saia da areia sem a arrastar nem a danificar.

  • Sem saída, a parede vertical arrasta a areia ao ser extraída e destrói a cavidade.
  • Valor típico: 1° a 3°, consoante a altura da parede e o tipo de areia.
  • Aplica-se em todas as superfícies que ficam perpendiculares ao sentido de extração.

Exemplo resolvido

Uma parede vertical do modelo tem 80 mm de altura e leva uma saída de 1,5°.

Deslocamento na base: 80 × tan(1,5°) ≈ 80 × 0,0262 ≈ 2,1 mm

A parede fica, portanto, 2,1 mm mais larga na base do que no topo, o suficiente para libertar a areia sem esforço.

Contração dos materiais

Os metais contraem ao arrefecer, do estado líquido até à temperatura ambiente. O modelo tem de ser feito maior do que a peça final, por um fator de contração linear típico do metal:

Metal Contração linear típica
Ferro fundido cinzento ≈ 1% (10 mm/m)
Aço fundido ≈ 2% (20 mm/m)
Alumínio ≈ 1,3% (13 mm/m)
Bronze / latão ≈ 1,5% (15 mm/m)

Exemplo resolvido

Uma peça em ferro fundido precisa de 500 mm de comprimento final. Contração de 1%:

Medida do modelo = 500 × 1,01 = 505 mm

Na prática, usa-se uma régua de contração, já graduada com a escala ampliada, para não ser preciso calcular a cada medição.

Sobre-espessuras de maquinagem

Nas superfícies que vão ser maquinadas depois da fundição (para tolerâncias mais apertadas do que a fundição consegue por si só), deixa-se material extra: a sobre-espessura de maquinagem.

  • Valores típicos: 2 a 4 mm por superfície, consoante a dimensão da peça e o processo de maquinagem seguinte.
  • Aplica-se depois de somar a contração, nunca antes.
  • Só se aplica nas superfícies que o desenho indica como maquinadas; as restantes ficam ao natural (em bruto de fundição).

Exemplo resolvido combinado

Peça em aço, 200 mm, com uma face a maquinar (sobre-espessura de 3 mm):

  1. Contração (2%): 200 × 1,02 = 204 mm
  2. Sobre-espessura (3 mm nessa face): 204 + 3 = 207 mm

A medida final a marcar no modelo é 207 mm.

Bloco 6 · Equipamentos e ferramentas de carpintaria

Máquinas e ferramentas de carpintaria

A execução dos constituintes do molde recorre ao mesmo equipamento de bancada e de máquina usado em qualquer oficina de modelos:

  • Máquinas de corte: serra de fita, de disco, tico-tico.
  • Máquinas de desbaste: garlopa e desengrosso, para faces planas e espessura uniforme.
  • Máquinas de furação: berbequim de coluna, para furos de pinos guia e parafusos.
  • Ferramentas manuais: formões, limas, lixas, martelo, chave de fendas e de bocas.

O manual do fabricante e as normas de segurança condicionam como cada equipamento é operado, nunca são opcionais.

Ferramentas de desenho e de traçagem

Para desenhar e marcar o material antes de cortar, o técnico usa:

  • Metro e fita métrica: medições gerais de comprimento.
  • Compassos: transferir medidas e traçar arcos e circunferências.
  • Esquadros: verificar e marcar ângulos retos entre faces e constituintes.
  • Graminhos: marcar linhas paralelas a uma face de referência, a uma distância fixa.
  • Materiais de escrita (lápis, borracha): esboçar e anotar informações diretamente no desenho técnico.

Estas ferramentas voltam a aparecer no Bloco 10, agora para verificar em vez de marcar.

Bloco 7 · Traçagem: marcar as dimensões no material

Desenhar no material as dimensões do molde

A terceira realização do referencial é desenhar no material as dimensões do molde e as partes que o constituem: passar o projeto do papel para a peça de madeira ou resina, já com a contração e a sobre-espessura aplicadas.

  1. Escolher a face de referência de cada constituinte.
  2. Marcar as cotas principais com metro e esquadro.
  3. Traçar o plano de partição e as linhas de centro com o graminho.
  4. Marcar a posição de furos, pinos guia e caixas de macho.
  5. Rever todas as marcações contra o desenho antes de cortar.

A traçagem é o último ponto de controlo antes de o material ser irreversivelmente cortado.

Exemplo resolvido de traçagem

Constituinte de um modelo bipartido, com plano de partição a meio da peça:

  1. A partir do desenho, a cota final é 505 mm (já com contração de ferro fundido aplicada).
  2. Marca-se a linha de centro ao longo do comprimento, com o graminho apoiado na face de referência.
  3. Marca-se o plano de partição, perpendicular à linha de centro, com o esquadro.
  4. Marcam-se as posições dos dois pinos guia, simétricas em relação à linha de centro, a 20 mm de cada topo.
  5. Confere-se cada marcação com o desenho técnico antes de qualquer corte.

Só depois desta verificação a peça segue para a execução.

Bloco 8 · Executar os constituintes do molde

Executar cada um dos constituintes

A quarta realização do referencial: transformar o material traçado em cada uma das peças (constituintes) do molde.

  • Cortar em bruto, com margem, seguindo as linhas de traçagem.
  • Desbastar as faces até às medidas finais, em garlopa e desengrosso.
  • Furar para os pinos guia e outras ligações.
  • Moldar ou laminar os constituintes em resina, quando aplicável, respeitando o tempo de cura.
  • Verificar cada constituinte isoladamente antes de avançar para a montagem.

O critério de desempenho da UC exige cumprir os procedimentos em cada constituinte: a ordem e o rigor de cada etapa não são negociáveis.

Sequência de execução

Ordem recomendada para um constituinte de madeira:

Cortar em bruto → Desbastar (garlopa + desengrosso) → Furar
   → Ajustar saídas → Lixar → Verificar dimensões
  • Nunca inverter desbaste e furação: furar antes de a face estar plana desalinha o furo.
  • As saídas trabalham-se com formão e lixa, seguindo o ângulo definido no projeto.
  • Só depois de cada constituinte passar no controlo dimensional (Bloco 10) é que se avança para a montagem.

Bloco 9 · Ligações e montagem

Selecionar o tipo de ligação

A quinta realização do referencial é efetuar a montagem de todos os constituintes. Antes de montar, escolhe-se o tipo de ligação certo para cada junção:

Ligação Quando usar
Pinos guia alinhar sempre da mesma forma as duas metades de um modelo bipartido
Parafusos ligações que precisam de ser desmontadas para manutenção
Pregos fixações definitivas em madeira, sem necessidade de desmontar
Colas (branca, contacto, epóxi) juntas fixas, coladas madeira-madeira ou madeira-resina

A escolha certa depende de a ligação precisar de ser desmontada e do material dos constituintes a ligar.

Montar e alinhar o molde completo

  1. Confirmar que cada constituinte já passou no controlo dimensional isolado.
  2. Posicionar os constituintes segundo o plano de partição definido no projeto.
  3. Inserir os pinos guia e confirmar o alinhamento entre as duas metades.
  4. Aplicar as ligações definitivas (parafusos, colas ou pregos) na sequência correta.
  5. Verificar de novo o conjunto montado antes de o entregar à moldação.

A montagem é a etapa final: um molde bem executado peça a peça, mas mal alinhado na montagem, continua a produzir peças fundidas fora de cota.

Bloco 10 · Controlo metrológico

Instrumentos de controlo metrológico

O controlo metrológico acompanha todo o processo, da traçagem à montagem final, com os mesmos instrumentos usados para marcar:

  • Metro e fita métrica: cotas gerais.
  • Paquímetro (analógico ou digital): comprimentos, diâmetros e profundidades, com resolução típica de 0,05 mm.
  • Compassos: comparação e transferência de medidas.
  • Esquadros: verificação de ângulos retos entre faces e constituintes.
  • Graminhos: confirmação de linhas paralelas à face de referência.

Verificar não é opcional: é o critério de desempenho que garante a conformidade dimensional do molde com o desenho técnico.

Exemplo resolvido: ler o paquímetro e verificar a conformidade

A escala fixa de um paquímetro mostra 34 mm antes do zero do nónio, e a sétima marca do nónio coincide com uma marca da escala fixa (resolução 0,05 mm).

  1. Valor da escala fixa: 34 mm.
  2. Valor do nónio: 7 × 0,05 = 0,35 mm.
  3. Medida final: 34 + 0,35 = 34,35 mm.

O desenho técnico do constituinte pede 34,30 mm ± 0,20 mm, ou seja, entre 34,10 e 34,50 mm. Como 34,35 mm está dentro do intervalo, o constituinte está conforme.

Bloco 11 · Acabamento: massas, tintas e vernizes

Massas de reparação

Antes de pintar ou envernizar, corrigem-se pequenas imperfeições da madeira com massa de reparação:

  • Preenche poros, fendas e pequenos defeitos de superfície.
  • Aplica-se em camada fina, deixa-se secar e lixa-se rente à superfície.
  • Uma superfície com poros por tapar absorve tinta de forma irregular e fica com um acabamento inconsistente.

O objetivo é uma superfície lisa e contínua, sem marcas que se transfiram depois para a peça fundida.

Tintas e vernizes

A camada final de tinta ou verniz protege o modelo e facilita o trabalho de moldação:

  • Sela a madeira: reduz a absorção de humidade e a tendência a empenar.
  • Reduz o atrito entre o modelo e a areia, facilitando a extração sem danificar a cavidade.
  • Segue frequentemente uma convenção de cores da oficina (pode variar entre fundições): por exemplo, uma cor para superfícies em bruto e outra para superfícies a maquinar, o que ajuda depois na fundição a identificar de imediato o que vai à máquina.
  • Aplicam-se demãos finas, com secagem completa entre cada uma.

Bloco 12 · Segurança, resíduos e ambiente

Normas de segurança e EPI

A execução do molde usa máquinas rotativas, ferramentas cortantes e, por vezes, resinas com vapores: exige disciplina de segurança em todas as fases.

EPI Protege de
Óculos de proteção aparas e partículas projetadas
Protetor auricular ruído das máquinas
Máscara/respirador pó de madeira e vapores de resina
Calçado de segurança quedas de peças e ferramentas
  • Operar sempre de acordo com as instruções do manual do fabricante de cada equipamento.
  • Nunca remover resguardos de proteção das máquinas.
  • Ler a ficha de segurança de qualquer resina ou cola antes de a usar.

Gestão de resíduos e proteção ambiental

  • Aparas e serrim de madeira: separados e encaminhados para reciclagem ou valorização energética.
  • Resíduos de resina (embalagens, restos de mistura, catalisador): tratados como resíduos perigosos, nunca misturados com o lixo comum.
  • Tintas, vernizes e solventes: armazenados em local ventilado, longe de fontes de ignição, e descartados segundo as normas de proteção ambiental.
  • Manter a oficina organizada reduz o risco de acidentes e facilita a gestão correta dos resíduos.

Cumprir estas normas é uma das atitudes centrais da UC: responsabilidade e respeito pelas regras e normas definidas.

Bloco 13 · Normas da qualidade e boas práticas

Normas da qualidade e boas práticas finais

  • Conformidade dimensional: cada constituinte e o conjunto montado verificados contra o desenho técnico, com instrumentos calibrados.
  • Rastreabilidade: registar as decisões tomadas (material, contração, sobre-espessura aplicada) para o molde poder ser reproduzido ou reparado.
  • Rigor e sentido de organização: atitudes centrais da UC, presentes desde a análise do desenho até à montagem final.
  • Sentido crítico: questionar um valor de medição estranho em vez de o aceitar sem verificar.

Um molde que cumpre estas normas não é só um molde correto hoje: é um molde que continua a produzir peças conformes, ciclo após ciclo.

Recapitulando

  • O molde é o positivo em madeira ou resina que dá forma à cavidade de areia da fundição.
  • Analisar o desenho, projetar, traçar, executar e montar: as cinco realizações do referencial, por esta ordem.
  • Saídas (1° a 3°), contração (1% a 2%, consoante o metal) e sobre-espessura de maquinagem (2 a 4 mm) somam-se sempre nesta sequência.
  • Ligações: pinos guia para alinhar, parafusos para desmontar, colas e pregos para fixar em definitivo.
  • Controlo metrológico em cada constituinte e no conjunto montado; segurança, resíduos e ambiente em todas as fases.

Próximo: fichas e mini-projeto, projetar e executar um molde simples de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o desenho da peça final NÃO é o desenho do molde. O molde tem de somar contração e sobre-espessura, é sempre maior. - Erro comum: os alunos tentam reproduzir as cotas do desenho ao milímetro no modelo, esquecendo que o metal vai encolher ao arrefecer. - Exemplo: mostrar um desenho técnico simples (um flange ou um bloco de apoio) e pedir para identificarem o plano de partição em conjunto.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o molde é positivo, a cavidade de areia é negativa. Muitos alunos confundem os dois. - Pergunta: "se o molde tiver um erro de 2 mm, onde aparece esse erro?" Resposta: na peça fundida, sempre. - Analogia: o molde está para a peça fundida como um carimbo está para o papel, mas em três dimensões e com encolhimento pelo meio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um só modelo produz muitas peças, por isso o investimento em rigor no molde compensa a série toda. - Erro comum: pensar que a moldação em areia é usada só para peças rústicas. É também usada para peças de precisão, dependendo do acabamento pedido. - Exemplo: mostrar fotografias de uma caixa de moldação aberta com a cavidade visível, antes do vazamento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a superfície do modelo é a superfície da peça. Um modelo mal lixado dá sempre uma peça mal acabada. - Erro comum: esquecer os assentos de macho e só perceber a falha quando a caixa de macho não encaixa na moldação. - Exemplo/pergunta: "porque é que vale a pena gastar horas extra a acabar bem um modelo que só vai ser usado uma vez?" (não é uma vez, é dezenas ou centenas de vezes).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: projetar antes de cortar poupa material e evita remontagens. É a mesma lógica de "medir duas vezes, cortar uma". - Erro comum: começar a cortar madeira sem ter decidido o plano de partição, obrigando a refazer peças a meio do trabalho. - Exemplo: desenhar no quadro o plano de partição de um bloco simples e de uma peça com um furo passante.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o plano de partição não é arbitrário, escolhe-se pela forma da peça e para facilitar a extração. - Erro comum: escolher um plano de partição que deixa reentrâncias "presas" numa das metades, impossibilitando a desmoldação. - Exemplo: mostrar uma peça em forma de "T" e discutir em conjunto por onde deveria passar o plano de partição.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a escolha da madeira depende do número de peças a produzir com aquele modelo, não só do orçamento. - Erro comum: usar madeira maciça verde (não seca), que empena e racha ao longo do uso. - Exemplo: comparar um modelo de tília para 5 peças com um modelo de faia para uma série de 200.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a decisão madeira vs resina é sempre uma decisão técnica e económica, não uma preferência pessoal. - Erro comum: escolher resina para um protótipo único, um custo e um tempo de cura desnecessários. - Exemplo/pergunta: perguntar à turma que material escolheriam para um molde que vai produzir 500 peças da mesma torneira.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sem saída, mesmo um modelo perfeito dimensionalmente é impossível de extrair sem estragar o molde de areia. - Erro comum: aplicar a saída só nalgumas paredes e esquecer as restantes, deixando pontos de atrito na extração. - Exemplo: usar um copo de plástico (que já sai de fábrica com saída) para mostrar visualmente a inclinação.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os valores da tabela são típicos, cada fundição tem a sua régua de contração própria, confirmar sempre. - Erro comum: aplicar a contração do ferro fundido a uma peça de alumínio (ou vice-versa), obtendo uma peça fora de cota. - Exemplo: fazer o cálculo em conjunto para uma peça de 300 mm em alumínio (300 × 1,013 = 303,9 mm).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a ordem importa, primeiro a contração (percentagem sobre a cota toda), depois a sobre-espessura (valor fixo só nas faces maquinadas). - Erro comum: aplicar a sobre-espessura em todas as faces, mesmo nas que ficam em bruto, desperdiçando material e tempo de maquinagem. - Exemplo/pergunta: perguntar quanto ficaria a mesma peça se fosse em ferro fundido em vez de aço (200 × 1,01 + 3 = 205 mm).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta lista de máquinas é a mesma da UC de maquinação de peças em madeira, aqui aplicada à construção do molde completo. - Erro comum: operar uma máquina nova sem confirmar primeiro o manual do fabricante e os resguardos de segurança. - Exemplo: relacionar com a UC anterior do curso, "operar máquinas de corte, desbaste e lixagem", que prepara os constituintes que aqui se montam.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: manusear bem estas ferramentas de desenho é uma aptidão do referencial, não um detalhe menor. - Erro comum: usar o compasso com a ponta romba, transferindo medidas com erro acumulado. - Exemplo: fazer a turma marcar, em conjunto, uma linha de centro com o graminho num pedaço de madeira.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a traçagem já inclui a contração e a sobre-espessura, não são aplicadas depois de cortado. - Erro comum: cortar direto pelas cotas do desenho da peça final, esquecendo de somar contração e sobre-espessura. - Exemplo: mostrar uma peça de madeira já marcada, com as linhas de plano de partição, centro e furos bem visíveis.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a simetria dos pinos guia é o que garante que as duas metades só encaixam de uma forma correta. - Erro comum: marcar os pinos guia sem simetria, dificultando ou impossibilitando o alinhamento das duas metades. - Exemplo/pergunta: perguntar porque é que os dois pinos guia nunca devem ficar equidistantes do centro de forma simétrica em ambos os eixos (para não permitir montagem ao contrário).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada constituinte é verificado sozinho antes de ir para a montagem, corrigir depois de montado é muito mais difícil. - Erro comum: avançar para a montagem com um constituinte fora de cota, na esperança de que "se ajusta depois". - Exemplo: ligar este bloco à UC de maquinação (corte, desbaste, lixagem) já estudada, aqui aplicada aos constituintes do molde.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta sequência é a mesma lógica de "corte → desbaste → lixagem" já vista, com a furação e as saídas acrescentadas. - Erro comum: furar os pinos guia antes de a face de referência estar totalmente desbastada e plana. - Exemplo/pergunta: perguntar o que aconteceria se um furo de pino guia fosse feito numa face ainda não desbastada.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: pinos guia são para alinhamento repetido, parafusos para manutenção, colas e pregos para fixações definitivas. - Erro comum: colar duas metades de um modelo bipartido que precisam de se separar para desmoldar. - Exemplo: mostrar os pinos guia de um modelo bipartido real e explicar como garantem sempre o mesmo alinhamento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o controlo não termina em cada constituinte, o CONJUNTO montado tem de ser verificado outra vez. - Erro comum: apertar os parafusos definitivos antes de confirmar o alinhamento dos pinos guia. - Exemplo/pergunta: perguntar porque é que a verificação final do conjunto é diferente de somar as verificações de cada peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os mesmos instrumentos servem para marcar (Bloco 7) e para verificar (aqui), a diferença está no momento e no objetivo. - Erro comum: confiar só na vista para validar uma cota crítica, sem medir com paquímetro. - Exemplo: fazer circular um paquímetro real pela turma e pedir para lerem uma medida em conjunto.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ler o instrumento é só metade do trabalho, a outra metade é comparar com a tolerância do desenho e decidir. - Erro comum: ler corretamente o paquímetro e esquecer de comparar o valor com a tolerância antes de dar a peça por boa. - Exemplo/pergunta: perguntar o que fariam se a medida fosse 34,55 mm (fora de tolerância, corrigir ou rejeitar).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: massa mal lixada cria uma marca visível na superfície do modelo, que se repete em todas as peças fundidas. - Erro comum: aplicar massa em camada grossa demais, que racha ao secar. - Exemplo: mostrar uma peça antes e depois de aplicar massa e lixar, para se ver a diferença de acabamento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a cor não é decoração, é informação: comunica à fundição quais as superfícies a maquinar. - Erro comum: aplicar uma demão só, grossa, que escorre e esconde detalhes finos do modelo. - Exemplo/pergunta: perguntar porque é que um modelo de madeira sem verniz dura muito menos ciclos de moldação do que um envernizado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as resinas trazem um risco novo em relação à madeira, os vapores e o contacto com a pele, exigem ficha de segurança. - Erro comum: misturar resina sem ventilação adequada ou sem máscara própria para vapores orgânicos. - Exemplo: mostrar uma ficha de segurança (FDS) real de uma resina epóxi e identificar em conjunto o EPI exigido.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: resíduos de resina não são "lixo de madeira", são resíduos perigosos com regras próprias. - Erro comum: deitar restos de resina ou catalisador no mesmo contentor do serrim. - Exemplo/pergunta: perguntar à turma que problema ambiental pode causar um solvente despejado no ralo do lavatório.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: qualidade não é uma etapa final isolada, atravessa todo o processo desde o desenho até à montagem. - Erro comum: só verificar a qualidade no fim, quando um erro cedo (por exemplo, na traçagem) já contaminou todos os constituintes. - Exemplo: recapitular com a turma um erro típico de cada bloco anterior e em que ponto do processo a qualidade o teria apanhado.