UC05425

Efetuar o traçado de moldes para fundição

Elementos do molde, linha de apartação, saídas, contração, sobrespessuras, machos e caixas de machos

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Projeto de Moldes e Modelos, Fundição

Plano

  1. O molde de fundição e os seus elementos
  2. A caixa de moldação e a moldação em areia
  3. Ferramentas e instrumentos de traçagem
  4. Desenho técnico e metrologia aplicados ao molde
  5. A linha de apartação
  6. As saídas de fundição
  7. Contra-saídas: identificar antes de traçar
  8. A contração dos materiais metálicos
  9. As sobrespessuras de maquinação
  10. O sistema de gitagem e de alimentação
  11. Machos e caixas de machos
  12. Prensos e fixação do molde
  13. Traçar o molde à escala, passo a passo
  14. Traçar os elementos em separado
  15. Segurança, ambiente e qualidade no traçado

Bloco 1 · O molde de fundição e os seus elementos

Para que serve um molde de fundição

Fundir é encher uma cavidade com metal líquido e deixá-lo solidificar com a forma dessa cavidade. O molde é precisamente isso: o negativo da peça, preparado em areia compactada à volta de um modelo que depois se retira.

Antes de qualquer molde ser feito na oficina, alguém tem de desenhar cada elemento à escala, em papel ou em madeira. É esse desenho preparatório, rigoroso e completo, que se chama traçado do molde: a ponte entre o desenho da peça e a moldação real.

Um traçado mal feito passa erros para toda a produção: um técnico de moldação não corrige no chão de fábrica o que ficou mal definido no traçado.

Os elementos que constituem um molde

Um molde completo reúne vários elementos, cada um com uma função própria:

Elemento Função
Caixa de moldação (superior e inferior) contém a areia compactada
Linha de apartação plano de separação das duas partes
Cavidade da peça espaço deixado pelo modelo
Sistema de gitagem (bacia, gito, canais, ataques) conduz o metal líquido
Sistema de alimentação (massalotes) compensa a contração ao solidificar
Respiros deixam sair os gases
Macho e caixa de macho formam cavidades interiores
Saídas de fundição permitem retirar o modelo sem danos
Sobrespessuras de maquinação material extra para acabar depois
Prensos impedem a caixa superior de levantar

Definir estes elementos, um a um, é o primeiro passo de qualquer traçado.

Bloco 2 · A caixa de moldação e a moldação em areia

Caixa superior e caixa inferior

A caixa de moldação é a estrutura metálica ou de madeira que contém a areia compactada. Divide-se em duas partes:

  • Caixa inferior (fundo): recebe a primeira metade do modelo e a areia compactada à sua volta.
  • Caixa superior (chapa): encaixa sobre a inferior, alinhada por cavilhas de guia, e recebe a segunda metade do modelo mais o sistema de gitagem.

As duas caixas são preenchidas e compactadas em separado e só depois montadas uma sobre a outra, alinhadas com rigor: um desalinhamento de milímetros desloca toda a peça.

O processo de moldação em areia

  1. Compacta-se areia de moldação à volta de metade do modelo, na caixa inferior.
  2. Vira-se o conjunto, coloca-se a caixa superior com a outra metade do modelo, e compacta-se de novo.
  3. Separam-se as duas caixas pela linha de apartação e retira-se o modelo com cuidado.
  4. Abrem-se os canais do sistema de gitagem e colocam-se os machos, se existirem.
  5. Fecha-se o molde, alinhado pelas cavilhas, pronto para o vazamento do metal líquido.

Todo este processo depende de um traçado prévio que já preveja cada corte, cada saída e cada sobrespessura.

Bloco 3 · Ferramentas e instrumentos de traçagem

O posto de trabalho do traçador

O traçado faz-se numa banca de trabalho limpa e nivelada, sobre papel ou madeira, com instrumentos de precisão:

  • Réguas e esquadros: linhas retas e ângulos de 90°.
  • Transferidores e sutas: medir e traçar ângulos, essenciais nas saídas de fundição.
  • Compassos: circunferências, arcos e transporte de medidas.
  • Riscadores: marcar linhas finas e rigorosas em madeira.
  • Lápis e borrachas: traçado a rascunho antes de riscar em definitivo.
  • Máquina de calcular: cálculos de contração e de sobrespessuras.

Boas práticas de utilização

  • Verificar sempre a calibração e o estado dos instrumentos antes de começar.
  • Trabalhar com luz suficiente e a peça de referência sempre visível.
  • Traçar primeiro a rascunho a lápis, confirmar as cotas, só depois riscar em definitivo.
  • Manter a banca organizada: cada instrumento no seu lugar, sem misturar com resíduos.
  • Usar sempre o equipamento de proteção individual adequado ao material (madeira ou papel, ferramentas cortantes).

O rigor no uso das ferramentas é uma das atitudes avaliadas nesta UC.

Bloco 4 · Desenho técnico e metrologia aplicados ao molde

Interpretar o desenho da peça

Tudo começa por interpretar o desenho da peça: vistas, cortes, cotas e tolerâncias fornecidas pelo projetista. O traçador tem de identificar:

  • A forma geral e as suas superfícies planas, curvas e furos.
  • As cotas funcionais, as que têm de ficar exatas depois de maquinadas.
  • As zonas críticas: reentrâncias, saliências, furos passantes.

É a partir desta leitura que se decide a linha de apartação, as saídas e onde entram os machos. Um traçado correto começa sempre por uma leitura correta do desenho.

Metrologia aplicada ao traçado

A metrologia garante que as medidas do traçado correspondem às medidas reais pretendidas:

  • Uso de escalas de redução ou ampliação, conforme o tamanho da peça e do papel ou madeira disponível.
  • Conversão de unidades de forma consistente (milímetros na generalidade do desenho técnico industrial).
  • Controlo de tolerâncias: quanto pode a medida real desviar-se da medida traçada sem comprometer a peça.
  • Verificação cruzada de medidas com régua, compasso e transferidor, nunca confiando só numa leitura.

Um erro de metrologia no traçado propaga-se ao molde, à peça e à maquinação final.

Bloco 5 · A linha de apartação

O que é a linha de apartação

A linha de apartação é o plano (ou linha, em corte) que separa o molde em duas partes, a caixa superior e a caixa inferior, permitindo retirar o modelo sem o destruir.

Critérios para a escolher:

  • Colocá-la, sempre que possível, na maior secção transversal da peça.
  • Minimizar o número de machos necessários.
  • Garantir que todas as saídas de fundição ficam coerentes com a direção de desmoldagem.
  • Evitar que a linha atravesse zonas de tolerância apertada, sempre que a geometria o permita.

Exemplo prático de escolha da linha

Peça: um casquilho cilíndrico com um rebordo (flange) numa das extremidades.

  • Se a linha de apartação passar no plano do rebordo, o modelo separa-se em duas metades simples, sem contra-saídas.
  • Se passar a meio do corpo cilíndrico, o rebordo fica preso numa das metades e cria uma contra-saída que exigiria um macho extra ou uma gaveta no modelo.

A escolha certa poupa um macho inteiro e simplifica a moldação.

Bloco 6 · As saídas de fundição

O que são as saídas

As saídas de fundição (ângulos de desmoldagem) são inclinações dadas às paredes do modelo, paralelas à direção em que ele é retirado do molde. Sem elas, a areia compactada agarra-se às paredes verticais e desfaz-se ao retirar o modelo.

  • Aplicam-se em todas as superfícies paralelas à direção de extração.
  • Valores típicos: 0,5° a 3°, conforme a altura da parede e o material do modelo.
  • Modelos em madeira costumam exigir saídas maiores do que modelos em metal, pela textura mais rugosa da superfície.

Como se traçam as saídas

  1. Identificar todas as paredes paralelas à direção de desmoldagem.
  2. Definir o ângulo (com o transferidor ou a suta) em função da altura da parede.
  3. Traçar a inclinação a partir da linha de apartação, abrindo ligeiramente para fora à medida que se afasta dela.
  4. Confirmar que a saída não invade cotas funcionais da peça: se invadir, ajusta-se a sobrespessura de maquinação para compensar.

As saídas somam-se ao volume final, que depois é removido na maquinação.

Bloco 7 · Contra-saídas: identificar antes de traçar

O que é uma contra-saída

Uma contra-saída é qualquer forma da peça que impede a retirada direta do modelo na direção escolhida: uma ranhura transversal, um ressalto, um furo lateral não alinhado com a linha de apartação.

Identificar as contra-saídas é um dos critérios de desempenho centrais desta UC, porque delas dependem três decisões seguintes:

  • Onde fica exatamente a linha de apartação.
  • Onde são precisos machos para resolver a geometria que o modelo, sozinho, não consegue libertar.
  • Onde é preciso reforçar com prensos, quando a contra-saída obriga a um molde mais complexo e sujeito a maior pressão do metal.

Exemplo de identificação

Peça: um corpo cilíndrico com um furo transversal a meio da altura.

  • Ao longo do eixo vertical, o furo transversal é uma contra-saída: nenhuma direção de extração simples liberta o modelo sem deixar essa zona presa.
  • Solução: usar um macho independente que reproduz o furo, retirado à parte depois de o molde estar formado, ou uma linha de apartação adicional nessa zona.

Sem esta análise prévia, o traçado do molde fica incompleto e irrealizável na prática.

Bloco 8 · A contração dos materiais metálicos

Porque contrai o metal

Todo o metal, ao arrefecer do estado líquido para o sólido, encolhe. Se o molde fosse traçado exatamente com as medidas finais da peça, a peça fundida sairia sempre mais pequena do que o pretendido.

Para compensar, o traçador usa a régua de contração: uma régua com a escala ligeiramente dilatada, específica para cada liga metálica, que já traça as medidas "grandes" para a peça acabar no tamanho certo depois de arrefecer.

Liga metálica Contração linear aproximada
Ferro fundido cinzento ≈ 1% (10 mm/m)
Aço fundido ≈ 2% (20 mm/m)
Alumínio e ligas ≈ 1,3% (13 mm/m)
Bronze e latão ≈ 1,5% (15 mm/m)

Exemplo resolvido de cálculo de contração

Uma peça em aço fundido tem, no desenho técnico, uma cota de 200 mm. A contração do aço fundido é de aproximadamente 2%.

  1. Calcular o acréscimo: 200 × 0,02 = 4 mm.
  2. Cota a traçar no molde: 200 + 4 = 204 mm.
  3. Ao arrefecer, a peça encolhe esses 4 mm e fica com os 200 mm pretendidos.

Se a mesma peça fosse em alumínio (contração ≈ 1,3%), a cota a traçar seria: 200 + (200 × 0,013) = 202,6 mm.

Cada liga tem a sua régua de contração própria; trocar de liga sem trocar de régua é um erro grave.

Bloco 9 · As sobrespessuras de maquinação

O que são e de que dependem

A peça acabada de fundir tem superfície rugosa e variação dimensional superior ao permitido nas cotas funcionais. Por isso, deixa-se material extra, a sobrespessura de maquinação, que será removido depois numa operação de maquinação (fora do âmbito desta UC, mas previsto já no traçado).

A sobrespessura depende de:

  • A liga metálica: ligas mais difíceis de vazar com precisão pedem mais margem.
  • O tamanho da peça: peças maiores acumulam mais desvio dimensional.
  • A posição da superfície no molde: superfícies voltadas para cima recebem mais sobrespessura, porque impurezas e inclusões de areia tendem a subir no metal líquido e a acumular-se aí.

Exemplo resolvido de sobrespessura

Uma peça em ferro fundido, com 300 mm na maior dimensão, tem uma face voltada para cima no molde que vai ser maquinada.

  1. Para peças deste porte, a sobrespessura típica em superfícies de topo ronda os 5 a 6 mm por face.
  2. Para superfícies laterais ou de fundo, o valor reduz-se para cerca de 3 a 4 mm.
  3. Traçam-se as duas cotas: a funcional (a da peça acabada) mais a sobrespessura, já depois de aplicada a contração.

A ordem dos cálculos importa: primeiro a cota funcional, depois soma-se a sobrespessura, e só depois se aplica a régua de contração a essa medida final.

Bloco 10 · O sistema de gitagem e de alimentação

Como o metal entra no molde

O sistema de gitagem é o conjunto de canais que conduz o metal líquido desde o exterior até à cavidade da peça:

  • Bacia de vazamento: recebe o metal vertido pelo operador.
  • Gito de descida: canal vertical que leva o metal para baixo.
  • Canais de distribuição: repartem o metal pelas várias entradas.
  • Ataques: pontos finais por onde o metal entra na cavidade da peça.

O traçado do sistema de gitagem tem de garantir um enchimento suave, sem turbulência que arraste areia ou gases para dentro da peça.

Massalotes e respiros

  • Os massalotes são reservatórios de metal líquido ligados à peça, que alimentam a cavidade à medida que o metal solidifica e contrai, evitando vazios internos (rechupes).
  • Colocam-se nas zonas de maior massa da peça, as últimas a solidificar.
  • Os respiros são pequenos canais que deixam sair o ar e os gases da cavidade durante o enchimento, evitando bolhas na peça.

Sem massalotes bem posicionados, a peça fica com defeitos internos invisíveis a olho nu mas graves na função.

Bloco 11 · Machos e caixas de machos

O que é um macho

O macho é uma peça de areia compactada, feita à parte, que se insere no molde para formar cavidades interiores ou contra-saídas que o modelo, sozinho, não consegue libertar (furos, canais internos, reentrâncias).

  • É fabricado numa caixa de macho, um molde próprio só para essa peça de areia.
  • Fixa-se no molde através das marcas de macho (core prints), que são apoios traçados de propósito, tanto no modelo como no macho, para o posicionar e sustentar corretamente.
  • Depois de vazado e arrefecido o metal, o macho é destruído para libertar a peça acabada.

Traçar a caixa de macho

A caixa de macho é o molde onde se compacta a areia que dá origem ao macho. Traça-se separadamente do molde principal, seguindo a mesma lógica:

  1. Definir a forma exata da cavidade interior que o macho vai reproduzir.
  2. Acrescentar as marcas de macho nas extremidades, com folga suficiente para o macho assentar sem forçar.
  3. Aplicar a contração da liga metálica também aqui: o macho define uma superfície interior da peça, sujeita à mesma contração do metal.
  4. Prever a saída de fundição da própria caixa de macho, para libertar o macho sem o partir.

Cada macho e cada caixa de macho traçam-se e verificam-se como um pequeno molde à parte.

Bloco 12 · Prensos e fixação do molde

Porque é preciso fixar o molde

Durante o vazamento, o metal líquido exerce pressão dentro da cavidade, empurrando a caixa superior para cima (efeito de impulsão). Se as duas caixas não estiverem bem fixas uma à outra, a caixa superior levanta e o metal escapa pela linha de apartação.

Os prensos são os dispositivos, pesos ou grampos, colocados sobre a caixa superior (ou a atravessar as duas caixas) para garantir que o conjunto permanece fechado durante todo o vazamento e a solidificação.

Onde e como se decidem os prensos

A necessidade e a posição dos prensos decidem-se depois de identificadas as contra-saídas e definidos os machos, porque:

  • Moldes com muitos machos ou contra-saídas complexas costumam precisar de mais pontos de fixação.
  • A posição dos prensos traça-se de forma a distribuir a força de forma equilibrada sobre a caixa superior.
  • Em moldes maiores, complementam-se prensos com grampos laterais nas duas caixas.

Prensos bem traçados evitam o defeito mais dispendioso de todos: perder o vazamento inteiro por a caixa ter levantado.

Bloco 13 · Traçar o molde à escala, passo a passo

Exemplo resolvido: traçado completo de uma peça simples

Peça: um casquilho cilíndrico em ferro fundido, com um rebordo numa extremidade e um furo passante central.

  1. Interpretar o desenho: identificar cotas funcionais, o furo central e o rebordo.
  2. Escolher a linha de apartação: no plano do rebordo, evitando contra-saídas nessa zona.
  3. Identificar contra-saídas: o furo central é uma contra-saída ao longo do eixo; resolve-se com um macho.
  4. Aplicar a contração: usar a régua de contração do ferro fundido (≈ 1%) em todas as cotas.
  5. Aplicar as sobrespessuras de maquinação: nas superfícies a maquinar, sobretudo as viradas para cima.

Exemplo resolvido: continuação

  1. Traçar as saídas de fundição: 1° nas paredes verticais do rebordo e do corpo cilíndrico.
  2. Traçar o sistema de gitagem: bacia, gito de descida e ataque, entrando pela zona de maior secção.
  3. Prever o macho e a sua marca: no eixo do furo central, com a folga necessária.
  4. Definir os prensos: dois pontos, distribuídos simetricamente sobre a caixa superior.
  5. Rever o traçado completo antes de riscar em definitivo: confirmar escala, cotas e simetria.

Só depois deste traçado revisto e validado é que o molde avança para a moldação real em areia.

Bloco 14 · Traçar os elementos em separado

Porque se traçam elementos em separado

Além do traçado do molde completo, o referencial exige traçar individualmente cada elemento: o macho e a caixa de macho isolados, sem o resto do molde à volta. Isto serve para:

  • Confirmar que o macho, por si só, respeita as suas próprias saídas e contração.
  • Verificar folgas nas marcas de macho sem a distração dos restantes elementos.
  • Produzir um desenho que o operador da oficina consegue seguir só para fazer aquele elemento, sem ter de interpretar o molde inteiro.

Exemplo resolvido: caixa de macho isolada

Retomando o casquilho do bloco anterior, o macho do furo central traça-se agora sozinho:

  1. Desenhar a caixa de macho com a cavidade cilíndrica que vai gerar o macho.
  2. Marcar as duas marcas de macho nas extremidades, com a folga definida (por exemplo, 0,5 mm de cada lado).
  3. Aplicar a contração do ferro fundido também às cotas desta caixa isolada.
  4. Indicar a saída de fundição da própria caixa de macho, para o macho sair sem se partir.
  5. Cotar tudo de forma independente, como se este desenho fosse entregue sozinho à oficina.

Este é o desenho que, sozinho, permite fabricar exatamente aquele macho, sem ambiguidades.

Bloco 15 · Segurança, ambiente e qualidade no traçado

Segurança e saúde no trabalho

Mesmo sendo um trabalho de secretária e banca, o traçado de moldes cumpre normas de segurança:

  • Uso correto do equipamento de proteção individual (EPI) adequado às ferramentas de traçagem (riscadores, compassos, materiais cortantes).
  • Organização da banca: ferramentas afiadas guardadas com segurança, sem risco de queda ou corte acidental.
  • Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho definidas pela oficina, mesmo em tarefas aparentemente de baixo risco.

Rigor com a segurança é, também, rigor profissional.

Gestão de resíduos, ambiente e qualidade

  • Normas de gestão de resíduos: aparas de madeira, papel usado e materiais de traçagem descartados de forma correta.
  • Normas de proteção ambiental: aplicadas mesmo nesta fase inicial do processo, antes de a fundição em si acontecer.
  • Normas da qualidade: o traçado revisto, cotado e verificado é o primeiro ponto de controlo de qualidade de toda a peça fundida.
  • Atitudes a demonstrar: responsabilidade, autonomia, rigor, sentido de organização, sentido crítico, iniciativa, cooperação e respeito pelas normas.

Um traçado que cumpre estas normas poupa retrabalho, material e tempo a toda a linha de produção.

Recapitulando

  • O molde de fundição reúne caixa de moldação, linha de apartação, gitagem, machos, saídas, sobrespessuras e prensos.
  • A linha de apartação e as contra-saídas decidem-se em conjunto, antes de tudo o resto.
  • Contração e sobrespessuras de maquinação aplicam-se com réguas e valores próprios de cada liga metálica.
  • Machos e caixas de machos traçam-se também em separado, com as suas próprias regras.
  • Prensos fecham o ciclo: garantem que o molde bem traçado se mantém fechado até ao fim do vazamento.

Próximo: sebenta, fichas e projeto, traçar um molde completo de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o traçado é uma etapa de projeto, não de execução; erros aqui multiplicam-se em cada peça fundida. - Erro comum: os alunos confundem "molde" com "modelo". O modelo é o positivo (a réplica da peça); o molde é o negativo, feito à volta do modelo. - Exemplo/analogia: o molde está para a peça fundida como a forma de bolos está para o bolo, mas em negativo compactado em areia.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta tabela é o mapa da UC inteira; cada linha corresponde a um ou mais blocos seguintes. - Erro comum: tratar o molde como "só a caixa com areia". Falta o sistema de gitagem, os machos e os prensos, que são igualmente parte do molde. - Exemplo/analogia: como uma casa não é só as paredes (também é canalização, eletricidade e portas), o molde não é só a caixa de areia.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o alinhamento pelas cavilhas de guia é crítico; sem ele, a peça sai desviada entre as duas metades. - Erro comum: pensar que a caixa superior e a inferior são iguais. A superior tem de incluir o sistema de gitagem e os respiros. - Exemplo/analogia: como as duas metades de uma forma de gelo com pino de alinhamento, para as bolas ficarem redondas e não deslocadas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a sequência é sempre a mesma, independentemente do tamanho da peça; só a escala muda. - Erro comum: retirar o modelo sem as saídas de fundição previstas, o que rasga as paredes da cavidade. - Exemplo/analogia: como desenformar um bolo, um bolo sem inclinação nas paredes da forma parte ao sair; o molde tem o mesmo problema.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada instrumento tem um uso próprio; misturar réguas comuns com réguas de contração é um dos erros mais caros desta profissão. - Erro comum: usar a régua normal para medir a peça já com a contração aplicada, esquecendo que a régua de contração tem uma escala dilatada. - Exemplo/analogia: os instrumentos de traçagem são para o traçador o que o bisturi e a pinça são para o cirurgião, rigor absoluto em cada gesto.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sentido de organização e rigor não são "extra", são atitudes do referencial avaliadas na prática. - Erro comum: riscar em definitivo sem confirmar as cotas a rascunho, obrigando a recomeçar o traçado inteiro. - Exemplo/analogia: como um alfaiate que marca primeiro a giz antes de cortar o tecido, o traçador rascunha antes de riscar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: interpretar o desenho da peça é o primeiro critério de desempenho da UC; sem isto, nada do resto se decide bem. - Erro comum: passar direto para o traçado sem identificar as cotas funcionais, e só as encontrar quando já é tarde para mudar a linha de apartação. - Exemplo/analogia: como um mapa antes de uma viagem, ninguém começa a conduzir sem primeiro perceber o percurso completo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a escala do traçado tem de estar sempre indicada e ser respeitada em todas as medidas, sem exceções. - Erro comum: misturar escalas diferentes no mesmo traçado (por exemplo, ampliar um detalhe sem assinalar a mudança de escala). - Exemplo/analogia: medir duas vezes e cortar uma, como diz o ditado dos carpinteiros, aplica-se ponto por ponto ao traçado de moldes.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a linha de apartação condiciona todo o resto do traçado, saídas, machos e prensos decidem-se depois dela. - Erro comum: escolher a linha de apartação só pela simetria visual da peça, ignorando as contra-saídas que ela deixa por resolver. - Exemplo/analogia: como escolher onde abrir uma casca de noz ao meio, o corte certo tira o miolo inteiro sem o partir.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: pequenas decisões na linha de apartação evitam machos extra, poupando tempo e material em produção. - Erro comum: desenhar a linha antes de verificar se há contra-saídas nessa posição. - Exemplo/analogia: escolher a linha de apartação é como escolher onde dobrar uma folha para recortar uma silhueta simétrica, sem rasgar os detalhes.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as saídas não são um detalhe estético, sem elas o molde não sobrevive à extração do modelo. - Erro comum: esquecer as saídas em paredes altas, onde o atrito acumulado é maior e a areia se solta em blocos. - Exemplo/analogia: como um balde de praia com paredes ligeiramente inclinadas, sai facilmente da areia; um balde de paredes retas fica preso.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a saída acrescenta material, é a maquinação (fora desta UC) que a remove depois. - Erro comum: confundir saída de fundição com sobrespessura de maquinação; são conceitos distintos que se somam. - Exemplo/analogia: a saída é a "rampa" que deixa o modelo sair; a sobrespessura é a "gordura extra" que se corta depois a maquinar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: identificar contra-saídas é sempre o passo anterior a decidir machos e prensos; a ordem importa. - Erro comum: só descobrir a contra-saída depois de traçado o molde inteiro, obrigando a recomeçar. - Exemplo/analogia: como tentar tirar uma chave inglesa de dentro de uma caixa por um buraco mais pequeno do que ela, a contra-saída é essa geometria que "prende" o modelo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: nem toda a contra-saída se resolve com a linha de apartação; muitas só se resolvem com um macho. - Erro comum: tentar "forçar" a linha de apartação a resolver tudo, complicando desnecessariamente o molde. - Exemplo/analogia: como um puzzle com uma peça que só encaixa de lado, a contra-saída obriga a pensar numa peça (o macho) à parte.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a régua de contração usa-se sempre, nunca uma régua normal, para as cotas que vão a fundir. - Erro comum: usar a régua normal "por engano" e obter peças sistematicamente pequenas. - Exemplo/analogia: como encolher um novelo de lã ao lavar, o metal também "encolhe" ao mudar de estado; o traçador antecipa esse encolhimento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: fazer sempre a conta com a turma e comparar os dois resultados (aço vs alumínio) lado a lado. - Erro comum: aplicar a percentagem de contração só à cota final da peça e esquecer que se aplica a todas as cotas do molde. - Exemplo/analogia: como reservar mesa a mais num restaurante sabendo que alguns convidados vão faltar, o traçador "reserva" mais material sabendo que o metal vai encolher.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a posição da superfície no molde (topo vs fundo) muda o valor da sobrespessura, não é um valor fixo para a peça toda. - Erro comum: aplicar a mesma sobrespessura a todas as superfícies, ignorando a posição no molde. - Exemplo/analogia: como a nata que sobe ao de cima do leite, as impurezas do metal líquido também sobem; por isso o topo do molde "suja-se" mais.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a ordem de cálculo (funcional → sobrespessura → contração) evita erros acumulados; fazer a turma repetir a sequência em voz alta. - Erro comum: aplicar a contração antes da sobrespessura, o que distorce o valor final. - Exemplo/analogia: como vestir várias camadas de roupa antes do casaco, cada camada (sobrespessura, contração) acrescenta-se por cima da anterior, pela ordem certa.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o percurso do metal do exterior até à peça tem várias etapas com nomes próprios, não é "um buraco só". - Erro comum: colocar o ataque diretamente sobre uma zona fina da peça, o que provoca turbulência e defeitos. - Exemplo/analogia: como a torneira, o cano e a bica de uma banheira, cada troço do sistema de gitagem tem uma função própria antes de a água (o metal) chegar ao destino.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o massalote resolve a contração de solidificação, um problema distinto da contração linear já vista no Bloco 8. - Erro comum: colocar o massalote numa zona fina, que solidifica antes da zona grossa e já não a consegue alimentar. - Exemplo/analogia: o massalote é como uma reserva de água num depósito elevado, alimenta a torneira enquanto a rede principal ainda enche.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o macho resolve o que a linha de apartação e as saídas, sozinhas, não conseguem resolver. - Erro comum: esquecer as marcas de macho no traçado do modelo, o que deixa o macho sem apoio dentro do molde. - Exemplo/analogia: o macho é como o miolo de um pão que se retira depois de cozido, deixando o espaço vazio lá dentro.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a caixa de macho segue as mesmas regras do molde principal (saídas, contração), não é um caso à parte sem regras. - Erro comum: esquecer a folga nas marcas de macho, o que dificulta ou impede a montagem do macho no molde. - Exemplo/analogia: como uma chave e a sua fechadura, o macho e as marcas de macho têm de encaixar com folga certa, nem apertado demais nem largo demais.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a pressão do metal líquido é real e considerável, sobretudo em peças com muita massa ou massalotes altos. - Erro comum: subestimar a necessidade de prensos em peças pequenas; mesmo moldes pequenos podem levantar se mal fixos. - Exemplo/analogia: como segurar a tampa de uma panela de pressão, o prenso segura o molde contra a força que o metal líquido exerce de dentro para fora.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ligar este bloco diretamente ao critério de desempenho que junta contra-saídas, linha de apartação e prensos. - Erro comum: colocar os prensos só num lado da caixa, desequilibrando a força e permitindo que ela abra do lado oposto. - Exemplo/analogia: como apertar uma tampa de frasco em vários pontos e não só num, a força tem de se distribuir por igual.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta sequência de cinco passos resume todo o referencial da UC até aqui; vale a pena escrevê-la no quadro antes do exemplo. - Erro comum: saltar passos, sobretudo o da identificação de contra-saídas, e só descobrir o problema mais tarde. - Exemplo/analogia: como uma receita de cozinha, seguir a ordem dos passos evita ter de "desfazer" trabalho já feito.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a revisão final (passo 10) evita que erros de traçado cheguem à oficina. - Erro comum: riscar o traçado em definitivo sem uma revisão de conjunto no fim. - Exemplo/analogia: como reler um texto antes de o entregar, o traçador "relê" o desenho antes de o riscar em definitivo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o traçado individual não é uma repetição do traçado completo, é um desenho de detalhe focado só num elemento. - Erro comum: copiar o traçado completo e "recortar" o macho dele, perdendo cotas que só fazem sentido isoladas. - Exemplo/analogia: como a ficha técnica de uma só peça de um móvel, em vez do desenho do móvel montado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: pedir aos alunos que troquem entre si só este desenho (sem o molde completo) e verifiquem se conseguem interpretá-lo. - Erro comum: esquecer de repetir a contração no traçado isolado, achando que "já estava aplicada" no traçado completo. - Exemplo/analogia: como uma peça sobresselente vendida à parte, tem de vir com a sua própria ficha, completa e sem depender de mais nada.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: mesmo tarefas de "secretária" têm risco (riscadores, compassos), o EPI não é só para a fundição em si. - Erro comum: relaxar a segurança por se tratar de traçado em papel/madeira e não de vazamento de metal líquido. - Exemplo/analogia: como um cozinheiro que usa luvas para cortar legumes, não só para lidar com o forno quente.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as atitudes do referencial (rigor, organização, sentido crítico) avaliam-se ao longo de todo o processo, não só no resultado final. - Erro comum: tratar segurança, ambiente e qualidade como capítulos separados do traçado técnico, quando fazem parte do mesmo trabalho. - Exemplo/analogia: como as regras de trânsito que se aplicam mesmo num percurso curto, as normas aplicam-se mesmo numa tarefa "de banca".