UC05048

Executar ensaios mecânicos em materiais metálicos

Tração, compressão e propriedades mecânicas: preparar, ensaiar, calcular e emitir o boletim

Curso profissional · 50h · Técnico de Laboratório · Fundição

Plano

  1. Ensaios mecânicos e controlo de qualidade na fundição
  2. Propriedades mecânicas dos materiais
  3. Provetes: tipos, preparação e controlo dimensional
  4. Normas, calibração e validação
  5. O ensaio de tração
  6. A curva tensão-deformação
  7. O ensaio de compressão
  8. Erros, desvios e incertezas de medição
  9. Registo, cálculo e interpretação de resultados
  10. Controlo de qualidade estatístico
  11. O boletim de ensaio
  12. Segurança, EPI e ambiente no laboratório

Bloco 1 · Ensaios mecânicos e controlo de qualidade

Porque ensaiamos os materiais metálicos

Uma peça fundida sai do molde com uma forma, mas a forma não garante que ela aguenta o serviço para que foi projetada. O ensaio mecânico responde à pergunta que interessa ao cliente: esta peça resiste à carga prevista?

  • Verifica a conformidade com a especificação técnica e as normas da qualidade.
  • Deteta desvios do processo de fundição (porosidade, segregação, tratamento térmico mal feito) antes de a peça sair da fábrica.
  • É exigido em contexto normativo: muitos contratos e certificações obrigam a boletins de ensaio.

No Técnico de Laboratório de Fundição, o laboratório é a última barreira antes da peça seguir para o cliente.

Os dois ensaios mecânicos desta UC

Nesta UC dominamos dois ensaios mecânicos estáticos, os mais comuns num laboratório de fundição:

Ensaio Tipo de carga Mede sobretudo
Tração puxa o provete até alongar e romper resistência, limite elástico, alongamento
Compressão comprime o provete até esmagar ou fissurar resistência à compressão, comportamento frágil/dúctil

Ambos usam a mesma máquina de ensaios universal, apenas com o modo de trabalho invertido. A sequência do trabalho é sempre a mesma: preparar, medir o provete, ensaiar, registar, calcular, emitir o boletim.

Bloco 2 · Propriedades mecânicas dos materiais

O que é uma propriedade mecânica

Uma propriedade mecânica descreve como um material se comporta quando lhe aplicamos uma força. É o que permite comparar materiais e decidir se um serve para uma aplicação.

  • Resistência mecânica: a carga máxima que o material aguenta antes de romper.
  • Elasticidade: capacidade de recuperar a forma original depois da carga cessar (dentro de um limite).
  • Plasticidade: capacidade de se deformar de forma permanente sem romper.
  • Ductilidade: capacidade de se alongar antes de romper (fios, chapas).
  • Tenacidade: capacidade de absorver energia antes de romper, mesmo com fissuras.
  • Dureza: resistência à penetração de outro corpo (ensaio à parte, não desta UC).

Comportamento elástico e comportamento plástico

Ao aplicar carga a um metal, ele passa por duas fases distintas:

  1. Zona elástica: a deformação é proporcional à carga (Lei de Hooke) e reversível. Se a carga parar aqui, o material volta à forma original.
  2. Zona plástica: ultrapassado o limite elástico, a deformação passa a ser permanente. O material não volta atrás mesmo sem carga.

A fronteira entre as duas zonas, o limite elástico, é uma das propriedades mais importantes a determinar num ensaio de tração, sobretudo em materiais dúcteis.

Bloco 3 · Provetes: tipos, preparação e controlo dimensional

O que é um provete

O provete é a amostra do material, cortada e maquinada com uma geometria normalizada, usada para o ensaio. O resultado do ensaio só é válido se o provete respeitar as dimensões e a forma da norma aplicável.

  • Provete de tração: geralmente cilíndrico ou plano, com uma zona útil calibrada (o "corpo" onde ocorre a rutura) e duas cabeças mais largas para a fixação nas garras.
  • Provete de compressão: normalmente um cilindro curto ou um cubo, para evitar a encurvadura (flambagem) durante o ensaio.
  • Retirado de uma peça fundida real ou de um provete de fundição próprio, fundido em paralelo com a peça de produção.

Controlo dimensional e geométrico do provete

Antes do ensaio, medem-se e registam-se as dimensões do provete com paquímetro ou régua, conforme a precisão exigida:

  • Diâmetro ou secção da zona útil, em pelo menos duas posições perpendiculares (a secção raramente é um círculo perfeito).
  • Comprimento útil (a zona calibrada onde se mede o alongamento).
  • Comprimento total e geometria das cabeças, para garantir que encaixam nas garras.

Estas medições entram diretamente nos cálculos posteriores (tensão = força / área). Um erro de medição no provete propaga-se para todo o resultado do ensaio.

Bloco 4 · Normas, calibração e validação

Normas e procedimentos de ensaio

O ensaio mecânico só tem valor se for repetível e comparável entre laboratórios. Por isso segue normas técnicas que definem geometria do provete, velocidade de ensaio, condições ambientais e forma de cálculo.

  • NP EN ISO 6892-1: ensaio de tração de materiais metálicos à temperatura ambiente.
  • NP EN ISO 7500-1: verificação do sistema de força das máquinas de ensaio (calibração).
  • Normas equivalentes internacionais: ASTM E8/E8M (tração), amplamente usadas em contexto industrial.

Antes de qualquer ensaio, confirma-se qual a norma aplicável ao material e ao contrato do cliente.

Calibração e validação dos equipamentos

A calibração compara a indicação de um equipamento com um padrão de referência rastreável, e determina o erro. Sem calibração válida, nenhum resultado do laboratório é fiável.

  • A máquina de ensaios é calibrada periodicamente (célula de carga, deslocamento) por um laboratório acreditado, com certificado de calibração.
  • Os extensómetros (ótico ou de contacto) são verificados antes de campanhas críticas de ensaio.
  • Os equipamentos de medição dimensional (paquímetros, réguas) têm o seu próprio plano de calibração e verificação.

Validar um resultado é confirmar que o equipamento, o procedimento e o provete cumpriam as condições exigidas antes de aceitar o número obtido.

Bloco 5 · O ensaio de tração

Equipamento e montagem do ensaio de tração

O ensaio de tração usa a máquina de ensaios universal configurada para puxar o provete até à rutura:

  • Garras (mordentes) fixam as duas cabeças do provete, alinhadas com o eixo da máquina.
  • Célula de carga mede a força aplicada em tempo real.
  • Extensómetro (ótico ou de contacto) mede o alongamento da zona útil com precisão, sem depender só do deslocamento do travessão.
  • O software da máquina regista força e alongamento e traça a curva em tempo real.

A montagem correta (alinhamento, aperto uniforme das garras) evita ruturas fora da zona útil, que invalidam o ensaio.

Procedimento passo a passo do ensaio de tração

  1. Preparar o provete: verificar identificação, limpar e medir as dimensões da zona útil.
  2. Configurar a máquina: selecionar o método de ensaio, a velocidade e a escala de força adequada ao material.
  3. Fixar o provete nas garras, alinhado, e instalar o extensómetro.
  4. Iniciar o ensaio: a máquina puxa o provete a velocidade controlada, registando força e alongamento.
  5. Observar o comportamento: escoamento (se houver), estricção e o ponto de rutura.
  6. Parar automaticamente na rutura e retirar os resultados do software.

O software calcula automaticamente muitos valores, mas o técnico tem de saber verificar se fazem sentido.

Bloco 6 · A curva tensão-deformação

Ler a curva tensão-deformação

A curva tensão-deformação é o resultado central do ensaio de tração: no eixo vertical a tensão (força / área inicial), no eixo horizontal a deformação (alongamento / comprimento inicial).

Tensão
  │            ● Rm (resistência máxima)
  │          ╱   ╲
  │        ╱       ╲___ rutura
  │      ╱ Re (limite elástico)
  │    ╱
  │  ╱  zona elástica (reta, Lei de Hooke)
  └──────────────────────────────► Deformação
  • Tramo inicial reto: zona elástica.
  • Re (limite elástico ou tensão de cedência): onde termina a proporcionalidade.
  • Rm (resistência máxima à tração): o pico da curva.
  • Depois de Rm surge a estricção (redução local de secção) até à rutura.

Determinar o alongamento e o limite elástico

Duas grandezas centrais que o técnico tem de saber calcular a partir do ensaio:

Alongamento após rutura (A%), mede a ductilidade:

A% = (Lu − L0) / L0 × 100

onde L0 é o comprimento inicial da zona útil e Lu o comprimento final, medido depois de juntar as duas partes rompidas.

Limite elástico (Re) determina-se em materiais dúcteis pela tensão correspondente ao fim da zona linear, ou, quando não há um patamar claro, pelo método convencional Rp0,2 (tensão para 0,2% de deformação plástica residual).

Ambos os valores são exigidos na maioria das especificações de material.

Bloco 7 · O ensaio de compressão

Equipamento e técnica do ensaio de compressão

O ensaio de compressão usa a mesma máquina universal, mas configurada para esmagar o provete entre dois pratos paralelos, em vez de o puxar.

  • Pratos de compressão paralelos e alinhados, em vez de garras.
  • Provete curto (cilindro ou cubo) para evitar encurvadura.
  • Lubrificação leve das faces de contacto, para reduzir o atrito que distorce a forma do provete durante o ensaio (efeito de "barril").
  • Menor uso de extensómetro externo; a deformação lê-se muitas vezes pelo deslocamento do travessão.

Comportamento e resultados no ensaio de compressão

Materiais diferentes comportam-se de forma muito diferente à compressão:

  • Materiais dúcteis (muitos aços): não chegam a "romper", achatam-se progressivamente (forma de barril).
  • Materiais frágeis (ferro fundido cinzento, muitas cerâmicas): fissuram e fraturam de forma súbita, muitas vezes com um plano de rutura a 45°.

Regista-se a resistência à compressão (tensão máxima suportada) e observa-se e descreve-se o modo de rotura, informação tão importante como o número obtido.

O ensaio de compressão é especialmente relevante para materiais fundidos frágeis, como muitos ferros fundidos, onde a tração pode não captar bem o comportamento real em serviço.

Bloco 8 · Erros, desvios e incertezas de medição

Erro, desvio e incerteza: três conceitos distintos

Nenhuma medição é perfeita. Distinguir estes três termos evita relatórios mal escritos e conclusões erradas:

  • Erro: a diferença entre o valor medido e o valor verdadeiro (raramente se conhece o valor verdadeiro com exatidão).
  • Desvio: a diferença entre um valor individual e um valor de referência, por exemplo a média de uma série de medições.
  • Incerteza: o intervalo dentro do qual se espera, com um dado nível de confiança, que esteja o valor verdadeiro.

Todo o resultado de ensaio deveria vir acompanhado da sua incerteza, não apenas do valor "seco".

Fontes de erro e como as reduzir

Num ensaio mecânico, as fontes de erro mais comuns são:

Fonte Exemplo Como reduzir
Equipamento célula de carga descalibrada plano de calibração em dia
Provete dimensões mal medidas medir em vários pontos, instrumento calibrado
Método velocidade de ensaio errada seguir a norma à letra
Operador leitura da escala incorreta procedimento escrito, dupla verificação
Ambiente temperatura fora do previsto controlar e registar as condições

Reduzir o erro não é eliminar a incerteza, é torná-la pequena e conhecida.

Bloco 9 · Registo, cálculo e interpretação de resultados

Registar o comportamento do material durante o ensaio

Durante o ensaio, o técnico observa e regista pontos característicos, não só o número final:

  • Início da deformação plástica (fim da zona elástica).
  • Escoamento (quando existe): a força estabiliza ou até desce ligeiramente enquanto a deformação continua.
  • Estricção: redução visível da secção antes da rutura, típica de materiais dúcteis.
  • Rutura: local, aspeto da superfície de fratura (dúctil, com "taça e cone", ou frágil, plana e brilhante).

Estas observações qualitativas completam os valores numéricos e ajudam a validar se o ensaio decorreu normalmente.

Calcular as propriedades mecânicas do ensaio

A partir da força e das dimensões do provete, calculam-se as propriedades exigidas pela norma e pela especificação do cliente:

  • Tensão: σ = F / A0 (força a dividir pela área inicial da secção).
  • Resistência máxima à tração (Rm): tensão no ponto de força máxima.
  • Limite elástico (Re ou Rp0,2): conforme explicado no bloco 6.
  • Alongamento após rutura (A%): ver fórmula do bloco 6.
  • Resistência à compressão: tensão máxima suportada no ensaio de compressão.

Todos os cálculos seguem o procedimento definido na norma aplicável, nunca uma fórmula "aproximada" inventada no momento.

Interpretar e comparar com valores de referência

Calcular um número não é o fim do trabalho: o técnico tem de interpretar o resultado.

  • Comparar cada propriedade obtida com os valores de referência da norma do material ou da ficha técnica do cliente.
  • Concluir se a peça está conforme (dentro dos limites) ou não conforme (fora dos limites).
  • Quando um resultado está no limite ou fora do esperado, verificar antes de tudo: o provete, o cálculo, o equipamento, só depois questionar o material.

A interpretação é o momento em que o técnico assume responsabilidade: um "conforme" mal dado pode deixar passar uma peça insegura.

Bloco 10 · Controlo de qualidade estatístico

Ferramentas estatísticas no controlo dos ensaios

Um único ensaio não garante a qualidade de um lote inteiro. Por isso o controlo de qualidade usa ferramentas estatísticas simples sobre séries de resultados:

  • Média: valor central de uma série de ensaios do mesmo lote.
  • Amplitude e desvio padrão: quanto os resultados variam entre si.
  • Cartas de controlo: gráfico da evolução dos resultados ao longo do tempo, com limites de aviso e de ação.
  • Tendências: uma série de resultados a subir ou descer de forma consistente pode indicar deriva do processo, mesmo que cada valor individual esteja dentro da especificação.

Bloco 11 · O boletim de ensaio

O que leva um boletim de ensaio

O boletim de ensaio é o documento oficial que comunica os resultados ao cliente ou ao processo interno. Tem de ser estruturado e ter rigor, seguindo as normas definidas pelo laboratório.

  • Identificação: cliente, lote, provete, data, norma aplicada.
  • Condições do ensaio: equipamento usado, calibração em vigor, condições ambientais.
  • Resultados: valores calculados (Rm, Re, A%, resistência à compressão), com as respetivas incertezas.
  • Conclusão de conformidade: comparação com os valores de referência e o veredito final.
  • Assinatura e responsável técnico.

Um boletim mal escrito pode invalidar um ensaio tecnicamente correto.

Bloco 12 · Segurança, EPI e ambiente no laboratório

Segurança e EPI no ensaio mecânico

Um ensaio até à rutura liberta energia de forma súbita. O laboratório de ensaios mecânicos tem riscos próprios que exigem disciplina de segurança:

  • Equipamento de proteção individual (EPI): óculos de proteção (fragmentos na rutura), calçado de segurança, luvas quando aplicável.
  • Proteções da máquina: resguardos na zona de ensaio, nunca contornados "para ver melhor".
  • Procedimentos de segurança: nunca aproximar as mãos da zona de ensaio com a máquina em funcionamento.
  • Cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho em todas as operações do laboratório.

Gestão de resíduos, ambiente e qualidade

O trabalho do laboratório também tem responsabilidades fora da bancada de ensaio:

  • Gestão de resíduos: provetes ensaiados, sucata metálica, encaminhados conforme as normas de gestão de resíduos.
  • Proteção ambiental: consumíveis e lubrificantes usados na preparação e no ensaio, geridos sem contaminação do posto de trabalho.
  • Normas da qualidade: o laboratório opera dentro de um sistema de gestão da qualidade, com registos rastreáveis de cada ensaio.
  • Estas responsabilidades são atitudes avaliadas, não um extra: responsabilidade, rigor e respeito pelas regras definidas.

Um técnico de laboratório competente ensaia bem e cumpre as regras à sua volta, sem que ninguém precise de o lembrar.

Recapitulando

  • Ensaiamos materiais metálicos para verificar propriedades mecânicas e a conformidade com normas e especificações.
  • Provetes bem preparados e medidos são a base de qualquer resultado válido.
  • Tração dá resistência máxima, limite elástico e alongamento; compressão dá resistência à compressão e modo de rotura.
  • Todo o resultado tem erro, desvio e incerteza associados; o controlo de qualidade usa ferramentas estatísticas sobre séries de ensaios.
  • O boletim de ensaio, com rigor e segundo as normas, é o produto final do trabalho, sempre com segurança, EPI, gestão de resíduos e normas ambientais e de qualidade.

Próximo: fichas e projecto, preparar, ensaiar e emitir boletins de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ensaiar não é burocracia, é a prova de que a peça faz o que promete - erro comum: pensar que o aspeto visual da peça (bem acabada, sem rebarbas) chega para garantir qualidade mecânica - exemplo: uma roda de tração fundida com um poro interno pode parecer perfeita e falhar ao fim de poucos ciclos de carga

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "universal" quer dizer que a mesma máquina faz tração e compressão, só muda a configuração - pergunta à turma: um veio que trabalha à tração e um pilar que trabalha à compressão, que ensaio faz mais sentido para cada um? - analogia: puxar um elástico até partir (tração) versus esmagar uma lata (compressão)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada propriedade responde a uma pergunta diferente sobre o material, não há "uma nota" que resuma tudo - erro comum: confundir dureza com resistência mecânica; um material duro pode ser frágil e romper com pouca energia - exemplo/analogia: o vidro é duro mas pouco tenaz (parte com um choque); o aço macio é menos duro mas muito tenaz

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a distinção elástico/plástico é a base de leitura de toda a curva tensão-deformação que vem no bloco 6 - erro comum: achar que "deformar" é sempre mau; a deformação elástica é normal e reversível em qualquer estrutura em serviço - exemplo: uma régua que dobra e volta à forma (elástico) versus um clip de papel dobrado que fica torto (plástico)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o provete representa o lote de fundição; se for mal retirado ou mal maquinado, o resultado não representa a peça real - erro comum: usar um provete de compressão demasiado esbelto (alto e fino), que encurva em vez de esmagar de forma uniforme - exemplo: fundir "provetes-testemunha" na mesma vazada da peça, para ensaiar sem destruir a peça de produção

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a área inicial do provete é o denominador da tensão; um erro de 5% na área dá um erro de 5% em todos os resultados - erro comum: medir só uma vez e num só ponto; a secção pode não ser perfeitamente circular - exemplo/analogia: medir a secção como se mede o diâmetro de um tubo, em duas direções cruzadas, para apanhar a ovalização

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem norma não há ensaio válido, só um número sem valor legal ou contratual - erro comum: usar sempre "a norma do costume" sem confirmar se o cliente ou a especificação exige outra - exemplo: um cliente automóvel pode exigir a norma ISO, um cliente americano pode exigir a ASTM

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: calibração e validação são condições prévias, não um passo opcional "se der tempo" - erro comum: confundir calibração (do equipamento, feita por terceiros) com verificação (do dia a dia, feita pelo técnico) - exemplo: verificar o zero do paquímetro antes de cada série de medições é verificação; enviar o paquímetro ao laboratório de metrologia é calibração

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma rutura junto à garra é normalmente sinal de montagem incorreta e obriga a repetir o ensaio - erro comum: apertar as garras de forma desigual, introduzindo flexão no provete antes mesmo de começar a puxar - exemplo: mostrar (ou descrever) a diferença entre uma rutura "limpa" no meio da zona útil e uma rutura junto à cabeça do provete

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico não é um operador passivo do botão "start"; tem de observar o ensaio a decorrer - erro comum: não escolher a velocidade de ensaio correta para o material, o que distorce os resultados de materiais sensíveis à velocidade - exemplo: pedir à turma para descrever, por palavras, o que veem ao esticar um clip de papel devagar até partir (fases do processo)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta curva é o "raio-x" do comportamento do material; cada ponto notável tem um significado de engenharia - erro comum: confundir Rm (resistência máxima) com a tensão de rutura; na realidade a tensão no ponto de rutura pode ser inferior a Rm por causa da estricção - exemplo: comparar a curva de um aço dúctil (patamar de cedência longo) com a de um ferro fundido frágil (curva quase sem zona plástica)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: A% é sempre referido ao comprimento inicial L0, nunca esquecer de o registar antes do ensaio - erro comum: usar o comprimento total do provete em vez do comprimento útil calibrado no cálculo do alongamento - exemplo: fazer um cálculo numérico simples na aula, L0 = 50 mm, Lu = 58 mm, A% = 16%

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a geometria curta do provete de compressão não é opcional, é a defesa contra a encurvadura lateral - erro comum: ensaiar um provete de compressão demasiado esbelto e confundir uma falha por encurvadura com uma falha por esmagamento do material - exemplo/analogia: uma régua fina dobra a meio quando comprimida (encurva); um bloco curto e largo esmaga (não dobra)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: no relatório, descrever o modo de rotura é tão importante como o valor numérico - erro comum: tratar o ensaio de compressão como "o mesmo que a tração ao contrário"; a física da falha é diferente - exemplo: o ferro fundido cinzento é muito melhor à compressão do que à tração, daí ser tão usado em bancadas de máquinas e blocos de motor

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um resultado sem incerteza associada é uma informação incompleta, sobretudo perto de um limite de especificação - erro comum: usar "erro" e "incerteza" como sinónimos no relatório - exemplo: dizer Rm = 450 ± 8 MPa é muito mais informativo do que dizer apenas Rm = 450 MPa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a maioria dos erros graves em laboratório vem de causas simples e evitáveis, não de fenómenos raros - erro comum: assumir que "a máquina está sempre certa" e não questionar um resultado anómalo - exemplo: pedir à turma para classificar 3 situações de erro do dia a dia do laboratório nas categorias da tabela

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma rutura com aspeto anormal (fora da zona útil, superfície estranha) é motivo para questionar o ensaio antes de o dar por válido - erro comum: registar só os números finais do software e ignorar o comportamento observado durante o ensaio - exemplo: mostrar a diferença entre uma fratura dúctil (taça e cone, fibrosa) e uma fratura frágil (plana, brilhante, sem estricção)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os cálculos são simples (divisões), o rigor está nos dados de entrada corretos (força, área) e nas unidades - erro comum: trocar a área inicial (A0) pela área final, ou esquecer de converter unidades (mm² para m², N para kN) - exemplo: calcular Rm com a turma a partir de F = 35 600 N e A0 = 78,5 mm² (Rm ≈ 453 MPa)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: interpretar é comparar com um critério definido antes do ensaio, nunca "a olho" no fim - erro comum: aceitar um valor fora do esperado sem verificar primeiro as causas mais prováveis (provete, cálculo, equipamento) - exemplo/pergunta: se Rm der 5% abaixo do mínimo da norma, que verificações fazes antes de rejeitar o lote?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a estatística aqui é uma ferramenta prática de deteção precoce, não um exercício académico - erro comum: olhar só para o último resultado e ignorar a tendência da série - exemplo: uma carta de controlo em que Rm vai baixando ensaio a ensaio, ainda dentro da especificação, mas a aproximar-se do limite inferior

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o boletim é o produto final do trabalho do laboratório, tão importante como o ensaio em si - erro comum: emitir um boletim sem indicar a norma usada ou sem a incerteza dos resultados - exemplo: mostrar um boletim de ensaio real (ou um modelo) e percorrer secção a secção com a turma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a rutura de um provete metálico pode projetar fragmentos com energia significativa, os óculos não são opcionais - erro comum: retirar um resguardo de segurança "só um bocadinho" para observar melhor a rutura - exemplo: descrever um caso (real ou hipotético) de um resguardo retirado que resultou num incidente evitável

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: qualidade, ambiente e segurança não são "capítulos à parte", fazem parte do mesmo padrão de rigor profissional - erro comum: achar que estas normas só se aplicam à produção e não ao laboratório de ensaios - exemplo: seguir na aula o percurso de um provete já ensaiado até ao seu destino final (sucata, reciclagem)