UC05035

Avaliar e executar os processos de fundição

Areias, moldes, machos, fusão, vazamento, arrefecimento e controlo de qualidade em fundição

Curso profissional · 50h · Técnico de Projeto de Moldes e Modelos, Fundição

Plano

  1. Fundição: objetivo, tipos e vantagens
  2. Desenho técnico e fichas de trabalho
  3. Areias de fundição
  4. Metais e ligas metálicas
  5. Moldes para fundição
  6. Processo de moldação
  7. Caixas de machos e macharia
  8. Fundição em areia e em coquilha
  9. Fundição injetada e cera perdida
  10. Fusão do metal
  11. Vazamento e arrefecimento
  12. Desmoldação, limpeza e acabamento
  13. Controlo de qualidade
  14. Resíduos, EPI e segurança
  15. Normas e fecho

Bloco 1 · Fundição: objetivo, tipos e vantagens

O que é a fundição

Fundir é obter uma peça vertendo metal líquido para dentro de uma cavidade (o molde) com a forma pretendida, deixando-o solidificar. É um dos processos de fabrico mais antigos e mais usados na indústria metalomecânica.

  • Permite obter formas complexas difíceis ou impossíveis de conseguir por maquinagem.
  • É competitivo em séries grandes e em peças de geometria interna complicada.
  • É o ponto de partida do técnico de projeto de moldes e modelos: sem molde, não há peça fundida.

O técnico de fundição analisa a peça a obter, seleciona o processo, define as variáveis críticas, executa as técnicas e operações e efetua o controlo de qualidade das peças.

Tipos e aplicações da fundição

Tipo de peça Exemplo
Blocos de motor automóvel
Torneiras e válvulas canalização
Peças de arte e decoração estatuária, sinos
Ferragens e componentes industriais maquinaria

Vantagens: formas complexas numa só peça, economia de material em séries grandes, boa repetibilidade quando o processo está controlado.

Limitações: exige controlo rigoroso das variáveis, pode gerar defeitos internos (porosidade, rechupes) se o arrefecimento não for bem conduzido.

Bloco 2 · Desenho técnico e fichas de trabalho

Analisar os requisitos técnicos e funcionais da peça

A primeira realização da UC é analisar os requisitos técnicos e funcionais da peça a obter, a partir do desenho técnico (plantas).

  • Dimensões, tolerâncias e acabamento superficial exigido.
  • Função da peça: onde vai trabalhar, que esforços recebe.
  • Material especificado: metal ou liga metálica a usar.
  • Quantidade a produzir: uma peça, série pequena ou série grande.

Sem interpretar bem a planta, todas as decisões seguintes (processo, molde, variáveis) partem de uma base errada.

A ficha de trabalho

A ficha de trabalho acompanha a peça ao longo do processo: regista dados técnicos, materiais, parâmetros do processo e resultados do controlo de qualidade.

  • Interpretar as fichas de trabalho é uma aptidão avaliada nesta UC.
  • As fichas de acompanhamento das fases do processo de produção registam cada etapa: moldação, fusão, vazamento, arrefecimento, desmoldação, acabamento.
  • Selecionar as matérias-primas de acordo com a ficha de trabalho é um dos critérios de desempenho.

A ficha de trabalho é o elo entre o desenho técnico e a execução prática na oficina de fundição.

Bloco 3 · Areias de fundição

Matérias-primas: tipos de areias de fundição

A fundição em areia é o processo mais usado. A areia forma o molde que dá a forma à peça. As matérias-primas usadas em fundição devem ser selecionadas de acordo com a ficha de trabalho.

  • Areia de sílica: a base mais comum, grãos de quartzo.
  • Argila (bentonite): liga os grãos de areia entre si, dá coesão ao molde.
  • Água: ativa a bentonite (areia verde).
  • Aditivos: carvão mineral, resinas, endurecedores, conforme o processo.

A mistura certa dá resistência, permeabilidade aos gases e boa reprodução dos detalhes da peça.

Areia verde, areia autossecativa e areia de macharia

Tipo de areia Ligante Uso típico
Areia verde argila + água moldação corrente, reutilizável
Areia autossecativa (à base de resina) resina + catalisador, endurece ao ar moldes e machos de precisão
Areia de caixa fria / caixa quente resina curada por gás ou calor machos resistentes e rígidos

A areia usada nos machos (caixa fria e caixa quente) é normalmente mais rígida do que a do molde, porque o macho fica rodeado de metal líquido por todos os lados.

Bloco 4 · Metais e ligas metálicas

Densidade e temperatura de fusão

Cada metal e liga metálica tem propriedades próprias que condicionam todo o processo de fundição, sobretudo a densidade e a temperatura de fusão.

Metal/liga Temperatura de fusão aproximada
Alumínio e ligas 580 a 660 °C
Bronze (cobre + estanho) 900 a 1 000 °C
Ferro fundido 1 150 a 1 250 °C
Aço acima de 1 400 °C
  • Metais de fusão mais baixa (alumínio, bronze) permitem moldes mais simples.
  • Metais de fusão alta (ferro, aço) exigem fornos e moldes mais resistentes ao calor.

Escolher a liga certa para a peça

A escolha da liga metálica depende dos requisitos funcionais da peça, analisados no desenho técnico:

  • Resistência mecânica exigida em serviço.
  • Resistência à corrosão (ambiente onde a peça vai trabalhar).
  • Peso: ligas de alumínio são muito mais leves do que o ferro fundido.
  • Custo e disponibilidade do material.

Definir a liga é já uma variável crítica do processo, porque condiciona a temperatura de fusão, o tipo de molde e a técnica de vazamento a usar.

Bloco 5 · Moldes para fundição

Tipos de moldes para fundição

O molde dá a forma à peça. O referencial distingue quatro tipos principais:

  • Molde permanente: metálico, reutilizável centenas de vezes (usado em coquilha e injeção).
  • Placas-molde: suportam o modelo, usadas na moldação mecânica para produzir muitos moldes de areia iguais.
  • Molde solto: em areia, feito à volta de um modelo que depois se retira, molde reutilizado ciclo a ciclo com areia nova.
  • Molde perdido: destruído para retirar a peça (moldação em areia tradicional e cera perdida), um molde por peça.

Constituintes do molde

  • Cavidade: espaço com a forma da peça.
  • Sistema de gitagem: canais por onde o metal entra (bacia de vazamento, canal de descida, canais de distribuição).
  • Massalotes: reservas de metal líquido que alimentam a peça durante a solidificação, compensando a contração.
  • Respiros (canais de gases): deixam sair o ar e os gases gerados durante o vazamento.
  • Macho: peça de areia que forma os vazios internos.

Descrever os diferentes constituintes dos moldes é um critério de desempenho explícito desta UC.

Bloco 6 · Processo de moldação

Moldação manual

Na moldação manual, o molde é feito à mão, compactando a areia à volta do modelo dentro de uma caixa (caixa de moldação, em duas metades: chapola inferior e superior).

  1. Colocar o modelo na chapola inferior sobre uma base plana.
  2. Encher com areia e compactar (socar) à volta do modelo.
  3. Rasar o excesso de areia, virar a chapola.
  4. Repetir na chapola superior, com o sistema de gitagem.
  5. Retirar o modelo com cuidado, sem danificar a cavidade.
  6. Fechar e cintar as duas chapolas antes do vazamento.

Moldação mecânica

Na moldação mecânica, máquinas compactam a areia (por vibração, prensagem ou projeção), com placas-molde que aceleram muito a produção em série.

Moldação manual Moldação mecânica
Produção pequenas séries, protótipos grandes séries
Consistência depende da perícia do moldador muito repetível
Velocidade lenta rápida
Custo do equipamento baixo mais elevado

A moldação mecânica é a técnica típica das fundições industriais, alimentada por placas-molde padronizadas.

Bloco 7 · Caixas de machos e macharia

O que é um macho e a caixa de machos

O macho é um bloco de areia curada que se coloca dentro do molde para formar os vazios internos da peça (ex.: o furo de um tubo fundido). É produzido numa caixa de machos, o molde próprio do macho.

  • Deve ser resistente, porque fica rodeado de metal líquido em todas as faces.
  • Precisa de respiros próprios para deixar sair os gases gerados no interior.
  • É apoiado por assentos (marcas) que o posicionam corretamente dentro do molde.

Identificar os tipos de caixas de machos e os processos de obtenção de machos é matéria explícita do referencial.

Caixa fria e caixa quente

Dois processos de macharia curam a areia do macho de forma diferente:

  • Caixa fria (cold box): a areia com resina cura à temperatura ambiente por reação química com um gás catalisador. Rápida, boa para geometrias complexas.
  • Caixa quente (hot box): a areia com resina cura por ação do calor da própria caixa aquecida. Boa produtividade em série.

Ambas dão machos mais resistentes e dimensionalmente mais rigorosos do que a areia verde, por isso são a escolha para machos de geometria exigente.

Bloco 8 · Fundição em areia e em coquilha

Selecionar o processo de fundição: em areia

Depois de analisar a peça, o técnico seleciona o processo de fundição mais adequado. O primeiro grande grupo é a fundição em areia:

  • Molde perdido, um por peça; areia verde ou autossecativa.
  • Muito versátil: quase qualquer liga, quase qualquer tamanho e forma.
  • Custo de molde baixo, mas mais lento por peça do que os processos com molde permanente.
  • Acabamento superficial mais rugoso, geralmente exige maquinagem posterior.

É o processo de referência para peças grandes, séries pequenas a médias e protótipos.

Fundição em coquilha

A coquilha é um molde metálico permanente, normalmente em aço ou ferro fundido, reutilizado centenas ou milhares de vezes.

  • O metal líquido é vertido por gravidade (ou baixa pressão) para dentro da coquilha.
  • Arrefecimento mais rápido do que na areia, grão mais fino, melhor acabamento superficial.
  • Séries médias a grandes; ligas de fusão mais baixa (alumínio, ligas de zinco).
  • Investimento inicial no molde é mais elevado do que na fundição em areia.
Areia Coquilha
Molde perdido, um por peça permanente, reutilizável
Acabamento mais rugoso mais fino
Série pequena a média média a grande

Bloco 9 · Fundição injetada e cera perdida

Fundição injetada

Na fundição injetada (die casting), o metal líquido é injetado sob pressão elevada para dentro de um molde metálico permanente.

  • Enchimento muito rápido, ciclos de produção curtos.
  • Ligas de baixa temperatura de fusão: alumínio, zinco, magnésio.
  • Excelente acabamento e precisão dimensional, paredes finas possíveis.
  • Investimento em equipamento e molde muito elevado, só compensa em grandes séries.

Típica de componentes de automóvel, eletrodomésticos e carcaças.

Fundição por cera perdida (microfusão)

A cera perdida (investment casting) usa um modelo de cera que é destruído para dar lugar ao molde:

  1. Faz-se um modelo da peça em cera.
  2. Revestem-se sucessivas camadas de material refratário à volta da cera (a casca cerâmica).
  3. Aquece-se: a cera derrete e escoa (é "perdida"), deixando a cavidade oca.
  4. Verte-se o metal líquido na casca ainda quente.
  5. Parte-se a casca cerâmica para retirar a peça.

Permite detalhe muito fino e excelente acabamento, mas é lenta e cara: usa-se em peças de precisão, joalharia, próteses, pás de turbina.

Bloco 10 · Fusão do metal

Preparar e fundir o metal ou liga metálica

Depois de definido o molde e a liga, prepara-se e funde-se o metal. Esta é uma das variáveis críticas definidas pelo técnico:

  • Pesagem da carga metálica (metal novo + retornos de fundição, como gitos e massalotes anteriores).
  • Fusão no forno: fornos de indução, de cadinho ou de fusão a gás, conforme a liga e a escala.
  • Controlo da temperatura: cada liga tem uma janela de temperatura de vazamento ótima, acima da temperatura de fusão.
  • Desgasificação e escorificação: remover gases dissolvidos e impurezas (escória) à superfície do banho.

Segurança na fusão

A fusão de metais é uma das fases mais perigosas do processo, pela temperatura e pelo risco de projeções:

  • Equipamento de proteção individual (EPI) obrigatório: viseira facial, luvas e avental resistentes ao calor, botas de biqueira de aço.
  • Nunca aproximar material húmido do metal líquido: a humidade evapora bruscamente e provoca projeções violentas.
  • Zona de fusão sinalizada e com ventilação adequada aos fumos metálicos.
  • Cumprir sempre as normas de segurança e saúde no trabalho nesta fase.

Bloco 11 · Vazamento e arrefecimento

Técnica de vazamento do metal no molde

Efetuar o vazamento do metal no molde é uma aptidão central da UC:

  • Verter o metal líquido de forma contínua e controlada pela bacia de vazamento, evitando turbulência.
  • Manter a altura de queda mínima possível, para não incorporar ar no banho.
  • Respeitar a temperatura de vazamento definida para a liga.
  • Vazar até o metal aparecer nos respiros e massalotes, sinal de que o molde encheu por completo.

O vazamento é irreversível: qualquer erro aqui só se corrige com a peça já defeituosa.

Controlo do arrefecimento

Depois de cheio, o molde arrefece e o metal solidifica. O controlo do arrefecimento é uma variável crítica do processo:

  • Um arrefecimento demasiado rápido pode gerar tensões internas e fissuras.
  • Um arrefecimento demasiado lento aumenta o tempo de ciclo e pode alterar a microestrutura da liga.
  • Os massalotes devem solidificar por último, para continuarem a alimentar a peça com metal líquido enquanto ela contrai.
  • Monitorizar a solidificação faz parte das aptidões avaliadas.

A sequência de solidificação correta é: primeiro as partes finas da peça, por último os massalotes.

Bloco 12 · Desmoldação, limpeza e acabamento

Desmoldação: processo, procedimentos e cuidados

A desmoldação é a operação de retirar a peça já sólida do molde:

  • Em molde perdido (areia), a chapola parte-se ou vibra-se para libertar a peça, a areia é depois recuperada e reciclada.
  • Em molde permanente (coquilha, injeção), a peça é extraída e o molde reaproveitado de imediato.
  • Cuidado com temperaturas residuais ainda elevadas: usar EPI térmico.
  • Manuseamento cuidadoso para não danificar arestas ou geometrias finas ainda frágeis.

Limpeza e acabamento da peça fundida

Depois de desmoldada, a peça ainda não está pronta: precisa de limpeza e acabamento.

  • Remoção dos gitos e massalotes: cortados por serra, rebarbadora ou corte a quente.
  • Granalhagem/jateamento: remove areia agarrada e óxidos da superfície.
  • Rebarbagem: elimina rebarbas nas linhas de junção do molde.
  • Tratamento térmico (quando exigido pela liga): alívio de tensões, recozimento.
  • Inspeção visual e dimensional final antes do controlo de qualidade.

Aplicar os procedimentos de limpeza e acabamento é uma aptidão explícita, e a sequência importa: primeiro corta-se o excesso, só depois se limpa a superfície.

Bloco 13 · Controlo de qualidade

Efetuar o controlo de qualidade das peças

Efetuar o controlo de qualidade das peças é a última realização da UC, e fecha o ciclo iniciado na análise dos requisitos:

  • Inspeção visual: superfície, rebarbas, porosidade visível.
  • Inspeção dimensional: cotas e tolerâncias comparadas com o desenho técnico.
  • Deteção de defeitos internos: porosidade, rechupes, inclusões, sopros (com raio-x ou ultrassons quando exigido).
  • Registo dos resultados na ficha de trabalho, para rastreabilidade.

Uma peça só está "conforme" quando cumpre, ao mesmo tempo, o desenho técnico, a liga especificada e a ausência de defeitos inaceitáveis.

Defeitos comuns de fundição

Defeito Causa provável
Porosidade gases presos, desgasificação insuficiente
Rechupe massalote mal dimensionado, arrefecimento mal controlado
Inclusões de areia vazamento turbulento, molde mal compactado
Falta de enchimento temperatura de vazamento baixa, vazamento lento
Rebarba excessiva chapolas mal cintadas, molde mal fechado

Reconhecer o defeito e ligá-lo à causa é o que distingue um técnico competente: o controlo de qualidade não serve só para rejeitar, serve para corrigir o processo.

Bloco 14 · Resíduos, EPI e segurança

Normas de gestão de resíduos e proteção ambiental

A fundição gera resíduos que têm de ser geridos corretamente:

  • Areia usada: reciclada quando possível, ou encaminhada como resíduo conforme as normas.
  • Escória e restos metálicos: separados e reintroduzidos no ciclo de fusão sempre que possível.
  • Emissões e fumos: captados e tratados, cumprindo as normas de proteção ambiental.
  • Água de arrefecimento: tratada antes de qualquer descarga.

Aplicar as normas de gestão de resíduos e de proteção ambiental é um critério de desempenho avaliado na prática, não apenas teoria.

Equipamentos de proteção individual e segurança

O trabalho em fundição junta calor, metal líquido, poeiras e máquinas: exige disciplina total de segurança.

  • EPI obrigatório: viseira, luvas térmicas, avental, botas de biqueira de aço, proteção respiratória contra poeiras de areia.
  • Normas de segurança e saúde no trabalho: sinalização de zonas de risco, distâncias de segurança ao vazamento.
  • Planos e normas de segurança: procedimentos de emergência, extintores adequados a metal (nunca água em fogo de metal).
  • Utilizar os equipamentos de proteção individual é uma aptidão avaliada em todas as fases práticas.

Bloco 15 · Normas e fecho

Normas da qualidade

Além da segurança e do ambiente, a fundição segue normas da qualidade que garantem consistência entre lotes e fundições diferentes:

  • Especificações de composição química da liga, verificadas por análise.
  • Especificações de tolerâncias dimensionais e acabamento superficial.
  • Procedimentos de inspeção e ensaio normalizados (visual, dimensional, não destrutivo).
  • Registos de rastreabilidade, ligando cada peça ao lote de metal e ao operador.

Cumprir as normas da qualidade, a par das de segurança, resíduos e proteção ambiental, é o último critério de desempenho da UC, e atravessa todas as fases anteriores.

Recapitulando

  • Fundição: analisar a peça, selecionar o processo, definir as variáveis críticas, executar as técnicas e controlar a qualidade.
  • Matérias-primas: areias (verde, autossecativa, caixa fria e caixa quente) e metais/ligas (densidade e temperatura de fusão).
  • Moldes: permanente, placas-molde, molde solto, molde perdido; processos: areia, coquilha, injetada, cera perdida.
  • Ciclo de produção: moldação → fusão → vazamento → arrefecimento → desmoldação → limpeza e acabamento → controlo de qualidade.
  • Transversal a tudo: segurança e saúde no trabalho, EPI, gestão de resíduos, proteção ambiental e normas da qualidade.

Próximo: fichas e mini-projecto, avaliar e executar um processo de fundição do princípio ao fim.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que estas cinco ações (analisar, selecionar, definir, executar, controlar) resumem toda a UC e voltam em cada bloco - erro comum: confundir fundição com forjamento ou soldadura; a fundição parte sempre de metal líquido vertido num molde - exemplo/analogia: fazer gelo em cubos numa forma de silicone é fundição em pequena escala, o líquido toma a forma do molde e solidifica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a escolha do processo de fundição depende sempre da peça a obter: geometria, quantidade, liga e acabamento - erro comum: achar que a fundição serve só para peças grandes; há fundição de precisão (cera perdida) para peças muito pequenas e detalhadas - exemplo/analogia: uma peça de motor obtida em fundição pode substituir dezenas de peças soldadas, mais leve e mais barata

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que interpretar o desenho técnico da peça é uma aptidão explícita do referencial e vem sempre antes de tudo - erro comum: saltar direto para "escolher um processo" sem ler as tolerâncias e o acabamento pedido no desenho - exemplo/analogia: ler a planta é como ler a receita antes de cozinhar, define ingredientes, quantidades e o resultado esperado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que preencher a ficha corretamente é rastreabilidade: se a peça falhar, a ficha diz em que fase - erro comum: preencher a ficha só no fim, "de memória"; deve ser preenchida em cada fase, no momento - exemplo/analogia: a ficha de trabalho é como o diário de bordo de um navio, regista cada decisão tomada durante a viagem

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que caracterizar as matérias-primas utilizadas em fundição é uma aptidão explícita do referencial - erro comum: pensar que "é só areia qualquer"; a proporção de argila, água e aditivos muda completamente o resultado - exemplo/analogia: a areia de fundição é como a massa de um bolo, a proporção dos ingredientes decide se cresce bem ou desmorona

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença entre areia do molde (verde) e areia do macho (curada), retoma-se no bloco das caixas de machos - erro comum: usar a mesma areia para molde e macho sem pensar na resistência mecânica exigida a cada um - exemplo/analogia: a areia verde é reutilizada ciclo após ciclo, como o molde de plasticina que se desfaz e refaz

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a temperatura de fusão define o tipo de forno e o material do molde a usar - erro comum: achar que "quanto mais quente, melhor"; sobreaquecer o metal aumenta a oxidação e o consumo de energia - exemplo/analogia: fundir alumínio em casa é mais viável do que fundir aço, por isso muitas oficinas escolares começam pelo alumínio

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação direta entre requisitos da peça (bloco 2) e escolha da liga (bloco 4), é o fio condutor da UC - erro comum: escolher a liga só pelo custo, ignorando o ambiente de serviço da peça (ex.: corrosão marítima) - exemplo/analogia: escolher a liga é como escolher o tecido de uma roupa, depende do uso, do clima e do orçamento

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que identificar os tipos de moldes para fundição é uma aptidão explícita, é matéria de exame por excelência - erro comum: confundir "molde perdido" com "modelo perdido"; o molde perdido é destruído após a desmoldação, mesmo que o modelo seja reutilizável - exemplo/analogia: o molde permanente é como uma forma de bolo metálica reutilizável, o molde perdido é como uma forma de gesso que se parte para tirar o bolo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que massalotes e respiros mal dimensionados são a causa mais comum de porosidade e rechupes - erro comum: esquecer os respiros; sem saída para o ar e os gases, a peça sai com bolhas e defeitos superficiais - exemplo/analogia: o massalote funciona como o depósito de expansão de um radiador, compensa a variação de volume durante o arrefecimento

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a compactação uniforme é crítica, areia mal compactada desmorona ou dá peças com rebarba - erro comum: retirar o modelo à pressa e partir a cavidade, sobretudo em cantos vivos - exemplo/analogia: a moldação manual é artesanal, como esculpir em barro molde a molde, exige perícia manual

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a escolha manual/mecânica depende diretamente da quantidade de peças a produzir (analisada no bloco 2) - erro comum: achar que a mecânica é "sempre melhor"; para uma peça única, a manual é mais rápida e mais barata - exemplo/analogia: a moldação mecânica está para a manual como uma impressora industrial está para desenhar à mão, ganha na repetição

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que um macho mal posicionado desloca-se com o metal líquido e arruína a peça (parede fina de um lado, grossa do outro) - erro comum: esquecer os respiros do macho; os gases presos explodem a bolhas dentro da peça - exemplo/analogia: o macho é como a forma interna de uma rosquinha, define o buraco que fica no meio da peça

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença do agente de cura: gás catalisador (fria) versus calor (quente), é pergunta clássica de teste - erro comum: trocar os nomes; "fria" não significa "sem processo químico", significa cura sem aquecer a caixa - exemplo/analogia: caixa quente e caixa fria são como duas receitas de cimento de presa rápida, mudam o agente que acelera a cura

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que "selecionar o processo de fundição" é uma realização da UC avaliada diretamente na prática - erro comum: escolher fundição em areia para uma peça pequena de série grande, quando a coquilha ou a injeção seriam mais eficientes - exemplo/analogia: a fundição em areia é o processo "faz-tudo", como uma navalha suíça, versátil mas nem sempre o mais rápido

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a coquilha exige revestimento (tinta refratária) na cavidade para não colar e prolongar a vida do molde - erro comum: comparar coquilha só pelo acabamento, esquecendo o custo do molde e o volume de produção necessário para amortizar - exemplo/analogia: a coquilha é como uma forma de gelo reutilizável, o molde de areia é como uma forma de plástico descartável

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a pressão é a diferença chave face à coquilha, que enche por gravidade - erro comum: achar que injetada e coquilha são o mesmo processo; só partilham o molde metálico permanente - exemplo/analogia: a fundição injetada está para a coquilha como uma seringa está para um funil, a pressão muda tudo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que "cera perdida" e "molde perdido" andam juntos aqui, tanto o modelo de cera como o molde cerâmico são de uso único - erro comum: confundir cera perdida com moldação em areia; a cera perdida não usa areia como material de molde - exemplo/analogia: a cera perdida é como fazer um selo de lacre, o modelo original desaparece para deixar a marca perfeita

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a temperatura de vazamento não é igual à temperatura de fusão, é sempre um pouco acima para compensar a perda de calor até ao molde - erro comum: verter o metal demasiado frio, o que causa má reprodução de detalhes e defeitos de enchimento - exemplo/analogia: fundir metal é como aquecer chocolate para moldar, temperatura a menos não flui, a mais queima e degrada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que este é o slide mais importante em termos de segurança física da turma, insistir na regra da humidade - erro comum: colocar ferramentas ou peças molhadas perto do cadinho, causa dos acidentes mais graves em fundição - exemplo/analogia: água em metal líquido é como água em óleo a fritar, expande-se em vapor de forma explosiva

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o EPI obrigatório também nesta fase, o risco de projeção mantém-se durante todo o vazamento - erro comum: verter demasiado depressa, gera turbulência que arrasta areia e gases para dentro da peça - exemplo/analogia: vazar o metal é como servir um líquido espumoso num copo, tem de ser devagar e junto à parede para não fazer bolhas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a regra da solidificação direcional, das partes finas para os massalotes, é a base do dimensionamento de massalotes - erro comum: retirar a peça do molde antes do arrefecimento completo, "para ganhar tempo"; provoca deformações e fissuras - exemplo/analogia: o arrefecimento é como deixar um bolo repousar antes de desenformar, apressar estraga o resultado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que desmoldar cedo demais (peça ainda quente e não totalmente sólida) causa deformação permanente - erro comum: bater com força na chapola sem verificar antes se a peça já solidificou por completo - exemplo/analogia: desmoldar é como tirar um bolo do tabuleiro, cedo demais desfaz-se, tarde demais cola

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ordem lógica: cortar gitos, limpar superfície, rebarbar, só depois inspecionar - erro comum: inspecionar a peça ainda com gitos e areia agarrada, mascarando defeitos reais - exemplo/analogia: acabamento é como polir uma escultura recém-desmoldada, retira-se o excesso antes de avaliar o resultado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o controlo de qualidade fecha o ciclo do bloco 2, comparar sempre com o desenho técnico original - erro comum: validar só visualmente, sem verificar cotas nem procurar defeitos internos em peças críticas - exemplo/analogia: o controlo de qualidade é como a prova final antes de entregar uma encomenda, confirma-se tudo antes de expedir

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que cada defeito remete para um bloco anterior, é um bom momento para rever a matéria de forma integrada - erro comum: tratar o controlo de qualidade como uma fase isolada, em vez de o ligar às causas nas fases anteriores - exemplo/analogia: o defeito na peça é como um sintoma numa consulta médica, aponta sempre para uma causa nas fases anteriores

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a reciclagem da areia verde é economicamente importante para uma fundição, não é só uma obrigação ambiental - erro comum: tratar resíduos de fundição como lixo comum; areias com resina e escórias têm normas próprias - exemplo/analogia: a gestão de resíduos em fundição é como a separação do lixo em casa, cada fluxo tem o seu destino certo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que nunca se usa água em fogo envolvendo metal fundido, agrava o incidente; usar extintor apropriado - erro comum: retirar o EPI "só por um bocadinho" perto do forno ou do molde; um acidente demora segundos - exemplo/analogia: o EPI em fundição é como o cinto de segurança no carro, o risco existe mesmo quando "nada costuma acontecer"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que este slide fecha o ciclo das cinco normas do critério de desempenho: segurança, EPI, resíduos, ambiente, qualidade - erro comum: ver a norma da qualidade como "papelada"; na prática, é o que permite localizar a causa de um problema num lote - exemplo/analogia: normas da qualidade são como as regras de um jogo, todos os jogadores (fundições, fornecedores, clientes) têm de as seguir para o resultado ser comparável