UC04891

Elaborar orçamentos nas artes do metal

Do cliente ao preço final: materiais, ferramentas, mão de obra e margem de lucro

Curso de artesanato · 25h · Artesão/ã das Artes do Metal

Plano

  1. Orçamentar nas artes do metal
  2. O cliente: necessidades e preferências
  3. Metais: tipos, propriedades e custos
  4. Métodos e técnicas de produção
  5. Custo dos materiais
  6. Ferramentas e equipamentos
  7. Mão de obra e tempo de produção
  8. Margens de lucro e precificação
  9. Elaborar o orçamento detalhado
  10. Ferramentas informáticas e apresentação
  11. Normas, comunicação e fecho

Bloco 1 · Orçamentar nas artes do metal

Porque orçamentar bem é decisivo

Uma peça perfeita não salva um artesão que cobra mal por ela. Um orçamento bem feito garante que o preço cobre custos reais e ainda deixa lucro.

  • Cobrar de menos é trabalhar de graça, encomenda após encomenda.
  • Cobrar de mais sem justificação afasta o cliente.
  • Orçamentar é uma competência tão profissional como soldar ou forjar.

Ao longo destes slides seguimos um caso real: a Galeria Arte Viva encomenda uma escultura em aço inoxidável.

Os três critérios de desempenho

O referencial da profissão pede três coisas a um orçamento:

  1. Apresentar orçamentos detalhados, transparentes e alinhados com o cliente.
  2. Calcular com precisão os custos de materiais, ferramentas e equipamentos, considerando a margem de lucro.
  3. Assegurar que o orçamento é claro, compreensível e cumpre as normas internas da oficina.

Contextos de trabalho: oficinas, galerias, estúdios de design, espaços públicos e feiras de artesanato.

Bloco 2 · O cliente: necessidades e preferências

Analisar necessidades e preferências

Antes de qualquer número, é preciso entender o que o cliente quer. Um levantamento completo cobre:

  • Função e contexto: decorativa ou utilitária, interior ou exterior.
  • Dimensões aproximadas e limitações de espaço.
  • Estilo e referências visuais.
  • Metal e acabamento preferidos, se já houver opinião.
  • Prazo e orçamento de referência do cliente.

Exemplo · o briefing da Galeria Arte Viva

Pergunta Resposta do cliente
Função Escultura decorativa, para exposição
Dimensões Aproximadamente 60 × 40 cm
Estilo Contemporâneo, formas orgânicas
Metal Sem preferência, pede resistência e brilho
Prazo 3 semanas antes da inauguração
Orçamento de referência Até 500 euros, com IVA incluído

Este briefing alimenta a escolha do metal no bloco seguinte.

Bloco 3 · Metais: tipos, propriedades e custos

Tipos de metais e aplicações

Metal Propriedades Custo indicativo Aplicações
Aço macio (S235JR) Resistente, oxida 1,5 a 3 €/kg Portões, peças forjadas
Aço inox (AISI 304) Anticorrosivo, brilho 7 a 10 €/kg Esculturas, exterior
Latão Dourado, maleável 10 a 15 €/kg Ornamentos, joalharia
Cobre Pátina, cor quente 13 a 18 €/kg Esculturas, telhados artísticos
Alumínio Leve (1/3 do aço) 4 a 7 €/kg Peças leves, exterior
Bronze Pátina nobre 18 a 25 €/kg Estatuária, peças de arte

Compra-se ao quilo: massa = área × espessura × massa volúmica (aço ≈ 7 850 kg/m³, alumínio ≈ 2 700 kg/m³).

Exemplo resolvido · escolher o metal certo

A galerista pede brilho e resistência, sem fixar o metal.

  • Aço macio ("ferro"): oxida, precisaria de pintura para não perder o brilho.
  • Aço inoxidável AISI 304: resiste à corrosão e mantém o brilho sem tratamento.

Decisão: aço inoxidável. Se o custo mais alto cabe nos 500 € de referência, confirma-se nos próximos blocos.

Bloco 4 · Métodos e técnicas de produção

Técnicas e tempos típicos

Técnica Tempo típico Recursos
Corte (disco, plasma) 0,5 a 3 h Rebarbadora ou plasma
Forjamento a quente 2 a 8 h Forja, bigorna, EPI térmico
Soldadura (TIG, MIG) 3 a 10 h Máquina de soldar, gás
Moldação e fundição 4 a 12 h Forno, moldes, cadinho
Acabamento 1 a 6 h Polidora, lixas, produtos

Estimar o tempo de produção é uma aptidão que sustenta todo o cálculo da mão de obra.

Exemplo resolvido · o tempo da escultura

Fase Tempo
Corte das chapas 2 h
Soldadura TIG 6 h
Polimento e acabamento 4 h
Montagem na base 3 h
Ajustes finais 3 h
Total 18 h

Este total alimenta o custo de mão de obra do bloco 7.

Bloco 5 · Custo dos materiais

Calcular o custo do material

custo do material = quantidade × preço por unidade
custo com desperdício = custo do material × (1 + % desperdício)

O desperdício (recortes, rebarbas, erros) é real e tem de entrar na conta. Ignorá-lo é um erro comum e caro.

Exemplo resolvido · materiais da escultura

Material Quantidade Preço Subtotal
Chapa de aço inox 4 kg 8,50 €/kg 34,00 €
Varetas de adição e árgon Lote 6,00 € 6,00 €
Consumíveis de acabamento Lote 5,00 € 5,00 €
Subtotal 45,00 €
Desperdício (10%) 4,50 €
Total materiais 49,50 €

Bloco 6 · Ferramentas e equipamentos

Depreciação: o custo de usar a máquina

As ferramentas não se consomem, mas desgastam-se. O custo de as usar chama-se depreciação:

depreciação por hora = custo de aquisição / (vida útil em anos × uso anual em horas)
Equipamento Custo Vida útil Uso anual Depreciação/h
Rebarbadora 120 € 3 anos 400 h 0,10 €/h
Máquina de soldar TIG 2 800 € 6 anos 350 h 1,33 €/h
Forja portátil 650 € 8 anos 200 h 0,41 €/h

Exemplo resolvido · equipamento na escultura

Equipamento Horas de uso Custo/hora Subtotal
Máquina de soldar TIG 6 h 1,333... €/h 8,00 €
Rebarbadora 6 h 0,10 €/h 0,60 €
Total equipamento 8,60 €

Este valor soma-se aos materiais e à mão de obra no orçamento final.

Manutenção, valor residual e casos especiais

depreciação/h = (custo - valor residual) / (vida útil × uso anual)
custo horário do equipamento = depreciação/h + manutenção anual / uso anual
  • Forja a gás: 650 / (8 × 200) = 0,41 €/h + 80 € de manutenção / 200 h = 0,40 €/h → 0,81 €/h.
  • TIG revendida por 700 €: (2 800 - 700) / (6 × 350) = 1,00 €/h.
  • Ferramenta comprada só para uma encomenda: entra por inteiro.
  • Operação subcontratada (laser, galvanização): entra pelo valor da fatura.

Bloco 7 · Mão de obra e tempo de produção

O custo horário do artesão

custo de mão de obra = horas de produção × custo horário do artesão

O custo horário não é só o salário à hora. Inclui:

  • Encargos sociais.
  • Tempo administrativo (orçamentos, compras, contabilidade).
  • Custos fixos da oficina (renda, eletricidade, seguros), distribuídos pelas horas faturáveis do ano.

Custear a hora-homem: de onde vêm os 15 €/h

Custos anuais a cobrir Valor
Remuneração pretendida 12 000 €
Segurança Social e seguro de acidentes de trabalho 2 750 €
Custos fixos (renda, energia, seguros, contabilidade, site) 5 500 €
Total 20 250 €

225 dias × 8 h = 1 800 h de presença; 25% não faturável → 1 350 h faturáveis.
20 250 / 1 350 = 15,00 €/h (e não 12 000 / 1 800 = 6,67 €/h).

Exemplo resolvido · mão de obra da escultura

O artesão calculou um custo horário de 15,00 €/h, com base nos custos fixos anuais e nas horas faturáveis.

custo de mão de obra = 18 h × 15,00 €/h = 270,00 €

É, de longe, o maior bloco de custo da peça, o que é normal em artesanato: o valor está sobretudo no trabalho, não só no material.

Bloco 8 · Margens de lucro e precificação

Da soma dos custos ao preço de venda

custo total = materiais + equipamento + mão de obra
Markup (sobre o custo) Margem (sobre o preço)
Preço custo × (1 + markup) custo / (1 - margem)
Percentagem lucro / custo lucro / preço de venda
  • Markup 30% = margem 23,1%. Margem 30% = markup 42,9%.
  • Nos exemplos desta UC: markups entre 25% e 40%; feiras mais baixo, galerias mais alto.
  • Escreve sempre qual das duas usas: "30%" sozinho não diz nada.

Exemplo resolvido · o markup da escultura

Bloco de custo Valor
Materiais 49,50 €
Equipamento 8,60 €
Mão de obra 270,00 €
Custo total 328,10 €

Com markup de 30% sobre o custo (peça de galeria):

preço de venda = 328,10 € × 1,30 = 426,53 €   (lucro 98,43 € = 23,1% do preço)

Com margem de 30% sobre o preço seria 328,10 / 0,70 = 468,71 €.

Bloco 9 · Elaborar o orçamento detalhado

O que entra num orçamento profissional

  • Identificação do artesão/oficina e do cliente.
  • Número, data e prazo de validade.
  • Descrição da peça, dimensões e metal.
  • Materiais, equipamento e mão de obra, itemizados.
  • Lucro aplicado e subtotal sem IVA.
  • IVA (23% no continente, 22% na Madeira, 16% nos Açores) e total final.
  • Prazo de entrega, condições de pagamento e o que não está incluído.

Exemplo resolvido · o orçamento final

Item Valor
Materiais 49,50 €
Equipamento 8,60 €
Mão de obra (18 h) 270,00 €
Subtotal de custos 328,10 €
Lucro (markup de 30%) 98,43 €
Subtotal sem IVA 426,53 €
IVA (23%) 98,10 €
Total a pagar 524,63 €

A proposta: validade e condições de pagamento

  • Validade: "Orçamento válido por 30 dias a contar da data de emissão."
  • Adjudicação por escrito (assinatura ou email), citando o número do orçamento.
  • Adiantamento na adjudicação, para o material: 50% = 262,32 €; pelo adiantamento emite-se fatura.
  • Prazo de entrega a contar da adjudicação e do adiantamento, não da data do orçamento.
  • Restante na entrega: 262,31 €.
  • Alterações depois da adjudicação: orçamentadas à parte, aceites por escrito.
  • Exclusões: "Não inclui transporte nem montagem na galeria."

Bloco 10 · Ferramentas informáticas e apresentação

Software de gestão e elaboração de orçamentos

Fazer estes cálculos manualmente, encomenda após encomenda, é lento e sujeito a erros.

  • Folhas de cálculo, com fórmulas programadas para materiais, equipamento, mão de obra, lucro e IVA.
  • Software dedicado de orçamentação e faturação, que gera o documento e guarda o histórico.
  • Aplicações de gestão que transformam o orçamento aceite em fatura. A fatura é obrigatória em todas as vendas, emitida em programa certificado pela AT ou no Portal das Finanças.

Apresentar e comunicar com o cliente

  • Explicar cada bloco de custo em linguagem simples, sem esconder valores.
  • Escolher a ferramenta de comunicação certa: email, reunião, videochamada.
  • Ouvir com escuta ativa e responder com assertividade e empatia.
  • Ajustar o âmbito da peça, nunca só a margem, quando o preço não cabe no orçamento do cliente.

Bloco 11 · Normas, comunicação e fecho

Procedimentos internos de orçamentação

  • Modelo padronizado, sempre com os mesmos campos.
  • Numeração sequencial dos orçamentos.
  • Prazo de validade fixo, escrito em todos.
  • Condições de pagamento claras e consistentes.
  • Revisão antes de enviar: quantidades, preços atuais, cálculos.
  • Arquivo de todos os orçamentos, aceites ou não.

Recapitulando o fluxo completo

  1. Ouvir o cliente: necessidades e preferências.
  2. Escolher o metal e o método de produção.
  3. Calcular materiais, equipamento e mão de obra.
  4. Aplicar o lucro: markup sobre o custo ou margem sobre o preço, dizendo qual.
  5. Montar o orçamento, com IVA e condições claras.
  6. Apresentar e ajustar, sem sacrificar a margem.
  7. Arquivar, seguindo os procedimentos internos.

Síntese

  • Orçamentar é uma competência profissional: ouvir o cliente, calcular custos reais, aplicar margem justa.
  • Três blocos de custo: materiais (com desperdício), equipamento (com depreciação) e mão de obra (custo horário completo).
  • O lucro (markup sobre o custo ou margem sobre o preço, nunca confundidos) e o IVA transformam o custo total num preço de venda correto.
  • Um orçamento detalhado, transparente e claro cumpre as normas internas e constrói confiança com o cliente.

Próximo: fichas e mini-projeto, elaborar orçamentos de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: orçamentar é competência profissional, não "adivinhar um número". - Erro comum: alunos acham que basta somar o preço do metal. Falta ferramentas, mão de obra e margem. - Exemplo/analogia: comparar com um restaurante, o preço do prato inclui muito mais do que os ingredientes.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar cada critério a um capítulo posterior: 1 → apresentação, 2 → cálculo de custos, 3 → normas internas. - Perguntar à turma: em que contexto (galeria vs feira) o preço aceita mais negociação? - Exemplo: um orçamento para um espaço público pode ter procedimentos administrativos próprios (concurso, faturação ao município).

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: avançar sem confirmar dimensões ou prazo, e ter de refazer o orçamento a meio. - Exercício rápido: pedir à turma para listar as perguntas que fariam a um cliente antes de orçamentar. - Ligar às atitudes do referencial: escuta ativa e assertividade com empatia.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar como cada linha da tabela vira uma decisão técnica concreta (metal, tempo, acabamento). - Perguntar: o que falta perguntar neste briefing? (ex.: transporte, base de apoio, seguro de transporte). - Reforçar que um briefing escrito evita mal-entendidos com o cliente.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que os preços variam com fornecedor e mercado internacional (o cobre bateu máximos históricos na LME em 2026); confirmar sempre antes de orçamentar. - "Ferro forjado" é o nome da peça trabalhada à forja; o material que hoje se compra é aço macio (S235JR). O ferro pudelado histórico já não se produz. - Mostrar a conta da escultura: 0,34 m² × 0,0015 m × 7 900 kg/m³ ≈ 4 kg de inox. Comparar metais só pelo €/kg engana: o alumínio pesa um terço. - Erro comum: escolher o metal só pelo preço, ignorando o pedido do cliente (brilho, exterior). - Exemplo/analogia: escolher o metal é como escolher o tecido de uma peça de roupa, define custo e comportamento.

NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o raciocínio em voz alta: primeiro o requisito do cliente, só depois o metal. - Perguntar: e se o orçamento do cliente fosse 150 €? (provavelmente teria de ser alumínio ou peça mais pequena). - Reforçar: informar o cliente da escolha e da razão antes de avançar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o tempo estimado aqui é o que entra no cálculo da mão de obra mais adiante. - Erro comum: subestimar o tempo por otimismo, sem contar imprevistos. - Exemplo: pedir à turma para estimar o tempo de um objeto simples (um gancho de parede).

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar porque se usa TIG (melhor acabamento e maior controlo do banho de fusão em chapa fina de inox). - Pergunta: se faltasse a fase de ajustes finais, que risco haveria? (peça entregue com defeitos). - Guardar este número de 18h, vai reaparecer nos próximos blocos.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar que o desperdício varia com a complexidade do corte (formas orgânicas desperdiçam mais do que retas). - Erro comum: contar só o peso da peça final, esquecendo os recortes. - Perguntar: porque o desperdício de uma escultura orgânica é maior do que o de uma placa rectangular?

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer a tabela linha a linha, mostrando de onde vem cada valor. - Erro comum: esquecer o desperdício e ficar com 45,00 € em vez de 49,50 €, uma diferença que se acumula em vários orçamentos. - Guardar este total de 49,50 €, entra no orçamento final do bloco 9.

NOTAS DO PROFESSOR - Insistir: usar uma máquina "de graça" é o próprio artesão a pagá-la do bolso. - Erro comum: contar só os consumíveis (elétrodos, discos) e ignorar a máquina em si. - Pergunta: por que motivo a TIG tem depreciação por hora tão mais alta do que a rebarbadora? (custo de aquisição muito maior).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que as horas de uso vêm diretamente da estimativa de tempo do bloco 4. - Usar o valor exato da TIG (2 800 / 2 100 = 1,333... €/h): 6 h dão 8,00 €. Com 1,33 arredondado dava 7,98 €; arredondar só no fim. - Erro comum: usar o total de horas da peça (18h) em vez das horas específicas de cada equipamento. - Reforçar o valor final de 8,60 €, vai reaparecer no bloco 9.

NOTAS DO PROFESSOR - "Amortização" é o nome corrente; em contabilidade, para máquinas, diz-se depreciação. Os alunos vão ouvir os dois. - Valor residual: na dúvida, zero, que é a opção prudente. - Avisar para não contar duas vezes: se a depreciação já estiver nos custos fixos anuais, não se soma peça a peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: usar só o salário líquido é o erro mais caro que um artesão pode cometer nesta UC. - Perguntar: que custos fixos tem uma oficina de artes do metal? (renda, eletricidade, seguro, manutenção do espaço). - Analogia: é como calcular o preço à hora de um profissional liberal, o valor cobrado não é só o "tempo em si".

NOTAS DO PROFESSOR - O passo mais esquecido é tirar as horas não faturáveis: orçamentos, compras, limpeza, feiras. - Com empregados: 14 salários por ano + 23,75% de Segurança Social da entidade empregadora + seguro de acidentes de trabalho. 1 000 € brutos × 14 × 1,2375 = 17 325 € → 12,83 € por hora faturável. - Exercício: cada aluno faz a conta com os seus próprios números (renda realista, horas realistas).

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que 270 € de mão de obra contra 49,50 € de material mostra onde está o verdadeiro valor da peça. - Erro comum: um cliente questionar "porque é tão caro se o metal é barato" sem entender o custo do tempo. - Preparar a resposta a essa objeção, útil para o bloco de apresentação ao cliente.

NOTAS DO PROFESSOR - Markup divide-se pelo CUSTO; margem divide-se pelo PREÇO DE VENDA. Com a mesma percentagem, a margem dá sempre preço mais alto. - Na oficina chama-se "margem" às duas coisas; o referencial também usa "margem de lucro" em sentido largo. O erro está em misturar as fórmulas. - Caso real: a galeria fica com 40% do preço ao público. Para receber 426,53 €, o preço tem de ser 426,53 / 0,60 = 710,88 €, não 426,53 × 1,40. - Perguntar: porque uma peça de feira aceita percentagem mais baixa do que uma de galeria?

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o cálculo com a turma no quadro, confirmando os 426,53 € e os 468,71 €: 42,18 € de diferença só por trocar a palavra. - Perguntar: e com markup de 40%? (328,10 × 1,40 = 459,34 €). Comparar os cenários. - Guardar este valor de 426,53 €, é a base do orçamento final no bloco seguinte.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar cada item à secção correspondente já estudada (materiais, equipamento, mão de obra, margem). - Erro comum: omitir o prazo de validade e aceitar meses depois um preço já desatualizado. - Perguntar: porque é importante numerar os orçamentos?

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer a tabela de cima a baixo, mostrando que cada linha já foi calculada num bloco anterior. - Sublinhar que 524,63 € ultrapassa os 500 € de referência do cliente, o que se resolve no bloco 11. - Perguntar: o IVA incide sobre o custo ou sobre o preço já com lucro? (sobre o preço já com lucro).

NOTAS DO PROFESSOR - Um orçamento aceite é um acordo: o que não estiver escrito discute-se no fim, quando já não há margem para negociar. - O orçamento é uma proposta, não um documento fiscal; o documento fiscal é a fatura. - Regime de isenção do artigo 53.º do CIVA: quem está abrangido não liquida IVA e indica-o no documento. Confirmar com o contabilista.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (ou descrever) uma folha de cálculo real com as fórmulas em cadeia: materiais → custo total → markup ou margem → IVA. - Custo horário e taxa de IVA em células próprias, com nome, nunca escritos dentro das fórmulas. - Erro comum: refazer os cálculos à mão em cada orçamento, sem guardar um modelo reutilizável. - Perguntar: que vantagem tem guardar o histórico de orçamentos enviados?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: reduzir sempre a margem para agradar ensina o cliente a negociar sempre dessa forma. - Exemplo: a Galeria Arte Viva (500 € com IVA incluído) aceita reduzir ligeiramente a base: 17 h e 3,6 kg de chapa, mesmo markup → 402,17 € sem IVA, 494,67 € com IVA. - Pergunta: como responderias a um cliente que diz "achei caro"?

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao critério de desempenho "cumprindo as normas e procedimentos internos de orçamentação". - Ligar às atitudes: sentido de organização e responsabilidade. - Exercício: pedir à turma para desenhar o seu próprio modelo de checklist de revisão.

NOTAS DO PROFESSOR - Recapitular com a turma usando o exemplo da escultura, do briefing ao orçamento final de 524,63 €. - Perguntar: qual destes sete passos é o mais frequentemente saltado por artesãos iniciantes? (o levantamento inicial e a margem correta). - Anunciar as fichas e o mini-projeto: orçamentar uma peça de raiz.