UC04885

Executar projeto de peça de mobiliário em serralharia artística

Do esboço à peça acabada: materiais, corte, soldadura, montagem e acabamentos em metal

Curso profissional · 50h · Artesão/ã das Artes do Metal

Plano

  1. A serralharia artística e o mobiliário em metal
  2. Materiais metálicos
  3. Ferramentas manuais
  4. Ferramentas elétricas
  5. Equipamentos de soldadura
  6. Segurança e equipamento de proteção individual
  7. Do esboço ao desenho técnico
  8. CAD aplicado à serralharia artística
  9. Especificações técnicas e tolerâncias
  10. Técnicas de corte
  11. Técnicas de dobragem
  12. Técnicas de soldadura
  13. Montagem, alinhamento e fixação
  14. Acabamentos e proteção contra corrosão

Bloco 1 · A serralharia artística e o mobiliário em metal

O que é a serralharia artística

A serralharia artística trabalha o metal como material de expressão: mesas, cadeiras, candeeiros, espelhos, bancos de jardim, estantes. Ao contrário da serralharia industrial, cada peça é muitas vezes única ou de pequena série.

  • O objetivo final é uma peça de mobiliário funcional e com valor estético.
  • O percurso completo: preparar materiais e ferramentas, desenvolver o projeto, executar as operações de serralharia, montar a peça e aplicar os acabamentos.
  • É um trabalho de artesão: precisão técnica e sentido criativo em partes iguais.

Onde se trabalha e para quem

O trabalho de mobiliário em serralharia artística acontece em contextos muito variados.

  • Oficinas e ateliês de serralheiro ou artesão.
  • Galerias de arte e exposições, para peças de autor.
  • Estúdios de design e arquitetura, em projetos de interiores.
  • Espaços públicos e parques, mobiliário urbano decorativo.
  • Feiras e mercados de artesanato, venda direta ao público.

Cada contexto exige o mesmo rigor técnico, mudam apenas a escala e o cliente.

Bloco 2 · Materiais metálicos

Metais e ligas para mobiliário decorativo

Cada metal tem propriedades que orientam a escolha para uma peça concreta.

Material Características Uso típico
Aço resistente, fácil de soldar estruturas, pés de mesa
Alumínio leve, não enferruja mobiliário exterior
Cobre maleável, tom quente detalhes decorativos
Ligas de fundição moldáveis em peças complexas remates ornamentais

O aço domina a estrutura, o cobre e o alumínio entram nos detalhes e nos acabamentos.

Perfis, chapas e materiais de fundição

  • Chapas de aço, alumínio e cobre, em espessuras variadas, para tampos e painéis.
  • Perfis metálicos: barras, tubos e cantoneiras, a base das estruturas.
  • Ligas metálicas para fundição e moldagem decorativa, usadas em remates e motivos ornamentais moldados.
  • Areias de modelação e moldes, para dar forma às peças fundidas.

A escolha do perfil certo poupa trabalho de corte e de soldadura mais tarde.

Bloco 3 · Ferramentas manuais

Ferramentas manuais essenciais

O trabalho manual continua no centro da serralharia artística, mesmo com máquinas disponíveis.

  • Martelos e marretas de diferentes tamanhos e pesos, para forjar e ajustar.
  • Alicates, tenazes e torquês, para segurar e dobrar peças a quente ou a frio.
  • Chaves de fenda e de boca, para montagem e fixação.
  • Limas de diferentes granulações, para acabamento fino de arestas.
  • Serra de arco com lâminas de reposição, para cortes de precisão.
  • Punções e riscadores, para marcar antes de cortar ou furar.
  • Tornos manuais para roscagem: desandador com machos (rosca interior) e porta-caçonetes (rosca exterior).

Bloco 4 · Ferramentas elétricas

Máquinas e ferramentas elétricas

  • Furadoras elétricas e de bancada, para furos precisos.
  • Rebarbadoras, para corte, desbaste e acabamento.
  • Lixadoras e polidoras, para o acabamento final da superfície.
  • Máquinas de corte: serras elétricas e guilhotinas manuais para chapa.

Cada máquina exige acessórios corretos: disco certo, broca certa, lixa certa.

Ajustar e calibrar antes de começar

Ferramentas "em bom estado de conservação e calibradas" é o primeiro critério de desempenho da UC.

  • Esquadro: traçar uma linha, virar o esquadro e traçar outra; têm de coincidir.
  • Serra: tensão da lâmina, corte de amostra verificado com esquadro, batente de comprimento.
  • Furadora: broca de aço rápido afiada a 118°, rotação certa (broca de 8 mm em aço: cerca de 1000 rpm).
  • Rebarbadora: disco sem fissuras, rotação máxima do disco igual ou superior à da máquina, proteção montada.
  • Máquina MAG: tensão, velocidade do fio e gás regulados num retalho da mesma espessura.

Bloco 5 · Equipamentos de soldadura

Máquinas de soldadura e acessórios

  • Máquinas de soldadura elétrica: MIG/MAG, TIG e elétrodo revestido, cada uma com o seu uso.
  • Maçaricos e acessórios para soldadura a gás e para corte térmico.
  • Elétrodos para soldadura e fio de adição, consumíveis que têm de ser compatíveis com o metal base.
  • Discos de corte e rebarbação, para preparar as juntas antes de soldar.

Escolher mal o processo de soldadura compromete a resistência da peça inteira.

Bloco 6 · Segurança e equipamento de proteção individual

EPI e normas de segurança

O metal quente, as faíscas e os discos em rotação tornam a segurança inegociável.

  • Luvas de proteção, óculos de segurança e protetores auriculares.
  • Aventais de couro ou material resistente ao calor.
  • Máscaras respiratórias, sobretudo em polimento e pintura.
  • Calçado de segurança com biqueira de aço.

Cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho em todas as etapas do processo é um critério de desempenho da UC, não um extra.

Riscos específicos da oficina de metal

  • Fumos de soldadura: extração localizada e máscara respiratória; a IARC classifica-os como cancerígenos (grupo 1).
  • Aço galvanizado: nunca forjar nem aquecer; os fumos de zinco causam a febre dos fumos metálicos.
  • Forja a carvão ou a gás: liberta monóxido de carbono; só com chaminé e ventilação.
  • Peças quentes sem cor: abaixo de cerca de 500 °C o aço não brilha e continua a queimar; marcar com giz.
  • Base legal: Lei n.º 102/2009 (SST), Decreto-Lei n.º 348/93 (EPI), Decreto-Lei n.º 50/2005 (equipamentos de trabalho).

Bloco 7 · Do esboço ao desenho técnico

Criar um design detalhado e funcional

Antes de cortar metal, desenha-se a peça. O esboço explora ideias, o desenho técnico fixa-as com rigor.

  1. Esboço à mão: explorar proporções, forma e função rapidamente.
  2. Desenho técnico: cotas, vistas, materiais e ligações definidos.
  3. Considerar estética, funcionalidade e ergonomia em conjunto.
  4. Validar o desenho com o cliente ou com o professor antes de avançar para o corte.

Um bom desenho poupa material e horas de correção na bancada.

Ler e interpretar desenhos técnicos

  • Vistas ortogonais: de frente, de cima, de lado, para descrever a peça em três dimensões.
  • Cotas: medidas de comprimento, ângulo e diâmetro, sem ambiguidade.
  • Legenda de materiais: que perfil, que espessura, que metal em cada parte.
  • Notas de fabrico: tipo de soldadura, acabamento, tolerância admitida.

Quem lê bem um desenho corta, dobra e solda sem perguntar duas vezes.

Bloco 8 · CAD aplicado à serralharia artística

Software de desenho assistido por computador

O CAD permite desenhar com precisão, corrigir sem refazer tudo e gerar a lista de peças automaticamente.

  • Programas comuns: AutoCAD, SketchUp, Fusion 360, entre outros.
  • Permite rever medidas, simular a montagem e gerar vistas para o corte.
  • Facilita a comunicação do projeto com o cliente antes de gastar material.
  • É uma aptidão exigida pelo referencial: criar e interpretar desenhos técnicos e esboços com CAD.

Do desenho digital à peça física

  1. Desenhar a peça completa em CAD, com todas as partes.
  2. Extrair as medidas de corte de cada perfil e chapa.
  3. Gerar a lista de materiais necessária para a compra.
  4. Imprimir ou exportar as vistas que vão para a bancada.

O ficheiro CAD é o ponto de referência único durante toda a execução.

Bloco 9 · Especificações técnicas e tolerâncias

Especificações e tolerâncias dimensionais

As especificações técnicas definem exatamente o que a peça tem de cumprir: medidas, materiais, acabamento.

  • Tolerância dimensional: a margem de erro aceitável numa medida (por exemplo, ±1 mm).
  • Peças que encaixam (gavetas, portas, tampos amovíveis) exigem tolerâncias mais apertadas.
  • Peças puramente decorativas admitem tolerâncias mais largas, sem perder qualidade.
  • As especificações também definem o acabamento exigido e as normas a cumprir.

Selecionar e preparar materiais e ferramentas de acordo com estas especificações é um critério de desempenho central da UC.

Planear: lista de corte de uma banca de apoio

Tampo 400 × 400 mm (chapa de 3 mm), altura 550 mm, barra quadrada de 15 mm, dois X com barras a 60° do chão.

  • Altura vencida pelo X: 550 menos 3 menos 15 (aro) = 532 mm.
  • Barra do X: 532 / sen 60° = 614 mm, topos a 30° na serra.
  • Lista: aro 2 × 400 + 2 × 370, X 4 × 614, travessas 2 × 370 = 4736 mm: uma barra de 6 m.
  • Massa: 4,736 m × 1,766 kg/m + tampo 3,77 kg = cerca de 12,1 kg.
  • Tolerância geral ISO 2768-c: ±2 mm acima de 400 e até 1000 mm (altura de 550), ±1,2 mm acima de 120 e até 400 mm (aro de 400).

Bloco 10 · Técnicas de corte

Cortar metal com precisão

  • Serras elétricas e guilhotinas manuais, para chapa e perfil reto.
  • Discos de corte e rebarbação, na rebarbadora, para cortes rápidos em obra.
  • Corte térmico (oxicorte com maçarico), para chapas de aço mais espessas; não corta alumínio, cobre nem inox.
  • Marcar sempre a linha de corte com riscador, nunca cortar "a olho".

Um corte limpo e à medida evita retrabalho na soldadura e na montagem.

Bloco 11 · Técnicas de dobragem

Dobrar chapas e perfis metálicos

A dobragem transforma chapa ou perfil reto numa forma curva ou angular, sem cortar o material.

  • Dobragem a frio: para chapas finas e perfis de secção pequena.
  • Dobragem a quente: aquecer o metal para dobrar raios mais fechados sem fissurar.
  • Ferramentas de apoio: alicates, tenazes e, em curvas maiores, calibres de dobragem.
  • Cada metal tem um raio mínimo de dobragem: dobrar demasiado apertado fissura o material.

Trabalho a quente: as cores do aço

Cor (aproximada, vista à sombra) Temperatura Uso
Vermelho escuro cerca de 700 °C parar de martelar, reaquecer
Vermelho vivo cerca de 800 a 900 °C dobrar, endireitar
Laranja a amarelo cerca de 1000 a 1200 °C forjar: estirar, recalcar, torcer
Quase branco cerca de 1250 a 1300 °C caldear, com bórax
Faíscas acima o aço está a queimar

Bloco 12 · Técnicas de soldadura

Soldar componentes metálicos

A soldadura une componentes metálicos por fusão; bem executada, a ligação pode resistir tanto como o próprio material.

  • MIG/MAG: rápida e versátil; MAG (gás ativo) para aço, MIG (gás inerte, árgon) para alumínio.
  • TIG: mais lenta, mais limpa, ideal para chapa fina e para peças visíveis.
  • Elétrodo revestido: robusta, boa para peças mais espessas e trabalho ao ar livre.
  • Preparar sempre a junta (limpar, alinhar) antes de soldar.

Exemplo resolvido · pé de mesa em aço

Estrutura de um pé de mesa em barra quadrada de aço de 20 mm, altura final 72 cm.

  1. Cortar quatro barras à medida (72 cm menos a espessura do tampo).
  2. Riscar e cortar os ângulos de ligação com a rebarbadora.
  3. Alinhar as quatro barras num gabarito antes de soldar, para garantir esquadria.
  4. Pontear em pontos alternados e verificar; depois soldar em MAG, cordões curtos alternados entre lados opostos.
  5. Rebarbar o excesso de cordão e verificar, numa superfície plana, que o pé assenta sem oscilar.

O gabarito é o que garante que as quatro barras ficam todas ao mesmo ângulo.

Bloco 13 · Montagem, alinhamento e fixação

Montar e alinhar a peça de mobiliário

Depois de prontos os componentes, monta-se a peça completa.

  • Ensamblar as partes seguindo o desenho técnico, uma etapa de cada vez.
  • Alinhamento: verificar com esquadro e nível antes de fixar em definitivo.
  • Fixação segura: parafusos, rebites ou soldadura, conforme o desenho.
  • Confirmar a estabilidade da peça: pousar, empurrar ligeiramente, testar em piso irregular.

A montagem só termina quando a peça é funcionalmente estável, não apenas visualmente pronta.

Métodos de ligação de componentes

Método Vantagem Quando usar
Parafusos desmontável, ajustável peças que se transportam ou reparam
Rebites rápido, discreto chapas finas, sem calor
Soldadura ligação permanente e rígida estrutura definitiva

A escolha do método depende de a peça precisar, ou não, de ser desmontada mais tarde.

Bloco 14 · Acabamentos e proteção contra corrosão

Lixamento e polimento

  • Lixamento: remove rebarbas, marcas de soldadura e imperfeições da superfície.
  • Polimento: dá brilho e suaviza o toque final da peça.
  • Progressão de granulação: começar grosso, terminar fino, nunca ao contrário.
  • Ferramentas: lixadoras, polidoras e lixas de diferentes granulações à mão.

O acabamento é a primeira coisa que o cliente toca e vê de perto.

Preparar a superfície e escolher a proteção

  1. Remover a carepa (escova, disco de lamelas, granalhagem sem areia siliciosa, ou decapagem).
  2. Desengordurar e pintar logo, antes de o aço voltar a oxidar.
  3. Escolher o sistema pelo ambiente (ISO 12944-2, de C1 a CX):
Ambiente Sistema possível
Interior seco (C1) cera ou óleo, verniz, ou primário + esmalte
Exterior urbano primário anticorrosivo + 2 demãos, ou pintura a pó
Junto ao mar galvanização por imersão a quente (EN ISO 1461) + pintura (duplex)

Proteção e acabamento final

  • Vernizes e tintas: protegem contra corrosão e definem a cor final.
  • Produtos de acabamento: polidores e vernizes específicos para metal.
  • Aplicar em camadas finas e uniformes, respeitando o tempo de secagem entre demãos.
  • Verificar a peça à luz rasante, para apanhar falhas de brilho ou de cor antes da entrega.

Aplicar os acabamentos de forma uniforme, assegurando qualidade estética e durabilidade, é o último critério de desempenho da UC.

Recapitulando

  • A serralharia artística produz mobiliário com rigor técnico e sentido criativo.
  • Materiais (aço, alumínio, cobre, ligas de fundição) e ferramentas certas para cada etapa.
  • Do esboço ao CAD: um desenho técnico rigoroso poupa erros na bancada.
  • Corte, dobragem e soldadura transformam perfis e chapas na estrutura da peça.
  • Montagem, alinhamento, fixação e acabamentos entregam a peça final, segura e pronta a mostrar.

Próximo: fichas e projeto, desenvolver e executar uma peça de mobiliário de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: nesta UC o aluno percorre o ciclo completo de uma peça, do papel ao objeto pronto a vender ou expor. - Erro comum: pensar que "artístico" significa menos rigor técnico. É ao contrário, o rigor é o que sustenta a estética. - Exemplo: mostrar fotografias de uma mesa de centro com estrutura em aço forjado e tampo de vidro ou madeira. Hoje o "ferro forjado" da oficina é aço macio (S235JR); o ferro pudelado histórico já não se produz.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar à turma: que peças de serralharia artística já viram num jardim ou numa loja? - Ligar à atitude "sentido criativo" e "autonomia" do referencial: o artesão decide o desenho, não só executa. - Analogia: o artesão das artes do metal é ao mesmo tempo desenhador, engenheiro e acabador.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar amostras físicas dos quatro materiais e pedir para identificar pelo peso e pela cor. - Erro comum: escolher alumínio para uma peça que depois se solda com processos de aço. Cada metal tem o seu processo. - Curiosidade: o cobre escurece com o tempo (pátina), muitos artesãos usam isso como efeito estético.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar exemplos de perfil: barra quadrada, tubo redondo, cantoneira em L. - Explicar rapidamente o que é a fundição decorativa: verter metal líquido num molde de areia para obter uma forma complexa de uma só vez. - Ligar à atitude "sentido de organização": guardar os perfis por tipo e medida na oficina.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer circular as ferramentas pela turma e pedir para identificar cada uma pelo nome correto. - Erro comum: usar a lima errada (granulação grossa onde precisa de fina) e marcar a peça. - Roscar: broca de 6,8 mm para M8, de 5 mm para M6; óleo de corte, meia volta à frente e um quarto atrás. - Exemplo: riscar sempre a linha de corte antes de qualquer operação, nunca cortar "a olho".

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar a troca de disco numa rebarbadora com a máquina desligada e a ficha fora da tomada. - Erro comum: usar disco de corte para desbastar ou disco de desbaste para cortar; são discos diferentes. - Perguntar: porque é que a broca para metal é diferente da broca para madeira? (dureza da aresta de corte).

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a verificação do esquadro ao vivo: é rápida e muitos alunos nunca a viram. - Conta da rotação: n = 1000 × velocidade de corte / (π × diâmetro); com 25 m/min e 8 mm dá cerca de 995 rpm. - Erro comum: regular a máquina de soldar já em cima da peça, em vez de num retalho.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar fotografias das três máquinas (MIG, TIG, elétrodo revestido) e das juntas típicas de cada uma. - Erro comum: usar elétrodo revestido em chapa fina; funde e faz buraco. TIG é o adequado para chapa fina. - Ligar ao critério de desempenho: garantir a precisão e a qualidade das peças produzidas.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma vestir o EPI completo antes de qualquer demonstração prática. - Erro comum: soldar sem óculos adequados. O "flash" (olho de arco) inflama a córnea em segundos, sem dor imediata; a dor intensa aparece horas depois. - Ligar à atitude "responsabilidade pelas suas ações": o EPI protege o próprio e os colegas ao lado.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar: como se sabe que uma barra está quente se já não está vermelha? (não se sabe: por isso se marca e se usa luva ou tenaz). - Erro comum: aproveitar tubo galvanizado de sucata para peças de forja. - Mostrar a extração de fumos da oficina e onde fica o detetor de CO, se existir.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar dois esboços do mesmo banco: um só bonito, outro bonito e estruturalmente viável. Discutir a diferença. - Erro comum: avançar para o corte sem desenho cotado; o erro de medida só aparece tarde demais. - Exemplo: uma cadeira precisa de altura de assento ergonómica (cerca de 45 cm), não só de forma agradável.

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer um desenho técnico real de uma peça de mobiliário e percorrê-lo com a turma, cota a cota. - Erro comum: confundir a vista de cima com a vista de frente numa peça assimétrica. - Exercício rápido: pedir para identificar, num desenho projetado, a cota da altura total da peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar no software como desenhar um perfil simples (barra quadrada de 20 mm) à escala correta. - Erro comum: desenhar sem escala definida; as cotas depois não correspondem à realidade. - Ligar à atitude "autonomia": o CAD dá independência para testar variantes sem pedir ajuda a cada traço.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar como uma alteração no CAD (por exemplo, mudar a altura da peça) atualiza automaticamente todas as vistas. - Erro comum: cortar pela memória em vez de voltar a consultar o desenho atualizado. - Perguntar: o que aconteceria se a lista de materiais estivesse errada? (falta de material a meio da produção).

NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo prático: uma gaveta com folga a mais fica "a abanar"; com folga a menos, prende e não abre. A folga certa vem do desenho e das corrediças escolhidas. - Erro comum: aplicar a mesma tolerância apertada a toda a peça, gastando tempo onde não é preciso. - Perguntar: onde é mais crítica a tolerância numa mesa, no tampo ou nos pés? (na ligação tampo/estrutura).

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conta no quadro com a turma: seno para o comprimento, tangente para a abertura no chão (532 / tg 60° = 307 mm). - Erro comum: cortar as quatro barras do X sem confirmar a primeira no gabarito à escala 1:1. - Ligar à aptidão "planear e organizar as etapas de produção": a lista de corte é o primeiro documento da produção.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar o corte de uma barra com serra de arco e com rebarbadora, comparando velocidade e acabamento. - Erro comum: cortar sem fixar bem a peça; o material "salta" e o corte sai torto. - Ligar ao critério de desempenho: realizar operações de corte seguindo as especificações do projeto.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar a diferença entre uma dobra a frio (mais rígida) e a quente (mais suave e controlada). - Erro comum: dobrar sempre no mesmo ponto sem aquecer; o metal enrijece e acaba por fissurar (encruamento). - Exemplo: os braços curvos de uma cadeira de forja dobram-se a quente, sobre gabarito, para o raio ficar regular. - Conta rápida: a face exterior alonga-se cerca de metade da espessura a dividir pelo raio da linha média. Barra de 12 mm com raio interior de 10 mm: 6/16 = 37,5 %, acima dos 26 % do S235JR, logo a frio arrisca fissurar.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar a mesma barra ao sol e à sombra: ao sol parece mais fria do que está. - Erro comum: continuar a martelar abaixo do vermelho escuro; aparecem fissuras. - O aço macio (S235JR) não endurece com têmpera: arrefecer em água não o torna uma ferramenta.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar um cordão de soldadura em cada processo e discutir o aspeto visual de cada um. - Erro comum: não limpar a junta antes de soldar; ferrugem e óleo geram porosidade no cordão. - Ligar ao critério de desempenho: seguir as especificações do projeto e garantir a precisão e a qualidade da peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Levar a turma a construir este gabarito simples em madeira antes de soldar a peça real. - Erro comum: soldar sem gabarito e descobrir só no fim que o pé "coxeia". - Perguntar: porque se solda em pontos alternados e não de um lado só? (evitar empenar a peça pelo calor).

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer verificar com nível de bolha se uma mesa fica plana nas quatro pernas antes de considerar terminada. - Erro comum: fixar tudo antes de conferir o alinhamento; corrigir depois de soldado é muito mais difícil. - Ligar ao critério de desempenho: garantir o alinhamento correto e a fixação segura das peças.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar: uma peça vendida para exportação, que método de ligação facilita o transporte? (parafusos, desmonta e remonta). - Erro comum: soldar tudo por hábito, mesmo quando o cliente pede uma peça desmontável. - Exemplo: uma estante modular com pés amovíveis fixados por parafuso.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar a progressão de lixas (grossa, média, fina) numa amostra de chapa soldada. - Erro comum: saltar granulações; o resultado fica com marcas visíveis por baixo do brilho. - Ligar à atitude "rigor": um acabamento apressado desvaloriza todo o trabalho anterior.

NOTAS DO PROFESSOR - A galvanização por imersão a quente é mergulho em zinco fundido, a cerca de 450 °C; não é eletroquímica. - Galvaniza-se sempre no fim: depois a peça já não pode ir à forja nem ser soldada sem precauções. - Antes de pintar, terminar em P120 a P180: uma superfície demasiado fina dá pouca aderência.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar a diferença entre uma demão bem aplicada e uma com escorridos por excesso de produto. - Erro comum: aplicar verniz sobre superfície não limpa; o acabamento descasca em pouco tempo. - Encerrar ligando este bloco às fichas e ao projeto: agora é a vez de a turma produzir a peça completa.