UC04451

Orçamentar o fabrico de componentes em construção metálica

Custo de matéria-prima, hora-máquina, mão de obra, soldadura, despesas gerais, margem e IVA

Curso profissional · 25h · Técnico de Fabrico de Componentes de Construção Metálica

Plano

  1. Da encomenda ao orçamento
  2. Analisar a documentação de fabrico
  3. Materiais, normalização e simbologia
  4. Massas, volumes e áreas
  5. Custo de matéria-prima e desperdício
  6. Custo hora-máquina
  7. Custo de mão de obra
  8. Soldadura: cordões e material de adição
  9. Tratamentos superficiais
  10. Despesas gerais, consumíveis e energia
  11. Margem de lucro e IVA
  12. Prazos, transporte e logística
  13. Árvore de produto e folhas de cálculo
  14. Registo, qualidade e segurança
  15. Fecho

Bloco 1 · Da encomenda ao orçamento

O papel do orçamentista

Orçamentar é transformar um desenho técnico numa proposta de preço que a empresa consegue cumprir sem prejuízo.

Pedido → Documentação técnica → Análise do fabrico
   → Estimativa de custos → Formulário de orçamento
   → Margem e IVA → Proposta ao cliente
  • Um orçamento otimista perde dinheiro em cada peça fabricada.
  • Um orçamento pessimista perde o cliente para a concorrência.
  • O rigor vem do método, não do "olho".

A estrutura de um orçamento

Todas as propostas desta UC seguem a mesma estrutura de rubricas:

Rubrica O que inclui
Matéria-prima material em bruto + desperdício
Mão de obra tempo direto × custo-hora
Hora-máquina uso dos equipamentos
Consumíveis + energia elétrodo, gás, discos, eletricidade
Despesas gerais estrutura da empresa
Margem + IVA lucro e imposto

Vamos construir esta tabela passo a passo, sempre com o mesmo caso: o suporte metálico reforçado SMR-01.

Bloco 2 · Analisar a documentação de fabrico

O que procurar no desenho técnico

  • Cotas: comprimento, largura, espessura, diâmetros de furos.
  • Material especificado: designação normalizada (ex.: aço S275JR).
  • Tolerâncias e acabamentos: rigor dimensional, tratamento superficial.
  • Simbologia de soldadura: tipo de cordão, perna, comprimento.
  • Escala e vistas: não confundir cota real com cota reduzida.

Analisar a documentação antes de calcular evita o erro mais caro: cotar uma peça diferente da que vai ser fabricada.

Ficha técnica do SMR-01

O nosso exemplo ao longo da UC:

  • Chapa base: 300 × 120 × 6 mm, aço S275JR.
  • Cartela de reforço: 80 × 60 × 6 mm, mesmo aço, soldada em ângulo.
  • Furação: 4 furos Ø9 mm para parafuso M8.
  • Acabamento: pintura epóxida, 2 demãos.
  • Quantidade: 50 unidades (exemplo principal).

Cada um destes dados vai entrar numa fórmula nos blocos seguintes.

Bloco 3 · Materiais, normalização e simbologia

Materiais em construção metálica

Designação Uso típico Densidade
S235JR / S275JR serralharia, estruturas ligeiras 7,85 kg/dm³
S355 estruturas de maior carga 7,85 kg/dm³
AISI 304 (inox) ambientes húmidos, alimentar 7,90 kg/dm³
Alumínio (Al 6060) leveza, exterior 2,70 kg/dm³

A densidade transforma dimensões (desenho) em massa (custo). O SMR-01 usa aço S275JR, densidade 7,85 kg/dm³.

Normalização e simbologia

A normalização garante que um desenho feito numa oficina é lido sem ambiguidade noutra:

  • Símbolos de soldadura, norma ISO 2553.
  • Designação de aços, norma EN 10025.
  • Tolerâncias dimensionais, norma ISO 2768.

Cumprir a norma é um critério de desempenho avaliado nesta UC: cada desvio à norma é um risco de mal-entendido entre quem desenha e quem fabrica.

Preço do aço por tipo de produto

Nem todo o aço custa o mesmo por kg: o processo de fabrico do próprio material pesa no preço.

Produto Preço de referência
Chapa laminada a quente (S275JR) 1,20 €/kg
Perfil laminado (UPN, IPE, cantoneira) 1,35 €/kg
Tubo (quadrado, retangular ou redondo) 1,55 €/kg
Varão maciço 1,15 €/kg
Chapa inox AISI 304 4,80 €/kg
Chapa/perfil de alumínio (Al 6060) 5,50 €/kg

Perfis e tubos custam mais por kg do que chapa plana: exigem mais operações de laminagem e têm séries de produção menores.

Bloco 4 · Massas, volumes e áreas

Fórmulas essenciais

  • Volume (chapa/barra retangular): V = comprimento × largura × espessura
  • Massa: m = V × densidade
  • Área de uma face: A = comprimento × largura
  • Perímetro: P = 2 × (comprimento + largura)

Estas quatro fórmulas resolvem a maioria dos cálculos de matéria-prima desta UC.

Exemplo resolvido: massa das peças do SMR-01

Chapa base (30 × 12 × 0,6 cm):

V₁ = 30 × 12 × 0,6 = 216 cm³
m₁ = 216 × 7,85 = 1 695,6 g = 1,6956 kg

Cartela de reforço (8 × 6 × 0,6 cm):

V₂ = 8 × 6 × 0,6 = 28,8 cm³
m₂ = 28,8 × 7,85 = 226,08 g = 0,22608 kg

Massa útil total = 1,6956 + 0,22608 = 1,92168 kg ≈ 1,922 kg

Massa de perfis e tubos

Chapa e barra retangular usam V = comp × larg × esp. Perfis e tubos têm geometria mais complexa:

  • Perfil normalizado (UPN, IPE): usar a massa linear tabelada (kg/m) do catálogo do fabricante. m = comprimento × massa linear.
  • Tubo de parede fina: V ≈ perímetro médio × espessura × comprimento, medido pela linha média da parede, não pela face exterior.
Tubo quadrado 40×40×3 mm, comprimento 2,00 m:
perímetro médio = 4 × (4,0 − 0,3) = 14,8 cm
V = 14,8 × 0,3 × 200 = 888 cm³
m = 888 × 7,85 = 6 970,8 g ≈ 6,971 kg

Bloco 5 · Custo de matéria-prima e desperdício

O fator de desperdício

Nenhum corte é perfeito: sobras de chapa, aparas, folgas de nesting.

massa a comprar = massa útil × (1 + fator de desperdício)
  • 10 a 15%: corte por guilhotina/quinadora, nesting manual.
  • 5 a 8%: corte a laser com nesting otimizado por software.

Ignorar o desperdício é o erro mais caro em orçamentação de matéria-prima.

Exemplo resolvido: custo de matéria-prima do SMR-01

Fator de desperdício: 12% (guilhotina, nesting manual). Preço do aço S275JR: 1,20 €/kg.

massa total = 1,92168 × 1,12 = 2,1523 kg ≈ 2,152 kg
custo matéria-prima = 2,152 × 1,20 = 2,58 €/unidade

Para 50 unidades: 2,58 € × 50 = 129,00 €.

Desperdício por tipo de processo

Processo de corte Desperdício típico
Laser CNC, nesting otimizado por software 5 a 8%
Plasma CNC, nesting automático 8 a 12%
Guilhotina/quinadora, nesting manual 10 a 15%
Oxicorte manual 10 a 18%

O plasma corta mais rápido do que o laser, mas com um rasgo (kerf) mais largo: perde-se mais material por corte, mesmo com nesting automático.

Bloco 6 · Custo hora-máquina

Amortização e manutenção

custo-hora-máquina = (aquisição ÷ vida útil ÷ horas/ano) + (manutenção anual ÷ horas/ano)

Exemplo · torno mecânico: aquisição 30 000 €, vida útil 10 anos, 2 000 h/ano, manutenção 2 000 €/ano.

depreciação/hora = 30 000 ÷ 10 ÷ 2 000 = 1,50 €/h
manutenção/hora  = 2 000 ÷ 2 000       = 1,00 €/h
custo-hora-máquina = 2,50 €/h

Exemplo resolvido: corte plasma CNC

Corte plasma CNC: aquisição 45 000 €, vida útil 8 anos, 1 600 h/ano, manutenção 3 200 €/ano.

depreciação/hora = 45 000 ÷ 8 ÷ 1 600 = 3,52 €/h
manutenção/hora  = 3 200 ÷ 1 600       = 2,00 €/h
custo-hora-máquina = 5,52 €/h

O plasma custa mais por hora do que a guilhotina/quinadora: o equipamento CNC é mais caro e a fonte de plasma exige manutenção mais frequente.

Tabela de custos-hora e o SMR-01

Equipamento Custo-hora
Quinadora / guilhotina 8,50 €/h
Corte plasma CNC 5,52 €/h
Posto de soldadura MIG/MAG 6,00 €/h
Torno mecânico 2,50 €/h
Serra de fita 3,20 €/h

O SMR-01 usa corte+quinagem (7 min) e soldadura (6 min):

0,1167 h × 8,50 + 0,10 h × 6,00 = 0,99 + 0,60 = 1,59 €/unidade

Bloco 7 · Custo de mão de obra

Custo-hora totalmente carregado

O custo de mão de obra não é o salário: inclui encargos sociais, subsídios e seguros. Valor de referência para um soldador/serralheiro qualificado (2026): 16,50 €/h.

Fatores determinantes:

  • Categoria profissional (aprendiz, oficial, especialista).
  • Tempo de preparação (setup), muitas vezes fixo por lote.
  • Tempo de produção, o que domina em lotes grandes.

Custo-hora por categoria profissional

Categoria Custo-hora (2026)
Aprendiz 9,80 €/h
Oficial serralheiro/soldador qualificado 16,50 €/h
Soldador certificado (EN ISO 9606) 18,20 €/h
Encarregado/especialista 21,00 €/h

A categoria certa depende da exigência da tarefa: uma soldadura crítica sujeita a ensaio não pode ir para um aprendiz, por mais barato que pareça no papel.

Exemplo resolvido: mão de obra do SMR-01

Tempos diretos por unidade:

corte (4 min) + quinagem (3 min) + soldadura (6 min) + acabamento (5 min)
= 18 minutos = 0,30 h
custo mão de obra = 0,30 h × 16,50 €/h = 4,95 €/unidade

Para 50 unidades: 4,95 € × 50 = 247,50 €.

Quando usar um soldador certificado

Se a soldadura do SMR-01 (6 minutos) exigir um soldador certificado (18,20 €/h) em vez do oficial qualificado (16,50 €/h):

custo extra = (18,20 − 16,50) × 0,10 h = 0,17 €/unidade

Para 50 unidades, o extra é só 0,17 × 50 = 8,50 €: pouco, face ao risco de reprovar um ensaio de soldadura com mão de obra mais barata.

Bloco 8 · Soldadura: cordões e material de adição

Calcular o cordão de soldadura

Um cordão de ângulo, com perna a, tem secção triangular:

área da secção  ≈ a² ÷ 2
volume do cordão = área da secção × comprimento
massa do cordão   = volume × 7,85 g/cm³
massa de arame    = massa do cordão ÷ rendimento de deposição (≈ 90%)

O material de adição depende da geometria do cordão, não da massa da peça.

Exemplo resolvido: cordão de 5 mm, 500 mm

área secção = 0,5² ÷ 2 = 0,125 cm²
volume      = 0,125 × 50 = 6,25 cm³
massa cordão = 6,25 × 7,85 = 49,06 g ≈ 0,049 kg
massa arame  = 0,049 ÷ 0,90 = 0,055 kg
custo arame  = 0,055 × 3,50 €/kg = 0,19 €

Tempo de soldadura (taxa de deposição 1,2 kg/h): 0,055 ÷ 1,2 ≈ 2,7 minutos.

Bloco 9 · Tratamentos superficiais

Área a tratar: faces + bordos

área total = 2 × (comprimento × largura) + perímetro × espessura
perímetro  = 2 × (comprimento + largura)

Cobra-se por área, não por massa: uma chapa fina e uma chapa grossa do mesmo tamanho pintam-se pelo mesmo preço.

Exemplo resolvido: pintura da chapa base do SMR-01

Chapa base 0,30 × 0,12 × 0,006 m:

área das faces = 2 × (0,30 × 0,12) = 0,072 m²
perímetro      = 2 × (0,30 + 0,12) = 0,84 m
área dos bordos = 0,84 × 0,006 = 0,00504 m²
área total       = 0,077 m²/unidade

Tinta epóxida (6 m²/L, 9,50 €/L): 0,077 ÷ 6 × 9,50 = 0,12 €/unidade.

Tratamentos superficiais: preço por m² ou por kg

Tratamento Base de cobrança Preço de referência
Pintura epóxida (2 demãos) € por m² ≈ 2,12 €/m² (material + aplicação)
Metalização a zinco-alumínio € por m² 12 a 18 €/m²
Galvanização a quente € por kg 1,10 €/kg

A galvanização cobra-se pela massa, não pela área: uma peça maciça e pesada custa mais a galvanizar do que uma peça fina da mesma área, ao contrário da pintura.

Bloco 10 · Despesas gerais, consumíveis e energia

Potência elétrica dos equipamentos

Equipamento Potência
Quinadora/guilhotina 5 kW
Posto de soldadura MIG/MAG 4 kW
Corte plasma CNC 12 kW
Torno mecânico 3 kW

Tarifa industrial de referência: 0,16 €/kWh. energia = potência × tempo de utilização × tarifa.

Consumíveis e energia do SMR-01

Consumível Custo/unidade
Arame de soldadura 0,01 €
Gás de proteção 0,03 €
Disco de corte/lixa 0,03 €
Total consumíveis 0,07 €

Energia: 5 kW × 0,1167 h + 4 kW × 0,10 h = 0,984 kWh × 0,16 €/kWh ≈ 0,16 €/unidade.

Despesas gerais e custo industrial

Percentagem sobre o custo direto (10% a 20% consoante a empresa); adotamos 15%.

custo direto/unidade = 2,58 + 4,95 + 1,59 + 0,07 + 0,16 = 9,35 €
despesas gerais       = 9,35 × 0,15 = 1,40 €
custo industrial       = 9,35 + 1,40 = 10,75 €/unidade

O custo industrial é o que a peça custa mesmo à empresa, sem lucro nenhum ainda.

Bloco 11 · Margem de lucro e IVA

A cascata do preço

custo industrial
   + margem de lucro (%)
= preço de venda sem IVA
   + IVA (23%)
= preço de venda final

Exemplo simples: custo industrial 50,00 €, margem 25% → margem 12,50 €, PVP sem IVA 62,50 €, IVA 14,38 €, PVP com IVA 76,88 €.

Formulário de orçamento completo · SMR-01, 50 un.

Rubrica Unidade Lote (50)
Matéria-prima 2,58 € 129,00 €
Mão de obra 4,95 € 247,50 €
Hora-máquina 1,59 € 79,50 €
Consumíveis + energia 0,23 € 11,50 €
Custo direto 9,35 € 467,50 €
Desp. gerais (15%) 1,40 € 70,00 €
Custo industrial 10,75 € 537,50 €
Margem (20%) + IVA (23%) 5,12 € 256,00 €
PVP com IVA 15,87 € 793,50 €

Bloco 12 · Prazos, transporte e logística

Calcular o prazo de entrega

dias de produção = quantidade ÷ capacidade diária
prazo total = dias de produção + preparação + secagem/cura

Exemplo: 80 unidades, capacidade 20 un./dia, 1 dia de preparação, 1 dia de secagem da pintura.

dias de produção = 80 ÷ 20 = 4 dias
prazo total = 4 + 1 + 1 = 6 dias úteis

Custos de transporte e logística

custo transporte = distância (km) × custo/km

60 km (ida e volta), 0,42 €/km, mais embalagem fixa de 15,00 €:

transporte = 60 × 0,42 = 25,20 €
total logística (sem IVA) = 25,20 + 15,00 = 40,20 €
IVA (23%) = 40,20 × 0,23 = 9,25 €
total logística (com IVA) = 49,45 €

O transporte é uma linha própria do orçamento, com o seu próprio IVA.

Quantidade, lote e preço unitário

Uma parte do custo é fixa por lote (preparação/setup da máquina), não por peça. Quanto maior o lote, mais essa parcela se dilui.

custo de setup por lote    = tempo de preparação × custo-hora
custo de setup por unidade = custo de setup por lote ÷ quantidade

Exemplo: preparação de 45 min a 16,50 €/h → setup de 12,375 €/lote.

Quantidade Setup por unidade Custo direto total/unidade
10 1,24 € 10,59 €
50 0,25 € 9,60 €
200 0,06 € 9,41 €

(custo direto sem setup do SMR-01: 9,35 €/unidade, do Bloco 11)

Bloco 13 · Árvore de produto e folhas de cálculo

A árvore de produto (BOM)

SMR-01 (produto final)                  (1 un.)
 ├── Chapa base 300×120×6 mm             (1 un.)
 ├── Cartela de reforço 80×60×6 mm       (1 un.)
 ├── Parafuso M8×25 + porca + anilha     (4 conjuntos)
 └── Pintura epóxida (2 demãos)          (0,077 m²)

Cada nível tem quantidade e custo unitário: 4 conjuntos de fixação × 0,12 € = 0,48 €/unidade.

Automatizar em folha de cálculo

Célula Conteúdo Fórmula
B2 massa útil =comp*larg*esp*densidade/1000
B3 massa c/ desperdício =B2*(1+fator_desperdicio)
B10 custo direto =SOMA(B4:B9)
B13 PVP com IVA =B12*(1+taxa_iva)

Mudar a quantidade ou o preço do aço recalcula tudo em segundos: é isto que torna o orçamentista rápido.

Bloco 14 · Registo, qualidade e segurança

Registar, orçamentar com normas

  • Registo: cada orçamento guarda data, versão, responsável e justificação de cada rubrica.
  • Normas de segurança e saúde no trabalho: EPI, ventilação, resguardos; custo nas despesas gerais ou na hora-máquina.
  • Normas da qualidade: controlo dimensional, ensaios em soldaduras críticas, certificação; rubrica própria quando exigida.

Um orçamento que ninguém consegue explicar seis meses depois não serve de aprendizagem.

Erros de orçamentação que dão prejuízo

  • Esquecer consumíveis ou energia: pequenos por peça, mas multiplicam-se no lote todo.
  • Esquecer o transporte: é uma linha própria do orçamento, facilmente ignorada.
  • Não contabilizar retrabalho/refugo: peças que falham o controlo de qualidade consomem a mesma matéria-prima e mão de obra, sem gerar receita.
  • Aplicar a margem à rubrica errada: a margem incide sobre o custo industrial completo, nunca só sobre a matéria-prima.
Esquecer o transporte de 40,20 € num lote de 80 unidades:
prejuízo = 40,20 ÷ 80 = 0,50 €/unidade

Aplicar a margem (20%) só à matéria-prima (2,58 €) em vez de ao custo
industrial (10,75 €):
margem correta          = 10,75 × 0,20 = 2,15 €/unidade
margem aplicada por engano = 2,58 × 0,20 = 0,516 € ≈ 0,52 €/unidade
prejuízo = 2,15 − 0,516 = 1,634 € ≈ 1,63 €/unidade
prejuízo no lote de 50 = 1,634 × 50 = 81,70 €

Bloco 15 · Fecho

Do desenho ao preço final

  • Analisar a documentação → calcular massas, volumes e áreas → aplicar desperdício e preço do material.
  • Custo hora-máquina + mão de obra pelos tempos de cada processo.
  • Soldadura (cordões) e tratamentos superficiais (áreas) têm fórmulas próprias.
  • Consumíveis + energia + despesas geraiscusto industrial.
  • Margem + IVA → preço final; transporte entra à parte, com o seu IVA.
  • Tudo organizado numa árvore de produto e automatizado em folha de cálculo.

Próximo: fichas e projeto, orçamentar componentes reais do princípio ao fim.

Recapitulando

  • Orçamentar é método: documentação → custos → margem e IVA → proposta.
  • Massa = volume × densidade; desperdício acresce à massa útil.
  • Custo-hora-máquina (amortização + manutenção) é distinto de energia (potência × tempo × tarifa).
  • Soldadura e tratamentos superficiais têm fórmulas geométricas próprias (cordão, área).
  • Custo industrial → margem → PVP sem IVA → IVA → PVP final, mais transporte à parte.
  • Árvore de produto e folha de cálculo automatizam tudo isto para orçamentos rápidos e consistentes.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: orçamentar não é fabricar, é ANTECIPAR o custo de fabricar com método, não por intuição. - Erro comum: pensar que "chutar por baixo" ganha a proposta. Ganha a proposta e perde o dinheiro na produção. - Pergunta à turma: já compraram algo com "orçamento à parte" que depois custou muito mais? Ligar à importância do rigor.

NOTAS DO PROFESSOR - Esta tabela é o "esqueleto" da UC toda; vale a pena escrevê-la no quadro e ir preenchendo ao longo das aulas. - Erro comum: misturar rubricas (ex.: meter a energia dentro do custo-hora-máquina). Manter as linhas separadas. - Anunciar: o SMR-01 é o exemplo fio-condutor; todos os cálculos seguintes referem-se a ele.

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer um desenho técnico real (cotado) e pedir à turma para identificar cada um destes elementos. - Erro comum: ler a cota errada por confundir escala (1:2, 1:5) com tamanho real. - Ligar ao critério de desempenho "assegurando o registo da informação": tudo o que se lê aqui fica escrito no orçamento.

NOTAS DO PROFESSOR - Distribuir (ou desenhar no quadro) a ficha técnica do SMR-01; vamos voltar a ela a UC toda. - Perguntar: falta algum dado para orçamentar esta peça? (normalmente falta o prazo e a distância de entrega, que vêm mais à frente). - Reforçar: sem esta análise, nenhuma conta seguinte é possível.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: densidade é o "conversor" entre o mundo do desenho (mm) e o mundo do custo (€). - Erro comum: usar a densidade do aço para calcular o alumínio, ou vice-versa; a diferença é quase 3×. - Curiosidade: por isso o alumínio, apesar de mais caro por kg, às vezes compensa em peças grandes e leves.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar um símbolo de soldadura ISO 2553 e decompor: tipo de junta, perna, comprimento, posição. - Erro comum: inventar uma notação própria "porque se percebe". Não se percebe fora da oficina de origem. - Ligar à atitude "respeito pelas regras e normas definidas" do referencial.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar porque é que o mesmo aço (S275JR) custa mais em perfil do que em chapa; ligar ao processo de fabrico do próprio perfil. - Erro comum: usar sempre o preço da chapa para orçamentar peças feitas de perfil ou tubo; o desvio de preço é significativo. - Estes valores são o ponto de partida da ficha 1; o preço real varia com o fornecedor e a cotação da bolsa do aço.

NOTAS DO PROFESSOR - Escrever as 4 fórmulas num cartaz/slide fixo na sala; vão ser usadas dezenas de vezes. - Erro comum: trocar as unidades (mm com cm com m) dentro da mesma conta. Fixar uma unidade por exercício. - Exercício rápido: pedir o volume de uma chapa 100×100×10 mm de cabeça, em cm3.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer esta conta no quadro passo a passo com a turma, sem saltar a conversão g→kg. - Erro comum: esquecer de somar as duas peças (base + cartela) e usar só uma. - Este valor (1,922 kg) volta a aparecer no bloco seguinte, com o desperdício.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: no tubo, a espessura da parede entra na área da secção, não no comprimento nem na largura exterior. - Erro comum: calcular o tubo como se fosse maciço (comp × larg × altura), o que dá uma massa muito superior à real. - Para o perfil, mostrar uma página de catálogo real (UPN, IPE) e localizar a coluna da massa linear em kg/m.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar: porque é que o laser desperdiça menos? (o software otimiza o encaixe das peças na chapa). - Erro comum: aplicar o mesmo fator de desperdício a todos os processos, sem distinguir laser de guilhotina. - Mostrar uma chapa "nesteada" (imagem ou desenho) com as peças encaixadas e as sobras à volta.

NOTAS DO PROFESSOR - Repetir a conta em conjunto: massa útil (bloco anterior) × 1,12 × preço. - Erro comum: multiplicar por 12% em vez de por 1,12 (esquecer de somar o material que já existia). - Este 2,58 €/unidade vai reaparecer na tabela final do Bloco 11.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar: porque é que o oxicorte manual desperdiça tanto mais do que o laser? Kerf largo e falta de otimização automática do nesting. - Erro comum: assumir que "processo CNC" implica sempre pouco desperdício; o plasma CNC ainda desperdiça mais do que o laser CNC. - Ligar ao Bloco 6: o processo mais caro por hora pode compensar pelo desperdício menor, é preciso comparar os dois efeitos juntos.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: este custo existe mesmo que a máquina esteja parada, por isso a oficina só ganha quando a usa. - Erro comum: confundir este valor com o preço da eletricidade (isso é o Bloco 10, energia). - Perguntar: o que acontece ao custo-hora se a máquina trabalhar menos horas por ano? (sobe, o mesmo custo fixo reparte por menos horas).

NOTAS DO PROFESSOR - Repetir a fórmula do slide anterior com estes números; é a mesma lógica, só muda o equipamento. - Erro comum: arredondar a meio do cálculo (3,515625 arredonda a 3,52 só no fim, não em cada linha). - Este valor entra na tabela de custos-hora do slide seguinte.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar que esta tabela é um dado da oficina, calculado uma vez e reutilizado em todos os orçamentos. - Erro comum: esquecer de converter minutos em horas antes de multiplicar pelo custo-hora. - Este 1,59 €/unidade também vai para a tabela final do Bloco 11.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar TSU e encargos sociais em termos simples: o que a empresa paga é mais do que o que o trabalhador recebe. - Erro comum: usar o salário líquido do trabalhador como custo-hora da empresa. Subestima muito o custo real. - Perguntar: num lote de 5 peças vs 500, o setup pesa igual por peça? (não, pesa muito mais no lote pequeno).

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: a certificação EN ISO 9606 tem custo próprio para o soldador, por isso o seu custo-hora é mais alto. - Erro comum: escolher sempre a categoria mais barata para baixar o preço da proposta, ignorando o risco de retrabalho ou reprovação em ensaio. - Perguntar: que peças desta UC exigiriam um soldador certificado em vez de um oficial qualificado?

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conversão 18 min → 0,30 h em conjunto (18÷60), é um passo onde surgem muitos erros. - Erro comum: esquecer um dos quatro processos ao somar os tempos. - Este 4,95 €/unidade é a segunda maior rubrica do custo direto do SMR-01, depois da hora-máquina.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que o extra por categoria costuma ser pequeno por peça, mas decisivo na qualidade e na conformidade do ensaio. - Erro comum: comparar só o custo-hora das duas categorias, sem multiplicar pelo tempo real da tarefa. - Ligar à aptidão "calcular custos de mão-de-obra" e ao critério de desempenho de categorização de custos.

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar no quadro a secção triangular de um cordão de ângulo para visualizar a fórmula a²÷2. - Erro comum: calcular o material de adição a partir da massa da peça soldada, em vez da geometria do cordão. - Explicar o rendimento de deposição: nem todo o arame fundido fica no cordão, há salpico e rebarba.

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer a conta linha a linha; é a mais longa da UC e a que mais erros de arredondamento gera. - Erro comum: esquecer de dividir pelo rendimento de deposição (dá um valor de arame otimista a menos). - Ligar à aptidão "calcular comprimento, material de adição e tempos em processos de soldadura".

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar porque é que se soma a área dos bordos e não só das duas faces (perímetro × espessura); mostrar numa peça real. - Erro comum: esquecer os bordos, sobretudo em chapas grossas onde o erro pesa mais. - Explicar a diferença entre pintura (área) e matéria-prima (massa): unidades de custo diferentes.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conta completa no quadro: área → litros → custo, sem saltar passos. - Erro comum: usar o rendimento de 1 demão quando a peça leva 2 demãos (o rendimento combinado é menor). - Anunciar: para 80 unidades (usado no projeto), este valor multiplica-se diretamente por 80.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar a diferença de base de cobrança: pintura por área, galvanização por massa. É um erro clássico de orçamentação trocar as duas. - Erro comum: aplicar o preço por m² da pintura a uma peça que vai ser galvanizada. - Exercício rápido: recalcular o custo de galvanizar o SMR-01 (massa útil 1,922 kg) a 1,10 €/kg. Solução: 1,922 × 1,10 ≈ 2,11 €/unidade.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: a potência vem da chapa de características da máquina, não é um valor que se "adivinha". - Erro comum: usar a mesma potência para todos os equipamentos; o plasma CNC consome muito mais do que um torno mecânico. - Este quadro é a base do cálculo de energia do slide seguinte, para o SMR-01.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: consumíveis e energia são pequenos por unidade mas nunca se ignoram; em lotes grandes somam bastante. - Erro comum: esquecer que a energia depende da POTÊNCIA da máquina e do TEMPO de uso, não só de uma tarifa. - Rever de onde vêm os 0,1167 h e os 0,10 h (Bloco 6, tempos de corte+quinagem e soldadura).

NOTAS DO PROFESSOR - Repetir: despesas gerais aplicam-se ao custo DIRETO já somado, não a cada rubrica em separado. - Erro comum: aplicar a percentagem só à matéria-prima, esquecendo mão de obra e hora-máquina. - Este 10,75 €/unidade é a base para o Bloco 11 (margem e IVA).

NOTAS DO PROFESSOR - Fixar a ordem: primeiro a margem sobre o custo industrial, só depois o IVA sobre o resultado. Nunca ao contrário. - Erro comum: aplicar o IVA sobre o custo industrial e só depois somar a margem. Dá um preço final diferente (errado). - IVA 23% é a taxa normal em Portugal continental; lembrar que há taxas diferentes nas regiões autónomas.

NOTAS DO PROFESSOR - Esta tabela reúne TODOS os cálculos dos blocos anteriores; vale a pena parar aqui e rever de onde vem cada linha. - Erro comum: multiplicar o custo unitário arredondado por 50 numa linha e recalcular a percentagem no total noutra; escolher sempre a mesma convenção (ver sebenta). - Perguntar: se a margem subisse para 25%, qual seria o novo PVP com IVA? Deixar a turma refazer a conta.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: a secagem da pintura NÃO se pode apressar, é um limite físico do processo, não de mão de obra. - Erro comum: prometer o prazo só com base na produção, esquecendo preparação e secagem. - Exercício: a partir de uma segunda-feira, contando só dias úteis, em que dia cai a entrega?

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que o transporte tem o SEU PRÓPRIO IVA (23% também, mas calculado à parte do produto). - Erro comum: esquecer o transporte por completo e o cliente ficar surpreendido com um custo extra. - Perguntar: e se a distância fosse o dobro? Recalcular rapidamente com a turma.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: o custo variável (matéria-prima, mão de obra por peça) não muda com a quantidade; só o setup se dilui. - Erro comum: cotar o mesmo preço unitário para um lote de 10 e um lote de 200; o cliente do lote pequeno paga a menos e a fábrica perde dinheiro nesse lote. - Perguntar: um prazo apertado que obrigue a horas extra (custo-hora mais caro) tem um efeito parecido ao contrário, sobe o preço unitário mesmo com o mesmo lote.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar a sigla BOM (Bill of Materials) e mostrar que é a mesma lógica das bibliotecas de componentes de outras UCs. - Erro comum: esquecer os elementos de fixação (parafusos, porcas, anilhas) na árvore de produto. - Exercício: pedir à turma para desenhar a árvore de produto de um objeto simples do dia a dia.

NOTAS DO PROFESSOR - Se houver acesso a computadores, montar esta folha de cálculo ao vivo com a turma. - Erro comum: escrever números "fixos" em vez de fórmulas ligadas às células de entrada; perde-se a automatização. - Ligar à aptidão "automatizar processos de orçamentação" e "utilizar folhas de cálculo e formulário".

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar: porque é que registar o orçamento ajuda a melhorar o próximo? (compara-se o previsto com o real). - Erro comum: tratar segurança e qualidade como "extras" em vez de rubricas com custo real e mensurável. - Ligar às atitudes do referencial: rigor, sentido de organização, respeito pelas normas definidas.

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer os dois cálculos com a turma; são dois dos erros mais comuns e mais caros vistos em orçamentos reais. - Erro comum (meta): o próprio aluno cometer um destes erros na ficha ou no projeto sem se dar conta. - Perguntar: qual destes quatro erros é mais fácil de detetar antes de enviar o orçamento ao cliente, e qual só se descobre depois, já na produção?

NOTAS DO PROFESSOR - Recapitular a cascata completa do preço, do desenho técnico ao PVP com IVA, com a turma a completar cada seta. - Perguntar qual foi o passo que mais gerou dúvidas ao longo da UC, e reforçá-lo antes da ficha 1. - Anunciar que o projeto retoma o SMR-01 numa escala maior (80 unidades), com transporte e prazo incluídos.