UC04378

Criar aplicações interativas com recurso a inteligência artificial (IA)

Machine learning, visão computacional, reconhecimento facial, IA generativa, voz, RA/RV

Curso profissional · 25h · Técnico de Produção de Conteúdos Interativos

Plano

  1. Pensamento computacional
  2. Evolução e conceitos da inteligência artificial
  3. Machine learning: algoritmos e aprendizagem
  4. Deep learning e redes neuronais
  5. Treinar e avaliar modelos de IA
  6. Planear uma aplicação interativa com IA
  7. Visão computacional e reconhecimento de objetos
  8. Segmentação semântica em redes convolucionais
  9. Reconhecimento facial
  10. IA generativa: arte, imagens e vídeo
  11. Voz: reconhecimento e legendas automáticas
  12. Processamento de vídeo
  13. Realidade aumentada e realidade virtual com IA
  14. Frameworks, bibliotecas e APIs
  15. Segurança, saúde no trabalho e ambiente

Bloco 1 · Pensamento computacional

O que é o pensamento computacional

O pensamento computacional é a forma de raciocinar sobre um problema de modo a que possa ser resolvido por um computador (ou por uma pessoa a seguir um método). Assenta em quatro pilares:

  • Decomposição: dividir um problema grande em partes mais pequenas.
  • Reconhecimento de padrões: encontrar semelhanças entre problemas.
  • Abstração: guardar só o que é relevante, ignorar o resto.
  • Algoritmos: definir uma sequência de passos que resolve o problema.

Antes de construir qualquer aplicação com IA, o técnico pensa assim sobre o problema.

Aplicar pensamento computacional a um projeto de IA

Exemplo: uma aplicação que reconhece produtos numa prateleira de loja.

  1. Decompor: captar imagem → detetar produtos → identificar cada um → mostrar preço.
  2. Padrões: todos os produtos têm forma, cor e etiqueta reconhecíveis.
  3. Abstração: ignorar iluminação e fundo, focar no objeto.
  4. Algoritmo: escolher um modelo de deteção de objetos e definir o fluxo passo a passo.

Este raciocínio precede sempre a escolha da ferramenta ou do modelo de IA.

Bloco 2 · Evolução e conceitos da IA

Uma breve história da inteligência artificial

A inteligência artificial (IA) é a capacidade de um sistema realizar tarefas que, tipicamente, exigiam inteligência humana.

  • Décadas de 1950-60: nascimento do termo, sistemas baseados em regras.
  • Décadas de 1980-90: sistemas periciais, primeiras redes neuronais.
  • Anos 2010: explosão do deep learning, impulsionada por mais dados e mais capacidade de cálculo (GPU).
  • Hoje: modelos generativos, assistentes de voz, visão computacional em tempo real, tudo acessível por API.

A IA não é uma tecnologia nova, é uma tecnologia que finalmente tem dados e poder de cálculo para funcionar bem.

Os quatro conceitos-chave da IA

Conceito O que é
Machine learning o sistema aprende padrões a partir de dados, sem regras explícitas
Redes neuronais modelo matemático inspirado no cérebro, em camadas de neurónios artificiais
Algoritmos genéticos procuram a melhor solução por seleção, cruzamento e mutação, como a evolução
Processamento de linguagem natural (PLN) permite ao sistema compreender e gerar texto humano

Estes quatro conceitos aparecem, em combinações diferentes, em quase todas as aplicações interativas com IA desta UC.

Bloco 3 · Machine learning

Princípios de aprendizagem automática

Em machine learning, o sistema aprende a partir de exemplos (dados) em vez de seguir regras escritas à mão.

  • Aprendizagem supervisionada: os dados de treino trazem a resposta certa (ex.: fotos de gatos, já rotuladas "gato").
  • Aprendizagem não supervisionada: o sistema encontra padrões sem rótulos (ex.: agrupar clientes semelhantes).
  • Aprendizagem por reforço: o sistema aprende por tentativa e erro, com recompensas.

A qualidade dos dados de treino determina a qualidade do modelo: dados maus, modelo mau.

Algoritmos de classificação, regressão e agrupamento

Tipo de algoritmo Objetivo Exemplo
Classificação atribuir uma categoria é spam ou não é spam
Regressão prever um valor numérico preço de uma casa
Agrupamento (clustering) juntar itens semelhantes, sem categorias prévias segmentar clientes

Nesta UC, a classificação é a mais usada: reconhecer objetos, reconhecer uma cara, identificar um som.

Bloco 4 · Deep learning e redes neuronais

Redes neuronais e deep learning

Uma rede neuronal é composta por camadas de neurónios artificiais, ligados por pesos que se ajustam durante o treino.

  • Camada de entrada: recebe os dados (pixéis de uma imagem, por exemplo).
  • Camadas escondidas: extraem características cada vez mais abstratas.
  • Camada de saída: dá o resultado (a classe, o valor).

Deep learning é machine learning com redes neuronais de muitas camadas. É a base da visão computacional, da geração de imagem e dos assistentes de voz modernos.

Da rede neuronal simples à convolucional

  • Rede neuronal totalmente ligada: cada neurónio liga a todos os da camada seguinte, boa para dados tabulares.
  • Rede neuronal convolucional (CNN): usa filtros que "varrem" a imagem, especializada em imagem e vídeo.
  • Rede recorrente (RNN) e variantes: guardam "memória" do que veio antes, boas para voz e texto (sequências).

Esta UC trabalha sobretudo com CNN (visão) e com modelos pré-treinados que abstraem esta complexidade por trás de uma API.

Bloco 5 · Treinar e avaliar modelos de IA

Técnicas de treino de um modelo

Treinar um modelo é ajustar os seus parâmetros até ele acertar o máximo possível nos dados de treino, sem "decorar" (overfitting).

  1. Preparar os dados: limpar, rotular, dividir em treino / validação / teste.
  2. Escolher a arquitetura: o tipo de rede ou algoritmo.
  3. Treinar: o modelo ajusta os pesos por iterações (épocas).
  4. Validar: testar em dados que não viu, para detetar overfitting.
  5. Ajustar hiperparâmetros e repetir até o desempenho estabilizar.

Um modelo que acerta 100% nos dados de treino mas falha nos novos dados está sobreajustado, não aprendeu, decorou.

Avaliar o desempenho e a generalização

Critério de desempenho da UC: verificar a capacidade dos modelos de IA em generalizar para diferentes conjuntos de dados.

  • Precisão (accuracy): percentagem de acertos totais.
  • Precisão e revocação (precision/recall): importantes quando as classes são desequilibradas (ex.: deteção de defeitos raros).
  • Consumo de recursos: tempo de resposta, memória, energia, essencial para avaliar a eficiência de um modelo em produção.
  • Explicabilidade: capacidade de explicar porque o modelo decidiu o que decidiu, cada vez mais exigida por lei e por confiança do utilizador.

Bloco 6 · Planear uma aplicação interativa com IA

Planear a conceção da aplicação

Realização da UC: planear a conceção de aplicações interativas com inteligência artificial. Antes de escrever código:

  1. Definir o problema: que interação queremos criar? (reconhecer, gerar, legendar, sobrepor).
  2. Escolher a modalidade de IA: visão, voz, texto, geração de imagem, ou uma combinação.
  3. Selecionar o modelo ou serviço: treinar de raiz é raro; escolhe-se um modelo pré-treinado ou uma API.
  4. Desenhar a interação: como o utilizador dá o input e recebe o resultado, em tempo real ou não.
  5. Prever os recursos: dispositivo, ligação à internet, licenças, limites da API.

Do protótipo ao produto interativo

  • Protótipo: testar o modelo isoladamente (script, notebook, ferramenta online) antes de o integrar.
  • Integração: ligar o modelo à aplicação (app, site, instalação interativa) através de uma API ou biblioteca.
  • Interface: desenhar como o utilizador interage (câmara, microfone, ecrã tátil, gestos).
  • Testes com utilizadores reais: um modelo tecnicamente correto pode ser mau de usar.

Uma aplicação interativa com IA só está pronta quando o modelo, a interface e a experiência do utilizador funcionam como um todo.

Bloco 7 · Visão computacional e reconhecimento de objetos

Modelos de visão computacional

A visão computacional ensina o computador a "ver": interpretar imagens e vídeo. Modelos comuns:

Tarefa Objetivo
Classificação de imagem dizer a categoria de toda a imagem
Deteção de objetos localizar e identificar vários objetos, com caixas delimitadoras
Reconhecimento de texto (OCR) ler texto dentro de uma imagem
Reconhecimento de sons classificar áudio (ex.: alarme, fala, música)

Realização da UC: integrar modelo de IA para reconhecimento de objetos em imagens.

Integrar um modelo de deteção de objetos: exemplo passo a passo

Aplicação: identificar equipamento de proteção individual (capacete, colete) numa obra, a partir da câmara.

  1. Escolher um modelo pré-treinado de deteção de objetos (ex.: uma família YOLO ou um serviço de visão em nuvem).
  2. Ligar a câmara ou carregar imagens de teste.
  3. Enviar cada imagem (ou frame) ao modelo através da sua API ou biblioteca.
  4. Receber a resposta: lista de objetos detetados, com classe, posição e grau de confiança.
  5. Desenhar as caixas e as etiquetas sobre a imagem, na interface da aplicação.
  6. Definir uma regra de negócio: alertar se "capacete" não for detetado numa pessoa.

Bloco 8 · Segmentação semântica em redes convolucionais

Técnicas de segmentação semântica

A segmentação semântica vai além da deteção: em vez de uma caixa à volta do objeto, classifica cada pixel da imagem segundo a classe a que pertence.

  • Usa redes neuronais convolucionais (CNN) especializadas em segmentação.
  • Resultado: uma "máscara" que separa, por exemplo, "pessoa", "fundo" e "objeto" pixel a pixel.
  • Usada para isolar objetos com precisão, recortar fundos, ou medir áreas numa imagem médica.

Aptidão da UC: usar algoritmos de segmentação para isolar objetos.

Onde a segmentação é usada nesta UC

  • Remover ou trocar o fundo de uma imagem ou vídeo numa aplicação interativa.
  • Isolar uma pessoa para a sobrepor noutro cenário (realidade aumentada, filtros).
  • Medir ou destacar uma zona de interesse (ex.: uma peça defeituosa numa linha de produção).

A segmentação semântica é a técnica que liga o Bloco 7 (deteção) ao Bloco 13 (realidade aumentada): primeiro sabe-se onde está o objeto, depois separa-se pixel a pixel para o manipular.

Bloco 9 · Reconhecimento facial

Como funciona o reconhecimento facial

Realização da UC: integrar modelo de IA para reconhecimento facial. O processo típico:

  1. Deteção da face: localizar a região da cara na imagem.
  2. Extração de características: medir pontos-chave (olhos, nariz, boca, contorno) num vetor numérico.
  3. Comparação: comparar esse vetor com uma base de dados de rostos conhecidos.
  4. Decisão: identificar a pessoa (1:N) ou verificar se é quem diz ser (1:1), com um grau de confiança.

Aptidão da UC: aplicar algoritmos de IA para identificar e analisar características faciais.

Ética e limites do reconhecimento facial

  • Viés (bias): modelos treinados com dados pouco diversos reconhecem pior certos grupos.
  • Privacidade: recolher e guardar rostos exige consentimento e cuidado com dados pessoais.
  • Contexto de uso: aceitável desbloquear um telemóvel, mais sensível vigilância em espaço público.
  • Atitude da UC: responsabilidade pelas suas ações ao aplicar esta tecnologia.

Um técnico competente sabe implementar reconhecimento facial e sabe também quando não o deve usar.

Bloco 10 · IA generativa: arte, imagens e vídeo

Modelos generativos de imagem e vídeo

Realização da UC: integrar modelo de IA para criação de arte, imagens e vídeos. Aptidão associada: incorporar modelos generativos.

  • Geração de imagem a partir de texto (text-to-image): o modelo cria uma imagem nova a partir de uma descrição.
  • Geração de vídeo: extensão da geração de imagem no tempo, quadro a quadro ou por segmentos.
  • Transferência de estilo: aplicar o estilo de uma imagem (ex.: uma pintura) a outra.
  • Edição generativa: preencher, substituir ou expandir partes de uma imagem existente.

Integrar geração de imagem numa aplicação: exemplo

Aplicação: um quiosque interativo de museu que gera um retrato "no estilo" de uma exposição.

  1. O visitante tira uma fotografia na câmara do quiosque.
  2. A aplicação envia a imagem e um pedido (prompt) de estilo ao modelo generativo, via API.
  3. O modelo devolve a imagem gerada em poucos segundos.
  4. A aplicação mostra o resultado ao visitante e oferece a opção de o descarregar.

Boas práticas: informar o visitante de que a imagem é gerada por IA, e nunca guardar o rosto sem consentimento.

Bloco 11 · Voz: reconhecimento e legendas automáticas

Sistemas de reconhecimento de voz

Os sistemas de reconhecimento de voz convertem fala em texto (speech-to-text), a base de assistentes de voz e de legendas automáticas.

  1. Captura de áudio: microfone recolhe o sinal sonoro.
  2. Pré-processamento: remover ruído, normalizar o volume.
  3. Modelo de reconhecimento: converte o áudio em texto, frequentemente usando redes recorrentes ou modelos de sequência.
  4. Pós-processamento: pontuação, capitalização, correção de erros comuns.

Quanto mais ruidoso o ambiente e mais forte o sotaque, maior a taxa de erro do reconhecimento.

Criar legendas automáticas

Realização da UC: criar legendas automáticas. Fluxo típico numa aplicação interativa:

  1. Extrair o áudio do vídeo ou captar voz em direto.
  2. Enviar o áudio a um serviço de reconhecimento de voz (via API).
  3. Receber o texto com marcas de tempo (timestamps).
  4. Gerar o ficheiro de legendas (ex.: formato .srt) sincronizado com o vídeo.
  5. Rever e corrigir manualmente termos técnicos ou nomes próprios que o modelo erre.

Legendas automáticas melhoram a acessibilidade da aplicação para pessoas surdas ou com dificuldade auditiva.

Bloco 12 · Processamento de vídeo

Sistemas de processamento de vídeo

Um vídeo é uma sequência de imagens (frames) no tempo, muitas vezes com áudio associado. Sistemas de IA aplicados a vídeo combinam várias técnicas já vistas:

  • Deteção e segmentação frame a frame: aplicar o modelo de imagem a cada quadro.
  • Seguimento (tracking): manter a identidade de um objeto ou pessoa entre quadros consecutivos.
  • Amostragem: processar só alguns frames por segundo, para poupar recursos, sem perder qualidade de deteção.
  • Sincronização com áudio: legendas, eventos e voz têm de bater certo com o quadro correto.

Desempenho e recursos no processamento de vídeo

Critério de desempenho da UC: avaliar o consumo de recursos durante a execução de modelos de IA para garantir eficiência.

  • Vídeo em direto exige processar em tempo real (dezenas de frames por segundo).
  • Trocas possíveis: menor resolução, menos frames por segundo, modelo mais leve, para ganhar velocidade.
  • Medir sempre: tempo de resposta, uso de memória e, em dispositivos móveis, consumo de bateria.

Uma aplicação interativa de vídeo mal otimizada trava, atrasa ou aquece o dispositivo, o que arruína a experiência.

Bloco 13 · Realidade aumentada e realidade virtual com IA

Realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV)

  • Realidade aumentada (RA): sobrepõe elementos digitais ao mundo real, visto através de câmara ou óculos.
  • Realidade virtual (RV): substitui totalmente o ambiente real por um ambiente digital imersivo.
  • Ambas dependem de IA para perceber o mundo (visão computacional) e reagir a ele em tempo real.

Realização da UC: integrar IA em aplicações de realidade aumentada (RA) e de realidade virtual (RV).

Como a IA entra numa aplicação de RA/RV

  1. Deteção e segmentação: reconhecer superfícies, objetos ou pessoas no ambiente real (RA).
  2. Seguimento (tracking): manter o elemento digital "colado" ao ponto certo enquanto a câmara ou a cabeça se move.
  3. Reconhecimento de gestos ou voz: permitir interação sem teclado nem rato.
  4. Geração de conteúdo: criar texturas, avatares ou cenários com IA generativa para a experiência virtual.

Exemplo: um provador virtual de óculos usa deteção facial para posicionar o modelo 3D sobre a cara do utilizador em tempo real.

Bloco 14 · Frameworks, bibliotecas e APIs

Frameworks para treino e inferência

Um framework de IA é um conjunto de ferramentas de software que facilita construir, treinar e usar modelos.

Fase O que se usa
Treino frameworks completos, para criar e ajustar modelos de raiz
Inferência versões otimizadas, mais leves, para correr o modelo já treinado numa aplicação

Aptidão da UC: utilizar diferentes tipos de bibliotecas e APIs. Na maior parte dos projetos desta UC, usa-se inferência: o modelo já vem treinado, a aplicação só o consome.

Escolher entre biblioteca local e API na nuvem

Biblioteca / modelo local API na nuvem
Ligação à internet não obrigatória obrigatória
Custo licença ou gratuito, sem custo por pedido normalmente por pedido/uso
Privacidade dos dados dados ficam no dispositivo dados saem para o serviço externo
Atualizações do modelo manuais automáticas pelo fornecedor

A escolha depende do contexto: uma instalação sem internet pede modelo local; um protótipo rápido pede API na nuvem.

Bloco 15 · Segurança, saúde no trabalho e ambiente

Normas de segurança e saúde no trabalho

Trabalhar com dispositivos, câmaras e computação intensiva (treino e inferência de IA) exige atenção à segurança:

  • Postura e ecrãs: pausas regulares, boa iluminação, monitor à altura dos olhos.
  • Equipamento: cabos e ligações elétricas em bom estado, sobretudo com dispositivos ligados à corrente por longos períodos de treino.
  • Uso de câmara e sensores em contexto público: sinalizar sempre que há captura de imagem ou voz.

Atitude da UC: respeito pelas regras e normas definidas.

Normas de proteção ambiental

Modelos de IA, sobretudo no treino, consomem energia e recursos computacionais significativos.

  • Preferir, sempre que possível, modelos pré-treinados em vez de treinar de raiz.
  • Escolher a inferência mais leve que cumpra o objetivo, sem sobredimensionar o hardware.
  • Desligar equipamento em desuso; monitorizar o consumo energético de servidores e postos de trabalho.
  • Reciclar equipamento eletrónico obsoleto de acordo com as normas locais.

Eficiência energética é também um critério de desempenho da UC: um modelo mais leve, bem escolhido, poupa recursos e ambiente.

Recapitulando

  • Pensamento computacional e a evolução da IA (machine learning, redes neuronais, PLN) dão a base teórica.
  • Treinar e avaliar modelos exige dados de qualidade e medir generalização, precisão e consumo de recursos.
  • Planear a aplicação vem sempre antes de escolher o modelo ou a API.
  • IA aplicada a imagem (objetos, segmentação, faces, geração), voz (reconhecimento, legendas) e vídeo.
  • RA/RV combinam várias destas técnicas em tempo real; frameworks e APIs sustentam tudo, com segurança e eficiência.

Próximo: fichas e mini-projeto, planear e integrar uma aplicação interativa com IA de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: pensamento computacional não é "saber programar", é o raciocínio que vem antes. - Erro comum: os alunos saltam direto para a ferramenta de IA sem decompor o problema. - Analogia: uma receita de cozinha é um algoritmo; separar ingredientes é decomposição.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a escolha do modelo vem depois, não antes, do raciocínio. - Erro comum: escolher a ferramenta "da moda" sem decompor o problema primeiro. - Pedir à turma que decomponha, em conjunto, "reconhecer se alguém usa capacete".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que os conceitos matemáticos existem há décadas; o que mudou foi o hardware e a quantidade de dados. - Erro comum: achar que IA é sinónimo só de ChatGPT ou de imagens geradas. - Curiosidade: as GPU foram criadas para jogos e acabaram por acelerar o treino de redes neuronais.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "IA" é o termo guarda-chuva; machine learning é uma das suas técnicas. - Erro comum: confundir "algoritmo genético" com genética biológica real, é só inspiração. - Analogia: PLN é a IA a "ler e escrever"; visão computacional é a IA a "ver".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a expressão "garbage in, garbage out" aplicada a dados de treino. - Erro comum: achar que mais dados resolvem sempre um modelo mal desenhado. - Pergunta à turma: dar um exemplo do dia a dia de aprendizagem por reforço (ex.: recomendações de vídeos).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: classificação = "que categoria é isto"; regressão = "qual é o número". - Erro comum: usar regressão quando o problema é, na verdade, uma classificação. - Exemplo local: prever a nota de um aluno é regressão; prever se passa ou reprova é classificação.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "deep" refere-se ao número de camadas, não a "profundidade de inteligência". - Erro comum: pensar que uma rede neuronal "pensa" como um humano. É otimização matemática. - Analogia: cada camada é como um filtro que refina a informação, dos traços simples aos conceitos complexos.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que, na prática profissional, raramente se treina uma CNN do zero: usa-se um modelo pré-treinado. - Erro comum: achar que é preciso saber a matemática toda da CNN para a usar bem. - Curiosidade: as CNN foram inspiradas em como o córtex visual processa imagens em camadas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a divisão treino/validação/teste como boa prática inegociável. - Erro comum: avaliar o modelo com os mesmos dados usados para o treinar. - Analogia: um aluno que decora as respostas do teste-modelo mas não sabe resolver um problema novo.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "avaliando o consumo de recursos... para garantir eficiência". - Erro comum: escolher o modelo só pela precisão, ignorando o custo computacional. - Pergunta à turma: porque é que um hospital exige um modelo que explique as suas decisões?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "planear a conceção" é uma realização avaliada, não um passo opcional. - Erro comum: começar pela API e só depois pensar no problema que se quer resolver. - Exemplo: uma app de museu que reconhece um quadro e lê a legenda em voz alta, planear cada etapa.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença entre "o modelo funciona" e "a aplicação funciona para o utilizador". - Erro comum: nunca testar com um utilizador fora da equipa antes de entregar. - Ligar às atitudes do referencial: sentido estético e sentido crítico no desenho da interação.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "ver" para um computador é sempre processar números (pixéis), não uma perceção humana. - Erro comum: confundir classificação (uma etiqueta para a imagem toda) com deteção (várias caixas na imagem). - Exemplo real: uma app de inventário que conta caixas numa prateleira usa deteção de objetos.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma identificar, neste fluxo, onde entra o pensamento computacional (decomposição em passos). - Erro comum: ignorar o grau de confiança e tratar toda a deteção como certa. - Perguntar: o que acontece se a iluminação da obra for fraca? (mais falhas de deteção).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença: deteção dá uma caixa, segmentação dá o contorno exato do objeto. - Erro comum: usar segmentação onde uma simples deteção de objetos já chegaria (mais custo computacional sem necessidade). - Exemplo do dia a dia: o "fundo desfocado" das videochamadas usa segmentação para separar a pessoa do fundo.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar explicitamente este slide ao bloco de RA/RV, para os alunos verem a progressão do curso. - Erro comum: achar que segmentação e deteção de objetos são a mesma técnica. - Demonstração sugerida: mostrar um "remover fundo" de uma app de videoconferência em direto.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a distinção entre identificação (quem é) e verificação (é mesmo esta pessoa). - Erro comum: achar que o reconhecimento facial é 100% infalível; há falsos positivos e negativos. - Perguntar à turma onde já usaram reconhecimento facial no dia a dia (desbloqueio de telemóvel).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às normas de proteção de dados e à atitude de responsabilidade do referencial. - Erro comum: tratar isto como um "extra" ético e não como parte central da competência técnica. - Debate rápido: um exemplo de uso aceitável e um de uso problemático de reconhecimento facial.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "generativo" significa que o modelo cria conteúdo novo, não só classifica o existente. - Erro comum: usar imagem gerada por IA sem verificar direitos de autor e sem o assinalar quando exigido. - Analogia: o modelo generativo é como um artista que "aprendeu" um estilo a partir de milhares de exemplos.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma listar os passos deste fluxo como um algoritmo, ligando ao Bloco 1. - Erro comum: esquecer o tempo de resposta da API no desenho da experiência (o visitante não pode esperar minutos). - Perguntar: que dados pessoais estão em causa aqui e como se protegem?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o reconhecimento de voz é um caso de PLN aplicado ao áudio. - Erro comum: testar o sistema só em ambiente silencioso e assumir que funciona sempre assim. - Demonstração sugerida: comparar a precisão do reconhecimento num ambiente calmo e num ambiente com ruído de fundo.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente à acessibilidade como valor do produto final, não só como requisito técnico. - Erro comum: publicar legendas automáticas sem revisão humana, sobretudo em vocabulário técnico. - Exercício sugerido: gerar a legenda de um pequeno vídeo e contar quantos erros a revisão apanha.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que processar vídeo é, na prática, "aplicar imagem muitas vezes por segundo" com mais desafios de desempenho. - Erro comum: processar todos os frames a alta resolução sem necessidade, desperdiçando recursos. - Pergunta: porque é que "seguir" uma pessoa entre frames é mais difícil que detetá-la numa só imagem?

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar este slide diretamente ao critério de desempenho sobre consumo de recursos. - Erro comum: só testar num computador potente e nunca no dispositivo final (tablet, telemóvel de gama baixa). - Exemplo: uma instalação interativa de museu que corre 8 horas por dia não pode aquecer nem travar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença: RA soma ao real, RV substitui o real. - Erro comum: confundir RA com um simples filtro de câmara, quando na verdade envolve compreensão espacial. - Exemplo do dia a dia: filtros de redes sociais são RA simples; um jogo com óculos VR é RV.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma identificar, neste fluxo, quais blocos anteriores da UC estão a ser reutilizados (7, 9, 11). - Erro comum: subestimar o custo computacional do seguimento em tempo real numa aplicação de RA. - Se possível, demonstrar uma aplicação de RA simples no telemóvel da turma.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença entre treinar um modelo (raro, no dia a dia profissional) e usar um já treinado (comum). - Erro comum: instalar um framework de treino pesado quando só é preciso correr inferência. - Perguntar: porque é que uma app móvel usa um modelo "otimizado" e não o modelo de treino original?

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à realização "planear a conceção" do Bloco 6: esta decisão faz parte do planeamento. - Erro comum: escolher API na nuvem sem considerar onde a aplicação vai realmente correr (ex.: sem internet). - Discussão: que dados sensíveis não deveriam nunca sair para uma API externa?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que treino intensivo de modelos gera calor e consumo elétrico elevado, exige ventilação e cuidado. - Erro comum: ignorar avisos de sobreaquecimento do equipamento durante treinos longos. - Ligar à sinalização de câmaras ativas como boa prática de transparência com o público.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar este slide ao critério de desempenho sobre consumo de recursos, já visto no Bloco 12. - Erro comum: tratar sustentabilidade como assunto à parte da engenharia, e não como critério de escolha do modelo. - Fechar com a pergunta: qual foi, ao longo da UC, a decisão mais "amiga do ambiente" que tomaram num exemplo?