UC04097

Montar e executar soldadura TIG, ângulo em chapa

Processo 141 · elétrodo de tungsténio · árgon e misturas · corrente DC/AC · posições PA, PB, PC e PF

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Fabrico de Componentes de Construção Metálica

Plano

  1. O processo TIG (141)
  2. Equipamento TIG
  3. O elétrodo de tungsténio
  4. Gases de proteção: árgon e misturas
  5. Corrente: DC no aço, AC no alumínio
  6. Arranque HF, corrente pulsada, rampa e pós-gás
  7. Vareta de adição e técnica operatória
  8. Documentação técnica e preparação da junta
  9. Posições de soldadura: PA, PB, PC e PF
  10. Simbologia de soldadura
  11. Imperfeições típicas e critérios de aceitação
  12. Inspeção, manutenção e qualificação do soldador
  13. Segurança, saúde e ambiente

Bloco 1 · O processo TIG (141)

O que é o TIG

TIG (Tungsten Inert Gas), normalizado como GTAW, processo 141: o arco elétrico estabelece-se entre um elétrodo de tungsténio não consumível e a peça, dentro de um gás inerte que protege o arco e o banho de fusão.

  • O elétrodo dá o arco mas não se funde: mantém sempre a mesma geometria.
  • Quem enche a junta é a vareta de adição, introduzida manualmente na poça.
  • Sem escória (ao contrário do SER) e sem projeções relevantes (ao contrário do MAG).

Porque escolher o TIG

  • Controlo fino do calor e da poça, cordões limpos e regulares.
  • Serve aço, inox e sobretudo alumínio e ligas ligeiras.
  • Mais lento e mais exigente em perícia do que o SER e o MAG.
  • Reserva-se para o passe de raiz, chapa fina, e trabalho de qualidade crítica.

Esta UC cobre linhas de fusão, juntas em T e juntas de canto, em chapa, nas posições PA, PB, PC e PF.

Bloco 2 · Equipamento TIG

Os quatro componentes

Componente Função
Fonte de energia gera e regula a corrente (DC/AC), HF e rampas
Tocha TIG suporta o elétrodo, conduz gás e corrente
Garrafa + regulador/caudalímetro fornece o gás inerte ao caudal certo
Comando (pedal ou botão) regula a corrente durante a soldadura

A tocha aperta o elétrodo num colete, dentro de um bocal cerâmico que canaliza o gás.

Escolher a tocha pela corrente

Gama de corrente Arrefecimento Observação
até 150 A a ar tochas leves, uso mais comum em chapa fina
150-200 A a ar (uso intermitente) ou a água risco de sobreaquecimento em uso contínuo
acima de 200 A a água circuito de refrigeração obrigatório, tocha mais pesada

Uma tocha arrefecida a ar usada acima do seu limite sobreaquece, degrada o isolamento e acelera o desgaste do bocal e do colete.

Ler os controlos da fonte

  1. Seletor DC/AC: material define a escolha.
  2. Amperagem de soldadura.
  3. Rampas: subida (upslope) e descida (downslope).
  4. Pré-gás e pós-gás.
  5. Modo pulsado: on/off e frequência.

Bloco 3 · O elétrodo de tungsténio

Tipos e código de cores (EN ISO 6848)

Tipo Composição Cor Uso
WP tungsténio puro verde AC, alumínio
WT20 + tório vermelho DC, aço/inox
WC20 + cério cinzento DC, aço/inox
WL15/20 + lantânio ouro/azul DC, aço/inox
WZ8 + zircónio branco AC, alumínio

Regra: toriado/cerado/lantanado → DC; puro/zirconiado → AC.

Afiamento da ponta e o efeito na penetração

  • Ponta afiada (15º-30º): arco concentrado, boa penetração; correntes baixas, chapa fina, DC.
  • Ponta menos afiada (45º-60º): arco largo e disperso, cordão espalhado; correntes mais altas.
  • Ponta em calote: típica de AC (alumínio), a própria corrente arredonda a ponta.

Afiar sempre na mó dedicada só a tungsténio, com riscos longitudinais: riscos transversais instabilizam o arco.

Parâmetros de referência: elétrodo, vareta e caudal

Espessura da chapa Ø elétrodo tungsténio Intensidade (PA) Ø vareta Caudal árgon
até 1,5 mm 1,0 mm 20-50 A 1,0-1,6 mm 5-6 l/min
1,5-3 mm 1,6 mm 50-100 A 1,6-2,0 mm 6-8 l/min
3-6 mm 2,4 mm 100-160 A 2,0-2,4 mm 8-10 l/min
6-10 mm 3,2 mm 150-220 A 2,4-3,2 mm 10-12 l/min

Valores de referência para a posição PA, a mais favorável. Nas posições PB, PC e PF a intensidade ajusta-se sempre para baixo, ver Bloco 9.

Bloco 4 · Gases de proteção

Árgon e misturas árgon+hélio (EN ISO 14175)

  • Árgon (Ar): o mais usado, inerte, denso, arco estável e fácil de controlar.
  • Árgon + hélio: mais calor no arco, maior penetração e velocidade; usa-se em chapa espessa, alumínio espesso, ou posições onde o hélio (mais leve) ajuda a proteção, como o teto.
  • O hélio é mais caro e o arco fica menos estável: só se usa quando justificado.
Mistura (EN ISO 14175) Energia do arco Velocidade de soldadura Estabilidade
Ar 100% (I1) referência referência máxima
Ar 75% + He 25% +15 a 20% ligeiro aumento boa
Ar 50% + He 50% +30 a 40% aumento notório moderada
Ar 25% + He 75% máxima máxima mais difícil de manter

Mais hélio na mistura significa mais tensão de arco à mesma corrente, logo mais energia disponível: compensa em chapa espessa ou alumínio de grande espessura, à custa de um arco mais difícil de controlar e de um custo de gás mais alto.

Caudal de gás e proteção do banho

Situação Caudal típico
Bocal pequeno, chapa fina 5-8 l/min
Bocal médio, uso corrente 8-12 l/min
Bocal grande, corrente alta 12-16 l/min
  • Caudal a menos: entra ar, o banho oxida.
  • Caudal a mais: cria turbulência, arrasta ar do mesmo jeito.

Bloco 5 · Corrente: DC no aço, AC no alumínio

DC com polaridade direta (DCEN) em aço/inox

  • Elétrodo ao negativo: aquece menos, permite elétrodos finos com correntes altas.
  • Calor concentra-se na peça: boa penetração.
  • Standard para aço e aço inoxidável.

AC no alumínio: a decapagem catódica

O alumínio forma óxido de alumínio (alumina), com ponto de fusão muito acima do metal, que impede a fusão correta.

  • Num semiciclo da AC, os iões quebram a alumina: decapagem catódica.
  • No outro semiciclo, o calor concentra-se na peça e funde o metal.
  • Por isso o alumínio solda-se em AC, nunca em DC simples: em DCEN (polaridade direta) a alumina nunca se quebra e o arco fica instável; em DCEP puro o elétrodo funde-se, porque recebe quase todo o calor.

Balanço da onda em AC: EN vs EP

Numa fonte inversora, o balanço ajusta a proporção de tempo de cada semiciclo dentro da onda quadrada de AC:

  • Mais tempo em EN (elétrodo negativo): mais penetração, elétrodo mais frio (aguenta correntes mais altas e dura mais), menos decapagem.
  • Mais tempo em EP (elétrodo positivo): mais decapagem catódica (superfície mais limpa e brilhante), elétrodo aquece muito mais (a ponta arredonda-se e desgasta-se depressa).
  • Balanço típico de trabalho: cerca de 70% EN / 30% EP, ajustável conforme o estado da chapa (mais óxido na superfície pede mais tempo em EP).

Só EN (equivalente a DC direto) nunca quebra a alumina; só EP funde o elétrodo sem penetrar. A AC alterna as duas vantagens no mesmo cordão.

Bloco 6 · Arranque HF, pulsada, rampa e pós-gás

Arranque por alta frequência (HF)

O arco não se inicia por contacto (contaminaria com tungsténio). O HF gera uma faísca de alta tensão que ioniza o gás e estabelece o arco sem tocar a peça.

Corrente pulsada

Alterna corrente de pico (funde) e de base (arrefece): menor aporte térmico global, útil em chapa fina e no multipasse.

A sequência completa, passo a passo

  1. Pré-gás (0,3-1 s): purga o ar do bocal antes do arco, evita que a primeira porção do cordão oxide.
  2. Arranque HF: ioniza o gás, abre o arco sem tocar a peça.
  3. Formação da poça (2-5 s parado): aquece a peça até se ver a poça brilhante e fluida, só depois se avança.
  4. Introdução da vareta: picar a poça em pequenas porções, coordenado com o avanço da tocha.
  5. Avanço: velocidade constante, tocha e vareta no ângulo definido para a posição (ver Bloco 9).
  6. Rampa de descida: reduz a corrente antes de parar, evita a cratera final.
  7. Pós-gás (5-15 s, mais tempo quanto maior o diâmetro do elétrodo e a corrente usada): protege a poça e o elétrodo enquanto arrefecem.

Rampa de descida e pós-gás

  • Rampa de descida (downslope): a corrente desce gradualmente no fim do cordão, evita a cratera final.
  • Pós-gás: o gás continua depois de o arco apagar, o tempo suficiente para o elétrodo e a poça arrefecerem protegidos.
  • Pós-gás curto demais = oxidação no fim do cordão.

Bloco 7 · Vareta de adição e técnica operatória

A vareta de adição (EN ISO 636)

  • Fornece o metal extra; composição compatível com o material base.
  • Introduzida manualmente na poça, nunca diretamente no arco.
  • Alimentada em pequenas porções, coordenada com o avanço da tocha.
  • Nunca sai da proteção do gás enquanto está quente.

Técnica de alimentação da vareta

  • Distância à poça: a ponta da vareta mantém-se sempre dentro da proteção de gás, nunca sai da "nuvem" do bocal enquanto está quente.
  • Ritmo: pequenos toques coordenados com o avanço da tocha, não um fio contínuo empurrado para dentro da poça.
  • Ângulo relativo: vareta e tocha formam um "V" aberto sobre a poça, nunca em linha reta uma atrás da outra.
  • Em multipasse, a vareta muda ligeiramente de ângulo entre o passe de raiz (mais fechado, poça pequena) e o enchimento/acabamento (mais aberto, poça maior).

Mono passe vs multipasse

  • Mono passe: junta fecha-se num único cordão; chapa fina, secções pequenas.
  • Multipasse: vários cordões sobrepostos (raiz, enchimento, acabamento); juntas de secção maior (t>1), com limpeza entre passes.

Esta UC exige domínio de ambas as técnicas, conforme a junta e a espessura.

Bloco 8 · Documentação técnica e preparação da junta

A EPS (Especificação do Procedimento de Soldadura)

Indica: processo (141), material base, vareta (EN ISO 636), gás (EN ISO 14175), gama de corrente, elétrodo de tungsténio (EN ISO 6848), posição (EN ISO 6947), número de passes.

Nada se decide "a olho": a EPS é a fonte da verdade do procedimento.

Tipos de junta desta UC

Junta Descrição Posições
Linha de fusão fusão sobre chapa, espessura ilimitada PA, PC, PF
Junta em T cordão de ângulo, t>1 PA, PB, PF
Junta de canto ângulo exterior, penetração total, t>1 PA, PC, PF

Preparação: limpeza rigorosa (o TIG é muito sensível a contaminação), alinhamento e ponteamento.

Preparação da junta em detalhe

Junta Preparação Ponteamento
Linha de fusão topo a topo, sem chanfro em chapa fina pontos curtos, espaçados conforme o comprimento
Junta em T ângulo reto, limpeza da raiz nas duas faces pontos alternados dos dois lados
Junta de canto ângulo exterior, alinhamento rigoroso para penetração total ponteamento cuidadoso, o desalinhamento fica visível no acabamento

Sem alinhamento correto, mesmo com parâmetros de corrente e gás certos, a penetração total fica comprometida.

Bloco 9 · Posições de soldadura (EN ISO 6947)

PA: a posição de referência

  • Inclinação da tocha: cerca de 75º-80º em relação à chapa (quase vertical), ligeiramente inclinada no sentido do avanço.
  • Inclinação da vareta: cerca de 15º-20º, do lado oposto ao avanço da tocha.
  • Sentido de avanço: o mais confortável para o soldador (normalmente da esquerda para a direita, para destros); a gravidade não impõe restrição.
  • Intensidade: é o valor de referência (100%), toda a tabela de parâmetros do Bloco 3 parte daqui.
  • Defeito mais comum: poucos, mas se houver é sobretudo porosidade por caudal de gás mal regulado.

PB: horizontal, cordão de ângulo

  • Inclinação da tocha: bissetriz do ângulo da junta em T, cerca de 45º entre as duas chapas, com uma inclinação adicional ligeira contra a gravidade.
  • Inclinação da vareta: 15º-20º, sempre do lado oposto ao avanço.
  • Sentido de avanço: horizontal e constante; qualquer variação de velocidade desequilibra o filete.
  • Intensidade: cerca de 90-95% da PA, menos calor para a poça não escorrer para a chapa inferior.
  • Defeito mais comum: mordedura (undercut) na chapa vertical superior, ou filete assimétrico por ângulo de tocha mal mantido.

PC: a posição crítica desta UC

A PC solda sobre uma parede vertical, mas o cordão desloca-se na horizontal: a gravidade puxa a poça para baixo, perpendicular ao sentido de avanço, e não ao longo dele como na PF. É a particularidade que distingue esta UC das irmãs SER e MAG do mesmo curso.

  • Inclinação da tocha: quase perpendicular à parede (80º-90º), ligeiramente virada para cima, "sustendo" a poça.
  • Inclinação da vareta: introduzida por cima da poça, nunca por baixo (cairia sem controlo).
  • Sentido de avanço: horizontal, com poça mais pequena e mais rápida do que em PA, para não ganhar peso e escorrer.
  • Intensidade: cerca de 80-85% da PA, porque o excesso de calor é a causa principal de escorrimento.
  • Defeito mais comum: escorrimento da poça com mordedura na aresta superior do cordão, por poça demasiado grande ou avanço demasiado lento.

PF: vertical ascendente

  • Inclinação da tocha: 40º-60º, "empurrando" o arco para cima, à frente da poça.
  • Inclinação da vareta: introduzida à frente da poça, no sentido do avanço.
  • Sentido de avanço: de baixo para cima; a poça é sustentada contra a gravidade pelo próprio arco.
  • Intensidade: cerca de 75-85% da PA, muitas vezes em modo pulsado, para dar tempo à poça de solidificar entre impulsos.
  • Defeito mais comum: excesso de reforço ou poça a escorrer para baixo se a corrente for excessiva; falta de penetração se o avanço for demasiado rápido.

Comparação rápida por posição

Posição Tocha Vareta Avanço Intensidade vs PA Defeito típico
PA 75º-80º 15º-20º livre 100% porosidade (caudal)
PB bissetriz ~45º 15º-20º horizontal 90-95% mordedura/assimetria
PC 80º-90º por cima horizontal 80-85% escorrimento/mordedura
PF 40º-60º à frente ascendente 75-85% reforço excessivo/falta de penetração

Bloco 10 · Simbologia de soldadura

Ler a simbologia

  • Linha de referência + seta: aponta para a junta.
  • Símbolo do cordão (ex.: triângulo, cordão de ângulo/filete), acima ou abaixo da linha conforme o lado da junta.
  • Cotas: comprimento e "perna" do filete.
  • Bandeirola: soldadura em obra. Círculo na junção: todo o perímetro.

Ler mal a simbologia = soldar o lado errado da junta, ou com dimensão errada.

Bloco 11 · Imperfeições e critérios de aceitação

Imperfeições típicas do TIG

Imperfeição Causa Deteção Correção
Inclusão de tungsténio contacto do elétrodo com a poça ou a vareta, corrente excessiva radiografia, ou ponto duro e brilhante visível ao corte reafiar/substituir o elétrodo, reduzir corrente, cuidar o arranque
Oxidação/coloração caudal insuficiente, bocal danificado, pós-gás curto cordão baço, poroso, ou colorido em vez de prateado (inox) ajustar caudal, verificar bocal e mangueiras, aumentar pós-gás
Contaminação gordura, óxido ou material errado na junta poça suja, salpicos, porosidade irregular limpar a junta antes de soldar, usar escova de aço inox dedicada
Falta de fusão/penetração corrente baixa, avanço rápido, ângulo errado ausência de ligação visível ao corte, reforço insuficiente ajustar corrente e velocidade, corrigir ângulo de tocha e vareta

Critérios de aceitação: EN ISO 5817

A EN ISO 5817 define níveis de qualidade (B, C, D) para soldaduras por fusão em aço, cada um com limites próprios para cada tipo de imperfeição.

  • Nível B (o mais exigente): tolerância mínima, quase nenhuma imperfeição de superfície admitida, usado em peças críticas.
  • Nível C (intermédio): tolerância moderada, o mais comum em construção metálica geral.
  • Nível D (o mais permissivo): tolera imperfeições menores (poros pequenos, ligeiras mordeduras), usado em estruturas menos críticas.

A EPS indica o nível exigido; a inspeção visual confronta o cordão real com esse nível, imperfeição a imperfeição.

Bloco 12 · Inspeção, manutenção e qualificação

Inspeção visual e manutenção do equipamento

  • Inspeção visual: aspeto do cordão, geometria da perna, cor, ausência de poros à superfície, comparado com a EN ISO 5817.
  • Manutenção: limpar bocal e pinça, verificar fugas de gás, verificar refrigeração da tocha.
  • Avarias simples: arco instável (pinça gasta), falta de gás (garrafa/regulador), falta de arranque (módulo HF).

Diagnóstico de avarias simples

Sintoma Causa provável Ação
Arco instável, "salta" pinça/colete gasto, elétrodo mal afiado substituir colete, reafiar elétrodo
Falta de gás na poça garrafa vazia, regulador fechado, fuga na mangueira verificar manómetro, apertar ligações, substituir mangueira
Não arranca (sem HF) módulo HF avariado, ligação à terra deficiente verificar ligação à massa, chamar manutenção se persistir
Tocha sobreaquece arrefecimento insuficiente para a corrente usada reduzir corrente ou mudar para tocha arrefecida a água

Qualificação do soldador: EN ISO 9606-1

Define os ensaios e requisitos para qualificar soldadores em soldadura por fusão de aços, por processo, posição, tipo de junta e espessura: as chamadas variáveis essenciais.

  • Qualificar numa posição mais exigente cobre normalmente as mais fáceis (por exemplo, PF tende a cobrir PA), mas a PC não é substituída por nenhuma outra: tem de ser ensaiada à parte.
  • O certificado limita a gama de espessuras, o diâmetro e o tipo de junta validados: não é um certificado genérico de "sabe soldar TIG".
  • Um soldador qualificado está certificado dentro do intervalo do seu ensaio, não fora dele.

Bloco 13 · Segurança, saúde e ambiente

EPI, EPC e boas práticas

  • EPI: máscara/óculos com filtro adequado (radiação UV intensa), luvas, roupa ignífuga.
  • EPC: ventilação/extração local, biombos contra radiação para quem trabalha ao lado.
  • Gases: garrafas fixas, reguladores em bom estado, nunca soldar em espaço confinado sem ventilação.
  • Ambiente e qualidade: gerir consumíveis e resíduos, seguir as normas de proteção ambiental e da qualidade.

Riscos e proteções, ponto a ponto

Risco Proteção
Radiação UV/IV do arco máscara com filtro de sombra adequado à corrente, luvas, roupa ignífuga sem partes sintéticas
Choque elétrico verificar isolamento de cabos e tocha, nunca soldar com humidade nas mãos ou luvas molhadas
Gases/fumos (ligas especiais) ventilação/extração local, sobretudo em inox e ligas com crómio
Radiação para colegas próximos biombos opacos à volta do posto de trabalho

Recapitulando

  • O TIG (141) usa elétrodo de tungsténio não consumível (EN ISO 6848) e gás inerte (árgon/árgon+hélio, EN ISO 14175); a vareta (EN ISO 636) enche a junta manualmente.
  • DC em aço/inox, AC em alumínio, pela decapagem catódica da alumina; arranque HF, corrente pulsada, rampa de descida e pós-gás.
  • Quatro posições da EN ISO 6947: PA, PB, PC e PF, com a PC como particularidade desta UC.
  • Defeitos próprios (inclusão de tungsténio, oxidação, contaminação), critérios da EN ISO 5817, qualificação pela EN ISO 9606-1.

Próximo: fichas e projeto, executar juntas TIG de raiz nas quatro posições.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: no TIG, "o que faz o arco" (elétrodo) e "o que enche a junta" (vareta) são coisas diferentes, ao contrário do SER e do MAG. - erro comum: os alunos confundem o elétrodo de tungsténio com um elétrodo revestido do SER, pensando que também se consome. - analogia: o elétrodo é como a ponta de um soldador de estanho, que aquece mas não se gasta; o estanho (aqui, a vareta) é que se derrete.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o TIG não é "melhor" em absoluto, é a escolha certa quando a qualidade e o controlo pesam mais do que a velocidade. - pergunta: porque é que o TIG é tão usado na indústria alimentar e química (inox)? Ligar à ausência de escória e ao cordão limpo. - exemplo: tubagem de inox alimentar solda-se quase sempre em TIG, para não deixar resíduos na junta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o pedal é típico em aço/inox (mãos livres para vareta e tocha); em alumínio usa-se muitas vezes o botão da tocha. - erro comum: bocal cerâmico rachado ou sujo, que deixa entrar ar e degrada a proteção. - exemplo: mostrar a diferença entre uma tocha arrefecida a ar e uma arrefecida a água (correntes mais altas).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a escolha da tocha não é só "a que está disponível", tem um limite de corrente e de ciclo de trabalho. - erro comum: usar uma tocha a ar em correntes altas e contínuas, "porque aguentou da última vez". - exemplo: comparar o peso e o diâmetro de uma tocha a ar e uma a água, e explicar a razão da diferença.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: antes de qualquer soldadura, confirmar o seletor DC/AC está na posição correta para o material. - erro comum: deixar a fonte na configuração do trabalho anterior (ex.: AC de alumínio) e tentar soldar aço. - exemplo: percorrer com a turma, ao vivo, cada botão de uma fonte real da oficina.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o código de cores existe precisamente para não trocar um elétrodo pensado para DC com um pensado para AC. - erro comum: usar WP (verde, para AC) em DC no aço, ou vice-versa, com arco instável como resultado. - exemplo: passar a caixa de elétrodos e pedir à turma que identifique tipo e uso pela cor da ponta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nunca partilhar a mó do tungsténio com aço, contamina o elétrodo. - erro comum: afiar em riscos transversais (círculos), que fazem o arco "saltar" de forma imprevisível. - exemplo: mostrar dois elétrodos afiados, um correto (longitudinal) e um errado (transversal), ao microscópio ou lupa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os valores da tabela são um ponto de partida, a EPS é que fixa os valores exatos de cada trabalho. - erro comum: escolher o diâmetro do elétrodo pela corrente máxima da fonte, e não pela espessura real da chapa a soldar. - exemplo: medir a chapa com um paquímetro antes de escolher elétrodo e vareta, em vez de "confiar à vista".

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mistura árgon+hélio não é "melhor" por defeito, é mais cara e menos estável, só compensa em espessura/penetração. - erro comum: assumir que "mais hélio é sempre melhor". Depende do material e da espessura. - exemplo: comparar o mesmo cordão em árgon puro e em 75/25 Ar/He, mesma corrente, ver a diferença de penetração.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mais caudal não é sempre melhor, há um ponto ótimo por bocal. - erro comum: "abrir tudo" no caudalímetro pensando que protege mais. - exemplo: pedir aos alunos que observem o cordão com caudal correto vs caudal excessivo, mesmo material.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: DCEN é o normal em aço/inox; não confundir com a polaridade inversa usada no SER com certos elétrodos. - erro comum: assumir que a polaridade em TIG funciona como no SER/MAG. Em TIG, aço = DCEN, sempre. - exemplo: mostrar num esquema simples o sentido da corrente e onde se concentra o calor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este é o ponto mais importante do bloco. A razão do AC não é "tradição", é a decapagem catódica. - erro comum: tentar soldar alumínio em DC "porque deu certo no aço". A alumina impede a fusão. - analogia: a alumina é como uma "casca" que tem de ser quebrada antes de conseguir mexer no que está por baixo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o balanço é um parâmetro real da fonte, não um detalhe teórico, os alunos vão vê-lo no painel da fonte inversora. - erro comum: subir o balanço para EP a mais "para limpar melhor" e queimar a ponta do elétrodo mais depressa. - exemplo: mostrar duas pontas de elétrodo WP usadas, uma com balanço equilibrado e outra com EP excessivo (calote grande e irregular).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: HF preserva a geometria da ponta do elétrodo, ao contrário do arranque por raspagem (lift arc). - erro comum: raspar o elétrodo na peça para arrancar o arco, deformando a ponta. - exemplo: ouvir/ver a faísca de HF antes do arco arrancar, numa fonte da oficina.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada passo tem uma razão técnica própria, saltar um só (por exemplo, avançar sem esperar a poça formar) já compromete o cordão. - erro comum: avançar assim que o arco abre, sem esperar que a poça fique brilhante e fluida. - exemplo: cronometrar em voz alta os primeiros segundos de uma soldadura de demonstração, nomeando cada passo da sequência.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: parar o arco de repente, sem rampa, deixa uma cratera (vazio/fenda) que é defeito. - erro comum: cortar o pós-gás demasiado cedo para "poupar" gás, oxidando o fim do cordão. - exemplo: mostrar um cordão com cratera final ao lado de um com rampa de descida bem regulada.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a vareta funde-se na poça, o elétrodo não. É a distinção central do processo. - erro comum: tocar a vareta no elétrodo, causa quase certa de inclusão de tungsténio. - exemplo: demonstrar o gesto de "picar" a poça com a vareta, sem tocar no arco.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o gesto de "picar" a poça é o que distingue um cordão TIG limpo de um irregular. - erro comum: empurrar a vareta como se fosse fio contínuo de MAG, perdendo o controlo da poça. - exemplo: demonstrar o gesto correto lentamente, depois em velocidade real de trabalho.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: t>1 nas juntas em T e de canto do referencial normalmente pede multipasse. - erro comum: tentar fechar uma junta espessa num único passe, com falta de fusão nas camadas mais profundas. - exemplo: mostrar em corte transversal um cordão multipasse (raiz + enchimento + acabamento).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a EPS não é burocracia, é o que garante que o soldador replica um procedimento validado. - erro comum: ignorar a EPS e escolher gás/corrente/vareta por hábito. - exemplo: analisar em conjunto uma EPS real, campo a campo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o TIG é o mais sensível dos três processos a gordura, óxido e humidade na junta. - erro comum: saltar a limpeza "porque a chapa parece limpa a olho nu". - exemplo: comparar um cordão em chapa limpa vs chapa com óxido superficial não removido.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a preparação da junta pesa tanto no resultado final como os parâmetros elétricos. - erro comum: confiar só na corrente e no gás para "compensar" uma junta mal preparada ou mal alinhada. - exemplo: mostrar duas juntas de canto, uma bem alinhada e outra com desalinhamento, e o efeito no cordão final.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a PA é o ponto de partida da aprendizagem e a referência (100%) para os ajustes das outras posições. - erro comum: já em PA, negligenciar o caudal de gás "porque é a posição fácil". - exemplo: comparar o mesmo cordão em PA com caudal correto e com caudal a menos.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: em PB a gravidade puxa a poça para a chapa horizontal inferior, por isso o ângulo da tocha tem de compensar. - erro comum: manter o ângulo e a intensidade exatamente iguais aos da PA, resultando em filete assimétrico. - exemplo: soldar o mesmo tipo de junta em T primeiro em PA depois em PB e comparar a simetria do filete.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a PC não é "a PA rodada": a gravidade atua numa direção diferente da direção de avanço, e isso muda toda a técnica. - erro comum: usar a mesma poça grande e o mesmo ritmo lento da PA numa parede vertical, resulta em escorrimento quase certo. - exemplo: filmar (ou observar ao vivo) a mesma junta soldada em PA e em PC, comparando o tamanho da poça e a velocidade de avanço.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: em PF a gravidade opõe-se diretamente ao avanço, por isso a corrente pulsada ajuda a controlar o peso da poça. - erro comum: subir a corrente para "compensar" a posição, quando isso só agrava o escorrimento. - exemplo: comparar corrente contínua vs pulsada na mesma junta em PF, observando o comportamento da poça.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a intensidade desce à medida que a posição fica mais desfavorável à gravidade; a PA é sempre o máximo. - erro comum: decorar os ângulos sem perceber a lógica: tocha e vareta ajustam-se para conter a poça contra a gravidade. - exemplo: usar esta tabela como checklist antes de cada mudança de posição na oficina.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o lado do símbolo em relação à linha de referência indica de que lado da junta o cordão vai. - erro comum: confundir o lado "de cima" com o lado "de baixo" do símbolo. - exemplo: dar um desenho técnico real com simbologia de soldadura e pedir à turma que descreva o cordão exigido.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada defeito tem uma causa mecânica ou de processo identificável, não é "azar". - erro comum: classificar toda a mancha escura como "contaminação" sem verificar a causa real (pode ser oxidação por caudal errado). - exemplo: mostrar fotografias de cordões com cada um destes defeitos, lado a lado, e pedir à turma que identifique causa e correção.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o nível de qualidade não é universal, é definido caso a caso na EPS conforme a criticidade da peça. - erro comum: aplicar sempre o nível mais exigente (B) "por precaução", encarecendo o trabalho sem necessidade. - exemplo: comparar o mesmo cordão com uma pequena mordedura, aceitável em D mas rejeitado em B.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a inspeção visual é o primeiro nível de controlo de qualidade, disponível em qualquer posto de trabalho. - erro comum: adiar a limpeza do bocal até o arco começar a falhar. - exemplo: percorrer uma checklist de manutenção diária da tocha e da fonte com a turma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a maior parte das avarias "simples" tem uma causa mecânica visível, antes de suspeitar da fonte. - erro comum: saltar logo para "a fonte está avariada" sem verificar antes a tocha, o gás e as ligações. - exemplo: percorrer esta tabela como checklist de diagnóstico com a turma, avaria a avaria.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a qualificação não é genérica, é específica ao processo/posição/espessura ensaiados, e a PC exige o seu próprio ensaio. - erro comum: assumir que quem está qualificado em PF está automaticamente qualificado em PC, só por parecer "mais difícil". - exemplo: mostrar um certificado de qualificação real e identificar os campos que limitam o âmbito (posição, espessura, diâmetro).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a radiação UV do arco TIG é intensa mesmo quando há pouco fumo visível, ao contrário do SER. - erro comum: relaxar a proteção ocular só porque "não há fumo", esquecendo a radiação. - exemplo: mostrar o filtro correto da máscara e explicar o número de sombra adequado ao processo/corrente.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o TIG tem menos fumo visível do que o SER/MAG, o que engana quem pensa que arrisca menos radiação. - erro comum: baixar a guarda na proteção ocular por não haver fumo aparente, esquecendo a radiação intensa do arco. - exemplo: percorrer esta tabela risco a risco antes da primeira aula prática de soldadura TIG.