UC04033

Montar e executar soldadura MAG/FF, ângulo em chapa nas posições PA, PB, PF e PG em aços temperados e revenidos

Fio fluxado com proteção gasosa (processo 136), variáveis do processo, técnica operatória nas quatro posições e controlo metalúrgico dos aços temperados e revenidos

Curso profissional · 50h · Técnico de Fabrico de Componentes de Construção Metálica

Plano

  1. O processo 136: MAG com fio fluxado
  2. Documentação técnica e o EPS
  3. O consumível: fio fluxado (FCW)
  4. Gases de proteção ativos
  5. Variáveis do processo
  6. Modos de transferência metálica
  7. Equipamentos e acessórios
  8. Parametrizar o equipamento
  9. Aços temperados e revenidos
  10. Aporte térmico e pré-aquecimento
  11. Preparar a junta em ângulo (T)
  12. As posições PA, PB, PF e PG
  13. Técnica operatória e multipasse
  14. A posição PG: descendente
  15. Defeitos, inspeção e critérios de aceitação
  16. Manutenção, segurança e fecho

Bloco 1 · O processo 136: MAG com fio fluxado

O que é o processo 136 (FCAW-G)

O processo 136, na nomenclatura da EN ISO 4063, é a soldadura por arco elétrico com fio fluxado tubular e proteção gasosa ativa (Flux Cored Arc Welding, Gas-shielded).

  • O fio é tubular, com um núcleo de fluxo que gera gás de proteção adicional, escória e elementos de liga.
  • A proteção externa vem de uma garrafa de gás ativo (CO2 ou mistura Ar+CO2), tal como no MAG convencional.
  • Existe também o processo 114 (fio fluxado autoprotegido, sem gás externo), usado sobretudo ao ar livre com vento; não é o objeto desta UC.

Esta UC é sempre e só sobre o 136: fio fluxado COM gás de proteção.

Porque se usa o fio fluxado em construção metálica

O FCAW-G junta o melhor de dois mundos: a produtividade do MAG (fio contínuo, sem trocar elétrodos) e a qualidade metalúrgica da escória (como no SER).

  • Maior taxa de deposição que o MAG com fio maciço, à mesma corrente.
  • Melhor penetração e tolerância a juntas menos perfeitas, graças à escória que sustenta e protege o banho.
  • Adequado a chapa grossa e aço de alta resistência, como os aços temperados e revenidos usados em estruturas metálicas pesadas, gruas e equipamento de movimentação de terras.

O sector escolhe o 136 quando precisa de rendimento sem perder o controlo metalúrgico da junta.

Bloco 2 · Documentação técnica e o EPS

Do desenho à especificação de procedimento

Antes de acender o arco, o soldador analisa a documentação técnica: é a primeira realização do referencial desta UC.

  • Desenho técnico: geometria da junta, cotas, tipo de cordão de ângulo (filete em T), símbolos de soldadura.
  • Especificação do Procedimento de Soldadura (EPS/WPS), conforme a EN ISO 15609-1: processo (136), material base, consumível, posição, parâmetros elétricos, temperatura de pré-aquecimento e entre passes.
  • Certificados de fabrico do material de base e do material de adição: rastreiam a composição química e as propriedades mecânicas reais do lote.

Sem ler estes três documentos, não há como garantir que a soldadura cumpre a especificação.

Sequenciar as operações no posto de trabalho

A segunda realização é estabelecer a sequência de operações no posto e no fabrico, antes de soldar.

  • Plano de trabalho: ordem de preparação, ponteamento, soldadura e acabamento.
  • Sequência de cordões: em junta multipasse, a ordem e o sentido de cada passe influenciam a distorção e o aporte térmico acumulado.
  • Estimativa de materiais, tempos e recursos: quantidade de fio e gás, tempo de arco aberto, necessidade de pré-aquecimento.
  • Ligação direta à prova de qualificação do soldador (EN ISO 9606-1): o soldador só pode executar o que está qualificado a fazer, no processo, material e posição corretos.

Planear a sequência é o que separa um fabrico controlado de uma soldadura por tentativa e erro.

Bloco 3 · O consumível: fio fluxado (FCW)

Anatomia do fio fluxado

O fio fluxado (Flux Cored Wire, FCW) é um tubo metálico fino, enrolado a partir de uma fita, cheio de fluxo em pó.

  • O invólucro metálico conduz a corrente e funde para formar o metal de adição.
  • O núcleo de fluxo contém desoxidantes, formadores de escória, elementos de liga e, nos fios com rutilo, estabilizadores de arco.
  • Ao fundir, o fluxo forma escória que flutua sobre o banho: protege-o do ar durante o arrefecimento e molda o cordão.
  • Classificação normativa: EN ISO 17632 (fios fluxados tubulares para aços não ligados e de grão fino).

O invólucro faz o circuito elétrico; o núcleo faz a química da soldadura.

Rutilo vs básico, e a escorificação

Os fios fluxados dividem-se por tipo de escória, com comportamentos muito diferentes em obra:

Tipo de núcleo Arco e projeções Escória Uso típico
Rutilo suave, poucas projeções fácil de remover, autodestacável uso geral, todas as posições
Básico mais penetrante mais aderente, remoção mais cuidada teores de hidrogénio mais baixos, aços de alta resistência
  • Fios básicos de baixo hidrogénio são a escolha em aços temperados e revenidos, por reduzirem o risco de fissuração a frio (bloco 9).
  • Em multipasse, a escória tem de ser totalmente removida entre passes com escova metálica e martelo de picar; escória retida gera inclusões de escória.
  • Os fios devem ser acondicionados secos: humidade no fluxo introduz hidrogénio no banho.

Escolher rutilo ou básico é uma decisão metalúrgica, não só de facilidade de uso.

Bloco 4 · Gases de proteção ativos

CO2 puro vs misturas Ar+CO2

No processo 136, o gás de proteção é sempre ativo (participa quimicamente no arco), classificado pela EN ISO 14175.

Gás Classificação Penetração Projeções Aspeto do cordão
CO2 puro C1 maior, mais profunda mais projeções mais convexo, mais rugoso
Ar + 15-20% CO2 M21 boa, mais controlada poucas projeções liso, bem molhado
  • O CO2 puro dissocia no arco e liberta oxigénio: aumenta a penetração no centro do cordão mas gera mais salpicos e um arco mais instável.
  • A mistura M21 (a mais usada em fabrico com fio fluxado) dá um arco mais estável, cordão mais estético e menos limpeza pós-soldadura.
  • O caudal de gás típico ronda os 15-20 l/min; caudal insuficiente ou excessivo (turbulência) compromete a proteção.

A escolha do gás muda a penetração, as projeções e a produtividade da mesma forma que a escolha do consumível.

Corrente de ar e porosidade

O gás de proteção só funciona se não for perturbado. É aqui que nasce um dos defeitos mais típicos do MAG/FF em obra.

  • Correntes de ar (janelas abertas, ventoinhas, portas, vento em estaleiro) arrastam o gás para longe do banho antes de este solidificar.
  • O resultado é porosidade: bolhas de gás aprisionadas no cordão, visíveis por vezes à superfície, sempre detetáveis por radiografia ou ultrassons.
  • Soluções: écrans/biombos de proteção contra corrente de ar, distância bocal-peça correta (não demasiado longa), e nunca soldar MAG/FF ao ar livre sem proteção quando há vento.

Se o soldador sente vento na cara, o banho também o sente.

Bloco 5 · Variáveis do processo

Tensão, intensidade e velocidade de alimentação do fio

O equipamento MAG/FF é de tensão constante: o soldador regula a tensão e a velocidade de alimentação do fio (VAF); a intensidade resulta da VAF, num efeito autorregulador do arco.

  • VAF (m/min): quanto mais rápido o fio é alimentado, maior a intensidade resultante e maior a taxa de deposição.
  • Tensão (V): controla o comprimento do arco e a forma do cordão; tensão baixa dá um arco curto e cordão estreito e convexo, tensão alta alarga e achata o cordão.
  • Intensidade (A): consequência da VAF; determina a penetração e a diluição no material base.
  • Regra prática: para um dado diâmetro de fio, existe uma janela VAF/tensão que dá arco estável; sair dela produz projeções, porosidade ou falta de fusão.

VAF e tensão não se ajustam isoladamente: formam sempre um par coerente.

Stick-out e indutância

Duas variáveis menos visíveis, mas decisivas na qualidade do cordão em fio fluxado.

  • Stick-out (extensão livre do fio): distância entre o bocal de contacto e a peça. No FCAW-G é tipicamente maior que no MAG com fio maciço (cerca de 15-25 mm), porque pré-aquece o fio por efeito Joule antes de chegar ao arco, aumentando a deposição.
    • Stick-out excessivo: arco instável, menor penetração, mais projeções.
    • Stick-out curto demais: salpicos no bocal, sobreaquecimento do bocal de contacto.
  • Indutância: regula a rapidez de subida da corrente nos curto-circuitos da transferência por curto-circuito. Mais indutância suaviza a transferência e reduz projeções; menos indutância dá um arco mais "duro" e penetrante.

Controlar stick-out e indutância é o que distingue um cordão liso e sem projeções de um cordão irregular.

Bloco 6 · Modos de transferência metálica

Curto-circuito e globular

O metal passa do fio para o banho segundo três modos, cada um associado a uma gama de parâmetros.

  • Curto-circuito (short-arc): a gota toca o banho e curto-circuita antes de se destacar; baixa energia, arco frio. Usa-se em chapas finas e em todas as posições fora da plana (incluindo PF e PG), por dar um banho pequeno e controlável.
  • Globular: transição instável entre curto-circuito e spray; gotas grandes e irregulares que caem por gravidade, com muitas projeções. É um regime a evitar: normalmente surge por parâmetros mal escolhidos entre as duas zonas estáveis.

Regra prática: se o cordão projeta muito e o arco "estala" de forma irregular, é provável que se esteja na zona globular, não numa zona de trabalho válida.

Spray (pulverização axial)

O spray transfere o metal em gotas finas e contínuas ao longo do eixo do fio, com arco estável e poucas projeções.

  • Requer intensidade e tensão elevadas, acima de um limiar (transition current) que depende do diâmetro do fio e do gás.
  • alta penetração e alta taxa de deposição, mas o banho é grande e só é viável em PA e PB (posições planas ou próximas da plana); é impraticável em PF e PG, onde a gravidade faria o banho escorrer.
  • Mais comum com misturas ricas em árgon (M21) do que com CO2 puro.

Em chapa espessa de aço temperado e revenido soldada em PA, o spray acelera muito a produção, mas exige planeamento de junta e aporte térmico coerente com o bloco 9.

Bloco 7 · Equipamentos e acessórios

A tocha, as mangueiras e a fonte

O posto de trabalho MAG/FF reúne um conjunto de equipamentos que o soldador tem de conhecer e manter.

  • Fonte de tensão constante: alimenta corrente contínua, normalmente com polaridade CC+ (elétrodo positivo), a mais usada em fio fluxado com gás para melhor penetração e estabilidade.
  • Devanadeira/alimentador de fio: motor que impõe a VAF; roletos com o perfil certo para o diâmetro do fio (evita esmagar ou patinar no fio tubular, mais frágil que o maciço).
  • Tocha (porta-elétrodo): bocal de contacto, difusor de gás e bico de gás; arrefecida a ar ou a água conforme a intensidade de trabalho.
  • Mangueiras: conduzem fio, corrente, gás e, se aplicável, água de refrigeração, num único conjunto flexível.
  • Rebarbadora: acabamento de cordões, remoção de escória aderente e preparação de bordos.

Cada peça do equipamento tem um papel específico; uma tocha mal escolhida limita o processo antes mesmo de regular parâmetros.

Consumíveis de desgaste da tocha

Além do fio e do gás, a tocha tem peças que se desgastam e precisam de substituição regular.

  • Bocal de contacto: transmite corrente ao fio; desgasta-se e alarga com o uso, aumentando o stick-out efetivo de forma descontrolada.
  • Difusor de gás: distribui o fluxo de gás em torno do arco; obstruído por projeções, cria turbulência e porosidade.
  • Bico de gás: acumula respingos de escória e projeções, deve ser limpo com regularidade (spray anti-projeção ou raspagem).

A inspeção destes consumíveis faz parte da manutenção diária do posto, antes de qualquer soldadura de produção.

Bloco 8 · Parametrizar o equipamento

Sequência de parametrização

Parametrizar o equipamento de soldadura MAG/FF é uma das aptidões centrais da UC. Segue sempre a mesma ordem lógica.

  1. Confirmar na EPS o processo (136), o diâmetro e a classificação do fio, o gás e a posição.
  2. Selecionar o diâmetro do fio e montar os roletos e o bocal de contacto corretos.
  3. Ligar o caudal de gás (15-20 l/min típico) e verificar a estanquidade das ligações.
  4. Ajustar a VAF (que a fonte traduz em intensidade) e a tensão, dentro da janela recomendada pelo fabricante do fio para o diâmetro e o gás escolhidos.
  5. Regular a indutância conforme a estabilidade pretendida.
  6. Fazer um cordão de ensaio em sucata do mesmo material e espessura, e observar arco, som e aspeto antes de soldar a peça real.

Parametrizar não é "tentar até dar jeito": é seguir a EPS e confirmar com um ensaio.

Ler o arco: sinais de parâmetros corretos

Um soldador experiente ajusta pelo som e aspeto do arco, não só pelos mostradores da fonte.

Sinal Parâmetro provavelmente errado
Som de "fritar" agudo e irregular, muitas projeções tensão baixa ou VAF/tensão desequilibrada
Arco longo, instável, cordão largo e achatado tensão alta demais
Fio a "afundar" no banho, muita penetração e reforço excessivo VAF/intensidade alta demais
Cordão estreito, mal molhado, com falta de fusão nas laterais VAF/intensidade baixa demais ou ângulo de tocha incorreto

Corrigir pelo som e pelo aspeto do cordão de ensaio, não pela peça de produção.

Bloco 9 · Aços temperados e revenidos

O que distingue estes aços

Os aços temperados e revenidos (ex.: gamas estruturais de alta resistência usadas em gruas, chassis e equipamento pesado) recebem um tratamento térmico prévio que lhes dá alta resistência mecânica com boa tenacidade.

  • Têmpera: aquecimento e arrefecimento rápido, gera uma estrutura dura (martensítica).
  • Revenido: reaquecimento controlado a temperatura moderada, reduz a fragilidade e ajusta a dureza final.
  • O resultado é um aço de alta resistência mecânica (limites de elasticidade elevados), mas sensível ao calor introduzido na soldadura: qualquer reaquecimento local descontrolado altera a microestrutura que o tratamento térmico criou.

Soldar estes aços é sempre um compromisso entre fundir o metal e não destruir a estrutura metalúrgica de origem.

Amaciamento da ZTA e fissuração a frio

Dois riscos metalúrgicos dominam a soldadura destes aços, e são opostos entre si.

  • Amaciamento da zona termicamente afetada (ZTA): um aporte térmico excessivo sobreaquece a ZTA além da temperatura de revenido original, reduzindo localmente a dureza e a resistência da junta.
  • Fissuração a frio (fissuração por hidrogénio): surge horas ou dias após a soldadura, quando há em simultâneo hidrogénio difusível no cordão, uma microestrutura dura (martensítica, típica de arrefecimento rápido) e tensões residuais. Um aporte térmico insuficiente e um arrefecimento demasiado rápido aumentam este risco.

O objetivo é encontrar a janela de aporte térmico que evita os dois riscos ao mesmo tempo, nunca um extremo sem olhar ao outro.

Bloco 10 · Aporte térmico e pré-aquecimento

Calcular o aporte térmico

O aporte térmico (heat input, em kJ/mm) quantifica a energia introduzida por unidade de comprimento de cordão, e é a variável central de controlo nestes aços.

Onde V é a tensão (V), I a intensidade (A), v a velocidade de soldadura (mm/min) e η o rendimento térmico do processo (≈ 0,8 para MAG/FF).

Exemplo resolvido

Tensão 28 V, intensidade 220 A, velocidade de soldadura 350 mm/min:

Se a EPS exigir um aporte entre 0,7 e 1,2 kJ/mm, este cordão está dentro da janela.

Pré-aquecimento e temperatura entre passes

A EPS de aços temperados e revenidos define sempre uma temperatura mínima de pré-aquecimento e uma temperatura máxima entre passes.

  • Pré-aquecimento: aquece a peça antes de soldar, reduz a velocidade de arrefecimento e o gradiente térmico, diminuindo o risco de fissuração a frio. Aplica-se com maçarico, mantas de resistência ou fornos, e confirma-se com giz térmico ou termómetro de contacto.
  • Temperatura entre passes: em soldadura multipasse, cada passe subsequente não pode encontrar a peça acima de um limite máximo (definido na EPS), sob pena de acumular aporte térmico e amaciar excessivamente a ZTA.
  • Ambas as temperaturas são medidas junto à junta, nunca à distância, e registadas no controlo de qualidade do fabrico.

Pré-aquecer a mais ou deixar arrefecer a menos entre passes são os dois erros que mais comprometem estes aços.

Bloco 11 · Preparar a junta em ângulo (T)

A junta em T e o cordão de ângulo

O referencial desta UC centra-se na junta de ângulo em T (uma chapa perpendicular a outra), soldada com cordão de ângulo (filete), em espessuras entre 6 e 13 mm.

  • Preparação: limpeza de óxidos, tintas, gordura e humidade nos bordos e nas faces a soldar, numa faixa de pelo menos 20 mm de largura.
  • Ponteamento: pontos de fixação curtos e bem distribuídos, que garantem a geometria antes do cordão definitivo; devem ser refundidos e incorporados no cordão final, nunca deixados como defeito.
  • Ângulo da junta: verificar o esquadro entre as duas chapas antes de soldar; um desvio de esquadro obriga a um cordão assimétrico para compensar.
  • Garganta e perna do cordão: dimensões definidas no desenho técnico, verificadas com calibre de soldadura após a execução.

Uma junta bem preparada é metade do trabalho de garantir um cordão sem defeitos.

Monopasse vs multipasse

Consoante a espessura e a garganta exigida, a junta em T executa-se num único passe ou em vários.

  • Monopasse: um único cordão cobre toda a garganta exigida; usa-se em espessuras mais finas da gama (perto de 6 mm) e quando a EPS o permite.
  • Multipasse: a garganta exigida é conseguida com vários cordões sobrepostos (passe de raiz, de enchimento e de acabamento); necessário em chapas mais espessas (perto de 13 mm) e sempre que o aporte térmico por passe tenha de ser limitado.
  • Em multipasse: escoriar completamente entre passes, controlar a temperatura entre passes (bloco 10) e manter a sequência definida na EPS para gerir a distorção.

A decisão monopasse/multipasse não é do soldador à vontade: vem da EPS, em função da espessura e do aporte térmico admissível.

Bloco 12 · As posições PA, PB, PF e PG

Nomenclatura das posições (EN ISO 6947)

A EN ISO 6947 define as posições de soldadura por letras e a orientação do eixo do cordão. Nesta UC trabalham-se quatro:

Posição Nome comum Orientação da chapa/cordão
PA Plana (ao baixo) cordão horizontal, soldador por cima, gravidade a favor
PB Horizontal em ângulo (filete horizontal) junta em T horizontal, cordão de ângulo na horizontal
PF Vertical ascendente cordão vertical, progressão de baixo para cima
PG Vertical descendente cordão vertical, progressão de cima para baixo

Cada posição impõe uma técnica diferente porque a gravidade atua de forma diferente sobre o banho fundido.

Como a posição altera os parâmetros

A mesma junta, na mesma chapa, exige ajustes de parâmetros e de técnica consoante a posição.

  • PA: a posição mais favorável; permite intensidades mais altas, banho maior, inclusive transferência spray em chapa espessa.
  • PB: a gravidade tende a fazer o banho escorrer para a chapa inferior; exige controlo do ângulo de tocha para equilibrar a fusão nas duas faces da junta.
  • PF (ascendente): a gravidade puxa o banho para baixo; o que o segura é a tensão superficial e a prateleira de metal já solidificado logo abaixo do arco. Permite boa penetração com movimento oscilante, mas exige parâmetros mais baixos que a PA para o banho não crescer além do que essa prateleira suporta.
  • PG (descendente): a gravidade empurra o banho à frente do arco; exige técnica própria e cuidado redobrado (bloco 14).

Nenhuma EPS usa os mesmos parâmetros para todas as posições da mesma junta.

Bloco 13 · Técnica operatória e multipasse

Ângulo de tocha e movimento

A técnica operatória combina três variáveis geométricas que o soldador controla com a mão, complementares aos parâmetros elétricos.

  • Ângulo de trabalho: normalmente 45° em relação às duas faces da junta em T, para equilibrar a fusão entre a chapa vertical e a horizontal.
  • Ângulo de deslocamento (arrasto/empurrão): em curto-circuito, um ligeiro ângulo de arrasto (tocha inclinada "para trás" do sentido de avanço) favorece a penetração e a visibilidade do banho.
  • Movimento: retilíneo em cordões estreitos e de raiz; oscilante (em zig-zag ou em "C") em passes de enchimento largos, com uma pausa breve nas laterais para garantir a fusão dos bordos.

A pausa lateral no movimento oscilante é o que evita a falta de fusão nas laterais, o defeito mais comum do processo (bloco 15).

Sequência de passes em multipasse

Numa junta em T multipasse, a ordem dos cordões controla tanto a qualidade metalúrgica como a distorção da peça.

  1. Passe de raiz: funde as duas faces da junta na base do filete, parâmetros mais contidos para controlar a penetração inicial.
  2. Passes de enchimento: preenchem a garganta em camadas sucessivas, cada uma escoriada e limpa antes da seguinte.
  3. Passe de acabamento (cobertura): dá o aspeto e a geometria final do filete, muitas vezes com um movimento ligeiramente mais largo.
  4. Em peças longas, alternar o sentido de soldadura ou soldar por troços (passo de peregrino) reduz a distorção angular acumulada.

Cada passe é uma nova oportunidade de introduzir um defeito, se a escória ou a temperatura entre passes não forem controladas.

Bloco 14 · A posição PG: descendente

Porque a PG é a mais exigente desta UC

A PG (vertical descendente) é a particularidade mais delicada do referencial: o soldador progride de cima para baixo, e a gravidade empurra o banho fundido à frente do arco.

  • Se o banho avança mais depressa do que o arco funde a raiz da junta, o metal fundido cobre a zona ainda não fundida, criando falta de fusão escondida sob um cordão de aspeto aceitável.
  • A velocidade de soldadura tem de ser mais rápida do que em PF, precisamente para o arco "ir à frente" do banho e não o contrário.
  • É por isto que a PG exige cuidado redobrado: um defeito de falta de fusão em PG pode não ser visível à inspeção visual, só surgindo em radiografia ou ultrassons.

Em PG, a rapidez do soldador não é opção, é a técnica que evita o defeito mais grave desta posição.

Técnica correta em PG

Para soldar bem em PG, ajustam-se três coisas em conjunto: parâmetros, ângulo e velocidade.

  • Parâmetros: tensão e VAF ligeiramente mais baixos que em PA, com transferência por curto-circuito, para manter o banho pequeno e controlável.
  • Ângulo de tocha: arrasto acentuado, tocha a "apontar" ligeiramente para cima, contra o sentido de progressão, para o arco atacar a raiz antes de o banho a cobrir.
  • Velocidade de deslocamento: rápida e constante, sem paragens; qualquer hesitação deixa o banho acumular-se e ultrapassar o arco.
  • A PG só se usa em chapas até uma espessura moderada; para gargantas maiores, a EPS pode limitar o número de passes ou exigir mudança para PF.

A PG recompensa a técnica correta com produtividade (mais rápida que a PF), mas pune sem aviso a técnica errada.

Bloco 15 · Defeitos, inspeção e critérios de aceitação

Defeitos típicos do MAG/FF

Os defeitos mais associados ao processo 136 nascem quase sempre das variáveis já estudadas nos blocos anteriores.

Defeito Causa típica
Falta de fusão nas laterais velocidade excessiva, ângulo errado, falta de pausa lateral no movimento, energia insuficiente (blocos 5, 13, 14)
Projeções (spatter) tensão/VAF desequilibradas, transferência globular, gás CO2 puro em excesso (blocos 5, 6, 4)
Porosidade corrente de ar, caudal de gás incorreto, bocal/difusor obstruído (blocos 4, 7)
Inclusões de escória remoção incompleta entre passes (bloco 3, 13)
Amaciamento da ZTA / fissuração a frio aporte térmico ou pré-aquecimento fora da janela da EPS (blocos 9, 10)

Cada defeito desta tabela tem uma causa rastreável a uma variável de processo mal controlada, não é "azar".

Inspeção visual e critérios de aceitação (EN ISO 5817)

A inspeção visual é a primeira e mais imediata verificação de qualidade, feita pelo próprio soldador e reforçada por um inspetor.

  • Verifica-se: geometria e dimensões do cordão (garganta, perna), regularidade, ausência de fissuras superficiais, mordeduras, poros visíveis e salpicos excessivos.
  • A EN ISO 5817 define níveis de qualidade (B o mais exigente, C intermédio, D o mais tolerante) que fixam limites dimensionais para cada tipo de imperfeição, consoante o nível exigido pelo projeto.
  • A simbologia de soldadura (conforme a EN ISO 2553, aplicada em conjunto com a EN ISO 9606-1 para a qualificação) indica no desenho técnico o tipo, dimensão e acabamento do cordão exigido.

Inspecionar visualmente com critério é comparar o cordão real com o nível de qualidade exigido, não "parecer bem".

Bloco 16 · Manutenção, segurança e fecho

Manutenção preventiva do equipamento

Cumprir o plano de manutenção preventiva é uma aptidão explícita do referencial, e evita que defeitos de equipamento se confundam com erros de técnica.

  • Diária: verificar bocal de contacto, difusor e bico de gás; limpar projeções acumuladas; confirmar caudal e estanquidade do gás.
  • Periódica: verificar roletos e guia de fio da devanadeira, mangueiras (fugas de gás ou água), ligações elétricas e o estado geral da fonte.
  • Diagnóstico de avarias simples: arco instável ou VAF irregular apontam muitas vezes para roletos gastos, bocal alargado ou fio mal acondicionado (húmido, oxidado), antes de suspeitar da fonte.
  • Registar as verificações mantém a rastreabilidade exigida pelas normas da qualidade aplicáveis ao fabrico.

Um equipamento bem mantido elimina uma fonte inteira de defeitos antes de a soldadura começar.

Segurança, ambiente e fecho

O processo 136 tem riscos próprios que se somam aos riscos gerais da soldadura por arco elétrico.

  • EPI: máscara de soldar com filtro adequado à intensidade, luvas, avental e proteção respiratória contra fumos (o fluxo do fio fluxado liberta mais fumos do que o fio maciço).
  • EPC: extração localizada de fumos, biombos de proteção contra radiação e contra corrente de ar (que também protege o gás, bloco 4).
  • Ambiente: gestão de escória e resíduos de fio; ventilação adequada em espaços confinados.
  • Segurança elétrica: verificar isolamento de cabos e ligações antes de ligar a fonte; nunca trocar consumíveis com a fonte ligada.

Estas quatro áreas (documentação, consumíveis e parâmetros, técnica por posição, segurança e manutenção) formam o ciclo completo desta UC.

Recapitulando

  • Processo 136: fio fluxado (FCW, EN ISO 17632) com gás ativo (EN ISO 14175), nunca confundir com SER, TIG ou fio autoprotegido.
  • Variáveis: VAF, tensão, stick-out, indutância e modo de transferência (curto-circuito, globular a evitar, spray só em PA/PB).
  • Aços temperados e revenidos: controlar o aporte térmico entre a fissuração a frio (calor a menos) e o amaciamento da ZTA (calor a mais), com pré-aquecimento e temperatura entre passes.
  • Quatro posições (EN ISO 6947): PA, PB, PF e PG, cada uma com técnica própria; a PG descendente exige velocidade e ângulo específicos para não gerar falta de fusão escondida.
  • Qualidade: inspeção visual e critérios da EN ISO 5817, sustentados por manutenção preventiva e segurança no posto.

Próximo: fichas e mini-projecto, montar e executar soldaduras reais nas quatro posições.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: fixar já a diferença 136 (com gás) vs 114 (autoprotegido), porque os catálogos de consumíveis vendem os dois e a turma tem de escolher o fio certo para a UC. - erro comum/pergunta: confundir "fio fluxado" com "elétrodo revestido" (SER, processo 111). São processos irmãos do curso mas com equipamento e técnica diferentes. - exemplo/analogia: o núcleo do fio fluxado é como o revestimento do elétrodo de SER, só que "enrolado dentro" do próprio fio em vez de por fora.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: produtividade e tolerância a preparação de junta imperfeita são a razão comercial de escolher FCAW-G em vez de MAG com fio maciço em fabrico pesado. - erro comum/pergunta: perguntar à turma porque não se usa sempre fio maciço, já que é mais barato (resposta: penetração, deposição e tolerância a folgas são piores). - exemplo/analogia: pensar no fio fluxado como um "SER em rolo contínuo": mesma escória protetora, mas sem parar para trocar de elétrodo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a EPS não é um formulário burocrático, é a receita que garante que a soldadura tem as propriedades exigidas ao componente. - erro comum/pergunta: perguntar o que aconteceria se o soldador ignorasse a temperatura de pré-aquecimento da EPS (resposta: risco de fissuração a frio na ZTA, ver bloco 9). - exemplo/analogia: a EPS é como a receita de um prato: os ingredientes certos (consumíveis) na ordem errada ou à temperatura errada dão um resultado diferente do esperado.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a sequência de cordões e o pré-aquecimento entre passes não são opcionais em aço temperado e revenido, fazem parte do plano. - erro comum/pergunta: alunos que começam a soldar sem planear a ordem dos cordões e depois têm distorção excessiva na peça. - exemplo/analogia: sequenciar cordões é como pintar uma parede em várias demãos finas em vez de uma única demão grossa: controla-se melhor o resultado final.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a escória do fio fluxado não é sujidade, é parte do processo, e tem de ser removida entre passes, nunca deixada por preguiça. - erro comum/pergunta: confundir o pó do núcleo com "impurezas do fio"; é deliberadamente colocado ali pelo fabricante. - exemplo/analogia: o fio fluxado é como um cigarro: o "papel" metálico exterior e o "recheio" em pó interior, só que aqui o recheio protege a solda.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: em aço temperado e revenido a escolha vai quase sempre para o fio básico de baixo hidrogénio, mesmo sendo mais difícil de escoriar. - erro comum/pergunta: não remover a escória entre passes "porque o próximo passe cobre tudo": é a causa mais comum de inclusões de escória detetadas em radiografia. - exemplo/analogia: acondicionamento do fio como o de um saco de gesso: se apanha humidade, estraga-se por dentro sem se notar por fora.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: gás não é só "proteção", é uma variável de processo com efeito direto na penetração e nas projeções, tal como a tensão ou a intensidade. - erro comum/pergunta: perguntar porque não se solda MAG/FF sem gás nenhum (resposta: perde-se a proteção externa e entra ar, salvo se for fio autoprotegido do processo 114, que não é o desta UC). - exemplo/analogia: CO2 puro é como cozinhar em lume vivo (rápido, mas queima facilmente); a mistura Ar+CO2 é lume mais controlado.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta é a principal diferença prática entre o MAG/FF (sensível ao vento) e o SER ou o fio fluxado autoprotegido (mais tolerantes ao vento). - erro comum/pergunta: soldar junto a uma porta aberta ou ventoinha de ventilação sem perceber que está a criar porosidade sistemática. - exemplo/analogia: proteger o gás do vento é como proteger a chama de uma vela: um sopro leve já é suficiente para a apagar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a intensidade não se regula diretamente no equipamento MAG, é a VAF que a determina; isto confunde quem só conhece o SER. - erro comum/pergunta: subir só a tensão para "ter mais penetração" sem tocar na VAF: normalmente alarga o cordão sem melhorar a penetração. - exemplo/analogia: VAF e tensão são como o acelerador e a marcha de um carro: têm de estar combinados, não ajustados ao acaso.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pedir à turma para medir o stick-out com a régua antes de soldar, não "a olho"; é uma das variáveis mais esquecidas. - erro comum/pergunta: manter o mesmo stick-out do fio maciço (mais curto) quando se muda para fio fluxado, perdendo a vantagem do pré-aquecimento do fio. - exemplo/analogia: a indutância é como o amortecedor de um carro: absorve os solavancos (picos de corrente) e torna a viagem (o arco) mais suave.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o globular não é um modo "para usar com cuidado", é um regime a evitar sempre, ajustando tensão/VAF para sair dele. - erro comum/pergunta: pensar que mais projeções é normal do fio fluxado; muitas vezes é sinal de estar na zona globular. - exemplo/analogia: curto-circuito é como pingar gotas de água de uma torneira mal fechada, controlado e pequeno; globular é como a torneira a espirrar em jatos irregulares.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: relacionar cada modo com a posição de soldadura da UC: curto-circuito serve as quatro posições, spray só serve PA/PB. - erro comum/pergunta: tentar usar parâmetros de spray numa junta em PG e o banho simplesmente cair da peça. - exemplo/analogia: spray é como regar com um borrifador fino e constante; curto-circuito é como pingar gota a gota; globular é a mangueira a espirrar sem controlo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o perfil dos roletos da devanadeira é crítico para fio fluxado, que é oco e esmaga com mais facilidade do que o fio maciço. - erro comum/pergunta: usar roletos em V (para fio maciço) em vez de roletos serrilhados/em U adequados ao fio tubular, achatando o fio e alterando a VAF real. - exemplo/analogia: a tocha é como a "caneta" do processo: se a ponta (bocal) estiver gasta ou entupida, todo o traço (cordão) sai mal, por muito boa que seja a "tinta" (fio e gás).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar este slide à secção de manutenção preventiva do bloco 16; o soldador é responsável pela verificação diária destes consumíveis. - erro comum/pergunta: continuar a soldar com o bocal de contacto visivelmente alargado, sem perceber que a instabilidade do arco vem daí. - exemplo/analogia: o bico de gás sujo é como o tubo de escape entupido de um carro: o motor (a fonte) continua a funcionar, mas o desempenho piora sem razão aparente.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o cordão de ensaio em sucata é obrigatório antes de qualquer soldadura de produção, não um passo opcional para poupar tempo. - erro comum/pergunta: saltar direto para a peça final "porque já se sabe soldar", sem confirmar os parâmetros para o lote de fio e gás daquele dia. - exemplo/analogia: parametrizar é como afinar um instrumento antes do concerto: mesmo um músico experiente afina antes de tocar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: treinar o ouvido é tão importante como treinar a mão; o som "estável e constante" (às vezes descrito como "bacon a fritar" suave) é o objetivo. - erro comum/pergunta: perguntar à turma que sinal indica falta de fusão nas laterais antes de olhar para o corte metalográfico (resposta: cordão estreito, mal molhado, som "frio"). - exemplo/analogia: ler o arco é como um mecânico ouvir o motor: o som certo confirma que está tudo regulado antes de acelerar a fundo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o que torna estes aços "especiais" não é a soldabilidade em si, é a sensibilidade da zona termicamente afetada ao calor da soldadura. - erro comum/pergunta: pensar que "aço mais resistente" significa "mais fácil de soldar"; é o oposto, exige mais controlo. - exemplo/analogia: é como recozer uma lâmina de aço temperada: o calor local pode "amolecer" exatamente a zona onde antes havia mais dureza.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os dois riscos puxam em direções opostas (calor a menos fissura, calor a mais amacia), por isso a EPS define sempre uma gama de aporte térmico, não um valor único a maximizar ou minimizar. - erro comum/pergunta: achar que "quanto menos calor, melhor" é sempre mais seguro; nestes aços pode ser precisamente o contrário. - exemplo/analogia: é como cozer um bolo: pouco calor não coze o interior (fissura), calor a mais queima a côdea (amacia); há uma janela certa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: fazer este cálculo no quadro com a turma, mudando a velocidade de soldadura e mostrando como o aporte sobe ou desce. - erro comum/pergunta: esquecer o fator de rendimento térmico (η) e comparar diretamente valores de fontes diferentes sem o normalizar. - exemplo/analogia: o aporte térmico é como a "dose" de um medicamento: o que importa não é só a potência (V×I), é a dose por unidade de tempo/comprimento.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mostrar um giz térmico na aula e como se usa (risca a peça, funde à temperatura indicada). - erro comum/pergunta: soldar o passe seguinte "porque já passou tempo suficiente" sem medir a temperatura entre passes com giz térmico ou termómetro. - exemplo/analogia: a temperatura entre passes é como o tempo de descanso entre séries no ginásio: descansar de menos acumula fadiga; a peça acumula calor da mesma forma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a limpeza dos bordos é particularmente crítica no fio fluxado, porque óxidos e gordura contribuem para porosidade e falta de fusão. - erro comum/pergunta: soldar sobre pontos de fixação mal limpos ou com escória, criando um ponto fraco escondido dentro do cordão final. - exemplo/analogia: preparar a junta é como preparar uma parede antes de pintar: a tinta (o cordão) só fica boa se a superfície estiver limpa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: relacionar diretamente com o bloco 10: cada passe do multipasse tem o seu próprio aporte térmico a controlar. - erro comum/pergunta: tentar fazer num só passe uma garganta que a EPS exige em multipasse, só para poupar tempo, sacrificando a geometria e o aporte térmico. - exemplo/analogia: multipasse é como construir uma parede de tijolo em fiadas sucessivas, em vez de tentar erguê-la de uma só vez.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: decorar as quatro letras associando sempre à orientação real da chapa em bancada, não só à definição escrita. - erro comum/pergunta: confundir PF (ascendente) com PG (descendente); são progressões opostas com técnica e parâmetros diferentes. - exemplo/analogia: PA é soldar "a favor da gravidade e sem obstáculos", como escrever numa mesa; PF e PG são "a subir ou a descer uma parede".

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pedir à turma para explicar, em palavras próprias, porque a gravidade "ajuda" na PA e "atrapalha ou exige técnica" nas outras três. - erro comum/pergunta: usar os parâmetros de PA numa junta em PF, resultando num banho demasiado fluido que escorre antes de solidificar. - exemplo/analogia: pensar na gravidade como um "quarto operário" invisível que ajuda ou atrapalha consoante a posição.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a pausa nas laterais do movimento oscilante não é estética, é o que garante a fusão total do bordo da chapa. - erro comum/pergunta: mover a tocha depressa demais no centro e sem pausa nas laterais, deixando as margens do cordão por fundir. - exemplo/analogia: o movimento oscilante é como pintar uma parede larga com um pincel estreito: é preciso parar um instante em cada extremidade para não deixar zonas por cobrir.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: relacionar de novo com os blocos 9 e 10, a sequência de passes é onde a teoria do aporte térmico se aplica na prática. - erro comum/pergunta: saltar a limpeza de escória "porque o próximo passe vai por cima na mesma", gerando inclusões. - exemplo/analogia: a sequência de passes é como construir um muro em várias fiadas: cada fiada tem de assentar bem na anterior, sem detritos entre elas.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: repetir claramente que em PG se solda mais depressa do que em PF, ao contrário do que a intuição de "ir com calma" sugeriria. - erro comum/pergunta: perguntar porque é que um cordão em PG pode "parecer bom" e mesmo assim reprovar em ensaio não destrutivo (resposta: falta de fusão coberta pelo banho a escorrer à frente). - exemplo/analogia: soldar em PG é como escrever depressa numa folha inclinada para baixo: se a caneta (o arco) for lenta, a tinta (o banho) escorre e cobre o que ainda não foi escrito.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: fazer uma demonstração lenta comparando visualmente PF e PG na mesma junta, mostrando a diferença de velocidade e ângulo. - erro comum/pergunta: um aluno que aprendeu bem a PF tenta aplicar a mesma velocidade "lenta e cuidadosa" à PG, e produz falta de fusão sistemática. - exemplo/analogia: a PG é como descer uma escada a correr de forma controlada: precisa de mais atenção e ritmo do que subir devagar (PF).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pedir à turma para associar, sem consultar a tabela, cada defeito à variável de processo que o provoca; é o teste de que perceberam a matéria toda da UC. - erro comum/pergunta: tratar os defeitos como uma lista solta para decorar, em vez de os ligar às causas já estudadas nos blocos anteriores. - exemplo/analogia: os defeitos são como sintomas de uma consulta médica: cada um aponta para uma causa específica que se corrige na origem, não só no sintoma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: trazer exemplos reais (fotos ou provetes) de cordões que passam e que reprovam no mesmo nível de qualidade, para calibrar o olho da turma. - erro comum/pergunta: aceitar um cordão "porque está bonito" sem medir garganta e perna com o calibre de soldadura contra o nível exigido. - exemplo/analogia: os níveis B/C/D da EN ISO 5817 são como as classificações de qualidade de um produto: o mesmo defeito pode ser aceitável num nível e reprovado noutro mais exigente.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar este slide ao bloco 7 (consumíveis de desgaste da tocha) e mostrar o registo de manutenção como documento de rastreabilidade. - erro comum/pergunta: culpar sempre a "má sorte" ou a "técnica" quando o problema está num roletos gasto ou bocal alargado. - exemplo/analogia: a manutenção do posto é como a revisão de uma viatura: negligenciá-la acaba por custar mais do que o tempo que poupa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: recapitular o fio condutor da UC inteira: ler a EPS, escolher fio/gás/parâmetros certos, executar na posição certa com o aporte térmico certo, e manter o posto seguro e em bom estado. - erro comum/pergunta: tratar segurança e manutenção como "aulas à parte", quando são parte integrante de cada soldadura executada. - exemplo/analogia: fechar com a ideia de que soldar bem em MAG/FF é como pilotar: exige domínio da máquina, da técnica e das regras de segurança em simultâneo, não um de cada vez.