UC04016

Identificar as funções do/a Técnico/a assistente dentário

Curso profissional · 25h · Técnico/a Assistente Dentário

Plano

  1. Perfil e funções do/a Técnico/a Assistente Dentário
  2. Enquadramento legal e requisitos de exercício
  3. Ética e deontologia profissional
  4. Direitos e deveres do utente
  5. O sector da medicina dentária em Portugal
  6. Organização e funcionamento da clínica dentária
  7. Comunicação e vocabulário técnico
  8. Gestão de conflitos
  9. Gestão de reclamações e sugestões
  10. Atendimento a utentes com necessidades especiais
  11. Higiene, segurança e controlo de infeção
  12. Interlocutores, resíduos e fecho

Bloco 1 · Perfil e funções

Quem é o/a Técnico/a Assistente Dentário

O/a Técnico/a Assistente Dentário/a (TAD) é o/a profissional que apoia o médico dentista na prestação de cuidados de saúde oral, sem realizar atos clínicos. O seu papel combina apoio clínico direto, organização da clínica e atendimento ao utente.

  • Trabalha sempre sob orientação do médico dentista, nunca de forma autónoma no plano clínico.
  • É elemento chave da equipa de saúde oral: prepara, instrumenta, regista, acolhe.
  • O perfil profissional está descrito na qualificação 724RA158, do Catálogo Nacional de Qualificações.

O TAD não substitui o médico dentista: torna o seu trabalho possível, seguro e eficiente.

O que o TAD faz, e o que não faz

Faz Não faz
Prepara a consulta e o instrumental Não faz o diagnóstico
Instrumenta a quatro mãos Não remove cimento nem corta fios de ortodontia
Esteriliza e higieniza material Não molda nem executa próteses
Gere agenda, stock e resíduos Não lê nem interpreta radiografias
Acolhe e acompanha o utente Não prescreve nem indica tratamentos

Esta fronteira protege o doente e o próprio TAD: os atos clínicos são do médico dentista (e o fabrico de próteses é do técnico de prótese dentária).

Bloco 2 · Enquadramento legal

Legislação da atividade médico-dentária

A atividade médico-dentária em Portugal está enquadrada por legislação específica que o TAD deve conhecer, ainda que não a aplique clinicamente:

  • Lei n.º 110/91 (Estatuto da Ordem dos Médicos Dentistas, revisto por último pela Lei n.º 73/2023): atos próprios do médico dentista.
  • Portaria n.º 99/2024/1: requisitos das clínicas dentárias (diretor clínico, pessoal de assistência, reprocessamento).
  • Lei n.º 15/2014 (direitos e deveres do utente) e Código do Trabalho (contrato, horário, férias, segurança).

Conhecer a lei não é opcional: é o que separa uma clínica em conformidade de uma clínica em risco.

Requisitos de acesso e exercício de funções

O exercício de funções de coadjuvação na área da medicina dentária exige o cumprimento de requisitos formais:

  • O TAD não tem ordem nem cédula profissional própria (ao contrário do higienista oral e do técnico de prótese dentária).
  • Qualificação e formação adequadas: a Portaria n.º 99/2024/1 exige pessoal de assistência com formação e/ou experiência adequada.
  • Cumprimento das normas e regras definidas pela clínica e pela legislação aplicável.
  • Respeito pelas condições de higiene e segurança no trabalho exigidas ao setor da saúde.
  • Atualização contínua, acompanhando alterações à legislação e às normas técnicas.

Aplicar os requisitos e condições de acesso é uma aptidão avaliada nesta UC.

Bloco 3 · Ética e deontologia

Princípios éticos da atividade profissional

A ética profissional define o comportamento correto do TAD no exercício das suas funções, dentro e fora do gabinete clínico:

  • Sigilo profissional: tudo o que se sabe sobre o utente fica dentro da clínica.
  • Respeito pela autonomia do doente: o consentimento é recolhido pelo médico dentista, mas o TAD respeita sempre a vontade do utente.
  • Honestidade e rigor no registo de dados e na comunicação.
  • Não fazer juízos clínicos: dúvidas do utente sobre diagnóstico ou tratamento são sempre encaminhadas para o médico dentista.

A ética não é uma lista de proibições: é a confiança que sustenta toda a relação com o utente.

Ética e deontologia profissional

A Ética e Deontologia Profissional aplica-se tanto à conduta pessoal como à relação com colegas e com a organização:

  • Cumprir as normas e regras definidas internamente e pela Ordem dos Médicos Dentistas.
  • Trabalhar com rigor técnico e reconhecer os limites da própria competência.
  • Colaborar com a equipa de forma leal, sem prejudicar colegas ou a instituição.
  • Reportar situações de risco para o doente, mesmo quando desconfortável.

Deontologia é ética aplicada à profissão: o "código de conduta" que todos seguem.

Bloco 4 · Direitos do utente

Direitos e deveres do utente

O utente de cuidados de saúde oral tem direitos que o TAD deve conhecer e respeitar em cada contacto:

  • Direito à informação, prestada pelo médico dentista, sobre diagnóstico e tratamento.
  • Direito à privacidade e confidencialidade dos seus dados clínicos e pessoais.
  • Direito a um atendimento com dignidade, sem discriminação.
  • Dever de colaborar: fornecer informação verdadeira sobre o seu estado de saúde e seguir as indicações da equipa.

Respeitar os direitos e deveres do utente é um critério de desempenho explícito desta UC.

RGPD e dados de saúde

Os dados clínicos são dados de saúde, uma categoria especial protegida pelo Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD):

  • Só se recolhe a informação estritamente necessária ao atendimento.
  • O acesso à ficha clínica é restrito à equipa envolvida no tratamento do utente.
  • Documentos e ecrãs com dados do utente nunca ficam visíveis a terceiros.
  • O utente tem direito a saber que dados existem sobre si e a pedir a sua correção.

Proteger dados de saúde é uma extensão direta do sigilo profissional, agora com base legal europeia.

Bloco 5 · O sector em Portugal

Caracterizar o sector da medicina dentária

A medicina dentária em Portugal é um sector em evolução, com procura crescente e uma organização cada vez mais profissionalizada:

  • Predomínio de clínicas privadas, de dimensão variável (consultório individual a grupos com várias unidades).
  • Presença crescente em unidades de saúde oral do Serviço Nacional de Saúde, sobretudo para grupos prioritários.
  • Equipas cada vez mais multidisciplinares: médico dentista, higienista oral, TAD, técnico de prótese dentária.
  • Forte peso da prevenção (saúde oral escolar, cheques-dentista) ao lado do tratamento.

Conhecer a evolução do setor ajuda o TAD a situar o seu papel dentro de uma equipa maior.

Saídas profissionais do TAD

As saídas profissionais do/a Técnico/a Assistente Dentário/a incluem, entre outras:

Contexto Exemplo
Clínica ou consultório privado apoio clínico e receção
Grupo de clínicas dentárias equipas maiores, funções mais especializadas
Unidade de saúde oral do SNS apoio em contexto público
Comércio e indústria de material dentário apoio técnico e demonstração de produtos
Formação e ação social monitorização de programas de saúde oral

O mesmo perfil de competências abre portas a contextos bastante diferentes entre si.

Bloco 6 · A clínica dentária

Espaços e organização da clínica dentária

Uma clínica médico-dentária organiza-se em espaços com funções bem definidas:

  • Receção/secretaria: acolhimento, agenda, faturação, arquivo.
  • Gabinete clínico: cadeira, equipamento e instrumental para a consulta.
  • Sala de esterilização: lavagem, desinfeção, embalagem e esterilização do instrumental.
  • Sala de espera e, quando existe, sala de radiologia separada.

A organização física da clínica reflete o circuito do doente e do material, do acolhimento à esterilização.

O trabalho a quatro mãos

O trabalho a quatro mãos é o método de organização entre médico dentista e TAD durante a consulta, pensado para um operador destro:

  • O operador trabalha na zona horária das 7 às 12.
  • A zona estática (bandeja e material) fica das 12 às 2.
  • O/a assistente posiciona-se na zona das 2 às 4.
  • A zona de transferência de instrumentos fica das 4 às 7.

Este relógio reduz movimentos desnecessários e torna a consulta mais rápida e mais segura para o doente.

Bloco 7 · Comunicação e vocabulário

Comunicar com rigor técnico e empatia

A comunicação do TAD acontece com colegas, utentes e fornecedores, e exige equilíbrio entre rigor técnico e empatia:

  • Com a equipa clínica: linguagem técnica precisa, para não haver ambiguidade sobre instrumentos ou materiais.
  • Com o utente: linguagem simples, sem jargão, explicando o que vai acontecer a seguir.
  • Com fornecedores: rigor nas referências de produtos e nas quantidades encomendadas.

Comunicar com eficácia e empatia é um critério de desempenho central desta UC.

Vocabulário técnico essencial

Alguns termos que o TAD usa e reconhece no dia a dia da clínica:

Termo Significado
Cárie lesão destrutiva do dente causada por bactérias
Gengivite / periodontite inflamação da gengiva / dos tecidos de suporte do dente
Oclusão forma como os dentes das duas arcadas encaixam
Profilaxia limpeza preventiva do dente
Ortopantomografia radiografia panorâmica de toda a boca
Turbina / contra-ângulo peças de mão rotativas usadas pelo médico dentista

Aplicar corretamente o vocabulário técnico é uma realização avaliada nesta UC.

Bloco 8 · Gestão de conflitos

O que é um conflito e porque surge

Um conflito é uma divergência entre pessoas ou grupos que gera tensão. Numa clínica dentária, surge sobretudo por:

  • Comunicação deficiente: informação incompleta ou mal transmitida.
  • Ansiedade do utente perante o tratamento (medo, dor, tempo de espera).
  • Diferenças de valores ou de estilo de trabalho entre colegas.
  • Recursos escassos: agenda apertada, falta de material.

Tipos de conflito: intrapessoal (dentro da própria pessoa), interpessoal (entre duas pessoas), intragrupal (dentro da equipa) e intergrupal (entre equipas).

O processo do conflito e técnicas de gestão

O conflito evolui em fases: latente (condições reunidas), percebido, sentido (emoção), manifesto (ação visível) e resolução.

Técnicas de gestão de conflitos:

  • Colaboração: procurar uma solução que satisfaça as duas partes.
  • Compromisso: cada parte cede um pouco.
  • Acomodação: ceder para manter a relação, quando o tema é menor.
  • Evitamento: adiar, quando o momento não é o adequado.
  • Competição: impor uma posição, reservada a questões de segurança ou regras inegociáveis.

Gerir conflitos é uma realização explícita desta UC, e exige tomada de decisão e resiliência.

Bloco 9 · Gestão de reclamações

Receber e encaminhar reclamações

Receber e encaminhar reclamações e sugestões de utentes é uma realização avaliada nesta UC. O procedimento típico:

  1. Acolher a reclamação com calma, sem interromper nem justificar de imediato.
  2. Registar os factos, de forma objetiva, no suporte próprio da clínica (papel ou eletrónico).
  3. Encaminhar para o responsável adequado (médico dentista, direção clínica ou administrativa).
  4. Informar o utente do que vai acontecer a seguir e do prazo previsto.

O livro de reclamações (físico e eletrónico) entrega-se sempre, de imediato; nas clínicas, as reclamações seguem para a ERS.

Técnicas de resolução de reclamações

Resolver bem uma reclamação (ou sugestão) exige método, não improviso:

  • Escuta ativa: deixar o utente terminar, confirmar que se percebeu o problema.
  • Validação emocional: reconhecer o incómodo, sem admitir culpa clínica que não é do TAD.
  • Resposta em prazo razoável, mesmo que seja só para informar do ponto de situação.
  • Registo de sugestões também, não só de queixas: são fonte de melhoria.

Uma reclamação bem tratada pode transformar um utente insatisfeito num utente fiel.

Bloco 10 · Necessidades especiais

Atender utentes com necessidades especiais

Aplicar técnicas de atendimento de utentes com necessidades especiais é uma realização desta UC. Inclui, por exemplo:

  • Crianças: linguagem simples, tempo extra, presença de um adulto responsável.
  • Pessoas idosas ou com mobilidade reduzida: acessibilidade física, apoio no percurso até à cadeira.
  • Pessoas com deficiência sensorial ou intelectual: comunicação adaptada, paciência, explicação em passos curtos.
  • Utentes com odontofobia (medo intenso do dentista): acolhimento calmo, sem pressa, explicando cada etapa.

O objetivo é sempre o mesmo: garantir um atendimento digno e acessível a qualquer pessoa.

Boas práticas de acolhimento adaptado

  • Confirmar previamente, na marcação, se o utente tem alguma necessidade especial a considerar.
  • Preparar o espaço com antecedência: cadeira de rodas, tempo de consulta mais longo, sala mais calma.
  • Usar linguagem simples, frases curtas, e confirmar que a informação foi compreendida.
  • Envolver o acompanhante quando existir, sem excluir o próprio utente da conversa.

Um bom acolhimento reduz a ansiedade do utente e facilita todo o trabalho clínico que se segue.

Bloco 11 · Higiene e controlo de infeção

Precauções Básicas do Controlo da Infeção

A Norma DGS n.º 029/2012 define as Precauções Básicas do Controlo da Infeção (PBCI), 10 itens aplicáveis a qualquer contacto com o utente. Os mais presentes no gabinete:

  • Higiene das mãos, antes e depois de cada contacto ou procedimento.
  • Equipamento de proteção individual: luvas, máscara, óculos de proteção, bata.
  • Etiqueta respiratória, descontaminação do equipamento clínico e recolha segura de resíduos.
  • Controlo ambiental (superfícies entre utentes) e prevenção da exposição a agentes microbianos (picadas).

Estas precauções aplicam-se sempre, a todos os utentes, independentemente de terem ou não uma infeção conhecida.

Esterilização e normas de higiene e segurança

Depois de cada utente, o instrumental segue um circuito rigoroso, do gabinete à sala de esterilização:

  1. Pré-lavagem e desinfeção do instrumental.
  2. Lavagem (manual ou por ultrassons).
  3. Secagem e embalagem em bolsas próprias.
  4. Esterilização em autoclave, com controlo de tempo e temperatura.
  5. Armazenamento em local limpo e identificado, até à próxima utilização.

O respeito pelas normas de higiene e segurança no trabalho é uma atitude avaliada em toda a UC.

Bloco 12 · Interlocutores e resíduos

Resíduos hospitalares: grupos I a IV

A gestão de resíduos numa clínica dentária segue a classificação por grupos do Despacho n.º 242/96:

Grupo Designação Exemplo Recipiente
I Equiparados a urbanos papel, embalagens comuns preto
II Hospitalares não perigosos embalagens vazias de medicamentos preto
III Risco biológico gaze com sangue, luvas usadas branco
IV Específicos (incineração obrigatória) agulhas, lâminas, fármacos rejeitados vermelho; cortantes em contentor rígido

Segregar corretamente cada resíduo no contentor certo é responsabilidade direta do TAD, todos os dias.

Interlocutores internos e externos

O TAD relaciona-se, no dia a dia, com dois tipos de interlocutores:

  • Internos: médico dentista, colegas TAD, higienista oral, gestão/administração, nas áreas de marketing, vendas, produção (agenda e consultas) e finanças.
  • Externos: utentes, fornecedores de material dentário, laboratórios de prótese, seguradoras e subsistemas de saúde.

Gerir bem estas relações, com rigor e cordialidade, sustenta o funcionamento diário da clínica.

Recapitulando

  • O TAD apoia, prepara, instrumenta e organiza, mas nunca realiza atos clínicos: essa fronteira é a base de toda a profissão.
  • Legislação (Lei 110/91), ética, deontologia e direitos do utente (incluindo RGPD) enquadram a atividade.
  • A clínica organiza-se por espaços e pelo trabalho a quatro mãos; a comunicação usa vocabulário técnico com a equipa e linguagem simples com o utente.
  • Gestão de conflitos, reclamações e atendimento a necessidades especiais são competências do dia a dia.
  • PBCI (Norma DGS 029/2012) e resíduos hospitalares (grupos I a IV) protegem o utente, a equipa e a comunidade.

Próximo: fichas e projeto, aplicar este perfil a casos concretos da clínica.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o TAD é uma profissão de apoio e coadjuvação, com identidade própria, não "um dentista a meio caminho". - Erro comum: alunos pensarem que com experiência passam a fazer atos clínicos. Não passam, é uma questão de lei e de segurança do doente. - Exemplo/analogia: como um enfermeiro de bloco operatório que prepara e apoia o cirurgião sem operar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar esta tabela como a mais importante do módulo; voltar a ela sempre que surgir dúvida. - Erro comum: confundir "ajudar a preparar" com "fazer". O TAD prepara a seringa, não a aplica; prepara a bandeja, não escolhe o tratamento. - Pergunta à turma: porque cortar um fio de ortodontia, que parece simples, é um ato clínico? Porque exige avaliação clínica da força e da posição do dente.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o TAD não precisa de decorar artigos de lei, mas tem de saber que existe uma Ordem profissional e que o exercício da medicina dentária é regulado. - Erro comum: pensar que "legislação laboral" só interessa ao patrão. O TAD também tem direitos e deveres como trabalhador. - Exemplo: perguntar quem pode assinar um plano de tratamento (o médico dentista, inscrito na OMD, ou o médico estomatologista; nunca o TAD).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar este slide à aptidão do referencial "aplicar os requisitos e as condições para o acesso e exercício de funções de coadjuvação". - Erro comum: achar que o diploma chega e que não há mais nada a cumprir depois de começar a trabalhar. - Perguntar à turma: que acontece a uma clínica que não cumpre os normativos de instalação? (A ERS pode instaurar processos e aplicar medidas, que podem ir até à suspensão do funcionamento.) - Não dizer que o TAD precisa de "inscrição" ou "cédula": não existe.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o sigilo profissional como o princípio mais testado no dia a dia: comentários no corredor, redes sociais, conversas com familiares do utente. - Erro comum: o TAD responder a perguntas clínicas do utente ("isto é grave?") em vez de encaminhar para o médico. - Exemplo: um utente pergunta ao TAD, na sala de espera, se a sua radiografia mostra algo mau. Resposta correta: agradecer a pergunta e encaminhar para o médico dentista.

NOTAS DO PROFESSOR - Distinguir ética (princípios gerais) de deontologia (regras da profissão em concreto). - Erro comum: confundir lealdade à equipa com silêncio perante um erro que pode prejudicar o doente. - Discussão: o que fazer se um colega comete um erro de higienização e ninguém reparou? (Reportar, sempre, com respeito.)

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "respeitando os direitos e deveres do utente". - Erro comum: achar que só o médico dentista tem de respeitar estes direitos. O TAD está na linha da frente, na receção e no gabinete. - Exemplo: um utente pede para não ser chamado pelo nome completo na sala de espera. O TAD ajusta o procedimento.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar que dados de saúde são "categoria especial" no RGPD, com proteção reforçada face a outros dados pessoais. - Erro comum: deixar a ficha clínica aberta no ecrã da receção, visível a outros utentes. - Exercício rápido: identificar três situações do dia a dia da clínica em que um dado de saúde pode ser exposto sem querer.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao critério de desempenho "considerando a evolução da atividade médico dentária e a organização do setor". - Erro comum: pensar que só existem consultórios privados pequenos. Há também grupos e unidades públicas. - Perguntar à turma se conhecem exemplos locais de clínicas ou unidades de saúde oral perto de casa.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que "saídas profissionais" não é só "trabalhar num consultório": há indústria, formação, saúde pública. - Erro comum: limitar a visão do aluno a um único tipo de empregador. - Exercício: pedir à turma para procurar uma oferta de emprego real para TAD e identificar o contexto de trabalho.

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar no quadro a planta simples de uma clínica com estes espaços e o percurso do doente. - Erro comum: misturar circuito de material limpo com material contaminado (por exemplo, cruzar instrumentos sujos pela sala de espera). - Ligar à atitude "sentido de organização", avaliada nesta UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar o "relógio" no quadro com o doente reclinado ao centro e as quatro zonas marcadas. - Erro comum: o TAD posicionar-se do lado errado ou invadir a zona do operador, atrapalhando o campo de visão. - Exercício: simular a passagem de um instrumento na zona de transferência (das 4 às 7) sem o operador desviar o olhar do doente.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o "código duplo": o TAD fala tecnicamente com a equipa e de forma simples com o utente, sem misturar os registos. - Erro comum: usar termos técnicos com o utente ("vamos fazer a profilaxia com a cureta") sem explicar o que significa. - Exercício: pedir a um aluno que explique "destartarização" a um colega como se fosse a um utente leigo.

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer uma bandeja (real ou em imagem) e pedir à turma que identifique instrumentos pelo nome. - Erro comum: usar nomes coloquiais ("aquela coisa de girar") em vez do termo técnico correto. - Ligar à aptidão "aplicar vocabulário técnico" e ao conhecimento "vocabulário técnico" do referencial.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao conhecimento "gestão de conflitos: definição e tipos de conflitos; fatores que favorecem o conflito". - Erro comum: achar que conflito é sempre negativo. Bem gerido, pode melhorar processos. - Exemplo: um utente irritado por a consulta estar atrasada é um conflito interpessoal com origem num fator organizacional (agenda).

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar que não há uma técnica "certa" universal: depende da urgência, da importância da relação e do tema. - Erro comum: usar sempre a mesma técnica (por exemplo, evitar sempre) em vez de escolher conforme a situação. - Role-play: um utente insiste em ser atendido fora de hora porque "tem pressa". Simular a resposta do TAD.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o TAD nunca recusa dar o livro de reclamações; é um direito do utente. - Erro comum: o TAD tentar "resolver" ou desvalorizar a reclamação sozinho, sem a registar nem encaminhar. - Exercício: simular a receção de uma reclamação sobre o tempo de espera e o respetivo registo.

NOTAS DO PROFESSOR - Distinguir "reclamação" (algo correu mal) de "sugestão" (ideia de melhoria); ambas seguem o mesmo cuidado de registo. - Erro comum: prometer prazos ou soluções que não são da competência do TAD garantir. - Discussão: como responder a um utente que reclama do preço de um tratamento? (Explicar o processo de faturação, encaminhar dúvidas clínicas para o médico.)

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que estas técnicas são de comunicação e organização, nunca decisões clínicas (por exemplo, sedação é decisão do médico). - Erro comum: tratar todos os utentes da mesma forma, ignorando necessidades específicas de comunicação ou mobilidade. - Exemplo: como adaptar a explicação de um procedimento a uma criança de 6 anos versus a um adulto com deficiência intelectual.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à atitude "flexibilidade" e "adaptabilidade" do referencial. - Erro comum: falar só com o acompanhante e ignorar o utente, mesmo quando este consegue comunicar. - Role-play: acolher um utente idoso com mobilidade reduzida, desde a chegada à receção até à cadeira do gabinete.

NOTAS DO PROFESSOR - Nome usado pela DGS: Precauções Básicas do Controlo da Infeção (PBCI). "Precauções universais" é um conceito mais antigo, centrado no sangue. - Os 10 itens: colocação de doentes, higiene das mãos, etiqueta respiratória, EPI, descontaminação do equipamento clínico, controlo ambiental, roupa, resíduos, injetáveis, exposição a agentes microbianos. - Erro comum: só usar EPI quando "parece" necessário. As PBCI aplicam-se a todos os utentes, sempre. - Demonstração: sequência correta de colocação e remoção de luvas e máscara.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "parece limpo" não é "está esterilizado". Só o autoclave, com o ciclo completo, garante esterilização. - Erro comum: saltar a fase de pré-lavagem, deixando resíduos que comprometem a esterilização. - Perguntar: o que acontece se um instrumento sair da autoclave e cair no chão antes de ser usado? (Deixa de estar estéril, tem de repetir o ciclo.)

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar imagens dos contentores de cada grupo usados na clínica. Grupos I e II são não perigosos, III e IV perigosos. - Sacos e contentores enchem-se no máximo até 2/3 (Norma DGS n.º 029/2012). - Erro comum: colocar material do grupo III ou IV no lixo comum (grupo I), o que é uma infração grave. - Exercício: dado um conjunto de resíduos típicos de uma consulta, a turma classifica cada um pelo grupo correto.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às aptidões "gerir o relacionamento com os interlocutores internos" e "externos" do referencial. - Erro comum: tratar o fornecedor com menos rigor do que o utente, gerando erros de encomenda que afetam a clínica toda. - Exercício: listar, numa aula, todos os interlocutores com quem um TAD fala num dia normal de trabalho.