UC04013

Assistir o médico dentista em prostodontia fixa

Tipos de reabilitação fixa, avaliação e planeamento, impressões, etapas clínicas, cimentação, tecnologia e cuidados ao paciente

Curso técnico · 25h · Técnico/a Assistente Dentário

Plano

  1. Prostodontia fixa: conceito, tipos e componentes
  2. Avaliação e planeamento
  3. Meios auxiliares de diagnóstico
  4. Coadjuvar o médico dentista
  5. Preparar materiais e equipamentos
  6. Materiais de impressão em prostodontia fixa
  7. Fio de retração gengival
  8. Etapas clínicas do tratamento
  9. Cimentação provisória e definitiva
  10. Manuseamento e envio de trabalhos protésicos
  11. Avanços tecnológicos: scanners e CAD-CAM
  12. Higiene e educação para a saúde oral
  13. Problemas com próteses fixas e resolução
  14. Limpeza, higienização e segurança no trabalho

Bloco 1 · Prostodontia fixa: conceito, tipos e componentes

O que é a prostodontia fixa

A prostodontia fixa é a área da medicina dentária que repõe ou protege dentes através de próteses cimentadas, que o paciente não remove. Distingue-se da prostodontia removível, em que o paciente retira a prótese para higienizar.

  • Objetivo: devolver função (mastigação, fonação), estética e proteção a dentes fragilizados ou ausentes.
  • É sempre um ato clínico do médico dentista: diagnóstico, plano de tratamento e execução das fases invasivas.
  • O/a assistente dentário coadjuva em todas as fases, sem nunca diagnosticar, prescrever ou preparar dentes.

Tipos de reabilitação fixa

Tipo O que repõe
Coroa unitária reveste um único dente muito destruído ou tratado endodonticamente
Ponte fixa (prótese parcial fixa) substitui um ou mais dentes ausentes, apoiada em dentes ou implantes vizinhos
Inlay / onlay / overlay restauração indireta que repõe parte da coroa, sem a cobrir toda
Faceta lâmina fina, em regra cerâmica, cimentada de forma adesiva na face vestibular
Prótese fixa sobre implantes coroa ou ponte cimentada ou aparafusada sobre implantes

Cada tipo tem indicações próprias, decididas pelo médico dentista a partir do exame e do diagnóstico.

Componentes de uma ponte fixa

  • Pilar: o dente preparado ou o implante que suporta a prótese.
  • Retentor: a coroa cimentada sobre o pilar, que "agarra" a estrutura.
  • Pôntico: o elemento que substitui o dente ausente, sem apoio direto no osso.
  • Conector: a zona de união entre retentores e pôntico, rígida ou com movimento controlado.

Identificar estes componentes ajuda a compreender qualquer ficha de trabalho protésico enviada ao laboratório.

Bloco 2 · Avaliação e planeamento

A anamnese

A anamnese é a recolha estruturada da história clínica do paciente, feita pelo médico dentista, com apoio do/a assistente na preparação e no registo.

  • História médica geral: doenças, alergias (incluindo a látex e a metais), medicação em curso, gravidez.
  • História dentária: tratamentos anteriores, hábitos parafuncionais (bruxismo), queixas atuais.
  • Regista-se sempre na ficha clínica, de forma legível e completa, antes de qualquer procedimento.

Uma anamnese incompleta pode comprometer a segurança do paciente: por exemplo, uma alergia a metais não identificada, antes da escolha do material da prótese.

Exame oral

O exame oral, feito pelo médico dentista, avalia extra e intraoralmente o estado do paciente antes de planear a reabilitação fixa. O/a assistente prepara o campo e o instrumental, e regista o que é ditado.

  • Extraoral: simetria facial, articulação temporomandibular, gânglios.
  • Intraoral: mucosas, gengiva, dentes remanescentes, dente ou dentes a reabilitar, espaço interoclusal disponível.
  • Periodontal: saúde da gengiva e do osso de suporte, condição indispensável antes de qualquer prótese fixa.

O/a assistente coadjuva segurando espelho e sugador, mantendo o campo visível e seco, e mantendo os instrumentos organizados por ordem de uso.

Bloco 3 · Meios auxiliares de diagnóstico

Exames complementares

Além do exame clínico, o médico dentista pode pedir meios auxiliares de diagnóstico para confirmar o estado dos tecidos e planear a reabilitação com rigor.

Exame Para que serve
Radiografia periapical avalia raiz, osso de suporte e espaço periodontal de um dente concreto
Ortopantomografia visão geral de toda a arcada, seios maxilares e ATM
Fotografias intraorais e extraorais documentam o estado inicial e apoiam a escolha estética
Modelos de estudo reproduzem a arcada em gesso ou digitalmente, para análise fora da boca
Scanner intraoral modelo digital tridimensional, sem material de impressão convencional

O/a assistente prepara o equipamento, posiciona o paciente conforme indicado e regista os exames na ficha clínica.

O papel do assistente nos exames complementares

  • Preparação do equipamento: aparelho de raio-x, sensores ou placas, câmara fotográfica intraoral, scanner.
  • Posicionamento do paciente, seguindo as instruções e a proteção radiológica indicada (avental de chumbo, colar de tiroide).
  • Registo e arquivo dos exames na ficha clínica ou no sistema informático.
  • Nunca interpreta o resultado clínico: a leitura e o diagnóstico cabem sempre ao médico dentista.

O rigor na preparação evita repetições de exames, que expõem o paciente a radiação desnecessária.

Bloco 4 · Coadjuvar o médico dentista

O que significa coadjuvar

Coadjuvar é apoiar ativamente o médico dentista durante todo o procedimento, antecipando as suas necessidades sem nunca ultrapassar os limites da função.

  • Trabalho a quatro mãos: o médico dentista foca-se no procedimento, o/a assistente gere sugador, espelho, luz, instrumentos e materiais.
  • Exige atenção constante, conhecimento da sequência clínica e comunicação clara, muitas vezes só por gestos.
  • É uma das realizações centrais desta UC: coadjuvar na reabilitação fixa e próteses.

Coadjuvar bem reduz o tempo de cadeira do paciente e o cansaço de toda a equipa.

Atitudes que sustentam a coadjuvação

  • Responsabilidade: cada ação, da preparação do tabuleiro ao registo, tem impacto direto no paciente.
  • Autonomia dentro dos limites da função, sem esperar instrução para cada gesto já protocolado.
  • Assertividade: comunicar com clareza, sem hesitação, mesmo sob pressão de tempo.
  • Escuta ativa das indicações do médico dentista e das queixas do paciente.
  • Cooperação com toda a equipa clínica.

Estas atitudes distinguem um assistente competente de alguém que apenas "sabe os nomes dos instrumentos".

Bloco 5 · Preparar materiais e equipamentos

Preparar o tabuleiro de prostodontia fixa

Preparar os materiais e equipamentos de acordo com as normas de boas práticas e segurança é o primeiro critério de desempenho desta UC. Um tabuleiro típico para a preparação e impressão inclui:

  • Instrumentos de exame: espelho, sonda, pinça.
  • Instrumentos de corte e afastamento: instrumentos rotatórios (turbina, contra-ângulo, brocas específicas), fio ou pasta de retração, instrumento de inserção do fio.
  • Materiais de impressão: moldeira, material de impressão selecionado pelo médico dentista, pistola misturadora quando aplicável.
  • Materiais de registo: cera ou silicone de registo oclusal, escala de cor.

Cada item é preparado, verificado e organizado antes de o paciente se sentar na cadeira.

Verificação de equipamentos antes do procedimento

  • Instrumentos rotatórios: verificar se giram sem ruído nem vibração anómala, se a refrigeração de água funciona.
  • Pistola de material de impressão: pontas misturadoras novas, cartucho não expirado.
  • Fotopolimerizador (quando aplicável ao provisório): potência verificada, ponteira limpa.
  • Materiais dentro da validade: cimentos, materiais de impressão e resinas têm prazo de validade, que se verifica sempre antes de abrir a embalagem.

Um equipamento verificado à partida evita interrupções a meio de um procedimento com o paciente já preparado.

Bloco 6 · Materiais de impressão em prostodontia fixa

Famílias de materiais de impressão

A impressão regista com rigor a forma dos dentes preparados e dos tecidos vizinhos, para o laboratório fabricar a prótese. Cada família tem propriedades diferentes de precisão, estabilidade e conforto.

Material Características
Alginato (hidrocoloide irreversível) económico, menos preciso, usado sobretudo em modelos de estudo
Silicone de condensação boa precisão, contração ao longo do tempo, vazar cedo
Silicone de adição (polivinilsiloxano) alta precisão e estabilidade dimensional, referência para prótese fixa definitiva
Poliéter muito rígido e hidrófilo, útil em campos com humidade

A escolha do material cabe sempre ao médico dentista, conforme o tipo de prótese e o caso clínico.

Técnicas de impressão e o papel do assistente

  • Moldeira de série (pré-fabricada) ou moldeira individual, feita à medida sobre um modelo de estudo prévio.
  • Técnica de um só passo: material de duas viscosidades aplicado em simultâneo (seringa fina + moldeira).
  • Técnica de dois passos: primeiro uma impressão prévia (putty), depois uma camada fina (wash) sobre a preparação.
  • O/a assistente prepara e manipula o material dentro do tempo de trabalho indicado pelo fabricante, e cronometra o tempo de presa.

Respeitar os tempos do fabricante, de trabalho e de presa, é o que garante uma impressão sem distorções.

Cuidados de manipulação

  • Luvas de látex: os compostos de enxofre do látex inibem a presa do silicone de adição; o putty manipula-se com luvas de vinil ou de nitrilo.
  • Campo seco: saliva ou sangue sobre a margem dão bolhas e margens imprecisas.
  • Calor: encurta os tempos de trabalho e de presa.
  • Pontas misturadoras: uma ponta nova por paciente.

Um erro de manipulação só se descobre, muitas vezes, quando a peça já não assenta na prova.

Bloco 7 · Fio de retração gengival

Para que serve o fio de retração

Antes de uma impressão definitiva, é frequentemente necessário afastar temporariamente a gengiva do preparação dentária, para que o material de impressão registe a margem com nitidez.

  • Expõe a linha de acabamento da preparação, escondida sob a gengiva.
  • Controla a hemorragia e o fluido sulcular que, sem afastamento, contaminariam a impressão.
  • Colocado pelo médico dentista; o/a assistente prepara o fio, corta-o no comprimento indicado e apoia a manipulação.

Uma margem mal registada obriga, muitas vezes, a repetir toda a impressão.

Técnicas e materiais de afastamento

Técnica Descrição
Fio único um fio impregnado colocado no sulco, retirado imediatamente antes da impressão
Duplo fio um primeiro fio fica no fundo do sulco, um segundo mais fino é colocado por cima e retirado antes de impressionar
Pasta retratora alternativa ao fio, aplicada com seringa, sem necessidade de compactação mecânica

Os fios podem vir impregnados com agentes hemostáticos, como sulfato ou cloreto de alumínio, que ajudam a controlar a hemorragia. A escolha da técnica e do agente é sempre do médico dentista.

Bloco 8 · Etapas clínicas do tratamento

Da primeira consulta à prova

O tratamento em prostodontia fixa segue uma sequência clínica com etapas bem definidas, em que o/a assistente coadjuva em cada uma:

  1. Registo da cor, com escala de cor, antes da preparação e com o dente hidratado, e matriz para o provisório.
  2. Preparação dentária: o médico dentista desgasta o dente pilar na forma e dimensão necessárias.
  3. Afastamento gengival, impressão (convencional ou digital, com scanner intraoral) e registo oclusal.
  4. Confeção do provisório, para proteger a preparação e manter a função e a estética até à peça definitiva.
  5. Envio da informação ao laboratório: impressão ou ficheiro digital, registos e ficha de trabalho.

Tomada de cor e provisórios

  • Cor: no início da consulta, dente hidratado, escala igual à do laboratório (VITA classical ou 3D-Master), luz natural difusa ou luz corrigida de cerca de 5500 K, olhares curtos.
  • Matriz: impressão de silicone do dente antes da preparação.
  • Provisório: resina bis-acrílica carregada na matriz e reposta na boca pelo médico dentista; recorte, ajuste e polimento.
  • Cimento provisório escolhido a pensar no definitivo: sem eugenol quando se prevê cimento resinoso.

Prova e ajuste final

  • Prova da estrutura ou da prótese, devolvida pelo laboratório, ainda antes da cimentação definitiva.
  • O médico dentista verifica ajuste marginal, contactos proximais e contactos oclusais.
  • O/a assistente apoia a prova: sugador, papel articular para marcar os contactos, espelho intraoral.
  • Ajustes ligeiros podem ser feitos na consulta; problemas maiores obrigam a devolver a peça ao laboratório.

Só depois de aprovada na prova é que a prótese segue para a cimentação definitiva.

Bloco 9 · Cimentação provisória e definitiva

Cimentação provisória

O provisório protege a preparação entre consultas e mantém função e estética. É cimentado com cimentos temporários, pensados para serem removidos sem esforço na consulta seguinte.

  • Frequentemente à base de óxido de zinco, com ou sem eugenol, conforme a indicação do médico dentista.
  • O eugenol pode interferir na presa de alguns cimentos resinosos definitivos: por isso a escolha do cimento provisório tem sempre em conta o cimento definitivo previsto.
  • O/a assistente prepara o cimento na proporção e tempo indicados pelo fabricante e tem prontos sonda, fio dentário e sugador para o médico dentista remover os excessos.

Cimentação definitiva

A cimentação definitiva fixa a prótese de forma permanente, com o cimento escolhido conforme o material da prótese e o tipo de preparação.

Cimento Uso típico
Fosfato de zinco cimentação convencional, longo histórico clínico
Ionómero de vidro / ionómero modificado por resina adesão química à estrutura dentária, liberta flúor; metalocerâmica e zircónia
Cimento resinoso adesivo maior resistência e adesão; facetas, inlays/onlays, dissilicato de lítio
Cimento resinoso autoadesivo sem adesivo separado; muito usado em zircónia e metalocerâmica

O/a assistente prepara o cimento, apoia o isolamento do campo, aspira e passa os instrumentos para o médico dentista remover os excessos no momento indicado pelo fabricante; no fim, prepara o papel articular para a verificação da oclusão.

Bloco 10 · Manuseamento e envio de trabalhos protésicos

Cuidados com impressões e modelos

Manusear e acondicionar corretamente as impressões e os trabalhos protésicos é um critério de desempenho explícito desta UC.

  • Desinfeção da impressão logo após a remoção da boca (lavagem em água corrente e desinfetante com o tempo indicado para o material), antes de sair da sala clínica.
  • Acondicionamento: evitar deformações, proteger de choques, respeitar a estabilidade dimensional própria de cada material (algumas impressões devem ser vazadas rapidamente, outras toleram mais tempo).
  • Identificação: nome do paciente, dente ou dentes, data, sempre visível e sem ambiguidade.

Uma impressão bem cuidada mas mal identificada pode ser trocada com a de outro paciente, um erro grave e evitável.

A ficha de trabalho protésico e o envio ao laboratório

A ficha de trabalho protésico acompanha sempre a impressão (ou o ficheiro digital) enviada ao laboratório, com a prescrição do médico dentista.

  • Campos típicos: identificação do paciente e do médico dentista, dente(s) a reabilitar, tipo de prótese, material pretendido, cor, prazo de entrega, instruções específicas.
  • Na receção do trabalho já pronto, confere-se: corresponde ao pedido, sem danos, com a cor e o acabamento esperados.
  • Qualquer desconformidade é registada e comunicada ao médico dentista antes da prova no paciente.

O envio digital (scanner intraoral) elimina a etapa da impressão física, mas a ficha de trabalho protésico mantém-se sempre obrigatória.

Bloco 11 · Avanços tecnológicos: scanners e CAD-CAM

O fluxo digital em prostodontia fixa

Identificar as novas tecnologias aplicadas à prostodontia fixa é uma das realizações desta UC. O fluxo digital está a substituir, cada vez mais, as etapas tradicionais em cera e gesso.

  • Scanner intraoral: capta a forma dos dentes preparados diretamente na boca, gerando um modelo digital tridimensional, sem material de impressão convencional.
  • CAD (desenho assistido por computador): o técnico de prótese desenha a peça sobre o modelo digital, num programa próprio.
  • CAM (fabrico assistido por computador): a peça é fabricada por fresagem de um bloco cerâmico ou metálico, ou por impressão 3D, conforme o material.

Vantagens e limites da tecnologia digital

  • Vantagens: mais conforto para o paciente, menos distorções de material, comunicação instantânea com o laboratório, arquivo digital fácil de guardar e comparar ao longo do tempo.
  • Materiais associados: zircónia monolítica, dissilicato de lítio, resinas de impressão 3D para provisórios e modelos de estudo.
  • Limites: exige equipamento e formação específicos, e nem todos os consultórios dispõem de scanner intraoral; a impressão convencional continua atual e válida.
  • O papel do/a assistente inclui acompanhar estes avanços, sem substituir a decisão clínica sobre quando os usar.

Bloco 12 · Higiene e educação para a saúde oral

Cuidados de higiene com próteses fixas

Promover as estratégias de educação para a saúde e higiene oral durante o uso de próteses fixas é um critério de desempenho central desta UC. Uma prótese fixa não dispensa os cuidados de higiene, exige até mais atenção nalgumas zonas.

  • Escovagem normal de todas as superfícies, incluindo a margem da prótese junto à gengiva.
  • Fio dentário com passador (superfloss) para limpar por baixo do pôntico de uma ponte, onde a escova não chega.
  • Escovilhão interdentário, útil em espaços mais largos ou em próteses sobre implantes.
  • Irrigador oral, como complemento, nunca substituindo a escovagem mecânica.

O papel do assistente na educação do paciente

  • Demonstrar, com modelo e escova, a técnica correta de higiene à volta da prótese.
  • Explicar em linguagem simples porque a margem da prótese é uma zona de maior risco de cárie e de inflamação gengival.
  • Reforçar a importância das consultas de manutenção regulares.
  • Nunca substitui a indicação clínica do médico dentista; a educação para a saúde é um complemento, não uma alternativa ao acompanhamento clínico.

Um paciente bem instruído prolonga significativamente a vida útil da sua prótese fixa.

Bloco 13 · Problemas com próteses fixas e resolução

Problemas frequentes

Enunciar cuidados específicos e os problemas associados às próteses fixas é outra realização desta UC. Reconhecer estes sinais permite ao/à assistente notificar cedo o médico dentista.

Problema Sinal típico
Descimentação a prótese solta-se, parcial ou totalmente
Fratura de cerâmica (chipping) lasca ou fenda visível na superfície
Sensibilidade pós-operatória dor ao frio, ao quente ou à mastigação, sobretudo nos primeiros dias
Inflamação gengival na margem gengiva vermelha e inchada junto à prótese
Cárie secundária na margem descoloração ou cavidade junto ao bordo da prótese

O papel do assistente perante um problema

  • Observar e registar o que o paciente relata ou o que se nota na consulta, com data e descrição objetiva.
  • Comunicar de imediato ao médico dentista, nunca decidir sozinho sobre a causa ou a solução.
  • Preparar o material que o médico dentista provavelmente vai precisar (por exemplo, para recimentar ou para reavaliar oclusão), sem antecipar o diagnóstico.
  • A resolução (recimentar, ajustar, substituir a peça) é sempre uma decisão clínica do médico dentista.

Identificar cedo um problema evita que se agrave até comprometer a prótese ou o dente pilar.

Bloco 14 · Limpeza, higienização e segurança no trabalho

Limpeza e higienização do consultório e do instrumental

Garantir a limpeza e higienização dos equipamentos, instrumentos e materiais, e do próprio consultório, é o último critério de desempenho desta UC, e aplica-se a toda a prostodontia fixa.

  • Instrumentos reutilizáveis (espelhos, sondas, instrumentos de retração, moldeiras metálicas): seguem o circuito completo de reprocessamento, lavagem, desinfeção, embalagem e esterilização.
  • Superfícies e equipamento: unidade dentária, luz, comandos, desinfetados entre pacientes.
  • Materiais de uso único (agulhas, pontas de sugador, alguns componentes de moldeiras): eliminados após um só uso, nunca reprocessados.
  • A impressão desinfeta-se antes de sair da sala, como já visto no Bloco 10.

Normas de higiene e segurança no trabalho

  • Equipamento de proteção individual: luvas, máscara, óculos ou viseira, bata, usados em todas as fases com contacto com saliva ou sangue.
  • PBCI (Norma DGS 029/2012) em todos os doentes, sempre.
  • Cortantes e perfurantes: contentor rígido junto ao local de uso, fechado a 2/3; nunca reencapar agulhas com as duas mãos.
  • Materiais químicos (desinfetantes, agentes de impressão, cimentos): consultados sempre pela ficha de dados de segurança do fabricante.
  • Registo de qualquer anomalia ou incidente, e notificação imediata ao responsável da unidade.

O respeito por estas normas protege simultaneamente o paciente, a equipa e o próprio/a assistente.

Recapitulando

  • A prostodontia fixa repõe função e estética com próteses cimentadas ou aparafusadas: coroas, pontes, inlays/onlays, facetas e próteses sobre implantes.
  • Avaliação e planeamento (anamnese, exame oral, meios auxiliares de diagnóstico) precedem sempre o tratamento.
  • Impressões (materiais e fio de retração) registam a preparação com rigor; as etapas clínicas vão da preparação à prova e à cimentação, provisória e definitiva.
  • Manusear e enviar impressões e trabalhos protésicos com rigor evita erros e atrasos.
  • Os avanços tecnológicos (scanners, CAD-CAM) transformam o fluxo, sem substituir a decisão clínica.
  • Higiene do paciente, reconhecimento de problemas e limpeza e segurança completam o papel do/a assistente em toda a prostodontia fixa.

Próximo: fichas e projeto, aplicar estes conhecimentos a casos práticos de prostodontia fixa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: fixa versus removível é a primeira distinção a fixar, porque muda todo o fluxo clínico e os cuidados de higiene do paciente. - erro comum: achar que "fixa" significa "definitiva para sempre"; uma prótese fixa também pode fraturar, descimentar ou precisar de substituição. - exemplo: comparar uma coroa cimentada (fixa) com uma prótese parcial removível com ganchos (removível), pedindo aos alunos que identifiquem qual o paciente consegue tirar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nem toda a reabilitação fixa é uma "coroa"; distinguir os tipos evita confusões na sala de trabalho. - erro comum: confundir inlay/onlay (restauração parcial) com coroa (cobre toda a coroa anatómica). - pergunta: porque razão uma ponte fixa não pode assentar só em tecido mole, precisando sempre de dentes ou implantes de apoio?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o pôntico fica sobre a crista desdentada, sem raiz própria; toda a carga mastigatória passa pelos pilares através dos conectores. - erro comum: pensar que uma ponte de três elementos tem sempre dois pilares nas pontas; em casos específicos o desenho pode variar, sempre por decisão do médico dentista. - exemplo: desenhar no quadro uma ponte de 3 elementos e pedir aos alunos que apontem pilar, pôntico, retentor e conector.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a anamnese não é burocracia, é segurança clínica; ligar sempre a um exemplo de risco real (alergia, medicação anticoagulante). - erro comum: assumir que a anamnese só interessa para cirurgia; também condiciona a escolha de materiais protésicos e de cimentos. - pergunta: porque é que uma história de bruxismo é relevante antes de planear uma coroa cerâmica?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma gengiva inflamada distorce a impressão final; por isso o exame periodontal antecede sempre a fase de impressões. - erro comum: achar que o assistente só "passa instrumentos"; a organização por ordem de uso e a leitura antecipada do procedimento são competências ativas. - exemplo: simular a posição a quatro mãos, o assistente à esquerda ou à direita do médico dentista, conforme a convenção da unidade.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada exame responde a uma pergunta diferente; a ortopantomografia não substitui a periapical quando se precisa de detalhe de uma raiz. - erro comum: achar que o scanner intraoral substitui sempre o exame radiográfico; avalia superfície, não avalia osso nem raiz. - pergunta: para planear uma coroa sobre um dente tratado endodonticamente, que exame é indispensável e porquê? (radiografia periapical, para avaliar a raiz e o osso).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a proteção radiológica indicada no protocolo da unidade (avental, colar de tiroide quando aplicável) faz parte da preparação. - erro comum: o assistente comentar com o paciente o resultado de uma radiografia; essa leitura é sempre do médico dentista. - exemplo: simular a colocação de um sensor de raio-x periapical e do avental de proteção num manequim ou colega.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o trabalho a quatro mãos é uma coreografia treinada, não improviso; antecipar o próximo passo é a competência mais valorizada. - erro comum: pensar que coadjuvar é passivo; exige leitura constante do procedimento em curso. - exemplo: simular a passagem de instrumentos numa sequência simples (espelho, sonda, seringa), cronometrando o tempo de resposta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar cada atitude a uma situação concreta da prostodontia fixa, não deixá-las abstratas. - erro comum: confundir autonomia com decidir sobre o tratamento; a autonomia é sobre a execução de tarefas já delegadas, nunca sobre decisões clínicas. - pergunta: dá um exemplo de uma situação em que a assertividade evita um erro durante um procedimento a quatro mãos.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a preparação antecipada é o que permite ao trabalho a quatro mãos fluir sem interrupções. - erro comum: montar o tabuleiro "à medida que se vai precisando"; deve estar completo e verificado antes de o procedimento começar. - exemplo: pedir aos alunos que montem um tabuleiro completo para uma sessão de impressão, justificando cada item escolhido.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar este slide ao conceito de manutenção preventiva de primeiro nível, já estudado noutra UC. - erro comum: só verificar a validade de um material no momento de o usar, com o paciente já à espera. - pergunta: o que fazer se, ao preparar o tabuleiro, se descobre que o cimento definitivo está fora de validade? (não usar, notificar o responsável, repor stock).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: para prótese fixa definitiva, a precisão do silicone de adição é o que garante o ajuste da peça final. - erro comum: usar alginato para uma impressão definitiva de coroa; serve para modelos de estudo, não tem a estabilidade necessária. - exemplo: comparar ao tato (ou em imagem) a textura de um alginato e de um silicone de adição já presos.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada material tem tempos próprios do fabricante; nunca "adivinhar" pela textura sem cronometrar. - erro comum: retirar a moldeira antes do tempo de presa terminar, deformando a impressão de forma irreversível. - exemplo: cronometrar em aula a manipulação de um material de impressão até ao fim do tempo de presa indicado na bula.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a inibição pelo látex é química (catalisador de platina), não é um problema de técnica de mistura. - erro comum: tocar na preparação ou no fio com luvas de látex logo antes da impressão com silicone de adição. - exemplo: mostrar lado a lado duas porções de putty, uma amassada com luvas de vinil e outra com luvas de látex, e comparar a presa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a qualidade da impressão depende diretamente do afastamento gengival; ligar visualmente a uma impressão "boa" e uma "com bolhas na margem". - erro comum: achar que o fio de retração é só para conforto; é sobretudo para a precisão da margem protética. - pergunta: o que acontece a uma coroa cujo laboratório recebeu uma impressão com a margem mal definida?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o duplo fio é mais usado quando se prevê maior dificuldade em controlar a hemorragia ou o fluido sulcular. - erro comum: aplicar o fio com força excessiva, lesando o periodonto; a compactação é suave e controlada. - exemplo: mostrar embalagens reais (ou fotografias) de fio de retração e de pasta retratora, comparando a apresentação.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada etapa alimenta a seguinte; um erro numa impressão compromete todas as etapas posteriores. - erro comum: registar a cor depois da preparação, com os dentes já desidratados e mais claros; a cor regista-se no início, com luz natural difusa ou luz corrigida de cerca de 5500 K, e sem o foco da unidade. - exemplo: percorrer com a turma uma ficha de trabalho protésico real (ou modelo), identificando cada campo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o/a assistente prepara matriz, cartucho, pontas e instrumentos de acabamento; o ajuste e a cimentação na boca são do médico dentista. - erro comum: esquecer a matriz antes da preparação; depois do dente desgastado já não há forma original para copiar. - pergunta: porque é que o foco da unidade se afasta durante a tomada de cor?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o papel articular marca os pontos de contacto oclusal; explicar como se lê a marca a cor. - erro comum: cimentar em definitivo sem prova prévia, sob pressão de tempo; nunca se salta esta etapa. - pergunta: se na prova a coroa não assenta corretamente, o que se faz? (não se força; devolve-se ao laboratório ou repete-se a etapa que falhou, por decisão do médico dentista).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a escolha "com ou sem eugenol" não é indiferente; depende do cimento definitivo que se prevê usar a seguir. - erro comum: deixar excesso de cimento provisório no sulco gengival, provocando inflamação até à consulta seguinte. - exemplo: mostrar a diferença entre um provisório bem acabado, sem excessos, e um mal limpo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o cimento definitivo depende do material da prótese; o dissilicato de lítio pede, em regra, cimento resinoso adesivo, enquanto a zircónia aceita ionómero modificado por resina ou cimento resinoso autoadesivo. - erro comum: deixar passar o momento de remoção dos excessos indicado pelo fabricante; o cimento endurecido no sulco é difícil de retirar e inflama a gengiva. - pergunta: porque é que o isolamento do campo (afastar saliva e humidade) é especialmente crítico na cimentação com cimento resinoso?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a desinfeção da impressão é uma etapa de biossegurança que protege quem trabalha no laboratório. - erro comum: guardar uma impressão de alginato várias horas antes de a enviar; perde precisão por desidratação ou expansão, conforme o material. - exemplo: mostrar um rótulo completo de ficha de trabalho, comparando com um exemplo incompleto.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a ficha de trabalho é um documento clínico e legal, não apenas administrativo. - erro comum: enviar uma impressão sem ficha de trabalho completa, obrigando o laboratório a adivinhar detalhes. - exemplo: preencher em conjunto uma ficha de trabalho protésico para um caso simples (uma coroa unitária).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: CAD e CAM são duas fases distintas, desenho e fabrico; nem todo o fluxo CAD é fresado, também há impressão 3D. - erro comum: achar que o scanner intraoral substitui toda a impressão física em todos os casos; alguns fluxos ainda combinam etapas físicas e digitais. - pergunta: que vantagem tem o scanner intraoral para um paciente com reflexo de vómito muito sensível às moldeiras?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: tecnologia digital e convencional coexistem; a escolha depende do caso, do equipamento disponível e da decisão do médico dentista. - erro comum: apresentar o digital como sempre superior; em certos casos (por exemplo, margens muito subgengivais) a impressão convencional ainda pode ser preferida. - exemplo: mostrar um vídeo ou fotografias do funcionamento de um scanner intraoral, se disponível na unidade.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a zona sob o pôntico acumula placa bacteriana como qualquer outra e precisa de limpeza dedicada. - erro comum: o paciente achar que, por a prótese ser "fixa e artificial", não precisa de a limpar como um dente natural. - exemplo: demonstrar num modelo a passagem do superfloss por baixo de um pôntico.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar este slide diretamente ao critério de desempenho, que nomeia "estratégias de educação para a saúde e higiene oral". - erro comum: limitar a instrução a "escova os dentes normalmente", sem explicar a técnica específica para a prótese. - pergunta: que sinais deve o paciente reportar ao consultório entre consultas, relacionados com a prótese?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada problema tem sinais próprios; treinar os alunos a descrevê-los com precisão ao médico dentista. - erro comum: chamar "cárie" a qualquer mancha escura junto à prótese sem confirmação clínica; o assistente reporta o sinal, não faz o diagnóstico. - exemplo: mostrar fotografias clínicas (com autorização e anonimizadas) de cada um destes problemas, se disponíveis.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o valor do assistente aqui é a deteção precoce e a comunicação clara, não a resolução técnica do problema. - erro comum: tentar "recolar" uma coroa que se soltou, mesmo com um cimento disponível, sem indicação do médico dentista. - pergunta: um paciente liga a dizer que a coroa "caiu". O que faz o/a assistente antes de marcar a consulta? (regista os detalhes relatados e agenda com prioridade, sem dar indicações clínicas ao telefone).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar diretamente este slide ao circuito de reprocessamento já estudado noutra UC, sem o repetir do zero. - erro comum: esquecer que instrumentos usados só na fase de impressão (moldeiras metálicas, instrumentos de retração) seguem o mesmo circuito de esterilização que qualquer outro instrumento. - exemplo: percorrer o tabuleiro montado no Bloco 5 e classificar cada item como reutilizável ou de uso único.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estas normas não são exclusivas da prostodontia fixa, mas aplicam-se a cada procedimento descrito nesta UC. - erro comum: relaxar o uso de proteção individual em procedimentos "só de impressão", por parecerem menos invasivos. - pergunta: porque é que um fio de retração usado ou uma moldeira descartável com sangue seguem para o grupo III (risco biológico), mesmo não sendo "cortantes"? E a moldeira metálica? (não é resíduo: vai para esterilização).