UC04010

Assistir o médico dentista em atos de cirurgia oral

Preparação do consultório, instrumentário, técnica a quatro mãos e acondicionamento de biópsias

Curso profissional · 25h · Técnico/a Assistente Dentário

Plano

  1. O papel do assistente na cirurgia oral
  2. Tipos de intervenções de cirurgia oral
  3. Procedimentos pré-operatórios
  4. Preparar o consultório e a sala
  5. Instrumentos de exodontia
  6. Instrumentos de tecidos moles, hemostasia e biópsia
  7. A técnica a quatro mãos
  8. Exodontia simples
  9. Exodontia complexa
  10. Exérese de tecidos moles e duros
  11. Biópsia: acondicionar e enviar
  12. Pós-operatório, higiene, emergências e fecho

Bloco 1 · O papel do assistente na cirurgia oral

Cirurgia oral: o que é e onde atuamos

A cirurgia oral reúne os atos cirúrgicos realizados na cavidade oral: exodontias, pequenas exéreses de tecidos moles e duros, e biópsias. É diferente da cirurgia oral e maxilofacial, mais complexa e feita por um médico especialista, muitas vezes em meio hospitalar.

  • O consultório dentário é o contexto habitual desta UC.
  • O/a técnico/a assistente dentário atua sempre sob orientação e supervisão do médico dentista.
  • A atuação enquadra-se nas realizações do referencial: procedimentos pré-operatórios, preparação de equipamentos e materiais, coadjuvação do médico dentista, e acondicionamento de peças de biópsia.

Limites da intervenção do/a técnico/a assistente dentário

Compete ao/à técnico/a assistente dentário Não lhe compete
preparar o consultório, os instrumentos e os materiais diagnosticar a necessidade do ato cirúrgico
coadjuvar o médico dentista durante o ato prescrever medicação ou decidir a técnica cirúrgica
acondicionar e preservar peças de biópsia executar atos clínicos invasivos
aplicar as normas de higiene e segurança decidir sozinho/a alterar um procedimento
reportar qualquer situação de risco avaliar resultados de exames laboratoriais

Reportar é uma atitude central: um instrumento avariado, um espécime mal identificado ou uma reação inesperada do doente comunicam-se de imediato ao médico dentista.

Bloco 2 · Tipos de intervenções de cirurgia oral

O leque de intervenções desta UC

O referencial agrupa quatro grandes tipos de ato cirúrgico, que se repetem ao longo da UC:

Intervenção O que é Exemplo
Exodontia simples extração de um dente sem necessidade de retalho ou osso dente com raiz íntegra e acessível
Exodontia complexa extração com incisão de retalho, remoção de osso ou secção do dente raiz fraturada, dente incluso
Exérese de tecidos moles remoção cirúrgica de uma lesão ou estrutura de tecido mole frenectomia, lesão da mucosa
Exérese de tecidos duros remoção cirúrgica de tecido ósseo torus, exostose

A biópsia atravessa vários destes atos: sempre que se remove tecido, pode ser necessário enviá-lo para análise laboratorial.

A equipa cirúrgica

Numa intervenção de cirurgia oral, a equipa mínima é o médico dentista (opera) e o/a técnico/a assistente dentário (coadjuva). Em intervenções mais longas ou complexas pode existir um segundo assistente.

  • O médico dentista decide e executa o ato clínico.
  • O/a assistente prepara, apoia e regista, mantendo o campo operatório em condições.
  • A comunicação entre ambos segue procedimentos internos definidos pela clínica, muitas vezes com sinais combinados para não interromper o ato.

Uma equipa bem treinada reduz o tempo da intervenção e o desconforto do doente.

Bloco 3 · Procedimentos pré-operatórios

Antes do doente entrar no gabinete

Executar todos os procedimentos pré-operatórios é uma realização explícita do referencial. Inclui:

  • Confirmar que o processo clínico está atualizado e disponível, com os exames complementares (radiografias) anexados.
  • Verificar que existe consentimento informado assinado pelo doente para o ato previsto.
  • Confirmar a identificação do doente e do ato a realizar.
  • Organizar o gabinete e a bandeja de acordo com o tipo de intervenção agendada.

Nada disto é decisão clínica: é organização e verificação, para que o médico dentista comece o ato sem interrupções.

Preparar o doente

Com o gabinete pronto, prepara-se o doente:

  1. Posicionar o doente na cadeira, conforme a zona a intervencionar.
  2. Colocar babete e, se indicado, proteção ocular.
  3. Dar o bochecho com solução antissética, quando indicado pelo protocolo da clínica.
  4. Confirmar com o doente alergias e medicação já registadas no processo, sem alterar nem validar clinicamente essa informação.
  5. Garantir que o doente está confortável e informado sobre os passos seguintes, com linguagem simples.

Bloco 4 · Preparar o consultório e a sala

Assepsia e organização antes do ato

A preparação do consultório para o ato cirúrgico é uma realização e um critério de desempenho explícitos do referencial. Antes do ato:

  • Limpar e desinfetar as superfícies de contacto direto (cadeira, unidade dentária, tabuleiro).
  • Colocar barreiras de proteção descartáveis nos pontos de maior manuseamento.
  • Confirmar que os instrumentos esterilizados estão disponíveis, na embalagem intacta, e que o material de apoio clínico está reposto.
  • Verificar o funcionamento do aspirador cirúrgico, da luz e da unidade cirúrgica.

O princípio que orienta tudo isto: está tudo pronto antes de o doente entrar, nunca a montar durante o ato.

Cadeia asséptica: instrumentista e circulante

Função Veste O que faz
Instrumentista bata e luvas estéreis, máscara, touca, proteção ocular trabalha na zona estéril: bandeja, transferência, aspiração, afastamento
Circulante EPI de consulta na zona não estéril: abre embalagens sem tocar no conteúdo, fornece soro e material extra, ajusta o foco, regista
  • Mãos enluvadas estéreis acima da cintura e à frente do corpo.
  • Material estéril que caia ou toque em superfície não estéril está contaminado: substitui-se.
  • Luva tocada ou rasgada: avisar e trocar de luvas antes de voltar ao campo.

Organizar a bandeja por sequência de uso

A bandeja organiza-se pela ordem em que os instrumentos vão ser usados, não ao acaso:

[Diagnóstico/anestesia] → [Sindesmotomia/luxação] → [Extração/exérese] → [Hemostasia/sutura]
  • Instrumentos de diagnóstico e anestesia ficam mais próximos do início do procedimento.
  • Instrumentos de extração ou exérese ficam disponíveis para a fase intermédia.
  • Material de hemostasia e sutura fica pronto para o fecho, sem precisar de ser procurado.

Uma bandeja bem organizada é metade do trabalho de coadjuvação: o assistente já sabe o que vem a seguir.

Bloco 5 · Instrumentos de exodontia

O instrumentário da exodontia

Preparar equipamentos, instrumentos e materiais adequados a cada intervenção é uma realização central desta UC. Para a exodontia:

Instrumento Função
Sindesmótomo rompe as fibras gengivais e a porção superficial do ligamento periodontal, antes da luxação
Alavanca/elevador luxa o dente, alargando o espaço no alvéolo
Boticão/fórceps agarra a coroa ou a raiz e completa a extração
Cureta cirúrgica (de Lucas) limpa o alvéolo após a extração, removendo restos

Os boticões variam por grupo dentário e arcada: existe um desenho próprio para incisivos, para molares superiores e para molares inferiores, entre outros.

Preparar o kit de exodontia

O assistente confirma, antes do ato, que o kit de exodontia tem:

  • Espelho intraoral e sonda, para observação inicial.
  • Sindesmótomo, elevadores de tamanhos diferentes e boticões adequados ao dente previsto.
  • Cureta cirúrgica e compressas estéreis.
  • Material de sutura, disponível mesmo quando não previsto, para o caso de a extração se complicar.

Um kit incompleto obriga a interromper o ato para ir buscar mais material, o que aumenta o desconforto do doente e o tempo de exposição do campo operatório.

Bloco 6 · Instrumentos de tecidos moles, hemostasia e biópsia

Instrumentos de tecidos moles e sutura

Para exérese de tecidos moles e para fechar qualquer ferida cirúrgica:

Instrumento Função
Bisturi e lâmina incisão dos tecidos moles
Tesoura cirúrgica corte de tecidos e de fio de sutura
Pinça de dissecção segura e afasta o tecido sem o esmagar
Porta-agulhas segura a agulha de sutura
Fio de sutura aproxima os bordos da ferida
Afastador mantém o campo visível, afastando bochecha ou língua

Suturas: absorvíveis e não absorvíveis

Tipo Exemplos Depois da cirurgia
Absorvível poliglactina 910, ácido poliglicólico, catgut crómico degrada-se no organismo; muitas vezes não se remove
Não absorvível seda, poliamida (nylon), polipropileno, PTFE removida pelo médico dentista na consulta de controlo
  • Calibre em zeros: mais zeros, fio mais fino (em cirurgia oral, frequentes 3/0 a 5/0; escolha do médico dentista).
  • A agulha de sutura usada é um cortoperfurante: vai direta para o contentor rígido.

Hemostasia e material de biópsia

  • Compressas e gaze estéril: absorvem sangue e aplicam-se com pressão para controlar hemorragia.
  • Agentes hemostáticos locais: usados pelo médico dentista quando a compressão simples não chega; o assistente prepara-os, não decide quando usar.
  • Pinça de biópsia: remove ou segura a peça de tecido a enviar para análise.
  • Frasco com solução fixadora: recebe de imediato a peça de biópsia, evitando a sua degradação.

O assistente prepara e disponibiliza este material; a decisão clínica de o usar é sempre do médico dentista.

Bloco 7 · A técnica a quatro mãos

O que é a técnica a quatro mãos

Coadjuvar o médico dentista nos diferentes procedimentos é uma das realizações centrais da UC. A técnica a quatro mãos organiza o trabalho para que médico dentista e assistente atuem em simultâneo, sem se atrapalharem:

  • Cada um ocupa uma posição fixa à volta da cadeira, definida pelo procedimento.
  • O assistente mantém o campo operatório visível: aspira fluidos, afasta tecidos moles, ajusta a luz.
  • A transferência de instrumentos faz-se de forma direta e previsível, sem o médico dentista ter de desviar o olhar do campo.

O objetivo é reduzir o tempo do ato e a fadiga de ambos, sem nunca comprometer a segurança do doente.

Transferir instrumentos e manter o campo

  • O instrumento passa-se na zona de transferência, sobre o peito do doente e abaixo do queixo, nunca por cima da face.
  • O assistente entrega o instrumento já orientado para uso imediato, na posição correta da mão.
  • A aspiração segue sempre perto do instrumento que está a trabalhar, sem tapar a visão do médico dentista.
  • Sinais combinados (verbais curtos ou gestuais) substituem frases longas durante o ato.

Zonas de atividade: o relógio

Cabeça do doente no centro do mostrador, 12 horas atrás da cabeça. Para um médico dentista destro:

Zona Horas
Operador das 7 às 12
Estática das 12 às 2
Assistente das 2 às 4
Transferência das 4 às 7 (sobre o peito do doente, abaixo do queixo)

Para um médico dentista canhoto, as zonas espelham-se: operador das 12 às 5, estática das 10 às 12, assistente das 8 às 10, transferência das 5 às 8.

Bloco 8 · Exodontia simples

Etapas de uma exodontia simples

  1. Anestesia, administrada pelo médico dentista; o assistente prepara o material e aspira quando necessário.
  2. Sindesmotomia: rompe as fibras gengivais à volta do dente.
  3. Luxação: com o elevador, alarga o espaço no alvéolo.
  4. Extração: com o boticão, remove-se o dente.
  5. Cureta: limpa o alvéolo de restos ou tecido de granulação.
  6. Hemostasia: compressão com compressa estéril, o doente morde para manter a pressão.

O assistente acompanha cada etapa, aspirando, afastando tecidos e tendo pronto o instrumento seguinte.

Anestesia local: preparar sem anestesiar

  • Quem escolhe o anestésico e quem anestesia é o médico dentista.
  • O assistente confere o cartucho (nome, concentração, validade, integridade) e monta a seringa carpule com a agulha indicada.
  • Transfere a seringa abaixo do queixo, fora do campo de visão do doente.
  • Depois de usada: nunca reencapar com as duas mãos; técnica de uma mão ou porta-tampas; agulha desenroscada com dispositivo ou pinça, direta para o contentor de cortoperfurantes.

Apoio na fase final e instruções imediatas

  • Confirmar que a hemorragia está controlada antes de o doente sair da cadeira.
  • Preparar as compressas de reserva para o doente levar.
  • Reforçar, com linguagem simples, as instruções escritas que o médico dentista já deu (morder a compressa, frio local intermitente, não bochechar nem cuspir com força nas primeiras 24 horas).
  • Registar o que foi feito, conforme os procedimentos internos da clínica.

O assistente nunca prescreve nem altera as instruções dadas pelo médico dentista; apenas as repete e confirma que o doente as entendeu.

Bloco 9 · Exodontia complexa

Quando a exodontia deixa de ser simples

Uma exodontia é complexa (cirúrgica) quando exige, por exemplo:

  • Incisão de retalho, para aceder à raiz ou ao osso.
  • Osteotomia, remoção de uma pequena porção de osso.
  • Odontossecção, divisão do dente em partes para facilitar a remoção.
  • Sutura, para reaproximar o retalho no final.

Situações típicas: raiz fraturada, dente incluso ou impactado, raízes muito curvas ou divergentes.

O papel do assistente numa exodontia complexa

  • Preparar o kit alargado: bisturi, afastador, material de osteotomia, porta-agulhas e sutura, além do kit de exodontia simples.
  • Afastar o retalho com o afastador, mantendo o campo visível durante toda a intervenção.
  • Manter a aspiração contínua, essencial quando há mais sangramento e uso de irrigação.
  • Apoiar a sutura final: cortar o fio no comprimento indicado pelo médico dentista, sem decidir os pontos.

Uma exodontia complexa exige mais concentração e antecipação do assistente do que uma simples, porque há mais fases e mais instrumentos em jogo.

Corte de osso: irrigação e peça de mão

  • Irrigação com soro fisiológico estéril, nunca com a água da unidade dentária.
  • O assistente irriga de forma contínua e aspira em simultâneo com a cânula cirúrgica fina.
  • Usa-se motor ou peça de mão cirúrgica que não expele ar para o campo: a turbina convencional pode forçar ar para os tecidos e provocar enfisema subcutâneo.
  • Brocas cirúrgicas contam-se no fim: uma em falta ou partida reporta-se.

Bloco 10 · Exérese de tecidos moles e duros

Exérese de tecidos moles

A exérese de tecidos moles remove cirurgicamente uma estrutura ou lesão da mucosa oral. Exemplos frequentes:

  • Frenectomia: remoção ou reposicionamento de um freio labial ou lingual demasiado curto ou inserido de forma inadequada.
  • Exérese de lesão da mucosa: remoção de uma lesão para tratamento e, muitas vezes, para diagnóstico (biópsia excisional).

O assistente prepara bisturi, afastador, pinça de dissecção, aspiração e material de sutura, e apoia como em qualquer intervenção de tecidos moles.

Exérese de tecidos duros

A exérese de tecidos duros remove tecido ósseo excedente ou alterado, por exemplo:

  • Torus: uma saliência óssea benigna, frequente no palato ou na mandíbula.
  • Exostose: crescimento ósseo localizado na superfície de um osso.

O procedimento assemelha-se a uma exodontia complexa na preparação (retalho, instrumentos de osso, sutura), mas o alvo é o osso, não um dente. O assistente mantém o mesmo papel: campo visível, aspiração, instrumentos prontos pela sequência certa.

Bloco 11 · Biópsia: acondicionar e enviar

Tipos de biópsia e o primeiro passo crítico

  • Biópsia incisional: remove-se apenas uma parte da lesão, para diagnóstico.
  • Biópsia excisional: remove-se a lesão na totalidade.

Assim que a peça é removida pelo médico dentista, acondicionar e preservar é uma realização explícita do referencial: a peça deve entrar de imediato no recipiente com solução fixadora indicada pelo laboratório de anatomia patológica, para não se degradar antes da análise.

Onde não houver certeza sobre a concentração ou o volume da solução fixadora, segue-se sempre o rótulo do frasco fornecido pelo laboratório, nunca um valor "de memória".

O fixador e os cuidados com a peça

  • Fixador habitual: formol tamponado a 10%, em frasco de boca larga fornecido pelo laboratório.
  • Volume de fixador 10 a 20 vezes o da peça.
  • A peça não se esmaga, não seca numa compressa e não vai para soro ou água.
  • Estudos especiais (por exemplo, imunofluorescência) podem exigir outro meio: confirmar antes do ato.
  • O formol é perigoso (irritante e cancerígeno): luvas, proteção ocular, frasco aberto o mínimo tempo.

Identificação, requisição e envio

Uma peça de biópsia sem identificação inequívoca não serve para nada, por melhor que tenha sido a cirurgia. O acondicionamento inclui sempre:

  • Etiqueta no frasco: identificação do doente, local anatómico da peça e data.
  • Requisição de anatomia patológica preenchida com os dados clínicos relevantes, exatamente como o médico dentista os indicar.
  • Confirmação de que o frasco está bem fechado, sem fugas da solução fixadora.
  • Registo do envio, conforme os procedimentos internos, até à entrega ao laboratório ou ao estafeta responsável.

Qualquer dúvida sobre a identificação de uma peça reporta-se de imediato ao médico dentista, antes de a enviar.

Bloco 12 · Pós-operatório, higiene, emergências e fecho

Apoio no pós-operatório imediato

Depois do ato, o assistente apoia sem nunca prescrever:

  • Reforça as instruções escritas do médico dentista: morder a compressa o tempo indicado, aplicar frio local, alimentação mole nas primeiras horas, evitar bochecho vigoroso e sucção (palhinha, cigarro).
  • Observa o doente até à hemostasia estar confirmada.
  • Reporta de imediato ao médico dentista qualquer sinal fora do esperado: hemorragia persistente, mal-estar súbito, reação inesperada.
  • Regista e arruma: instrumentos usados para reprocessamento, resíduos triados conforme o protocolo, consultório pronto para o doente seguinte.

Instruções escritas e sinais de alarme

  • Compressa mordida cerca de 30 minutos; frio intermitente nas primeiras horas.
  • Não bochechar nem cuspir com força nas primeiras 24 horas; não fumar; não usar palhinha.
  • Só a medicação prescrita pelo médico dentista.
  • Sinais de alarme: hemorragia que não para, inchaço crescente, febre, dificuldade em respirar ou engolir.
  • Dor que piora 2 a 4 dias depois, com mau sabor e alvéolo sem coágulo: quadro típico de alveolite; quem diagnostica e trata é o médico dentista.

Cortoperfurantes, resíduos e limpeza

  • PBCI (Norma DGS n.º 029/2012) em todos os doentes.
  • Contentor de cortoperfurantes rígido, cheio no máximo até 2/3; lâmina de bisturi retirada com pinça ou removedor, nunca com os dedos.
  • Resíduos (Despacho n.º 242/96): grupo III risco biológico (saco branco); grupo IV específicos, incluindo cortoperfurantes.
  • Depois do ato: cortoperfurantes primeiro, resíduos, instrumentos em contentor fechado para reprocessamento, aspiração limpa, superfícies desinfetadas.
  • Instrumental cirúrgico = crítico (Spaulding): esterilização sempre.

Emergências no consultório

Situação Papel do assistente
Síncope avisar; doente deitado de costas com pernas elevadas; ficar junto dele
Hipoglicemia avisar; açúcar oral só se consciente e a engolir, conforme indicação
Anafilaxia avisar; ligar 112; trazer o kit; a adrenalina IM é dada pelo médico dentista
Paragem ligar 112, trazer o DAE, SBV: 30:2, 5 a 6 cm, 100 a 120 por minuto (ERC)

Síntese da UC

  • O/a técnico/a assistente dentário prepara, coadjuva e acondiciona; nunca diagnostica, prescreve ou executa atos invasivos.
  • Cada intervenção (exodontia simples, complexa, exérese de tecidos moles ou duros) tem o seu instrumentário e a sua sequência próprios.
  • A técnica a quatro mãos reduz o tempo do ato e a fadiga da equipa, sem comprometer a segurança.
  • Acondicionar bem uma biópsia é tão importante como a própria cirurgia: sem identificação correta, o diagnóstico laboratorial fica comprometido.
  • Reportar qualquer situação de risco é uma competência, não uma opção.
  • Higiene e segurança acompanham cada etapa, do consultório preparado ao instrumento reprocessado no fim do dia.

Próximo: fichas de trabalho e projeto, aplicar tudo isto a casos concretos do consultório.

Registo e modelos anatómicos como apoio ao estudo

O referencial desta UC recomenda dois recursos que atravessam todos os blocos anteriores:

  • Dispositivos tecnológicos com acesso à internet: para consultar protocolos, fichas técnicas de instrumentos e normas atualizadas, sempre que surge uma dúvida concreta no dia a dia da clínica.
  • Modelos anatómicos: para treinar a sequência de instrumentos e a técnica a quatro mãos antes de a aplicar com um doente real, sem qualquer risco.

Treinar num modelo até a sequência sair sem hesitações é o que permite, depois, manter as mãos livres para pensar no doente e não no próximo instrumento.

Recapitulando

  • Papel do assistente: preparar, coadjuvar, acondicionar, reportar; nunca diagnosticar nem prescrever.
  • Pré-operatório e sala: processo clínico, consentimento, assepsia, bandeja organizada por sequência de uso.
  • Instrumentário: exodontia, tecidos moles, hemostasia e biópsia, cada um com a sua função.
  • Técnica a quatro mãos: transferência de instrumentos, aspiração e campo sempre visível.
  • Exodontia, exérese e biópsia: etapas próprias, com o assistente presente em todas elas.

Fichas e mini-projeto a seguir: preparar, assistir e acondicionar em casos reais do consultório, sempre sob a orientação e a supervisão direta do médico dentista.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar logo neste primeiro slide: assistir não é fazer. É preparar, apoiar e acompanhar. - Erro comum: alunos que confundem "cirurgia oral" com "cirurgia maxilofacial" e pensam que a UC cobre intervenções complexas de hospital. - Pergunta à turma: quem decide se um doente pode ser operado? (o médico dentista, nunca o assistente).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente às atitudes do referencial: responsabilidade, autonomia dentro das suas funções, sentido crítico e rigor. - Erro comum: um aluno que acha que "ajudar mais" é preparar-se para fazer parte do ato clínico. Corrigir sem hesitar. - Exemplo: comparar com a UC de prevenção de infeção, onde o mesmo princípio de reportar já apareceu.

NOTAS DO PROFESSOR - Usar esta tabela como mapa mental para o resto da UC: cada bloco seguinte encaixa numa destas quatro linhas. - Erro comum: pensar que "exérese" é sinónimo de "exodontia". Exérese é o termo geral para remoção cirúrgica de tecido; exodontia é especificamente a extração de um dente. - Perguntar: porque é que uma exodontia complexa exige mais preparação do assistente do que uma simples?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o trabalho de equipa como competência transversal do curso, não só desta UC. - Exemplo: comparar com uma sala de operações hospitalar, guardando as devidas proporções de escala. - Erro comum: assistentes que falam durante o ato sem necessidade, distraindo o médico dentista.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à realização "executar todos os procedimentos pré-operatórios" do referencial, palavra por palavra. - Erro comum: começar a preparar a bandeja sem confirmar primeiro qual é exatamente a intervenção agendada. - Pergunta: o que fazer se o consentimento informado não estiver assinado? (reportar ao médico dentista, nunca avançar).

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar: confirmar dados do processo não é o mesmo que avaliar clinicamente o doente. O assistente lê e verifica, o médico dentista interpreta. - Erro comum: pular a etapa de comunicação com o doente, gerando ansiedade desnecessária. - Exemplo/analogia: é como o check-in antes de um voo, tudo confirmado antes de a "porta fechar".

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente à UC de prevenção e controlo de infeção: as regras de limpeza e desinfeção de superfícies aplicam-se aqui na íntegra. - Erro comum: verificar a esterilidade dos instrumentos só depois de o médico dentista os pedir. - Perguntar: porque é que se confirma a embalagem de esterilização "intacta" antes de abrir? (a esterilidade perde-se por eventos, não pela data).

NOTAS DO PROFESSOR - Quando o assistente trabalha sozinho com o médico dentista, é instrumentista e tem de preparar antes tudo o que um circulante lhe passaria. - Erro comum: abrir uma embalagem estéril puxando as abas para o próprio corpo, ou pousar o conteúdo tocando-lhe com a mão. - Exercício: com embalagens vazias, treinar a abertura para o campo sem tocar no conteúdo.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma desenhar a sequência para uma exodontia simples e para uma complexa, comparando. - Erro comum: amontoar todos os instrumentos sem ordem, obrigando o assistente a procurar durante o ato. - Ligar ao critério de desempenho "manuseando os equipamentos, instrumentos e materiais com destreza e segurança".

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (fotos ou instrumentos reais) a diferença entre um boticão de incisivos e um de molares. - Erro comum: usar o boticão errado para o grupo dentário, dificultando a preensão. - Exemplo: pedir à turma para identificar, num tabuleiro montado, qual instrumento corresponde a qual etapa.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a atitude de "prevenção": ter sempre material de sutura pronto, mesmo numa simples que teoricamente não precisa. - Erro comum: preparar só o previsto e não ter uma reserva para o imprevisto. - Ligar ao critério "preparando o consultório, adequando os instrumentos e os materiais ao tipo de intervenção".

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar a diferença entre pinça de dissecção com dentes e sem dentes, e quando se usa cada uma. - Erro comum: confundir o porta-agulhas com uma pinça comum, apertando a agulha sem firmeza suficiente. - Perguntar: porque é que a pinça de dissecção não deve esmagar o tecido? (compromete a cicatrização).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar embalagens reais de fio de sutura e ler o rótulo com a turma: material, calibre, tipo de agulha. - Erro comum: abrir o fio errado por não confirmar o rótulo com o pedido do médico dentista. - Perguntar: quem remove os pontos? (o médico dentista; o assistente prepara tesoura e pinça e regista).

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar outra vez o limite: preparar não é decidir. Vale a pena repetir esta frase várias vezes ao longo da UC. - Erro comum: atrasar a preparação do frasco de biópsia por achar "que se calhar não vai ser preciso". - Ligar ao bloco 11, onde se detalha o acondicionamento da peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Analogia: como um cirurgião de bloco operatório e a sua instrumentista, à escala do consultório dentário. - Erro comum: o assistente olhar para o tabuleiro em vez de olhar para o campo operatório ao transferir o instrumento. - Se possível, fazer uma demonstração com dois alunos, um a "operar" com uma caneta e outro a "passar" objetos.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: entregar o instrumento "ao contrário", obrigando o médico dentista a rodá-lo antes de usar. - Exemplo/analogia: um bom passe de bola já vem "pronto a rematar", não obriga o colega a corrigi-lo primeiro. - Exercício rápido: simular a transferência de três instrumentos seguidos entre dois alunos.

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar o relógio no quadro e pôr dois alunos a ocupar as posições com uma cadeira real ou simulada. - Erro comum: passar instrumentos por cima da face do doente, fora da zona de transferência. - O assistente senta-se ligeiramente mais alto do que o médico dentista, para ver o campo.

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma que associe cada etapa ao instrumento correspondente do bloco 5. - Erro comum: retirar a aspiração demasiado cedo, antes de o campo estar limpo para o médico dentista ver o alvéolo. - Exemplo: comparar com uma exodontia complexa no bloco seguinte, o que muda e o que se mantém.

NOTAS DO PROFESSOR - Treinar em modelo a técnica de reencapar com uma mão, com agulhas sem ponta ou seringas de treino. - Erro comum: retirar a tampa da agulha antes de o médico dentista a pedir, deixando a agulha exposta na bandeja. - Reforçar: qualquer queixa do doente depois da anestesia (palpitações, tonturas, comichão) reporta-se de imediato.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao bloco 12, sobre pós-operatório, para não haver repetição excessiva, apenas uma antecipação. - Erro comum: o assistente "acrescentar" conselhos próprios às instruções do médico dentista. - Perguntar: o que fazer se a hemorragia não parar com a compressão simples? (reportar de imediato ao médico dentista).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a decisão de "complexa vs simples" é sempre clínica, do médico dentista, nunca do assistente. - Erro comum: achar que "complexa" significa apenas "mais difícil de puxar", ignorando que pode envolver retalho e osso. - Exemplo: mostrar uma radiografia de um dente incluso, se disponível.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao bloco 7 (técnica a quatro mãos): aqui a coordenação é ainda mais exigida. - Erro comum: perder a sequência de instrumentos a meio de uma intervenção mais longa. - Exercício: pedir à turma para montar, em texto, a lista de instrumentos extra de uma complexa face a uma simples.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar porque é que o osso precisa de arrefecimento: o calor da broca pode lesar o osso e atrasar a cicatrização. - Erro comum: ligar a seringa ar/água da unidade para "limpar" o campo cirúrgico. - Sinal a reportar: inchaço súbito da face durante o ato.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar frenectomia com um exemplo visual, se possível (freio lingual curto, "língua presa"). - Erro comum: confundir exérese de tecidos moles com exodontia, por ambas envolverem "cortar". - Ligar ao bloco 11: muitas exéreses de tecidos moles terminam em biópsia.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar a semelhança de preparação com o bloco 9, para reforçar que os princípios se repetem. - Erro comum: achar que a exérese de tecido duro não produz hemorragia relevante. Pode produzir, e a hemostasia é igualmente crítica. - Pergunta: porque é que o torus e a exostose são referidos como "benignos"? (não são lesões cancerígenas, ainda assim podem ser removidos por razões funcionais).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a urgência: quanto mais tempo a peça fica fora da solução fixadora, mais se degrada. - Erro comum: colocar a peça num recipiente qualquer "só para não se perder", em vez do frasco correto já preparado antes do ato. - Ligar ao bloco 6, onde se preparou o frasco com antecedência.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar um frasco de biópsia real e ler o rótulo: fixador, volume, perigos. - Erro comum: colocar a peça em soro "até chegar o frasco certo". - Ligar à UC de higiene e segurança: ficha de dados de segurança do formol.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma preencher, em exercício, uma requisição fictícia de anatomia patológica. - Erro comum: trocar a etiqueta de duas peças de doentes diferentes recolhidas no mesmo dia. - Perguntar: o que aconteceria se duas biópsias do mesmo dia fossem trocadas na identificação? (diagnóstico atribuído ao doente errado, consequência grave).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar novamente à UC de prevenção de infeção: os instrumentos usados seguem o circuito de reprocessamento já estudado. - Erro comum: deixar o doente sair sem confirmar que percebeu as instruções, "porque já foram ditas pelo médico". - Perguntar: que sinais justificam reportar de imediato, mesmo que o doente diga "não é nada"?

NOTAS DO PROFESSOR - As instruções são do médico dentista e entregam-se por escrito; o assistente relê-as com o doente, sem acrescentar nada. - Role-play: o doente que telefona ao terceiro dia com dor forte. O assistente regista, não aconselha, informa o médico dentista. - Erro comum: sugerir bochechos ou analgésicos "que costumam resultar".

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à UC de prevenção e controlo de infeção: o circuito do sujo para o limpo é o mesmo. - Exposição acidental: lavar, não espremer, informar de imediato, seguir o protocolo interno (avaliação médica nas primeiras horas). - Erro comum: encher o contentor de cortoperfurantes até ao topo "para aproveitar".

NOTAS DO PROFESSOR - O SBV exige formação certificada; este slide não a substitui. - Verificar com a turma onde ficam o kit de emergência, o oxigénio e o DAE no consultório de estágio. - Erro comum: dar água ou açúcar a um doente inconsciente.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer uma última ronda de perguntas rápidas, uma por bloco, para verificar retenção. - Anunciar as fichas: a primeira sobre preparação e instrumentário, a segunda sobre os atos cirúrgicos e a biópsia. - Reforçar, uma última vez, o limite de intervenção: é o fio condutor de toda a UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Sugerir um exercício com modelo anatómico: simular a sequência completa de uma exodontia simples, com um aluno a "operar" e outro a coadjuvar. - Erro comum: saltar o treino em modelo e ir direto à prática supervisionada, chegando inseguro na sequência. - Ligar às atitudes do referencial: empenho e persistência, sentido crítico sobre o próprio desempenho.