UC04001

Efetuar a manutenção preventiva de equipamentos e a reposição de stocks de consumíveis em cuidados de saúde oral

Conceitos, tipologia de materiais, técnicas de reposição, manutenção preventiva e segurança no consultório dentário

Curso profissional · 25h · Técnico/a Assistente Dentário

Plano

  1. Equipamento, dispositivo médico, material e consumível
  2. Tipologia de material: reutilizável e de uso único
  3. Gerir materiais e consumíveis no consultório dentário
  4. Técnicas de reposição de stocks
  5. Tipologia de equipamentos e protocolos associados
  6. Manutenção preventiva: conceito e planeamento
  7. Executar tarefas de manutenção preventiva
  8. Manuseamento correto de equipamentos e materiais
  9. Registos das tarefas de manutenção e reposição
  10. Procedimentos de segurança e de emergência
  11. Limites de intervenção do/a Técnico/a Assistente Dentário
  12. Normas de segurança e saúde no trabalho

Bloco 1 · Equipamento, dispositivo médico, material e consumível

Quatro conceitos que não se confundem

No consultório dentário, quatro palavras aparecem todos os dias e não significam a mesma coisa:

  • Equipamento: aparelho de valor elevado, geralmente fixo, usado de forma continuada. Exemplos: a unidade dentária (cadeira), o compressor de ar, a autoclave, o aparelho de raio-x.
  • Dispositivo médico: conceito legal, definido pelo Regulamento (UE) 2017/745 (em Portugal, Decreto-Lei n.º 29/2024; autoridade: INFARMED), que abrange instrumentos, aparelhos, materiais e software destinados pelo fabricante a fins médicos. Pode ser um equipamento, um material ou um consumível. Classes de risco: I, IIa, IIb e III.
  • Material: instrumento ou objeto usado no atendimento clínico, reutilizável (espelho, sonda) ou de uso único (agulha).
  • Consumível: item que se gasta com o uso e é substituído com regularidade, como luvas, máscaras ou tubetes de anestésico.

Relação entre os quatro conceitos

Conceito O que é Exemplo no consultório
Equipamento aparelho de valor elevado, fixo ou semifixo autoclave, compressor, unidade dentária
Dispositivo médico categoria legal, transversal aos outros três autoclave, espelho, agulha, rolo de algodão
Material instrumento de uso clínico espelho, sonda, pinça, broca
Consumível gasta-se e repõe-se luvas, agulhas, rolos de algodão

A diferença mais prática para o dia a dia não é "o que é", mas sim "o que se faz com ele": um equipamento tem manutenção, um material reutilizável tem esterilização, um consumível tem reposição.

Bloco 2 · Tipologia de material: reutilizável e de uso único

Material reutilizável

O material reutilizável volta a ser usado depois de descontaminado e esterilizado. No consultório dentário inclui:

  • Instrumentos de exame: espelho, sonda, pinça.
  • Instrumentos cirúrgicos: bisturis com cabo, curetas, porta-agulhas.
  • Peças de mão e contra-ângulos, brocas de aço não descartáveis.
  • Cassetes e bandejas de instrumentação.

Cada ciclo de reutilização exige o mesmo percurso: limpeza, desinfeção, secagem e inspeção, embalagem e esterilização em autoclave, antes de voltar a estar disponível para um novo doente.

Classificação de Spaulding e circuito de reprocessamento

Categoria Contacto Tratamento
Crítico penetra tecidos ou osso (fórceps, curetas) esterilização
Semicrítico mucosas (espelho, moldeiras) esterilização ou desinfeção de alto nível
Não crítico pele íntegra (superfícies) limpeza e desinfeção

Circuito: transporte fechado, limpeza (manual, ultrassons ou termodesinfetadora), desinfeção, secagem e inspeção, lubrificação, embalagem, esterilização, armazenamento.

Material de uso único

O material de uso único (descartável) usa-se uma só vez e depois é eliminado, nunca reesterilizado. Exemplos:

  • Agulhas de anestesia, seringas descartáveis.
  • Rolos de algodão, compressas, campos de proteção.
  • Luvas de exame, cânulas de aspiração descartáveis, taças de mistura.
  • Brocas descartáveis de baixo custo.

O risco de reutilizar material de uso único é biológico: pode transmitir infeção entre doentes. Por isso, todo o material de uso único vai para o contentor de resíduos hospitalares apropriado ao seu grupo de risco, nunca para o lixo comum.

Bloco 3 · Gerir materiais e consumíveis no consultório dentário

Porque a gestão de stocks é uma competência clínica

Gerir os materiais e consumíveis mais usados nas diferentes áreas do consultório é uma das realizações centrais desta UC. Dois problemas opostos, e igualmente graves:

  • Rutura de stock: falta anestésico, luvas ou uma broca a meio de uma consulta. Obriga a interromper o atendimento e afeta a confiança do doente.
  • Excesso de stock: material a expirar antes de ser usado, dinheiro imobilizado, prateleiras desorganizadas.

A gestão apoia-se sempre no plano de gestão de stocks e nas normas para procedimentos na reposição definidas pela unidade, nunca em critérios pessoais.

Organizar por consumo e por validade

Duas regras práticas orientam a arrumação:

  1. FEFO (first expire, first out): o material com validade mais próxima fica à frente e sai primeiro, mesmo que tenha chegado depois.
  2. Classificação por rotatividade: separar o que se consome todos os dias (luvas, rolos de algodão) do que é usado ocasionalmente (material cirúrgico específico), para dar prioridade de verificação ao que gira mais rápido.

Cada área do consultório (sala de consulta, sala de esterilização, receção) tem os seus níveis de stock próprios (stock de segurança, ponto de encomenda, stock máximo), definidos em função do consumo real registado.

Stock de segurança e ponto de encomenda

  • Stock de segurança (stock mínimo) = consumo médio diário × dias de margem.
  • Ponto de encomenda = consumo médio diário × prazo de entrega + stock de segurança.
  • Stock máximo: teto definido no plano (validade, espaço, dinheiro parado).

Exemplo: 40 pares de luvas/dia, entrega em 3 dias, margem de 1 dia.
Stock de segurança = 40 × 1 = 40. Ponto de encomenda = 40 × 3 + 40 = 160.
Encomenda-se aos 160; a entrega chega quando restam cerca de 40.

Bloco 4 · Técnicas de reposição de stocks

Métodos de reposição

Técnicas de reposição preconizadas, e quando usar cada uma:

  • Reposição periódica: pedido num dia fixo (ex.: toda a segunda-feira); a quantidade é a que falta para um nível-alvo. Adequada a consumíveis de consumo estável.
  • Reposição por ponto de encomenda: pede-se sempre que o stock desce até ao ponto de encomenda. Adequada a itens críticos (anestésico, luvas), porque reage ao consumo real.
  • Reposição por níveis (stock fixo por sala) e sistema de duas caixas: repõe-se o que foi gasto até à quantidade fixada; a segunda caixa cobre o prazo de entrega.
  • Reposição pontual: pedido isolado, fora do ciclo normal, para um caso excecional (evento, aumento súbito de consultas).

Passo a passo de uma reposição

  1. Verificar o stock atual por contagem física na prateleira.
  2. Comparar com o ponto de encomenda (ou o nível-alvo) definido no plano de gestão.
  3. Preencher o template de pedido no sistema informático de gestão.
  4. Confirmar a receção e conferir artigo, quantidade, lote, validade e integridade da embalagem.
  5. Arrumar o novo lote seguindo a regra FEFO.
  6. Registar a reposição (o que entrou, lote e validade, quando, quem verificou).

Cada passo tem de deixar rasto: uma reposição sem registo é como se não tivesse acontecido.

Bloco 5 · Tipologia de equipamentos e protocolos associados

Os grandes equipamentos do consultório

  • Unidade dentária (cadeira): integra assento, luz, seringa ar/água, aspiração e peças de mão.
  • Compressor de ar: alimenta a seringa ar/água e as peças de mão com ar comprimido.
  • Autoclave: esteriliza por vapor sob pressão o material reutilizável.
  • Aparelho de raio-x: obtém imagens de diagnóstico.
  • Lâmpada de fotopolimerização: endurece resinas compostas.
  • Aparelho de ultrassons: remove tártaro e biofilme (profilaxia).

Protocolos associados a cada equipamento

Cada equipamento traz um manual do fabricante com o protocolo específico de utilização e manutenção. Alguns exemplos:

Equipamento Protocolo específico
Autoclave teste de Bowie-Dick ou Helix no início do dia, ciclo validado, registo de cada ciclo e lote
Compressor purga diária dos condensados (modelos de purga manual)
Unidade dentária purga das linhas de água no início do dia e 20 a 30 s entre doentes
Aspiração produto de limpeza não espumante no fim do dia, filtros, separador de amálgama
Fotopolimerizador verificação com radiómetro, ponteira limpa, barreira
Aparelho de raio-x controlo de qualidade por entidade habilitada

Seguir o protocolo do fabricante não é opcional: é a base legal e técnica de qualquer manutenção preventiva.

Bloco 6 · Manutenção preventiva: conceito e planeamento

Preventiva vs corretiva

  • Manutenção preventiva: conjunto de tarefas programadas, feitas antes de haver avaria, para manter o equipamento a funcionar dentro das especificações.
  • Manutenção corretiva: intervenção feita depois de uma avaria já ter ocorrido, para repor o equipamento a funcionar.

A manutenção preventiva reduz paragens inesperadas, prolonga a vida útil dos equipamentos e é uma exigência de segurança clínica: um equipamento avariado a meio de um procedimento é um risco para o doente e para a equipa.

Planear a manutenção preventiva

O planeamento organiza-se num calendário de manutenção, um por equipamento, com a periodicidade indicada pelo fabricante:

  • Entre doentes: purga das linhas de água e peças de mão, desinfeção de superfícies.
  • Diária: purgas, teste de Bowie-Dick ou Helix no início do dia, limpeza da aspiração, verificação visual.
  • Semanal: limpeza da câmara e do vedante da autoclave.
  • Mensal: verificação de filtros, vedantes e validades.
  • Anual: revisão técnica e validação por entidade habilitada.

Se o manual do equipamento indicar outra periodicidade, prevalece o manual.

O calendário fica registado no sistema informático de gestão, com alertas para cada tarefa e responsável.

Bloco 7 · Executar tarefas de manutenção preventiva

Tarefas diárias

  • Início do dia: purgar o compressor (depósito com purga manual); purgar as linhas de água da unidade; verificar a água desmineralizada da autoclave e fazer o teste de Bowie-Dick ou Helix antes da primeira carga; verificar a selagem da seladora.
  • Entre doentes: acionar seringa ar/água e peças de mão 20 a 30 s; limpar e desinfetar superfícies de contacto; trocar barreiras.
  • Fim do dia: aspirar solução de limpeza e desinfeção não espumante pelo sistema de aspiração; verificar filtros; deixar a sala reposta.

Estas tarefas simples, feitas todos os dias, evitam a maioria das avarias por acumulação.

Tarefas periódicas

Para além das diárias, o calendário de manutenção inclui:

  • Limpeza da câmara, tabuleiros e vedante da autoclave (semanal ou conforme o manual).
  • Validação periódica da autoclave por entidade habilitada e indicadores biológicos conforme o procedimento.
  • Verificação do fotopolimerizador com radiómetro.
  • Substituição de filtros de ar e de água conforme a periodicidade do fabricante.
  • Lubrificação de peças de mão e contra-ângulos.
  • Controlo de qualidade do aparelho de raio-x por entidade habilitada.

Cada tarefa periódica gera um registo próprio, que serve de prova de conformidade em qualquer auditoria ou inspeção.

Autoclave: classes, ciclos e teste de Bowie-Dick

  • Classes (EN 13060): B, vácuo fracionado, todas as cargas (ocas, porosas, embaladas); N, sem vácuo, só sólidos não embalados; S, conforme o fabricante.
  • Ciclos de referência: 134 °C durante pelo menos 3 min, ou 121 °C durante pelo menos 15 min.
  • Indicadores: físicos (registo do ciclo), químicos (tipos 1 a 6, ISO 11140-1), biológicos (Geobacillus stearothermophilus).
  • Bowie-Dick (ou Helix): autoclaves com vácuo; todos os dias, antes da primeira carga, câmara vazia, programa próprio (tipicamente 134 °C, 3,5 min).
  • Leitura: cor uniforme = conforme; centro mais claro = ar retido = não conforme: autoclave fora de serviço, registar, notificar.

Bloco 8 · Manuseamento correto de equipamentos e materiais

Regras gerais de manuseamento

Promover a correta manipulação dos equipamentos e materiais é uma realização própria desta UC. Regras que se aplicam a qualquer equipamento:

  • Seguir sempre o manual do fabricante, nunca improvisar procedimentos.
  • Usar o equipamento de proteção individual adequado (luvas, máscara, óculos).
  • Desligar o equipamento antes de o limpar ou de trocar acessórios.
  • Nunca forçar mecanismos, botões ou articulações.
  • Transportar e arrumar materiais frágeis (espelhos, brocas) de forma a evitar quedas e choques.

Erros de manuseamento e os seus riscos

Erro Risco
Usar material não esterilizado infeção cruzada entre doentes
Sobrecarregar a autoclave esterilização incompleta
Ignorar um alarme do equipamento avaria maior ou risco de acidente
Limpar um equipamento ligado à corrente choque elétrico

Reconhecer estes erros é o primeiro passo para os evitar, e é também o que justifica muitos dos critérios de desempenho desta UC: proatividade, registo e notificação.

Bloco 9 · Registos das tarefas de manutenção e reposição

O que registar

Fazer os registos associados às tarefas de reposição e manutenção preventiva é um critério de desempenho explícito desta UC. Um registo completo tem sempre:

  • Data e hora da tarefa.
  • Equipamento ou material envolvido.
  • Tarefa realizada (o que foi feito, exatamente).
  • Responsável que executou ou verificou.
  • Resultado: conforme ou não conforme, com observações se necessário.

Um registo incompleto vale tanto como não ter sido feito, porque não permite provar que a tarefa aconteceu.

Onde e como registar

O registo faz-se no sistema informático de gestão da unidade, com templates de documentos próprios para cada tipo de tarefa (manutenção, reposição, incidente).

  • Os registos suportam rastreabilidade: em caso de reclamação ou inspeção, é possível reconstituir o histórico de um equipamento ou de um lote de material.
  • Os registos também alimentam o planeamento: permitem antecipar quando um consumível vai esgotar ou quando um equipamento se aproxima da próxima validação.

Registar bem é, ao mesmo tempo, uma obrigação e uma ferramenta de gestão.

Bloco 10 · Procedimentos de segurança e de emergência

Riscos no consultório e proteção

O consultório dentário reúne três tipos de risco que a manutenção e a reposição têm de ter em conta:

  • Risco biológico: contacto com sangue, saliva ou material contaminado.
  • Risco químico: desinfetantes, produtos de esterilização e de revelação.
  • Risco físico: queimaduras (autoclave), lesão ocular pela luz azul do fotopolimerizador, cortes e picadas (instrumentos afiados, agulhas), choque elétrico.

O equipamento de proteção individual (luvas, máscara, óculos, bata) é a primeira barreira contra estes três riscos, em todas as tarefas de manutenção e reposição.

Procedimentos de emergência

Notificar o responsável pela unidade sempre que se identificam anomalias, inconformidades ou potenciais riscos é um critério de desempenho central desta UC. Procedimentos a conhecer:

  • Acidente com corte ou picada: lavar de imediato com água e sabão, sem espremer nem usar lixívia; notificar logo o responsável e seguir o protocolo de exposição a risco biológico (a profilaxia contra o VIH, se indicada, começa nas primeiras horas, nunca depois das 72 h).
  • Exposição a produto químico: consultar a ficha de dados de segurança, agir conforme indicado (lavagem, ventilação).
  • Avaria com risco elétrico: desligar o equipamento na origem, isolar a área, nunca tentar reparar sem formação.
  • Alarme ou ciclo interrompido na autoclave: a carga não está estéril; não forçar a porta, registar e reprocessar.
  • Sempre: registar o incidente e notificar quem tem responsabilidade pela unidade ou área.

Bloco 11 · Limites de intervenção do/a Técnico/a Assistente Dentário

O que compete ao/à Técnico/a Assistente Dentário

Dentro da manutenção e reposição, há tarefas claramente ao alcance da função:

  • Executar as tarefas de manutenção preventiva previstas no calendário (purgas, limpezas, testes de rotina como o Bowie-Dick).
  • Repor stocks seguindo o plano de gestão e as técnicas preconizadas.
  • Manusear corretamente equipamentos e materiais, seguindo o manual do fabricante.
  • Registar tarefas e identificar anomalias.

Estas tarefas correspondem exatamente às aptidões e realizações previstas no referencial desta UC.

O que não compete, e tem de ser encaminhado

Fora dos limites de intervenção ficam sempre:

  • Reparações internas de equipamentos (abrir, substituir peças elétricas ou mecânicas).
  • Calibrações e validações que exigem habilitação específica (ex.: validação anual da autoclave, controlo de qualidade do raio-x).
  • Decisões clínicas sobre o doente.

Nestes casos, a ação correta é notificar o responsável pela unidade e, quando aplicável, contactar a assistência técnica autorizada. Reconhecer o próprio limite é, também, uma competência.

Bloco 12 · Normas de segurança e saúde no trabalho

Normas gerais no consultório

A manutenção e a reposição fazem-se sempre dentro de normas de segurança e saúde no trabalho (Lei n.º 102/2009) e das Precauções Básicas do Controlo da Infeção (Norma DGS n.º 029/2012):

  • Sinalética de risco biológico e químico, visível e respeitada.
  • Ergonomia: posturas corretas na receção, arrumação e transporte de material.
  • Gestão de resíduos hospitalares (Despacho n.º 242/96): grupos I e II em saco preto, grupo III (risco biológico) em saco branco, grupo IV em saco vermelho, cortantes e perfurantes em contentor rígido.
  • Fichas de dados de segurança dos produtos químicos (desinfetantes, esterilizantes), sempre acessíveis.

O cumprimento destas normas é, também, um critério de avaliação transversal a toda a UC.

As atitudes que sustentam tudo o resto

Nenhuma norma nem nenhum registo substitui a atitude de quem executa a tarefa. O referencial desta UC pede, de forma explícita:

  • Responsabilidade pelas próprias ações e autonomia dentro das funções atribuídas.
  • Cooperação com a equipa e sentido de organização no trabalho diário.
  • Zelo e rigor na execução de cada tarefa, por mais repetitiva que pareça.
  • Empenho e persistência na resolução de problemas, e respeito pelas regras e normas definidas.

Estas atitudes transformam uma lista de tarefas técnicas num serviço de saúde de confiança.

Recapitulando

  • Equipamento, dispositivo médico, material e consumível são conceitos distintos, e cada um tem o seu circuito: manutenção, esterilização ou reposição.
  • Reutilizável exige o ciclo completo de esterilização; uso único nunca se reesteriliza.
  • Gerir stocks é aplicar FEFO, calcular stock de segurança e ponto de encomenda por área, e escolher a técnica de reposição certa para cada item.
  • A manutenção preventiva planeia-se por calendário e por periodicidade, com base no manual do fabricante.
  • Manusear corretamente, registar sempre e notificar anomalias são os três comportamentos que atravessam toda a UC.
  • Conhecer os limites de intervenção e respeitar as normas de segurança e saúde no trabalho completa o perfil desta função.

Próximo: fichas e mini-projecto, aplicar a manutenção preventiva e a reposição de stocks a um consultório real.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: dispositivo médico é um conceito legal que atravessa os outros três, não é uma quarta categoria separada. - erro comum: os alunos tratam "equipamento" e "dispositivo médico" como sinónimos. Uma autoclave é equipamento e é dispositivo médico ao mesmo tempo. - atenção: o anestésico local (tubete) não é dispositivo médico, é medicamento; na gestão de stocks trata-se como consumível. - o Decreto-Lei n.º 145/2009 foi revogado pelo Decreto-Lei n.º 29/2024; materiais antigos ainda o citam. - exemplo: pedir à turma para classificar uma broca, uma seringa ar/água e uma autoclave nas quatro categorias.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a distinção prática entre manutenção, esterilização e reposição, que vai orientar todos os blocos seguintes. - pergunta: "o fio de sutura é material ou consumível?" Resposta: consumível, porque se gasta e não se reutiliza. - exemplo: passar em revista a sala de consulta e identificar um item de cada categoria.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: reutilizável não significa "usar sem limpar entre doentes". O ciclo completo é obrigatório sempre. - erro comum: confundir desinfeção (reduz microrganismos) com esterilização (elimina, incluindo esporos). São etapas diferentes e sequenciais. - exemplo: mostrar uma cassete de instrumentos antes e depois do ciclo de esterilização.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as peças de mão esterilizam-se entre doentes, porque o interior pode reter fluidos. - erro comum: achar que a cuba de ultrassons desinfeta; só limpa. - pergunta: em que categoria fica o espelho de boca, e porquê?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "uso único" é uma indicação de segurança do fabricante, não uma sugestão de economia. - erro comum: reaproveitar uma agulha ou uma cânula de aspiração "porque ainda parece limpo". É sempre proibido. - pergunta: porque é que uma agulha de anestesia nunca é reesterilizada, mesmo numa autoclave validada?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: gerir stocks não é tarefa administrativa isolada, é parte do cuidado ao doente. - erro comum: guardar material em excesso "para nunca faltar", ignorando o prazo de validade. - exemplo: uma caixa de tubetes de anestésico comprada em excesso e que expira antes de ser toda usada, gerando desperdício.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: FEFO em vez de FIFO, porque no sector da saúde a validade manda mais do que a ordem de chegada. A diferença vê-se quando chega um lote novo com validade mais curta do que o que já estava na prateleira: o novo vai para a frente. - pergunta: porque é que a sala de esterilização e a sala de consulta podem ter stocks mínimos diferentes para o mesmo item? - exemplo: mostrar uma prateleira arrumada com as validades mais próximas à frente.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o stock de segurança não é o sinal para encomendar; é a reserva que fica para um atraso. O sinal é o ponto de encomenda. - erro comum: encomendar só quando se chega ao stock de segurança, esquecendo que o consumo continua durante o prazo de entrega. - exemplo: repetir o cálculo com tubetes de anestésico (20/dia, entrega em 4 dias, 1 dia de margem: 20 e 100).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a escolha da técnica depende da criticidade do item, não é a mesma para tudo. - erro comum: usar só reposição periódica para itens críticos, arriscando rutura entre pedidos. - pergunta: qual das três técnicas escolherias para as luvas de exame, e porquê?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o registo do passo 6 não é burocracia extra, é o que permite auditar e planear o próximo pedido. - erro comum: aceitar uma entrega sem verificar validade nem integridade da embalagem. - exemplo: simular na aula uma reposição completa de rolos de algodão, do pedido ao registo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada equipamento tem um protocolo próprio, definido pelo fabricante, e não há um único procedimento "genérico" de manutenção. - erro comum: aplicar o mesmo cuidado de limpeza ao raio-x que se aplica à unidade dentária. São aparelhos com riscos diferentes. - exemplo: percorrer a sala e identificar cada equipamento e a sua função.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o manual do fabricante é a fonte oficial, nunca "o que sempre se fez" ou a experiência de um colega. - pergunta: o que aconteceria se a purga diária do compressor fosse ignorada durante semanas? - exemplo: mostrar um manual do fabricante e localizar a tabela de periodicidades.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: prevenir custa menos, em tempo e em dinheiro, do que corrigir uma avaria. - erro comum: só chamar a assistência técnica quando o equipamento já parou. - analogia: é como a revisão de um carro, feita por calendário, e não só quando o motor já falhou.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem calendário escrito, a manutenção depende da memória de alguém, e falha. - pergunta: quem deve ser notificado se uma tarefa mensal ficar em atraso? - exemplo: construir em conjunto um calendário simples para a autoclave da sala.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as tarefas diárias são as mais fáceis de esquecer, precisamente por serem repetitivas. - erro comum: saltar a purga do compressor "só por um dia". A água acumulada corrói o depósito. - exemplo: fazer a demonstração da purga do compressor com a turma a cronometrar o tempo que demora.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as tarefas periódicas que exigem habilitação (validação, raio-x) não são feitas pela equipa; a equipa garante que estão agendadas e registadas. - pergunta: como se percebe que um fotopolimerizador está a perder potência, se a luz parece igual? - exemplo: mostrar um radiómetro e o registo de medições de um fotopolimerizador.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o teste de Bowie-Dick não se aplica a autoclaves de classe N, que não têm vácuo. - pergunta: o que se faz se o teste de Bowie-Dick der resultado não conforme? - exemplo: mostrar uma folha de Bowie-Dick conforme e uma não conforme, lado a lado, e arquivar a conforme no registo do dia.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: manusear bem começa antes de tocar no equipamento, com o EPI já colocado. - erro comum: forçar uma peça de mão encravada em vez de verificar a causa do encravamento. - exemplo: demonstrar a forma correta de encaixar e desencaixar uma broca numa peça de mão.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada erro desta tabela já causou incidentes reais em contexto clínico, não são hipóteses académicas. - pergunta: qual destes quatro erros consideram mais fácil de cometer por distração, e porquê? - exemplo: pedir à turma que descreva, para cada erro, o que deveria ter sido feito em vez disso.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o registo é a prova, não a tarefa em si. Fazer sem registar é, para efeitos de auditoria, o mesmo que não fazer. - erro comum: registar só "feito" sem indicar data, responsável ou resultado. - exemplo: comparar um registo bem feito com um mal feito da mesma tarefa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o mesmo registo serve duas funções, cumprimento legal e planeamento futuro. Não são objetivos separados. - pergunta: como é que o histórico de registos de uma autoclave ajuda a decidir quando substituir o equipamento? - exemplo: mostrar um ecrã (ou template em papel) de registo de manutenção preenchido.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os três riscos coexistem na mesma sala, e o EPI protege contra os três ao mesmo tempo. - erro comum: retirar as luvas para "trabalhos mais delicados" como abrir uma embalagem de material contaminado. - exemplo: identificar, para cada risco, uma situação concreta de manutenção onde ele aparece.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: notificar não é "denunciar", é parte do trabalho e protege doentes e colegas. - erro comum: tentar resolver uma anomalia grave sozinho, sem notificar, "para não incomodar". - pergunta: que diferença faz notificar de imediato em vez de esperar até ao fim do dia?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os limites de intervenção não são uma restrição arbitrária, correspondem à formação e à responsabilidade legal de cada função. - pergunta: porque é que executar uma purga diária está dentro dos limites, mas calibrar um aparelho de raio-x não está? - exemplo: percorrer as tarefas do Bloco 7 e confirmar quais cabem nesta função.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: reconhecer o limite protege o próprio técnico e o doente. Não é falta de iniciativa, é rigor profissional. - erro comum: tentar "desmontar um pouco" um equipamento avariado para ver se resolve, agravando a avaria. - analogia: como um piloto que sinaliza uma avaria e chama a manutenção especializada, em vez de tentar reparar em voo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as normas de segurança não são um capítulo isolado, atravessam todas as tarefas anteriores dos blocos 1 a 11. - pergunta: em que grupo de resíduos entra uma agulha usada? E um rolo de algodão com sangue? Resposta: agulha no contentor rígido do grupo IV; rolo com sangue no saco branco do grupo III. - exemplo: mostrar os contentores de resíduos hospitalares e a cor associada a cada grupo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as atitudes não são um "extra" simpático, são avaliadas e fazem parte do referencial oficial. - pergunta: dá um exemplo concreto de "zelo" numa tarefa de manutenção do compressor. - exemplo: pedir à turma para associar cada atitude a uma tarefa vista nos blocos anteriores.