UC04000

Identificar as estruturas da cavidade oral e da articulação temporo-mandibular

Anatomia dentária, nomenclatura, dentição temporária e permanente, relações anatómicas e ATM

Curso técnico · 25h · Técnico/a Assistente Dentário

Plano

  1. A cavidade oral
  2. Nomenclatura e numeração dos dentes
  3. Constituição do dente
  4. Dentição permanente: arcada superior
  5. Dentição permanente: arcada inferior
  6. Dentição temporária
  7. Relações anatómicas das peças dentárias
  8. Oclusão e função mastigatória
  9. A articulação temporo-mandibular: estrutura
  10. A articulação temporo-mandibular: movimentos

Bloco 1 · A cavidade oral

Onde fica e o que é a cavidade oral

A cavidade oral (boca) é a primeira porção do tubo digestivo e também um espaço-chave para a fonação e a respiração acessória.

  • Limites: lábios (à frente), bochechas (dos lados), palato duro e mole (acima), soalho da boca (abaixo) e istmo das fauces (atrás, ligação à orofaringe).
  • Divide-se em dois espaços: o vestíbulo (entre lábios/bochechas e as arcadas dentárias) e a cavidade oral propriamente dita (dentro das arcadas, onde está a língua).
  • Funções: mastigação, início da digestão, fonação, apoio à respiração e expressão facial.

As estruturas da cavidade oral

Estrutura Localização / função
Lábios fecham a boca, participam na fala e na expressão
Bochechas paredes laterais, contêm o músculo bucinador
Palato duro teto anterior, ósseo, separa a boca do nariz
Palato mole e úvula teto posterior, móvel, participa na deglutição
Língua soalho móvel, mastigação, deglutição, fala, gosto
Soalho da boca base, com as glândulas sublinguais
Gengiva tecido que envolve o colo dos dentes
Amígdalas palatinas tecido linfoide, defesa, junto ao istmo das fauces
Glândulas salivares parótida, submandibular e sublingual, produzem saliva

Glândulas salivares, nervos e vasos

Estrutura O que saber
Parótida canal de Stensen, abre-se na bochecha em frente ao 2.º molar superior
Submandibular canal de Wharton, abre-se na carúncula sublingual, junto ao freio da língua
Sublingual vários canais pequenos ao longo da prega sublingual
Nervo maxilar (V2) sensibilidade dos dentes superiores, gengiva e palato
Nervo mandibular (V3) sensibilidade dos dentes inferiores, lábio inferior e língua; motor dos músculos da mastigação
Artéria maxilar ramo da carótida externa; dá as artérias alveolares superiores e inferior

Bloco 2 · Nomenclatura e numeração dos dentes

Nomina Anatomica e termos de orientação

Para descrever qualquer estrutura dentária com rigor, usa-se sempre a terminologia anatómica (Nomina Anatomica/Terminologia Anatómica Internacional), nunca linguagem improvisada.

Termo Significado
Mesial lado mais próximo da linha média
Distal lado mais afastado da linha média
Vestibular / bucal lado voltado para lábios/bochechas
Lingual / palatino lado voltado para a língua (inferior) ou palato (superior)
Oclusal / incisal superfície de contacto com o dente antagonista
Cervical junto ao colo do dente
Apical junto ao ápice da raiz

Sistemas de numeração dos dentes

Existem vários sistemas para identificar cada peça dentária sem ambiguidade. O mais usado em Portugal e na Europa é o sistema FDI (ISO 3950).

Sistema Lógica Exemplo
FDI / ISO 3950 2 dígitos: quadrante (1 a 4 permanentes, 5 a 8 temporários) + posição (1 a 8, ou 1 a 5) 16 = 1.º quadrante, 6.º dente (1.º molar superior direito)
Universal (EUA) numeração sequencial de 1 a 32 (permanentes) e letras A a T (temporários) dente 3 = 1.º molar superior direito
Palmer símbolo de quadrante (┘└┐┌) + número 1 a 8 6┘ = 1.º molar superior direito

O sistema FDI é o de referência clínica: o 1.º dígito identifica o quadrante (1 superior direito, 2 superior esquerdo, 3 inferior esquerdo, 4 inferior direito, sempre no sentido horário a partir do superior direito) e o 2.º dígito a posição do dente na arcada, a contar do incisivo central.

Bloco 3 · Constituição do dente

Coroa, colo e raiz

Cada dente divide-se em três partes principais:

  • Coroa: parte visível na boca (coroa clínica) ou revestida a esmalte (coroa anatómica); nem sempre coincidem, por exemplo quando há retração gengival.
  • Colo (cervical): zona de transição entre coroa e raiz, onde a gengiva se adapta ao dente.
  • Raiz: parte inserida no osso alveolar, revestida a cemento; termina no ápice, onde entram os vasos e o nervo pelo forame apical.

O número de raízes varia por grupo dentário: os incisivos e caninos têm uma raiz, os pré-molares uma ou duas, e os molares duas a três.

Os tecidos do dente e do periodonto

Tecido Onde está Função
Esmalte cobre a coroa tecido mais duro do corpo, protege a dentina
Dentina por baixo do esmalte e do cemento corpo do dente, sensível, envolve a polpa
Polpa câmara pulpar e canais radiculares vasos, nervos, tecido conjuntivo
Cemento cobre a raiz fixa as fibras do ligamento periodontal
Ligamento periodontal entre raiz e osso alveolar ancora o dente, absorve forças de mastigação
Osso alveolar encaixa a raiz suporte ósseo do dente
Gengiva envolve o colo proteção e vedação contra bactérias

O conjunto ligamento periodontal + cemento + osso alveolar + gengiva chama-se periodonto: é ele que sustenta o dente, não o próprio dente.

Bloco 4 · Dentição permanente: arcada superior

Grupos dentários e a sua função

A dentição permanente tem 32 dentes, 8 por quadrante, agrupados por função:

Grupo N.º por quadrante Função
Incisivos (central e lateral) 2 cortar o alimento
Caninos 1 rasgar o alimento
Pré-molares (1.º e 2.º) 2 esmagar e transicionar
Molares (1.º, 2.º e 3.º) 3 triturar e moer

O 3.º molar (dente do siso) é o último a erupcionar, em média entre os 17 e os 21 anos, e é frequente não ter espaço na arcada.

Morfologia dos dentes superiores

  • Incisivo central superior: o maior e mais largo incisivo, coroa em forma de pá, uma raiz cónica.
  • Incisivo lateral superior: mais pequeno e estreito do que o central, por vezes com anomalias de forma.
  • Canino superior: o dente com a raiz mais longa de toda a arcada, coroa robusta com uma única cúspide.
  • Pré-molares superiores: geralmente duas cúspides (vestibular e palatina); o 1.º pré-molar tem por vezes duas raízes.
  • 1.º molar superior: o dente mais volumoso da arcada, três raízes (mesiovestibular, distovestibular e palatina) e quatro cúspides principais.

Bloco 5 · Dentição permanente: arcada inferior

Morfologia dos dentes inferiores

  • Incisivos inferiores: mais estreitos e pequenos do que os superiores, coroas quase simétricas.
  • Canino inferior: mais estreito do que o superior, raiz longa mas menor do que a do canino superior.
  • Pré-molares inferiores: o 1.º pré-molar inferior tem uma cúspide vestibular dominante e uma cúspide lingual muito pequena; o 2.º já tem as duas cúspides mais equilibradas.
  • Molares inferiores: coroas com cinco cúspides no 1.º molar (três vestibulares, duas linguais) e, tipicamente, duas raízes (mesial e distal).

Cada arcada tem morfologia própria: não se pode "adivinhar" um dente inferior a partir do seu par superior.

Diferenças entre a arcada superior e a inferior

Característica Arcada superior Arcada inferior
Raízes do 1.º molar 3 (mesio-V, disto-V, palatina) 2 (mesial, distal)
Cúspides do 1.º molar 4 5
Raiz mais longa canino superior canino inferior (menor que o superior)
Largura do arco mais amplo, cobre a inferior por vestibular mais estreito, fica por dentro da superior
Face voltada para dentro da boca palatina lingual

Estas diferenças explicam por que motivo a oclusão (o encaixe entre as duas arcadas) só funciona quando cada dente está na posição, forma e tamanho corretos.

Bloco 6 · Dentição temporária

A dentição decídua (temporária)

A dentição temporária (decídua ou de leite) tem 20 dentes, 5 por quadrante, e não tem pré-molares nem 3.º molar.

Grupo N.º por quadrante
Incisivo central 1
Incisivo lateral 1
Canino 1
1.º molar temporário 1
2.º molar temporário 1

No sistema FDI, os quadrantes temporários numeram-se de 5 a 8 (51 a 55, superior direito; 61 a 65, superior esquerdo; 71 a 75, inferior esquerdo; 81 a 85, inferior direito). No sistema Universal, usam-se as letras A a T.

Morfologia dos dentes temporários

  • Mais pequenos e mais claros, com esmalte e dentina mais finos e câmara pulpar proporcionalmente maior.
  • Colo estrangulado e saliência de esmalte marcada junto ao colo, por vestibular.
  • Molares com raízes finas e divergentes, que alojam o gérmen do pré-molar: três raízes nos superiores, duas nos inferiores.
  • O 2.º molar temporário superior parece um 1.º molar permanente superior; o inferior parece um 1.º molar permanente inferior (cinco cúspides).
  • O incisivo central temporário superior tem a coroa mais larga do que alta.

Cronologia de erupção e esfoliação

Fase Idade aproximada
Erupção da dentição temporária (do primeiro ao último dente) dos 6 meses até cerca dos 3 anos
Início da esfoliação (queda) por volta dos 6 anos
Erupção dos primeiros permanentes (1.º molar, incisivos) 6 a 8 anos
Dentição mista (temporários + permanentes) 6 a 12 anos
Dentição permanente completa (sem 3.os molares) 12 a 13 anos
Erupção dos 3.os molares 17 a 21 anos (muito variável)

A ordem de erupção segue, em geral, a mesma sequência da esfoliação: os primeiros dentes a nascer são também, tipicamente, os primeiros a cair.

Bloco 7 · Relações anatómicas das peças dentárias

Arcadas, pontos de contacto e ameias

Os dentes de cada arcada organizam-se numa curva chamada arco dentário, mantendo relações precisas entre si:

  • Pontos de contacto: zona onde dentes vizinhos se tocam, mantendo a arcada unida e distribuindo forças de mastigação.
  • Ameias (embrasuras): espaços triangulares entre dentes vizinhos, acima e abaixo do ponto de contacto.
  • Curva de Spee: curvatura ântero-posterior da linha oclusal, vista de perfil.
  • Curva de Wilson: curvatura transversal entre os dentes do lado esquerdo e direito.

Sem pontos de contacto corretos, a comida acumula-se entre os dentes e a arcada perde estabilidade.

Relações com as estruturas vizinhas

  • Seio maxilar: muito perto dos ápices dos pré-molares e molares superiores.
  • Canal mandibular: por baixo dos ápices dos molares inferiores, com o nervo e os vasos alveolares inferiores; mais próximo do 3.º molar.
  • Buraco mentoniano: na zona dos ápices dos pré-molares inferiores.
  • Pontos de contacto: no terço incisal nos incisivos, descem para cervical nos molares; por baixo deles fica a papila gengival.
  • Cada dente oclui com dois antagonistas, exceto o incisivo central inferior e o 3.º molar superior.

Oclusão: a classificação de Angle

Oclusão é o encaixe entre a arcada superior e a inferior quando a boca fecha. A referência clínica é a classificação de Angle, baseada na posição do 1.º molar permanente:

Classe Relação molar Descrição
Classe I neutroclusão cúspide mesiovestibular do 1.º molar superior encaixa no sulco vestibular do 1.º molar inferior
Classe II distoclusão arcada inferior recuada: a cúspide superior fica à frente (mesial) do sulco
Classe III mesioclusão arcada inferior avançada: a cúspide superior fica atrás (distal) do sulco

Dois termos complementam esta classificação: sobremordida horizontal (overjet), a distância horizontal entre incisivos superiores e inferiores, e sobremordida vertical (overbite), a distância vertical de cobertura; em ambos, o normal é de poucos milímetros (tipicamente 2 a 3 mm).

Bloco 8 · Oclusão e função mastigatória

Os músculos da mastigação

A mastigação depende de quatro pares de músculos que movem a mandíbula:

Músculo Ação principal
Masséter eleva a mandíbula, o mais potente
Temporal eleva e retrai a mandíbula
Pterigoideu medial eleva e ajuda nos movimentos laterais
Pterigoideu lateral protrai a mandíbula e abre a boca

Estes músculos trabalham em conjunto com a articulação temporo-mandibular, tratada nos blocos seguintes.

O ciclo mastigatório

A mastigação decompõe-se em fases que se repetem até o alimento estar pronto a engolir:

  1. Incisão: os incisivos cortam o alimento em pedaços.
  2. Trituração: caninos e pré-molares rasgam e fragmentam.
  3. Moagem: os molares trituram o alimento entre as superfícies oclusais.
  4. Formação do bolo alimentar: a saliva humedece e liga as partículas.
  5. Deglutição: a língua empurra o bolo para a faringe.

Cada grupo dentário entra em ação numa fase diferente, e a saliva é indispensável para lubrificar e iniciar a digestão dos hidratos de carbono.

Bloco 9 · A articulação temporo-mandibular: estrutura

Anatomia da ATM

A articulação temporo-mandibular (ATM) é uma articulação sinovial bilateral que liga a mandíbula ao osso temporal, à frente do ouvido.

Componente Descrição
Côndilo mandibular superfície convexa da mandíbula
Fossa mandibular (glenoide) cavidade do osso temporal
Tubérculo articular eminência óssea anterior à fossa, guia o movimento
Disco articular (menisco) disco fibrocartilagíneo entre côndilo e fossa
Cápsula articular envolve toda a articulação
Ligamentos temporomandibular, estilomandibular, esfenomandibular

O disco articular divide a ATM em dois compartimentos, cada um com a sua própria membrana sinovial.

Os dois compartimentos articulares

  • Compartimento inferior (entre côndilo e disco): permite rotação pura, o primeiro movimento ao abrir a boca.
  • Compartimento superior (entre disco e fossa/tubérculo): permite translação (deslizamento) do conjunto côndilo + disco para a frente.
  • A membrana sinovial de cada compartimento produz líquido sinovial, que lubrifica e nutre a articulação.
  • Um disco deslocado ou desgastado explica muitos dos "estalidos" e dores associados a disfunções da ATM.

Bloco 10 · A articulação temporo-mandibular: movimentos

Os movimentos da ATM

A ATM permite os seguintes movimentos, sempre coordenados entre os dois lados:

Movimento Descrição
Depressão abertura da boca
Elevação fecho da boca
Protrusão mandíbula avança
Retrusão mandíbula recua
Lateralidade (diducção) mandíbula desloca-se para um dos lados

A abertura da boca combina rotação (compartimento inferior) seguida de translação (compartimento superior): por isso a boca pode abrir muito mais do que uma simples charneira permitiria.

Porque é que a ATM importa para o assistente dentário

  • É das articulações mais usadas do corpo humano, ativa em falar, comer e engolir.
  • Disfunções da ATM (DTM) causam dor, estalidos e limitação de abertura, e podem confundir-se com dor dentária.
  • Reconhecer a anatomia normal é o primeiro passo para identificar o que está fora do esperado.
  • No consultório, a observação da abertura e dos movimentos mandibulares faz parte da avaliação inicial do paciente.

Compreender a ATM liga toda a anatomia estudada nesta UC à prática clínica do dia a dia.

Recapitulando

  • A cavidade oral organiza-se em vestíbulo e cavidade propriamente dita, com lábios, bochechas, palatos, língua e glândulas salivares.
  • A nomenclatura (Nomina Anatomica) e a numeração FDI dão rigor à descrição de qualquer dente.
  • Cada dente tem coroa, colo e raiz, e os tecidos esmalte, dentina, polpa e cemento, sustentados pelo periodonto.
  • As dentições permanente (32 dentes) e temporária (20 dentes) têm morfologia e numeração próprias.
  • As relações anatómicas (pontos de contacto, oclusão de Angle) e a função mastigatória explicam o encaixe entre arcadas.
  • A ATM liga mandíbula e osso temporal, com disco articular e dois compartimentos, permitindo rotação e translação.

Próximo: fichas e projeto, aplicar esta anatomia à identificação de peças e à leitura de um odontograma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a boca não é um espaço único, é vestíbulo + cavidade oral propriamente dita, separados pelas arcadas dentárias. - erro comum: confundir "vestíbulo" com "cavidade oral"; pedir aos alunos que apontem os dois espaços num modelo ou na própria boca com um espelho. - exemplo: passar a língua por fora dos dentes (vestíbulo) e por dentro dos dentes (cavidade oral propriamente dita) para sentir a diferença.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pedir para localizar cada estrutura num modelo anatómico, uma a uma, com o nome correto. - erro comum: chamar "céu da boca" ao palato sem distinguir a parte dura da parte mole; mostrar a fronteira entre as duas. - pergunta: porque é que a úvula se move quando engolimos? (fecha a via nasal, evitando que os alimentos subam ao nariz).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a sensibilidade de dentes e mucosa oral é do nervo trigémio (V par), pelos ramos maxilar (V2) e mandibular (V3). - erro comum: tapar a papila parotídea ou a carúncula sublingual com o rolo de algodão sem saber que ali sai saliva; mostrar as duas aberturas num colega ou num modelo. - pergunta: porque é que, depois de anestesiar um molar inferior, o lábio inferior e parte da língua do mesmo lado ficam dormentes? (nervo alveolar inferior e nervo lingual, ramos do V3).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estes termos substituem "para dentro", "para fora", "de lado"; são a base de toda a comunicação clínica. - erro comum: trocar lingual com palatino; lingual usa-se na arcada inferior, palatino na arcada superior. - exemplo: descrever a face de um dente concreto no modelo usando só estes termos, sem gestos.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o FDI lê-se sempre dígito a dígito ("um seis", não "dezasseis"), para não confundir com uma numeração sequencial. - erro comum: inverter a ordem dos quadrantes; fixar a regra do sentido horário a partir do quadrante superior direito do paciente. - exemplo: pedir a vários alunos que identifiquem, no seu próprio odontograma de treino, o dente 11, o 26 e o 44.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: coroa anatómica e coroa clínica são conceitos distintos; a retração gengival expõe mais coroa anatómica sem mudar a anatomia do dente. - erro comum: pensar que "colo" é uma linha rígida; é uma zona de transição, e a sua posição muda com a saúde da gengiva. - pergunta: porque é que um dente com raiz única (incisivo) é mais fácil de extrair do que um molar com três raízes?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o dente não está "colado" ao osso, está suspenso pelo ligamento periodontal, o que permite absorver o impacto da mastigação. - erro comum: confundir dentina com cemento; a dentina forma o corpo do dente, o cemento é uma fina camada que cobre a raiz e ancora as fibras. - exemplo: mostrar um corte longitudinal de dente num modelo e pedir para identificar os quatro tecidos, de fora para dentro, na coroa e na raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a forma de cada grupo dentário corresponde exatamente à sua função; a anatomia não é decorativa. - erro comum: contar mal os dentes por quadrante; fazer contar em voz alta, do incisivo central até ao 3.º molar. - pergunta: porque é que muitas pessoas têm de extrair os dentes do siso?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o 1.º molar superior é a "ancora" da arcada, o mais importante para a oclusão; qualquer perda precoce tem grande impacto. - erro comum: assumir que todos os molares têm o mesmo número de raízes; os superiores têm três, os inferiores têm normalmente duas. - exemplo: comparar no modelo o canino superior (raiz longa, uma cúspide) com o 1.º molar superior (três raízes, quatro cúspides).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os molares inferiores encaixam entre dois dentes superiores durante a mastigação, daí a diferença de forma entre arcadas. - erro comum: achar que o número de cúspides é igual entre 1.º pré-molar superior e inferior; não é, o inferior tem uma cúspide lingual muito reduzida. - pergunta: porque é que os molares inferiores têm normalmente duas raízes e os superiores três?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: retomar esta tabela mais tarde, no bloco da oclusão, para ligar morfologia a encaixe funcional. - erro comum: chamar "lingual" à face interna de um dente superior; na arcada superior essa face é palatina, na inferior é lingual (a face oclusal é a que contacta com o antagonista, nas duas arcadas). - exemplo: sobrepor um molde de arcada superior e outro de inferior e mostrar a diferença de largura e forma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os molares temporários não têm sucessor "molar"; são substituídos pelos pré-molares permanentes. - erro comum: chamar "pré-molar" a um molar temporário; a dentição de leite não tem pré-molares. - exemplo: comparar o odontograma de uma criança (5 a 8, ou letras) com o de um adulto (1 a 4, ou números) no mesmo software.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: com polpa mais perto da superfície, uma cárie num dente temporário chega à polpa mais depressa do que num permanente. - erro comum: confundir o 2.º molar temporário com o 1.º molar permanente que erupciona logo atrás dele; comparar tamanho, cor e colo no modelo. - exemplo: pôr lado a lado, num modelo de dentição mista, o 55 e o 16 e pedir as diferenças.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estas idades são aproximadas e variam de criança para criança; nunca comunicar como "regra fixa" a um encarregado de educação. - erro comum: pensar que um atraso de alguns meses é sempre patológico; a variação individual é normal dentro de certos limites. - pergunta: porque é que o 1.º molar permanente costuma ser o primeiro dente permanente a erupcionar, ainda com dentes de leite ao lado?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os pontos de contacto não são um detalhe estético, protegem a gengiva interdentária da acumulação de alimentos. - erro comum: confundir ponto de contacto com ameia; o ponto de contacto é onde os dentes se tocam, a ameia é o espaço à volta. - exemplo: mostrar num modelo o triângulo de espaço (ameia) que aparece quando falta o ponto de contacto entre dois dentes.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estas relações explicam porque se pedem radiografias antes de extrações de molares e porque uma extração superior pode comunicar com o seio maxilar. - erro comum: pensar que as raízes "flutuam" no osso sem vizinhos; mostrar numa ortopantomografia o seio maxilar e o canal mandibular. - exemplo: localizar no crânio ou no modelo o buraco mentoniano e relacioná-lo com os pré-molares inferiores.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a classificação de Angle é sempre baseada no 1.º molar permanente, não nos incisivos. - erro comum: confundir overjet (horizontal) com overbite (vertical); usar as mãos para mostrar as duas direções. - exemplo: mostrar fotografias ou modelos das três classes lado a lado e pedir para identificar cada uma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nenhum destes músculos trabalha isolado; a mastigação é sempre um movimento coordenado dos quatro pares. - erro comum: achar que só o masséter interessa; o pterigoideu lateral é decisivo para abrir a boca e mover a mandíbula para os lados. - pergunta: porque é que dores nestes músculos (ex.: bruxismo) provocam também dor na têmpora e na face?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar cada fase ao grupo dentário do bloco 4/5, mostrando que a anatomia justifica a sequência funcional. - erro comum: pensar que a mastigação é só "moer"; a incisão e a trituração são fases distintas e anteriores à moagem. - exemplo: pedir a um aluno que descreva, em voz alta e por fases, o que faz ao comer uma maçã.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a ATM é bilateral; os dois lados trabalham sempre em simultâneo, mesmo que só um pareça "estalar". - erro comum: pensar na ATM como uma simples "dobradiça"; o disco articular torna-a muito mais complexa do que uma charneira. - exemplo: colocar os dedos à frente do ouvido e abrir/fechar a boca para sentir o movimento do côndilo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a divisão em dois compartimentos explica por que a ATM combina dois tipos de movimento numa só articulação. - erro comum: achar que a rotação e a translação acontecem ao mesmo tempo desde o início; a rotação surge primeiro, a translação junta-se depois. - pergunta: se um paciente sente um estalido logo ao começar a abrir a boca, que movimento e que compartimento estão ativos nesse momento? (rotação, compartimento inferior; a avaliação da causa cabe ao médico dentista).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nenhum destes movimentos é puro na prática; a mastigação combina lateralidade, protrusão e rotação em simultâneo. - erro comum: descrever a abertura da boca como um único movimento; são dois, em sequência (rotação, depois translação). - exemplo: pedir aos alunos que façam cada movimento (abrir, avançar, recuar, lateralizar) em frente a um espelho, com os dedos na ATM.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: relacionar este slide com o critério de desempenho "identificando a função das estruturas da ATM". - erro comum: tratar a ATM como assunto "avançado" e não anatomia básica; é uma das estruturas mais relevantes para a prática diária. - pergunta: que outras queixas do paciente (para além de dor na articulação) podem ter origem numa disfunção da ATM?