O IVA (23%) incide sobre o preço de venda, depois de a margem já estar decidida. Não é lucro, é um imposto entregue ao Estado. Ordem correta:
custo total → margem → preço de venda sem IVA → IVA → preço de venda com IVA
Calcular a margem sobre um preço já com IVA infla artificialmente o lucro aparente da empresa.
Exemplo resolvido: o orçamento final do MX-118
Rubrica
Valor
Custo direto total
€12.067,56
Custos indiretos (15%)
€1.810,13
Imprevistos (8%)
€965,40
Custo total (CT)
€14.843,09
Margem (20% s/ custo)
€2.968,62
Preço de venda sem IVA
€17.811,71
IVA (23%)
€4.096,69
Preço de venda final
€21.908,40
Margem sobre venda equivalente: €2.968,62 / €17.811,71 ≈ 16,67%.
Folhas de cálculo aplicadas à orçamentação
Custo direto total 12067,56
Custos indiretos (15%) =B1*0,15
Imprevistos (8%) =B1*0,08
Custo total (CT) =B1+B2+B3
Margem (20% s/ custo) =B4*0,20
Preço de venda sem IVA =B4+B5
IVA (23%) =B6*0,23
Preço de venda final =B6+B7
Fórmulas em vez de valores fixos: mudar uma única hora de maquinação recalcula todo o orçamento em segundos.
Bloco 12 · Legislação, normas e o dossiê de orçamento
Legislação e normas técnicas aplicáveis
Normas de desenho técnico (ISO 128, ISO 8015).
Catálogos de normalizados (sistemas do tipo DME/HASCO), que definem as referências da tabela B.
Legislação de segurança no trabalho nas oficinas de maquinação, eletroerosão e tratamento térmico.
Proteção dos dados e desenhos confidenciais do cliente.
Respeitar a legislação e as normas técnicas aplicáveis é um dos critérios de desempenho oficiais desta UC.
Colaborar na elaboração do orçamento
Reunir BOM, tempos, custos diretos, indiretos, imprevistos, margem e IVA num único documento.
Rever com um colega: apanha rubricas esquecidas, o erro mais caro de todos.
Apresentar ao cliente com a fundamentação de cada rubrica, não só o número final.
Um orçamento bem colaborado é auditável: qualquer pessoa da empresa percebe, meses depois, de onde veio cada euro.
Recapitulando
Orçamentar segue as três realizações: analisar a documentação, estimar tempos e custos, colaborar na elaboração do orçamento.
Uma tabela oficial de preços, sempre a mesma, para matéria-prima, normalizados, mão de obra e hora-máquina.
Massas e volumes dão o custo de matéria-prima; tempos produtivos e improdutivos dão as horas; produção interna ou subcontratação decide-se por custo, prazo e capacidade.
Indiretos e imprevistos sobre o custo direto; markup sobre o custo é diferente de margem sobre venda; o IVA nunca entra na base da margem.
Próximo: fichas e mini-projeto, orçamentar moldes de raiz.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: as três realizações organizam toda a UC; voltar a elas no fecho de cada bloco.
- erro comum: pensar que orçamentar é "adivinhar um número razoável"; é um cálculo analítico, rubrica a rubrica.
- exemplo: perguntar à turma quanto custaria, à vista, um molde de 4 cavidades (deixar chutar valores e comparar no fim com o exemplo calculado).
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: o método analítico é mais trabalhoso mas é o único auditável.
- erro comum: usar o método analógico para um orçamento final só porque é mais rápido.
- pergunta: em que fase da venda faz sentido usar o método analógico? (pré-venda, resposta rápida, antes do desenho fechado.)
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: nesta fase não se calcula nada; o objetivo é fechar uma lista de requisitos.
- erro comum: saltar para as contas sem confirmar tolerâncias e acabamento, e descobrir tarde que faltam horas de ajustagem.
- exemplo: mostrar um desenho técnico cotado e pedir à turma para identificar em 2 minutos o que teriam de perguntar ao cliente.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: sem uma BOM fechada, o orçamentista esquece sempre alguma coisa.
- erro comum: começar a orçamentar sem a BOM completa e ir "descobrindo" itens a meio.
- exemplo/pergunta: construir a BOM do molde de exemplo ao longo dos próximos blocos, item a item.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: cada linha desta tabela vai reaparecer com preço na tabela oficial do bloco 6.
- erro comum: confundir postiço com placa; o postiço é substituível, a placa é estrutural.
- pergunta: porque é que os postiços, não as placas, são o componente que mais desgasta?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: canal frio vs quente é uma decisão de volume de produção, não de "qualidade".
- erro comum: achar que canal quente é sempre a opção superior; só compensa com volume que a justifique.
- exemplo: um molde para 200 peças/ano não justifica canal quente; um para 2 milhões/ano quase sempre justifica.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: mais movimentos = mais horas de projeto e de ajustagem, o que se reflete direto no orçamento.
- erro comum: tratar a cinemática como um detalhe de engenharia sem ligação ao custo.
- pergunta: que componente extra apareceria num molde com uma rosca a desenroscar?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: o material da peça não se escolhe no orçamento do molde, mas condiciona o desenho do molde.
- erro comum: ignorar a contração ao interpretar as cotas do desenho.
- pergunta: qual destes materiais exige mais cuidado com tolerâncias, dada a contração mais alta?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: a escolha do aço é funcional, não estética; postiços levam sempre o aço mais caro por quilo.
- erro comum: achar que "mais caro por quilo" é pior escolha.
- exemplo: comparar a vida útil esperada de um postiço em 1.2738 vs 1.2344.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: quase sempre subcontratado (fornos e controlo especializado); vamos usar este exemplo no bloco 9.
- erro comum: esquecer o tratamento térmico na lista de materiais e só o descobrir no fim.
- pergunta: porque é que a maioria das oficinas de moldes não tem forno de nitruração próprio?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: o arrefecimento é o tempo mais longo e mais sensível ao sistema de refrigeração.
- erro comum: esquecer de confirmar a força de fecho da máquina do cliente antes de fechar o número de cavidades.
- pergunta: porque é que o número de cavidades tem um limite dado pela máquina do cliente, e não só pelo orçamento?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: mais cavidades não é "sempre melhor"; só compensa com volume que as justifique.
- erro comum: tratar o número de cavidades como uma escolha estética em vez de económica.
- exemplo: comparar o mesmo molde orçamentado para 500 peças e para 500.000 peças.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: esta é A tabela; sebenta, fichas e projeto usam sempre estes valores, sem exceção.
- erro comum: inventar um preço "aproximado" em vez de consultar a tabela.
- exemplo: pedir aos alunos que decorem, hoje, só as duas linhas de aço (4,80 e 7,20) e a de corte à medida (6,00).
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: mão de obra e hora-máquina são duas tabelas diferentes para as mesmas horas; projeto e ajustagem não têm hora-máquina própria.
- erro comum: somar só a mão de obra e esquecer a hora-máquina.
- pergunta: porque é que a base dos indiretos e dos imprevistos é sempre o custo direto, nunca um total já com outra percentagem incluída?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: mm³ para dm³ é dividir por 1.000.000; a maioria dos erros de cálculo nasce aqui.
- erro comum: multiplicar o preço diretamente por mm³ sem converter, chegando a valores absurdos.
- exemplo: verificar sempre a ordem de grandeza (dezenas de kg de aço para uma placa, não gramas nem toneladas).
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: tempo improdutivo não é tempo grátis; ocupa máquina e operador da mesma forma.
- erro comum: "descontar" o improdutivo do orçamento por associação a "não produz".
- pergunta: se a simulação apontar 60h e o operador só registar 50h no fim, o que se revê primeiro?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: ajustagem e ensaio são a segunda maior rubrica de horas do MX-118 (32h em 152h) e do MX-330 (38h em 184h), logo a seguir ao CNC; não são "só uma linha da tabela".
- erro comum: orçamentar só um ensaio T0 "para poupar", esquecendo que um segundo ensaio (T1) é a norma, não a exceção.
- pergunta: porque é que um molde com corrediças e gavetas leva sempre mais horas de ajustagem do que um molde simples de 1 cavidade e canal frio?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: 152h é o número que alimenta os blocos seguintes (mão de obra e hora-máquina).
- erro comum: somar mal as colunas produtivo+improdutivo e não bater com o total.
- exemplo: pedir aos alunos que verifiquem, linha a linha, que produtivo+improdutivo = total.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: o total de horas (152h) tem de bater com o bloco 7.
- erro comum: esquecer alguma das seis operações na soma.
- exemplo: pedir aos alunos que recalculem uma linha à escolha para confirmar o valor.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: projeto e ajustagem não têm linha de hora-máquina, porque não usam equipamento pesado dedicado.
- erro comum: multiplicar as 152h todas pela tabela de hora-máquina, incluindo projeto e ajustagem.
- pergunta: quanto custaria este molde se a empresa não recuperasse o custo das máquinas? (a empresa fecharia.)
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: "mais barato" e "melhor decisão" não são sinónimos quando há uma restrição de prazo.
- erro comum: escolher sempre a opção mais barata sem checar o prazo disponível.
- pergunta: que outra restrição, além do prazo, poderia inverter esta decisão?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: nem toda a subcontratação é uma escolha de preço; às vezes é a única opção tecnicamente disponível.
- erro comum: esquecer de incluir o tratamento térmico na lista de materiais e só o descobrir depois de fechado o orçamento.
- exemplo: ligar este valor (€450,00) ao total do custo direto que vamos fechar no bloco 10.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: indiretos e imprevistos aplicam-se sempre sobre o custo direto, nunca um sobre o outro.
- erro comum: aplicar os imprevistos sobre o custo já com indiretos incluídos.
- pergunta: porque é que o valor dos imprevistos (8%) vem de dados históricos, e não é "adivinhado"?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: este total de €12.067,56 é a soma de tudo o que já vimos nos blocos 6 a 9.
- erro comum: esquecer uma das seis rubricas na soma do custo direto total.
- exemplo: pedir aos alunos que confirmem a soma, rubrica a rubrica, com uma calculadora.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: "quanto o orçamento excede o real" (base = real) e "quanto o real fica abaixo do orçamento" (base = orçamento) são perguntas diferentes, com bases diferentes.
- erro comum: usar a mesma percentagem para as duas perguntas.
- exemplo: repetir o cálculo trocando os valores (orçamento €100, real €120) e comparar.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: não são o mesmo número para a mesma situação; a base muda (custo vs venda).
- erro comum: tratar 20% e 16,67% como equivalentes ou escolher a fórmula errada.
- pergunta: se a empresa quisesse uma margem sobre venda de exatamente 20%, que markup teria de aplicar? (m = 0,20/0,80 = 25%.)
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: esta ordem nunca se inverte, seja qual for o molde.
- erro comum: calcular a margem sobre o preço já com IVA incluído.
- exemplo: pedir aos alunos que identifiquem o erro num orçamento fictício onde a margem foi calculada sobre o preço com IVA.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: este é o orçamento completo do MX-118, do custo direto até ao preço final com IVA.
- erro comum: parar no preço sem IVA e esquecer o passo final.
- exemplo: verificar com a turma que 14.843,09 × 1,20 = 17.811,71 e que 17.811,71 × 1,23 = 21.908,40.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: aplicar folhas de cálculo à orçamentação é uma aptidão avaliada, não um detalhe de conforto.
- erro comum: escrever valores calculados à mão em vez de fórmulas, perdendo a rastreabilidade quando algo muda.
- exemplo: mudar as horas de CNC de 60 para 70 e recalcular toda a cascata com a turma.
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: normas e legislação condicionam decisões técnicas reais, não são só "letra pequena".
- erro comum: tratar este bloco como irrelevante para o cálculo do orçamento.
- pergunta: que catálogo de normalizados a nossa tabela B está a seguir implicitamente?
NOTAS DO PROFESSOR
- enfatizar: esta é a terceira realização da UC, e fecha o ciclo das outras duas.
- erro comum: tratar o orçamento como trabalho de uma só pessoa, sem revisão.
- pergunta: porque é que um orçamento auditável vale mais para a empresa do que um orçamento só com o número final?