UC03951

Orçamentar a fabricação de moldes

Do desenho técnico ao preço final: massas, tempos, mão de obra, hora-máquina, margens e IVA

Curso profissional · 50h · Técnico de Produção e Gestão de Moldes

Plano

  1. Da encomenda ao orçamento
  2. Ler o desenho: documentação, normas e modelos 3D
  3. Anatomia e cinemática do molde de injeção
  4. Materiais poliméricos e aços para moldes
  5. O processo de moldação por injeção
  6. Massas, volumes e a tabela oficial de preços
  7. Tempos de fabrico: produtivos e improdutivos
  8. Custo de mão de obra e de hora-máquina
  9. Produção interna ou subcontratação
  10. Custos indiretos e imprevistos
  11. Margens, IVA e o preço final
  12. Legislação, normas e o dossiê de orçamento

Bloco 1 · Da encomenda ao orçamento

As três realizações desta UC

  1. Analisar a documentação, os requisitos e especificações técnicas do molde.
  2. Estimar tempos e custos.
  3. Colaborar na elaboração do orçamento do molde.

Um molde de injeção custa entre milhares e centenas de milhares de euros, e é encomendado antes de existir. Orçamentar mal perde a encomenda (preço alto de mais) ou perde dinheiro todos os meses (preço baixo de mais).

Métodos de estimativa de custos

Método Como funciona Precisão Quando se usa
Analógico comparar com molde semelhante baixa resposta rápida ao cliente
Paramétrico fórmulas a partir de parâmetros gerais média orçamento preliminar
Analítico somar cada custo real, rubrica a rubrica alta orçamento final

Esta UC ensina o método analítico: o único que sustenta um preço final defensável perante o cliente.

Bloco 2 · Ler o desenho: documentação, normas e modelos 3D

O que chega ao orçamentista

  • Desenho técnico da peça, cotado e com tolerâncias.
  • Modelo 3D da peça e, muitas vezes, do próprio molde.
  • Especificações técnicas: material, nº de cavidades, máquina do cliente, prazos.
  • Normas de referência: ISO 128 (representação) e ISO 8015 (tolerâncias).

Ler bem estes documentos é a primeira realização da UC: analisar a documentação antes de calcular seja o que for.

Modelos 3D e a lista de materiais (BOM)

  • O modelo 3D (STEP/IGES) é o ponto de partida do projeto do molde e gera as trajetórias de maquinação (CAM).
  • Serve para simular o preenchimento e detetar contradepouilles (geometrias que impedem a extração direta).
  • A lista de materiais (BOM) relaciona, linha a linha, todos os blocos de aço, normalizados e consumíveis: a ponte entre o desenho e o orçamento.

Bloco 3 · Anatomia e cinemática do molde de injeção

Componentes principais

Componente Função
Placa de cavidades forma o exterior da peça
Placa de núcleos forma o interior da peça
Postiços insertos moldantes substituíveis
Colunas e casquilhos-guia alinham as duas metades ao fechar
Bucha de injeção entrada do plástico fundido
Sistema de extração empurra a peça para fora
Sistema de refrigeração canais de água que arrefecem a peça

Sistemas de alimentação, extração e refrigeração

  • Canal frio: material do canal arrefece com a peça (gito, desperdício); molde mais barato.
  • Canal quente: canal mantém-se fundido; sem desperdício, molde mais caro e complexo. Compensa em grande série.
  • Extração: extratores cilíndricos ou placas de extração, dimensionados pela geometria da peça.
  • Refrigeração: canais de água nas placas; mal dimensionada, alonga o ciclo e pode empenar a peça.

A cinemática do molde

  1. Fecho, guiado pelas colunas-guia.
  2. Injeção, o plástico entra pela bucha.
  3. Arrefecimento, o material solidifica.
  4. Abertura, as placas separam-se.
  5. Extração, os extratores empurram a peça.
  6. Retorno, pronto para o ciclo seguinte.

Moldes com corrediças ou desenroscamento têm cinemáticas mais complexas: mais componentes móveis, mais horas de projeto e maquinação.

Bloco 4 · Materiais poliméricos e aços para moldes

Materiais poliméricos da peça

Material Característica relevante para o molde
ABS boa fluidez, contração moderada (~0,5%)
PP muito fluido, contração elevada (~1,5-2%)
PA (nylon) absorve humidade, molde a temperatura mais alta
PC processa a temperaturas elevadas, mais desgaste térmico

A contração do polímero obriga a sobredimensionar a cavidade; é um dado técnico do material, não uma opção do orçamentista.

Aços para moldes

  • 1.2738 (pré-temperado): pronto a maquinar, sem tratamento adicional. Usa-se nas placas estruturais.
  • 1.2344 (temperado): temperado e revenido após maquinação, dureza muito superior. Usa-se nos postiços, a zona de maior desgaste.
  • 1.2083 (inoxidável): zonas com risco de corrosão.

O preço por quilo mais alto do 1.2344 paga-se a si próprio: um postiço de 1.2738 sem tratamento aguenta poucos milhares de ciclos; um de 1.2344 temperado, centenas de milhares.

Tratamentos térmicos

Tratamento O que faz Onde se aplica
Têmpera aumenta muito a dureza postiços 1.2344
Revenido reduz a fragilidade da têmpera sempre após a têmpera
Nitruração endurece só a superfície postiços com desgaste e corrosão

O tratamento térmico não é opcional em postiços de 1.2344: sem ele, o aço fica com a dureza de fábrica, insuficiente para o ciclo de produção.

Bloco 5 · O processo de moldação por injeção

O ciclo de injeção e a máquina

  1. Plasticização: o granulado funde no cilindro.
  2. Injeção: o fuso empurra o fundido para o molde.
  3. Compactação: pressão mantida para compensar a contração.
  4. Arrefecimento: a fase mais longa do ciclo.
  5. Extração: o molde abre e a peça sai.

A máquina caracteriza-se pela força de fecho (toneladas): tem de aguentar a pressão de injeção sem abrir. Um molde de mais cavidades exige mais força de fecho.

Tipos de produção

Tipo Volume anual típico Decisão no molde
Unitária/protótipo poucas dezenas 1 cavidade, canal frio, aço barato
Série pequena/média milhares a dezenas de milhares 2-4 cavidades, canal frio ou quente
Grande série centenas de milhares+ várias cavidades, canal quente, aços duráveis

Caracterizar o tipo de produção é um dos primeiros passos: sobredimensionar encarece sem necessidade; subdimensionar avaria a meio da produção.

Bloco 6 · Massas, volumes e a tabela oficial de preços

A tabela oficial de preços desta UC (1/2)

A. Matéria-prima · densidade de referência do aço: 7,80 kg/dm³

Material Preço
Aço 1.2738, bloco de catálogo €4,80/kg
Aço 1.2738, corte à medida €6,00/kg
Aço 1.2344 para postiços, antes de tratamento térmico €7,20/kg

B. Normalizados

Componente Preço
Jogo de colunas-guia (4un.) €38,00
Jogo de casquilhos-guia (4un.) €22,00
Bucha de injeção €45,00
Anel de centragem €12,00
Extrator cilíndrico (un.) €3,50

A tabela oficial de preços desta UC (2/2)

C. Ferramentas e consumíveis (fixo por molde): CNC €120,00 + elétrodos €80,00 = €200,00

D. Mão de obra / E. Hora-máquina

Operação €/h mão de obra €/h máquina
Projeto/CAD-CAM €40,00 n/a
Maquinação CNC €35,00 €55,00
Eletroerosão €38,00 €50,00
Retificação €32,00 €40,00
Ajustagem/bancada €28,00 n/a
Ensaios na injetora €30,00 €70,00

F. Percentagens: indiretos 15% e imprevistos 8% (sobre o custo direto) · margem 20% (markup sobre o custo) · IVA 23% (sobre o preço de venda).

Exemplo resolvido: matéria-prima do molde MX-118

Molde de 4 cavidades, canal frio, tampa técnica em ABS.

Item Volume Massa Custo
Placa de cavidades (1.2738) 400×250×100mm = 10dm³ 78,0 kg €374,40
Placa de núcleos (1.2738) 400×250×80mm = 8dm³ 62,4 kg €299,52
Postiços (1.2344, 8 un.) 4dm³ 31,2 kg €224,64
Total matéria-prima €898,56

Normalizados: 1 jogo colunas + 1 jogo casquilhos + 1 bucha + 1 anel + 12 extratores = 38+22+45+12+42 = €159,00.

Bloco 7 · Tempos de fabrico: produtivos e improdutivos

Produtivo vs improdutivo, e a simulação de maquinação

  • Produtivo: a máquina está efetivamente a processar.
  • Improdutivo: preparação, afinação, troca de ferramenta, medições, paragens. É tempo pago, sem avanço direto.
  • As horas de CNC não se estimam "a olho": vêm da simulação gráfica de maquinação, no mesmo software CAM que gera as trajetórias, somando os tempos de cada operação.

Ajustagem e ensaios (tryout)

  • Ajustagem/montagem: spotting (contacto cavidade-núcleo), folgas em corrediças e gavetas, afinação do sistema de extração. Sobe com mais movimentos, tolerâncias apertadas e acabamento exigente.
  • Ensaio (tryout): primeira produção real na injetora. O T0 quase sempre tem defeitos; corrige-se e repete-se em T1.
  • Um segundo ensaio é normal, não um imprevisto, e tem de estar orçamentado desde o início.

Exemplo resolvido: tempos globais do MX-118

Área Total Produtivo Improdutivo
Projeto/CAD-CAM 24h 24h 0h
Maquinação CNC 60h 50h 10h
Eletroerosão 18h 15h 3h
Retificação 10h 8h 2h
Ajustagem/bancada 32h 26h 6h
Ensaios na injetora 8h 6h 2h
Total 152h 129h 23h

O tempo improdutivo (23h, ~15% do total) entra no orçamento tal como o produtivo.

Bloco 8 · Custo de mão de obra e de hora-máquina

Duas rubricas para a mesma hora

Uma hora de CNC custa duas vezes: a hora do operador (mão de obra) e a hora da máquina (amortização, energia, manutenção). São tabelas diferentes, por serem custos de origens diferentes.

Operação Horas €/h mão de obra Custo
Projeto/CAD-CAM 24 €40,00 €960,00
Maquinação CNC 60 €35,00 €2.100,00
Eletroerosão 18 €38,00 €684,00
Retificação 10 €32,00 €320,00
Ajustagem/bancada 32 €28,00 €896,00
Ensaios na injetora 8 €30,00 €240,00
Total mão de obra 152h €5.200,00

Hora-máquina e consumíveis do MX-118

Máquina Horas €/h Custo
Centro CNC 60 €55,00 €3.300,00
Eletroerosão 18 €50,00 €900,00
Retificadora 10 €40,00 €400,00
Injetora de ensaios 8 €70,00 €560,00
Total hora-máquina €5.160,00

Ferramentas de corte e consumíveis (valor fixo): CNC €120,00 + elétrodos €80,00 = €200,00.

Bloco 9 · Produção interna ou subcontratação

Fatores a analisar e um exemplo de decisão

Capacidade disponível, especialização do equipamento, prazo e custo.

Uma operação de 14h:

  • Interna: 14 × (€35,00 + €55,00) = 14 × €90,00 = €1.260,00, prazo 3 dias.
  • Subcontratada: orçamento fixo €980,00, prazo 6 dias.

Se o calendário tem folga para 6 dias, subcontratar poupa €280,00. Se só houvesse 4 dias, a opção mais barata deixaria de ser viável: a interna passaria a ser a única escolha possível.

O tratamento térmico: quase sempre subcontratado

O tratamento térmico dos postiços (têmpera, revenido, nitruração) exige fornos e controlo metalúrgico que a maioria das oficinas não tem internamente.

Para o MX-118, orçamento fixo do fornecedor para a nitruração dos postiços: €450,00, valor que entra no custo direto do molde.

Bloco 10 · Custos indiretos e imprevistos

Fatores que influenciam o custo total

Energia, custos indiretos de estrutura (renda, gestão, seguros), infraestruturas, impostos sobre a atividade da empresa, amortizações de equipamento.

Reunidos numa só percentagem: custos indiretos, 15% sobre o custo direto total.

Imprevistos, 8% sobre o custo direto total: não é arbitrário, vem da média dos desvios registados em moldes anteriores da empresa.

Exemplo resolvido: custo direto, indiretos e imprevistos do MX-118

Rubrica Valor
Matéria-prima €898,56
Normalizados €159,00
Ferramentas e consumíveis €200,00
Mão de obra €5.200,00
Hora-máquina €5.160,00
Subcontratação €450,00
Custo direto total €12.067,56

Custos indiretos (15%) = €1.810,13 · Imprevistos (8%) = €965,40

O sentido das percentagens

Um orçamento previu €120,00; o custo real foi €100,00. A diferença é €20,00.

  • Face ao real (€100,00): 20/100 = 20%. O orçamento excedeu o real em 20%.
  • Face ao orçamentado (€120,00): 20/120 ≈ 16,67%. O real ficou 16,67% abaixo do orçamentado.

Não é a mesma percentagem: a base de comparação mudou. Vamos reencontrar exatamente esta proporção, 20% e 16,67%, no bloco seguinte.

Bloco 11 · Margens, IVA e o preço final

Markup sobre o custo vs margem sobre venda

  • Markup m: percentagem sobre o custo. PV = CT × (1 + m)
  • Margem g: percentagem sobre o preço de venda. PV = CT / (1 − g)

Um markup de 20% corresponde sempre a uma margem de 16,67% sobre a venda (20/120), a mesma proporção do bloco anterior. Esta UC usa markup de 20% sobre o custo.

O IVA nunca entra na base da margem

O IVA (23%) incide sobre o preço de venda, depois de a margem já estar decidida. Não é lucro, é um imposto entregue ao Estado. Ordem correta:

custo total → margem → preço de venda sem IVA → IVA → preço de venda com IVA

Calcular a margem sobre um preço já com IVA infla artificialmente o lucro aparente da empresa.

Exemplo resolvido: o orçamento final do MX-118

Rubrica Valor
Custo direto total €12.067,56
Custos indiretos (15%) €1.810,13
Imprevistos (8%) €965,40
Custo total (CT) €14.843,09
Margem (20% s/ custo) €2.968,62
Preço de venda sem IVA €17.811,71
IVA (23%) €4.096,69
Preço de venda final €21.908,40

Margem sobre venda equivalente: €2.968,62 / €17.811,71 ≈ 16,67%.

Folhas de cálculo aplicadas à orçamentação

Custo direto total         12067,56
Custos indiretos (15%)     =B1*0,15
Imprevistos (8%)           =B1*0,08
Custo total (CT)           =B1+B2+B3
Margem (20% s/ custo)      =B4*0,20
Preço de venda sem IVA     =B4+B5
IVA (23%)                  =B6*0,23
Preço de venda final       =B6+B7

Fórmulas em vez de valores fixos: mudar uma única hora de maquinação recalcula todo o orçamento em segundos.

Bloco 12 · Legislação, normas e o dossiê de orçamento

Legislação e normas técnicas aplicáveis

  • Normas de desenho técnico (ISO 128, ISO 8015).
  • Catálogos de normalizados (sistemas do tipo DME/HASCO), que definem as referências da tabela B.
  • Legislação de segurança no trabalho nas oficinas de maquinação, eletroerosão e tratamento térmico.
  • Proteção dos dados e desenhos confidenciais do cliente.

Respeitar a legislação e as normas técnicas aplicáveis é um dos critérios de desempenho oficiais desta UC.

Colaborar na elaboração do orçamento

  1. Reunir BOM, tempos, custos diretos, indiretos, imprevistos, margem e IVA num único documento.
  2. Rever com um colega: apanha rubricas esquecidas, o erro mais caro de todos.
  3. Apresentar ao cliente com a fundamentação de cada rubrica, não só o número final.

Um orçamento bem colaborado é auditável: qualquer pessoa da empresa percebe, meses depois, de onde veio cada euro.

Recapitulando

  • Orçamentar segue as três realizações: analisar a documentação, estimar tempos e custos, colaborar na elaboração do orçamento.
  • Uma tabela oficial de preços, sempre a mesma, para matéria-prima, normalizados, mão de obra e hora-máquina.
  • Massas e volumes dão o custo de matéria-prima; tempos produtivos e improdutivos dão as horas; produção interna ou subcontratação decide-se por custo, prazo e capacidade.
  • Indiretos e imprevistos sobre o custo direto; markup sobre o custo é diferente de margem sobre venda; o IVA nunca entra na base da margem.

Próximo: fichas e mini-projeto, orçamentar moldes de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as três realizações organizam toda a UC; voltar a elas no fecho de cada bloco. - erro comum: pensar que orçamentar é "adivinhar um número razoável"; é um cálculo analítico, rubrica a rubrica. - exemplo: perguntar à turma quanto custaria, à vista, um molde de 4 cavidades (deixar chutar valores e comparar no fim com o exemplo calculado).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o método analítico é mais trabalhoso mas é o único auditável. - erro comum: usar o método analógico para um orçamento final só porque é mais rápido. - pergunta: em que fase da venda faz sentido usar o método analógico? (pré-venda, resposta rápida, antes do desenho fechado.)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nesta fase não se calcula nada; o objetivo é fechar uma lista de requisitos. - erro comum: saltar para as contas sem confirmar tolerâncias e acabamento, e descobrir tarde que faltam horas de ajustagem. - exemplo: mostrar um desenho técnico cotado e pedir à turma para identificar em 2 minutos o que teriam de perguntar ao cliente.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem uma BOM fechada, o orçamentista esquece sempre alguma coisa. - erro comum: começar a orçamentar sem a BOM completa e ir "descobrindo" itens a meio. - exemplo/pergunta: construir a BOM do molde de exemplo ao longo dos próximos blocos, item a item.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada linha desta tabela vai reaparecer com preço na tabela oficial do bloco 6. - erro comum: confundir postiço com placa; o postiço é substituível, a placa é estrutural. - pergunta: porque é que os postiços, não as placas, são o componente que mais desgasta?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: canal frio vs quente é uma decisão de volume de produção, não de "qualidade". - erro comum: achar que canal quente é sempre a opção superior; só compensa com volume que a justifique. - exemplo: um molde para 200 peças/ano não justifica canal quente; um para 2 milhões/ano quase sempre justifica.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mais movimentos = mais horas de projeto e de ajustagem, o que se reflete direto no orçamento. - erro comum: tratar a cinemática como um detalhe de engenharia sem ligação ao custo. - pergunta: que componente extra apareceria num molde com uma rosca a desenroscar?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o material da peça não se escolhe no orçamento do molde, mas condiciona o desenho do molde. - erro comum: ignorar a contração ao interpretar as cotas do desenho. - pergunta: qual destes materiais exige mais cuidado com tolerâncias, dada a contração mais alta?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a escolha do aço é funcional, não estética; postiços levam sempre o aço mais caro por quilo. - erro comum: achar que "mais caro por quilo" é pior escolha. - exemplo: comparar a vida útil esperada de um postiço em 1.2738 vs 1.2344.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: quase sempre subcontratado (fornos e controlo especializado); vamos usar este exemplo no bloco 9. - erro comum: esquecer o tratamento térmico na lista de materiais e só o descobrir no fim. - pergunta: porque é que a maioria das oficinas de moldes não tem forno de nitruração próprio?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o arrefecimento é o tempo mais longo e mais sensível ao sistema de refrigeração. - erro comum: esquecer de confirmar a força de fecho da máquina do cliente antes de fechar o número de cavidades. - pergunta: porque é que o número de cavidades tem um limite dado pela máquina do cliente, e não só pelo orçamento?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mais cavidades não é "sempre melhor"; só compensa com volume que as justifique. - erro comum: tratar o número de cavidades como uma escolha estética em vez de económica. - exemplo: comparar o mesmo molde orçamentado para 500 peças e para 500.000 peças.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta é A tabela; sebenta, fichas e projeto usam sempre estes valores, sem exceção. - erro comum: inventar um preço "aproximado" em vez de consultar a tabela. - exemplo: pedir aos alunos que decorem, hoje, só as duas linhas de aço (4,80 e 7,20) e a de corte à medida (6,00).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mão de obra e hora-máquina são duas tabelas diferentes para as mesmas horas; projeto e ajustagem não têm hora-máquina própria. - erro comum: somar só a mão de obra e esquecer a hora-máquina. - pergunta: porque é que a base dos indiretos e dos imprevistos é sempre o custo direto, nunca um total já com outra percentagem incluída?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mm³ para dm³ é dividir por 1.000.000; a maioria dos erros de cálculo nasce aqui. - erro comum: multiplicar o preço diretamente por mm³ sem converter, chegando a valores absurdos. - exemplo: verificar sempre a ordem de grandeza (dezenas de kg de aço para uma placa, não gramas nem toneladas).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: tempo improdutivo não é tempo grátis; ocupa máquina e operador da mesma forma. - erro comum: "descontar" o improdutivo do orçamento por associação a "não produz". - pergunta: se a simulação apontar 60h e o operador só registar 50h no fim, o que se revê primeiro?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ajustagem e ensaio são a segunda maior rubrica de horas do MX-118 (32h em 152h) e do MX-330 (38h em 184h), logo a seguir ao CNC; não são "só uma linha da tabela". - erro comum: orçamentar só um ensaio T0 "para poupar", esquecendo que um segundo ensaio (T1) é a norma, não a exceção. - pergunta: porque é que um molde com corrediças e gavetas leva sempre mais horas de ajustagem do que um molde simples de 1 cavidade e canal frio?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: 152h é o número que alimenta os blocos seguintes (mão de obra e hora-máquina). - erro comum: somar mal as colunas produtivo+improdutivo e não bater com o total. - exemplo: pedir aos alunos que verifiquem, linha a linha, que produtivo+improdutivo = total.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o total de horas (152h) tem de bater com o bloco 7. - erro comum: esquecer alguma das seis operações na soma. - exemplo: pedir aos alunos que recalculem uma linha à escolha para confirmar o valor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: projeto e ajustagem não têm linha de hora-máquina, porque não usam equipamento pesado dedicado. - erro comum: multiplicar as 152h todas pela tabela de hora-máquina, incluindo projeto e ajustagem. - pergunta: quanto custaria este molde se a empresa não recuperasse o custo das máquinas? (a empresa fecharia.)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "mais barato" e "melhor decisão" não são sinónimos quando há uma restrição de prazo. - erro comum: escolher sempre a opção mais barata sem checar o prazo disponível. - pergunta: que outra restrição, além do prazo, poderia inverter esta decisão?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nem toda a subcontratação é uma escolha de preço; às vezes é a única opção tecnicamente disponível. - erro comum: esquecer de incluir o tratamento térmico na lista de materiais e só o descobrir depois de fechado o orçamento. - exemplo: ligar este valor (€450,00) ao total do custo direto que vamos fechar no bloco 10.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: indiretos e imprevistos aplicam-se sempre sobre o custo direto, nunca um sobre o outro. - erro comum: aplicar os imprevistos sobre o custo já com indiretos incluídos. - pergunta: porque é que o valor dos imprevistos (8%) vem de dados históricos, e não é "adivinhado"?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este total de €12.067,56 é a soma de tudo o que já vimos nos blocos 6 a 9. - erro comum: esquecer uma das seis rubricas na soma do custo direto total. - exemplo: pedir aos alunos que confirmem a soma, rubrica a rubrica, com uma calculadora.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "quanto o orçamento excede o real" (base = real) e "quanto o real fica abaixo do orçamento" (base = orçamento) são perguntas diferentes, com bases diferentes. - erro comum: usar a mesma percentagem para as duas perguntas. - exemplo: repetir o cálculo trocando os valores (orçamento €100, real €120) e comparar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: não são o mesmo número para a mesma situação; a base muda (custo vs venda). - erro comum: tratar 20% e 16,67% como equivalentes ou escolher a fórmula errada. - pergunta: se a empresa quisesse uma margem sobre venda de exatamente 20%, que markup teria de aplicar? (m = 0,20/0,80 = 25%.)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta ordem nunca se inverte, seja qual for o molde. - erro comum: calcular a margem sobre o preço já com IVA incluído. - exemplo: pedir aos alunos que identifiquem o erro num orçamento fictício onde a margem foi calculada sobre o preço com IVA.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este é o orçamento completo do MX-118, do custo direto até ao preço final com IVA. - erro comum: parar no preço sem IVA e esquecer o passo final. - exemplo: verificar com a turma que 14.843,09 × 1,20 = 17.811,71 e que 17.811,71 × 1,23 = 21.908,40.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: aplicar folhas de cálculo à orçamentação é uma aptidão avaliada, não um detalhe de conforto. - erro comum: escrever valores calculados à mão em vez de fórmulas, perdendo a rastreabilidade quando algo muda. - exemplo: mudar as horas de CNC de 60 para 70 e recalcular toda a cascata com a turma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: normas e legislação condicionam decisões técnicas reais, não são só "letra pequena". - erro comum: tratar este bloco como irrelevante para o cálculo do orçamento. - pergunta: que catálogo de normalizados a nossa tabela B está a seguir implicitamente?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta é a terceira realização da UC, e fecha o ciclo das outras duas. - erro comum: tratar o orçamento como trabalho de uma só pessoa, sem revisão. - pergunta: porque é que um orçamento auditável vale mais para a empresa do que um orçamento só com o número final?