UC03740

Prestar cuidados de higiene ao animal de companhia

Avaliação sanitária, contenção, banho, escovagem, ouvidos, unhas e desparasitação

Curso técnico · 50h · Técnico/a Cuidador/a de Animais de Companhia

Plano

  1. O cuidador de animais e o serviço de higiene
  2. Anatomia e fisiologia da pele e da pelagem
  3. Avaliação do estado sanitário
  4. Contenção e maneatação
  5. Agentes patogénicos e biossegurança
  6. Produtos de higiene e fichas técnicas
  7. Banho e lavagem
  8. Escovagem
  9. Higiene de ouvidos e orelhas
  10. Corte de unhas
  11. Desparasitação e prevenção
  12. Equipamentos, EPI e resíduos
  13. Registo de dados e fecho

Bloco 1 · O cuidador e o serviço de higiene

Onde se presta este serviço

O/a técnico/a cuidador/a de animais de companhia presta serviços de higiene e limpeza em vários contextos profissionais, cada um com a sua rotina própria.

  • Centros de recolha de animais: volume elevado, animais de origem desconhecida, protocolos sanitários rígidos.
  • Hotéis e alojamentos temporários: animais em stress de separação, higiene diária de rotina.
  • Escolas de animais e comércio de produtos: sessões pontuais, contacto direto com o dono.
  • Domicílio do animal: ambiente conhecido do animal, deslocação do equipamento do cuidador.

Planear e organizar o serviço, avaliando primeiro o animal, é a base de tudo o resto desta UC.

Do planeamento à sensibilização

O trabalho do cuidador não se esgota na execução. O referencial da UC identifica três frentes de atuação:

  1. Planeamento: organizar a agenda, os produtos e os equipamentos antes de o animal chegar.
  2. Prestação de serviços de cuidado: lavar, escovar e higienizar, adaptando a técnica à espécie e à raça.
  3. Educação e sensibilização: informar o dono sobre a frequência e os cuidados de higiene em casa.

Um bom cuidador não faz só o serviço, explica também o "porquê" ao dono do animal.

Bloco 2 · Anatomia e fisiologia da pele e da pelagem

A pele e a pelagem como ponto de partida

Antes de qualquer produto ou técnica, o cuidador tem de conhecer a anatomia e a fisiologia das espécies e raças de animais de companhia, porque a pele e o pelo determinam toda a decisão de higiene.

  • A epiderme e a derme protegem o animal e regulam a temperatura; a pele produz óleos naturais (sebo) que mantêm o pelo saudável.
  • O tipo de pelagem varia muito: pelo curto, pelo longo, pelo duplo (subpelo + pelo de cobertura), sem pelo.
  • Cada espécie (cão, gato, coelho, entre outros) e cada raça tem particularidades próprias de pele, pelo, ouvidos e unhas.

Estas diferenças justificam, mais à frente, a frequência do banho e da escovagem.

Particularidades por espécie

Espécie Pele e pelagem Cuidado específico
Cão de pelo curto pouca manutenção escovagem simples, menos nós
Cão de pelo longo/duplo tendência a formar nós escovagem frequente, atenção ao subpelo
Gato grooming próprio frequente menos banhos, mais escovagem
Coelho pele sensível, sem glândulas sudoríparas na pele nunca molhar em excesso, atenção à temperatura

Conhecer estas diferenças evita procedimentos desadequados que ferem ou stressam o animal.

Bloco 3 · Avaliação do estado sanitário

Avaliar antes de agir

A primeira realização profissional da UC é avaliar o estado geral sanitário do animal. Isto acontece sempre antes de qualquer higienização.

  • Observar o estado geral: postura, comportamento, respiração, apetite aparente.
  • Inspecionar a pele: vermelhidão, feridas, crostas, zonas sem pelo, parasitas visíveis.
  • Verificar ouvidos, olhos, boca e unhas.
  • Registar sinais de dor ou desconforto ao toque.

Esta avaliação decide se o serviço avança como planeado, é ajustado, ou é adiado e encaminhado para um médico veterinário.

O que fazer perante uma anomalia

Quando a avaliação encontra uma condição fora do normal, o critério de desempenho da UC exige que o cuidador organize os produtos e equipamentos de acordo com o que observou.

  1. Documentar a anomalia (localização, aspeto, comportamento associado).
  2. Adequar o procedimento, evitar a zona afetada, usar produtos específicos, ou reduzir a intensidade.
  3. Comunicar ao dono e, se necessário, sugerir a validação por um médico veterinário.
  4. Registar na ficha de dados sobre a higiene do animal.

A avaliação sanitária não é um passo burocrático, é o que protege o animal e o próprio cuidador.

Bloco 4 · Contenção e maneatação

Porque se contém o animal

A contenção e a maneatação garantem a segurança e o bem-estar físico e psicológico do animal durante a higienização, evitando fugas, quedas e mordeduras.

  • Contenção física: apoiar o corpo do animal com firmeza mas sem o magoar.
  • Maneatação: técnicas específicas de manuseamento consoante a espécie (pega ao colo, imobilização suave dos membros).
  • O objetivo nunca é dominar pela força, é transmitir segurança ao animal.

Um animal contido corretamente relaxa; um animal contido à força resiste ainda mais.

Técnicas por contexto e sinais de stress

  • Animais calmos: contenção mínima, apoio suave, voz calma.
  • Animais nervosos ou de porte grande: usar açaimo se necessário, pedir ajuda de um segundo cuidador.
  • Cães pequenos e gatos: envolver numa toalha (técnica do "burrito") para imobilizar patas em segurança.

Sinais de que a contenção está a falhar: orelhas para trás, cauda entre as pernas, rosnar, tentativa repetida de fuga. Nesses casos, parar, reavaliar e ajustar a técnica.

Bloco 5 · Agentes patogénicos e biossegurança

Controlar agentes patogénicos

Avaliar a existência de agentes patogénicos (bactérias, fungos, vírus, parasitas) é uma aptidão central da UC, sobretudo em contextos de alto risco como os centros de recolha.

  • Sinais visíveis: crostas, zonas sem pelo com forma circular (sugestivo de fungos), mau cheiro, pele oleosa em excesso.
  • Alguns agentes são zoonóticos: podem transmitir-se do animal para o cuidador (ex.: sarna, dermatófitos).
  • O controlo passa por higienização, desinfeção e, quando necessário, esterilização dos equipamentos e superfícies entre animais.

Nunca higienizar um animal suspeito de doença contagiosa com o mesmo material usado no anterior, sem desinfetar primeiro.

Protocolos de higienização e desinfeção

Etapa O que garante
Higienização remove sujidade e matéria orgânica visível
Desinfeção reduz microrganismos a um nível seguro
Esterilização elimina praticamente todas as formas de vida microbiana

O cuidador cumpre os protocolos definidos para cada etapa, incluindo o manuseamento e o armazenamento correto de produtos e materiais, e respeita sempre as normas de segurança e saúde no trabalho.

Bloco 6 · Produtos de higiene e fichas técnicas

Identificar e escolher o produto certo

O cuidador tem de identificar os produtos disponíveis para a higiene do animal e interpretar as instruções de utilização antes de os aplicar.

  • Champôs específicos por espécie e tipo de pele (nunca usar champô de humano em animais, o pH é diferente).
  • Soluções de limpeza de ouvidos, cortadores de unhas, escovas próprias por tipo de pelagem.
  • Produtos de desparasitação (pipetas, coleiras, comprimidos).

Cada produto vem com uma ficha técnica: composição, modo de aplicação, contraindicações e espécie a que se destina.

Ler uma ficha técnica, exemplo resolvido

Ficha técnica de um champô hipoalergénico para cães de pele sensível:

  1. Composição: sem parabenos, pH neutro para cão.
  2. Modo de aplicação: diluir em água morna, massajar, deixar atuar 3 a 5 minutos, enxaguar bem.
  3. Contraindicações: não usar em feridas abertas nem em cachorros com menos de 8 semanas.
  4. Frequência recomendada: a cada 3 a 4 semanas.

O cuidador confirma sempre estes quatro pontos antes de decidir usar o produto naquele animal em concreto.

Bloco 7 · Banho e lavagem

Relacionar espécie e pelagem com a frequência

A frequência do banho relaciona-se diretamente com a espécie e o tipo de pelagem do animal, não é um número fixo para todos.

Tipo de pelagem Frequência habitual
Pelo curto 4 a 6 semanas
Pelo longo/duplo 3 a 4 semanas
Gatos (grooming próprio) raramente, salvo indicação
Pele sensível/dermatite conforme indicação veterinária

Lavar com demasiada frequência remove o sebo protetor e resseca a pele; lavar de menos acumula sujidade e odor.

Planear e executar a lavagem, passo a passo

  1. Preparar o espaço, a água morna e os produtos já escolhidos conforme a ficha técnica.
  2. Escovar antes de molhar, para remover nós e pelo solto.
  3. Molhar o animal por completo, evitando olhos, ouvidos e boca.
  4. Aplicar o champô, massajar da cabeça para a cauda, respeitando o tempo de atuação.
  5. Enxaguar até a água sair limpa, sem resíduos de produto.
  6. Secar com toalha e, se o animal tolerar, secador a temperatura baixa.

Cada passo protege o bem-estar físico e psicológico do animal, um dos critérios de desempenho da UC.

Bloco 8 · Escovagem

Técnicas e periodicidade

A escovagem remove pelo morto, desfaz nós e estimula a circulação da pele. A periodicidade depende, mais uma vez, do tipo de pelagem.

  • Pelo curto: escova de cerdas macias, 1 vez por semana.
  • Pelo longo: escova de pinos ou pente, todos os dias, para evitar nós.
  • Pelo duplo: escova de desembaraçar (esfoliadora) nas mudas de pelo, com mais frequência.
  • Gatos de pelo longo: escovagem diária, para prevenir a formação de bolas de pelo.

Escovar antes do banho facilita a lavagem; escovar depois ajuda a secar e a distribuir os óleos naturais.

Planear e executar a escovagem, exemplo resolvido

Cão de pastor alemão (pelo duplo), em muda de pelo sazonal.

  1. Verificar a pele por baixo do pelo antes de começar.
  2. Usar primeiro a escova de desembaraçar, no sentido do crescimento do pelo.
  3. Trabalhar por zonas pequenas, dos membros para o tronco.
  4. Terminar com a escova de cerdas para alisar e remover pelo solto residual.
  5. Registar na ficha se foram encontrados nós difíceis ou zonas sensíveis.

Numa muda de pelo intensa, este processo pode repetir-se 2 a 3 vezes por semana.

Bloco 9 · Higiene de ouvidos e orelhas

Realizar a limpeza de ouvidos

A limpeza de ouvidos e orelhas faz-se com uma solução específica, indicada na ficha técnica do produto, nunca com água simples nem com cotonetes profundos.

  1. Observar o interior da orelha: cor, cheiro, presença de cera em excesso ou secreção anormal.
  2. Aplicar algumas gotas da solução própria dentro do canal auditivo.
  3. Massajar a base da orelha suavemente durante alguns segundos.
  4. Deixar o animal abanar a cabeça, remove o excesso.
  5. Limpar apenas a parte visível com uma compressa, nunca introduzir objetos no canal.

Um cheiro forte ou secreção escura são sinais de possível infeção, encaminhar para avaliação veterinária.

Frequência e raças de risco

Tipo de orelha Frequência recomendada Risco
Orelhas eretas a cada 3 a 4 semanas risco baixo
Orelhas caídas semanal acumulação de humidade e cera
Canal auditivo com muito pelo conforme indicação obstrução, infeções

Raças como o cocker spaniel ou o basset hound exigem atenção redobrada, precisamente pela conformação da orelha.

Bloco 10 · Corte de unhas

Planear e executar o corte de unhas

O corte de unhas previne desconforto, alterações na marcha e lesões por unhas encravadas.

  1. Identificar a unha viva (rosada, com vasos sanguíneos e terminações nervosas) e evitar cortá-la.
  2. Usar um corta-unhas próprio (guilhotina ou tesoura), nunca uma tesoura comum.
  3. Cortar em pequenos incrementos, observando o corte transversal da unha.
  4. Ter à mão pó hemostático, para o caso de sangramento acidental.
  5. Recompensar o animal no fim, associa a experiência a algo positivo.

Em unhas escuras, onde a unha viva não é visível, cortar apenas pequenas porções de cada vez.

Periodicidade e sinais de alerta

  • Cães ativos ao ar livre: desgaste natural, cortes menos frequentes.
  • Cães sedentários ou de apartamento: cortes a cada 3 a 4 semanas.
  • Gatos: unhas retráteis, mas ainda assim precisam de corte regular, sobretudo em gatos de interior.

Sinal de alerta: unhas que tocam no chão ao caminhar, alteração da postura, ou o som de "clique" ao andar em piso duro.

Bloco 11 · Desparasitação e prevenção

Aplicar produtos de prevenção e tratamento

A desparasitação previne doenças transmitidas por parasitas externos (pulgas, carraças) e internos (vermes).

  • Produtos externos: pipetas, coleiras, comprimidos orais, sprays.
  • Produtos internos: desparasitantes orais em comprimido ou pasta.
  • A frequência segue a indicação da ficha técnica e o calendário de prevenção do animal (habitualmente mensal para externos, trimestral para internos).

O cuidador identifica sinais de parasitas (coceira excessiva, pequenos pontos escuros no pelo) durante a avaliação sanitária inicial.

Aplicação de uma pipeta, exemplo resolvido

Cão de 15 kg, pipeta antiparasitária externa mensal.

  1. Confirmar na embalagem que a dose corresponde ao peso do animal (existem pipetas por escalão de peso).
  2. Separar o pelo na base do pescoço, entre as omoplatas, até expor a pele.
  3. Aplicar todo o conteúdo diretamente na pele, não no pelo.
  4. Não lavar o animal nas 48 horas seguintes à aplicação.
  5. Registar a data de aplicação na ficha, para calcular a próxima dose.

Uma dose errada, para mais ou para menos peso, reduz a eficácia ou pode ser tóxica.

Bloco 12 · Equipamentos, EPI e resíduos

Equipamentos, utensílios e vestuário de proteção

Cada tarefa de higiene exige equipamentos e utensílios próprios, mantidos limpos e em bom estado: tinas ou banheiras, secadores, escovas e pentes, corta-unhas, tesouras, mesas de contenção.

O cuidador usa também vestuário de limpeza e EPI adequado:

  • Bata ou avental impermeável, para proteção da roupa e da pele.
  • Luvas, sobretudo em contacto com produtos químicos ou animais com suspeita de doença.
  • Calçado antiderrapante, essencial em pavimentos molhados.

O EPI não é opcional, é parte das normas de segurança e saúde no trabalho da profissão.

Separação e encaminhamento de resíduos

A gestão de resíduos de um serviço de higiene animal segue regras específicas:

Tipo de resíduo Encaminhamento
Pelo e embalagens comuns resíduo urbano indiferenciado
Embalagens de produtos químicos recolha seletiva, conforme rótulo
Material com risco biológico (ex.: gaze com sangue) contentor de risco biológico

Cumprir estas medidas de atuação faz parte da prevenção de riscos e da resposta em situação de emergência, um dos critérios de desempenho da UC.

Bloco 13 · Registo de dados e fecho

A ficha de registo de dados

Depois de cada serviço, o cuidador regista dados sobre a higiene e o estado físico e psicológico do animal. Esta ficha:

  • Documenta os produtos usados, a data e as observações da avaliação sanitária.
  • Regista anomalias encontradas (feridas, parasitas, comportamento fora do habitual).
  • Serve de histórico para o próximo serviço e para comunicação com o dono ou com o médico veterinário.
  • É a prova documental de que os protocolos foram cumpridos.

Sem este registo, cada serviço começa do zero, sem memória do que já foi observado.

Atitudes profissionais do cuidador

As atitudes avaliadas nesta UC atravessam todos os procedimentos técnicos:

Responsabilidade · autonomia · autoconfiança · sentido criativo · sentido crítico · persistência · autocontrolo · empatia · escuta ativa · sentido de observação.

Um cuidador tecnicamente competente mas sem estas atitudes falha com o animal ou com o dono. São tão avaliadas como a técnica em si.

Recapitulando

  • Avaliar o estado sanitário vem sempre antes de qualquer higienização.
  • A espécie, a raça e o tipo de pelagem determinam a técnica e a frequência do banho, da escovagem, das orelhas e das unhas.
  • Contenção e maneatação protegem o bem-estar físico e psicológico do animal.
  • Produtos, EPI, resíduos e registo cumprem as normas de segurança e saúde no trabalho.
  • A desparasitação e o controlo de agentes patogénicos previnem doenças no animal e no cuidador.

Próximo: fichas e mini-projecto, avaliar, contentar e higienizar um animal de companhia do início ao fim.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o mesmo procedimento de higiene muda consoante o contexto: um centro de recolha exige mais cuidado com a biossegurança do que um domicílio - erro comum: os alunos tratam "dar banho" como uma tarefa única, sem perceberem que o planeamento do serviço vem primeiro - exemplo/analogia: comparar com uma consulta médica, primeiro avalia-se o paciente, só depois se decide o tratamento

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a terceira frente, é a que mais se esquece e conta muito para a relação de confiança com o cliente - pergunta à turma: que informação dariam a um dono de cão de pelo comprido sobre a frequência de escovagem em casa? - exemplo: um folheto simples entregue no fim do serviço aumenta a fidelização do cliente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o sebo natural protege o pelo, lavar em excesso destrói essa proteção - erro comum: tratar todas as raças da mesma forma, um cão de pelo duplo (ex.: pastor alemão) tem necessidades muito diferentes de um cão de pelo curto (ex.: boxer) - exemplo: mostrar imagens de pelagem simples vs pelagem dupla e pedir à turma para identificar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o caso do coelho, é o que mais surpreende os alunos, muitos assumem que "dar banho" serve para todos os animais - erro comum: aplicar a mesma frequência de banho a um gato e a um cão - pergunta: porque é que os gatos precisam de menos banhos do que os cães? (grooming próprio com a língua)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o cuidador não substitui o médico veterinário, avalia para decidir se pode prosseguir, não para diagnosticar - erro comum: iniciar a higienização sem qualquer avaliação prévia, "porque o dono não disse nada" - exemplo: um animal com uma ferida aberta não deve ser lavado normalmente naquela zona, o serviço ajusta-se

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a sequência documentar, adequar, comunicar, registar, é transferível para qualquer anomalia encontrada - erro comum: os alunos avançam com o banho completo mesmo depois de identificarem uma ferida - pergunta: o que aconteceria se o cuidador ignorasse uma infeção de pele e lavasse o animal na mesma?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença entre conter com firmeza e conter com força excessiva, é o erro mais comum dos iniciantes - erro comum: segurar apenas pelas patas ou pelo pescoço, o que causa dor e reação defensiva - exemplo/analogia: comparar com segurar um bebé, firme mas nunca apertado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar os sinais de stress, saber lê-los evita acidentes com o animal e com o próprio cuidador - erro comum: continuar o procedimento ignorando sinais claros de desconforto - exemplo: demonstrar a técnica do "burrito" com uma toalha em sala de aula, se possível com um boneco

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o conceito de zoonose, é o que justifica todo o cuidado extra com EPI e desinfeção - erro comum: usar a mesma toalha ou escova em vários animais sem desinfetar entre serviços - exemplo: um centro de recolha com dezenas de animais depende totalmente destes protocolos para não propagar doença

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que estas três etapas não são sinónimos, cada uma tem um nível de exigência diferente - erro comum: confundir "limpar" com "desinfetar", limpar remove sujidade mas não mata microrganismos - pergunta: em que situação seria preciso esterilizar material, e não apenas desinfetar?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o erro do champô humano, é um dos exemplos mais citados no sector e fixa bem a diferença de pH - erro comum: aplicar um produto de cão num gato ou vice-versa, sem verificar a ficha técnica - exemplo: trazer para a aula uma ficha técnica real de um champô ou de uma pipeta antiparasitária

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ordem de leitura, composição, modo de aplicação, contraindicações, frequência - erro comum: ignorar as contraindicações porque "o produto parece suave" - exercício rápido: distribuir fichas técnicas reais e pedir à turma para identificar as contraindicações

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que "mais banhos" não é sinónimo de "mais higiene", há um equilíbrio a respeitar - erro comum: dar banho semanal a um cão de pelo curto saudável, sem necessidade - pergunta: porque é que um gato quase nunca precisa de banho?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o passo "escovar antes de molhar", muitos alunos saltam-no e os nós ficam ainda mais apertados molhados - erro comum: água demasiado quente ou secador a temperatura alta, queima a pele do animal - exemplo: demonstrar a sequência completa com um manequim ou vídeo, cronometrando cada fase

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação entre escovagem regular e prevenção de nós, é mais fácil prevenir do que desfazer um nó já apertado - erro comum: puxar o nó com força em vez de o desfazer progressivamente com os dedos e depois com o pente - exemplo: mostrar a diferença entre um pelo bem escovado e um pelo com nós numa foto real

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ordem das escovas, desembaraçar primeiro, cerdas no fim, inverter a ordem é ineficaz - erro comum: escovar sempre a mesma zona (geralmente o dorso) e esquecer barriga e patas traseiras - pergunta: porque é que a muda de pelo sazonal exige mais frequência de escovagem?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a regra de nunca introduzir cotonetes ou objetos no canal auditivo, é um dos erros mais perigosos do sector - erro comum: confundir cerúmen normal com sinal de infeção, ou o contrário - exemplo: raças de orelhas caídas (ex.: cocker spaniel) acumulam mais humidade e precisam de limpeza mais frequente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a anatomia da orelha (bloco 2) explica diretamente esta frequência diferenciada - erro comum: aplicar a mesma frequência de limpeza a todas as raças - pergunta: porque é que uma orelha caída acumula mais humidade do que uma orelha ereta?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença entre unhas claras e escuras, é a maior dificuldade prática deste procedimento - erro comum: cortar demasiado de uma vez em unhas escuras, atingindo a unha viva - exemplo: mostrar imagens comparativas de uma unha clara (com a unha viva visível) e uma escura

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o sinal do "clique" no chão, é um indicador prático e fácil de os alunos reconhecerem - erro comum: adiar o corte por medo de magoar o animal, deixando as unhas crescerem em excesso - pergunta: que problemas de postura pode causar uma unha demasiado longa?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação com o bloco 3, a desparasitação começa muitas vezes por um sinal encontrado na avaliação sanitária - erro comum: confundir desparasitação externa com interna e aplicar o produto errado - exemplo: trazer uma pipeta real e ler em conjunto a ficha técnica, dose por peso do animal

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a regra da dose por peso, é o erro mais grave e mais fácil de cometer nesta tarefa - erro comum: aplicar a pipeta no pelo em vez de na pele, o produto não absorve corretamente - pergunta: porque é que não se deve lavar o animal logo a seguir à aplicação?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o EPI protege tanto o animal (higiene) como o cuidador (segurança), as duas coisas juntas - erro comum: trabalhar sem luvas "porque o animal parece saudável", ignorando o risco de zoonose - exemplo: mostrar o conjunto completo de EPI usado num centro de recolha real

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que nem todo o resíduo de um serviço de higiene é "lixo comum", há categorias com regras próprias - erro comum: misturar material com risco biológico no lixo indiferenciado - pergunta: o que fariam se, durante um corte de unhas, o animal sangrasse e sujasse o material?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a ficha de registo fecha o ciclo iniciado na avaliação sanitária do bloco 3 - erro comum: só registar quando há problemas, e não o serviço de rotina - exemplo: mostrar um modelo simples de ficha de registo e preenchê-lo em conjunto com um caso fictício

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que estas atitudes não são "extras", constam do referencial oficial como critérios de avaliação - erro comum: os alunos concentram-se só na técnica e esquecem estas competências comportamentais - pergunta: qual destas atitudes consideram mais difícil de demonstrar na prática, e porquê?