UC03659

Adaptar a atividade física a praticantes com necessidades diferenciadas

Avaliação, prescrição e treino adaptado, desporto adaptado, inclusão e segurança

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Desporto

Plano

  1. Exercício, atividade física e saúde
  2. Deficiência, incapacidade, direitos e terminologia
  3. Diversidade funcional: visual, auditiva, motora, voz e fala, intelectual, autismo
  4. Envelhecimento, fases da vida e condições de saúde
  5. Avaliação do praticante
  6. Prescrição do exercício adaptado
  7. Programas, produtos de apoio, materiais e equipamentos
  8. Estratégias de adaptação e técnicas de inclusão
  9. Desporto adaptado e regras das quatro modalidades
  10. Planear, executar e avaliar o treino adaptado
  11. Relação, adesão, segurança e ética

Bloco 1 · Exercício, atividade física e saúde

Atividade física, exercício e desporto

  • Atividade física: qualquer movimento muscular que gasta energia acima do repouso.
  • Exercício físico: atividade planeada, estruturada e repetida, para melhorar a condição física.
  • Desporto: atividade com regras, muitas vezes competitiva.
  • Formal (aula, treino, programa) versus informal (caminhar, brincar, jardinar, deslocar-se de cadeira).

A atividade informal conta e deve ser perguntada na avaliação inicial.

Vantagens da atividade física

  • Cardiovasculares e metabólicas: coração, tensão arterial, glicemia, peso.
  • Músculo-esqueléticas: força, osso, mobilidade, menos quedas.
  • Funcionais: autonomia nas tarefas diárias e transferências.
  • Psicológicas e sociais: humor, sono, autoestima, pertença a um grupo.

Para quem tem deficiência ou doença crónica, estes ganhos pesam ainda mais.

Quanto movimento? Recomendações gerais

  • Crianças e jovens: em média 60 min por dia, moderada a vigorosa.
  • Adultos: 150 a 300 min por semana de aeróbio moderado, mais força em 2 ou mais dias.
  • Idosos: o mesmo, mais equilíbrio e treino funcional em 3 ou mais dias.
  • Pessoas com deficiência e doenças crónicas: as mesmas orientações, adaptadas à capacidade.
  • Grávidas saudáveis: cerca de 150 min por semana, salvo contraindicação.

Qualquer quantidade é melhor do que nenhuma: mexer mais e sentar menos.

Exercício como estímulo metabólico

Três vias de energia, sempre ativas, com pesos diferentes:

Via Duração dominante Exemplo
ATP-PCr até cerca de 10 s lançamento de Boccia, sprint curto
Glicolítica 30 s a 2 min esforço intenso curto
Oxidativa prolongado caminhada, hidroginástica

MET: 1 MET é o gasto em repouso (cerca de 3,5 ml O2/kg/min); 3 a 6 METs é moderado.

Exercício como estímulo biomecânico

  • Osso: carga e impacto estimulam a formação óssea (lei de Wolff); a falta de carga leva à perda.
  • Músculo: tensão progressiva dá força; o desuso dá atrofia.
  • Tendões, ligamentos, cartilagem: adaptam-se mais devagar.
  • Articulações: movimento controlado nutre; impacto excessivo agrava dor.

Equilibrar o estímulo metabólico com a carga articular.

Intervenção primária, secundária e terciária

Nível Objetivo Exemplo
Primária evitar a doença caminhada para prevenir diabetes tipo 2
Secundária travar a progressão treino em hipertensão ligeira
Terciária reduzir incapacidade reabilitação funcional após AVC

O técnico de desporto atua na primária e na secundária e apoia a manutenção funcional da terciária, sempre articulado com os profissionais de saúde.

Bloco 2 · Deficiência, incapacidade, direitos e terminologia

Do modelo médico ao modelo biopsicossocial

  • Modelo médico: a deficiência está no indivíduo.
  • Modelo social: nasce da interação com um ambiente com barreiras.
  • Modelo biopsicossocial: integra os dois e sustenta a CIF (Organização Mundial da Saúde, 2001).

A CIF descreve funcionalidade: funções e estruturas do corpo, atividades, participação, fatores ambientais e pessoais.

Conceitos da CIF

Conceito Exemplo
Deficiência (função ou estrutura) perda de uma perna
Limitação da atividade dificuldade em correr
Restrição à participação não jogar no recreio porque o jogo não foi adaptado
Fatores ambientais pavimento, rampa, atitude dos colegas

A restrição à participação depende do contexto e pode ser eliminada.

Diversidade funcional e linguagem

  • Diversidade funcional: as pessoas funcionam de formas diferentes, sem hierarquia.
  • Dizer pessoa com..., evitar "sofre de", "vítima de", "preso à cadeira".
  • Dirigir-se diretamente à pessoa, não ao acompanhante.
  • Perguntar antes de ajudar: a autonomia respeita-se.
  • Não reduzir a pessoa ao diagnóstico.

Direitos das pessoas com deficiência

  • Constituição: igualdade, direitos dos cidadãos com deficiência (art. 71.º) e direito ao desporto (art. 79.º).
  • Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto (Lei n.º 5/2007, na redação em vigor).
  • Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006, ratificada por Portugal): direito à participação desportiva (art. 30.º).
  • Legislação de acessibilidades e de participação das pessoas com deficiência.
  • IPDJ: entidade pública da política desportiva.

Regime de acesso e exercício da atividade de treinador de desporto (Lei n.º 40/2012) e atribuições do IPDJ: consultar sempre o diploma na redação em vigor.

Adaptação razoável e não discriminação

  • Adaptação razoável: ajuste necessário e adequado, sem encargo desproporcionado (mais um monitor, bola maior, regra ajustada).
  • Não discriminação: excluir sem justificação técnica válida pode ser discriminação.
  • A segurança resolve-se com avaliação individual e adaptação, não com exclusão automática.

Grandes tipos de deficiência ou incapacidade

Família Impacto principal na prática
Visual orientação, seguimento da bola
Auditiva comunicação, sinais sonoros
Motora e músculo-esquelética mobilidade, força, controlo
Voz e fala interação, instruções
Intelectual e do desenvolvimento regras, tempo de aprendizagem
Espetro do autismo comunicação social, sensibilidade sensorial

A mesma pessoa pode ter deficiência múltipla.

Bloco 3 · Diversidade funcional na prática

Pessoas cegas ou com baixa visão

  • Classes IBSA: B1, B2 e B3, definidas por acuidade visual (LogMAR) e campo visual.
  • Espaço conhecido e estável; explorar antes e avisar mudanças.
  • Informação por som, tato e descrição verbal; bolas com guizos, linhas em relevo, contrastes de cor.
  • Falar em vez de apontar: "o cone está a 3 passos à tua direita".
  • Guia vidente: o praticante agarra o cotovelo do guia e caminha meio passo atrás.

Pessoas surdas

  • Comunicação visual: de frente, boa luz, boca visível, gestos e demonstração.
  • LGP: língua protegida e valorizada pela Constituição (art. 74.º); dirigir-se ao praticante, não ao intérprete.
  • Sinais sonoros acompanhados de sinais visuais ou táteis (bandeira, luz, toque no ombro).
  • Possível alteração do equilíbrio em alguns casos.

Deficiências músculo-esqueléticas e do movimento

  • Lesão vertebro-medular: nível da lesão (escala ASIA); disreflexia autonómica acima de T6 é urgência; termorregulação; úlceras de pressão.
  • Paralisia cerebral: espasticidade, atetose, ataxia; a fadiga agrava.
  • Amputações: cuidados do coto, equilíbrio, prótese.
  • Esclerose múltipla: fadiga, calor agrava.
  • Em cadeira de rodas, proteger os ombros e treinar tronco e dorso.

Voz e fala, deficiência intelectual e autismo

  • Voz e fala: dar tempo, não completar frases, aceitar comunicação alternativa.
  • Deficiência intelectual: instruções curtas e concretas, rotinas, apoio visual, reforço imediato; trissomia 21 pede orientação médica em atividades de risco para o pescoço; respeitar a idade cronológica.
  • Autismo: previsibilidade, agenda visual, gestão sensorial, linguagem literal; espaço calmo na sobrecarga.
  • Special Olympics e desporto unificado.

Bloco 4 · Envelhecimento, fases da vida e condições de saúde

Exercício, desenvolvimento e envelhecimento

Fase Prioridades
Crianças competências motoras fundamentais, jogo, variedade, calor e hidratação
Jovens técnica, força orientada, pertença ao grupo
Adultos manter, prevenir doença crónica
Idosos força, equilíbrio, marcha, autonomia

No envelhecimento diminuem massa muscular (sarcopenia), densidade óssea e equilíbrio, e sobe o risco de quedas.

Gravidez e características físicas excecionais

  • Intensidade moderada; evitar risco de queda, contacto, calor excessivo.
  • Evitar tempo prolongado em decúbito dorsal a partir do 2.º trimestre.
  • Treino do assoalho pélvico; atenção à diástase abdominal.
  • Sinais de paragem: perda de sangue pela vagina, falta de ar antes do esforço, tonturas, dor no peito, dor numa perna, contrações, menos movimentos do bebé.
  • Características excecionais (estatura, massa, hipermobilidade): ajustar equipamento e cargas.

Hipertensão, diabetes, obesidade e osteoporose

Condição Cuidado principal
Hipertensão (cerca de 140/90 mmHg ou mais em consultório) evitar Valsalva; atenção à medicação
Diabetes hipoglicemia, pé, plano de medicação
Obesidade (IMC de 30 ou mais) baixo impacto, progressão lenta, sem estigma
Osteoporose (T-score igual ou inferior a menos 2,5, em mulheres após a menopausa e em homens com 50 ou mais anos) evitar flexão forte do tronco com carga

Patologias músculo-esqueléticas: progressão gradual e dor como guia.

Fatores de risco e benefícios do exercício

  • Hipertensão: idade, excesso de peso, sal, sedentarismo, stress. O exercício baixa a tensão em repouso.
  • Diabetes: excesso de peso, sedentarismo. O exercício melhora a sensibilidade à insulina.
  • Obesidade: balanço energético positivo, sedentarismo. O exercício aumenta o gasto e preserva massa magra.
  • Osteoporose: idade, menopausa, baixo peso, tabaco. A carga e a força protegem o osso.

Bloco 5 · Avaliação do praticante

Para que serve avaliar

Três perguntas: é seguro começar?, de onde parto?, o que quer e precisa esta pessoa?

Princípios: individualização, validade e fiabilidade, segurança, consentimento informado, confidencialidade, utilidade e contexto.

Etapas da avaliação

  1. Recolher informação (saúde, medicação, objetivos).
  2. Rastrear o risco.
  3. Avaliar a condição física.
  4. Avaliar a funcionalidade e as competências-base.
  5. Perceber necessidades e expectativas.
  6. Sintetizar e decidir.

Rastreio e estratificação de risco

  • Elementos: doença conhecida, sinais e sintomas, fatores de risco.
  • PAR-Q+ identifica quem deve consultar um profissional de saúde antes de começar.
  • Doença conhecida ou sintomas: parar e encaminhar.
  • Sem doença e sedentário: começar leve e progredir devagar.

O técnico reconhece sinais de alerta e encaminha; não diagnostica.

Instrumentos de avaliação da condição física

Componente Instrumentos
Cardiorrespiratória marcha de 6 min, marcha de 2 min, ergómetro de braços
Força levantar da cadeira em 30 s, flexão do antebraço, dinamometria
Flexibilidade sentar e alcançar, alcançar atrás das costas
Equilíbrio e agilidade Timed Up and Go, equilíbrio unipodal, escala de Berg
Composição corporal IMC, perímetro da cintura, pregas, bioimpedância

Baterias: Senior Fitness Test (idosos), Fitnessgram e Eurofit (jovens), TGMD (motricidade).

Perceção de esforço e frequência cardíaca

  • Borg 6 a 20: moderado cerca de 12 a 14; vigoroso acima de 14.
  • CR10 (0 a 10): usar os valores intermédios do manual adotado.
  • Teste da conversa: falar mas não cantar.
  • FC máxima estimada (220 menos a idade) é grosseira; não serve com bloqueadores beta nem em lesão medular alta.
  • Karvonen: FC repouso + % × (FC máx menos FC repouso).

Competências-base, necessidades e expectativas

  • Competências-base: equilíbrio, deslocação, lançar, receber, transferências, regras, trabalho em grupo.
  • Necessidades individuais específicas: comunicação, produtos de apoio, supervisão, recuperação, espaço.
  • Expectativas: o que a pessoa deseja; sem elas, falha a adesão.
  • Conversa com perguntas abertas e escuta ativa.

Bloco 6 · Prescrição do exercício adaptado

Princípios do treino aplicados à adaptação

Princípio Aplicação
Individualidade partir do perfil
Especificidade treinar a tarefa pretendida
Sobrecarga estímulo acima do habitual
Progressão pequenos incrementos
Reversibilidade regularidade
Variedade evitar monotonia
Recuperação mais descanso quando há fadiga ou doença

O modelo FITT-VP

Frequência · Intensidade · Tempo · Tipo · Volume · Progressão.

Mudar um parâmetro de cada vez: primeiro o tempo, depois a intensidade, mantendo a frequência estável.

Aeróbio, força, flexibilidade e equilíbrio

  • Aeróbio: 3 a 5 dias, intensidade moderada, 20 a 60 min, blocos de 10 min se necessário.
  • Força: 2 a 3 dias não consecutivos, 1 a 3 séries, 8 a 15 repetições, expirar no esforço.
  • Flexibilidade: 2 a 3 dias, 10 a 30 s por alongamento, músculo aquecido.
  • Equilíbrio: 2 a 3 dias, do apoio alargado ao reduzido.

Prescrição por população

  • Crianças: jogo e variedade. Idosos: multicomponente e funcional.
  • Hipertensão: aeróbio moderado, força dinâmica leve, sem Valsalva.
  • Diabetes: regular, planear em função da medicação e das refeições.
  • Obesidade: baixo impacto e volume progressivo.
  • Osteoporose: carga, força, equilíbrio; sem flexão forte do tronco.
  • Gravidez: moderado, assoalho pélvico, sem queda.

Bloco 7 · Programas, produtos de apoio, materiais e equipamentos

Tipos de programas e preocupações específicas

  • Tipos: saúde e condição física, funcional, recreativo e social, educativo, iniciação desportiva, competição, aquático.
  • Preocupações: visual (espaço e som), auditiva (visual), medular (disreflexia, pele, temperatura), paralisia cerebral (fadiga), amputações (coto), intelectual (instruções), autismo (previsibilidade), epilepsia (plano de crise), asma (medicação de alívio).

Meio aquático e cadeira de rodas

  • Água: reduz impacto e sustenta o peso; útil na obesidade, artrose, paralisia cerebral e idosos. Exige acessos, temperatura adequada e vigilância.
  • Cadeira de rodas: extensão do corpo; fortalecer dorso e rotadores externos; mobilidade do ombro no aquecimento; pausas para aliviar a pressão.

Produtos de apoio

  • Produtos de apoio (antes "ajudas técnicas"): previnem, compensam ou neutralizam uma limitação; norma ISO 9999.
  • SAPA: Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio.
  • Mobilidade (cadeiras, andarilhos), próteses e ortóteses, visão, audição, comunicação, postura, tecnologia de acesso (rampa de Boccia).
  • Critérios: funcionalidade, segurança, facilidade de uso, dignidade, custo.

Materiais e equipamentos adaptados

  • Bolas: leves, macias, maiores, com guizo, coloridas.
  • Alvos e balizas: altura e tamanho variáveis, com cor ou som.
  • Redes: mais baixas (voleibol sentado).
  • Raquetes e bastões: cabos adaptados.
  • Marcações: linhas em relevo e cores contrastantes.
  • Proteções: capacete, joelheiras, óculos, calçado.

Bloco 8 · Estratégias de adaptação e técnicas de inclusão

Modelo STEP

Dimensão Exemplos
Espaço tamanho, superfície, luz, ruído
Tarefa regras, passos, tempo, pontuação
Equipamento tamanho, peso, cor, som
Pessoas pares, papéis, apoios

Uma mudança de cada vez. Máxima participação com mínima adaptação.

Espetro de inclusão

  1. Aberta: todos fazem o mesmo.
  2. Modificada: a mesma atividade com ajustes.
  3. Paralela: cada um ao seu nível, no mesmo espaço.
  4. Específica: pensada para um grupo.
  5. Separada: temporária e justificada.

Incluir por defeito; separar só por razões justificadas e temporárias.

Técnicas de inclusão

  • Jogo cooperativo: ninguém é eliminado.
  • Papéis múltiplos: árbitro, marcador, treinador.
  • Colega tutor sob orientação.
  • Regras flexíveis combinadas com o grupo.
  • Desporto unificado.
  • Ensino diferenciado: três níveis da mesma tarefa.
  • Comunicação multimodal: mostrar, dizer, tocar e usar imagens.

Movimentos de estabilidade, locomotores e manipulativos

Família Exemplos Adaptação
Estabilidade equilibrar, rodar, dobrar, aterrar sentado, com barra de apoio
Locomotores andar, correr, saltar, rolar, cadeira de rodas distâncias e meios adaptados
Manipulativos lançar, receber, pontapear, bater bolas e alvos adaptados

Progressão: estabilidade, locomoção, manipulação.

Corrigir os erros mais frequentes de base

  1. Observar várias repetições.
  2. Escolher uma correção.
  3. Feedback curto, concreto e positivo.
  4. Demonstrar ou guiar, com autorização.
  5. Repetir e elogiar a melhoria.

Bloco 9 · Desporto adaptado e regras das quatro modalidades

Desporto adaptado: organização e classificação

  • Desportos adaptados (basquetebol em cadeira) e desportos próprios (Goalball, Boccia).
  • Entidades: IPC, IBSA, World Abilitysport (antiga IWAS), CP-ISRA, Special Olympics, federações de modalidade; em Portugal, Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência e Comité Paralímpico de Portugal.
  • Classificação funcional: classes por impacto funcional; sete tipos de deficiência elegível no IPC.
Modalidade Público habitual Principal adaptação
Goalball deficiência visual tapa-olhos e bola sonora
Boccia comprometimento motor severo rampa (BC3)
Voleibol sentado deficiência locomotora jogo no chão, rede baixa
Futebol para cegos deficiência visual bola sonora, chamador

Terminologia específica

Desporto adaptado · paralímpico · classe desportiva · elegibilidade · desporto unificado · guia e chamador · assistente · produto de apoio · acessibilidade · adaptação razoável · tapa-olhos · bola sonora.

Integração versus inclusão: na integração a pessoa tem de se adaptar; na inclusão o contexto ajusta-se.

Goalball

  • Para atletas com deficiência visual; todos com tapa-olhos. Nos Jogos Paralímpicos desde 1976.
  • 3 jogadores por equipa, campo de 18 × 9 m, baliza de 9 m.
  • Bola de cerca de 1,25 kg com guizos; lançamento rasteiro.
  • Duas partes de 12 min; linhas táteis; silêncio durante o jogo.
  • Penalizações por bola alta ou longa e por exceder o tempo.
  • Proteções: cotoveleiras, joelheiras, anca.

Voleibol sentado

  • Campo de 10 × 6 m; rede a 1,15 m (masculino) e 1,05 m (feminino).
  • Seis jogadores; uma parte do corpo entre as nádegas e os ombros em contacto com o chão.
  • Linha de ataque a 2 m.
  • Sets a 25 pontos, melhor de cinco; bloqueio do serviço permitido.
  • Faltas: levantar o corpo ao atacar, interferir com o adversário na rede, toque duplo.
  • Na defesa, levantar é permitido se a bola não estiver inteiramente acima do topo da rede.

Futebol para cegos

  • 5 jogadores: 4 de campo com tapa-olhos e guarda-redes com visão.
  • Campo de cerca de 40 × 20 m, com bandas laterais; bola com guizos.
  • 2 partes de 20 min.
  • Chamador atrás da baliza adversária; treinador no meio-campo.
  • Dizer "voy" ao disputar a bola, para evitar choques; não há fora de jogo.

Boccia

  • Para atletas com grande comprometimento motor; Jogos Paralímpicos desde 1984.
  • Campo de cerca de 12,5 × 6 m; cada lado tem 6 bolas (individual: 6 por jogador; pares: 3 cada; equipas: 2 cada) e uma bola alvo branca.
  • Objetivo: aproximar as bolas da bola alvo.
  • Classes BC1 a BC4; BC3 usa rampa e assistente de costas para o campo.
  • Parciais (ends) com tempo limite; ponto por cada bola mais perto do alvo que a melhor adversária.

Bloco 10 · Planear, executar e avaliar o treino adaptado

Objetivos gerais e preparação técnica, tática, física e psicológica

  • Objetivos gerais: saúde, funcionalidade, competências desportivas, participação, prazer, rendimento.
  • Objetivos específicos, mensuráveis, realistas e com prazo.
  • Preparação técnica (gestos), tática (decisões), física (capacidades), psicológica (emoções).

Planeamento por ciclos e estrutura da sessão

  • Macrociclo: época. Mesociclo: bloco de semanas. Microciclo: semana. Sessão: dia.
  • Sessão: parte inicial (aquecimento, 10 a 15 min), fundamental, final (retorno à calma).
  • Organizar pessoas, espaço, material, segurança e alternativas.

Executar e resolver situações críticas

Situação Resposta
Queda parar, avaliar, pedir ajuda, 112 se grave
Hipoglicemia hidratos de carbono de ação rápida
Crise epilética proteger a cabeça, não conter, cronometrar
Disreflexia autonómica sentar, aliviar, medir, 112
Sobrecarga sensorial reduzir estímulos, espaço calmo
Paragem cardiorrespiratória 112, compressões, DAE

Avaliar o treino

  • Avaliar a sessão, o praticante e o plano.
  • Registos de presenças e de carga, reavaliação com os mesmos testes, observação com listas, opinião do praticante.
  • Ajustar: subir a carga, manter ou reduzir; mudar conteúdos quando falta motivação.

Bloco 11 · Relação, adesão, segurança e ética

Relação positiva e adesão

  • Escuta ativa, empatia, assertividade, respeito pela autonomia, dignidade e confidencialidade.
  • Adesão: objetivos significativos, sucesso precoce, prazer e variedade, apoio social, remover barreiras, reconhecimento do progresso, planos para recaídas.

Feedback e comunicação adaptada

Feedback contínuo, construtivo, específico e imediato: o que está bem, o que melhorar, como.

Pessoa Canal
Cega verbal descritivo, tátil com autorização
Surda visual, gestual, escrito, LGP
Deficiência intelectual curto, concreto, imagens
Autismo literal, visual, previsível

Segurança, responsabilidade e ética

  • Antes: riscos, historial, autorizações, material, plano de emergência.
  • Durante: vigiar, ajustar, hidratar, pausar.
  • Depois: observar, registar, comunicar.
  • Formação em SBV e DAE; seguro desportivo.
  • Ética: responsabilidade, zelo, imparcialidade, espírito desportivo, respeito pela diversidade, privacidade, limites de atuação, regras e normas definidas.
  • Atitudes: liderança, autonomia no âmbito das funções, empenho e persistência.

Recapitulando

  • O exercício atua como estímulo metabólico e biomecânico; as recomendações são o horizonte, a pessoa é o ponto de partida.
  • Olhar para a funcionalidade (CIF) e para as barreiras do contexto.
  • Avaliar (rastreio, risco, instrumentos, expectativas) e prescrever (princípios, FITT-VP, por população).
  • Adaptar com STEP, espetro de inclusão, produtos de apoio e movimentos fundamentais.
  • Desporto adaptado: classificação, terminologia e regras do Goalball, voleibol sentado, futebol para cegos e Boccia.
  • Planear, executar e avaliar o treino, com segurança, comunicação e ética.

Próximo: fichas e projeto, adaptar sessões reais a praticantes reais.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a distinção entre os três termos e o valor da atividade informal na vida de quem tem limitações. - erro comum/pergunta: achar que só conta o que acontece no ginásio ou na aula. - exemplo/analogia: uma pessoa que empurra a cadeira de rodas todo o dia já faz muita atividade física informal dos membros superiores.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os benefícios funcionais, porque são o que o praticante sente no dia a dia. - erro comum/pergunta: pensar que o exercício serve só para emagrecer. - exemplo/analogia: um pouco mais de força nas pernas permite a uma pessoa idosa levantar-se da cadeira sozinha.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as metas são o horizonte, e o ponto de partida é a pessoa. - erro comum/pergunta: exigir logo o mínimo a quem está sedentário, saltando degraus de progressão. - exemplo/analogia: começar com 10 minutos de caminhada diária já é ganhar saúde.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o estímulo metabólico explica os efeitos na glicemia, no peso e no coração. - erro comum/pergunta: usar tabelas de METs em pessoas com marcha alterada ou cadeira de rodas sem as complementar com a perceção de esforço. - exemplo/analogia: as três vias são como três depósitos de combustível que se esvaziam e enchem a ritmos diferentes.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico decide sempre duas dimensões: energia gasta e carga mecânica. - erro comum/pergunta: prescrever corrida a uma pessoa obesa com dor no joelho. - exemplo/analogia: o osso é como um músculo: fortalece com o uso.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o limite de atuação: não diagnostica nem trata. - erro comum/pergunta: confundir o papel do técnico com o do fisioterapeuta ou do médico. - exemplo/analogia: é como um guarda-rios: ajuda a manter o caudal, mas não é o engenheiro da barragem.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a pergunta útil: o que consegue fazer, o que quer fazer e que barreiras posso remover. - erro comum/pergunta: perguntar apenas "que deficiência tem?". - exemplo/analogia: uma escada é uma barreira; uma rampa não é.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a mesma deficiência pode ter participação plena ou nula, conforme o contexto. - erro comum/pergunta: confundir deficiência com limitação da atividade. - exemplo/analogia: o jogo adaptado transforma a restrição em participação.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a linguagem molda a forma como planeamos. - erro comum/pergunta: empurrar a cadeira de rodas ou agarrar o braço sem perguntar. - exemplo/analogia: a cadeira de rodas liberta, não prende.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a adaptação é um direito, não um favor. - erro comum/pergunta: recusar uma inscrição por "segurança" sem avaliação individual. - exemplo/analogia: adaptação razoável é a rampa à porta do pavilhão.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a exclusão só é admissível por razão técnica, concreta e temporária. - erro comum/pergunta: achar que o risco justifica sempre não incluir. - exemplo/analogia: é melhor mudar o jogo do que mudar a pessoa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o perfil funcional individual manda sempre. - erro comum/pergunta: generalizar a partir do diagnóstico. - exemplo/analogia: dois jovens com paralisia cerebral podem ser muito diferentes entre si.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: perguntar antes de guiar e descrever o ambiente. - erro comum/pergunta: dizer "ali" e apontar. - exemplo/analogia: descrever o espaço é como dar um mapa falado.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o canal de comunicação é o que se adapta, não a atividade. - erro comum/pergunta: gritar ou falar de costas. - exemplo/analogia: o apito é substituído por uma bandeira de cor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: reconhecer a disreflexia autonómica e saber agir. - erro comum/pergunta: treinar só o que o praticante já domina (empurrar). - exemplo/analogia: sentar, aliviar o desencadeante e ligar o 112 é a sequência de resposta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estrutura previsível e comunicação clara dão segurança. - erro comum/pergunta: infantilizar um adulto com deficiência intelectual. - exemplo/analogia: uma agenda visual é uma lista de tarefas feita de imagens.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a idade cronológica diz pouco; a avaliação funcional diz muito. - erro comum/pergunta: tratar todos os idosos como frágeis. - exemplo/analogia: o treino iniciado tarde ainda dá ganhos mensuráveis.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: articular com o médico ou enfermeiro especialista. - erro comum/pergunta: manter a mesma sessão de antes da gravidez. - exemplo/analogia: a sessão adapta-se ao trimestre.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada condição tem objetivos e cuidados próprios, e o médico tem a última palavra. - erro comum/pergunta: ignorar a medicação do praticante. - exemplo/analogia: os bloqueadores beta limitam a frequência cardíaca: usar a perceção de esforço.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os objetivos são prevenir e controlar, não curar. - erro comum/pergunta: prometer perda de peso rápida. - exemplo/analogia: pequenas perdas de peso já reduzem o risco cardiovascular.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada medida serve uma decisão. - erro comum/pergunta: fazer testes só por fazer. - exemplo/analogia: avaliar é a bússola antes da viagem.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a ordem protege a segurança. - erro comum/pergunta: começar pelos testes físicos sem rastreio. - exemplo/analogia: é uma consulta com sequência: primeiro ouvir, depois medir.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a fronteira entre rastreio e diagnóstico. - erro comum/pergunta: achar que o técnico decide se a pessoa está apta. - exemplo/analogia: é um semáforo: verde, amarelo e vermelho.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: adaptar o teste à pessoa e manter condições iguais nas reavaliações. - erro comum/pergunta: usar um teste de marcha numa pessoa que usa cadeira de rodas. - exemplo/analogia: para a cadeira de rodas, o ergómetro de braços equivale à bicicleta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a perceção subjetiva funciona onde a frequência cardíaca falha. - erro comum/pergunta: confiar cegamente na fórmula. - exemplo/analogia: duas pessoas com o mesmo batimento sentem esforços diferentes.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as expectativas definem o programa tanto como a condição física. - erro comum/pergunta: supor o que o praticante quer. - exemplo/analogia: "como saberás que isto está a correr bem?" é uma pergunta de ouro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: princípios iguais, aplicados com inteligência. - erro comum/pergunta: pensar que adaptar é baixar sempre a exigência. - exemplo/analogia: treinar levantar-se da cadeira para melhorar o levantar-se da cadeira.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a progressão é planeada e registada. - erro comum/pergunta: aumentar tudo ao mesmo tempo. - exemplo/analogia: é uma receita: cada ingrediente tem a sua dose.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: técnica antes de carga. - erro comum/pergunta: alongar a frio e até à dor. - exemplo/analogia: duas séries bem feitas valem mais que cinco mal feitas.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada população tem o seu cuidado-chave. - erro comum/pergunta: aplicar o mesmo plano a populações diferentes. - exemplo/analogia: o mesmo exercício pode ser benéfico para um e perigoso para outro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: conhecer as preocupações antes da primeira sessão. - erro comum/pergunta: descobrir o risco só quando acontece. - exemplo/analogia: uma lista de verificação antes de cada grupo novo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o ombro é a articulação mais sobrecarregada de quem usa cadeira. - erro comum/pergunta: empurrar a cadeira sem pedir licença. - exemplo/analogia: a cadeira é como o calçado: pertence a quem a usa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o produto de apoio é parte do corpo funcional do praticante. - erro comum/pergunta: impor um produto que a pessoa recusa. - exemplo/analogia: um produto que estigmatiza acaba na gaveta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: baixo custo também é adaptação. - erro comum/pergunta: material solto ou em mau estado. - exemplo/analogia: uma bola num saco com guizos resolve o som.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: adaptar é calibrar o desafio, não baixá-lo. - erro comum/pergunta: mudar tudo de uma vez. - exemplo/analogia: é o botão de volume: ajusta-se aos poucos.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a separação é exceção. - erro comum/pergunta: separar por comodidade do técnico. - exemplo/analogia: estações com diferentes níveis são atividade paralela.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: todos têm um papel valorizado. - erro comum/pergunta: o colega ajuda a fazer pelo outro. - exemplo/analogia: quem arbitra também aprende as regras de dentro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: observar o gesto antes de corrigir. - erro comum/pergunta: saltar etapas na progressão. - exemplo/analogia: sem estabilidade de base, o lançamento perde força e precisão.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma correção de cada vez. - erro comum/pergunta: dar cinco correções de uma vez. - exemplo/analogia: "dobra os joelhos como quem se vai sentar".

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o resultado deve depender da capacidade desportiva, não do grau da deficiência. - erro comum/pergunta: agrupar por diagnóstico em vez de por funcionalidade. - exemplo/analogia: é como as categorias de peso no boxe.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: usar o vocabulário certo é respeito profissional. - erro comum/pergunta: usar "integrar" quando se quer dizer "incluir". - exemplo/analogia: estar na sala não é pertencer ao grupo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o silêncio é a regra de ouro: a bola é a informação. - erro comum/pergunta: deixar o público ou os colegas falarem durante o jogo. - exemplo/analogia: o Goalball iguala quem vê e quem não vê.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a regra do contacto com o chão define o jogo. - erro comum/pergunta: aplicar a regra do voleibol de pé. - exemplo/analogia: o jogo é mais rápido porque o campo é mais pequeno.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a comunicação evita choques. - erro comum/pergunta: esquecer o "voy". - exemplo/analogia: os jogadores navegam como morcegos, pelo som.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: é um jogo de estratégia, não só de força. - erro comum/pergunta: o assistente olhar para o campo. - exemplo/analogia: é como a petanca, mas sentado e com rampa para quem não lança.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: objetivos formulados com a pessoa. - erro comum/pergunta: "melhorar" sem medida. - exemplo/analogia: "10 levantamentos em 30 segundos até março" é mensurável.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um plano B para o dia mau. - erro comum/pergunta: saltar o retorno à calma. - exemplo/analogia: é como uma viagem com mapa, etapas e paragens.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: prevenir: conhecer o historial e ter planos de ação. - erro comum/pergunta: improvisar sem plano de emergência. - exemplo/analogia: o ensaio de emergências é como o simulacro de incêndio.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: avaliar para decidir. - erro comum/pergunta: nunca reavaliar. - exemplo/analogia: é o painel de instrumentos de um carro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a relação sustenta a adesão. - erro comum/pergunta: elogiar tarefas banais de forma condescendente. - exemplo/analogia: o sucesso nas primeiras sessões é o melhor motivador.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: adaptar o canal, não só a mensagem. - erro comum/pergunta: instruções longas e abstratas. - exemplo/analogia: o canal é a estrada; a mensagem é a carga.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: na dúvida, parar e pedir ajuda. - erro comum/pergunta: fotografar ou partilhar dados sem autorização. - exemplo/analogia: o técnico é uma peça de uma equipa de saúde e desporto.