UC03655

Aplicar técnicas de modalidades de futebol e de futsal

Do regulamento ao treino: ensinar técnica e tática com segurança e espírito desportivo

Curso profissional · 25h · Técnico/a de Desporto

Plano

  1. Futebol e futsal nos jogos coletivos
  2. História, evolução e valores
  3. Terminologia, materiais e equipamentos
  4. Normas, regulamentos e código de conduta
  5. Regras do jogo de futebol e de futsal
  6. Terrenos de jogo e tempo dos jogos
  7. Finalidades, organização e perspetiva dualista
  8. Técnica individual ofensiva
  9. Remate e cabeceamento
  10. Técnica defensiva e técnica de guarda-redes
  11. Tática coletiva e sistemas de jogo
  12. Jogos pré-desportivos e jogos reduzidos
  13. Planeamento do treino
  14. Fases do treino e avaliação
  15. Protocolo de correção técnica e feedback
  16. Segurança e situações críticas

Bloco 1 · Enquadramento, história e valores

Futebol e futsal nos jogos coletivos

Os jogos desportivos coletivos põem duas equipas em oposição, com uma bola, um espaço delimitado, um alvo a atingir e a defender, e regras que regulam contacto e tempo.

  • O futebol e o futsal são jogos de invasão: pontuar no alvo adversário e evitar sofrer no próprio.
  • Há cooperação com os colegas e oposição aos adversários em simultâneo.
  • Joga-se essencialmente com os pés, o que torna o controlo da bola mais difícil e o jogo mais imprevisível.

Quem ensina estas modalidades ensina, antes de mais, a decidir em contexto de jogo.

Futebol e futsal lado a lado

Aspeto Futebol Futsal
Jogadores em campo onze, um guarda-redes cinco, um guarda-redes
Espaço grande, relvado pequeno, piso liso, pavilhão
Substituições número definido pela prova volantes e ilimitadas
Fora de jogo existe não existe
Linha lateral lançamento com as mãos reposição com o pé
Duração 2 períodos de 45 min 2 períodos de 20 min úteis

Os regulamentos de cada prova podem ajustar números e durações, sobretudo na formação.

História do futebol e do futsal

  • Futebol moderno: nasce em Inglaterra no século XIX, com a uniformização de regras (1863).
  • IFAB (1886): organismo que guarda as Leis do Jogo. FIFA (1904): organização mundial. Primeiro Mundial em 1930, Uruguai.
  • Portugal: federação fundada em 1914 (União Portuguesa de Futebol; FPF desde 1926); seleção campeã da Europa em 2016.
  • Futsal: nasce em Montevideu nos anos 30; primeiro Mundial da FIFA em 1989.
  • Futsal em Portugal: campeão da Europa em 2018 e do Mundo em 2021.

A história explica porque as regras são o que são e porque a modalidade se espalhou.

Os valores do futebol e do futsal

  • Respeito por adversários, árbitros, colegas e regras.
  • Espírito desportivo (fair play): ganhar sem batota.
  • Cooperação e espírito de equipa.
  • Superação e persistência perante o erro.
  • Inclusão e respeito pelas diferenças individuais.
  • Responsabilidade e disciplina.

Um valor só se avalia quando se transforma em comportamento observável: aceitar a decisão do árbitro, cumprimentar o adversário, cuidar do material.

Bloco 2 · Terminologia, materiais, normas e regras

Terminologia essencial

Falar a mesma língua evita mal-entendidos. Em PT-PT: guarda-redes, relvado, equipa, balneário.

Termo Significado
Processo ofensivo ações com bola para marcar
Processo defensivo ações sem bola para recuperar
Transição passagem de um processo ao outro
Desmarcação movimento sem bola para receber melhor
Cobertura defesa atrás do colega que defende
Basculação deslocação coletiva para o lado da bola
Pressing pressão coordenada ao portador

Terminologia técnica

Gesto Ideia-chave
Receção amortecer e orientar a bola
Condução levar a bola controlada
Proteção corpo entre a bola e o adversário
Simulação e finta movimento de engano
Drible ultrapassar mantendo a bola
Passe entregar a bola a um colega
Remate ação dirigida à baliza
Desarme e interceção recuperar a bola
Carga contacto legal ombro com ombro

Cada gesto tem componentes críticas que se observam e corrigem uma de cada vez.

Materiais e equipamentos

Do jogo: bolas do tamanho do escalão, balizas fixas ou lastradas, redes, linhas visíveis.

Dos praticantes: equipamento, caneleiras, calçado adequado ao piso, luvas do guarda-redes, coletes.

De treino: cones, sinalizadores, arcos, escadas de coordenação, balizas pequenas, apito, cronómetro, quadro tático, bomba de ar, kit de primeiros socorros, água.

  • Em pavilhão, nunca calçado de pitões.
  • Balizas portáteis: abanar e confirmar a fixação antes de cada sessão.

Preparar o material: checklist

  1. Ler o plano e listar o material de cada exercício.
  2. Verificar o espaço: piso, linhas, humidade.
  3. Montar e fixar as balizas.
  4. Verificar a pressão e o tamanho das bolas.
  5. Montar os exercícios antes de os praticantes chegarem.
  6. Confirmar água, kit de primeiros socorros e meio de contacto com o 112.
  7. No fim, arrumar, contar e registar o que está danificado.

Preparar bem poupa tempo útil de treino e previne acidentes.

Normas, regulamentos e código de conduta

Nível Quem define
Leis do Jogo IFAB (futebol) e FIFA (futsal)
Regulamentos da federação FPF e associações
Regulamento da prova organizador
Regras da instituição escola, AEC, clube
Regras da sessão o técnico

O código de conduta orienta técnicos, praticantes e acompanhantes: respeito, segurança, linguagem adequada, nada de discriminação ou violência.

Distinguir regra de jogo de regulamento da prova é essencial.

Adaptar os regulamentos a contextos e categorias

Adapta-se o que serve a aprendizagem e a segurança:

  • Espaço: campos mais pequenos para os mais novos.
  • Número de jogadores: formatos reduzidos dão mais toques.
  • Duração: períodos curtos com pausas para hidratar.
  • Bola e balizas: tamanho adequado à idade.
  • Regras: simplificar as mais complexas, quando o regulamento da prova o permitir.
  • Inclusão: ajustes para que todos participem.

Os formatos e as durações por escalão são fixados, época a época, pela federação e pela associação distrital: consulta o regulamento da prova.

Fora das provas oficiais, o técnico tem liberdade para adaptar, mantendo a lógica do jogo.

Regras do jogo de futebol

Tema Ideia central
Jogadores até onze por equipa, um guarda-redes
Duração dois períodos de 45 minutos
Golo bola passa totalmente a linha, entre postes e sob a trave
Faltas contactos imprudentes ou violentos, mãos
Livres diretos ou indiretos
Grande penalidade falta punível com livre direto na própria área, cobrado a 11 m
Linha lateral lançamento com as mãos
Linha de fundo pontapé de baliza ou de canto

As Leis são revistas todos os anos: consultar sempre a versão em vigor.

Fora de jogo, faltas e cartões

  • Fora de jogo: posição em que, no momento do passe, o jogador está mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário.
  • Estar em fora de jogo não é infração: só há infração se interferir no jogo, num adversário ou tirar vantagem.
  • Cartão amarelo: advertência. Cartão vermelho: expulsão.
  • A falta é cobrada com livre direto ou indireto, conforme a infração.

O que conta é o momento do passe, não a posição final.

Regras do jogo de futsal

Tema Ideia central
Jogadores até cinco em campo, um guarda-redes
Substituições volantes e ilimitadas
Duração dois períodos de 20 minutos úteis
Linha lateral reposição com o pé, bola imóvel
Fora de jogo não existe
Faltas acumuladas a partir da sexta, livre sem barreira e sem passe, por regra do segundo ponto (10 m)
Quatro segundos cobranças e posse do guarda-redes

O guarda-redes joga muito com os pés, mas tem restrições no uso das mãos.

Bloco 3 · Terrenos, tempo e organização do jogo

Terrenos de jogo

Aspeto Futebol Futsal
Piso relvado natural ou sintético piso liso, em pavilhão
Comprimento (não internacional) 90 a 120 m 25 a 42 m
Largura (não internacional) 45 a 90 m 16 a 25 m
Baliza 7,32 m por 2,44 m 3 m por 2 m
Ponto de grande penalidade 11 m 6 m (segundo ponto a 10 m)

Nos escalões de formação, o regulamento da prova define campos e balizas adaptados.

Identificar o terreno é identificar as características que condicionam o jogo.

Zonas dos campos e formas de jogar

  • Longitudinal: zona defensiva, zona média, zona ofensiva.
  • Lateral: corredor esquerdo, central e direito.
  • Zonas de risco: à frente da própria baliza e da baliza adversária.
Zona Comportamento privilegiado
Defensiva segurança, passes simples
Média circulação e escolha
Ofensiva criatividade, velocidade, remate

Formas de jogar: jogo direto, jogo apoiado, pelos corredores, contra-ataque, ataque organizado.

Tempo dos jogos

  • Futebol: dois períodos de 45 minutos, intervalo máximo de 15 minutos; o árbitro acrescenta o tempo perdido.
  • Futsal: dois períodos de 20 minutos de tempo útil, cronómetro parado nas interrupções.
  • Formação: duração do regulamento da prova, normalmente mais curta.
  • Sessão de treino: em geral 60 a 90 minutos.

Num jogo de treino, o técnico adapta tempos e pausas à idade e à intensidade.

Finalidades e perspetiva dualista

A finalidade é marcar mais golos do que o adversário, respeitando as regras. Para isso há dois problemas em simultâneo: chegar à baliza adversária e proteger a própria.

A perspetiva dualista vê o jogo como alternância entre:

  • Processo ofensivo: equipa com bola.
  • Processo defensivo: equipa sem bola.
  • Transições: ao ganhar ou perder a bola.

Cada momento tem objetivos e princípios próprios.

Processo ofensivo e processo defensivo

Processo ofensivo Processo defensivo
Penetração Contenção
Cobertura ofensiva (apoio) Cobertura defensiva
Mobilidade Equilíbrio
Espaço (largura e profundidade) Concentração
Improvisação e criatividade Compactação
  • Objetivo do ataque: marcar. Objetivo da defesa: evitar golos e recuperar a bola.
  • Os princípios são a base da tática: ensinam-se antes dos sistemas.

Bloco 4 · Técnica individual

Metodologia das ações técnicas individuais

Etapas de aprendizagem de um gesto:

  1. Demonstrar e explicar (poucas palavras).
  2. Experimentar sem pressão.
  3. Repetir com correção.
  4. Variar distâncias, direções e velocidades.
  5. Aplicar com oposição.
  6. Aplicar em jogo reduzido e formal.

Cada gesto tem componentes críticas (posição do corpo, pé de apoio, zona de contacto, movimento, olhar, continuidade).

Ações individuais (finta, remate) e ações coletivas (tabela, cobertura) encaixam-se no jogo.

Receção e condução

Receção: controlar a bola e deixá-la orientada para a ação seguinte.

Superfície Uso
Interior do pé bolas rasteiras
Exterior do pé com mudança de direção
Planta do pé amortecer e parar
Coxa, peito bolas em arco ou altas

Condução: levar a bola em progressão, cabeça levantada, bola perto do pé. Em velocidade, exterior ou peito do pé; em espaço curto, toques curtos e frequentes.

Proteção, simulação, drible e finta

  • Proteção: corpo entre o adversário e a bola, bola no pé mais afastado, sem agarrar nem empurrar.
  • Simulação e finta: movimento de engano credível (corpo e olhar), com saída explosiva.
  • Drible: ultrapassar o adversário mantendo a bola.
  • Mudanças de ritmo e de direção são as mais eficazes.

Dribla-se quando é preciso, não por hábito. Simular uma falta para enganar o árbitro é antidesportivo e é punido.

O passe

Tipo Superfície Uso
Curto rasteiro interior do pé circulação segura
Longo peito do pé mudança de corredor
De exterior exterior do pé passe rápido
Em profundidade interior ou peito do pé colocar um colega em frente
De cabeça testa bolas altas

Componentes críticas: pé de apoio ao lado da bola, orientado para o alvo; pé de passe rígido; seguimento do movimento.

Um bom passe tem direção, força, timing e oportunidade.

Remate

Tipo Quando
Peito do pé potência, média e longa distância
Interior curta distância, precisão
Exterior ângulos difíceis, com efeito
Volley (em voo) bola no ar
Bola parada livres, grandes penalidades

Componentes: pé de apoio ao lado da bola e orientado para o alvo; tronco sobre a bola; contacto no centro; seguimento; olhar na bola.

No futsal, o remate faz-se com pouco balanço e muitas vezes de primeira.

Cabeceamento

  • Contacto com a testa, nunca no topo da cabeça.
  • Olhos abertos, boca fechada, pescoço firme.
  • O corpo vai à bola; a cabeça não a espera.
  • Salto com um ou dois pés, tronco a «chicotear».
  • Usa-se para cortar, rematar, desviar ou passar.

Na formação: bolas leves e macias, poucas repetições e respeito pelas orientações em vigor das entidades desportivas e de saúde para as idades mais baixas.

Técnica defensiva: desarme, interceção e carga

  • Desarme: recuperar a bola sem falta. Distância certa, postura baixa, paciência.
  • Interceção: cortar a linha de passe. Exige leitura de jogo e antecipação.
  • Carga: contacto legal ombro com ombro, na disputa da bola.
Ação Legal quando Falta quando
Desarme atinge primeiro a bola atinge primeiro o adversário
Carga ombro com ombro, à bola braços, costas, sem disputa

O desarme a deslizar é perigoso: na formação evita-se.

Técnica de guarda-redes

  • Posição fundamental: pés à largura dos ombros, joelhos fletidos, mãos à frente.
  • Ações: deslocação lateral, receção de bola rasteira e alta, defesa com mergulho, desvio, saída aos pés, reposição com mãos e com pé.
  • Redução do ângulo: avançar para fechar a baliza ao atacante.
  • Futsal: o guarda-redes é também jogador de campo e tem restrições no uso das mãos e dos pés.
  • Comunicação: orientar a defesa com a voz.

Bloco 5 · Tática coletiva e jogos

Ações táticas coletivas

Ofensivas Defensivas
Passe e desmarcação Marcação individual
Tabela (um-dois) Marcação à zona
Cruzamento Marcação mista
Troca de posições Pressing
Mudança de flanco Basculação
Contra-ataque Cobertura e compensação
Ataque organizado Defesa alta ou baixa

A técnica diz como se faz o gesto, a tática diz onde, quando e porquê.

Sistemas de jogo

Modalidade Sistema Leitura
Futebol de onze 4-4-2 4 defesas, 4 médios, 2 avançados
Futebol de onze 4-3-3 4 defesas, 3 médios, 3 avançados
Futebol de onze 4-2-3-1 4, 2, 3 e 1
Futsal 2-2 quadrado
Futsal 1-2-1 losango
Futsal 4-0 rotação sem pivô fixo

Nenhum sistema é «o melhor». Escolhe-se pelos jogadores, pelo adversário e pela ideia de jogo.

Jogos pré-desportivos

Jogos simplificados que preparam para o futebol e o futsal sem a complexidade do jogo formal.

  • Dez passes: passe, desmarcação e apoio.
  • Bola ao capitão: passe e orientação do corpo.
  • Slalom com bola: condução e domínio.
  • Caça à bola: proteção da bola.

Vantagens: motivação, muitos toques, regras simples. São a porta de entrada nos escalões mais baixos.

Jogos reduzidos

Formato Foco
1 contra 1 drible, proteção, desarme
2 contra 1 passe, desmarcação, decisão
3 contra 3 apoio, cobertura
4 contra 4 mudança de flanco, transições
5 contra 5 organização coletiva

Variáveis a manipular: espaço, número de jogadores, balizas e regras adicionais. Menos espaço significa mais pressão e decisões mais rápidas.

Bloco 6 · Treino: planear, executar e avaliar

Planear o treino

Nível Duração
Plano de época meses
Ciclo semanas
Microciclo uma semana
Unidade de treino 60 a 90 minutos

Objetivos de preparação: técnica, tática, física e psicológica.

Um bom objetivo é específico, mensurável, realista e com prazo.

Exemplo: «em quatro sessões, sete passes certos em dez, a seis metros».

Plano adequado à faixa etária

Idade Orientação
6 a 8 anos jogos lúdicos, muitos toques, sem tática
9 a 11 anos técnica em jogo, jogos reduzidos
12 a 14 anos técnica refinada, tática simples, cuidado com cargas
15 a 18 anos sistemas, especialização gradual

Estrutura da sessão: parte inicial 15 a 20 % (aquecimento com bola), parte fundamental 60 a 70 % (exercícios do analítico ao jogo), parte final 10 a 15 % (retorno à calma e balanço). Numa sessão de 60 minutos: 10 + 42 + 8.

Trabalho : descanso, como referência: 2 min : 1 min dos 9 aos 11 anos e 3 min : 1 min dos 12 aos 14.

Fases do treino

Fase O que acontece
Avaliação inicial observar o ponto de partida
Informação inicial apresentar objetivos e regras
Instrução demonstrar e explicar
Diagnóstico e prescrição observar, identificar falhas, prescrever atividade
Conclusão retorno à calma, balanço
Avaliação final verificar objetivos

O ciclo repete-se: a avaliação final de um ciclo é a inicial do seguinte.

Avaliar competências-base e definir critérios

Competência Tarefa Indicador
Passe 10 passes a 6 m passes certos
Receção 10 receções orientadas controladas
Condução slalom tempo e perdas
Remate 5 remates ao alvo
Atitude observação cooperação e respeito

Momentos: inicial (diagnóstico), formativa (ajustar) e final (verificar). Escala simples de quatro níveis.

Bloco 7 · Correção técnica, segurança e situações críticas

Protocolo de correção técnica

  1. Observar o gesto completo.
  2. Identificar o erro principal e a causa, um de cada vez.
  3. Reforçar o que está bem.
  4. Corrigir dizendo o que fazer, com demonstração.
  5. Praticar de novo.
  6. Verificar se a correção resultou.
  7. Registar a evolução.

Os sete passos são uma proposta deste curso, que desenvolve a fase de diagnóstico e prescrição do referencial.

Corrigir um gesto não é criticar a pessoa: é dar uma instrução que o praticante consiga aplicar na tentativa seguinte.

Feedback construtivo e comunicação

O feedback deve ser específico, oportuno, positivo na forma e orientado para a ação.

Tipo Exemplo
Descritivo «a bola subiu porque o tronco ficou atrás»
Prescritivo «inclina o tronco sobre a bola»
Positivo «o pé de apoio está ótimo»
Interrogativo «o que mudarias?»

Comunicar: voz, corpo, sinais, exemplo; mensagens curtas; verificar compreensão; adaptar à idade.

Normas de segurança

Antes: verificar espaço, piso, balizas e material; equipamento adequado; contactos de emergência; kit de primeiros socorros.

Durante: aquecimento, progressão da carga, hidratação, atenção à fadiga e ao clima.

Depois: retorno à calma, arrumar, registar incidentes.

Risco Prevenção
Entorse piso e calçado certos, aquecimento
Distensão progressão de carga
Desidratação água e pausas
Pancada na cabeça parar e avaliar, não voltar ao jogo

Em caso de acidente

  1. Parar a atividade e proteger o local.
  2. Avaliar: consciência, respiração, queixas.
  3. Chamar o 112 em caso de gravidade ou dúvida.
  4. Não mover quem tenha lesão na cabeça, pescoço ou coluna.
  5. Primeiros socorros dentro da formação que se tem.
  6. Avisar os responsáveis e registar.

Na dúvida sobre uma pancada na cabeça, o praticante não volta ao jogo.

Situações críticas no treino

Exemplos: conflito entre praticantes, lesão, recusa em participar, pais que interferem, falta de material, grupo muito heterogéneo.

Método: calma, identificar, proteger, decidir, comunicar, registar, refletir.

Situação Resposta
Conflito separar, ouvir cada um em privado, consequência proporcional
Grupo heterogéneo diferenciar tarefas
Falta de material adaptar os exercícios
Insulto parar o jogo, aplicar o código de conduta

Fluxo completo e boas práticas

Preparar material -> planear -> instruir -> observar -> corrigir -> avaliar -> registar
  • Segurança primeiro, sempre.
  • Ensinar pelo jogo, com técnica ao serviço da decisão.
  • Um erro de cada vez, com feedback positivo e claro.
  • Respeitar diferenças individuais e o espírito desportivo.
  • Cumprir e fazer cumprir as regras e normas definidas.

Estas atitudes são avaliadas tanto como os conhecimentos.

Recapitulando

  • Futebol e futsal são jogos coletivos de invasão, com regras, espaços e tempos próprios e valores comuns.
  • As regras do jogo e o regulamento da prova são coisas diferentes; adaptar o regulamento à idade é pedagogia.
  • A técnica individual ensina-se por etapas, observando componentes críticas, e serve a decisão em jogo.
  • A tática organiza os processos ofensivo e defensivo, com princípios antes de sistemas.
  • O treino planeia-se, executa-se por fases e avalia-se; corrige-se com o protocolo de correção técnica.
  • Segurança e espírito desportivo acompanham todas as decisões.

Próximo: fichas e mini-projeto, planear e conduzir uma sessão.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a decisão é o centro do jogo, a técnica está ao serviço dela - erro comum: tratar o futebol como uma soma de gestos isolados - exemplo: um quatro contra quatro em espaço pequeno já tem cooperação, oposição, alvo e regras

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as duas modalidades complementam-se, o futsal ensina decisão rápida em espaço curto - erro comum: tratar o futsal como futebol em ponto pequeno - exemplo: no futsal o cronómetro pára quando a bola sai, no futebol corre sempre

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as regras evoluíram para tornar o jogo mais justo, claro e seguro - pergunta: porque é que o futsal nasceu como adaptação do futebol? - exemplo: pedir aos alunos que situem um marco da história numa linha do tempo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os valores ensinam-se pelo exemplo do técnico - erro comum: falar de valores sem os tornar observáveis e avaliáveis - exemplo: pedir ao capitão que seja o único a falar com o árbitro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: instruções curtas, com termos que todos percebem - erro comum: usar termos técnicos sem os explicar a principiantes - exemplo: pedir a um aluno que explique «cobertura» por palavras suas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o vocabulário técnico é a base para observar e corrigir - erro comum: confundir desarme com interceção - exemplo: interceção corta a linha de passe, desarme recupera a bola ao portador

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o tombo de uma baliza é um dos acidentes mais graves, a fixação é obrigatória - erro comum: deixar para depois a verificação das bolas e do piso - exemplo: preparar o material dez minutos antes de os alunos chegarem

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: preparar é a primeira realização da UC e faz parte da segurança - erro comum: montar os exercícios com os alunos já à espera - exemplo: para 16 jovens em dois campos de 4 contra 4, calcular bolas, coletes e cones

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o regulamento da prova decide escalões, formatos, substituições e desempates - erro comum: confundir regra de jogo com regulamento da prova - exemplo: a duração dos períodos nos escalões jovens vem do regulamento da prova

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: adaptar é pedagogia, não facilitismo - erro comum: aplicar as regras de adultos a crianças de 7 anos - exemplo: três contra três, sem guarda-redes fixo, para crianças de 8 anos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o recomeço depende de quem tocou por último e da linha por onde a bola saiu - erro comum: confundir pontapé de canto com pontapé de baliza - exemplo: bola sai pela linha de fundo tocada por último por um defesa, canto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: fora de jogo avalia-se no momento do passe - erro comum: dizer que estar em fora de jogo é sempre falta - exemplo: o atacante em posição irregular que não toca na bola não é punido

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: faltas acumuladas e quatro segundos mudam a gestão do jogo - erro comum: pensar que no futsal se joga com as regras do futebol - exemplo: quinta falta acumulada, o técnico pede cuidado para não oferecer a sexta

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o espaço condiciona o ritmo, a decisão e o tipo de passe - erro comum: usar um campo grande demais para o número de jogadores - exemplo: calcular área por jogador num relvado e num pavilhão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada zona pede decisões diferentes - erro comum: arriscar dribles perto da própria baliza - exemplo: um erro na zona defensiva custa um golo, na ofensiva custa uma oportunidade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: tempo útil é diferente de tempo corrido - erro comum: esquecer pausas de hidratação em dias quentes - exemplo: jogos de cinco minutos com rotação de equipas para crianças pequenas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o jogo é uma sucessão de processos e transições, não só de ataque e defesa - erro comum: ignorar as transições, onde nascem muitos golos - exemplo: perder a bola e reagir de imediato com pressão ao portador

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: princípios primeiro, sistemas depois - erro comum: entrar no desarme sem cobertura quando o princípio é a contenção - exemplo: o colega que se oferece em apoio cria uma linha de passe

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: passar de fase quando o gesto estiver dominado em cerca de 7 em cada 10 tentativas - erro comum: ficar na repetição analítica e nunca chegar ao jogo - exemplo: ensinar o passe de interior em pares, depois três contra um, depois jogo reduzido

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: amortecer é recuar a superfície de contacto no momento do toque - erro comum: olhar só para a bola e não para o espaço - exemplo: receber com o pé de fora para já sair com a bola orientada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o engano tem de ser credível, senão o defesa não reage - erro comum: driblar sempre, mesmo quando há um colega livre - exemplo: finta de corpo para um lado e saída para o outro com o exterior do pé

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o passe é a ação coletiva mais frequente do jogo - erro comum: passe certo no momento errado continua a ser mau passe - exemplo: passe rasteiro de interior para o colega livre a cinco metros

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pé de apoio e tronco sobre a bola resolvem a maioria dos remates por cima da trave - erro comum: corrigir potência antes de precisão - exemplo: dez remates e contar os que ficam no alvo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: segurança primeiro, poucas repetições nas idades baixas - erro comum: cabecear com o topo da cabeça ou de olhos fechados - exemplo: começar com uma bola leve suspensa para treinar o contacto com a testa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: primeiro contenção, depois desarme - erro comum: entrar de forma precipitada e ser driblado - exemplo: orientar o atacante para a linha lateral até chegar a cobertura

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o guarda-redes começa a jogada ofensiva e organiza a defesa - erro comum: avançar demasiado e ser batido por um chapéu - exemplo: reposição rápida com as mãos no futsal para lançar o contra-ataque

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a tática organiza as ações dos jogadores em função da bola, dos colegas, dos adversários e do espaço - erro comum: pedir tática sem a técnica mínima - exemplo: tabela entre dois jogadores para ultrapassar um defesa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: na formação trabalham-se princípios, não sistemas rígidos - erro comum: fixar uma criança numa só posição - exemplo: ler o 4-3-3 e identificar vantagens e riscos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o jogo é o melhor professor nas idades mais baixas - erro comum: começar logo pelo jogo formal de onze - exemplo: jogo dos dez passes em equipas de cinco contra cinco

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico desenha o exercício para provocar o comportamento que quer ver - erro comum: jogo reduzido sem objetivo definido - exemplo: só vale golo se todos tocarem na bola para trabalhar a circulação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: planear é antecipar o quê, como, com que material e para quê - erro comum: objetivos vagos como «melhorar o jogo» - exemplo: transformar «melhorar o passe» num objetivo mensurável

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a faixa etária condiciona duração, complexidade e linguagem - erro comum: treinar crianças como se fossem adultos em ponto pequeno - exemplo: montar uma sessão de 60 minutos para 9 a 11 anos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o diagnóstico decide a atividade seguinte, não o plano rígido - erro comum: seguir o plano à letra ignorando o que se observa - exemplo: o grupo falha o passe, prescreve-se um exercício mais simples

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: critérios definidos antes de avaliar, não depois - erro comum: avaliar só o resultado e esquecer a atitude - exemplo: grelha com escala de 0 a 10 passes certos dividida em quatro níveis

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um erro de cada vez, começando pelo que causa os outros - erro comum: corrigir cinco coisas ao mesmo tempo - exemplo: remate por cima da trave, corrigir primeiro o pé de apoio

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: dizer o que fazer, não só o que está mal - erro comum: elogio vazio ou crítica pública - exemplo: trocar «estás mal» por «leva o pé de apoio mais perto da bola»

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a segurança dos participantes é um critério de desempenho - erro comum: considerar o aquecimento opcional - exemplo: piso escorregadio, isolar a zona ou mudar de espaço

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: calma, ordem das ações e registo - erro comum: deixar o praticante voltar ao jogo para não perder um jogador - exemplo: simular em grupo o protocolo com um colega a fingir uma queda

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: agir com calma e coerência, aplicando as regras definidas - erro comum: reagir com impulsividade ou ignorar o problema - exemplo: dois jovens discutem, separar, ouvir em privado e voltar às regras

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fluxo é o fio condutor da UC e das quatro realizações - erro comum: tratar cada tema isoladamente - exemplo: percorrer o fluxo com uma sessão de 60 minutos planeada pelos alunos