UC03532

Executar massagem geotermal

Preparar, instalar, aplicar pedras com segurança e avaliar o utente numa estância termal

Curso profissional · 25h · Técnico/a de Termalismo

Plano

  1. Enquadramento e papel do técnico
  2. Preparar o local de trabalho
  3. Higiene e manutenção do equipamento
  4. Pele, circulação e linfáticos
  5. Termoterapia e pedras geotérmicas
  6. Contraindicações e reações adversas
  7. Ficha, comunicação e ética
  8. Instalar o utente e manobras
  9. Avaliação e emergências
  10. Reflexologia, chacras e aromaterapia
  11. Reclamações, qualidade e segurança no trabalho

Bloco 1 · Enquadramento e papel do técnico

O que é a massagem geotermal

  • Serviço de bem-estar em que se usam pedras lisas, geralmente de basalto, aquecidas em água (ou arrefecidas).
  • As pedras são colocadas em zonas de apoio e deslizadas com óleo sobre a pele.
  • Prestado numa estância termal, com regulamento interno, direção clínica e protocolos.
  • O calor relaxa, mas é também o maior risco: queimadura.

Sensação de bem-estar, nunca promessa de cura.

O que o técnico faz e o que não faz

  • Faz: prepara o espaço, recebe o utente, preenche a ficha, aplica o protocolo, observa e regista.
  • Encaminha para o profissional de saúde quando há sinais de alarme ou dúvida.
  • Não diagnostica. Não prescreve. Não promete curas.
  • Não altera nem aconselha suspender medicação.
  • Atua dentro do regime jurídico da atividade termal (Decreto-Lei n.º 142/2004, na redação em vigor): o titular contrata o diretor clínico e o corpo clínico.

Decisão clínica é do profissional de saúde; segurança e execução são do técnico.

Atitudes profissionais esperadas

  • Responsabilidade, autonomia, empenho e autoconfiança.
  • Sentido de organização e cooperação com a equipa.
  • Assertividade e empatia na comunicação.
  • Apresentação cuidada; respeito pela privacidade e pelas diferenças individuais.
  • Respeito pela ética, pelas normas de segurança e saúde no trabalho e pelas normas da qualidade.
  • A atitude-chave: prudência. Parar e perguntar é sempre uma decisão profissional.

A autonomia exerce-se dentro do protocolo.

Bloco 2 · Preparar o local de trabalho

Organização física do espaço

  • Mesa estável e higienizada; aquecedor com termostato, longe da passagem.
  • Mesa auxiliar com óleos, toalhas, termómetro, colher, recipiente de água fria.
  • Pedras quentes e frias separadas e identificadas.
  • Kit de primeiros socorros e contactos de emergência visíveis.
  • Percurso aquecedor-mesa curto, seco e sem cabos no chão.

Nunca transportar pedras quentes por um piso molhado.

Condições ambientais

  • Luminosidade: suave e regulável, mas suficiente para ver a pele do utente.
  • Humidade e ventilação: ambiente nem seco nem abafado; atenção a pisos molhados em estâncias termais.
  • Temperatura da sala: confortável para quem está parcialmente despido, sem correntes de ar.
  • Ruído baixo; aromas discretos; privacidade garantida.
  • Valores numéricos da sala seguem o protocolo do estabelecimento.

Um utente com frio contrai-se e relaxa menos.

Ergonomia do técnico

  • Mesa à altura certa: cotovelos ligeiramente fletidos, costas direitas.
  • Pés bem apoiados; usar o peso do corpo, não só os braços.
  • Pulsos neutros: evitar a hiperextensão ao deslizar a pedra.
  • Alternar mãos e posições; micro-pausas.
  • Não levantar o aquecedor cheio de água quente; usar colher ou pinça.

Quem se lesiona não cuida de ninguém.

Lista de verificação de abertura

  • Aquecedor ligado cedo, com água na quantidade indicada e pedras totalmente imersas.
  • Dois termómetros: o do aparelho e um independente.
  • Toalhas secas, óleos separados, água fria à mão.
  • Mesa higienizada e forrada; sala arrumada.
  • Ficha do utente, protocolo e kit de primeiros socorros disponíveis.
  • Mãos lavadas e farda limpa.

A primeira etapa é aquecer cedo; a última é medir e testar.

Bloco 3 · Higiene e manutenção do equipamento

Higiene do técnico

  • Mãos lavadas antes e depois de cada utente; unhas curtas.
  • Sem anéis, pulseiras ou relógio; cabelo apanhado.
  • Farda limpa e calçado fechado antiderrapante.
  • Com sintomas de doença contagiosa, não se presta o serviço.
  • Sem luvas nas mãos que seguram as pedras: a mão nua é o teste de segurança.

Se a pedra incomoda a mão do técnico, não vai para o utente.

Higienizar as pedras

  • Depois de cada utente: remover o óleo, lavar com detergente, desinfetar com produto adequado, enxaguar e secar.
  • Respeitar o tempo de contacto do desinfetante.
  • Guardar secas, sem óleo, em recipiente próprio.
  • Pedras rachadas ou porosas retiram-se do uso: retêm sujidade e podem partir-se.
  • Pedra caída ao chão: inspecionar e higienizar antes de reutilizar.

Pedra rachada nunca vai para o aquecedor.

Manutenção do aquecedor

  • Esvaziar, limpar e secar a cuba no fim do dia.
  • Água na quantidade do fabricante; pedras imersas; tampa sem reter calor em excesso.
  • Termómetro independente; o do aparelho pode estar descalibrado.
  • Aquecedor sobreaquecido: desligar; nunca arrefecer com gelo ou água muito fria.
  • Cabos e ficha sem danos; registo de manutenção.

Aquecer sempre em água; nunca a seco, no forno ou no micro-ondas.

Bloco 4 · Pele, circulação e linfáticos

Anatomia da pele e anexos

  • Epiderme: barreira exterior. Derme: vasos, nervos, glândulas, onde se sente o calor e a dor. Hipoderme: tecido gordo, isolamento.
  • Anexos: pelos e folículos, glândulas sebáceas e sudoríparas, unhas.
  • Pele idosa e infantil é mais fina e vulnerável ao calor.
  • Sensibilidade reduzida (neuropatia, cicatrizes) esconde o calor excessivo.

Quem não sente o calor não pode avisar.

Observar e preparar a pele

  • Observar cor, temperatura, integridade e textura.
  • Não aplicar na zona: feridas, queimaduras solares, erupções, eczema ou psoríase ativos, infeção, nódoas recentes.
  • Varizes salientes e cicatrizes recentes: evitar calor e pressão.
  • Pele limpa, sem cremes pesados; perguntar por alergias a óleos.
  • Óleo para deslizar e distribuir o calor; o controlo da temperatura faz-se antes de a pedra tocar a pele.

Pintas ou manchas suspeitas: não opinar, sugerir observação médica.

Sistema circulatório

  • Coração, artérias, capilares e veias; as veias dos membros inferiores têm válvulas.
  • O calor causa vasodilatação: rubor, calor e, por vezes, descida da pressão arterial.
  • Varizes e insuficiência venosa: calor e pressão podem agravar.
  • Trombose: contraindicação grave, risco de embolia.
  • Anticoagulantes e antiagregantes: mais risco de nódoas negras e hemorragia.

O levantar no fim é um momento de risco para tonturas.

Sistema linfático

  • A linfa é recolhida e devolvida ao sangue; passa por gânglios (pescoço, axilas, virilhas).
  • Sem bomba própria: depende de músculos, respiração e pulsação das artérias.
  • Zonas de gânglios: sem pressão forte.
  • Edema e linfedema: só com autorização do profissional de saúde; o calor pode agravar.
  • Manobras de deslizamento seguem dos extremos para o centro.

Gânglios inchados e dolorosos: não aplicar, encaminhar.

Bloco 5 · Termoterapia e pedras geotérmicas

Princípios básicos de termoterapia

  • Condução: contacto direto (pedra na pele). Convecção: fluido (água, ar). Radiação. Evaporação.
  • Efeitos do calor: vasodilatação, mais fluxo sanguíneo local, relaxamento, sudação.
  • Excessos: queimadura, desidratação, tonturas, descompensação cardiovascular.
  • Frio: vasoconstrição; contraste com pedras frias; nunca gelo direto na pele.

Resposta ao calor varia com a pessoa, o dia, a medicação e o álcool.

Porque é que o calor queima

  • O dano depende de temperatura × tempo de contacto.
  • Agravantes: pele fina, humidade (conduz melhor o calor), pressão (reduz o fluxo que arrefece), sensibilidade reduzida.
  • Consequências práticas: nunca pedra estática em pele nua; barreiras secas; tempos curtos; verificar e perguntar.
  • Causas mais comuns de queimadura: pedra parada na pele nua e pedra deixada debaixo do utente.

Uma marca delimitada com a forma da pedra é sinal de calor a mais.

Tipos de pedras e o aquecimento

  • Basalto: escuro, denso, retém o calor. Mármore e pedras claras: retêm o frio.
  • Pedras lisas, sem fissuras, sem arestas, sem poros com óleo.
  • Aquecer em água, pedras totalmente imersas, aquecedor com termostato.
  • Referência de formação para a água do aquecedor: cerca de 49 a 54 °C (120 a 130 °F). Teto: nunca acima de 54 °C, nem do limite do protocolo.
  • Nenhuma pedra vai à pele à temperatura do aquecedor: seca, testada, com barreira.
  • Utentes de risco: pedras claramente mais mornas, sempre testadas.

A temperatura na pele é a mais baixa que dê conforto.

Controlo da temperatura

  • Verificar com dois dispositivos; de forma regular durante o serviço (por exemplo de cinco em cinco minutos).
  • Teste da mão sem luvas, cerca de cinco segundos: se não se segura com conforto, não vai para o utente.
  • Se o termómetro e a mão discordam: parar e verificar os aparelhos.
  • Secar a pedra antes de a pousar.
  • Aquecedor sobreaquecido: desligar, não usar as pedras, não arrefecer com gelo.

Em dúvida, a pedra volta à água, nunca ao utente.

Normas de colocação das pedras

  • Duas camadas de tecido seco em pedras estáticas.
  • Nunca debaixo do utente; nunca parada em pele nua; nunca reaquecer sobre o utente.
  • Sem pedras quentes sobre ossos salientes, abdómen, rosto, entre os dedos, zonas íntimas, salvo protocolo expresso.
  • Tempo curto por pedra e verificação frequente da pele; contar as pedras no início e no fim.
  • Duração do serviço e de cada pedra: a do protocolo do estabelecimento.

Quanto mais frágil o utente, mais curto o tempo e mais frequentes as verificações.

Bloco 6 · Contraindicações e reações adversas

Absoluta, relativa e local

  • Absoluta: não se aplica (febre, infeção aguda, álcool ou drogas, trombose).
  • Relativa: só com autorização do profissional de saúde e adaptações.
  • Local: não se aplica na zona afetada (pele lesada, varizes, equimoses).
  • O técnico rastreia pela ficha e pela conversa; a decisão clínica não é sua.
  • Em dúvida: não aplicar e encaminhar.

As tabelas de aula apoiam a aprendizagem; vale a ficha do estabelecimento.

Contraindicações críticas (1)

  • Diabetes: sensibilidade e cicatrização podem estar reduzidas; sem autorização, sem calor; nunca calor em pés sem sensibilidade.
  • Neuropatia: não aplicar calor nas zonas afetadas.
  • Gravidez: nunca calor extenso nem abdómen; qualquer pedra quente só com autorização expressa.
  • Doença cardiovascular: não controlada, adiar; controlada, só com autorização.
  • Varizes: evitar a zona.

Perguntar sempre; registar sempre.

Contraindicações críticas (2)

  • Pele comprometida: feridas, queimaduras, eczema, psoríase ativa, infeção, erupção, queimadura solar.
  • Doença oncológica: só com autorização da equipa de saúde que acompanha o utente.
  • Anticoagulantes ou antiagregantes: risco de nódoas e hemorragia; autorização e pressão leve.
  • Trombose, flebite ou coágulos: não aplicar; encaminhar.
  • Febre, infeção aguda, álcool, drogas ou sedação: adiar.
  • Edema, linfedema, pacemaker, epilepsia, osteoporose grave: autorização.
  • Doenças autoimunes, arteriopatia, intolerância ao calor (esclerose múltipla), distúrbios de coagulação: autorização.

Crianças e idosos: calor reduzido e mais verificações.

A medicação e a conversa

  • Pergunta-se para identificar risco, não para avaliar fármacos.
  • Alertas: anticoagulantes, anti-hipertensores, fármacos da diabetes, corticoides, sedativos e analgésicos fortes.
  • Pergunta útil: "Há algum medicamento ou doença em que o médico tenha dito para ter cuidado com o calor?"
  • Nunca aconselhar mudar ou parar medicação.
  • Resposta duvidosa na ficha: esclarecer antes de aplicar.

A ficha é uma conversa, não um formulário.

Reações adversas

  • Calor excessivo: retirar a pedra, arrefecer, observar.
  • Tontura ou hipotensão: parar, deitar, ar fresco, água.
  • Dispneia, dor no peito, palpitações: emergência.
  • Reação alérgica: parar o produto; se há dificuldade respiratória, emergência.
  • Nódoas negras ou dor depois do serviço: registar e informar o estabelecimento.

Parar primeiro, perguntar depois.

Bloco 7 · Ficha, comunicação e ética

A ficha do utente e o consentimento

  • Identificação, motivo, saúde, medicação, alergias, contraindicações, observação da pele, preferências, consentimento, registo.
  • Preencher com o utente, em local reservado, sem campos de saúde em branco.
  • Dados de saúde são dados pessoais sensíveis: confidencialidade e proteção.
  • Consentimento informado: explicar o serviço e os riscos; o utente pode recusar ou parar a qualquer momento.

Conversar não é só carimbar uma assinatura.

Técnicas de comunicação

  • Acolhimento, escuta ativa, perguntas abertas e fechadas.
  • Explicar antes de fazer e verificar durante.
  • Linguagem acessível: "inchaço" em vez de "edema".
  • Assertividade: dizer não com respeito e sem ceder em segurança.
  • Empatia: reconhecer o que o utente sente.

Um não bem comunicado protege o utente e a relação.

Ética em saúde

  • Autonomia: o utente decide. Beneficência e não maleficência: fazer bem e não causar dano.
  • Justiça: respeito igual por todos. Confidencialidade e privacidade.
  • Pudor: cobrir sempre o que não se trabalha.
  • Competência e honestidade: só o que sabe, sem prometer curas.
  • Limites: sem contacto fora do serviço, sem comentar o corpo nem a vida pessoal do utente.

Em dúvida sobre segurança, prevalece a não maleficência.

Bloco 8 · Instalar o utente e manobras

Receção e instalação

  • Acolher, rever ficha, explicar, obter consentimento.
  • Retirar relógios e joias; casa de banho antes de começar.
  • Privacidade para despir; só regressar com o utente deitado e coberto.
  • Ajudar a subir e descer da mesa; mesa travada.
  • Mostrar como pedir ajuda e que pode dizer "está quente" a qualquer momento.

Oferecer água e confirmar se tem frio.

Posições e cobrir

  • Decúbito ventral: apoio sob os tornozelos e face apoiada.
  • Decúbito dorsal: almofada sob os joelhos; nunca pedras debaixo do utente.
  • Lateral e semissentado: mediante indicação e conforto.
  • Coluna alinhada, articulações apoiadas, sem forçar quem tem dor.
  • Cobrir e descobrir só a zona em trabalho: pudor, calor e proteção da pele.

A posição adapta-se à pessoa, não o contrário.

Tipos de manobras com pedras

  • Colocação estática (com barreira): sacro, costas, palmas, plantas dos pés quando permitido.
  • Deslizamento: longo e lento, com óleo, no sentido do retorno venoso.
  • Amassamento e fricção em pontos com pressão moderada, nunca dolorosa.
  • Pedras frias em contraste, por pouco tempo.
  • Evitar pressão sobre a coluna e saliências ósseas.

Uma mão ou uma pedra mantém sempre o contacto.

Sequência típica de um serviço

  • Acolhimento e rastreio, preparação, aquecer a zona com as mãos.
  • Colocação inicial com barreira, deslizamentos por segmentos, pausas e verificações.
  • Mudança de posição, trabalho final mais suave.
  • Retirar e contar as pedras; repouso; água; levantar devagar.
  • Registo na ficha.

O protocolo do estabelecimento fixa a sequência.

Zonas e cuidados por região

  • Costas: zona principal; sem pressão sobre a coluna.
  • Ombros e pescoço: pedras pequenas, pressão leve.
  • Pernas: varizes, edema, trombose; sentido ascendente.
  • Pés: sensibilidade frequentemente reduzida em diabéticos; sem calor sem autorização.
  • Abdómen e rosto: sem pedras quentes. Zonas íntimas e mamas: nunca.

Cada região tem o seu risco.

Bloco 9 · Avaliação e emergências

Avaliar antes, durante e depois

  • Antes: estado geral, como se sente, febre, tonturas, álcool, ficha e pele.
  • Durante: conforto térmico, pele, respiração, cor e suor, consciência, dor.
  • Depois: pele, tonturas ao levantar, indicações simples.
  • Não depender só do que o utente diz: verificar a pele e a pedra.
  • Registar factos, não interpretações.

Avaliar é observar, perguntar e registar, não diagnosticar.

Rubor normal e rubor anormal

  • Normal: rosado, uniforme, difuso, desvanece em minutos, sem dor.
  • Alerta: vermelho intenso, manchas, branqueamento, bolhas.
  • Delimitado com a forma da pedra: sinal de calor excessivo.
  • Dor ou ardor que persiste, ou que agrava horas depois: informar o estabelecimento.
  • Retirar, arrefecer sem gelo, não retomar a zona.

Quando a marca tem a forma da pedra, o calor foi de mais.

Procedimentos de emergência: PAS

  • Proteger, Alertar (chefia, profissional de saúde, 112), Socorrer.
  • Saber onde estão o telefone, o kit de primeiros socorros e o desfibrilhador (se existir).
  • Queimadura: retirar a fonte, água corrente fria durante 15 a 20 minutos (DGS), sem gelo, sem pomadas, sem rebentar bolhas, cobrir sem apertar e evitar a hipotermia.
  • 112 se a queimadura é extensa, funda, no rosto, mãos, genitais ou articulações.

O protocolo do estabelecimento prevalece.

Desmaio, hipoglicemia e dor no peito

  • Desmaio ou tontura: parar, deitar, pernas elevadas se não houver contraindicação, ar fresco; nada pela boca se inconsciente.
  • Hipoglicemia (suor frio, tremores, confusão): seguir o procedimento do estabelecimento; inconsciente, 112.
  • Dor no peito, falta de ar, sinais de AVC: parar, alertar, 112.
  • Alergia com inchaço da face ou dificuldade respiratória: 112.
  • Depois: relatório factual e revisão com a equipa.

Nenhuma massagem justifica continuar com um utente que está mal.

Bloco 10 · Reflexologia, chacras e aromaterapia

Reflexologia: noções e procedimento

  • Pressão em zonas dos pés, mãos ou orelhas associadas a regiões do corpo num mapa: prática complementar de relaxamento.
  • O técnico não lê o pé para diagnosticar nem promete efeitos clínicos.
  • Contraindicações locais: feridas, infeções, varizes, edema, trombose, pé diabético ou neuropatia, fraturas ou cirurgia recente.
  • Passos: verificar, posicionar, higienizar, aquecer o pé, percorrer as zonas, perguntar a pressão, terminar suave, registar.
  • Pressão firme mas confortável; dor nunca.

Pedras nos pés: só mornas e só com a ficha a permitir.

Chacras

  • Sete centros simbólicos da tradição indiana: raiz, sacral, plexo solar, cardíaco, laríngeo, frontal, coronário.
  • Quadro simbólico e de bem-estar, não modelo científico de anatomia ou fisiologia.
  • Se o protocolo alinha pedras segundo os chacras, aplicam-se as mesmas regras de segurança.
  • Respeitar as crenças do utente, ou a ausência delas; oferecer uma sequência neutra.
  • Nunca explicar doenças com chacras.

A teoria é opcional; a segurança, nunca.

Noções de aromaterapia

  • Óleos essenciais: concentrados voláteis de plantas; nunca puros na pele; diluir em óleo de base.
  • Adulto saudável, massagem corporal: diluição habitual de 1 a 3 %; mais baixa em pele sensível, idosos, gravidez ou doença, e nestes dois últimos só com autorização.
  • Riscos: irritação, alergia, fototoxicidade (alguns citrinos), gravidez, asma, epilepsia, hipertensão.
  • Nunca ingerir; armazenar em vidro escuro, fechado, longe do calor.
  • O estabelecimento define os óleos e as misturas autorizadas.

Exemplo de cálculo: 30 ml a 2 % = 0,6 ml de óleo essencial.

Bloco 11 · Reclamações, qualidade e segurança no trabalho

Reclamações dos utentes

  • Causas frequentes: espera, calor excessivo, pressão, privacidade, higiene, expectativas irreais.
  • Passos: escutar, reconhecer, perguntar, resolver o que está ao alcance, encaminhar, registar, fechar.
  • Livro de reclamações nos termos da lei em vigor: nunca recusar nem dificultar.
  • Queixa com componente de saúde: informar de imediato o profissional de saúde; não minimizar nem discutir.

Reconhecer o sentimento não é admitir culpa.

Normas da qualidade

  • Protocolos escritos, registos, formação, higiene, medição verificada e melhoria contínua.
  • O técnico preenche ficha e registos de limpeza, temperatura e manutenção.
  • Comunica não conformidades: termómetro avariado, pedra rachada, ficha incompleta.
  • Segue os referenciais do seu estabelecimento.
  • Recolha de satisfação e análise de ocorrências para melhorar.

O que não está registado, para a qualidade, não aconteceu.

Segurança e saúde no trabalho

  • Riscos: térmico, elétrico, escorregamento, ergonómico, biológico, químico, psicossocial.
  • Prevenção: colher e pinça, tomada adequada, chão seco, mesa regulável, higiene, ventilação, pausas.
  • Farda, calçado antiderrapante; luvas de proteção só para desinfetantes, não para as pedras.
  • Kit de primeiros socorros completo, extintor, saídas livres e lista de contactos.
  • Direitos e deveres: cumprir regras, usar bem o equipamento e comunicar perigos e acidentes.

Identificar, prevenir, comunicar.

Boas práticas finais

  • Medir a temperatura, testar na mão, proteger com barreira seca, perguntar e verificar a pele.
  • Rastrear contraindicações pela ficha e pela conversa; em dúvida, não aplicar e encaminhar.
  • Nunca diagnosticar, prescrever ou prometer curas.
  • Contar as pedras, higienizar por utente, registar sempre.
  • Parar o serviço e chamar ajuda perante qualquer sinal de alarme.

Um técnico prudente protege o utente, a equipa e o estabelecimento.

Recapitulando

  • A massagem geotermal é um serviço de bem-estar; o técnico não diagnostica nem prescreve.
  • Preparar o espaço, as pedras e a higiene antes do utente chegar.
  • Contraindicações (diabetes e neuropatia, gravidez, doença cardiovascular, varizes, pele comprometida, oncologia, anticoagulantes): rastrear, autorização, encaminhar.
  • Pedras: água, medição, mão nua, barreira seca, nunca debaixo do utente, contagem final.
  • Avaliar antes, durante e depois; emergências com PAS e 112.
  • Reflexologia, chacras e aromaterapia como complementos, com os mesmos cuidados.

Próximo: fichas e mini-projeto, decidir, instalar e aplicar com segurança.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: calor agradável e calor perigoso estão separados por poucos graus e por poucos minutos - erro comum: chamar "tratamento" a um serviço de bem-estar - analogia: como uma panela, o mesmo calor que aquece a sopa queima a mão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a frase "não diagnostico nem prescrevo" deve sair de cor - pergunta: o utente diz que "deve ter uma trombose"; o que faz o técnico? - exemplo: o utente quer saber se pode deixar os comprimidos; resposta, fale com o seu médico

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: autonomia não é improvisar - erro comum: continuar o serviço para não "fazer má figura" - exemplo: parar a meio e chamar ajuda protege o utente e o técnico

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: tudo ao alcance sem atravessar a sala com pedras na mão - erro comum: cabo do aquecedor a atravessar o corredor - exemplo: percorrer a sala com o olhar e apontar três riscos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: penumbra a mais impede de observar a pele - pergunta: porque é que a humidade é um risco a mais na estância termal? - analogia: preparar o palco antes de o espetáculo começar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico repete gestos centenas de vezes por semana - erro comum: mesa baixa e costas curvadas - exemplo: um minuto de alongamento entre utentes

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a ordem importa - erro comum: ligar o aquecedor só quando o utente chega - exemplo: montar a sala em 25 minutos, 9h30 a 9h55

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a mão nua é o último termómetro - erro comum: usar luvas e deixar de sentir o calor da pedra - exemplo: feridas nas mãos, serviço adaptado ou técnico substituído

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: higienização por utente, não por dia - erro comum: guardar pedras húmidas ou com óleo - exemplo: fim de dia, 12 pedras, uma com fissura; ficam 11 utilizáveis e o registo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: aquecer sem controlo é aquecer sem segurança - pergunta: porque é que não se aquece pedras no micro-ondas? - exemplo: tampa mal colocada, a temperatura sobe sem ninguém dar conta

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o utente com neuropatia pode não sentir uma queimadura a formar-se - erro comum: achar que "se o utente não diz nada, está tudo bem" - analogia: a pele é o painel de alarme; em alguns utentes o alarme está desligado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: observar não é diagnosticar - erro comum: dizer "isso é um fungo" - exemplo: zona vermelha, quente e descamada junto à omoplata; não se aplica nessa zona

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: calor mais posição deitada pode baixar a tensão - erro comum: massajar uma perna com suspeita de trombose - exemplo: o utente hipertenso medicado, sem autorização não se aplica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pressão sempre adaptada ao utente e ao protocolo - pergunta: porque é que o linfedema pede autorização? - exemplo: linfedema depois de cirurgia oncológica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o calor é uma dose, e as doses medem-se - erro comum: aplicar o mesmo calor a todos os utentes - analogia: sol de verão, agradável uma hora, perigoso quatro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: baixa temperatura durante muito tempo também queima - erro comum: confiar no tecido húmido como proteção - exemplo: dona Amélia, 76 anos, pedras mais mornas e mais verificações

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o valor do protocolo do estabelecimento prevalece sobre qualquer referência - erro comum: confundir a temperatura do aquecedor com a de colocação; nenhuma pedra é aplicada à temperatura do aquecedor - exemplo: dois termómetros mais o teste da mão antes de cada pedra

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: confiança apenas em medições verificadas - pergunta: quantas verificações em 60 minutos de cinco em cinco? - exemplo: ordem do teste, medir, segurar, secar, proteger, perguntar, verificar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: contar as pedras evita uma debaixo da toalha - erro comum: deixar a pedra a "acabar de arrefecer" sobre o utente - exemplo: levantar as barreiras e ver a pele a cada poucos minutos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a pergunta é quem decide, não o que posso fazer - erro comum: aplicar porque o utente insiste - exemplo: utente grávida pede pedras quentes, resposta, autorização primeiro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: formigueiro nos pés e diabetes aponta para neuropatia - erro comum: tratar a diabetes como se fosse só um número na glicemia - exemplo: utente A que "já não sente bem os pés"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estas listas completam-se pela ficha do estabelecimento - erro comum: ignorar "comprimidos para o sangue" - exemplo: utente C com trombose e anticoagulante, não se aplica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "não" na lista pode ser desmentido na conversa - erro comum: aceitar a ficha sem ouvir o utente - exemplo: Armando, comprimidos para o sangue, nome desconhecido

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o utente relaxado pode não avisar - erro comum: continuar para acabar a sequência - exemplo: marca vermelha delimitada com a forma da pedra, retirar e chamar o profissional de saúde

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o consentimento é uma conversa - erro comum: pedir assinatura sem explicar - exemplo: explicar que há pedras quentes e frias e como dizer "está quente"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: assertivo não é agressivo - pergunta: como diz o técnico que hoje não pode aplicar pedras quentes? - exemplo: "Hoje não posso aplicar pedras quentes; vamos pedir ao enfermeiro que veja."

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o princípio mais usado no dia a dia é não causar dano - erro comum: partilhar dados do utente com colegas sem necessidade - exemplo: sair da sala quando o utente se despe

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a instalação já faz parte da segurança - erro comum: entrar na sala antes de o utente estar coberto - exemplo: degrau e apoio para uma utente idosa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: utente confortável relaxa; utente em tensão resiste - erro comum: ventral forçado em quem tem dor lombar ou problemas respiratórios - exemplo: Teresa começa em decúbito dorsal com rolo sob os joelhos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ritmo lento e contínuo - erro comum: movimentos bruscos e pressão excessiva - exemplo: deslizar do sacro aos ombros ao lado da coluna

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a sequência tem pontos de verificação embutidos - erro comum: saltar a contagem final - exemplo: 11 passos do acolhimento ao registo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a mesma pedra pode ser segura nas costas e perigosa nos pés - erro comum: tratar todas as zonas da mesma maneira - exemplo: pedra mais morna no interior do braço, pele fina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o utente relaxado pode não avisar - erro comum: escrever "acho que é alergia" - exemplo: "rubor de 3 cm, sem bolha, desapareceu em 10 minutos"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: comparar sempre com o aspeto antes do serviço - erro comum: achar que todo o vermelho é normal - exemplo: Filipa, marca na lombar, pedras retiradas, profissional de saúde chamado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: reconhecer, proteger, alertar, apoiar - erro comum: aplicar pomadas ou pasta de dentes - exemplo: bolha de 2 cm, arrefecer, cobrir, chamar o profissional de saúde

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: não deixar o utente sozinho - erro comum: dar de beber a quem está inconsciente - exemplo: Graça, pálida e com suor frio, deitada, pernas elevadas, ajuda chamada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pés são a zona de maior risco por sensibilidade reduzida - erro comum: usar reflexologia para "descobrir" doenças - exemplo: Nuno, diabético com formigueiro nos pés, sem calor e só com autorização

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: simbologia nunca justifica colocar pedras onde é proibido - erro comum: "o seu chacra do coração está bloqueado, por isso tem a tensão alta" - exemplo: utente cética, sequência por zonas do corpo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o calor aumenta a intensidade do aroma e da irritação - erro comum: improvisar misturas - exemplo: Cláudia, enxaquecas com perfumes fortes, óleo de base neutro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a maioria das reclamações previne-se com comunicação e verificação - erro comum: justificar-se logo, sem escutar - exemplo: Joaquim, pedras quentes demais, escuta, observa, chama o profissional de saúde, regista

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a qualidade é também segurança - erro comum: corrigir o desvio mas não o comunicar - exemplo: pedra com fissura, retirada, registada e substituída

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico também é um utente do seu posto de trabalho - erro comum: ignorar um derrame de óleo no chão - exemplo: auditoria interna, três riscos e medidas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que estas boas práticas resumem os onze blocos da UC - erro comum: achar que a segurança abranda o bem-estar; é o que o torna possível - analogia: o piloto cumpre a lista de verificação mesmo depois de mil voos