UC03492

Notificar as reações adversas a medicamentos, farmacovigilância

Do medicamento aprovado à suspeita reportada: RAM, Portal RAM e gestão do risco

Curso técnico · 25h · Técnico Auxiliar de Farmácia

Plano

  1. Farmacovigilância: conceito e importância
  2. Ciclo de vida do medicamento e autoridades competentes
  3. Documentos informativos do medicamento
  4. O triângulo negro e a monitorização adicional
  5. Reação Adversa a Medicamento (RAM): definição e classificação
  6. Exemplos de reações adversas
  7. Farmacovigilância ativa e passiva
  8. Notificação Espontânea: quem, o quê e como
  9. O Portal RAM e o Sistema Nacional de Farmacovigilância
  10. Deteção de sinal
  11. Plano de Gestão de Risco e estudos PASS
  12. Avaliar a gestão de riscos e classificar a causalidade
  13. Boas práticas, qualidade e ética profissional

Bloco 1 · Farmacovigilância: conceito e importância

O que é a farmacovigilância

A farmacovigilância é a ciência e o conjunto de atividades relacionadas com a deteção, avaliação, compreensão e prevenção de reações adversas ou de qualquer outro problema relacionado com medicamentos.

  • Não termina quando o medicamento é aprovado: começa aí a sua vigilância contínua.
  • Aplica-se a todos os medicamentos, com ou sem receita, incluindo genéricos e biológicos.
  • Envolve autoridades reguladoras, indústria farmacêutica, profissionais de saúde e o próprio utente.

Um medicamento nunca é totalmente conhecido no dia em que chega à farmácia: os ensaios clínicos não veem tudo.

Importância da farmacovigilância no dia a dia da farmácia

  • Protege a segurança, o bem-estar e a saúde do utente, um critério de desempenho central desta UC.
  • Deteta problemas que os ensaios clínicos, por serem curtos e com poucos participantes, não conseguem detetar.
  • O técnico auxiliar de farmácia está na linha da frente: é frequentemente a primeira pessoa a ouvir "este medicamento fez-me mal".
  • Cada notificação, por mais pequena que pareça, alimenta um sistema coletivo de vigilância.

A farmacovigilância só funciona se cada elo da cadeia, incluindo quem está ao balcão, notificar o que observa.

Bloco 2 · Ciclo de vida do medicamento e autoridades competentes

O ciclo de vida do medicamento

Um medicamento percorre um percurso longo antes e depois de chegar ao doente:

  1. I&D (Investigação e Desenvolvimento): descoberta e estudo da substância.
  2. Ensaios Clínicos: testes em fases sucessivas em seres humanos.
  3. AIM (Autorização de Introdução no Mercado): aprovação pela autoridade competente.
  4. Fabrico e Distribuição: produção industrial e logística até à farmácia.
  5. Prescrição e Dispensa: o médico prescreve, a farmácia dispensa.
  6. Utilização e Consumo: o doente toma o medicamento, fase onde surgem a maioria das RAM.

A farmacovigilância acompanha todo este ciclo, mas intensifica-se a partir da fase de utilização.

Autoridades competentes do medicamento

Autoridade Âmbito
INFARMED, I.P. Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, coordena o SNF em Portugal
EMA (Agência Europeia de Medicamentos) avaliação e vigilância na UE; EudraVigilance; comité PRAC avalia sinais
OMS, Uppsala Monitoring Centre base de dados mundial de farmacovigilância (VigiBase)
  • O INFARMED autoriza, monitoriza e pode suspender ou retirar medicamentos do mercado nacional.
  • Base legal: DL 176/2006 (Estatuto do Medicamento), alterado pelo DL 20/2013, que transpôs a Diretiva 2010/84/UE.
  • Titulares de AIM: graves à EudraVigilance em 15 dias, não graves em 90 dias.

Conhecer estas autoridades é reconhecer a quem se reporta e quem decide.

Bloco 3 · Documentos informativos do medicamento

Os documentos informativos do medicamento

Todo o medicamento é acompanhado de documentos que suportam a sua utilização segura:

  • Resumo das Características do Medicamento (RCM): documento técnico dirigido aos profissionais de saúde, com indicações, posologia, contraindicações e reações adversas conhecidas.
  • Folheto Informativo (FI): a versão dirigida ao doente, dentro da embalagem.
  • Rótulo/embalagem: identificação, lote, prazo de validade, condições de conservação.

Estes documentos são a referência para avaliar se uma reação já era conhecida ou é inesperada.

Ler o folheto: da secção 4 à decisão de notificar

  • A secção "Efeitos indesejáveis" do folheto e do RCM lista as reações já identificadas, agrupadas por frequência (muito frequentes, frequentes, raras, muito raras).
  • Se a reação relatada pelo utente não consta nesta lista, é um forte indício de RAM inesperada, mais relevante para notificar.
  • Os documentos são atualizados sempre que surgem novos sinais de segurança confirmados.

Comparar o relato do utente com o folheto é o primeiro passo de qualquer avaliação de RAM.

Bloco 4 · O triângulo negro e a monitorização adicional

O símbolo do triângulo negro invertido

Alguns medicamentos trazem no RCM e no folheto informativo um triângulo negro invertido (▼), o símbolo de monitorização adicional.

  • Identifica os medicamentos da lista europeia da EMA (Reg. (UE) 1235/2010): novas substâncias ativas e biológicos autorizados após 2011, autorizações condicionais, PASS impostos.
  • Vem sempre acompanhado da frase "Este medicamento está sujeito a monitorização adicional".
  • Não significa que o medicamento seja mais perigoso, significa que se pede vigilância mais atenta e notificação mais ativa de qualquer suspeita de reação adversa.

O triângulo negro é um convite direto à notificação: quando o vemos, redobra-se a atenção.

Porque existe a monitorização adicional

  • Medicamentos novos têm, por definição, menos tempo de uso real e por isso menos dados sobre reações raras.
  • A monitorização adicional acelera a deteção de sinal e a atualização dos documentos informativos.
  • Com o tempo (em regra, cinco anos) e dados suficientes, um medicamento pode deixar de ter o triângulo.

Cada notificação de um medicamento com triângulo negro tem um peso extra no sistema de vigilância.

Bloco 5 · Reação Adversa a Medicamento (RAM): definição e classificação

O que é uma RAM

Uma Reação Adversa a Medicamento (RAM) é uma reação nociva e não intencional a um medicamento (definição da Diretiva 2010/84/UE, transposta pelo DL 20/2013).

  • Já não exige "doses normalmente utilizadas": inclui o uso fora dos termos da AIM, como erro de medicação, uso off-label, sobredosagem, abuso ou exposição ocupacional.
  • Os efeitos indesejáveis descritos no folheto (ex.: sonolência ligeira) são RAM esperadas, e também se notificam.
  • Identificar as principais reações adversas e os efeitos indesejáveis dos medicamentos é uma competência central desta UC.

Nem toda a reação adversa é grave, mas toda a reação adversa relevante deve ser identificada e notificada.

Classificar a RAM: grave, não grave, inesperada

Classificação Critério
RAM grave morte, risco de vida, hospitalização ou seu prolongamento, incapacidade significativa ou persistente, anomalia congénita, ou outra situação clinicamente importante
RAM não grave qualquer reação que não cumpra nenhum dos critérios de gravidade acima
RAM inesperada natureza, gravidade, intensidade ou consequências não compatíveis com o RCM
  • Gravidade e imprevisibilidade são eixos distintos: uma RAM pode ser não grave e inesperada, ou grave e já conhecida.
  • Todas as classificações se notificam, mas as RAM graves e inesperadas têm prioridade de análise.

Classificar corretamente uma RAM é o primeiro passo para saber o que fazer a seguir.

Bloco 6 · Exemplos de reações adversas

Exemplo resolvido · Classificar três casos

Caso A: utente toma um analgésico habitual e sente ligeiro mal-estar gástrico, já descrito no folheto.
Caso B: utente é hospitalizado após reação alérgica grave a um antibiótico, não descrita no RCM.
Caso C: utente desenvolve uma erupção cutânea ligeira, não referida no folheto, mas que não exige hospitalização.

  1. Verificar se a reação cumpre critérios de gravidade (morte, risco de vida, hospitalização, incapacidade, anomalia congénita, clinicamente importante).
  2. Verificar se a reação consta do RCM/folheto.
  3. Classificar cruzando os dois eixos.

Resultado: Caso A, não grave e esperada. Caso B, grave e inesperada. Caso C, não grave e inesperada.

Outros exemplos frequentes em contexto de farmácia

  • Reações cutâneas: urticária, erupções, prurido, mais comuns com antibióticos.
  • Reações gastrointestinais: náuseas, vómitos, diarreia, frequentes com anti-inflamatórios.
  • Reações do sistema nervoso: tonturas, sonolência, cefaleias.
  • Reações graves raras: choque anafilático, síndrome de Stevens-Johnson, hepatotoxicidade grave.

Reconhecer padrões de reações típicas de cada classe terapêutica ajuda a identificar rapidamente uma suspeita de RAM.

Bloco 7 · Farmacovigilância ativa e passiva

Sintetizar os princípios: farmacovigilância passiva

A farmacovigilância passiva assenta na Notificação Espontânea (NE): alguém que deteta uma suspeita de RAM comunica-a, por iniciativa própria, a quem de direito.

  • Não há procura ativa, depende de quem observa relatar.
  • É o método mais usado e o de menor custo, mas depende da vontade e da perceção de quem notifica.
  • É especialmente sensível para detetar reações raras que os ensaios clínicos nunca veriam.

A farmacovigilância passiva só é forte se a cultura de notificar for forte.

Farmacovigilância ativa: procurar em vez de esperar

A farmacovigilância ativa procura sistematicamente informação, em vez de esperar que alguém notifique:

  • Estudos de Segurança Pós-autorização (PASS): estudos planeados após a aprovação do medicamento, para caracterizar melhor o seu perfil de segurança.
  • Monitorização intensiva: acompanhamento sistemático de doentes que usam um determinado medicamento.
  • Registos de doentes e bases de dados de utilização real.
Passiva Ativa
Iniciativa de quem observa do sistema/promotor
Custo baixo mais elevado
Ponto forte deteta o raro e o inesperado mede frequências com maior rigor

Os dois modelos são complementares, não concorrentes.

Bloco 8 · Notificação Espontânea: quem, o quê e como

Quem pode notificar

Em Portugal, a Notificação Espontânea está aberta a dois grandes grupos:

  • Profissionais de saúde: médicos, farmacêuticos, enfermeiros e outros. O técnico auxiliar deteta, recolhe a informação e segue o procedimento interno com o farmacêutico.
  • Utentes (doentes, familiares e cuidadores): qualquer cidadão pode notificar diretamente.
  • Os titulares de AIM não notificam espontaneamente: têm uma obrigação legal (15 dias graves, 90 dias não graves).

Não é preciso ter a certeza de que o medicamento causou a reação, basta existir uma suspeita razoável.

O que notificar e como

O que se notifica:

  • Qualquer suspeita de reação adversa, mesmo sem certeza de causalidade.
  • Reações conhecidas e inesperadas, graves e não graves.
  • Uso fora dos termos da AIM (erro de medicação, off-label, sobredosagem, abuso) e falta de eficácia.

Informação mínima para uma notificação útil:

  1. Identificação do medicamento suspeito (nome, lote se possível).
  2. Descrição da reação e da sua evolução.
  3. Dados do doente (idade, sexo, outros medicamentos em uso).
  4. Dados de contacto do notificador, para eventual pedido de esclarecimento.

Uma notificação incompleta ainda tem valor, mas quanto mais completa, mais útil é para a análise.

Bloco 9 · O Portal RAM e o Sistema Nacional de Farmacovigilância

O Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF)

O Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF) é a estrutura portuguesa, coordenada pelo INFARMED, que recolhe, avalia e atua sobre as suspeitas de RAM notificadas em Portugal.

  • Inclui uma rede de Unidades Regionais de Farmacovigilância, que validam as notificações e avaliam a causalidade.
  • Envia os casos para a rede europeia (EudraVigilance) e daí para a base mundial da OMS (VigiBase).
  • Dispositivos médicos e cosméticos também se notificam ao INFARMED, por canais próprios.

O SNF é o destino de toda a notificação feita em Portugal, seja por profissional ou por cidadão.

O Portal RAM: efetuar a notificação

O Portal RAM é o canal online preferencial de notificação do SNF (também se pode notificar ao INFARMED ou à Unidade Regional por telefone ou correio eletrónico).

Exemplo resolvido · Passos para notificar no Portal RAM

  1. Aceder ao Portal RAM, com dispositivo tecnológico com acesso à internet.
  2. Escolher o perfil de notificador (profissional de saúde ou utente).
  3. Preencher os dados do medicamento suspeito e da reação observada.
  4. Indicar os dados do doente e, se aplicável, outros medicamentos em uso.
  5. Submeter e registar internamente a data e a referência da submissão.

Efetuar uma notificação espontânea através dos meios existentes é uma aptidão prática que se treina, não apenas se explica.

Bloco 10 · Deteção de sinal

O que é um sinal em farmacovigilância

Um sinal é uma informação nova, proveniente de uma ou mais fontes, que sugere uma possível relação causal entre um medicamento e um evento adverso, até então desconhecida ou incompletamente documentada.

  • Um sinal não é uma certeza, é uma hipótese a investigar.
  • Pode surgir de notificações espontâneas repetidas, de estudos, de dados de outros países ou da literatura científica.
  • A deteção de sinal é o processo de identificar esse padrão a partir da massa de notificações recebidas.

Sem notificações suficientes, não há dados para gerar sinais.

Metodologias e importância da deteção de sinal

  • Métodos estatísticos: análise de desproporcionalidade, que compara a frequência observada de uma combinação medicamento-reação com a esperada.
  • Revisão clínica: avaliação qualificada dos casos agrupados por especialistas.
  • Cruzamento de bases de dados: nacionais, europeias (EudraVigilance) e internacionais (OMS).

A deteção de sinal é o motor que liga a notificação individual a decisões que protegem toda a população: atualização de folhetos, novas advertências ou, em casos extremos, suspensão do medicamento.

Bloco 11 · Plano de Gestão de Risco e estudos PASS

O Plano de Gestão de Risco (PGR)

O Plano de Gestão de Risco é o documento que acompanha um medicamento e descreve:

  • O perfil de segurança conhecido e potencial, incluindo riscos identificados e riscos apenas suspeitados.
  • As medidas de minimização de risco, que podem ser rotineiras (informação no RCM e folheto) ou adicionais (materiais educativos, registos de doentes, restrições de prescrição).
  • O plano de farmacovigilância específico do medicamento, incluindo eventuais estudos a realizar após a aprovação.

O PGR é revisto e atualizado ao longo de toda a vida do medicamento, à medida que chega nova informação.

Estudos de Segurança Pós-autorização (PASS)

Os Estudos de Segurança Pós-autorização (PASS) são estudos realizados depois da aprovação de um medicamento, para:

  • Confirmar ou quantificar melhor um risco de segurança já identificado ou suspeitado.
  • Avaliar a eficácia das medidas de minimização de risco definidas no PGR.
  • Recolher dados de utilização em condições reais, fora do ambiente controlado dos ensaios clínicos.

Um PASS pode ser exigido pela autoridade competente como condição da autorização de introdução no mercado.

Bloco 12 · Avaliar a gestão de riscos e classificar a causalidade

Avaliar a gestão de riscos

Avaliar a gestão de riscos de um medicamento cruza várias peças já estudadas:

  1. O perfil de segurança descrito no PGR.
  2. Os sinais detetados desde a comercialização.
  3. As medidas de minimização já em prática e a sua eficácia.
  4. O balanço benefício-risco: o benefício terapêutico continua a justificar os riscos conhecidos?

Este balanço é reavaliado continuamente pelas autoridades competentes, e pode levar a atualização de informação, restrição de uso ou, em último caso, suspensão do medicamento.

Classificar a causalidade

Cada suspeita é avaliada pelas Unidades Regionais de Farmacovigilância, com as categorias OMS-UMC:

  • Certa: sem outra explicação, resposta à suspensão e, se necessário, à reintrodução.
  • Provável: relação temporal razoável, outra causa improvável, melhora com a suspensão.
  • Possível: relação temporal razoável, mas doença ou outros medicamentos também explicam.
  • Improvável: relação temporal improvável, ou outra causa plausível.
  • Condicional/não classificada: faltam dados, que estão a ser recolhidos.
  • Não avaliável/inclassificável: informação insuficiente ou contraditória, impossível de completar.

A causalidade não é classificada ao balcão pelo técnico, mas o registo cuidadoso do caso é o que a torna possível.

Bloco 13 · Boas práticas, qualidade e ética profissional

Boas práticas de farmacovigilância

  • Rigor no registo de cada suspeita: datas, doses, lotes, evolução do quadro clínico.
  • Sentido crítico na análise da informação recolhida, sem alarmismo nem desvalorização.
  • Cumprimento das normas, dos procedimentos e dos requisitos estabelecidos pelo SNF e pelo INFARMED.
  • Confidencialidade dos dados pessoais do doente e do notificador.
  • Comunicação clara com o utente, encaminhando-o para o farmacêutico ou para o médico, sem aconselhar suspender ou manter o medicamento.

Boas práticas de farmacovigilância protegem, ao mesmo tempo, o utente e a credibilidade do sistema.

Aplicar os princípios da gestão da qualidade e a ética profissional

Aplicar os princípios subjacentes à gestão da qualidade da farmacovigilância significa seguir procedimentos normalizados, documentar tudo e melhorar continuamente com base nos erros e sinais detetados.

Atitudes profissionais que sustentam este trabalho:

  • Responsabilidade pelas próprias ações e registos.
  • Autonomia dentro das funções atribuídas, sem ultrapassar competências.
  • Respeito pela legislação em vigor e pela ética da atividade profissional.
  • Empenho e persistência na resolução de problemas e resiliência perante casos difíceis.
  • Sentido de organização e visão estratégica do papel de cada notificação no sistema global.

A farmacovigilância é, no fundo, um exercício diário de rigor, ética e responsabilidade profissional.

Recapitulando

  • Farmacovigilância: deteta, avalia, compreende e previne reações adversas ao longo de todo o ciclo de vida do medicamento.
  • RAM: grave/não grave e esperada/inesperada são eixos distintos; o triângulo negro pede vigilância reforçada.
  • Passiva (notificação espontânea, aberta a profissionais e cidadãos) e ativa (PASS, monitorização intensiva) são complementares.
  • Portal RAM, INFARMED e Unidades Regionais de Farmacovigilância recebem e avaliam cada notificação (incluindo a causalidade), que alimenta a deteção de sinais e os PGR.
  • Tudo assenta em rigor, boas práticas e ética profissional.

Próximo: sebenta, fichas e projeto para consolidar e praticar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os ensaios clínicos testam poucos milhares de pessoas; só o uso real, por milhões, revela reações raras. - Erro comum: pensar que um medicamento aprovado é "seguro para sempre". A segurança é reavaliada continuamente. - Exemplo: perguntar à turma que casos de medicamentos retirados do mercado já ouviram falar (ex.: retirada por reações graves detetadas após comercialização).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a atitude de "responsabilidade pelas suas ações" do referencial aplica-se diretamente aqui. - Pergunta: o que faz o aluno se um utente disser "tomei este xarope e fiquei com urticária"? Fazer sondar a resposta desejada, que é notificar. - Analogia: a farmacovigilância é como uma rede de sensores, quanto mais notificações, mais cedo se deteta um problema real.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: memorizar as seis fases pela ordem, é matéria de exame recorrente. - Erro comum: confundir "ensaios clínicos" com "farmacovigilância". Os ensaios são pré-aprovação, a farmacovigilância é sobretudo pós-aprovação. - Exemplo: desenhar no quadro a linha do tempo do ciclo de vida e pedir à turma para localizar onde entra a notificação de uma RAM.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: em Portugal, o interlocutor de referência para farmacovigilância é sempre o INFARMED. - Erro comum: pensar que a farmácia decide sozinha o que fazer com uma suspeita de RAM grave. Reporta-se, a decisão de ação regulamentar é da autoridade. - Pergunta: porque é que um sinal detetado em Espanha pode levar a uma ação em Portugal? (rede europeia partilhada; o PRAC da EMA recomenda medidas para todos os Estados-Membros). - Referir que os titulares de AIM também submetem Relatórios Periódicos de Segurança (PSUR).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o RCM é o documento que se consulta para saber se uma reação já está descrita. - Erro comum: o doente confundir o folheto informativo com "uma lista de tudo o que pode correr mal e por isso não vou tomar". Explicar que o folheto lista possibilidades, não certezas. - Exemplo: mostrar um folheto real e localizar a secção "Efeitos indesejáveis".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: este é o gesto prático mais importante da UC, comparar o sintoma relatado com o que está escrito no folheto/RCM. - Erro comum: notificar sem verificar primeiro o documento, ou pelo contrário, não notificar só porque a reação já é conhecida (deve notificar-se na mesma). - Exemplo/analogia: é como comparar um sintoma com uma lista de sintomas conhecidos de uma doença, para perceber se é caso novo ou já catalogado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: corrigir de imediato o equívoco mais comum, o triângulo não é um aviso de perigo, é um pedido de vigilância. - Erro comum: alunos concluírem "este medicamento é mau, tem um triângulo". Esclarecer com exemplos de medicamentos recentes e eficazes que o têm. - Exemplo: mostrar uma imagem de um folheto real com o triângulo e a frase de monitorização adicional.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ligar este bloco ao anterior (documentos informativos) e ao seguinte (classificação de RAM), o triângulo negro reforça a necessidade de notificar RAM inesperadas. - Erro comum: achar que só se notifica reações de medicamentos com triângulo negro. Notifica-se sempre, com ou sem triângulo. - Pergunta: porque é que um medicamento pode "perder" o triângulo com o tempo? (acumulação de dados de segurança que confirmam o perfil conhecido).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a definição oficial de RAM inclui a palavra-chave "não intencional", distingue de um efeito procurado (ex.: sonolência de um sedativo prescrito para dormir). - Erro comum: achar que um efeito já descrito no folheto "não é RAM". É uma RAM esperada. - Referir que a falta de eficácia e as reações resultantes de interações também são informação a notificar. - Classificação de Rawlins-Thompson (ver sebenta): tipo A, dependente da dose e previsível; tipo B, imprevisível e independente da dose (ex.: anafilaxia); tipos C a F foram acrescentados depois. - Exemplo: um utente com urticária depois de um antibiótico é uma RAM clássica a identificar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: gravidade e imprevisibilidade (esperada/inesperada) são duas escalas independentes, não confundir uma com a outra. - Erro comum: achar que "não grave" significa "não se notifica". Notifica-se sempre. - Exemplo: sonolência ligeira descrita no folheto é não grave e esperada; uma reação alérgica grave nunca antes descrita é grave e inesperada.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: fazer este exercício em voz alta com a turma antes de avançar para a ficha, é o raciocínio-tipo do exame. - Erro comum: parar na primeira classificação encontrada sem verificar o segundo eixo (gravidade vs imprevisibilidade). - Exemplo/analogia: comparar com um semáforo de dois sinais independentes, um para gravidade e outro para se já era conhecido.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: associar classes de medicamentos a tipos de reação mais frequentes ajuda o aluno a "desconfiar" mais depressa no balcão. - Erro comum: ignorar sintomas leves e recorrentes (ex.: várias queixas de tonturas com o mesmo medicamento) por parecerem insignificantes isoladamente. - Pergunta: porque é que reações raras e graves, mesmo pouco frequentes, merecem atenção redobrada? (podem ser sinais precoces de um problema sério).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a maior parte dos sistemas de farmacovigilância do mundo assenta, na sua base, na notificação espontânea. - Erro comum: pensar que a notificação espontânea é pouco fiável e por isso dispensável. É a principal fonte de deteção de sinais novos. - Exemplo: um único farmacêutico que notifica um padrão raro pode desencadear uma investigação internacional.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sintetizar os princípios, modelos e sistemas de farmacovigilância ativa e passiva é uma realização explícita do referencial, insistir na comparação lado a lado. - Erro comum: achar que a farmacovigilância ativa substitui a passiva. Trabalham em conjunto. - Pergunta: para uma reação muito rara (1 em 100 mil), qual método a deteta primeiro? (a passiva, através da notificação espontânea).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o cidadão comum também pode e deve notificar, não é exclusivo dos profissionais de saúde. - Erro comum: o aluno achar que só o médico pode notificar. Corrigir de imediato, é um dos pontos mais testados. - Exemplo: um utente que liga para a farmácia a descrever sintomas após tomar um medicamento pode e deve ser orientado a notificar, ou a notificação pode ser feita por quem o atende.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: identificar suspeitas de reações adversas a medicamentos é uma aptidão do referencial, treinar com casos concretos. - Erro comum: não notificar por "falta de a certeza absoluta" de que foi o medicamento. A suspeita razoável já basta. - Exemplo: simular com a turma o preenchimento verbal de uma notificação a partir de um caso descrito.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o SNF não é uma "caixa de correio" passiva, analisa e cruza dados de várias fontes. - Erro comum: confundir SNF com INFARMED, o INFARMED coordena o SNF, mas o SNF é o sistema como um todo (procedimentos, atores, ferramentas). - Exemplo: mostrar visualmente a cadeia notificador → Portal RAM/INFARMED → Unidade Regional de Farmacovigilância → EudraVigilance → PRAC → possível ação regulamentar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: fazer, se possível, uma demonstração real (ou simulada em capturas de ecrã) do Portal RAM em aula. - Erro comum: o aluno achar que a notificação é burocrática e demorada. É um formulário direto, feito em poucos minutos. - Exemplo: simular o preenchimento do Portal RAM com o caso do Bloco 6 (reação alérgica grave a antibiótico).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: reforçar a ligação direta entre "quantas mais notificações, mais fácil detetar sinais reais". - Erro comum: pensar que um único caso isolado já é um sinal confirmado. É um sinal potencial, carece de análise e confirmação. - Analogia: é como juntar peças de um puzzle, uma peça sozinha não mostra o padrão, várias peças (notificações) começam a revelar a imagem.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a deteção de sinal transforma dados dispersos em decisões concretas de saúde pública. - Na UE, os sinais validados são avaliados pelo PRAC da EMA, que recomenda medidas para todos os Estados-Membros. - Erro comum: achar que a deteção de sinal é automática e instantânea. Envolve análise humana qualificada, não só um algoritmo. - Pergunta: porque é que os dados de vários países juntos detetam sinais mais depressa do que um só país sozinho?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o PGR é um documento vivo, não um relatório único e fechado no momento da aprovação. - Erro comum: confundir PGR com o RCM. O RCM informa o profissional, o PGR é o plano estratégico de gestão do risco do medicamento. - Exemplo: todos os novos pedidos de AIM incluem um PGR; quando o PGR impõe um PASS, o medicamento passa a ter triângulo negro.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ligar os PASS à farmacovigilância ativa do Bloco 7, são um dos seus exemplos mais concretos. - Erro comum: achar que um PASS só acontece se já houve um problema grave. Muitas vezes é planeado desde a aprovação, de forma preventiva. - Pergunta: em que fase do ciclo de vida do medicamento decorre um PASS? (na fase de utilização e consumo, após a AIM).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: avaliar a gestão de riscos é uma realização do referencial que exige olhar para o conjunto, não para um caso isolado. - Erro comum: avaliar o risco de um medicamento só pelo número absoluto de notificações, sem considerar quantas pessoas o usam. - Exemplo: 50 notificações em 2 milhões de utilizadores = 0,0025% (1 em 40.000); 50 em 2.000 = 2,5% (1 em 40). São taxas de notificação, não incidências reais (há subnotificação).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o técnico auxiliar de farmácia não classifica a causalidade, mas a qualidade da informação que recolhe é o que permite aos avaliadores fazê-lo bem. - Erro comum: achar que uma reação só se notifica se a causalidade for "certa". Notifica-se mesmo quando a causalidade é apenas possível. - Pergunta: porque é que a informação sobre outros medicamentos que o doente toma é importante para classificar a causalidade? (para excluir ou considerar outras causas).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as boas práticas de farmacovigilância são um conhecimento explícito do referencial, insistir nos exemplos concretos. - Erro comum: o técnico dar conselho clínico sobre suspender ou não o medicamento. Essa decisão cabe ao médico, com o apoio do farmacêutico; o técnico regista e encaminha. - Exemplo: mostrar um registo bem feito de um caso versus um registo incompleto, e discutir o que falta no segundo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: fechar a UC ligando todas as atitudes do referencial (responsabilidade, autonomia, rigor, sentido crítico, resiliência) ao trabalho concreto de notificação. - Erro comum: tratar a ética profissional como um capítulo à parte, e não como algo presente em cada notificação e cada conversa com o utente. - Exemplo: discutir um caso em que o utente pede para "não fazer nada, não vale a pena notificar" e como o técnico deve responder com ética e rigor.