UC03491

Identificar as características do medicamento

Formas farmacêuticas, vias de administração, percurso no organismo e uso racional do medicamento

Curso Técnico Auxiliar de Farmácia · 50h · Saúde

Plano

  1. O medicamento, a substância ativa e os excipientes
  2. Formas farmacêuticas sólidas
  3. Formas farmacêuticas semissólidas
  4. Formas farmacêuticas líquidas
  5. Formas farmacêuticas especiais
  6. Vias de administração
  7. O percurso no organismo: ADME
  8. Efeito terapêutico, reação adversa, posologia e margem terapêutica
  9. Classificação e dispensa dos medicamentos
  10. Populações especiais, terapêutica e uso racional

Bloco 1 · O medicamento, a substância ativa e os excipientes

O que é um medicamento

Segundo o Estatuto do Medicamento (Decreto-Lei n.º 176/2006), medicamento é toda a substância, ou associação de substâncias, apresentada como tendo propriedades curativas ou preventivas de doenças humanas ou dos seus sintomas, ou usada para estabelecer um diagnóstico ou para restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas, por ação farmacológica, imunológica ou metabólica.

  • Tem sempre substância ativa e excipientes.
  • A substância ativa identifica-se pela DCI, o nome genérico internacional (ex.: paracetamol).
  • O nome comercial é a marca de um laboratório; a DCI é sempre a mesma.

Substância ativa vs excipientes

Substância ativa Excipiente
Função efeito terapêutico dá corpo, sabor, cor ou estabilidade
Identificação DCI veículo, aglutinante, conservante, corante
Exemplo paracetamol lactose, amido, corante

Excipiente: qualquer componente do medicamento que não seja a substância ativa nem o material de embalagem. Os de declaração obrigatória (lactose, sódio, certos corantes) vêm no folheto.

Medicamento genérico

  • Mesma composição qualitativa e quantitativa em substância(s) ativa(s) que o medicamento de referência.
  • Mesma forma farmacêutica.
  • Bioequivalência demonstrada em estudos de biodisponibilidade: a substância chega ao sangue na mesma quantidade e à mesma velocidade, dentro de limites aceites.
  • Na embalagem: DCI + dosagem + MG.

Mesma DCI, dose e forma não chegam: sem estudos, não há bioequivalência reconhecida.

Bloco 2 · Formas farmacêuticas sólidas

Sólidas: pós, comprimidos e cápsulas

  • Pós e granulados: substância pulverizada ou aglomerada em grânulos.
  • Comprimidos: a forma sólida mais comum, pó comprimido de forma compacta.
  • Drageias: comprimidos revestidos por camadas de açúcar, para mascarar o sabor.
  • Cápsulas (duras ou moles): invólucro com pó, grânulos ou líquido lá dentro.
  • Pastilhas: dissolução lenta na boca.

Variações do comprimido

  • Revestidos (película ou açúcar): protegem da luz e da humidade ou mascaram o sabor.
  • Gastrorresistentes: o revestimento resiste ao ácido do estômago e só se dissolve no intestino.
  • Libertação modificada (LP, SR, XL, Retard): libertam a substância ao longo de horas.
  • Efervescentes: dissolvem-se em água antes da toma; contêm muitas vezes sódio.
  • Sublinguais: dissolvem-se debaixo da língua, absorção rápida.
  • Orodispersíveis: dissolvem-se na boca, sem precisar de água.

Não partir, não mastigar, não triturar

Forma Se for partida ou triturada
Libertação prolongada liberta de uma vez a dose de várias horas: risco de sobredosagem
Gastrorresistente o ácido destrói a substância, ou a substância irrita o estômago
Cápsula gastrorresistente ou de libertação modificada, aberta perde a proteção ou o controlo da libertação

Só se parte o que o folheto informativo permite (por exemplo, comprimidos com ranhura divisória indicada). Dificuldade em engolir: encaminhar para o farmacêutico.

Bloco 3 · Formas farmacêuticas semissólidas

Pomadas, cremes, geles, pastas e unguentos

Forma Base Característica
Pomada oleosa oclusiva, hidrata
Creme emulsão fácil de espalhar
Gel aquosa fresca, seca depressa
Pasta muito pó numa base espessa, protetora
Unguento gorda muito oclusiva

A base escolhida muda a absorção e o conforto na pele.

Bloco 4 · Formas farmacêuticas líquidas

Soluções, suspensões e emulsões

  • Solução: substância totalmente dissolvida, mistura homogénea.
  • Suspensão: partículas sólidas dispersas, sedimentam, agitar sempre antes de usar.
  • Emulsão: dois líquidos não miscíveis (óleo e água) estabilizados por um emulsionante.
  • Xarope: solução açucarada, muito usada em pediatria.
  • Elixir: solução hidroalcoólica, mais fluida que o xarope.
  • Colutório: para bochechar, ação local na boca.
  • Loções e linimentos: aplicação cutânea, muitas vezes com fricção.

Bloco 5 · Formas farmacêuticas especiais

Transdérmicos, retais e vaginais

  • Sistemas de libertação transdérmica: adesivos que libertam a substância pela pele, de forma lenta e constante (nicotina, fentanilo).
  • Uso retal: supositórios (fundem à temperatura corporal), enemas e microenemas.
  • Uso vaginal: óvulos, forma sólida de dissolução local.

Parentéricos, oftálmicos e aerossóis

  • Uso parentérico: injetáveis e implantes (intravenoso, intramuscular, subcutâneo, intradérmico).
  • Uso oftálmico: colírios, soluções de lavagem ocular, pomadas e implantes oftálmicos, sempre estéreis.
  • Inaladores: MDI (aerossol pressurizado doseável, com gás propulsor) e DPI (inalador de pó seco, não pressurizado, ativado pela força da inspiração).

Bloco 6 · Vias de administração

Via entérica e via parentérica

Entérica (usa o trato digestivo):

  • Oral: a mais usada, cómoda; sofre efeito de primeira passagem.
  • Sublingual: rápida, evita o efeito de primeira passagem.
  • Retal: útil quando não se pode engolir; evita-o só em parte.

Parentérica (contorna o trato digestivo):

  • Intravenosa: efeito imediato, sem absorção.
  • Intramuscular: absorção rápida, músculo muito irrigado.
  • Subcutânea: absorção mais lenta e gradual que a intramuscular (ex.: insulina).
  • Intradérmica: testes cutâneos (tuberculina), algumas vacinas (BCG).

Efeito de primeira passagem

  • O que é absorvido no intestino segue pela veia porta até ao fígado antes de chegar à circulação geral.
  • Parte da substância é metabolizada logo nessa primeira passagem: chega menos ao sangue.
  • Sublingual: a mucosa drena para a circulação geral, evita o fígado (nitroglicerina sublingual).
  • Retal: só parte do sangue do reto vai diretamente para a circulação geral, evita em parte.
  • Parentérica, transdérmica e inalatória: não passam primeiro pelo fígado.

Outras vias e comparação do início de ação

Outras vias: dérmica ou cutânea (pele) e pulmonar ou inalatória (pulmões).

Via Início de ação (indicativo) Exemplo
Intravenosa segundos injetável hospitalar
Sublingual poucos minutos nitroglicerina sublingual
Intramuscular 10 a 20 minutos alguns injetáveis e vacinas
Subcutânea 15 a 30 minutos insulina
Oral 30 a 90 minutos comprimido comum
Transdérmica horas, libertação constante adesivo de nicotina

Bloco 7 · O percurso no organismo: ADME

Absorção e distribuição

  1. Absorção: passagem do local de administração para a corrente sanguínea. Depende da via, da forma farmacêutica e da solubilidade. Na via intravenosa não há absorção, o medicamento já entra na circulação; nas vias intramuscular e subcutânea há.
  2. Distribuição: transporte pelo sangue até aos tecidos e órgãos; parte liga-se a proteínas do plasma, só a fração livre é ativa.

Metabolização e excreção

  1. Metabolização (biotransformação): transformação química, principalmente no fígado, em metabolitos ativos, inativos ou tóxicos.
  2. Excreção: eliminação do organismo, sobretudo por via renal, também biliar, fecal, pulmonar ou pelo suor.

Se o fígado ou o rim não funcionam bem, a substância acumula-se: risco de toxicidade.

Biodisponibilidade e semivida

  • Biodisponibilidade: fração da dose que chega inalterada à circulação geral, e a que velocidade. Intravenosa = 100%; oral, muitas vezes menos.
  • Semivida (t½): tempo para a concentração no sangue descer para metade.
  • Semivida curta: mais tomas por dia. Semivida longa: menos tomas.
  • Ao fim de 4 a 5 semividas, a substância está praticamente eliminada.
Semividas 0 1 2 3 4 5
Resta 100% 50% 25% 12,5% 6,25% 3,125%

Bloco 8 · Efeito terapêutico, reação adversa, posologia e margem terapêutica

Quatro conceitos essenciais

  • Efeito terapêutico: o resultado benéfico e pretendido.
  • Reação adversa (RAM): reação nociva e não intencional a um medicamento, em doses habituais ou não (inclui erros, sobredosagem, uso indevido).
  • Posologia: dose, frequência e duração do tratamento. Ex.: 1 comprimido de 8 em 8 horas, 7 dias = 3 por dia, 21 no total.
  • Margem terapêutica: intervalo entre a dose eficaz e a dose tóxica.

RAM, efeito secundário e interação

Conceito O que é Exemplo
Efeito secundário efeito diferente do pretendido, descrito no folheto sonolência de alguns anti-histamínicos
RAM grave reação nociva que põe a vida em risco, obriga a internamento ou deixa sequelas reação alérgica com dificuldade respiratória
Interação outro medicamento, alimento, álcool ou produto natural altera o efeito hipericão reduz o efeito de vários medicamentos

Possível RAM relatada: comunicar ao farmacêutico. Grave: 112. Notificação ao INFARMED no Portal RAM (profissionais e utentes).

Margem terapêutica: estreita vs larga

  • Margem estreita: pequena diferença entre a dose eficaz e a tóxica; exige vigilância cuidadosa (varfarina, digoxina, lítio).
  • Margem larga: maior liberdade de dose, menor risco.

Qualquer dúvida sobre a dose de um medicamento de margem estreita é sempre encaminhada ao farmacêutico.

Bloco 9 · Classificação e dispensa dos medicamentos

Origem, composição e local de uso

  • Manipulado (fórmula magistral ou preparado oficinal, feito na farmácia ou nos serviços farmacêuticos hospitalares) vs industrial (fabricado em escala, com AIM).
  • Simples (uma substância ativa) vs composto (várias substâncias ativas).
  • Uso interno (absorção sistémica) vs uso externo (ação local).

Classificação quanto à dispensa

Sigla Significado Dispensa
MSRM Sujeito a Receita Médica só com receita
MNSRM Não Sujeito a Receita Médica sem receita, em farmácias e locais de venda de MNSRM
MNSRM-EF Não Sujeito a Receita Médica, dispensa exclusiva em farmácia sem receita, só em farmácia, com protocolo de dispensa

Um antibiótico é sempre MSRM, pelo risco de resistências e de uso indevido.

MSRM por dentro e onde se vendem os MNSRM

MSRM (Estatuto do Medicamento):

  • Receita renovável: tratamentos prolongados, a receita serve mais do que uma vez.
  • Receita especial: estupefacientes e psicotrópicos, regras de registo mais apertadas.
  • Receita restrita: uso reservado a meio hospitalar ou a certos especialistas.

MNSRM: farmácias e locais de venda de MNSRM registados no INFARMED (parafarmácias, espaços em hipermercados), sob responsabilidade de pessoal qualificado.

MNSRM-EF: subcategoria dos MNSRM, só em farmácia; a lista de DCI e os protocolos são publicados pelo INFARMED.

Bloco 10 · Populações especiais, terapêutica e uso racional

Populações especiais

  • Criança: dose por peso e idade, preferir formas líquidas ou orodispersíveis.
  • Grávida: risco para o feto, encaminhar sempre qualquer dúvida.
  • Pessoa mais velha: alterações no ADME, polimedicação frequente.
  • Insuficiência renal: menor excreção, risco de acumulação.
  • Insuficiência hepática: menor metabolização, mesmo risco.

Terapêutica farmacológica, não farmacológica e uso racional

  • Terapêutica farmacológica: tratamento com medicamentos.
  • Terapêutica não farmacológica: dieta, exercício, repouso, fisioterapia.
  • Uso racional do medicamento: o medicamento certo, na dose certa, pela via certa, pelo tempo certo.

O técnico auxiliar educa o utente e encaminha para o farmacêutico sempre que necessário; nunca aconselha terapêutica.

Conservação, rotulagem e folheto informativo

  • Frio, 2 a 8 °C: só quando a embalagem o indica (insulinas por abrir, muitas vacinas); frigorífico, nunca congelador.
  • Outros: "não conservar acima de 25 °C" ou "acima de 30 °C"; muitos sem exigência de temperatura. Sempre na embalagem original, longe da luz, da humidade e das crianças.
  • Rotulagem: nome, DCI, dosagem, forma farmacêutica, via, excipientes de declaração obrigatória, conservação, lote, validade, titular da AIM, classificação quanto à dispensa.
  • Folheto informativo: obrigatório; indicações, modo de tomar, contraindicações, interações, efeitos indesejáveis.

Data Matrix e dispositivo de segurança

  • Cada apresentação tem um Código Nacional do Produto (CNP).
  • Regulamento Delegado (UE) 2016/161, em vigor desde 9 de fevereiro de 2019, para a maioria dos MSRM:
    • identificador único num código Data Matrix: código do produto, número de série, lote e validade;
    • dispositivo de prevenção de manipulação: selo que mostra se a caixa foi aberta.
  • Antes da dispensa, a farmácia verifica e desativa o identificador no sistema nacional (MVO Portugal).
  • Selo violado ou alerta do sistema: não dispensar, comunicar ao farmacêutico.

Recapitulando

  • O medicamento tem substância ativa (DCI) e excipientes, e apresenta-se numa forma farmacêutica que determina a via de administração.
  • O percurso no organismo segue as quatro etapas do ADME: absorção, distribuição, metabolização, excreção.
  • Efeito terapêutico, reação adversa, posologia e margem terapêutica orientam a dispensa segura.
  • A classificação MSRM / MNSRM / MNSRM-EF determina como se vende cada medicamento.
  • Populações especiais exigem atenção redobrada; nem tudo se resolve com medicamentos.
  • O uso racional do medicamento e o encaminhamento ao farmacêutico são o fio condutor da profissão.

Próximo: fichas e projeto, identificar e classificar medicamentos em situações reais de atendimento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: DCI e nome comercial são coisas diferentes. É a base para não confundir medicamentos ao balcão. - Erro comum: alunos acham que dois medicamentos com nomes diferentes são sempre substâncias diferentes. - Exemplo: mostrar uma caixa de paracetamol de marca e uma genérica, lado a lado, apontando a DCI em ambas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um excipiente sem ação terapêutica pode, ainda assim, ser clinicamente relevante (alergias, lactose, glúten, sódio dos efervescentes). - Pergunta à turma: onde é que o utente encontra a lista de excipientes do seu medicamento? (folheto informativo, secção de composição). - Exemplo: um utente intolerante à lactose que reage a um comprimido, não à substância ativa mas ao excipiente.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a bioequivalência é uma demonstração científica, não uma dedução a partir do rótulo. - Pergunta à turma: porque é que um genérico pode ser mais barato e ter o mesmo efeito? (não repete os ensaios clínicos do original, só demonstra bioequivalência). - Erro comum: achar que o técnico auxiliar decide trocar marca por genérico; a troca segue as regras da receita e é validada pelo farmacêutico.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: são as formas mais estáveis e fáceis de transportar, daí serem tão usadas. - Erro comum: confundir drageia com comprimido revestido de libertação prolongada, que têm objetivos diferentes. - Exemplo: mostrar uma pastilha para a garganta e explicar a dissolução lenta como parte do efeito.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as siglas no nome comercial (LP, SR, XL, Retard) são pistas de libertação modificada que o técnico deve reconhecer. - Erro comum: achar que todos os revestimentos servem só para o sabor; o gastrorresistente tem uma função terapêutica. - Pergunta: porque é que um comprimido sublingual atua mais depressa que um comprimido oral normal?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: partir um comprimido de libertação prolongada é um dos erros mais perigosos na toma em casa. - Erro comum: achar que "partir ao meio" é sempre inofensivo, só porque a dose fica "mais pequena"; algumas ranhuras são só para facilitar a deglutição, não para dividir a dose. - Exemplo: utente idoso que tritura todos os comprimidos para os misturar na sopa; a pergunta certa é passar a situação ao farmacêutico.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: são formas de uso tópico, destinadas sobretudo à pele e mucosas. - Erro comum: trocar pomada por gel achando que são intermutáveis; a base muda o efeito na lesão. - Exemplo: pele seca beneficia de pomada (oclusiva); lesão a "chorar" beneficia de gel (aquoso).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a distinção solução vs suspensão é a mais testada e a mais confundida. - Erro comum: não agitar a suspensão, dando uma dose diferente no início e no fim do frasco. - Exemplo: um xarope pediátrico não agitado pode dar uma dose fraca de manhã e forte à noite, do mesmo frasco.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o adesivo transdérmico não passa pelo estômago nem pela primeira metabolização hepática. - Erro comum: pensar que um supositório é só "para quando não se pode engolir"; pode ser ação local no reto. - Exemplo: um utente inconsciente ou com vómitos persistentes é candidato à via retal.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: tudo o que é oftálmico e parentérico tem de ser estéril, sem exceção; um colírio aberto tem prazo de utilização curto, indicado no folheto. - Erro comum: usar mal um inalador MDI (não coordenar a pressão com a inspiração lenta), perdendo grande parte da dose; ou agitar um DPI, o que não se faz. - Exemplo/pergunta: qual a diferença de técnica entre um MDI e um DPI? (MDI: agitar, inspiração lenta coordenada; DPI: inspiração rápida e forte, sem agitar).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a via muda diretamente a rapidez com que o medicamento faz efeito e quanto dele chega à circulação. - Erro comum: confundir intramuscular com subcutânea; o tecido onde se injeta muda a velocidade de absorção. - Exemplo: comparar a insulina subcutânea (gradual) com a medicação intravenosa hospitalar (imediata).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: é o efeito de primeira passagem que explica porque certas substâncias precisam de doses orais maiores ou nem se usam por via oral. - Erro comum: dizer que a via retal evita totalmente o fígado; a drenagem é mista. - Pergunta: porque é que a nitroglicerina para a crise de angina se põe debaixo da língua e não se engole?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os tempos são indicativos e variam muito com a substância e a formulação (uma insulina rápida e uma lenta são ambas subcutâneas). - Erro comum: pôr a via subcutânea como mais lenta que a oral; em regra, a absorção subcutânea começa antes. - Pergunta: porque é que uma urgência usa via intravenosa e não oral?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ADME é a sequência que explica tudo o que acontece depois de tomar um medicamento. - Erro comum: pensar que a via intravenosa também "absorve"; na verdade entra já na circulação. - Exemplo: comparar a absorção de um comprimido oral (minutos a horas) com a ausência de absorção numa injeção intravenosa.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: é aqui que se liga o ADME às populações especiais (insuficiência renal e hepática). - Erro comum: esquecer que a excreção não é só urinária; há outras vias, menos usadas mas relevantes. - Exemplo: seguir o percurso completo de um paracetamol oral, do intestino ao rim, com a turma a dizer cada etapa.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a semivida liga o ADME à posologia; é por ela que uns medicamentos se tomam 3 vezes por dia e outros 1. - Exemplo de cálculo: semivida de 8 horas, praticamente eliminado ao fim de 4 × 8 = 32 a 5 × 8 = 40 horas. - Erro comum: pensar que ao fim de 2 semividas o medicamento desapareceu (resta ainda 25%).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: reação adversa não é sinónimo de "medicamento mau"; pode acontecer com uso perfeitamente correto. - Erro comum: achar que só é RAM o que acontece "com a dose certa"; a definição atual inclui erros de medicação e sobredosagem. - Exemplo: pedir à turma que calcule quantos comprimidos são precisos para "1 de 12 em 12 horas durante 10 dias" (20).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um efeito indesejável conhecido e ligeiro continua a ser uma RAM; o que muda é a gravidade e se era esperado. - Erro comum: tratar uma interação como se fosse "alergia"; o mecanismo é outro e a gestão cabe ao farmacêutico. - Exemplo: utente com dificuldade respiratória depois de tomar um antibiótico; chamar o farmacêutico e ligar 112, nunca "esperar para ver".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta é uma das razões mais concretas para o encaminhamento ao farmacêutico. - Erro comum: achar que "um pouco mais" de um medicamento de margem estreita não faz diferença. - Pergunta: porque é que a varfarina exige análises regulares ao sangue?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: estas três classificações são independentes entre si; um medicamento tem sempre as três "etiquetas". - Erro comum: confundir "composto" com "de várias formas farmacêuticas"; é sobre o número de substâncias ativas. - Exemplo: um analgésico com paracetamol e cafeína é um medicamento composto e industrial.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: MNSRM-EF não é "livre", é "sem receita, mas só na farmácia, com intervenção do farmacêutico e protocolo de dispensa aprovado pelo INFARMED". - Erro comum: achar que MNSRM significa "pode vender sem qualquer cuidado". - Exemplo: paracetamol 500 mg (MNSRM, também em parafarmácias) vs ulipristal 30 mg para contraceção de emergência (MNSRM-EF, só em farmácia, com protocolo).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a classificação é da apresentação concreta; a mesma DCI pode ser MNSRM numa dosagem e MSRM noutra. - Erro comum: achar que um MNSRM à venda num hipermercado pode ser vendido por qualquer funcionário; a lei exige pessoal qualificado responsável. - Pergunta: onde se confirma a classificação de um medicamento? (Infomed, a base de dados do INFARMED).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o papel do técnico auxiliar aqui é reconhecer o sinal, não decidir a dose. - Erro comum: tratar estes utentes como "utentes comuns" por não haver sintomas visíveis. - Exemplo: um idoso a tomar seis medicamentos diferentes é um sinal de alerta para polimedicação.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta é a síntese ética da UC inteira, ligada às atitudes do referencial (rigor, responsabilidade). - Erro comum: achar que "só recomendar um MNSRM comum" não é aconselhar terapêutica; escolher um medicamento para um sintoma é indicação farmacêutica, mesmo sendo MNSRM, e cabe ao farmacêutico. - Exemplo: uma dor de cabeça ocasional pode aliviar com hidratação e repouso; uma dor intensa, diferente do habitual ou recorrente é encaminhada.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a condição de conservação é a que está na embalagem daquele medicamento, não uma regra geral. - Erro comum: guardar medicamentos na casa de banho (calor e humidade) ou no porta-luvas do carro. - Exemplo: pedir à turma que encontre, numa caixa real, o lote, a validade, a DCI e a condição de conservação; lembrar a entrega de medicamentos fora de uso no VALORMED.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o objetivo é impedir a entrada de medicamentos falsificados no circuito legal. - Erro comum: achar que todos os medicamentos têm Data Matrix com número de série; os MNSRM, em regra, não têm. - Exemplo: mostrar uma caixa de MSRM com o selo e o Data Matrix, e uma de MNSRM sem eles.